Setor sucroenergético

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Sócia da Cosan Biomassa

O grupo japonês Sumitomo Corporation realizou mais uma etapa do aporte acordado com a Cosan para ampliar para 20% sua participação na joint venture Cosan Biomassa.

A subscrição de R$ 39,04 milhões em novas ações foi aprovada pela assembleia geral extraordinária da companhia realizada em 15 de dezembro e publicada no Diário Oficial de São Paulo na sexta-feira. Foram emitidas 1.840.591 novas ações ordinárias a um valor de aproximadamente R$ 21,21 por ação.

Com isso, o capital social da Cosan Biomassa passou a R$ 100,91 milhões.

A primeira fase do aporte, acordado em R$ 70 milhões, foi realizada em 2016. (Valor Econômico 05/02/2018)

 

Produção da Shell

A Shell vê potencial para ampliar a sua produção de óleo e gás no Brasil em cerca de 100 mil barris diários de óleo equivalente (BOE/dia), com a entrada de três novas plataformas no pré-sal da bacia de Santos a partir de 2018. O volume representa aumento de 28,5% frente à produção da empresa no quarto trimestre de 2017, que totalizou, na média, 350 mil BOE/dia.

O aumento será puxado pelas unidades P-67, P-68 e P-69, previstas para entrarem em operação neste ano, e que representarão, para a Shell, 100 mil BOE/dia, no pico.

O presidente global da Shell, Ben van Beurden, disse ainda que as plataformas de Lula Sul e do teste de longa duração de Mero, que entraram em operação no quarto trimestre, devem continuar a aumentar gradativamente suas produções ao longo de 2018. (Valor Econômico 05/02/2018|)

 

Açúcar: De olho no Brasil

As preocupações em relação à safra 2018/19 de cana-de-açúcar no Brasil seguem gerando volatilidade no mercado futuro de açúcar em Nova York.

Na sexta-feira, os contratos com vencimento em maio fecharam a 13,68 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 19 pontos.

Segundo a Capital Economics, "a combinação de maior demanda por etanol e baixos preços do açúcar sugerem que a produção de etanol poderá consumir uma maior parcela da safra de cana em 2018/19".

Com isso, a FCStone estima uma produção de 32,4 milhões de toneladas de açúcar no país em 2018/19, queda de 10% ante o estimado para o 2017/18.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 54,88 a saca de 50 quilos, queda de 0,67%. (Valor Econômico 05/02/2018)

 

Etanol hidratado cai 0,02% e anidro avança 0,08% nas usinas

O preço do etanol hidratado ficou praticamente estável nas usinas paulistas, com queda de 0,02% nesta semana, de R$ 1,8395 o litro para R$ 1,8391 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro avançou 0,08%, de R$ 1,9479 o litro para R$ 1,9495 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 05/02/2018)

 

Native quer disseminar sua revolução

"Deixa eu te dizer como funciona: aqui é a sala da doutrinação". Leontino Balbo apaga a luz, acomoda-se à mesa diante de seu laptop e projeta o primeiro das dezenas de slides que viriam a seguir para recontar 30 anos de história da Native, marca líder de açúcar orgânico no mundo e que começa agora a olhar para além da cana. "Aqui já sentaram presidentes de multinacionais, secretários e ministros. Em geral, eles ficam dois dias para entender direito o trabalho que a gente faz". Ao Valor, ele falou por sete horas e meia, desconsiderando a pausa do almoço.

As longas explanações ancoradas em power-point fazem parte da estratégia que o usineiro brasileiro chama de marketing realista, o antídoto do "greenwashing". Crítico contumaz de empresas que pregam a sustentabilidade "da boca para fora", ele dedica tempo aos porquês que ajudam a explicar como seus canaviais no interior paulista tornaram-se um modelo de produção limpa e levaram a Native à liderança global em produção e exportação de açúcar orgânico.

Estatísticas, inventários, fotos, estudos, gráficos, tudo está nesses slides (já são mais de mil). A Native tem apresentações específicas para cada perfil de seus 64 países compradores. Para alemães, dados de recuperação de fauna são preciosos. Japoneses, obcecados por assepsia, preferem informações sobre a fabricação e limpeza de produto. O pano de fundo comum a todas, no entanto, são os resultados operacionais: uma produtividade 25% maior que a média dos canaviais paulistas e seis cortes por ciclo, contra quatro nos plantios convencionais. E sem a necessidade de aplicação de uma molécula química na planta ou no solo.

