Setor sucroenergético

Notícias

RenovaBio incentiva compra de cana de fornecedores com CAR

As usinas sucroalcooleiras que quiserem participar do RenovaBio por meio da emissão de certificados de biocombustíveis (CBios) precisarão garantir que toda a cana comprada de fornecedores venham de produtores que estejam inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo Mateus Chagas, engenheiro do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e membro do grupo de trabalho técnico do programa, em evento da Datagro em Ribeirão Preto.

Segundo Chagas, a decisão de não abrir exceções para usinas com eventuais fornecedores que não estivessem inscritos no CAR foi uma decisão que partiu do Ministério de Meio Ambiente (MMA). “Isso foi tema do grupo de trabalho, mas não foi uma decisão só do grupo, mas do ministério”, afirmou, questionado por usineiros sobre a “radicalidade” da medida.

Para emitirem os CBios, as usinas têm que cumprir uma série de requisitos ambientais, como zoneamento agroecológico, terem CAR, e precisam receber uma nota de eficiência energética de empresas certificadoras. Essa nota determinará quantos CBios as usinas poderão emitir no mercado. (Valor Econômico 14/03/2018 às 19h: 08m)

 

Falta de chuva e de investimentos prejudica canaviais

A escassez de chuvas necessárias para o desenvolvimento dos canaviais no ciclo 2017/18 e a falta de investimento em renovação e em tratos culturais deverão afetar a próxima safra (2018/19) do Centro-Sul (2018/19), que começará em abril.

Várias regiões não receberam chuvas ou registraram volumes abaixo da média no inverno do ano passado, o que comprometeu o início da rebrota dos pés de cana que haviam acabado de ser cortados e atrasou o desenvolvimento dos canaviais. A estiagem durou de 90 a 120 dias, a depender da região, afirmou Plinio Nastari, presidente da Datagro, em evento ontem em Ribeirão Preto (SP). Segundo a consultoria, a moagem de cana na próxima temporada deverá alcançar 577 milhões de toneladas, ante as 596 milhões esperadas para 2017/18.

O clima também tem sido desfavorável às lavouras desde fevereiro, com precipitações abaixo da média. Alguns polos foram mais penalizadas no mês passado no interior paulista, como Piracicaba, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, e as previsões indicam que as chuvas seguirão abaixo da média até 25 de março.

A falta de investimentos em tratos culturais, que facilita a proliferação de pragas, também pode agravar a situação. Faltaram, ainda, investimentos em renovação de canaviais, necessária para iniciar novos ciclos da planta, já que o envelhecimento dos pés compromete a produtividade ao longo do tempo. Para alguns analistas, o excesso de mato nos canaviais pode ser um problema até maior que o clima na próxima safra.

Segundo Nastari, a intenção das usinas de renovar seus canaviais neste ano é ligeiramente menor do que era em 2017 - está abaixo de 14%. Com isso, a idade média das plantações, que está em torno de 3,7 anos, não deverá diminuir.

A queda da produtividade já está nas contas da Usina Batatais, que prevê que sua moagem só não será menor no novo ciclo porque a área de colheita vai crescer. Segundo Bernardo Biagi, presidente do grupo, as duas usinas da Batatais deverão processar 7,2 milhões de toneladas de cana, 2% a mais do que em 2017/18. Como a concentração de açúcares na cana (ATR) deverá cair 2%, o incremento será garantido pela expansão de 5% da área de colheita. A idade média das lavouras do grupo deverá aumentar de 4,1 para 4,2 anos.

O cenário de menor oferta da matéria-prima no Centro-Sul em geral deverá acentuar a tendência de redução da produção de açúcar na nova safra, já esperada porque o etanol está remunerando melhor as usinas.

Conforme a Datagro, a produção de açúcar em 2018/19 no Centro-Sul deverá ficar em 31,6 milhões de toneladas, ante as 36,1 milhões do ciclo 2017/18. E o viés da projeção, segundo Nastari, é "para baixo", a depender da tendência de maximização da produção de etanol e da permanência dos preços do açúcar em níveis "não estimulantes".

Assim, a produção total de etanol (anidro e hidratado) do Centro-Sul deverá subir para 26,7 bilhões de litros em 2018/19, ante 26,3 bilhões estimados para a safra atual, de acordo com a Datagro.

