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Açúcar deve pressionar resultado operacional da Raízen

A incorporação das operações das duas usinas adquiridas do grupo Tonon no ano passado não deve ser suficiente para a Raízen Energia melhorar o desempenho econômico de suas operações na próxima safra (2018/19).

Em teleconferência com analistas na sexta-feira, a Cosan, que controla 50% da sucroalcooleira, indicou que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebtida) da Raízen Energia no próximo ciclo deverá ser menor que o esperado para esta safra (2017/18).

A projeção preliminar apresentada pela Cosan é de um Ebitda ajustado entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,8 bilhões no próximo ciclo. Para a safra atual, a expectativa é que o Ebitda ajustado fique entre R$ 3,9 bilhões e R$ 4,3 bilhões, segundo Guilherme Machado, diretor de relações com investidores da Cosan.

O executivo explicou que a redução deve ser decorrente dos menores preços internacionais do açúcar, pressionados há meses pela ampla oferta global e pela posição vendida dos fundos. Machado ressaltou que as perspectivas para os negócios de etanol e cogeração de energia são positivas, mas devem compensar apenas parcialmente o resultado com açúcar.

As projeções são preliminares, mas indicam que o resultado operacional da Raízen Energia pode vir na contramão da moagem. A Cosan indicou que o processamento de cana deve ficar entre 63 milhões de toneladas e 67 milhões de toneladas, ante 60,7 milhões de toneladas nesta safra. Do volume esperado, 3,5 milhões devem ser moídas nas usinas Santa Cândida e Paraíso, adquiridas da Tonon.

Essas duas unidades também devem continuar demandando investimentos para adequação aos padrões de operação da companhia. O investimento previsto nelas deve somar R$ 170 milhões no próximo ciclo. A previsão preliminar para o capex da Raízen Energia é que fique entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. Para a safra atual, deve ficar entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,4 bilhões.

Na teleconferência, Machado indicou que a Raízen Energia não tem interesse em adquirir novos ativos. Segundo ele, a compra das duas usinas da Tonon foi uma “oportunidade muito boa” que atendeu a uma série de critérios. Questionado sobre o interesse no negócio de trading de açúcar da Bunge, respondeu que “o mesmo racional” se aplica e que a Raízen Energia já tem uma área de inteligência muito forte. (Valor Econômico 25/02/2018 às 19h: 29m)

 

Preços de açúcar devem subir na próxima safra, diz diretor da Cosan

A Cosan, dona de 50% da Raízen Energia, estima que os preços do açúcar vão começar a reagir na próxima safra (2018/19) diante das perspectivas para a produção do Centro-Sul. Porém, a companhia indicou que sua produção deverá ser inicialmente mais alcooleira, já que o etanol segue remunerando mais.

“O início de safra deve ter mix um pouco mais alcooleiro ante safras passadas”, afirmou Guilherme Machado, diretor de relações com investidores da Cosan, em teleconferência.

Neste momento, os fundamentos e a posição dos fundos seguem pressionando o açúcar. Por isso, a Raízen Energia iniciou o quarto trimestre desta safra com um volume de açúcar precificado considerado baixo, de 614,4 mil toneladas, cerca de 20% a ser exportado na nova safra.

Porém, Machado avaliou que a redução da oferta de açúcar do Centro-Sul deve começar a mudar o cenário. “Acreditamos que uma safra com menos cana no Centro-Sul e um mix mais para etanol poderá trazer algum reflexo positivo nos preços e nas exportações globais de açúcar”, disse.

No terceiro trimestre da safra 2017/18, encerrado em 31 de dezembro, a companhia já elevou seu mix alcooleiro por causa da maior rentabilidade do biocombustível. Das 13 milhões de toneladas de cana moída no período, 52% foi destinado para a produção de etanol, ante 44% no mesmo trimestre da safra anterior. No acumulado da temporada, 45% da produção de cana foi direcionado para o açúcar, ante 43% um ano antes.

