Setor sucroenergético

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Usina Santa Terezinha suspende atividades em Serra dos Dourados

Na tarde desta quinta-feira (15) foi iniciada a suspensão das atividades da unidade em Serra dos Dourados, da Usina Santa Terezinha. Localizada em Umuarama, a usina, que antes se chamava Costa Bioenergia, foi adquirida pelo grupo Santa Terezinha em 2013, quando contava com cerca de 900 colaboradores.

A princípio, a informação é de que a produção de cana da região será remanejada para moagem na unidade de Ivaté, por pelo menos dois anos. Entre os funcionários, o clima era de tristeza. Boa parte deles deve ser demitida. Alguns podem ser realocados em outras unidades do grupo.

Uma nota de esclarecimento oficial deve ser divulgada pela empresa na manhã desta sexta-feira (16). (Jornal do Paraná 16/02/2018)

 

Açúcar: Rolagem de posições

O retorno do feriado de Carnaval no Brasil tem prolongado a rolagem de posições dos operadores não comerciais do mercado de açúcar, o que deu força às cotações da commodity na bolsa de Nova York.

Ontem, os papéis com vencimento em maio fecharam a 13,51 centavos de dólar a libra-peso, alta de 20 pontos.

"Ainda há quase 54 mil contratos em aberto para março de 2018, o que é um volume muito alto para um ativo de entrega física", diz Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercados.

Do ponto de vista técnico, o fato de os papéis terem batido a mínima de 13,28 centavos esta semana pode ter disparado ordens automáticas de compra.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 53,09 a saca de 50 quilos, queda de 2,64%. (Valor Econômico 16/02/2018)

 

Biosev deve continuar crescendo, mas nível de endividamento ainda é um risco, diz BB

Com base nos resultados apresentados pela Biosev, o BB Investimentos afirma que permanece confiante no crescimento da empresa, diante do aumento da produção e da demanda. Por outro lado, alerta que a tendência de alta nas despesas da companhia deve ser controlada para evitar maiores riscos.

Segundo o relatório, a recomendação é outperform (classificação que indica que as ações da companhia terão um desempenho relativamente melhor em relação a um índice de mercado), com preço-alvo nos R$ 6,50 até março de 2019. Isso representa um potencial de valorização de 56,6%.

O analista Marcio Montes, que assina o documento, afirma que a avaliação dos resultados é negativa, especialmente porque “os resultados financeiros obscureceram os valores operacionais da empresa, demonstrando que o alto nível de endividamento ainda deve ser resolvido para evitar compensar os esforços mostrados em termos de custos e despesas até agora”.

Por outro lado, Montes afirma que as expectativas de crescimento para a Biosev continuam confiantes, especialmente por causa do aumento da produção de etanol e investimentos em plantações de cana-de-açúcar. Além disso, o analista destaca que o hedge do açúcar é de US$ 17,90 (cUS$/lb) para a safra 2017/18, ao passo em que a previsão do câmbio é de R$3,556/dólar.

Isso significa que ambos os valores estão acima dos preços atuais do mercado. Juntando isso com a queda nos juros básicos, esse cenário deve ajudar “os esforços da empresa com o objetivo de reduzir os custos de produção e otimizar capacidade dos moinhos”, afirma o BB. (ADVFN News 16/02/2018)

 

Prejuízo da Bunge alimenta expectativa de venda à ADM

A americana Bunge, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, confirmou ontem que seus resultados se deterioraram em 2017 e fez crescer a expectativa em torno da eventual venda de seu controle para a ADM, outra gigante do setor com sede nos Estados Unidos.

Em comunicado, a Bunge informou que encerrou o quarto trimestre do ano passado com prejuízo líquido de US$ 60 milhões, ante lucro líquido de US$ 271 milhões registrado no mesmo período do exercício anterior. As vendas da companhia recuaram 1,6% na comparação, para US$ 11,6 bilhões.

As perdas foram puxadas pela piora da performance da divisão de "agribusiness", carro-chefe que inclui os negócios da empresa como trading. Nessa frente, as vendas caíram 3,5% de outubro a dezembro, para US$ 7,9 bilhões, e houve prejuízo de US$ 42 milhões, contra lucro de US$ 71 milhões um ano antes.