E o país também terá uma oferta adicional de etanol de milho mais expressiva em razão dos novos investimentos em usinas que usam o cereal. A Datagro estima que a produção nacional de etanol de milho deverá crescer de 525 milhões de litros, em 2017/18, para 830 milhões. (Valor Econômico 15/03/2018)

 

Açúcar: Oferta menor

Os preços do açúcar demerara subiram ontem na bolsa de Nova York, sustentados por estimativa de queda da produção no Centro-Sul do Brasil divulgada pela consultoria Datagro em evento em Ribeirão Preto (SP).

Os contratos com vencimento em julho encerraram a sessão a 12,97 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 8 pontos em relação à véspera.

Segundo a Datagro, no Centro-Sul brasileiro a produção de açúcar deverá cair pelo menos 5 milhões de toneladas na safra 2018/19, para menos de 32 milhões de toneladas (ver página B10).

Ainda assim, é consenso entre analistas que haverá superávit global na temporada.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo caiu 0,41%, para R$ 50,96. (Valor Econômico 15/03/2018)

 

Centro-Sul do Brasil deve ter menor moagem de cana em 5 anos, diz Datagro

O centro-sul do Brasil, maior região produtora de açúcar do mundo, deve ter a menor moagem de cana em cinco anos na nova safra que começa em abril, conforme plantações mais velhas levam a um menor rendimento, avaliou a consultoria Datagro nesta quarta-feira.

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, disse em apresentação durante um seminário em Ribeirão Preto (SP) que as usinas do centro-sul devem moer apenas 577 milhões de toneladas de cana no ciclo 2018/19, ante estimativa revisada de 597 milhões de toneladas para a temporada anterior.

Se confirmado, esse seria o menor nível de moagem para a região desde a safra 2014/15, quando foram processadas 573 milhões de toneladas.

"A renovação de plantações de cana tem estado longe do ideal. Os canaviais estão velhos, têm em média mais do que 3,7 anos", disse Nastari, acrescentando que a safra sofreu com uma seca no fim do ano passado.

Chuvas recentes não foram suficientes para compensar o potencial de produção perdido, ele observou.

A Datagro projeta que o centro-sul produzirá 31,6 milhões de toneladas de açúcar em 2018/19, bem abaixo da produção de cerca de 36 milhões de toneladas na temporada anterior.

Nastari espera que a produção de etanol suba para 26,7 bilhões de litros em 2018/19, comparado com 26,15 bilhões previstos para a safra anterior, com as usinas destinando mais cana para a produção do biocombustível por preços melhores e forte demanda local.

"Há uma clara vantagem na destinação pelas usinas de mais cana para a produção de etanol", disse Nastari, que estima que os valores atuais do etanol sejam equivalentes a um preço virtual para o açúcar bruto em Nova York em torno de 17 centavos de dólar por libra/peso.

O primeiro contrato do açúcar bruto era negociado a cerca de 12,78 centavos nesta quarta-feira.

Nastari disse que as usinas brasileiras estão se ajustando para alcançar uma maior flexibilidade de produção, aumentando ou reduzindo o mix de cana para a produção de açúcar ou etanol, de acordo com os níveis dos preços e a demanda do mercado. (Reuters 14/03/2018)

 

Safra de cana 18/19 no centro-sul será “certamente” menor que 17/18, diz Canaplan

A safra de cana 2018/19 no centro-sul do Brasil, que se inicia no próximo mês, será "certamente" menor ante a atual (2017/18), dados o envelhecimento e o desenvolvimento não pleno das plantações, disse nesta quarta-feira o sócio-diretor da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho.

A temporada vigente deverá registrar processamento de 585 milhões de toneladas de matéria-prima na principal região produtora do maior player global do setor sucroenergético.

Para Corrêa Carvalho, também presidente da Associação Brasileira do Agronegócios (Abag), esse volume dificilmente será superado ou ao menos repetido no próximo ciclo, em uma avaliação que contrasta com a estabilidade prevista em uma recente pesquisa da Reuters.

"O canavial está atrasado, ainda está se formando, por isso a produtividade tem sido baixa para quem já começou a moer. E o plantio foi pequeno, tem sido de 12 por cento, ante os 18 por cento que consideramos ideais", explicou ele a jornalistas no intervalo de evento em Sumaré (SP) para inauguração de uma fábrica de fertilizantes.