Como os preços do etanol ainda estavam menores do que na safra passada, além do açúcar, a Raízen Energia teve resultados menores. O lucro líquido da Raízen Energia no trimestre, para a Cosan, recuou 71%, para R$ 126,4 milhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, para a Cosan, caiu 11% na comparação anual, para R$ 891 milhões. (Valor Econômico 23/02/2018 às 18h: 23m)

 

Tereos avalia aquisições, mas foco hoje é o acionista

Na mira para possível expansão há seis unidades da Bunge, próximas às da Tereos.

A Tereos Internacional considera ampliar o seu parque fabril, que conta atualmente com sete usinas, todas no Estado de São Paulo. Mas isso não é prioridade agora, segundo o diretor da Região Brasil da companhia de origem francesa, Jacyr Costa Filho. Na mira para possível expansão há seis unidades da Bunge, próximas às da Tereos. Costa Filho lembra da disputa com a própria Bunge pela compra dessas agroindústrias, quando pertenciam ao Grupo Moema, mas a norte-americana apresentou proposta melhor. Porém, a Bunge declarou que pode se desfazer das usinas ou de parte delas dentro de um processo de fusão ou venda da própria multinacional para outra empresa do setor. Segundo Costa Filho, a preocupação atual da Tereos é dar retorno ao acionista pelos investimentos feitos no setor de açúcar e etanol no País. “Não adianta falar de hipóteses. O foco é o retorno aos acionistas.”

Etanol

A Tereos Açúcar e Energia Brasil, braço local da Tereos Internacional, acompanhará as demais usinas do setor e produzirá o máximo possível de etanol na safra 2018/2019, que começa em abril. “O mercado está pedindo”, afirma Costa Filho. Ele cita os preços pouco remuneradores do açúcar e a demanda aquecida pelo biocombustível. Da cana-de-açúcar processada, a ideia é destinar até 45% para o etanol, ante 35% na safra passada.

Determinada

A suíça Syngenta planeja chegar à segunda posição global na venda de sementes e, para isso, não descarta a possibilidade de comprar mais empresas. No radar, negócios de gigantes do setor que, em processo de união, podem ter de se desfazer de ativos para ter suas operações aprovadas por órgãos regulatórios. Em novembro, a Syngenta adquiriu a Nidera, que possui amplo portfólio de sementes de soja para Brasil e Argentina. Com o investimento, passou a deter 20% do mercado do insumo no País, ficando atrás apenas da Monsanto e da argentina GDM Seeds. (O Estado de São Paulo 26/02/2018)

 

Etanol de milho já reforça a oferta na entressafra

Enquanto o Centro-Sul passa por sua entressafra de cana, a oferta de etanol das usinas da região está sendo reforçada pelas importações e pela produção de etanol a partir do milho. Desde 1º de janeiro até metade de fevereiro, a produção de etanol de milho somou 107,5 milhões de litros - equivalente a 60% da produção total do Centro-Sul, que foi de 179,7 milhões de litros, de acordo com dados da União das Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Boa parte dessa produção vem da usina da FS Bioenergia, que começou a operar em julho do ano passado em Lucas do Rio Verde (MT). Segundo Rafael Abud, diretor financeiro da companhia, a FS Bioenergia tem produzido em torno de 20 milhões de litros de etanol por mês e, em janeiro, chegou a vender um volume aproveitando seus estoques, já que os preços estavam vantajosos.

Essa ocupação de espaço pelo etanol de milho, porém, tem fôlego curto, dado que em março algumas usinas de cana do Centro-Sul já voltarão a operar.

A oferta de etanol de milho neste primeiro trimestre deve ficar entre 180 milhões de litros e 200 milhões de litros, de acordo com Martinho Ono, diretor da SCA Trading. O volume, segundo ele, está dentro do previsto pelo mercado e é "bem-vindo".