"Nós estamos quebrando paradigmas", diz Leontino, frisando o tempo verbal no gerúndio porque, diante da viabilidade da produção sustentável na cana, ele deu início a experimentos em lavouras de soja e milho sem defensivos e adubos químicos - com resultados "que irão incomodar muita gente", diz.

Em um episódio inédito em 2016/17, a Native semeou 30 hectares de soja e milho. O plano não é diversificar, mas endossar que o manejo correto, com ênfase na autonomia da natureza, pode ser estendido a qualquer cultura. Segundo Leontino, o rendimento inicial na soja foi de 3.840 Kg por hectare (na média nacional, a Conab estima para esta safra 3.156 kg). No milho, 7.200 Kg por hectare (contra 5.405 kg na média do país). A colheita foi vendida para a alimentação de aves da Korin e da Fazenda da Toca, de Pedro Paulo Diniz, voltadas ao mercado de ovos sem antibióticos e orgânico.

"Fomos bem-sucedidos, mas há muito o que aprendermos sobre manejo orgânico destas culturas", diz Leontino. Ele repete: "Não quero ser produtor de grãos, quero que os produtores de grãos migrem para uma agricultura sustentável de verdade", enfatiza. "Tenho sido procurado por grandes grupos agropecuários do Centro-Oeste que acham que poderão ter problemas no futuro se continuarem produzindo da forma convencional intensificada". Questionado, não revela nomes. "Os grandes".

Leontino é o principal executivo e a alma da Native, do Grupo Balbo, criado em 1956 pela família de imigrantes italianos em Sertãozinho. Com faturamento de R$ 298 milhões em 2017/18 (31% superior ao anterior), a marca já representa um terço da receita total da companhia de açúcar e álcool, graças ao prêmio que praticamente dobra o preço do adoçante orgânico.

Guardada toda a volatilidade deste mercado, o produto orgânico vale atualmente US$ 600 a tonelada para exportação. Já bateu nos US$ 800, quando a demanda superou a oferta, diz William Hernandes, sócio da consultoria FG/A. À tonelada convencional paga-se US$ 300. No varejo brasileiro, as políticas de margem encarecem ainda mais o orgânico - não raro, três vezes o valor do convencional.

"A Native consolidou-se como a maior empresa em produção de açúcar orgânico do Brasil e, portanto, do mundo", diz o analista.

No ciclo atual, que se encerra em março, a Native produziu 87 mil toneladas de açúcar orgânico. Como no mercado convencional, a maior parte - neste caso, 64 mil toneladas - segue para o exterior. Isso garante à empresa participação de 31% no consumo global de açúcar orgânico, de 280 mil toneladas. Conforme a FG/A, apenas duas outras usinas entraram e ficaram no segmento de nicho - Jales Machado, com 70 mil toneladas e quase 20% do mercado global, e Goiasa, com 35 a 40 mil toneladas e participação estimada de 10%.

Há três anos a Native iniciou investimentos de R$ 43 milhões para expandir a capacidade de sua usina. A meta é finalizar esse processo em 2019 e atingir uma produção de 140 mil toneladas de açúcar.

"O orgânico representa só 0,16% do mercado mundial de 178 milhões de toneladas de açúcar de cana e beterraba. Nem arranha. É ruim por ser um mercado pequeno, e ótimo por ter tudo isso para substituir", diz Leontino, deslizando rapidamente o cursor até chegar à tela do começo da história.

Nascido e criado na Usina São Francisco, onde a produção de açúcar orgânico está concentrada, Leontino alçou a Native à primeira posição com um misto de subversão (palavras suas) e rompimento com o status quo do campo.

"A agricultura hoje não atende a uma agenda social, mas uma agenda corporativa. É para atender a necessidade de remuneração do capital dos acionistas e as multinacionais sabem que não precisa de 80% [do que elas vendem ou prescrevem para o produtor]. Eu entro hoje em qualquer fazenda do Brasil e diminuo em 50%, de cara, o uso de produto químico e elevo a produtividade em 10%. E depois podemos pensar em tirar tudo".

