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Açúcar: Ásia em foco

Em movimento favorecido pela alta do dólar ante o real, a cotação do açúcar demerara recuou ontem em Nova York.

Os papéis com vencimento em maio caíram 56 pontos, para 12,87 centavos de dólar, o menor valor desde 28 de junho do ano passado para um contrato de segunda posição de entrega.

Embora os fundos sigam apostando na queda dos preços do açúcar, a produção elevada na Ásia dá suporte à retração.

As indústrias da Tailândia, segundo maior país exportador, confirmaram as perspectivas de aumento da oferta na Ásia ao informarem que a produção de açúcar nesta temporada está 23,7% maior que no mesmo período da safra passada.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 50,76 a saca de 50 quilos, baixa de 1,61%. (Valor Econômico 28/02/2018)

 

Custo de exportação de açúcar sobe 17%

Os custos para a exportação de açúcar em contêineres no Porto de Santos ficaram 17,4% mais altos no ano passado, na comparação com 2016. O aumento foi verificado nas despesas com tributos, transportes, mão de obra e segurança. O temor de empresas do setor é que esse encarecimento leve a uma fuga de cargas do complexo marítimo.

O dado faz parte de um levantamento da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC). O estudo levou em conta os custos de cada fase do processo de exportação do açúcar, incluindo a chegada da carga no terminal retroportuário, a estufagem (carregamento) dos contêineres, os encargos administrativos, operacionais e tributários e até o custo do transporte do cofre cheio ao terminal portuário.

De acordo com a ABTTC, em 2016, o custo para o embarque de um contêiner carregado com açúcar era de R$ 1.277,92. Neste ano, a despesa saltou para R$ 1.499,72. Uma parcela de 74,7% deste valor é referente a encargos tributários, contratação de transportadores autônomos e pagamento de mão de obra especializada na estufagem, realizada por trabalhadores avulsos vinculados ao Sindicato dos Movimentadores de Mercadorias e Cargas em Geral de Santos e Região (Sintrammar).

A carga tributária é um dos fatores responsáveis pelo aumento do custo da exportação. Segundo o levantamento, a variação desse encargo foi de 39%. Em 2016, esses encargos no embarque de um contêiner de açúcar eram de $ 153,69. No ano passado, saltaram para R$ 213,71.

Segundo o levantamento, o custo do serviço de transporte representou 33,7% do total gasto para a exportação de um contêiner. Nos últimos dois anos, essa despesa saltou de R$ 465,39 para R$ 505,77, uma variação de 8,7%.

De acordo com o diretor-executivo da ABTTC, Wagner Rodrigo Cruz de Souza, a contratação de motoristas autônomos representa a maior parte das despesas com transportes.

Segurança

No ano passado, a Alfândega do Porto de Santos determinou a instalação de câmeras para o monitoramento das operações de estufagem nos Recintos Especiais para Despacho Aduaneiro de Exportação (Redex) da região. A norma ainda determina o rastreamento das cargas até os terminais.

De acordo com Souza, essas exigências visam evitar o tráfico internacional de drogas no cais santista, mas também ampliam os custos operacionais. Em uma análise inicial, a estimativa é que as medidas de segurança representem um custo adicional entre R$ 70,00 e R$ 90,00 por contêiner movimentado.

Ainda se estuda instalar lacres eletrônicos, que além de garantir a segurança da carga, irá rastreá-las. O novo sistema está em fase de testes.

"A solução que está sendo trabalhada pela ABTTC trará uma melhor gestão das cargas transitadas em Redex, oferecendo informações à Alfândega do Porto de Santos em tempo real, podendo auxiliar a Autoridade Aduaneira na tomada de decisões e no gerenciamento de riscos da carga, haja vista que o processo proposto é totalmente automatizado e reduz drasticamente a interferência humana no processo. A solução já foi apresentada à Alfândega, que recebeu com entusiasmo a solução".

Economista teme fuga de mercadorias

Os custos das operações no Porto de Santos podem causar uma fuga de cargas para outros complexos portuários, principalmente no caso de mercadorias conteinerizadas, foco da pesquisa da Associação Brasileira dos Terminais Retroportuários e das Empresas Transportadoras de Contêineres (ABTTC). A opinião é do economista Helio Hallite.

"Esse aumento de 17,4% nas despesas para a operação do açúcar em contêineres no Porto de Santos acende um sinal amarelo nocusto logístico. Quando a gente fala em Custo Brasil, a prioridade tem que ser reduzir essa cifra", destacou o economista, especialista em comércio exterior.

Segundo Hallite, a saída encontrada por exportadores para driblar os custos pode ser o abandono do Porto de Santos. Isto porque os preços de commodities como o açúcar são definidos em bolsas de valores internacionais. Assim, essas despesas extras não podem ser repassadas.

"A conta da despesa só vai aumentando. Os tributos aumentam e não são providenciadas soluções de mobilidade para tornar esse transporte mais ágil ou mais barato, por exemplo", advertiu o especialista.

