Setor sucroenergético

Notícias

Lucro líquido da Raízen cai 40,5% no 3º trimestre

Raízen relata lucro líquido de R$ 612,6 mi no 3º trimestre, queda de 40,5%.

A Raízen, joint venture da Cosan e da Shell, relatou lucro líquido de R$ 612,6 milhões no terceiro trimestre de 2017 com queda de 40,5% sobre igual período de 2016/2017, quando lucro líquido ficou em R$ 1,029 bilhão. Este é o terceiro balanço da companhia na história, e compreende o período entre os meses de outubro, novembro e dezembro. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ajustado caiu 2,1%, entre os períodos para R$ 1,691 bilhão no período.

O balanço, divulgado nesta sexta-feira (9), inclui os braços de energia e combustíveis da companhia. A receita operacional líquida de Raízen avançou 7,9%, para R$ 22,15 bilhões. A Raízen Energia, maior companhia sucroenergética global, relatou lucro líquido no período de R$ 178 milhões, ante lucro líquido de R$ 558 milhões no 3º trimestre de 2017. "Essa variação se deve principalmente ao efeito da expressiva valorização de ativo biológico observada em dezembro de 2016, de R$ 329 milhões, devido à alta do índice Consecana (utilizado para o pagamento da matéria-prima) no período.

No acumulado da safra 2017/18 tivemos um lucro de R$ 372 milhões frente a um acumulado da safra anterior de R$ 1,112 bilhão", relatou a Raízen. A Raízen Energia processou 13,3 milhões de toneladas no 3º trimestre e 60,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nos nove primeiros meses da safra 2017/2018, iniciada em março de 2017. Os volumes representam altas de 17% e 2%, respectivamente, sobre iguais períodos da safra passada.

A receita líquida ajustada da Raízen Energia foi de R$ 3,4 bilhões (-7%), "reflexo principalmente dos menores preços médios de açúcar e etanol, comparados ao 3º trimestre de 2017, apesar dos maiores volumes vendidos de açúcar e energia (com melhor preço)", relatou.

Já a Raízen Combustíveis reportou lucro líquido de R$ 453 milhões no trimestre encerrado em 31 de dezembro, ante lucro líquido de R$ 545 milhões reportados em igual período anterior. A receita líquida do 3º trimestre de 2018 da Raízen Combustíveis alcançou R$ 19,4 bilhões (+8%), em função do volume de vendas 4% superior ao 3º trimestre de 2017 e maior preço médio (+3%) no período.

Nos nove meses do ano-safra (abril-dezembro), o maior volume vendido (+3%) com preços médios melhores (+3%) garantiu uma receita líquida total de R$ 55,1 bilhões, 6% acima do acumulado da safra 2016/17. As vendas de combustíveis cresceram 4,3% no trimestre, para 6,58 bilhões de litros, com destaque para o etanol, com aumento de 34,3% entre os períodos, para 855 milhões de litros.

Nos nove meses de safra, as vendas totais da Raízen Energia avançaram 3%, para 19,44 bilhões de litros. (Jornal do Comércio 12/02/2018)

 

Açúcar: Correção em NY

 Os contratos futuros de açúcar demerara fecharam em forte queda ontem na bolsa de Nova York, refletindo um movimento de correção por parte de gestores de investimentos.

Os papéis com vencimento em maio caíram 17 pontos a 13,44 centavos de dólar por libra-peso. Segundo a Marex Spectrum, a correção foi baseada em análises gráficas, mas também em fundamentos.

Com o preço do etanol em leve queda no Brasil e na Rússia, a corretora avalia que o mix de produção será mais açucareiro que o anunciado.

"É improvável que o mix fique abaixo de 41% [da cana colhida] e, se isso ocorrer, não será suficiente para acabar com o superávit global", diz a análise.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 54,39 a saca na sexta-feira, dia 9, alta de 0,41%. (Valor Econômico 14/02/2018)

 

Etanol: Hidratado cai 0,33% e anidro recua 0,13% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas caiu 0,33% nesta semana, de R$ 1,8391 o litro para R$ 1,8330 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro recuou 0,13%, de R$ 1,9495 o litro para R$ 1,9469 o litro, em média, segundo o Cepea/ESALQ. (Broadcast 09/02/2018)

 

Preços e demanda pelo etanol começam a deixar a entressafra com cara de safra

Os volumes de produção são relevantes para o período, contando com boa oferta de cana bisada e cada vez mais cana nova ajudada pelo clima dos últimos 4 meses.

A entressafra da cana já começa a ficar com ares de safra e poderá ficar mais acentuada nas próximas semanas. Naturalmente que longe do volume de produção que se verá a partir de abril, quando do início do ciclo 18/19, mas os números já mostram que o esmagamento cresce em termos relativos. E o etanol é a chave, na rabeira de um preço da gasolina na bomba acima, folgadamente, de R$ 4,00 nos postos embandeirados de São Paulo, por exemplo.

A demanda pelo hidratado aquecida, sinal de que a safra nova se confirma como mais alcooleira de acordo com o que se previa, também se reflete na vantagem remuneradora que leva sobre o açúcar na usinas. Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, avalia em 35 a 40%. Poderá se estreitar um pouco na medida em que a oferta de etanol ir inchando, mas o momento bom tem tudo para continuar mesmo com a safra às portas.

“O etanol está remunerando bem e com consumo alto, em poucos momentos vimos um momento como esse”, fala Mário Campos, presidente do Siamig, entidade que abrange as indústrias da cadeia da cana mineira. Há que se levar em conta que o dólar continuando a trajetória de alta, na esteira da empacada reforma da Previdência, levará a Petrobras a desovar para os preços do combustível importado e o repasse no varejo continuará forçando a demanda pelo hidratado.

Cana bisada e nova

Os dados da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) forneceram já em janeiro essa ‘antecipação’ de safra, como se suspeitava quando as usinas começaram a virar para valer a chave para o etanol ainda na virada do semestre de 2017. Na segunda quinzena do mês passado o Centro-Sul a moagem de cana aumentou para cerca de 407 mil toneladas, quase o dobro sobre a quinzena anterior. Números marginais se comparado com a produção em época de safra, “mas que já sinalizam que para muitas unidades há uma tendência de crescimento”, diz Muruci.

Nessa virada de quinzena - enquanto se produziu a mais de 2 para 4 mil/t de açúcar, o etanol saiu de 40 para 116 milhões de litros.

Mário Campos, da Siamig, lembra que isso foi possível porque as chuvas de final de ano fizeram com que muitas indústrias deixassem a cana no campo, e chuva em excesso não combina com esmagamento. Maurício Muruci, da Safras, por sua vez, acredita também que essa planta que foi carregada para 2018 deveu-se a menor disposição das usinas em processarem tudo, mesmo com a demanda boa para o etanol.

Portanto, há elasticidade de cana bisada, talvez na faixa de 9 a 12 milhões/t, segundo as contas da Safras, como explicou seu analista. Em Minas Gerais, sobretudo na concentrada produção do Triângulo, Campos acredita em 1 milhão/t.

Quanto à cana nova, de 1,5 ano, o presidente do Siamig não pensa que seja muita, apesar dos bons volumes hídricos do último trimestre de 2017. A seca de junho a setembro, mais incêndios em várias regiões, teriam prejudicado a cana rebrota.

Mas deverá ter, sim, volume satisfatório de cana pronta até chegar a safra. As chuvas estão fartas e regulares, beneficiando o desenvolvimento de uma planta que sabidamente ocorre muito rápido com tempo favorável. Maurício Muruci acha que vai aumentar a oferta logo logo.

Safra

O impacto desse cenário favorece mais ainda as empresas que estão com baixo fluxo de caixa. Portanto, a corrida para sair com etanol, nas unidades com lavoura pronta e manutenção dos equipamentos concluída, operação normal na entressafra, começou e deverá abranger cada vez mais usinas.

Ainda é cedo para se concluir sobre alterações nos números estimados da safra 18/19, que por hora continuam, de acordo com a Unica, presos em 578 milhões de toneladas moídas (a entidade tem os números mais conservadores do mercado), 31,5 milhões/t de açúcar, 41,7% da cana, o menor volume do alimento em 3 anos. Quanto ao etanol, análises medianas do mercado falam entre 27 a 30 bilhões de litros de etanol, sendo em torno de 17/18 do combustível hidratado.

Vai pesar nessa balança o comportamento da importação do etanol de milho subsidiado dos Estados Unidos, que na temporada 17/18 bateu recordes. (Notícias Agrícolas 12/02/2018)

 

Investimento da São Martinho para cortar custo terá efeito em 2019/20

Os investimentos que a São Martinho está fazendo desde o início da safra atual (2017/18) em novas técnicas de plantio e no monitoramento das lavouras com informatização deverão começar a reduzir os custos operacionais a partir da safra 2019/20, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência com analistas.

Em janeiro, a companhia iniciou o plantio de mudas pré-brotadas (no lugar do plantio direto de toletes de cana na terra) conjugado com a técnica de meiosi (que intercala linhas de pés de cana com outras culturas). Levará ainda 18 meses para que essa cana possa começar a ser colhida. “Plantamos mudas pré-brotadas no meio do ano, estamos desdobrando agora e fazendo meiosi”, explicou.

Vicchiato também disse que a empresa ainda avalia ampliar agora o plantio de cana, o que implicaria uma área menor de colheita para a safra 2018/19. Ele ressaltou que o impacto em termos de redução de volume de cana a ser processado seria em torno de 1%.

O executivo afirmou que o momento é bom, já que as cotações de açúcar estão menores e poderia haver uma reversão dos preços na temporada seguinte, quando a oferta de cana da companhia estaria maior.

Para garantir um eventual aumento do plantio, o investimento em bens de capital (Capex) aumentaria entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões, afirmou.

Neste momento, a empresa não avalia outros tipos de investimentos, o que deve garantir que o caixa gerado nesta safra seja direcionado ao programa de recompra de ações e para a distribuição de dividendos aos acionistas. Mas a São Martinho estuda distribuir os dividendos conforme o “lucro caixa”, ou lucro operacional, disse Vicchiato na teleconferência.

O executivo disse ainda não ter definido qual será o montante de recursos a ser direcionado para dividendos e para as recompras. Das 8 milhões de ações do programa de recompras, já foram recompradas 1,3 milhão, e segundo Vicchiato, a conclusão do programa vai ser “bem rápido”. “Estamos avaliando propor ao conselho [a distribuição de dividendos], mas olhando menos o lucro contábil e mais lucro caixa”, afirmou.

A empresa chegou a avaliar recentemente aporte para processar milho na Usina Boa Vista, em Quirinópolis (GO), mas desistiu da inciativa. Segundo o diretor financeiro da São Martinho, o investimento necessário seria muito alto e seria preciso que a saca de milho fosse negociada a um determinado preço mínimo, “o que não deve se sustentar por anos suficientes para pagar o projeto”, explicou. (Valor Econômico 09/02/2018)

 

Biosev vê centro-sul com produção máxima de etanol em 2018/19 e queda em açúcar

As usinas do centro-sul do Brasil devem maximizar a produção de etanol na safra 2018/19, que se inicia em abril, acarretando em queda de até 5 milhões de toneladas na oferta de açúcar pela região, avaliou nesta sexta-feira o presidente do segundo maior processador de cana do mundo.

O etanol vem se mostrando atrativo para as empresas do segmento desde meados do ano passado, na esteira de altas tributárias maiores para a gasolina, seu concorrente direto, e de uma nova política de formação de preços da Petrobras, que contribuiu para as cotações do derivado de petróleo registrarem sucessivos recordes nominais nos postos.

“As condições atuais do mercado indicam que a safra de cana 2018/19 no centro-sul do Brasil será alcooleira ao máximo. Na busca por rentabilidade, as usinas devem produzir o máximo que puderem de etanol”, afirmou à Reuters Rui Chammas, presidente da Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Company (LDC).

Para ele, as “condições” que justificam esse cenário são “o preço de energia mundial, no caso o petróleo, e a demanda robusta por combustíveis no Brasil”.

Com efeito, as referências internacionais do petróleo se fortaleceram após um acordo liderado pela Opep e aliados para cortar a oferta excedente da commodity. Já a demanda por combustíveis no Brasil vem se mostrando mais forte graças à recuperação econômica do país.

O executivo, entretanto, não inclui nessa perspectiva a nova Política Nacional de Biocombustíveis, o RenovaBio, destacando que o programa ainda precisa ser plenamente regulamentado para ter um efeito mais incisivo sobre a demanda por etanol.

“O RenovaBio é fantástico, mas ainda não o incluo. Precisa ser regulamentado, saber como os CBios (créditos de descarbonização) serão negociados”, afirma.

Sancionada no fim de 2017, a lei do RenovaBio deve ter sua regulamentação apresentada até junho.

Menos açúcar

A maior alocação de cana para a produção de etanol poderá levar a fabricação de açúcar a cair “de 4 (milhões) a 5 milhões de toneladas” na safra que se inicia em abril no centro-sul.

Para a temporada vigente, a previsão de produção do adoçante é de cerca de 35 milhões de toneladas.

A redução na oferta de açúcar da principal região produtora do maior exportador global da commodity terá efeito positivo sobre os preços internacionais, disse Chammas.

Segunda maior processadora de cana do mundo, a Biosev reportou prejuízo líquido de 279 milhões de reais no terceiro trimestre da safra 2018/19, equivalente ao quarto do ano civil. Em igual momento do ciclo anterior, havia reportado lucro líquido de 43 milhões de reais.

A moagem de cana pelas usinas da companhia caiu 18,7 por cento no trimestre, para 6,4 milhões de toneladas. (Reuters 09/02/2018)

 

Prazo para proposta de compra da Usina São Fernando começa nesta quinta

Começa na quinta-feira (15) o prazo para entrega de proposta de compra da Usina São Fernando, que pertencia à família do pecuarista José Carlos Bumlai, mas teve a falência decretada em junho do ano passado. O prazo termina no dia seguinte e a tentativa de leilão, a segunda após a falência, está marcada para o dia 22 deste mês, na 5ª Vara Cível de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande.

A primeira tentativa de leilão ocorreu no dia 20 de setembro, quando foi fixado valor de R$ 716 milhões para a venda, mas nenhuma proposta foi apresentada. Agora não há valor mínimo estipulado, o que abre a possibilidade de a usina ser arrematada por preço menor que o estipulado em setembro.

O segundo leilão foi marcado em dezembro pelo juiz substituto da 5ª Vara Cível de Dourados, Rubens Witzel Filho. Ele também marcou para o dia 1º de março a assembleia dos credores da usina, para decidir sobre a eventual proposta vencedora no leilão.

Se não tiver quórum, a segunda convocação foi marcada para 12 de março. As propostas terão de ser entregues em envelope fechado, no cartório da 5ª Vara Cível em Dourados.

Desde junho, quando foi decretada a falência, a usina é gerenciada pela administradora judicial VCP (Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia), que tem sede em Campo Grande.

Neste ano, a usina correu risco de fechamento após a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) conseguir na Justiça de Mato Grosso do Sul bloquear o pagamento de R$ 17,1 milhões oriundos da comercialização de energia elétrica produzida pela indústria.

Após um acordo entre a massa falida da São Fernando e a CCEE, no dia 29 de janeiro o desembargador Fernando Mauro Moreira Marinho, do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), revogou a liminar que impedia o pagamento.

Resultado da produção de energia pela São Fernando de maio a setembro do ano passado e comercializada pela CCEE, o dinheiro garante a sobrevivência da usina, uma das maiores indústrias do município de Dourados, que emprega mil pessoas e injetou R$ 50 milhões no comércio local em sete meses.

Venda complicada

A tentativa de venda da São Fernando ocorre há seis meses, mas até agora as tentativas dos investidores falharam. Em outubro do ano passado, um grupo de investidores liderados pelo economista Winston Fritsch apresentou proposta de R$ 890 milhões para comprar a São Fernando, mas o BNDES foi contra a transação. O banco é o maior credor da usina.

O banco afirmou na época que a proposta contrariava a Lei de Falências, pois a alienação do ativo deve ser aprovada por dois terços dos credores concursais. Além disso, segundo o BNDES, o grupo “ofereceu um valor irrisório pelo ativo, num prazo de pagamento em 20 anos e sem qualquer tipo de correção”.

