Setor sucroenergético

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Cofco irriga sua operação brasileira com US$ 3 bilhões

A chinesa Cofco, um latifúndio do agronegócio global, está semeando um grande projeto de expansão da sua operação brasileira. Os investimentos, segundo o RR apurou, devem somar cerca de US$ 3 bilhões até 2021. A meta é duplicar em até três anos as exportações de commodities agrícolas no país, hoje em torno de nove milhões de toneladas.

Em 2017, os asiáticos responderam por cerca de 8% das vendas de milho, soja e farelo do Brasil para o exterior, o suficiente para ultrapassar ADM e Louis Dreyfus e assumir a dianteira do ranking. O novo salto virá não apenas com novas aquisições de empresas agrícolas, vide a incorporação dos negócios da Nidera e do Noble Group no Brasil, mas também com uma política agressiva de compras de terras.

A maior parte dos investimentos está prevista para o Mato Grosso, onde a Cofco já origina cerca de quatro milhões de toneladas de soja por safra. Os chineses planejam desembolsar algo em torno de US$ 500 milhões apenas para aumentar a sua capacidade de estocagem no estado, onde já têm 13 unidades de armazenamento.

O peso do Brasil na operação mundial da Cofco pode ser medido pela recente reestruturação no alto-comando do grupo. Executivos brasileiros assumiram o comando da divisão de soja e de uma nova unidade de gerenciamento de ativos. Segundo o RR apurou, em breve outros dirigentes da subsidiária brasileira também deverão subir de degrau. (Jornal Relatório Reservado 16/03/2018)

 

Louis Dreyfus vai injetar US$ 1 bilhão na Biosev

A Louis Dreyfus Holding concordou em fazer um aumento de capital de US$ 1 bilhão para resgatar sua unidade sucroalcooleira no Brasil, a Biosev, como parte de um acordo de prolongamento de dívidas com bancos, segundo pessoas com conhecimento direto do assunto.

O acordo deve ser concluído até o fim de março e inclui uma conversão de US$ 750 milhões de dívidas em ações e US$ 250 milhões em dinheiro novo, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as discussões são privadas. Além disso, os bancos darão à Biosev cinco anos extras para quitar cerca de R$ 3,7 bilhões (US$ 1,1 bilhão) em empréstimos a taxas de juros mais baixas, disseram as pessoas.

Louis Dreyfus e Biosev preferiram não comentar as negociações. A Biosev confirmou em 12 de março que negociava o prolongamento dos vencimentos e a renovação de parte de sua dívida bancária.

A injeção de capital é um novo revés para a Louis Dreyfus Holding, que controla a Louis Dreyfus Co., uma das maiores traders de commodities agrícolas do mundo. Durante anos a holding injetou dinheiro em sua subsidiária açucareira do Brasil por meio de pré-pagamentos comerciais ligados a contratos de exportação de açúcar. A perspectiva de mais aportes surge também em um momento em que a bilionária Margarita Louis-Dreyfus, que controla a holding por meio de um trust familiar, precisa de dinheiro para cumprir um acordo judicial e recomprar mais ações de outros integrantes da família.

O acordo oferece um certo alívio à Biosev. A empresa tinha um passivo de R$ 10,1 bilhões no fim do ano passado, segundo informações da empresa, dos quais R$ 5,5 bilhões eram dívidas bancárias e R$ 2,8 bilhões eram pré-pagamentos comerciais.

A Biosev, que é a segunda maior processadora de cana do Brasil, enfrenta preços internacionais mais baixos do açúcar devido a um excedente global da commodity. A empresa vem tentando recuperar o negócio, desativando a operação de algumas de suas usinas com objetivo de ganhar eficiência e reduzir custos.