Em teleconferência com analistas, Soren Schroder, CEO da Bunge, lamentou os resultados. Disse que as margens não se recuperaram como era esperado no mercado de soja e que o clima afetou a divisão de açúcar e bioenergia - nesta, a receita diminuiu 14,2%, para US$ 1 bilhão, e houve perda de US$ 14 milhões.

Nos dois casos, os problemas foram concentrados no Brasil, onde a Bunge há décadas mantém a maior parte de seus negócios com grãos, principalmente soja e milho, e único país onde a múlti conta com usinas sucroalcooleiras.

Nos anos 2000, com demanda crescente e preços das commodities em elevado patamar, essa dependência chegou a ser um trunfo. Mas sobretudo nos últimos três anos, observaram fontes da área, passou a ser uma dor de cabeça e tanto.

Antevendo o problema, a Bunge investiu no segmento de açúcar e etanol na década passada para diversificar suas atividades no Brasil. Mas a estratégia não funcionou e a múlti há tempos tenta vender seus ativos na área. Nesse contexto, anunciou ontem que não atuará mais como trading de açúcar.

"No Brasil, as margens para processamento ou comercialização de grãos foram muito apertadas nas três últimas safras. Todas as grandes tradings sofreram com isso, mas para a Bunge, cuja exposição ao país é muito grande, os problemas foram maiores", disse um executivo de uma concorrente de grande porte.

"Como a sequência de resultados divulgados pela empresa não mostrou a melhora prometida, prevalece no mercado a impressão que a Bunge precisa encontrar outras maneiras para continuar avançando", afirmou.

Essa e outras fontes concordam, porém, que a forte presença da Bunge no segmento de grãos no Brasil é um dos motores do interesse da ADM em adquirir a rival - um negócio que, se confirmado, criará um grupo do porte da também americana Cargill, a maior empresa de agronegócios do mundo.

Isso porque a "balança" da ADM pende para os EUA, e um maior equilíbrio entre os negócios do grupo nos Hemisférios Norte e Sul seria mais interessante. Juntas, como informou o Valor, ADM e Bunge seriam líderes com folga no Brasil.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compilados por tradings indicam que, em 2017, a Cargill desbancou a Bunge e liderou as exportações brasileiras de soja em grão, com 9,6 milhões de toneladas. A Bunge embarcou 9,4 milhões de toneladas, e a ADM ficou em terceiro lugar na lista, com 7,6 milhões. A oleaginosa é o principal produto do agronegócio no Brasil.

Ainda que as margens estreitas no mercado de grãos não sejam privilégio do Brasil, a ADM colheu resultados bem melhores que os da Bunge em 2017, em boa medida graças à ampliação dos investimentos em produtos de maior valor agregado.

Embora as vendas globais da companhia tenham diminuído 2,6% no quarto trimestre e relação a igual intervalo de 2016, para US$ 16,1 bilhões, seu lucro líquido aumentou 85,8%, para US$ 788 milhões.

Anunciado na semana passada, o resultado deu fôlego às especulações de que um acordo para a aquisição da Bunge era questão de dias. A especulação cresceu com os resultados que a Bunge reportou ontem, e analistas destacam que o negócio também beneficiaria a estatal chinesa Cofco, já que "sobrariam" ativos de infraestrutura e logística no Brasil e nos EUA para acelerar ainda mais seu avanço. No mercado comenta-se, contudo, que a Glencore também continua interessada em adquirir a Bunge. (Valor Econômico 15/02/2018)

 

Etanol: Carnaval não aquece demanda e cotações recuam

Dados do Cepea indicam que os valores dos etanóis anidro e hidratado registraram leve queda na semana passada frente à anterior, mesmo com o período de carnaval.

Segundo pesquisadores do Centro, compradores anteciparam as negociações, reduzindo a demanda na semana que antecedeu o carnaval.

Unidades produtoras, por sua vez, buscaram reduzir estoques para liberar espaço para o produto da temporada 2018/19, que começa em breve.

Entre 5 e 9 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,833/litro, recuo de 0,33% em relação à semana anterior.

No caso do etanol anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ (também no estado paulista) foi de R$ 1,9469/litro, pequena baixa de 0,13% no mesmo período. (Reuters 15/02/2018)

 

Syngenta planeja emitir US$ 5 bi em títulos nas próximas semanas, diz executivo

A Syngenta, unidade da chinesa ChemChina, planeja emitir cerca de 5 bilhões de dólares em títulos nas próximas semanas, já que se aproxima de um acordo final com produtores dos EUA que processaram milho geneticamente modificado, disse à Reuters o diretor financeiro da empresa, Mark Patrick.

