Setor sucroenergético

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Com Raízen, Cosan tem aumento de 274% no lucro do quarto trimestre

A Cosan S.A. Indústria e Comércio fechou o quarto trimestre de 2017 com lucro líquido de R$ 686,4 milhões, alta de 274% em relação ao ganho de R$ 183,3 milhões verificado no mesmo período de 2016. Segundo documento entregue à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os dados são consolidados, pro forma, e incluem a Raízen.

A receita operacional líquida da companhia cresceu 9,6% na mesma base de comparação, totalizando R$ 13,2 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) aumentou 62,1% entre os intervalos, para R$ 2,19 bilhões.

Pelo critério ajustado, que exclui efeitos pontuais na Raízen Combustíveis, Raízen Energia, Comgás e Cosan Corporativo, a empresa encerrou o trimestre com prejuízo líquido de R$ 101,4 milhões, ante lucro de R$ 221,8 milhões entre outubro e dezembro de 2016. O Ebitda ajustado recuou 6,8% na base anual, para R$ 1,2 bilhão.

Lucro da Comgás sobe

A Comgás apurou lucro líquido de R$ 182,2 milhões no quarto trimestre do ano passado, aumento de 36,3% frente ao mesmo intervalo de 2016, refletindo, entre outros fatores, o maior volume de gás distribuído e o crescimento da receita líquida. O lucro líquido normalizado pela conta corrente regulatória, que, segundo a companhia, representa de maneira mais adequada seus resultados, foi de R$ 207,6 milhões no trimestre, aumento de 30,4%. A receita líquida cresceu 13% no trimestre, para R$ 1,496 bilhão, refletindo o aumento das tarifas definidas em maio, além do aumento do volume de gás distribuído. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 374,9 milhões no trimestre, alta de 21,7%. O Ebitda normalizado também pela conta corrente regulatória somou R$ 416,1 milhões, 16% maior.

O resultado financeiro líquido da Cosan nos últimos três meses do ano passado ficou negativo em R$ 574,1 milhões, montante 65,8% maior em relação ao quarto trimestre de 2016, quando apontou prejuízo de R$ 346,3 milhões.

O lucro líquido da Cosan no trimestre foi positivamente impactado pela linha de outras receitas operacionais, que chegou a R$ 991,4 milhões no período, entre outubro e dezembro de 2016, tais receitas totalizaram R$ 65,6 milhões.

Receita 2018

A Cosan projeta que sua receita líquida pro forma em 2018 ficará na faixa entre R$ 50 bilhões e R$ 53 bilhões. Em 2017, o indicador chegou a R$ 49,368 bilhões.

De acordo com o ‘guidance’ divulgado pela empresa, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) no critério pro forma, que terminou 2017 em R$ 5,134 bilhões, oscilará entre R$ 4,9 bilhões e R$ 5,4 bilhões no acumulado deste ano.

Para a Raízen Combustíveis, a companhia projeta para o ano Ebitda ajustado entre R$ 2,85 bilhões e R$ 3,15 bilhões, e investimentos de R$ 800 milhões a R$ 1 bilhão, em 2017, os indicadores totalizaram R$ 2,939 bilhões e R$ 781 milhões, respectivamente. (Valor Econômico 22/02/2018)

 

Açúcar: Mais etanol

As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, refletindo um dólar mais baixo e a expectativa de maior produção de etanol no Brasil.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio fecharam com alta de 31 pontos, a 13,58 centavos de dólar a libra-peso.

Segundo análise da consultoria Zaner, usinas brasileiras devem elevar a produção de etanol deixando a safra atual mais alcooleira. Isso deve contribuir para uma menor oferta de açúcar do Brasil no mundo.

Ainda segundo a consultoria, depois de dias de tempo seco nas áreas produtoras de São Paulo, as chuvas devem voltar à região, favorecendo as lavouras de cana.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 52,13 a saca de 50 quilos, baixa de 0,27%. (Valor Econômico 23/02/2018)

 

Adoção de mudas pré-brotadas da BASF representa economia na renovação dos canaviais

Proprietário da Fazenda Belo Horizonte, em Jaboticabal (SP), Ismael Perina está sempre atento ao lançamento de novas variedades de cana e a novas tecnologias para o campo. Contudo, ele descarta qualquer possibilidade de deixar de usar as mudas pré-brotadas AgMusa, fornecidas pela BASF.