O economista aponta ainda as vantagens de se incentivar operações de commodities em contêineres.O motivo é que elas agregam valor às trocas comerciais, são mais versáteis e mais limpas.

Já o economista Jorge Manuel Ferreira tem opinião diferente. Apesar da alta nas despesas para os exportadores que utilizam o Porto de Santos, ele acredita que o cais santista manterá o papel de destaque no comércio exterior brasileiro. Se, por um lado, os custos estão mais altos, por outro a localização privilegiada e o grande fluxo comercial facilitam a logística das operações com contêineres.

"O Porto de Santos opera grande quantidade de cargas tanto para embarque, como para desembarque. Isso facilita o frete de retorno, no caso dos contêineres. Eles podem vir cheios e voltar vazios porque há demanda para isso", destacou Ferreira.

O economista aponta a alta carga tributária e o crescente custo para a contratação de mão de obra. Mas, nestes dois casos, as despesas são as mesmas enfrentadas por exportadores e importadores em outros complexos portuários. (A Tribuna 26/02/2018)

 

Etanol de milho já reforça a oferta na entressafra

Enquanto o Centro-Sul passa por sua entressafra de cana, a oferta de etanol das usinas da região está sendo reforçada pelas importações e pela produção de etanol a partir do milho. Desde 1º de janeiro até metade de fevereiro, a produção de etanol de milho somou 107,5 milhões de litros - equivalente a 60% da produção total do Centro-Sul, que foi de 179,7 milhões de litros, de acordo com dados da União das Indústria de Cana-deAçúcar (Unica).

Boa parte dessa produção vem da usina da FS Bioenergia, que começou a operar em julho do ano passado em Lucas do Rio Verde (MT). Segundo Rafael Abud, diretor financeiro da companhia, a FS Bioenergia tem produzido em torno de 20 milhões de litros de etanol por mês e, em janeiro, chegou a vender um volume aproveitando seus estoques, já que os preços estavam vantajosos.

Essa ocupação de espaço pelo etanol de milho, porém, tem fôlego curto, dado que em março algumas usinas de cana do Centro-Sul já voltarão a operar.

A oferta de etanol de milho neste primeiro trimestre deve ficar entre 180 milhões de litros e 200 milhões de litros, de acordo com Martinho Ono, diretor da SCA Trading.

O volume, segundo ele, está dentro do previsto pelo mercado e é "bem-vindo".

As importações de etanol também estão reforçando a oferta, embora estejam dentro do esperado pelo mercado. Em janeiro, foram importados cerca de 165 milhões de litros, e Ono estima que o volume de etanol adquirido do exterior de janeiro a março fique em torno de 600 milhões de litros. Esse montante supera a cota isenta do imposto de importação de 20%. Contudo, mesmo com a tarifa, a importação tem sido vantajosa.

Além de atenderem o Nordeste, as importações também estão chegando ao Centro-Sul, onde a demanda está bastante aquecida.

A entrada de etanol de milho do Centro-Oeste e do importado, porém, não tem impactado os preços, segundo Ono. Desde o início do ano, o índice Cepea/Esalq para o etanol hidratado pago às usinas de São Paulo está em torno de R$ 1,85 o litro. Para o diretor da SCA Trading, a pressão vem do elevado volume de etanol que as usinas guardaram em estoques desde que terminaram a moagem desta safra. (Valor Econômico 26/02/2018)

 

Preço do etanol para motoristas sobe na maior parte do país

Os preços do etanol hidratado (que abastece diretamente os tanques) voltaram a subir para os motoristas da maior parte do país na semana passada, na contramão da gasolina, que recuou na maioria dos Estados, de acordo com levantamento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Na semana móvel encerrada dia 24, os preços do etanol subiram em 13 Estados e no Distrito Federal e caíram em nove. Em três Estados, os preços ficaram estáveis, e não houve pesquisa no Amapá.

Já os preços da gasolina caíram aos motoristas de18 Estados e do Distrito Federal e só subiram em seis Estados. Com isso, a correlação entre os preços dos dois combustíveis ficou mais desfavorável ao etanol. O produto continua mais vantajoso do que a gasolina (abaixo de 70% de seu valor) em apenas dois Estados (Mato Grosso e Goiás).

Entretanto, a diferença nominal segue elevada em outros Estados em que a correlação está acima dos 70%. Em São Paulo, o preço médio do etanol está em 72% do valor da gasolina, mas com uma diferença de R$ 1,122 por litro. A diferença também é maior do que R$ 1 por litro em Pernambuco, Paraná, Minas Gerais e Acre. (Valor Econômico 26/02/2018 às 20h: 24m)

 

Financial Times: Com a ascensão dos biocombustíveis no Brasil, o etanol se manterá uma opção sustentável?

A mudança para os biocombustíveis reduz as emissões diretas de gases do efeito estufa, mas e quanto às indiretas?

No esforço de atingir as metas instituídas por meio do Acordo de Paris, que buscam reduzir as emissões de gases do efeito estufa em 43% até 2030, o presidente Michel Temer aprovou uma nova política de biocombustíveis.

A lei do RenovaBio, que foi sancionada em dezembro de 2017, visa estimular a produção de biocombustíveis, como o etanol, o biodiesel e o biogás, por meio de metas setoriais e, consequentemente, gerar uma redução das emissões.

É uma boa notícia para as indústrias de cana-de-açúcar produtoras de etanol, que possuem um produto que compete com a gasolina: é estimado que um quinto de todas as usinas na região Centro-Sul do Brasil tenham fechado as portas desde 2010. Com o programa, a expectativa é que a empregabilidade aumente e que os investimentos cheguem a US$ 500 bilhões (mais de R$ 1,5 trilhão).

Mas, à medida em que o mercado se prepara para o aumento da demanda, como é possível garantir a viabilidade a longo prazo dos biocombustíveis como uma fonte de energia alternativa?

Para fazer a transição dos combustíveis fósseis para os biocombustíveis é necessário um movimento firme, tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental, controlando as emissões geradas na produção. Embora as emissões diretas existentes no uso de biocombustíveis sejam 90% menores do que na gasolina e no diesel, é preciso considerar as emissões indiretas associadas à produção e ao desmatamento para plantio da cana-de-açúcar, as quais são variáveis e podem ser significativas.

Por exemplo, o fertilizante nitrogenado usado no cultivo de cana-de-açúcar representa 40% das emissões de gases do efeito estufa associadas à produção de etanol. Ao dedicar esforços na limitação dessas emissões indiretas, os benefícios de mudar para os biocombustíveis podem ser ainda maiores.

Até recentemente, não havia valores confiáveis quanto a emissão de gases associados à produção de cana-de-açúcar. Nosso trabalho no Instituto Agronômico de Campinas, em São Paulo, começou a mudar esse cenário.

Descobrimos que, ao estabilizar os fertilizantes com compostos que atrasam a conversão de amoníacos em nitratos (conhecidos como inibidores de nitrificação), podemos reduzir as emissões de óxido nitroso em 95%. Essas inovações são intervenções simples e têm potencial para tornar o etanol mais sustentável e ajudar o Brasil a atingir o seu ambicioso objetivo de reduzir a taxa de emissão de gases.

Outra preocupação envolve a necessidade de plantar mais cana-de-açúcar para atingir à demanda por biocombustíveis. Estima-se que o desmatamento para fins agrícolas seja responsável por cerca de 14% das emissões globais de gases de efeito estufa.

Felizmente, esse não é o caso no Brasil, onde a lei exige que entre 20% e 80% das terras sejam preservadas, dependendo do local. A agricultura é baseada na premissa que é preciso produzir mais tornando as fazendas tão rentáveis quanto possível.

De acordo com os dados da Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), entre 1975 e 2016, aproximadamente 130 milhões de hectares foram poupados da conversão para terras agrícolas graças à incorporação de diversas tecnologias inteligentes, como sementes melhoradas e o uso apropriado e eficiente de fertilizantes.

No Brasil, o uso dos fertilizantes é raramente considerado como um aliado na luta contra as mudanças climáticas – mas, justamente por isso, ele deveria ser. Os fertilizantes usados de maneira sustentável podem ajudar o Brasil a ser mais produtivo nas terras agrícolas já existentes, evitando a necessidade de expandi-las. A indústria de fertilizantes desenvolveu os princípios de manejo de nutrientes 4C (o nutriente certo, na quantidade certa, no momento certo e no lugar certo) para ajudar os agricultores a melhorarem o gerenciamento de fertilizantes e obterem mais rendimentos, reduzindo o impacto ambiental.

O RenovaBio pode revitalizar o mercado de biocombustíveis e percorrer um longo caminho ao ajudar o Brasil na busca por menores emissões de gases no futuro. É preciso ter certeza de que, ao reduzir as emissões na fase de produção, também fazem parte do plano aspectos como render mais em menos terras e incorporar novas tecnologias. Caso contrário, haverá o risco de perdermos os benefícios de mudar de combustível fóssil em primeiro lugar. (Financial Times 27/02/2018)

 

Etanol: Preços registram alta pela a segunda semana consecutiva

Os preços dos etanóis subiram por mais uma semana no mercado paulista.

Entre 19 e 23 de fevereiro, o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado fechou a R$ 1,8675/litro, elevação de 0,82% em relação ao da semana anterior. Quanto ao anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ foi de R$ 1,9528/litro, variação positiva de 0,1% na mesma comparação.

Segundo informações do Cepea, o suporte veio da grande demanda das distribuidoras, que voltaram a adquirir volumes para reposição das vendas do período de carnaval.

O volume captado pelo Cepea nas negociações de etanol hidratado entre usinas e distribuidoras, inclusive, chegou a crescer mais de três vezes na última semana.

O aumento foi observado mesmo com a elevação expressiva da oferta de hidratado por parte de algumas poucas usinas que ainda têm estoques e estão abrindo espaço nos tanques com a proximidade da nova produção. (Reuters 23/02/2018 às 10h: 18m)