Segundo ele, a renovação inadequada dos canaviais, reflexo das dificuldades financeiras pelas quais ainda passa o setor, tem levado a um envelhecimento contínuo das plantas, acarretando em perda de produtividade.

Já o "atraso" é resultado de uma estiagem entre setembro e outubro do ano passado, que retardou o desenvolvimento da cana no campo, explicou Corrêa Carvalho, acrescentando que o quão menor a safra será neste ano dependerá do desenrolar climático nos próximos meses.

A Canaplan soltará sua primeira estimativa para o ciclo de cana 2018/19 em abril. Corrêa Carvalho salientou que a safra deverá ser fortemente alcooleira, dada a atratividade do etanol, mais rentável, e os preços deprimidos do açúcar.

Mais cedo, a consultoria Datagro revisou seus números para a próxima safra, dizendo que a moagem em 2018/19, estimada em 577 milhões de toneladas, será a menor em cinco anos. (Reuters 14/03/2018)

 

Embrapa faz acordo para cana transgênica

Empresa reforça produção de variedade resistente à principal praga e ao herbicida glifosato.

A Embrapa Agroenergia assinará nesta quinta-feira (15) contrato de parceria de quatro anos para a produção de uma nova variedade transgênica de cana-de-açúcar resistente à broca, maior praga da cultura, e ao herbicida glifosato, o mais usado no setor.

Embora assinado agora, o projeto teve início em novembro e a expectativa é que em até quatro anos a variedade esteja disponível para negociações. Variedade resistente à broca não é novidade, mas a diferença dessa cana será a combinação de dois modos de ação para ampliar a proteção contra a broca e oferecer resistência ao herbicida.

A broca (Diatraea saccharalis) é responsável por perdas que chegam a cerca de R$ 5 bilhões por ano ao setor, ao reduzir as produtividades agrícola e industrial e a qualidade do açúcar, além de gerar custos com inseticidas.

Segundo Hugo Molinari, pesquisador da Embrapa Agroenergia e líder do projeto, o objetivo de incluir a resistência ao glifosato tem como objetivo reduzir o total de aplicações do herbicida, reduzindo o gasto com o produto e mão de obra no campo.

"É uma economia tanto da molécula, do próprio herbicida, por área, e também porque se faz um número menor de aplicações. É uma variedade inédita no país, com uma combinação que não existe", afirmou Molinari.

Os primeiros testes de campo começarão em dois anos e deverão durar mais dois anos, de acordo com ele. Um dos problemas do uso de herbicidas é que ele pode prejudicar o desenvolvimento da cana ou gerar algum efeito residual para a rebrota. Além disso, deve ser usado em sistema de rodízio com outros produtos, para que o efeito no campo não seja reduzido.

"Toda tecnologia tem um prazo de validade e não é diferente o que acontece no campo hoje. É preciso incorporar características, colocar mais um modo de ação para que a proteção seja ampliada para o controle da praga." Em laboratório, pesquisadores já iniciaram a transformação genética com as variedades selecionadas para uso.

A assinatura do projeto-parceria entre Embrapa, Sebrae, Embrapii e a startup PangeiaBiotech, ocorrerá durante simpósio sobre a integração da pesquisa pública com cana no país, na unidade do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) em Ribeirão Preto.

PIONEIRA

A proposta da Embrapa vem na sequência ao anúncio, em 2017, da aprovação para uso comercial na CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) da primeira cana geneticamente modificada no mundo, desenvolvida pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira).

"Começamos a distribuição às usinas em outubro e, até o fim de abril, devemos ter 400 hectares plantados, como tínhamos planejado", disse William Burnquist, diretor de melhoramento genético do CTC.

Segundo ele, a performance da cana está confirmando a expectativas e o plano é que nos primeiros três anos as usinas selecionadas multipliquem a produção.