A empresa foi criada depois que a Louis Dreyfus separou sua divisão açucareira no Brasil. As ações da Biosev começaram a ser negociadas em São Paulo em 2013, e desde então recuaram mais de 60 por cento. (Bloomberg 16/03/2018)

 

Valor acumulado do ATR SP subiu 0,49% em fevereiro

O Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) liberou os dados do ATR - Açúcares Totais Recuperáveis referentes ao mês de fevereiro de 2018. O valor no acumulado fechou o mês em R$ 0,5844, contra os R$ 0,5815 praticado em janeiro, registrando uma valorização de 0,49%.

Já o valor mensal em janeiro fechou contratos a R$ 0,6140, contra R$ 0,6176 do mês de janeiro, apresentando uma desvalorização de 0,58%. Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo também subiram, ficando cotados em R$ 63,81 no último mês. O preço da cana esteira também fechou o mês de fevereiro em alta, cotada em R$ 71,28. (Udop 16/03/2018)

Excesso de oferta de açúcar leva usinas a buscarem alternativas

Produtores brasileiros devem cortar o volume de açúcar na safra 2018/19 do centro-sul para 31,6 milhões de toneladas, dizem analistas.

As usinas brasileiras estão fazendo o que podem para manter o açúcar bruto fora do mercado global conforme a colheita de cana de açúcar do Brasil começa, para evitar piorar o excesso que levou os preços à uma mínima de dois anos.

Com o contrato do açúcar bruto sendo negociado abaixo dos 13 centavos de dólar por libra-peso em Nova York e os custos de produção no centro-sul do Brasil variando entre 13,5 centavos de dólar a 15 centavos de dólar, diretores de companhias açucareiras estão ponderando ações para evitar margens negativas de lucro.

“Nós temos que cortar a oferta de açúcar para ajudar a reduzir o excesso de oferta global”, disse Hugo Cagno, sócio junto com o grupo de açúcar francês Tereos na usina Vertente, na cidade de Guaraci, na principal região de produção de cana do Brasil.

Nesta semana, analistas da Datagro disseram que os produtores brasileiros devem cortar o volume de açúcar na safra 2018/19 do centro-sul para 31,6 milhões de toneladas, ante 36 milhões de toneladas um ano atrás.

O passo óbvio, para aqueles que podem, é transformar o máximo possível de cana em etanol, já que os preços e demanda doméstica para o biocombustível são fortes, pagando o equivalente do preço do açúcar bruto a 17 centavos de dólar por libra-peso, disseram donos de usinas.

Outros com acesso a capital estão procurando estocar açúcar até que os preços subam, possivelmente no período da entressafra no próximo ano.

Outra estratégia é aumentar a produção de açúcar branco para vender domesticamente para empresas de bebida e comida como PepsiCO Inc, Nestlé SA e AmBev SA.

Em alguns casos, produtores têm estado tão desesperados para evitar vendas deficitárias de açúcar que negociaram os chamados “washouts”, negociações onde o produtor busca cancelar um contrato de exportação fechado anteriormente, arcando com um custo, mas se livrando de ter de produzir o produto.

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial na usina Alta Mogiana, disse que os washouts não são comuns, mas um último recurso para aquelas usinas que não realizaram uma proteção de preço adequada (hedge). A Alta Mogiana não fez esse tipo de negociação.

“Estocar e carregar é uma estratégia muito mais interessante, se você tem o capital para construir ou alugar capacidade de armazenamento”, ele contou à Reuters nos bastidores de uma conferência da indústria esta semana em Ribeirão Preto, onde usineiros discutiram prospectos para a nova safra de cana que começa oficialmente em abril.

Bernardo Biagi, dono de duas das usinas que moem aproximadamente 7 milhões de toneladas de cana anualmente na área de Ribeirão Preto, disse que começou o processamento em uma das usinas, mas apenas produzindo etanol até o momento.

“Nós tínhamos cana que sobrou na plantação do ano passado, então estamos processando ela agora, mas apenas para combustível. Nós ainda não começamos com o açúcar”, ele disse.