Curiosamente, não foi o modo de produção orgânico, apesar de certificá-lo como tal - que garantiu viabilidade ao açúcar Native. Desde meados do anos 80, o usineiro trabalha em uma metodologia científica intitulada "Agricultura Revitalizadora de Ecossistema". Mais conhecido como ERA, a sigla em inglês para ajudar na doutrinação de clientes estrangeiros, o sistema desenvolvido por Leontino gera, segundo ele, resultados melhores a custos menores. Mais: ele viabiliza a produção sustentável em larga escala, algo ainda difícil para a concorrência orgânica.

Em pequena e média escala, até 60, 100 hectares, esterco de vaca funciona. Os produtos são saudáveis, a produtividade é ótima, é certificável. Mas passou daí, a produtividade cai e não sustenta mais".

O ERA parte do pressuposto de que a natureza é autorregulável. Para ele, a discussão vai muito além de usar defensivo. Ao contrário da grande indústria, a Native preza seus micro e macroorganismos. Não existem pragas, mas situações de descontroles de determinada população, derivadas de algum desequilíbrio que precisa ser reencontrado.

Formado em agronomia pela Unesp, Leontino teve a primeira grande reflexão ainda na faculdade. A meia dúzia de filhos de produtores, como ele, já tinha o futuro determinado ao negócio familiar. Os 84 restantes da classe de 90 trabalhariam na indústria química.

"Na faculdade, nós estudamos germinação, fisiologia, reprodução, tudo relacionado à vida. Aí saímos e vão trabalhar para 100% para a morte. Plantas e bichos viram pragas. Isso me chocou. O Estado gasta uma média de R$ 8 mil a R$ 9 mil por mês para formar um cara que vai sair dali como um vendedor especializado em agrotóxico".

Como previsto, Leontino começou a trabalhar na usina em 1984. Passou dois anos aperfeiçoando a parte operacional. Ganhou a confiança do pai e dos cinco tios no comando da empresa, até de Alcides, o mais duro de dobrar. Com o moral em alta, virou-se para a família e sugeriu "mexer nas coisas".

A primeira grande mudança foi o desenvolvimento de máquinas para pôr fim à queima do canavial, os embates com o Ministério Público já eram frequentes no setor.

Então, Leontino passou a sonhar alto. Não queria fazer produção intensiva e sabia que o orgânico não daria escala à usina. "Entrei no mato para encontrar respostas". Voltou-se a Goethe, Heigel, à "Evolução Criadora" de Bergson. Com o filósofo alemão Edmundo Husserl aprendeu que a experiência é a fonte do conhecimento e esmerou-se na fenomenologia.

"Eu percebi que todas as iniciativas que eu tinha deflagrado até então eram mera adaptação de tecnologia de cana queimada para a crua". Ele discorre sobre a teoria da trofobiose, uma de suas paixões: adubada por meios naturais, a planta tem a sua fisiologia direcionada para a construção de proteínas e moléculas tão complexas que tornam seus tecidos não digeríveis por bactéria, fungo e inseto.

Com a soja foi assim. Leontino diz que apareceram apenas quatro helicoverpas, o maior temor dos sojicultores, na lavoura, mortas. "Coloco a planta num estágio fisiológico tal que a lagarta começa a comer e morre. A própria planta mata a praga. É a natureza que faz isso. Eu só ajudo dando o conforto necessário para as plantas mostrarem o seu potencial". Ele fala alto, como quem quer ser escutado. (Valor Econômico 05/02/2018)

 

Clima favorece canaviais e moagem de cana deve avançar para 589 mi ton no Centro-Sul

Ainda assim, cálculos da INTL FCStone apontam para um resultado inferior ao obtido no ciclo anterior, 2016/17.

A consultoria INTL FCStone projeta que entre os dias 16 de janeiro e 31 de março as usinas do Centro-Sul processem cerca de 5,5 milhões de toneladas, chegando ao total de 589 milhões de toneladas métricas em toda a safra 2017/18 de cana-de-açúcar na região (contra as 584,3 milhões de toneladas projetadas anteriormente pelo grupo). Ainda assim, esse volume seria 3,0% menor que a moagem durante a safra 2016/17.

“A precipitação acumulada sobre os canaviais do Centro-Sul brasileiro durante a temporada chuvosa na região, que compreende os meses entre outubro e março, têm se mostrado bastante favoráveis ao desenvolvimento vegetativo das plantas”, escreveu a INTL FCStone, em relatório.