Em três anos, o CTC projeta liberar de seis a sete novas variedades, para abranger todos os problemas climáticos e de solo em que a cultura é praticada e com plantas que sejam resistentes a outras pragas e herbicidas. (Folha de São Paulo 15/03/2018)

 

Usina Batatais aumentará moagem de cana e elevará aposta em etanol

A Usina Batatais, que tem duas unidades sucroalcooleiras no Estado de São Paulo, deverá elevar marginalmente sua moagem de cana na safra 2018/19 em razão de um aumento da área de colheita, e espera aproveitar o processamento para priorizar o etanol. foi o que afirmou a jornalistas Bernardo Biagi, presidente da companhia, no intervalo de um evento da consultoria Datagro em Ribeirão Preto.

A área de colheita deverá registrar expansão de 5%, para 88 mil hectares, e com isso o grupo projeta processar 7,18 milhões de toneladas no próximo ciclo, 2% mais que em 2017/18. A moagem não será maior porque é esperada uma retração de 2% na concentração de açúcares na cana (ATR), para 133,1 quilos por tonelada de cana moída.

As duas usinas da Batatais já deram início aos trabalhos de processamento neste ano. Mas a unidade localizada no município de Lins só está produzindo etanol, e assim deverá continuar por mais 40 dias. “A região de Lins foi muito seca no ano passado, então não teve cana bisada [sobra]. Estamos processando cana nova”, disse Biagi. Além disso, afirmou, os preços do etanol estão muito favoráveis e justificam a estratégia.Já a usina localizada no município de Batatais já está produzindo tanto açúcar como etanol, e a plena capacidade, já que os canaviais da região ainda estão com cana bisada.

Como a maior parte do segmento, a Usina Batatais deverá reduzir seu mix açucareiro em 2018/19, já que o etanol está oferecendo uma remuneração maior que o açúcar, que está sendo negociado a valores abaixo do custo de produção.

O preço atual do açúcar na bolsa de Nova York, em torno de 12,5 centavos de dólar a libra-peso, está abaixo do custo médio de produção das duas usinas da Batatais, que gira em torno de 15 centavos de dólar a libra-peso. A empresa só não terá prejuízo com todas as vendas de açúcar porque 45% do volume que deverá ser produzido já teve o preço fixado a valores maiores. O preço médio dessas vendas ficou equivalente a 16,50 centavos de dólar a libra-peso.

A princípio, a produção de açúcar deverá ficar em 9,9 milhões de sacas de 50 quilos, 18% menos do que no ciclo anterior, corresponde a um mix açucareiro de 47%. Porém, Biagi afirma que esse percentual poderá ser até menor. Em 2017/18, foram 54%. Para o etanol, a projeção da companhia é de que a produção total aumente 17%, para 314 milhões de litros. (Valor Econômico 14/03/2018 às 16h: 14m)

 

Maia articulou decreto para suspender cota de etanol importados dos EUA

Rodrigo Maia patrocina reação do Congresso à sobretaxa de Trump ao aço; com retaliação, todo o etanol estadunidense passaria a ser taxado.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), decidiu patrocinar uma reação do Congresso às novas taxas para importação de aço e alumínio estabelecidas pelo presidente dos Estados Unidos.

Na semana passada, Donald Trump anunciou que as tarifas passarão de até 0,9% para 25% sobre o aço e de 2% para 10% sobre o alumínio. A justificativa para impor as sobretaxas é a suposta necessidade de preservação da segurança nacional.

A medida adotada pelo governo americano prejudica o comércio exterior do Brasil, um dos principais exportadores desses produtos.

Nesta quarta-feira (14), Maia chancelou a elaboração de um decreto legislativo assinado pelo deputado Fábio Garcia (DEM-MT), seu correligionário, que, se aprovado, suspenderá o desconto nas tarifas do etanol importado dos EUA.

Segundo o texto, ao qual a Folha teve acesso, o projeto de decreto legislativo "visa sustar a resolução da Camex (Câmara de Comércio Exterior) que altera a Lista Brasileira de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul referente aos produtos com um teor de água igual ou inferior a 1% vol (álcool etílico)".

Por decisão da Camex no ano passado, os EUA podem vender no Brasil 600 milhões de litros de etanol por ano sem pagar tarifa de importação de 20%.

Se o decreto legislativo for aprovado, toda a importação de etanol americano passaria a ser taxada ao entrar no Brasil.

De acordo com o documento, a medida vai "proteger a geração de emprego e renda deste setor pela indústria brasileira".

O objetivo de Maia é aprovar o decreto na Câmara e no Senado caso os EUA mantenham a decisão de impor a sobretaxa à importação de aço e alumínio do Brasil.