Para o banco, o leilão aberto é “a melhor forma de dar transparência à alienação do ativo e a maneira mais eficaz de se apurar o que de melhor o mercado pode oferecer”. O BNDES avalia que no primeiro leilão não houve proposta porque faltou tempo para os investidores analisarem o ativo da usina. (Campo Grande News 12/02/2018)

 

Produção de etanol de milho domina oferta na entressafra de cana,diz Única

A produção de etanol no centro-sul do Brasil na segunda quinzena de janeiro atingiu 67,46 milhões de litros, com a fabricação do combustível de milho representando quase 60 por cento da nova oferta no período de virtual entressafra de cana-de-açúcar na principal região produtora do país.

A produção de etanol de milho tem apresentado “intensa expansão ao longo da atual safra” 2017/18, destacou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, em nota nesta sexta-feira.

Segundo dados levantados pela Unica, nos últimos 15 dias de janeiro, a produção de etanol de milho alcançou 39,20 milhões de litros, com praticamente todo esse montante referente ao biocombustível hidratado (37,52 milhões de litros).

Já no acumulado desde o início da safra 2017/18 até 1º de fevereiro, o volume de etanol fabricado a partir do milho totalizou 391,85 milhões de litros (322,07 milhões de litros de hidratado e 69,79 milhões de litros de anidro), volume 130 por cento superior ao valor registrado em igual data do ciclo 2016/17.

Nesse período de entressafra de cana, produtores de etanol de milho, alguns deles detentores de usinas “flex”, que podem processar cana e milho-- estão se beneficiando de preços mais altos do biocombustível, em meio a cotações elevadas da gasolina nos postos.

No entanto, o volume de etanol de milho na safra ainda representa apenas 1,5 por cento do total do biocombustível produzido na região, embora fabricantes tenham planos ambiciosos.

O setor de etanol de milho de Mato Grosso, onde a oferta do cereal é maior, prevê elevar a produção do biocombustível a partir do cereal para cerca de 3 bilhões a 4 bilhões de litros por ano em cinco anos, afirmou à Reuters nesta semana Ricardo Tomczyk, que dirige a recém-criada União Nacional do Etanol de Milho (UNEM).

ACUMULADO DA SAFRA

No acumulado da safra 2017/18 do Centro-Sul, a produção de etanol totalizou 25,33 bilhões de litros (14,72 bilhões de litros de hidratado e 10,61 bilhões de litros de anidro), aumento de 1,2 por cento na comparação com a safra anterior.

A moagem de cana somou 583,96 milhões de toneladas na safra até o momento, queda de 1,66 por cento sobre igual período do ciclo 2016/2017. Dessa quantidade, 53,10 por cento foi destinada à produção de etanol e o restante para açúcar, cujo volume produzido somou no acumulado da safra 35,83 milhões de toneladas, alta de 1,63 por cento.

Na segunda metade de janeiro de 2018, a moagem de cana-de-açúcar na região Centro-Sul atingiu 407,42 mil toneladas, e praticamente todo esse volume foi processado por unidades produtoras do Estado do Mato Grosso do Sul, segundo a Unica.

No início de fevereiro, seis unidades ainda estavam processando cana na região, sendo que destas, uma que havia concluído a safra ao final de 2017 voltou a moer na segunda metade de janeiro. A título de comparação, no mesmo período da safra passada, 11 empresas estavam em atividade na região.

A produção de açúcar na quinzena foi “irrisória”, destacou a Unica, somando apenas 4,42 mil toneladas. (Reuters 09/02/2018)

 

Xixi de foliões vai virar fertilizante agrícola

Projeto para aproveitar urina coletada em banheiros químicos como adubo foi desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais para extrair fósforo, elemento químico essencial para o crescimento das plantas.

A urina de foliões do Carnaval de Belo Horizonte ajudará a adubar o Jardim Botânico da cidade. O projeto para aproveitar a urina coletada em seis banheiros químicos como fertilizante agrícola foi desenvolvido pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e tem a parceria com a Belotur, empresa de turismo da capital mineira.

No tanque dos seis banheiros que fazem parte da ação piloto do P4Tree, nome do projeto do departamento de química da UFMG, haverá um sachê com pastilhas de serpentino, mineral já usado na agricultura que foi modificado para atrair o fósforo da urina.

Ao final do dia, o sachê é recolhido -o fósforo fica grudado dentro e fora das pastilhas- e a urina é descartada. Depois do Carnaval, o fósforo coletado será desinfectado no laboratório de química da UFMG para que sirva de adubo.