Ele projeta que produzirá 435.000 toneladas de açúcar na nova safra, ante 495.000 toneladas na temporada passada, com a produção de etanol aumentando provavelmente para 314 milhões de litros, de 269 milhões litros um ano antes, ele disse. (Reuters 19/03/2018)

 

Etanol hidratado sobe 1,20% e anidro recua 0,49% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 1,2% nesta semana, de R$ 1,8797 o litro para R$ 1,9022 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro caiu 0,49% de R$ 1,9430 o litro para R$ 1,9337 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 19/03/2018)

 

Setor de cana avalia que maior desafio é ampliar produtividade da cultura

O maior desafio aos produtores de cana-de-açúcar é recuperar a produtividade da cultura. Essa foi a avaliação de representantes do setor reunidos nesta quinta-feira, 15, em simpósio realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em Ribeirão Preto (SP).

André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, avaliou que a produtividade da cultura começou a recuar após o boom de investimentos no setor, entre 2003 e 2010, após o advento dos veículos flex fuel. A disparada na produção de etanol trouxe um avanço desordenado no cultivo das lavouras.

“O grande erro do setor de 2005 a 2010 foi a produtividade agrícola. Muita gente ganhava bônus pelo que plantava em vez de ganhar pelo que colhia. Por conta disso, caiu a produtividade também”, disse Rocha.

Ele citou casos de lavouras em Goiás, nas quais a produtividade da cana foi de apenas 48 toneladas por hectare, em comparação com índices acima de 100 toneladas por hectare em São Paulo e acima de 80 toneladas por hectare na média do Centro-Sul do País. “Começamos a avançar muito com as primeiras variedades adaptadas de cana para as regiões novas. Hoje a produtividade chega a 81 toneladas por hectare naquelas lavouras”, explicou.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e sócio da consultoria Canaplan, Luiz Carlos Corrêa de Carvalho, avaliou que a recuperação da produtividade agrícola é essencial para o aumento da produção. “Hoje temos de 80 milhões a 100 milhões de toneladas de cana ‘enterradas’, ou uma produção do Nordeste (do Brasil) inteiro. Só a melhoria da produtividade pode tirá-las da terra”, comparou Carvalho. (Agência Estado 16/03/2018)

 

Créditos do RenovaBio requerem atenção contra possível especulação

A futura negociação de créditos de descarbonização estabelecida pelo RenovaBio, a nova política nacional de biocombustíveis, é o ponto que requer maior atenção para o pleno funcionamento do programa, evitando-se uma possível especulação que prejudique as distribuidoras, de acordo com especialistas ouvidos pela Reuters.

Sancionado em dezembro do ano passado, o RenovaBio, que busca impulsionar o uso de combustíveis renováveis e ajudar na redução de emissões de gases do efeito estufa, teve publicado nesta sexta-feira o decreto com orientações gerais sobre seu funcionamento.

Trata-se do primeiro passo rumo a uma regulamentação mais ampla, com definição de metas de descarbonização e da forma como serão negociados os chamados CBIOs, créditos que as distribuidoras terão de adquirir junto a produtores de biocombustíveis para cumprir objetivos anuais de redução de emissões.

De acordo com o advogado Luiz Gustavo Bezerra, sócio do escritório Mattos Filho e especialista em Direito Ambiental, essa negociação de CBIOs é um "ponto de atenção" dentro do programa.

"A lei e o decreto estão focando no mercado primário. A questão mais para a frente é saber como será com o mercado secundário... Tem de haver preferência às distribuidoras. Se elas não a tiverem, o mercado poderá ficar aberto a especuladores, fundos e outros agentes sem compromissos", comentou.

Os CBIOs estarão relacionados à oferta de biocombustíveis, como etanol e biodiesel e, consequentemente, serão disponibilizados em volume limitado. Dessa forma, caso tais créditos acabem adquiridos por outros participantes, as distribuidoras ficariam sem meios de alcançarem suas metas, explicou Bezerra.

Pelos termos do decreto, a distribuidora que não atingir seu objetivo anual, comprovado via compra de CBIOs, poderá ser multada em até 50 milhões de reais.