A adoção de novas tecnologias pelo setor sucroenergético costuma ser lenta e repleta de inseguranças. Muitos produtores de cana-de-açúcar têm receio de apostar em novas variedades, em diferentes métodos de plantio e de fazer pesados investimentos em maquinário. Afinal, trata-se de uma cultura semiperene, onde as consequências de cada decisão serão sentidas por vários anos.

O problema é que as variedades antigas e sistemas de produção do século passado estão limitando o potencial de extrair dinheiro dos canaviais.

As soluções desenvolvidas no passado não foram suficientes para aplacar o receio de canavieiros e usinas tradicionais.

Até agora. E quem comprovou na prática isso foi Ismael Perina, um dos produtores de cana mais conhecidos do País. Ele comandou por sete anos a Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana) e possui uma fazenda no município paulista de Jaboticabal. Há cinco anos, ele decidiu adotar o sistema de mudas pré-brotadas de cana com agricultura de mudas sadias (AgMusa), devidamente acompanhado pelo método inter-rotacional ocorrendo simultaneamente (Meiosi).

Com isso, ele conseguiu manter a produtividade da Fazenda Bela Horizonte em alta, com índices de produtividade acima de 100 t/ha, uma meta que todo mundo sonha em alcançar, mas poucos conseguem. Mesmo optando por uma renovação considerada baixa, ele apostou em planejamento e na adoção de variedades que são adequadas para cada segmento de sua propriedade, conquistando ganhos que vão muito além dos eventuais custos.

A tecnologia desenvolvida pela BASF possui uma lógica simples. Segundo o técnico de desenvolvimento de mercado da companhia, Nilton Degaspari, a AgMusa é obtida após a seleção de uma cana sadia, que passa por um processo laboratorial para o desenvolvimento de uma muda “seguramente sadia”, ou seja, sem as principais doenças que podem afetar a cana-de-açúcar, como raquitismo e escaldadura.

“De posse dessa muda, depois de mais ou menos oito a dez meses de trabalho, nós temos a formação da mudinha que se chama AgMusa. É ela que vai para o campo, onde vamos reproduzi-la para a formação de gemas que serão utilizadas na propagação das áreas comerciais”, explica.

É nesse ponto que entra em cena a Meiosi ou “a muda no local de plantio”, conforme resume Degaspari. De acordo com ele, esse método gera uma economia de mais de R$ 2,2 mil por hectare ao proporcionar uma área para rotação de cultura, que também gera receita ao produtor – e pela produção da muda com altas taxas de desdobra em corredores já ao lado da área onde será feito o plantio, por um período de cinco a seis meses, considerado reduzido em comparação com os métodos tradicionais.

Dessa forma, por exemplo, uma muda plantada em setembro pode ser desdobrada em canavial a partir de março. “Uma verdadeira muda, que deve ser usada para o plantio de cana, tem que ter uma idade que varia de cinco a sete meses, não mais que isso. Uma cana a partir de dez meses já não é considerada como uma boa muda”, detalha o técnico da BASF durante treinamento a produtores.

Mudas sendo cultivadas ao lado de área onde ocorrerá o plantio; ao mesmo tempo, local recebe cultura rotativa

Poucos custos, muitos benefícios

Segundo Perina, o principal investimento necessário para a adoção da AgMusa é justamente o valor para a compra das mudas. “O custo de aquisição da muda, quando você trabalha com Meiosi, praticamente se diluiu, pois isso reverte o custo que você teria se usasse uma muda que estivesse já na fazenda”, afirma. “Então, de investimento, eu posso até considerar que foi tão irrisório ao longo dos anos que isso não vai nem ser considerado. O valor é muito inexpressivo”, complementa.

Além disso, de acordo com ele, não foram necessários novos equipamentos, apenas pequenas adaptações que ele classificou como “irrelevantes”.