“O fósforo hoje é principalmente obtido na mineração, que é uma fonte finita. É legal achar alternativas sustentáveis de reutilização do fósforo, e a urina é um exemplo”, diz o químico e pesquisador da UFMG Arthur Silva.

“Apesar de o Brasil ser o quarto maior produtor de fósforo do mundo, a gente já importa metade do que usamos, porque é muito utilizado na agricultura.”

Cada litro de urina carrega cerca de 300 miligramas de fósforo, segundo Silva. A capacidade dos banheiros químicos é de 200 litros por dia.

Quem quiser colaborar com o adubo do Jardim Botânico pode encontrar dois dos banheiros participantes próximos ao palco da Av. Brasil durante todo o Carnaval. Os banheiros do P4Tree são identificados com adesivos explicativos.

Os outros quatro banheiros passaram pela Praça da Liberdade, Santa Tereza, Santa Efigênia. Na segunda-feira no bloco Filhos de Tchá Tchá (Barreiro) e na terça (13), no bloco do Peixoto (Santa Efigênia).

Para Aluizer Malab, presidente da Belotur, a ação deve se expandir no Carnaval de BH e pelo país afora. “A gente tem um potencial residual muito grande”, diz. (Gazeta do Povo 13/02/2018)

 

Açúcar: Uma história das Arábias – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O contrato futuro de açúcar em NY com vencimento em março 2018 encerrou a semana cotado a 13.67 centavos de dólar por libra-peso, uma pequena alta semanal de 4 pontos, após tentar sem sucesso negociar acima dos 14 centavos de dólar por libra-peso por algumas vezes. O tom baixista das conversas durante o Congresso de Açúcar de Dubai ocorrido na semana passada trouxe ainda mais desânimo e desespero, principalmente para aquelas usinas que ainda possuíam (ou possuem) fixações de preço pendentes para o vencimento março.

Ouviu-se praticamente de tudo durante o Congresso dos Ursos, como maldosamente o classificou um dos participantes sob sigilo; que o mercado pode ir para 11 centavos de dólar por libra-peso ou até mesmo 9 centavos, segundo confirmou um corretor de futuros. E alguns traders, naquelas paragens, disseram estimar que o custo de produção do açúcar no Brasil é de 11 centavos de dólar por libra-peso, sem custo financeiro !!! Uma história das Arábias. Talvez fosse o caso de evocar o grande escritor Malba Tahan, autor de “O Homem Que Calculava” para tentar nos explicar como se chega nesses 11 centavos de dólar por libra-peso de custo de produção.

O cenário macro mundial muda o pano de fundo para cores mais sombrias enquanto assiste à queda do mercado acionário em todo o globo alimentada pela possibilidade de um aumento dos juros americanos e, claro, pela consequente aversão aos ativos de risco. Não é por acaso que no acumulado da semana, as commodities apresentaram um desempenho extremamente negativo lideradas por gás natural (12.36%), diesel (10%) e açúcar (10%).

No açúcar, seguindo rigorosamente a linha do que comentamos aqui na semana passada, os fundos não têm pressa para liquidar suas posições vendidas até mesmo porque nas vezes que NY tentou romper a dramática barreiras dos 14 centavos de dólar por libra-peso, uma enxurrada de fixações da origem apareceu com apetite voraz. Esse vai ser um jogo que demandará muita paciência e determinação para aqueles que buscam fixações a níveis melhores do que os atuais.

Independentemente do cenário inquestionavelmente baixista, a pergunta que se impõe aos traders no momento é quão baixista ainda podemos ser a 13.50 centavos? Mercados fogem do racional e a tendência é que sejamos influenciados pelo ambiente de nuvens carregadas. Não é raro, portanto, que nos tornemos mais altistas num mercado em alta e mais baixistas num mercado em baixa, por isso a conversa em Dubai sobre 9 centavos soa natural para quem está vendo o mercado desabando desde o início do ano sob o mesmíssimo quadro fundamentalista.

Só para lembrar que no Sugar Dinner de NY, em maio de 2010, o mercado negociava a 13.00 centavos de dólar por libra-peso e alguns gurus de plantão, munidos do cajado que faz abrir os mares, determinavam que o Hades se aproximava e iríamos céleres e inexoravelmente para os 10 centavos e quiçá negociaríamos a um dígito. Seis meses depois NY estava acima de 32 centavos de dólar por libra-peso.

Da mesma forma que tem gente que compra bitcoin a 15,000 dólares porque acha que o céu é o limite e bate palma para o Sol, tem gente que vende açúcar a 13,50 centavos de dólar por libra-peso porque acha que não tem chão para parar essa sangria. Em ambos os exemplos ganha dinheiro quem retira o componente passional da análise para tomada de decisão.

580 milhões de toneladas de cana, número da safra de cana da Archer Consulting para o Centro-Sul para 2018/2019 é quase consensual no mercado. Assim como o mix em 41.4% para açúcar encontra mais simpatizantes, embora muitas usinas acreditam que a tendência desse mix é ainda menor. O fato preocupante é que o Brasil corre seriamente o risco de ter reduzida sua disponibilidade de açúcar em 6 milhões de toneladas em relação à safra anterior. Ah, mas em Dubai falou-se de superávits mundial entre 500 mil e 11 milhões de toneladas. Pois é.

Quanto o Brasil vai (ou pode) exportar de açúcar para 2018/2019? O acumulado no ano de 2017 chegou a 28.9 milhões de toneladas (desde setembro de 2016 que o acumulado de doze meses é superior a 28 milhões de toneladas). Para que a conta feche este ano, a redução terá que ser substancial uma vez que estamos estagnados em termos de produção de cana e produção de sacarose desde 2010/2011. Este é o primeiro ano em que o preço do petróleo entra como importante componente na formação de preço do etanol e seus efeitos no açúcar para fins de arbitragem e decisão de mix. Vai ser um ano de aprendizado

O crescimento previsto da economia brasileira para 2018, usando os números da MB Associados, de 3.5% deve elevar o consumo de combustíveis ciclo Otto em 6%. Ora, o consumo de combustíveis no período abril/dezembro de 2017, segundo a ANP, foi de 40.5 bilhões de litros o que nos leva a estimar que 2017/2018 (abril a março) fecha com 53.8 bilhões de litros. Se aplicarmos o crescimento potencial previsto acima, 2018/2019 pode demandar adicionais 3.2 bilhões de litros de combustíveis que - considerando que o etanol representa 40 % na matriz - significa 1.3 bilhão de litros de etanol equivalentes a dois milhões toneladas de açúcar. Vai somando.

O custo médio de produção de açúcar no Centro-Sul, não considerando depreciação nem custo financeiro está em torno de R$ 42.00 por saca posto Usina. Usando um frete médio até o porto de R$ 110 por tonelada, uma elevação de US$ 10.50 e a taxa de câmbio a R$ 3,3000 chegamos a 13.00 centavos de dólar por libra-peso.

Tomando por base nossa estimativa da curva de petróleo e do câmbio para os próximos seis meses e seus efeitos na formação de preço do hidratado, NY vai precisar negociar na média de 15.50 centavos de dólar por libra-peso para que o Centro-Sul comece a pensar em mudar o mix atual de 41.4% de açúcar. Ou seja, um aumento de mais de 13%. Vai ser um ano interessante.

É com enorme tristeza que noticio o falecimento do amigo Paulo Leuzinger, sábado passado no Rio de Janeiro. Paulo era um gentleman na mais completa acepção da palavra. Foi durante muitos anos presidente da Tate & Lyle do Brasil, empresa para a qual dedicou 42 anos de sua exitosa vida profissional. Era um grande amigo, conhecedor do mercado de açúcar como poucos e dono de um humor absolutamente inteligente e delicioso. Lutava bravamente há alguns meses contra um câncer no peritônio. Na última vez que falamos ao telefone ele, aborrecido por ter que cancelar um jantar comigo devido ao tratamento a que se submetia, me confortou: “isso vai passar, meu amigo, você já está convidado para a minha festa de 100 anos”. Vai fazer muita falta.

Faltando ainda um mês, restam apenas três vagas para o XXIX Curso de Futuros, Opções e Derivativos em Commodities Agrícolas que vai ocorrer nos dias 06, 07 e 08 de março de 2018, em São Paulo, Capital, no Hotel Wall Street. O próximo Curso, só deve ocorrer em agosto de 2018. Para mais informações: priscilla@archerconsulting.com.br (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)