Patrick também afirmou nesta quinta-feira que a empresa suíça de proteção de lavouras e de sementes está interessada em ativos que possam ser colocados à venda para atender exigências de órgãos antitruste em meio à consolidação da indústria.

Mas ele disse que os reguladores "foram bastante restritivos em termos de quem pode adquirir o quê". (Reuters 15/02/2018)

 

Carros mais eficientes devem reduzir em R$ 2 bi gastos com combustível em 2018

Resultado é decorrente da melhora na eficiência energética dos automóveis brasileiros, objetivo estabelecido no programa Inovar-Auto; veículo com motor 1.0 novo gasta, em média, R$ 900 a menos por ano em combustível do que há cinco anos.

O proprietário de um carro com motor 1.0 novo, antigamente chamado de “popular”, gasta, em média, R$ 900 a menos por ano em combustível em comparação a cinco anos atrás. A economia é decorrente da melhora na eficiência energética dos automóveis brasileiros, medida estabelecida no programa Inovar-Auto e que passou a ser obrigatória a partir do ano passado.

Só neste ano, a estimativa é de que R$ 2 bilhões deixarão de ser gastos em combustível, montante que, no acumulado de seis anos, atingirá economia de cerca de R$ 44 bilhões, segundo cálculos da consultoria Bright, que assessora o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) na discussão de políticas automotivas.

O dado da economia total leva em conta o aumento médio de 15% na eficiência energética dos automóveis (exceto os movidos a diesel), porcentual que deverá ser cumprido pelas fabricantes até 2022, quando novas metas de redução entrarão em vigor. A conta também inclui a projeção de vendas de carros e comerciais leves flex nesse período.

No caso dos modelos compactos com motor 1.0, o rendimento médio na estrada era de 14 km por litro de gasolina em 2012, média que hoje é de 16,6 km/l. Com isso, um automóvel que percorreu 20 mil km em um ano consumiu 224 litros a menos, deixando de gastar R$ 896, cálculo que considera o preço atual do combustível, de cerca de R$ 4 por litro.

Meta mínima

Com novas metas a serem estabelecidas no programa Rota 2030 (substituto do Inovar-Auto, que aguarda aprovação do Ministério da Fazenda), para valerem a partir de 2022 em uma das etapas, e a partir de 2027, na etapa seguinte, “o carro brasileiro terá condições de competir em qualquer mercado global em termos de legislação de emissões e consumo”, afirma Paulo Cardamone, chefe de estratégia da Bright.

Segundo ele, o mínimo a ser estabelecido deve ser de melhora de 12% na eficiência, mesmo porcentual exigido no Inovar-Auto. No programa anterior, cada montadora tinha de atender a meta mínima de reduzir em 12% a média de consumo de seus modelos. Empresas que atingissem redução de 15,4% receberiam como “prêmio” desconto de 1 ponto porcentual no IPI. Quem fosse além e atingisse 18,8% teria direito a desconto de 2 pontos de IPI.

Segundo o MDIC, oito empresas melhoraram a eficiência de seus produtos em 15,4%, Audi, Honda, Mercedes-Benz, Nissan, PSA (Peugeot e Citroën), Renault, Toyota e Volkswagen. Ford e General Motors foram as únicas a atingirem redução na casa dos 18%. As demais cumpriram a meta de 12%.

O carro mais vendido do mercado, o Chevrolet Onix, teve seu consumo reduzido em 18%. Para atingir esse porcentual, uma das medidas adotadas, segundo a General Motors, foi a redução do peso do veículo em 32 quilos. “Mais de cem componentes foram retrabalhados, aumentando a aplicação de aço de alta resistência em painéis e reforços”, informa a fabricante.

Passaram por mudanças, sejam tecnológicas ou de peso, componentes como motor, transmissão, suspensão, freio, pistões, bielas e anéis. Mudanças foram feitas na aerodinâmica do modelo e o câmbio passou a ter seis marchas nas versões manual e automática.

Nos cálculos do MDIC, além da redução do consumo, os carros com motores mais eficientes vão evitar a emissão de 1 milhão de toneladas de gás carbônico por ano. (O Estado de São Paulo 16/02/2018)