Setor sucroenergético

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ADM pode anunciar aquisição da Bunge ainda nesta semana, diz Bloomberg

A trading norte-americana de grãos Archer Daniels Midland (ADM) pode fechar um acordo para adquirir a rival Bunge ainda nesta semana, informou nesta segunda-feira a agência de notícias Bloomberg, citando fontes.

As ações da Bunge chegaram a subir mais de 5 por cento nos negócios pré-mercado. A ADM, que deve divulgar seus resultados na terça-feira, registrou avanço de mais de 1 por cento.

A Reuters, citando uma fonte, informou no mês passado que a ADM havia feito uma proposta pela Bunge.

O potencial acordo vem em um momento em que grandes operadoras de grãos lidam com preços baixos das commodities por causa de anos seguidos de grande produção.

Margens apertadas prejudicaram as operações das tradings, incluindo as da ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company (LDC), que juntas formam o chamado "ABCD" e dominam o comércio internacional de grãos.

Com sede em Nova York, a Bunge, que refutou uma proposta de aquisição da Glencore no ano passado, opera em mais de 40 países e é o maior exportador de produtos agrícolas do Brasil. Já a ADM, com base em Chicago, opera em 160 países.

Pelo fechamento de sexta-feira, a Bunge tinha um valor de mercado de 11 bilhões de dólares, enquanto a ADM, 23 bilhões de dólares.

Uma porta-voz da ADM disse por e-mail que a empresa não comenta "rumores ou especulações". Já a Bunge não quis falar a respeito. (Reuters 05/02/2018)

 

Bayer oferece mais concessões para UE aprovar negócio com Monsanto

A Bayer ofereceu concessões adicionais aos reguladores europeus relativas à sua oferta de 63,5 bilhões de dólares pela norte-americana Monsanto, em meio ao processo antitruste que agora foi estendido até 5 de abril.

As soluções propostas "são muito significantes e estamos confiantes que respondem às preocupações da Comissão Europeia", disse a Bayer em um comunicado.

A Comissão Europeia disse que o prazo para a investigação antitruste ser concluída foi estendido para 5 de abril, ante 12 de março anteriormente.

A Bayer ainda sustenta que almeja concluir o negócio "no começo de 2018".

Tanto a Comissão Europeia quanto a Bayer recusaram-se dizer quais concessões a Bayer apresentou.

A empresa alemã fechou um acordo com a Basf em outubro do ano passado para vender negócios de sementes e herbicidas por 5,9 bilhões de euros (7,36 bilhões de dólares), mas disse que estava disposta a fazer mais para obter a aprovação da União Europeia (UE). (Reuters 05/02/2018)

 

Unica critica IPI menor para carro elétrico

A indicação dada pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic) de que o governo deve reduzir o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de 25% para 7%, tanto para carros elétricos como para os híbridos, comemorada por fabricantes que desenvolvem essas tecnologias, não foi bem recebida pelas usinas de etanol.

Para Elizabeth Farina, presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), essa medida seria "contraditória" em relação aos objetivos do recém-sancionado RenovaBio, marco regulatório criado para elevar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

"Primeiro, o presidente sanciona o RenovaBio, que indica qual vai ser o papel dos biocombustíveis na matriz do Brasil até 2030, o que vai demandar retomada de investimentos em capacidade de produção. No dia seguinte, aparece nos jornais que o governo vai desonerar o carro elétrico, o que aponta na direção de reduzir a participação dos biocombustíveis. Como política pública de orientação de investimentos, é no mínimo difícil de compreender", diz Farina, que passou o último ano acompanhando as discussões que culminaram no RenovaBio.

Nada, porém, que ameace o setor, avalia. "Isso não quer dizer que vai deixar de se apostar no biocombustível, porque temos muitas vantagens em termos de custo, de domínio de tecnologia", ponderou a presidente da associação que reúne usinas responsáveis por cerca de 90% da cana processada no país.

A Unica deve continuar focada neste ano no acompanhamento do RenovaBio, que passará agora pela fase de regulamentação, com a definição das metas de emissão de gases de efeito estufa. Afinal, o grau de incentivo aos investimentos no setor sucroalcooleiro dependerá em grande parte dessas metas, segundo Farina.

A entidade também participa de outros debates. Tem feito périplos por Brasília para discutir com os ministérios as diretrizes do Rota2030, que ainda está sendo elaborado no governo para substituir o Inovar-Auto.

Desde o início das discussões a respeito do RenovaBio, setor privado e membros do governo têm defendido que deve haver um alinhamento dele com o programa para a indústria automotiva. Contudo, mesmo que o objetivo da desoneração dos carros elétricos e híbridos também seja o de reduzir emissões - que é o eixo do RenovaBio - a Unica ainda vê incongruência.

O argumento do setor é que o carro flex é uma solução "ambiental" já desenvolvida pela indústria brasileira e que tem um nível de emissões de gás carbônico menor que os veículos elétricos que rodam na Europa. O cálculo que se faz é das emissões desde a geração da energia elétrica - que na Europa depende em grande parte do carvão - até as emissões do veículo.

A realidade brasileira, porém, é diferente. Atualmente, 81% da capacidade instalada de geração de energia do país é de fontes renováveis, somando as fontes hidráulica, a biomassa, eólica e solar, segundo dados mais recentes do Ministério de Minas e Energia (MME).

Farina reconhece a diferença, mas defende que, "na margem, o crescimento da demanda por energia vai exigir participação maior de fósseis, como o gás". De fato, nos últimos leilões de contratação de energia realizados em 2017, foi alta a participação de termelétricas a gás, que estarão em operação a partir de 2021 e 2023. Com isso, a fatia dos renováveis a partir de então tende a diminuir.

"Se é para estimular o carro elétrico, tem o carro híbrido, que é elétrico. Então, para sinalizar consistência [com o RenovaBio], eu daria uma desoneração maior para o híbrido flex", defende ela.

Ainda não há veículos híbridos flex nas linhas de montagem. A única fabricante que anunciou o desenvolvimento de um modelo desses é a Toyota. Hoje, existem só seis modelos híbridos, todos de luxo, e são abastecidos apenas com gasolina. (Valor Econômico 06/02/2018)

 

Açúcar: Nova alta

As perspectivas de uma safra menos açucareira no Brasil em 2018/19 voltaram a dar impulso às cotações do açúcar na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos com vencimento em maio fecharam a 13,86 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 18 pontos.

Segundo Maurício Murici, da Safras & Mercado, o etanol hidratado está com uma rentabilidade 40% superior na venda quando comparado aos preços do açúcar em Nova York e 20% superior à obtida pelas usinas nas vendas físicas da commodity.

Além disso, a demanda firme pelo biocombustível corrobora as previsões de uma menor produção de açúcar no país na safra 2018/19.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 54,71 a saca de 50 quilos, queda de 0,31%. (Valor Econômico 06/02/2018)

 

Vem aí uma tecnologia que visa falha zero de plantio, cana de três dígitos e a preço acessível

Canavial plantado com 500 quilos de cana muda por hectare. Nova tecnologia Doble TT que tem conceito de semente. Não é plantadora de tolete.

A Doble TT é uma empresa global de máquinas e implementos agrícolas, com fábricas na Argentina, Brasil e África do Sul. Em 2016, a TT do Brasil instalou-se em Lençóis Paulista, no interior paulista. Guillermo Abratte, Diretor General da TT do Brasi, salienta que a empresa é mais que uma fabricante de máquinas, participa de todo o processo de plantio de cana-de-açúcar, para isso, desde 2010 realiza estudos para o desenvolvimento de uma tecnologia que busca propiciar zero de falhas no plantio e cana de três dígitos. E para melhorar ainda mais, a preço acessível.

A tecnologia ainda é segredo, mas Guillermo nos adiantou que envolve a muda, a máquina, o preparo do solo, e materiais novos, ainda não utilizados na cana e que oferecem condições para que a nova muda possa se desenvolver. “Nossa tecnologia será para grande escala e utilizada por todos. Será uma ferramenta que vai complementar a muda pré-brotada (MPB) em relação às falhas. O processo todo será feito pela TT, mas não seremos donos da muda, da variedade. O cliente poderá plantar quando quiser, a variedade que gosta e a quantidade que precisar. Ele terá maquinário e tecnologia para poder trabalhar com 500 kg por hectare (hoje a média do setor é 20 toneladas de cana-muda por hectare). Nossa nova tecnologia tem conceito de semente. Não é plantadora de tolete.”

Os testes da nova tecnologia estão sendo realizados na Argentina e, recentemente, foram ampliados para um produtor das ilhas do Caribe. A Doble TT criou um setor só para desenvolver a tecnologia e agilizar o processo, em decorrência da necessidade do mercado. O produto está sendo adequado para atender às condições brasileiras e os testes de campo já começam agora em fevereiro, nas terras de um produtor de cana no interior paulista. O objetivo é que o Brasil venha ser o primeiro a receber esse sistema.