As importações de etanol também estão reforçando a oferta, embora estejam dentro do esperado pelo mercado. Em janeiro, foram importados cerca de 165 milhões de litros, e Ono estima que o volume de etanol adquirido do exterior de janeiro a março fique em torno de 600 milhões de litros. Esse montante supera a cota isenta do imposto de importação de 20%. Contudo, mesmo com a tarifa, a importação tem sido vantajosa.

Além de atenderem o Nordeste, as importações também estão chegando ao Centro-Sul, onde a demanda está bastante aquecida.

A entrada de etanol de milho do Centro-Oeste e do importado, porém, não tem impactado os preços, segundo Ono. Desde o início do ano, o índice Cepea/Esalq para o etanol hidratado pago às usinas de São Paulo está em torno de R$ 1,85 o litro. Para o diretor da SCA Trading, a pressão vem do elevado volume de etanol que as usinas guardaram em estoques desde que terminaram a moagem desta safra. (Valor Econômico 26/02/2018)

 

Açúcar: Sem unanimidade

Os contratos futuros de açúcar demerara oscilaram bastante durante a sessão de sexta-feira na bolsa de Nova York.

Os papéis com vencimento em maio fecharam em baixa de 12 pontos, cotados a 13,46 centavos de dólar a libra-peso. Os investidores seguem divididos.

De um lado o Brasil indica que terá uma produção mais alcooleira na temporada em detrimento do açúcar e, de outro, Tailândia, Índia e a União Europeia já anunciaram aumento na produção do adoçante.

No Brasil, a Unica informou que a produção de açúcar foi irrisória na primeira quinzena de fevereiro, enquanto o volume de etanol somou 69,7 milhões de litros.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 51,72 a saca, baixa de 0,79%. (Valor Econômico 26/02/2018)

 

Etanol hidratado sobe 0,82% e o anidro avança 0,11% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 0,82% nesta semana, de R$ 1,8523 o litro para R$ 1,8675 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro avançou 0,11%, de R$ 1,9507 o litro para R$ 1,9528 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 26/02/2018)

 

Cosan acredita em cenário favorável para etanol brasileiro

O diretor de Relações com Investidores da Cosan, Guilherme Machado, destacou nesta sexta-feira (23) que o cenário é positivo para a demanda e os preços do etanol no mercado brasileiro.

“Temos visto na ponta uma demanda bastante consistente, a preços bastante razoáveis, e temos a percepção de que o suprimento vai ocorrer. Não esperamos impactos no preço”, afirmou o executivo em uma teleconferência com analistas e investidores.

O etanol tem se mostrado mais atrativo após altas tributárias maiores e reajustes frequentes da Petrobras sobre a gasolina, concorrente direto do hidratado, desde meados do ano passando.

Nesta quinta-feira, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) relatou fortes vendas na primeira quinzena de fevereiro.

Machado comentou que a tendência mesmo é a Raízen Energia, braço sucroenergético da Cosan, iniciar a próxima safra, a 2018/19, em abril, alocando maior parcela de cana para a fabricação do biocombustível.

Esse mix mais alcooleiro, por sua vez, deve ter impacto nos preços internacionais do açúcar. “Pelos fundamentos do mercado, os preços podem ter mais ‘upside’ do que ‘downside’”, disse.

Decisão sobre ativos na Argentina cabe à Shell

Guilherme Machado ainda afirmou que a Cosan foi até onde era possível no processo de venda de ativos da Shell na Argentina, de modo que a decisão agora cabe somente à petroleira anglo-holandesa.

“A Cosan participou do processo até onde cabia e a decisão está agora nas mãos do vendedor, a Shell”, disse.

A Reuters revelou em agosto do ano passado que a Raízen Combustíveis, joint venture entre Cosan e Shell e uma das principais distribuidoras do Brasil, estava em negociações avançadas para adquirir uma cadeia de postos pertencente à petroleira na Argentina.

O acordo era avaliado em mais de 1 bilhão de dólares.

Em setembro, a Raízen anunciou oficialmente uma proposta vinculante pelos ativos da Shell no país vizinho, mas até agora nenhum negócio foi fechado.