O governo americano pode negociar exceções no aumento das tarifas, e o Brasil aguarda para saber se será ou não incluído nessas ressalvas.

Para ter o aval do Congresso, o texto precisa de aprovação com maioria simples nas duas Casas – ou seja, maior parte dos votantes em plenário.

Em disputa pelo protagonismo da agenda econômica, Maia, que se lançou pré-candidato à Presidência na semana passada, quis se antecipar a Temer na reação aos EUA.

O presidente da Câmara não consultou o emedebista para a edição do decreto, dando início a uma possível retaliação aos americanos sem coordenação com o Palácio do Planalto.

O governo brasileiro estudava medidas para tentar contornar as sobretaxas de Trump, como por exemplo o apelo à OMC (Organização Mundial do Comércio).

A intenção do recurso foi verbalizada nesta quarta por Temer, mas até agora nenhuma ação concreta foi anunciada. (Folha de São Paulo 15/03/2018)

 

Yara vê mercado de fertilizantes mais lento no Brasil no início do ano

A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara, líder do mercado no Brasil com fatia de 25 por cento, avalia que os negócios de adubos no país começaram mais lentos no início do ano, quando produtores estavam mais reticentes em fechar negócios, disse nesta quarta-feira o presidente da empresa no Brasil, Lair Hanzen.

Mas ele disse, sem elaborar, que o mercado pode melhorar.

"O compasso (de vendas de fertilizantes) foi um pouco mais lento neste início de ano. Consequentemente nossos estoques também estão maiores. Mas acreditamos que esse mercado não volta para trás", afirmou o executivo em evento da Yara em Sumaré, onde a empresa inaugurou uma unidade de fertilizantes foliares.

Os preços de soja e milho ficaram mais firmes por influência da quebra de safra na Argentina pela severa seca, o que disparou vendas de produtores.

Questionado sobre o impacto disso para os negócios da Yara, ele evitou fazer comentários, ressaltando apenas que a perspectiva de agora em diante é favorável com as compras para próxima safra.

Sem vendas anteriormente, o agricultor acabou ficando descapitalizado e adquiriu menos insumos para as lavouras de soja e, principalmente, de milho safrinha.

As vendas de fertilizantes no Brasil atingiram um recorde no ano passado de 34,4 milhões de toneladas, mas no primeiro bimestre recuaram cerca de 2 por cento, segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (Anda). (Reuters 14/03/2018)

 

Cofco se diz aberta a parcerias

A Cofco International, controlada pela chinesa Cofco, está aberta a fazer mais parcerias com a concorrência, e não comprá-la. Da sede da Cofco em Pequim, o presidente mundial Patrick Yu disse, em entrevista à TV Bloomberg, que a companhia está disposta a construir uma cadeia de suprimentos global para alcançar seu principal objetivo, o de alimentar 1,4 bilhão de chineses.

"Nossa força está na China. Temos de manter na cabeça que somos uma empresa chinesa e que conhecemos o mercado chinês", disse ele. A declaração sinaliza uma mudança sutil na ambição inicial da Cofco de tornar-se um player do agronegócio internacional ao competir com as "ABCD"s (iniciais das tradings ADM, Bunge, Cargill e Louis Dreyfus Company), desde a saída do americano Matt Jansen do cargo de direção internacional de trading e da grande perda financeira relacionada à Nidera, cuja aquisição foi finalizada em 2017.

"Ser global nunca foi fácil e aprendemos muito nos últimos três anos. Acho que a Cofco está se tornando mais forte, mais realista, e com uma abordagem correta. Devemos nos tornar parceiros deles, e não competidores", disse Yu.

Apesar do tom menos agressivo, Yu não descartou "rever as ambições" no longo prazo. Segundo ele, ainda há espaço para investimentos em originação no Brasil e na Argentina. Nesse sentido, a estatal chinesa não esconde seu otimismo com a possível aquisição da Bunge pela ADM, revelada no mês passado. À época, um alto executivo da Cofco afirmou ao Valor que a venda seria "sensacional" para a empresa, que poderia angariar divisões de negócio no eventual plano de desinvestimentos de ADM e Bunge exigido por autoridades antitrust. (Assessoria de Comunicação 14/03/2018)