“Vamos iniciar parcerias com produtores. Acreditamos que exista muita gente com conhecimento para contribuir no desenvolvimento desse processo. Claro que temos um fim comercial, mas nosso objetivo é ajudar o setor a produzir mais e melhor. Pensamos que esse projeto trará conceitos novos de trabalho e estamos abertos para todos aqueles que tenham alguma ideia para aprimorá-lo. Em breve, teremos ferramentas disponíveis para compartilhar a informação com aqueles que desejam fazê-lo”, diz Guillermo.

Na próxima edição da Cana Online você saberá mais sobre essa tecnologia revolucionária que está sendo desenvolvida pela TT do Brasil. (Cana Online 05/02/2018)

 

Governo busca atrair investimentos para novas refinarias no país

O governo brasileiro vê necessidade de construção de refinarias e já prospecta investidores no exterior.

"Com o aumento da exploração e da produção de óleo, o Brasil precisa vai precisar de refinarias. Nossa ideia é estimular a iniciativa nacional e estrangeira a analisar projetos no setor no país", diz o ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia).

"Hoje, o Brasil já tem um déficit no refino de aproximadamente 600 mil barris por dia. Esse número tende a crescer e o desafio do governo brasileiro agora é atrair investimentos para o setor".

Em janeiro, foi criado um grupo de trabalho no CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) para identificar os gargalos na área, e que deve apresentar em março propostas para dar subsídio ao governo para captar esses investimentos.

A Petrobras havia anunciado, na gestão do presidente Sergio Gabrielli, que faria sete refinarias e não fez nenhuma, diz Coelho.

"Só fez um pedaço da de Pernambuco. Hoje, exportamos um milhão de barris de óleo cru por dia e importamos 600 mil barris de produtos refinados por dia. Com a produção e a economia em expansão, o país vai precisar de mais combustíveis".

A alocação de recursos em refino no Brasil se dará sem a Petrobras, que não fará investimentos no setor.

"É um desafio atrair investidores porque há uma sobre oferta de refinarias no mundo. Quem já refina, quer otimizar sua capacidade já instalada, não quer construir novas refinarias, mas todo país quer ter sua refinaria porque é uma segurança ter o produto transformado".

Uma refinaria representa um investimento de US$ 8 bilhões a US$ 10 bilhões. Empresas chinesas teriam interesse no setor e o governo prospecta outras empresas.

"Os estudos no CNPE mandam um recado de que o governo brasileiro quer priorizar esse tipo de investimento". (Folha de São Paulo 05/02/2018)

 

MST deixa usina ocupada pela 20ª vez no interior de São Paulo

Militantes alegam que empresa em Serrana (SP) tem dívida milionária, enquanto advogado afirma que penhora de fazenda aguarda recursos judiciais.

Protesto realizado em abril de 2017 era contra demora no processo que corre há cerca 30 anos e até o momento não foi julgado.

Cerca de 200 famílias ligadas ao Movimento dos Sem Terra (MST) ocuparam, sábado, 4, uma área da Usina Martinópolis, no município de Serrana, na região de Ribeirão Preto, interior de São Paulo. Foi a 20ª vez nos últimos oito anos que o movimento ocupou a mesma fazenda, mas os sem-terra foram retirados no mesmo dia pela Polícia Militar. A liminar de reintegração de posse dada na última ocupação, no ano passado, ainda estava em vigor. Os invasores retornaram para o acampamento Alexandra Kollontai, na mesma região.

O advogado da usina, José Eduardo Barreiros, disse que o MST tenta ganhar a propriedade “no grito”. “Eles querem vencer pelo cansaço, mas a empresa vai defender seu patrimônio”, disse. Os 1,8 mil hectares são produtivos e estão plantados com cana-de-açúcar, segundo ele.

Em nota, o MST alegou que a usina acumula uma dívida milionária de impostos e que a Justiça já penhorou o imóvel, que deve ser adjudicado e destinado à reforma agrária. “Faremos um assentamento agroecológico no local, que está sobre a área de recarga do aquífero Guarani”, diz a nota.

Barreiros disse que apenas uma parcela de 520 hectares da fazenda foi penhorada no processo, mas há vários recursos e outras medidas judiciais pendentes de julgamento. “Os cálculos usados para definir os débitos fiscais foram impugnados e esperamos que o valor devido caia para 30% do que está sendo cobrado. No momento em que o valor líquido e certo for definido, a empresa vai fazer o pagamento. Não podemos pagar o que está sendo cobrado em valor três vezes maior.” A usina, que produzia açúcar e álcool, parou de funcionar há cinco anos, mas a cana produzida nas terras abastece outras usinas da região. (O Estado de São Paulo 06/02/2018)