“O sistema Meiosi é muito econômico. É um sistema que tem uma alta rentabilidade e que pode trazer grandes vantagens tanto à usina como ao fornecedor”, Nilton Degaspari (BASF)

Outro ponto que beneficiou a relação custo-benefício foi a mudança na forma de trabalhar com novos plantios. Perina explica que, antes, para a formação de canaviais, eram utilizados colmos com 11 ou 12 meses de idade. Com os novos processos, passou-se a usar colmos de seis a sete meses, com uma qualidade maior e um poder de brotação superior.

“A gente deixou de usar de 14 a 16 toneladas de muda por hectare e começamos a trabalhar com 4,5 a 5 toneladas de mudas por hectare. Então, são ganhos que representam bastante na dimensão dos custos”, afirma.

A técnica chamada de "pé com ponta" ou "correntinha", que pode ser observada ao final deste vídeo, é o segredo da economia mencionada por Perina. Ao não são deixar espaços sem gemas nos sulcos, ela permite a utilização de um menor número de mudas.

Além disso, em todo o período de adoção da AgMusa, o rendimento agrícola da Fazenda Belo Horizonte se manteve acima das 100 toneladas de cana-de-açúcar por hectare. A única exceção aconteceu na safra 2014/15, quando o excesso de chuvas prejudicou a colheita em todo o estado de São Paulo. Na ocasião, o índice foi de 99,02 t/ha.

Adoção de novas variedades

Mesmo tendo um índice de reforma do canavial considerado baixo para o setor, com 35% da área renovada em cinco anos, Perina relata que conseguiu fazer testes com diversas variedades já registradas e planejou a adoção de cultivares com base em indicadores de condições de solo e outras características. Ele explica que já tem os tipos de ambiente da fazenda identificados e que, a partir disso, compra as variedades registradas específicas para cada área.

“Isso, para nós, é meio rotineiro, mas não acontecia na prática com o modelo de formação de canavial antigo”, relembra e detalha:

“Às vezes, você formava um talhão para viveiro e, de repente, acontecia algum tipo de problema e você não podia usar aquela cana para muda, então, partia para outra variedade que podia não ter qualquer relação”. Este relato, infelizmente, ainda corresponde a uma prática usual nas unidades produtivas em atividade no mercado.

De acordo com ele, com a adoção da AgMusa e da Meiosi, no entanto, a variedade escolhida será instalada próxima à área de plantio e é ela que, obrigatoriamente, será multiplicada posteriormente. “Você tem um planejamento muito mais rigoroso e é raríssimo ter algum tipo de problema. Do jeito que você planejou, vai sair”, garante.

Atualmente, a Fazenda Belo Horizonte abriga tanto variedades mais antigas, como RB966928, RB855156 e CTC4, comuns no estado de São Paulo e que ainda estão entre as campeãs em intenção de plantio, além de variedades consideradas mais modernas, como CTC9001, a CTC9003 e CTC9005HP.

“Tenho feito alguns viveiros para teste com boa parte das variedades novas que tem chego no mercado, mas isso é muito da característica de cada propriedade, do produtor”, comenta Perina.

Além disso, Degaspari, da BASF, complementa que o produtor pode utilizar variedades diferentes para a recomposição de estande. A única recomendação é que seja escolhida uma muda com uma maturação equivalente a da cana que está no talhão, seja ela precoce, média ou tardia. “Mas ela tem que ser uma variedade de arranque. Esse é o detalhe que tem que ser feito na hora de escolher a variedade para o replantio”, ressalta.

Rotação de culturas

Outra característica do sistema de plantio Meiosi é a possibilidade de utilizar a área onde haverá renovação do canavial para uma cultura rotacional, preferencialmente soja, amendoim ou feijão. Além de representar uma receita adicional ao produtor, essa técnica também traz vantagens para o próprio cultivo da cana-de-açúcar. “Você tem um efeito importante em aumento de fertilidade de solo pelo uso de uma cultura leguminosa, como a soja”, explica Degaspari.

No caso da Fazenda Belo Horizonte, Ismael Perina explica que o amendoim costuma ser a opção no caso de áreas maiores, com a soja sendo destinada para áreas menores. “Este ano, por exemplo, temos uma área muito pequena, que está com soja”, exemplifica.

Ele conta que a rotação de culturas não representa uma novidade por si só, uma vez que ela já era praticada em sua propriedade desde a década de 1980. Com a mudança para a Meiosi, no entanto, houve um aumento considerável da produtividade nessas culturas.

Durante uma apresentação realizada em outubro de 2016, Perina divulgou que a produtividade do amendoim em sua fazenda chegou a 5,2 t/ha, a da soja a 4,2 t/ha e a do feijão a 2,3 t/ha. Na comparação com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) referentes à 2016, esses resultados são superiores à média nacional em 42,3%, 44,6% e 127%, respectivamente.

Opções na hora do plantio

Perina ainda comenta suas escolhas em relação às técnicas de plantio utilizadas na Fazenda Belo Horizonte. De acordo com ele, como as áreas de renovação são pequenas, a principal opção tem sido pelo plantio manual, realizado pelos próprios funcionários da propriedade.

Entretanto, o sistema de Meiosi permite também o plantio mecanizado ou semimecanizado. Nilton Degaspari, inclusive, recomenda a opção semimecanizada, onde a cana dos viveiros é cortada com maquinário e as gemas são colocadas dentro dos sulcos da lavoura de forma manual.

“Com oito gemas por metro, nós temos uma lavoura perfeita, com a quantidade suficiente para que você tenha uma alta rentabilidade”, afirma. De acordo com ele, dessa forma, com um hectare de muda é possível plantar até 30 hectares de lavoura.

“O aproveitamento da muda é muito grande”, afirma Nilton Degaspari, da BASF. Na foto: plantio manual na Fazenda Belo Horizonte.

O técnico ainda explica que não adianta colocar uma quantidade enorme de gemas por metro, pois isso pode fazer com que a grande quantidade de perfilho cause uma competição interespecífica muito grande por água e por nutrientes. Isso faz com que os colmos remanescentes para a colheita sejam menores do que em uma situação onde há um canavial formado por uma quantidade de gemas ideal.

Perina segue o mesmo raciocínio: “Quando a gente fala em plantio manual, o nível de dano na cana é muito menor. Então, você tem uma maior rentabilidade com relação ao uso de mudas; usa menos mudas por hectare”, recomenda. Ainda assim, para áreas mais extensas, as opções com mecanização, parcial ou total, não devem ser desconsideradas. “Os dois modelos dão certo”, assegura Perina. (BASF 22/02/2018)

 

Raízen com sede para investir: previsão é aplicar cerca de R$ 2,6 bilhões

A Raízen Energia, uma joint venture entre a petroleira anglo-holandesa Shell e a brasileira Cosan, do empresário Rubens Ometto Silvbeira Mello, decidiu reforçar o caixa de investimentos previstos para a safra 2017/2018.

O aporte, decidido em novembro, será de R$ 200 milhões. O total de investimentos previstos é cerca de R$ 2,6 bilhões.

Parte dele, R$ 823 milhões, será gasto para pagar as duas usinas compradas da Tonon Bioenergia, compra realizada em julho. As unidades, localizadas em Bocaina e Brotas, têm capacidade para moer 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra.

Outro investimento será ao tratamento e renovação dos 60 mil hectares de canaviais das usinas. Também deve haver desembolsos para a manutenção preventiva e troca de máquinas agrícolas. (Dinheiro Rural 22/02/2018)

 

Comissão analisa endividamento agrícola para melhorar acesso ao crédito

Os deputados Jerônimo Goergen (PP-RS), Evandro Roman (PSD-PR), Domingos Sávio (PSDB-MG), Zé Silva (SD-MG) e Evair de Melo (PV-ES), integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), criaram, nesta semana, a Comissão Externa do Endividamento Agrícola.

Na primeira reunião realizada, na última terça-feira (20), foi definido o plano de trabalho. Dentre as prioridades elencadas, está o diagnóstico do tamanho da dívida dos agricultores. A comissão irá tratar também do alto custo dos financiamentos e da bitributação previdenciária incidente sobre a folha de pagamento dos funcionários.

O coordenador da Comissão, deputado Jerônimo Goergen, afirmou que vai trabalhar intensamente na renegociação dos débitos com o governo federal. “Pedimos a criação de um grupo coordenado pela Casa Civil ou pela Secretaria de Relações Institucionais convocando os ministros da área financeira para que a negociação seja feita em conjunto”, disse.

A relatoria geral ficou a cargo do deputado Evandro Roman que vai apresentar um texto com recomendações até o fim deste semestre. Segundo o deputado, quem vai nortear os trabalhos é o próprio agricultor. “O principal objetivo é proporcionar segurança ao produtor por meio de um planejamento mínimo de três anos. Nosso empenho será em garantir estabilidade ao Brasil que produz”, ressaltou.

Os incentivos do governo, para Roman, têm sido insuficientes para desafogar o setor. “O agricultor está sempre em busca de dinheiro para ampliar sua produção. Assim, fica refém das altas taxas de juros”, comentou.

Ritmo acelerado

Três sub-relatorias também foram criadas para dar celeridade aos trabalhos da comissão. O deputado Zé Silva (SD-MG) ficará como sub-relator da Agricultura Familiar, o deputado Evair Melo (PV-ES) na sub-relatoria da Agricultura Empresarial e Demais Setores, e o deputado Domingos Sávio (PSDB-MG) será sub-relator de Políticas de Mercado e Importação.

Os integrantes da comissão também aprovaram um requerimento para a realização de seminários no Paraná, Rio Grande do Sul, Tocantins, Santa Catarina, Minas Gerais, Piauí e Espírito Santo.

Importações restritas

Analisar projetos de lei que visam controlar as importações do setor também está entre os temas prioritários da comissão. Dentre as propostas, estão os PLs 3487/12, pronto para votação em plenário, e 2353/11, em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O primeiro projeto proíbe a comercialização de produtos agrícolas importados que não tenham passado por análise de resíduos químicos de agrotóxicos e o segundo trata da proibição da compra de leite importado por órgãos públicos, a não ser que o produto nacional não esteja disponível. O objetivo das duas propostas é aumentar o consumo dos produtos agrícolas brasileiros. (FPA 22/02/2018)

 

ANP altera resolução e aplica regra de estocagem de produtor de etanol

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou nesta quinta-feira, 22, no Diário Oficial da União (DOU), resolução com uma série de mudanças nas regras de estocagem de etanol anidro combustível no País. A principal delas atende à demanda do setor produtivo brasileiro e obriga importadores do biocombustível a manterem estoques do produto durante o período de entressafra, entre janeiro e março, como já ocorre com usinas e distribuidores.

A resolução que altera a Portaria 67, de dezembro de 2011, a qual define as regras sobre estocagem do etanol, determinou a redução do porcentual do estoque mínimo obrigatório em 31 de março de cada ano, último dia da safra, de 8% para 4% do volume produzido pelas usinas cujo etanol anidro esteja contratado. Os produtores sem contratação precisam manter estoque de 25% em 31 de janeiro e 4% em 31 de março.

Os importadores, que não tinham obrigação de manter estoques no País, agora terão de seguir as mesmas regras de produtores sem contrato e reservarem 25% do volume comercializado no Brasil no ano anterior em estoque no dia 31 de janeiro e 4% em 31 de março. A não obrigatoriedade de estoques por parte dos importadores foi motivo de duras críticas dos produtores de etanol, que arcavam com custos para manterem volumes mínimos do biocombustível em tanques nas usinas por ao menos três meses por ano.

A nova resolução, publicada nesta quinta, manteve a obrigação de uma contratação antecipada, entre usinas e distribuidoras, de 90% do etanol anidro comercializado. A medida serve para garantir o abastecimento de gasolina no País, já que o anidro é misturado em até 27% ao combustível de petróleo. A data para a primeira homologação desses contratos é 2 de maio de cada ano, com o mínimo de 70% de contratação, e até 1º junho é necessário atingir os 90% de contratação.

Outra alteração na resolução da ANP reduz o estoque mínimo das distribuidoras em 31 de março de cada ano de 15 dias para 10 dias de comercialização. No entanto, em anos de crise de abastecimento de etanol, a ANP pode determinar a volta do período de 15 dias para estoques mínimos. (Agência Estado 22/02/2018)