Por ora, o decreto e a lei não versam sobre a participação de agentes que não sejam distribuidoras.

Para o advogado Márcio Pereira, também especialista em Direito Ambiental e sócio do escritório BMA, "há sempre a preocupação de que um player especule e passe dominar esse mercado (de CBIOs)".

Para ele, ainda há muita discussão pela frente, mas a "legitimidade, talvez a exclusividade", para as distribuidoras operarem tais créditos seria uma solução mais positiva para o sucesso do RenovaBio.

"O RenovaBio coloca um mecanismo inédito para dar uma previsibilidade de participação de biocombustíveis no mercado, com horizonte de 10 anos. Pela primeira vez o investidor terá uma previsibilidade... Isso permite olhar para o mercado e ter uma regulamentação mais clara, que pode influenciar investimentos no médio e longo prazo", avaliou.

As metas compulsórias anuais válidas de junho de 2018 a dezembro de 2028 deverão ser definidas até 15 de junho deste ano, segundo o governo.

Já as metas de cada distribuidora, que serão informadas posteriormente pela reguladora ANP, passarão a vigorar a partir de 24 de dezembro de 2019, devendo ser tornadas públicas até 1º de julho do ano que vem.

"O RenovaBio pode ser visto como parte dos compromissos ambientais que o Brasil assumiu ao mundo, mas também uma importante parte que deverá garantir ganhos de produtividade e eficiência com foco no ciclo de vida dos biocombustíveis. Temos dois anos para completar a regulamentação...", disse em nota a presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, sobre a assinatura do decreto.

Pelas estimativas do próprio governo, o programa pode gerar investimentos de 1,4 trilhão de reais e economia de 300 bilhões de litros em gasolina e diesel importados nos próximos anos.

Procurado pela Reuters, o Ministério de Minas e Energia não respondeu de imediato a um pedido de comentário sobre o assunto. (Reuters 16/03/2018)

 

Antigas usinas mineiras do Grupo João Lyra começam a receber investimentos

O setor sucroenergético de Minas Gerais finalizou o ano de 2017 com boas notícias quanto à reativação de duas grandes unidades que estavam fechadas há cerca de três anos nos municípios de Canápolis e Capinópolis, no Triângulo Mineiro.

Ambas foram adquiridas no leilão realizado em dezembro pela massa falida da Laginha Agroindustrial S/A e já passam por reformas tanto no canavial quanto na indústria.

Usina Canápolis

A Usina Triálcool, que passou a se chamar Usina Canápolis (em homenagem ao município), chegou a ser uma das maiores na região de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro. Ela foi arrematada no dia 7 de dezembro pelos acionistas da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), no valor de R$ 133,860 milhões, incluindo uma área de 6.048,86 hectares e 24 imóveis.

O planejamento dos acionistas é fazer os investimentos necessários para colocar a usina novamente em operação, e posteriormente incorporá-la ao grupo. A previsão é iniciar o plantio de cana este ano e início da moagem em 2020. Neste período, serão feitas as adequações no parque industrial, que tem capacidade de moagem de 1,850 milhões de toneladas, com potencial de crescimento, e previsão da geração de 5 mil empregos diretos e indiretos.

“A reativação dessa usina trará grandes benefícios tanto para o município, quanto para as pessoas que vivem em Canápolis e região, como uma maior movimentação da economia local, desenvolvimento da cidade e geração de empregos diretos e indiretos”, afirma Carlos Eduardo Turchetto Santos, presidente da CMAA.

CRV Minas

Já a Usina Vale do Paranaíba, em Capinópolis, que adotará o nome de CRV Minas –, foi arrematada no dia 5 de dezembro pelo Grupo Japungu, tradicional produtor de açúcar e etanol na Paraíba, e sua filial em Goiás, CRV Industrial Ltda, pelo valor de R$ 206,3 milhões, incluindo uma área de 3.210,44 hectares e 17 imóveis ao todo.