Essa condição, por outro lado, levou a um menor processamento de cana-de-açúcar nessa época, com destaque à primeira quinzena de janeiro, cuja moagem foi apenas 166 mil toneladas e o número de usinas ativas, apenas 6, de acordo com informações da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

O cenário de preços elevados e demanda aquecida pelo etanol hidratado, reflexo da entressafra canavieira no Centro-Sul somada à recente valorização da cotação do barril de petróleo no mercado internacional, que aumentou o preço da gasolina no Brasil, pode levar alguns produtores a adiantar o início da próxima colheita, o que seria contabilizado ainda como safra 2017/18, caso ocorra antes do dia 1º de abril.

Ainda segundo cálculos da consultoria, o Açúcar Total Recuperável (ATR) médio acumulado na safra até metade de janeiro ficou em 137,3 Kg ATR/tonelada de cana, 2,6% acima da mesma época da safra anterior e o maior valor para este indicativo agroindustrial desde 2011/12. Assim, “mesmo com uma moagem menor que no ciclo 2016/17, tanto a produção de açúcar quanto a de etanol mostra avanço no comparativo ano-a-ano”, resume a INTL FCStone.(INTL FCStone 02/02/2018)

 

Perspectiva de maior produção de açúcar na Ásia e na Europa eleva superávit de 2017/18

O balanço global de oferta e demanda de açúcar na safra 2017/18 deve consolidar superávit maior do que o esperado, devido ao incremento de produção da Europa e Ásia, em países como França, Alemanha, Índia e Tailândia. De acordo com a revisão da INTL FCStone, o saldo atingirá 3,6 milhões de toneladas (contra as 2,8 mi t estimadas no início de novembro de 2017 pelo grupo).

“O maior volume de beterrabas nos levou à necessidade de elevar para 19,5 milhões de toneladas (valor branco) a nossa projeção de produção de açúcar no bloco composto por 28 países. Caso essa expectativa se confirme, representaria um avanço anual de 24,7% na produção de açúcar da União Europeia”, escreveu a INTL FCStone, em relatório.

A revisão trouxe aumento de 600 mil toneladas em relação à projeção anterior, o que, na visão dos especialistas, pode ser explicado pela forte expansão da área plantada após a liberalização do mercado europeu de açúcar depois de diversos anos de restrições à produção e comercialização impostas pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Já em relação à Ásia, perspectivas para China e Paquistão foram reduzidas, mas são mais que compensadas pela Índia e Tailândia.

Somente na Índia, o bom andamento da safra por lá levou a aumento da perspectiva de produção de açúcar de 25,0 para 26,3 milhões de toneladas (valor branco), o que, isoladamente, foi a maior variação influenciando a estimativa de superávit global.

Na Tailândia, o bom desenvolvimento da safra 2017/18 que, assim como na Índia, é reflexo do cenário climático mais favorável, levou as usinas do país a registrarem novos recordes históricos de moagem de cana e produção de açúcar diários. “Como, sazonalmente, os maiores valores de produção diária só costumam ocorrer em meados de fevereiro, é provável que a fabricação de açúcar no país continue robusta”, ressaltou o grupo, em relatório.

A projeção para a produção tailandesa de açúcar foi elevada para 12,4 milhões de toneladas, versus estimativa de 11,9 mi t feita em novembro, o que seria um crescimento ano a ano de 17,2%.

Na China e no Paquistão, os cálculos apontaram redução. No primeiro, a baixa foi de quase 300 mil toneladas, passando de 10,6 para 10,3 milhões de toneladas métricas (valor branco). No segundo, a redução foi menor, de cerca de 100 mil toneladas, para 7,4 milhões de toneladas métricas.

Já nas Américas, é esperado menos açúcar no Brasil e em Cuba, além de uma produção maior nos Estados Unidos. Nesse último, o aumento é reflexo das taxas de recuperação de açúcares a partir da beterraba nos primeiros meses do processamento se mostrando acima do esperado, ficando próximas dos recordes recentes, enquanto os danos causados pela passagem dos furacões Irma sobre os canaviais da Flórida e Harvey sobre os da Louisiana foram mais amenos que o projetado anteriormente.