A declaração ocorre um dia após a Cosan reportar vendas de combustíveis no Brasil 4 por cento maiores no quarto trimestre, com as de diesel saltando 9 por cento, devido a uma alta na demanda por parte do setor agrícola.

Subsidiária da Cosan Ltd, listada em Nova York, a Cosan reportou na quinta-feira um lucro líquido de 686,4 milhões de reais no quarto trimestre de 2017, ante 183,3 milhões de reais no mesmo período do ano anterior. (Reuters 23/02/2018)

 

Centro-Sul: Usinas vendem 1 bi litros de etanol na 1ª quinzena de fevereiro

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil venderam 8 por cento mais etanol na primeira quinzena de fevereiro ante igual período de 2017, com um total de 1 bilhão de litros, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) divulgados nesta sexta-feira, reafirmando uma demanda aquecida pelo biocombustível que já vem desde meados do ano passado.

O volume considera mercados interno e externo.

O álcool tem se mostrado mais atrativo para os consumidores após altas tributárias maiores e reajustes frequentes da Petrobras sobre a gasolina, concorrente direto do hidratado, cujas vendas domésticas na quinzena cresceram 33 por cento, para 614,292 milhões de litros.

“O etanol hidratado ainda continua sendo a opção mais vantajosa ao consumidor em vários mercados, criando condições para que as vendas continuem em níveis mais elevados”, disse, em nota, o diretor-técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues.

Conforme a entidade, desde o início da safra 2017/18, em abril do ano passado, as vendas totais de etanol pelas unidades do centro-sul totalizaram 23,23 bilhões de litros, com 1,38 bilhão direcionados para exportação e 21,85 bilhões ao mercado interno.

Os volume estão praticamente em linha com aqueles observados em igual momento de 2016/17.

Já as vendas de hidratado ao mercado doméstico somaram 13,54 bilhões de litros no acumulado da temporada, alta de 5 por cento.

MOAGEM E PRODUÇÃO

Em plena entressafra, na primeira quinzena de fevereiro, a moagem de cana no Centro-Sul somou apenas 574 mil toneladas, queda de 37 por cento na comparação anual.

No período, a produção de açúcar foi de meras 4,62 mil toneladas (-49,4 por cento), enquanto o volume fabricado de etanol somou 69,69 milhões de litros (alta de 8,4 por cento).

Esse avanço se explica, em parte, por uma participação expressiva de etanol de milho, cuja primeira safra, de “verão”, está em colheita. Segundo a Unica, na quinzena foram fabricados 34,80 milhões de litros de álcool de milho.

Além disso, “os valores divulgados incorporam o reprocesso de cerca de 87 milhões de litros de etanol anidro, que foram convertidos em hidratado”, disse Rodrigues.

“Esse movimento era esperado, pois o estoque de etanol anidro está acima do volume necessário para o atendimento da demanda e dos estoques obrigatórios no final da entressafra”, acrescentou o diretor.

De acordo com a Unica, no dia 16 de fevereiro, sete unidades estavam processando cana no Centro-Sul. (Reuters 23/02/2018)

 

Mercado interno de açúcar na berlinda - Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY fechou a 13.66 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 29 pontos em relação à semana anterior. Na próxima semana, com a expiração de março/2018, há alguma expectativa em relação a entrega. Lembrando que no ano passado, um grande produtor fez uma entrega volumosa e este foi o ponto de ignição para que o mercado começasse sua viagem de queda livre. Acho muito improvável que isso se repita na semana que vem.

Consolidam-se as previsões entre usinas, tradings e especialistas do setor acerca do tamanho da moagem de cana no Centro-Sul para a safra 2018/2019. O número médio está ao redor de 585 milhões de toneladas de cana que devem produzir 32.4 milhões de toneladas de açúcar e 26.2 bilhões de litros de etanol. Nós acreditamos em um número menor para o açúcar - de 30.5 milhões de toneladas de açúcar -  e basicamente estamos em linha com a produção média de etanol. O viés é de baixa para novas previsões, pois muitos acreditam que revisões que vierem serão para menor volume de cana.

Não importa a maneira como se olha o cálculo da oferta e demanda no Brasil com base nos números acima, a conclusão mais plausível é que os números não fecham. A produção de 35 milhões de toneladas de açúcar (Brasil) é insuficiente para atender à demanda interna, mais o mercado internacional e um aumento adicional do consumo via crescimento do PIB de 3.85% previsto para 2018.

Descontemos das 35 milhões de toneladas de açúcar (notem que não estamos usando a previsão da Archer Consulting que é menor, mas o número consensual do mercado), um consumo interno de 12 milhões de toneladas. Sobrariam, assim, 23 milhões de toneladas de açúcar para o mercado de exportação volume muito abaixo da média 26.6 milhões de toneladas observada nos últimos três anos ou da média de 28 milhões de tonelada dos últimos doze meses. Ou seja, forçosamente o Brasil vai enxugar do mercado internacional umas 5 ou 6 milhões de toneladas de açúcar. O mercado interno pode se tornar extremamente aquecido.

Isso abre um ponto para reflexão que não tem sido muito explorado nas conversas recentes, ou seja, o impacto que essa diminuição na disponibilidade de açúcar a ser produzido na safra 2018/2019 pode causar no mercado local. Podemos assistir a uma elevação significativa dos preços, pois o açúcar comercializado no mercado interno terá que disputar com o etanol que remunera bem melhor e o mercado futuro de NY. Hoje, por exemplo, com o dólar cotado a R$ 3.2400 e tomando NY a 13.67 centavos de dólar por libra-peso, ESALQ deveria valer (não por equivalência, mas pela curva de preços que mostra alta correlação) R$ 58.80 e está ao redor de R$ 52.20. O modelo deduz que ou NY deve cair mais (o que não acreditamos pelas razões expostas nos últimos comentários) ou ESALQ vai ter que subir. Isso coloca o mercado interno na berlinda, hein?

Outro ponto a ser explorado é acerca do volume vendido em aberto pelos fundos, são 140,000 lotes, que equivalem a 7 milhões de toneladas de açúcar. Vamos assumir que ainda existam 2 milhões de toneladas de açúcar a serem fixadas contra o maio/2018 objeto de rolagens de vencimentos anteriores. No próprio maio, as fixações da 2018/2019 devem representar 3,75 milhões de toneladas de açúcar das quais 2/3 já devem estar fixadas. Ou seja, temos de um lado os fundos posicionados em 7 milhões de toneladas de açúcar em tese que poderiam ser cobertas, e do outro apenas 3,25 milhões de potenciais vendedores (só Brasil). Teríamos que descontar ainda os volumes estimados de fixação de outros países produtores. Se o Brasil, em teoria, tem 55% do mercado, então o jogo estaria relativamente equilibrado. Será?

Pelos cálculos preliminares que fizemos, o preço médio de venda dos fundos deve estar entre 13.56 e 13.88 centavos de dólar por libra-peso, nos obrigando e corrigir o que dissemos aqui há algumas semanas de que os fundos estavam ganhando muito dinheiro. Não é verdade pois a posição vendida começou a ser construída a 14.63 centavos de dólar por libra-peso, mas foi adicionando mais volume entre 14.30 e 13.19 sendo que em janeiro os fundos cobriram parte das vendas a descoberto a níveis muito mais altos. Nossa opinião é que só a partir do nível de 13.88 para cima, é que veremos alguma reação por parte dos fundos em começar a liquidar suas posições para o vencimento maio/2018. Vamos ficar de olho.

Um corretor baseado em NY, veterano de longa data do mercado açucareiro, que escreve diariamente sobre o mercado, está extremamente entediado com o mercado futuro irritante intervalo de 250 pontos há seis meses, listou algumas das palavras que poderiam bem definir o mercado de açúcar atual: tristeza, patético, horrível, porcaria, insensível, que destrói a alma e outros menos publicáveis (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)