De acordo com o executivo do grupo, Carlos Barreto, o arremate foi uma oportunidade de crescimento, já que a unidade é uma fábrica construída dentro das tendências mais modernas do setor, sem a necessidade de grandes investimentos, além de contar com solos férteis e clima favorável para a cultura da cana. “O grupo vem com uma política de crescimento, mas com o pé no chão”.

Os investimentos até o início da moagem somarão cerca de R$ 95 milhões no plantio da cana e na fábrica. Este ano, o grupo dará ênfase ao plantio de 4 mil hectares no sistema de meiosi e mais 1 mil hectares no convencional, além da realização do diagnóstico da usina. Em 2019, a intenção é plantar mais 5 mil hectares utilizando a meiosi. A moagem iniciará em 2020 na faixa de 900 mil toneladas.

A usina prevê trabalhar, inicialmente, apenas com cana própria, mas irá negociar também com potenciais fornecedores da região. Ela já está contratando, mas o forte das admissões serão a partir de 2019. O grupo conta com duas usinas na Paraíba e mais três em Goiás sob a denominação de CRV Industrial Ltda. (Jornal de Alagoas 19/03/2018)

 

Centro-Sul deve deixar de produzir até 5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2018, diz diretor da Única

Com maior demanda, etanol tem preço mais rentável, enquanto açúcar apresenta queda no preço desde 2017. Setor prevê menos cana na lavoura, mas clima deve ajudar a manter qualidade da matéria-prima, diz Antônio de Pádua Rodrigues.

Diante de uma maior procura pelo etanol nos postos, a região Centro-Sul do país deve deixar de produzir até 5 milhões de toneladas de açúcar na safra 2018/2019, estima o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), Antônio de Pádua Rodrigues.

A projeção foi confirmada um dia depois de a consultoria Datagro divulgar, durante um evento do setor sucroenergético em Ribeirão Preto (SP), que o derivado da cana deve representar 43% da produção das usinas, com um total de 31,6 milhões de toneladas, e os 57% restantes destinados ao etanol. (G1 16/03/2018)

 

Açúcar: Um imenso mar para atravessar – Por Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com o contrato para vencimento maio de 2018 cotado a 12.65 centavos de dólar por libra-peso, uma queda de 19 pontos (pouco mais de 4 dólares por tonelada) em relação à semana anterior. A produção crescente, tanto na Índia quanto na Tailândia, combinada com o volume de fixações de preço ainda pendentes por parte de usinas do Centro-Sul para a safra 2017/2018 (que vem sido rolado de vencimentos anteriores) permanecem como uma espada pendurada por tênue linha sobre a cabeça do mercado, comprometendo a recuperação dos preços em NY no curto prazo.

Principal causa, na nossa opinião, do desequilíbrio atual de preços observado no mercado futuro, o atraso nas fixações potencializa a queda de NY muito além do que os fundamentos poderiam prever. É só perceber, por exemplo, como baixaram os níveis de preço de venda por parte das tradings (fixações das usinas) em poucas semanas. No começo de fevereiro, quando os fundos recompraram parte de suas posições vendidas, o fizeram entre 13.60 e 14.00 centavos de dólar por libra-peso. No começo de março as recompras baixaram para 13.49 centavos de dólar por libra-peso, na média. Hoje, se bater 13.00 muita gente vai aproveitar e fixar.

Não está se afirmando que o cenário não deveria ser baixista. Não é isso. Mas, no atual estágio de preços, quando todas as informações acerca dos fundamentos já estão apreçadas, nota-se que existe um enorme esforço por parte dos analistas e alguns traders em adaptar o discurso aos preços negociados no mercado com o quadro fundamentalista que, convenhamos, não mudou tanto de algumas quinzenas para cá.

Esse comportamento é normal, pois tendemos a buscar explicações (ou adaptações) para aquilo que temos dificuldade de assimilar. E as adaptamos para validarem nosso argumento. Isso ocorre em mercados de alta e de baixa. É só pesquisar o que se falava no mercado quando os preços do açúcar em NY estavam a 10 centavos de dólar por libra-peso e a 36 centavos de dólar por libra-peso.  