Apesar do incremento no lado da oferta, a demanda global também deve ganhar fôlego pelo aumento na perspectiva de crescimento da economia mundial, de +3,6% para 2017 e +3,7% para 2018 nas estimativas de outubro, para +3,7% e +3,9%, respectivamente, nas projeções de janeiro, segundo o relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A revisão da INTL FCStone aponta para um consumo global na safra 2017/18 em 183,8 milhões de toneladas, 1,1% acima da safra anterior e 0,3% maior que a projeção de novembro.

Com isso, os estoques globais da commodity alcançariam 74,6 mi t ao final da safra atual, 5,1% acima dos estoques finais do ciclo 2016/17. Já a relação estoque/uso em 2017/18 ficaria em 40,6%, 1,6 pontos percentuais acima da safra anterior e o maior valor para este indicativo desde a safra 2014/15.

Projeção para 2016/17 foi revisada

Em sua última revisão do saldo global de açúcar para o ano-safra 2016/17 (outubro a setembro), a INTL FCStone alterou a projeção de déficit de 2,5 para 2,4 milhões de toneladas métricas após a revisão de dados oficiais de produção da commodity durante o último mês do período em importantes regiões do mundo. (INTL FCSTONE 02/02/2018)

 

Agronegócio e expansão industrial

Um substancial parque industrial suporta e amplifica nossa competitividade.

O agronegócio, com sua sofisticação tecnológica, traz muitas oportunidades de expansão industrial.

A mais evidente está ligada ao processo produtivo: máquinas, como tratores, colheitadeiras e implementos de todos os tipos para a produção agrícola; insumos, entre os quais se destacam os fertilizantes e os defensivos; equipamentos de diversas naturezas como os utilizados na produção florestal e no tratamento da madeira; para tratamento de resíduos e efluentes, que permitem a produção de materiais úteis e energia elétrica; sistemas de irrigação; para a produção leiteira (que, hoje, inclui até robôs); para produção de energia; fábricas de ração para animais; sais, vitaminas e produtos veterinários, para listar os mais relevantes. A imensa maioria desses bens são produzidos aqui.

Nas tecnologias mais recentes, há ainda a combinação de bens e serviços decorrentes da digitalização do setor, como drones, sistemas automatizados de alimentação de animais, sistemas de controle de irrigação, sistemas de gestão da propriedade e da empresa etc.

Uma área enorme se abre no que tange ao processamento, embalagem e a armazenagem dos produtos agrícolas e de uma extensa cadeia ligada à produção de alimentos e fibras e à exportação.

Coisas novas estão ocorrendo na produção de energia e combustíveis. Aqui, muito já se fez, como o desenvolvimento de motores flexíveis e os programas do etanol e do biodiesel. Entretanto, muito mais está por acontecer, como por exemplo, a possibilidade de desenvolvimento de carros híbridos movidos a etanol e combustíveis de segunda geração.

Ainda falando de inovações, estamos em meio a grandes avanços na produção de novos materiais, decorrentes de tecnologias, que permitem manipulação até o nível atômico. Em futuro breve, voltaremos a esse tema.

A reconhecida competitividade do agronegócio brasileiro não decorre apenas do seu povo, de seus recursos naturais e do avanço das pesquisas. Um substancial parque industrial participa, suporta e amplifica nossa posição.

Esses segmentos industriais e muitos serviços não pararam de crescer e investir, mesmo em meio a enorme crise que se abateu sobre o País. Grandes oportunidades estão ainda por ser aproveitadas ou desenvolvidas.

Exemplo. Um belo exemplo de inovação industrial associada ao agronegócio ocorreu na nova fábrica de celulose da Suzano, recém-instalada em Imperatriz do Maranhão.

No fim do ano passado foi inaugurada, dentro do complexo da celulose, uma unidade satélite da Peróxidos do Brasil (joint venture do grupo Solvay e da Produtos Químicos Makay), produtora de peróxido de hidrogênio, a primeira do mundo desse tipo.

Esse projeto tem várias características especiais. Sendo uma planta dedicada, é de escala relativamente baixa, de 12 mil toneladas/ano. Apenas para comparar, as escalas usuais para produção do produto chegam até a 300 mil toneladas/ano.

Entretanto, para que essa planta tivesse custo competitivo foram necessários revisão e redesenho da química de processo e do design de equipamentos. A unidade combina uma gama única de novas tecnologias proprietárias e inovadoras, com um processo simplificado e intensificado, um layout modular e compacto e um projeto pré-moldado e montado em plataforma. Foram totalmente desenvolvidas no Brasil e algumas dessas inovações foram patenteadas.

A operação é remota, mas não independente, uma vez que é totalmente controlada pela planta-mãe que se localiza em Curitiba.

Reforça a competitividade do novo projeto, o fato de se utilizar da infraestrutura industrial, das utilidades e matérias-primas já disponíveis no site do cliente, em Imperatriz do Maranhão.

Finalmente, a original solução desenvolvida para esse projeto tem um forte apelo ambiental, pois a planta evita centenas de viagens de caminhão que teriam de ocorrer se o suprimento do produto tivesse que ser feito da fábrica no centro-sul do País.

O novo desenho deverá ser exportado para outros locais do mundo. (O Estado de São Paulo 04/02/2018)

 

Gasolina, etanol e diesel renovam novas máximas nos postos do Brasil

Os preços mais altos no país seguem as cotações do petróleo e aumento de tributos.

Os preços médios de gasolina, etanol e diesel renovaram máximas nominais nos postos do Brasil nesta semana, mantendo uma tendência vista neste início do ano, segundo pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Os valores da gasolina subiram 0,55% ante a semana anterior, para uma média nacional de R$ 4,221 por litro; os do diesel avançaram 0,4%, para R$ 3,395 por litro; enquanto os do etanol avançaram 0,7% , para R$ 3,023 por litro, informou a ANP nesta sexta-feira (2)

Os valores recordes nominais foram apurados com base em série histórica da ANP, que não leva em conta a inflação.

Os preços mais altos no país seguem as cotações do petróleo e também decorrem de um aumento de tributos dos combustíveis (PIS/Cofins) em meados do ano passado.

A alta registrada nas cotações dos três combustíveis nesta semana ocorre apesar de a Petrobras, que monopoliza o refino de petróleo do país, ter anunciado altas e baixas nos valores do diesel e da gasolina ao longo da semana.

Os valores dos postos não dependem apenas das cotações da Petrobras, que também sofre concorrência de importadores de combustíveis. Além disso, as margens das distribuidoras e revendas influenciam nos preços aos consumidores.

Nesta semana, a maior alta diária anunciada pela Petrobras para o diesel foi de 0,8% , em vigor no dia 30 de janeiro. No caso da gasolina, a maior alta, também de 0,8%, entrou em vigor em 2 de fevereiro. (Folha de São Paulo 02/02/2018 às 20h: 45m)

 

Açúcar: Os Fundos não tem pressa – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY continua como água de morro abaixo, levando tudo que encontra pela frente. Muitas usinas estão pagando o preço pela espera por dias melhores que acabaram não vindo e, ato contínuo, um volume de fixações por fazer acabou se acumulando contra o vencimento março de 2018. Sair desse labirinto é uma equação de difícil solução. No entanto, talvez já tenhamos visto o pior em termos de preços para os produtores.

O contrato futuro de açúcar para março/2018, que expira no final deste mês, encerrou a sexta-feira negociando a 13.63 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 26 pontos em relação ao dia anterior, mas basicamente inalterado em relação à sexta-feira da semana passada. A semana foi tensa quando o março chegou muito próximo dos 13 centavos de dólar por libra-peso. Muita gente roendo as unhas.

Vários executivos e profissionais do mercado estão se deslocando para Dubai onde, a partir deste sábado, ocorre a Conferência Anual de Açúcar. Normalmente as conversas lá costumam ter um viés baixista, por razões óbvias, afinal o organizador do evento é um grande comprador. O impacto na maioria das vezes foi neutro, exceção feita ao ano passado em que os preços colapsaram, não por causa da Conferência, mas porque estavam inflados mesmo.

Uma inquietação que temos sentido em conversas com vários executivos do setor tem sua raiz no tamanho da próxima safra de cana. Não há dúvidas que vamos ter um ano com menor cana para moer, menor produtividade (haja vista que a produção na 2017/2018 foi excepcional) e muito menos açúcar.

Nossa terceira estimativa para a safra 2018/2019 do Centro-Sul prevê uma moagem de 580 milhões de toneladas de cana, com uma produção de 30.5 milhões de toneladas de açúcar (uma redução de 5.3 milhões de toneladas em relação ao número da UNICA para 2017/2018) e 26.5 bilhões de litros de etanol (um aumento de 1.3 bilhão de litros). Esse número foi obtido considerando um mix de 41.4% de açúcar, que é ligeiramente superior às expectativas de alguns executivos que apostam em um mix de 40%. Se eles estiverem certos, pode cortar mais um milhão de toneladas de açúcar dessa conta. Já imaginaram, né?

Há exatamente um ano quando o mercado negociava 20.42 centavos de dólar por libra-peso, comentei aqui que sentia um cheiro de cisne negro no ar, certamente afetado pelo convívio de uma semana no curso que participei ministrado pelo Professor Nassim Taleb. O mercado estava pronto para uma virada. Os fundos estavam pesadamente comprados. E hoje estão pesadamente vendidos. A história é a mesma, mas com sinal trocado.

Hoje, sabemos que os fundos montaram uma estratégia chamada long-short que consiste em vender a descoberto um determinado ativo e comprar outro ativo que acreditam que vai subir, usando o mesmo valor nocional, isto é, vendem determinado valor equivalente em açúcar e compram o mesmo valor equivalente em petróleo, por exemplo. Assim, eles estão pesadamente vendidos nas soft commodities (principalmente café e açúcar) e pesadamente comprados em energia (petróleo). Enquanto açúcar e café caíram no acumulado do ano 10% e 4.5%, respectivamente, o petróleo subiu 8.5%. Ou seja, os fundos estão ganhando centenas de milhões de dólares com a abertura desse spread.

Os fundos não têm pressa de sair de suas posições vendidas no açúcar por várias razões: uma, eles estão no lucro; duas, tecnicamente o mercado continua apontando para baixo; três, o petróleo continua firme e dá sustentação para a posição que mantem no açúcar; quatro, toda vez que o mercado se move as usinas atrasadas nas fixações aproveitam a subida e fixam preços. Ou seja, os fundos não precisam ter pressa nenhuma. E o último fator citado é o que tem feito a diferença.

A preocupação é se eles saírem das duas posições de maneira simultânea (e isso não é raro). A eventual subida que o açúcar teria com a recompra da posição vendida por parte dos fundos poderia eventualmente ser neutralizada com a queda do petróleo que afetaria o valor da gasolina na bomba e então o hidratado. Ou seja, essa diferença entre os dois mercados se estreitaria para um valor mais justo. Explico melhor.

A curva do preço do petróleo para os próximos três meses, assumindo que a Petrobras vai manter sua política de transparência na formação de preços e que o dólar vai continuar entre R$ 3,1600 e R$ 3,2000, mostra um preço médio da gasolina na bomba em R$ 4,0000 o litro.

Vamos admitir duas hipóteses: primeira, assumindo que 70% desse valor é o máximo que o hidratado pode ser negociado na bomba mantendo sua competitividade. Segunda, vamos imaginar que no início da safra as usinas pressionem a venda do hidratado a tal ponto que sua paridade com a gasolina chega a 65%.

Assim, estabelecemos como preço máximo do hidratado R$ 2,8000 por litro e mínimo de R$ 2,6000 por litro, na bomba. Esses valores equivalem a R$ 1,7434 e R$ 1,5434 por litro, respectivamente na Usina, sem impostos. O primeiro demandaria que o açúcar em NY negociasse a 16.42 centavos de dólar por libra-peso para empatar enquanto o segundo coloca NY a 14.74 centavos de dólar por libra-peso. Portanto, esse seria o intervalo de preços justo para o período março-abril-maio.

Ah, mas o que acontece se o Brent cair para 55 dólares por barril e o real se valorizar para R$ 3.000? O preço justo de NY deveria ser 14.88 centavos de dólar por libra-peso.

Uma boa aposta para quem gosta de cisnes negros: comprar uma call (opção de compra) de preço de exercício 18 centavos de dólar por libra-peso financiada com a venda de uma put (opção de venda) de 11 centavos de dólar por libra-peso, ambas com vencimento em outubro/2018.

Restam apenas quatro vagas para o XXIX Curso de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas que vai ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de março de 2018, em São Paulo, Capital, no Hotel Wall Street. O próximo Curso, só deve ocorrer em agosto de 2018. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)