O interessante no comportamento dos participantes de qualquer mercado é que, como todo ser humano, quando confrontados com perdas (que é o caso em que se encontram agora aquelas empresas que não fixaram preços), as empresas passam a buscar o risco, tal como afirma Daniel Kahneman, em seu livro Rápido e Devagar. Temos uma enorme predisposição a tomar mais risco em situações adversas. Querem um exemplo?

Em agosto/setembro de 2015 quando o mercado de açúcar em NY encostava nos 10 centavos de dólar por libra-peso, uma empresa desalentada com a trajetória descendente dos preços, acabou “comprando” o discurso baixista dos Cavaleiros do Apocalipse de plantão e fez uma proteção de preços garantindo um valor mínimo de hedge, mas se submetendo a vender em dobro caso o mercado batesse 12.50 centavos de dólar por libra-peso. A empresa não acreditava nos 12.50 centavos de dólar por libra-peso já que eles estavam 25% longe do nível corrente e o desespero a faz tomar o risco. Três meses depois o mercado estava negociando a 16 centavos de dólar por libra-peso e ela estava vendida duas vezes a 12.50 centavos de dólar por libra-peso. Faltou lenço para enxugar tanto choro. Que lições tirar dessa tomada de decisão?

Não há discussão aqui acerca de quão baixista é o mercado de açúcar em função do tal superávit. Discute-se é quão baixista ele ainda pode ser principalmente à luz de uma produção de cana limitada há oito safras, sem expansão, muitas usinas com caixa baixo para renovação e um canavial que está envelhecendo. Por outro lado, o crescimento esperado da economia de 3.8% para este ano deve elevar a venda de veículos leves para mais de 2 milhões de unidades (que vão consumir pelo menos 1.000 litros por ano), além do aumento no consumo de combustível que costuma crescer além do PIB e pode adicionar no consumo anual de mais 3 bilhões de litros. O mercado interno se açúcar pode se aquecer já que o consumo de alimentos industrializados começa lentamente a atingir os níveis anteriores à crise.

Temos um enorme mar para atravessar. Não existe pressa por parte dos fundos em liquidar sua posição vendida de mais de 162.000 contratos que devem estar gerando um lucro ainda não realizado de quase US$ 180 milhões. Ainda existe muita fixação pendente que limita recuperação de preços no curto prazo. A Petrobrás não está repassando integralmente o preço negociado no exterior (o último valor publicado por eles mostra R$ 1.5879 por litro, quando deveria ser, de acordo com nosso modelo R$ 0.2000 mais caro).

Para os consumidores industriais fixar o preço da matéria prima pode ser uma estratégia extremamente exitosa ao longo da curva de preços. Especulativamente, a venda de put (opção de venda) de 12 centavos de dólar por libra-peso e a compra de call (opção de compra) de preço de exercício de 15 centavos de dólar por libra-peso para vencimento em outubro de 2018 pode ser um bom seguro para qualquer cisne negro que decida alçar voo.

Alguns leitores acharam alto o percentual de fixação das usinas para a safra 2018/2019, publicado aqui na semana passada, de 42%. Honestamente, eu também. Como não temos interferência no modelo, resta-nos verificar todas as variáveis e tentar descobrir o porquê da distorção. Já passamos por situação parecida há alguns anos e resolvemos o problema isolando os meses de negociação por ano-safra diminuindo eventual contaminação. Estamos trabalhando nisso.

Na próxima quarta-feira, dia 21 de março, no Hotel Meliã Jardim Europa, a partir das 8h30 da manhã, a VBSO Advogados e a B3 promovem o Seminário Desafios do Agronegócio – Direito e Economia. O evento, que tem o apoio institucional da Archer Consulting é gratuito e as inscrições devem ser feitas pelo e-mail: rsvp@vbso.com.br. (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting)