Setor sucroenergético

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Biosev: Sem açúcar e sem afeto

As denúncias contra o exministro Delfim Netto na Lava Jato põe em risco a sua permanência no board da Biosev, braço sucroalcooleiro da Louis Dreyfus.

As normas de compliance do grupo francês são extremamente severas para casos dessa natureza. (Jornal Relatório Reservado 22/03/2018)

 

Dívida de usinas deve voltar a crescer

Os balanços que as usinas sucroalcooleiras apresentarão nos próximos meses referentes à safra 2017/18 deverão mostrar o fim de um curto ciclo de fôlego financeiro do setor. Com a persistência da pressão sobre as cotações do açúcar e o aumento dos custos nas últimas temporadas, a tendência é que as usinas voltem a se alavancar, revertendo o movimento das últimas duas safras, segundo bancos e executivos do setor.

Na safra que termina este mês, as usinas ainda conseguiram se aproveitar dos preços mais remuneradores no início da temporada e fixaram suas vendas de açúcar com antecipação, escapando da queda das cotações no meio do ano passado. Já para a safra 2018/19, as empresas fixaram um volume pequeno, o que as deixa mais expostas aos preços baixos.

Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do ItaúBBA, estima que o peso do endividamento líquido das usinas do Centro-Sul no fim desta safra será menor do que no fim de 2016/17, em R$ 113 por tonelada de cana moída, marcando a terceira redução seguida.

Essa tendência, porém, não deve perdurar. O executivo se mostra pessimista quanto às receitas da próxima temporada, já que "o mundo continua em superávit [de oferta de açúcar] e não vemos perspectiva de aumento do preço". Para Fernandes, o mercado já considera na formação de preços que o Centro-Sul produzirá 4 milhões de toneladas a menos em 2018/19.

O executivo do ItaúBBA calcula que as cotações devam ficar entre 12 centavos de dólar a libra-peso e 14,5 centavos de dólar. Na sexta-feira, os contratos mais negociados do açúcar demerara na bolsa de Nova York fecharam em 12,57 centavos de dólar a libra-peso.

As cotações têm oscilado nesses patamares desde meados do ano passado, quando o mercado começou a absorver as informações de que a safra internacional 2017/18 (iniciada em outubro) teria superávit. E as consultorias já prevêem que a safra seguinte (2018/19) também terá excedente, e com estoques mais elevados.

O problema é que os atuais níveis de preço estão abaixo do custo de produção da maioria das usinas do Centro-Sul, algo que não ocorrera nem no último ciclo de baixa do açúcar. "O preço de 13 centavos de dólar a libra-peso está muito próximo do custo caixa mesmo das usinas mais eficientes. Muitas não terão como pagar suas dívidas ou o serviço da dívida. Podemos ver uma alavancagem", afirma.

O aumento do peso do endividamento parece ser inevitável para aquelas usinas que investiram pouco na indústria e no campo nos últimos tempos, ressalta Alexandre Castelano, superintendente para clientes corporativos do Santander. "Estas estão sujeitas a problemas e vão ter que tomar dívida", avalia. Segundo Castelano, poucas empresas hoje têm custo abaixo dos preços atuais.

Uma delas é a São Martinho. "Temos uma estrutura que, mesmo na baixa do ciclo [de preços], vamos gerar caixa. Mas para quem não tem, o primeiro impacto é a queda do Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização]", diz Fábio Venturelli, CEO da companhia.

O executivo observa que algumas usinas ainda têm lastro em terras, o que pode dar mais estabilidade em momentos de crise. Ainda assim, ele acredita que quem está saindo de uma situação mais frágil pode não ter fôlego para este novo ciclo de preços baixos.

A alternativa para algumas usinas poderia ser o etanol, que segue oferecendo uma remuneração maior que a do açúcar. Entretanto, Fernandes acredita que os preços do biocombustível vão cair conforme a nova safra avançar para patamar equivalente ao do açúcar (de 14,5 centavos de dólar a libra-peso). "A convergência tende a ser de o preço do etanol se aproximar do açúcar, e não o contrário", diz.

Os preços não são o único problema para as usinas. No último ciclo de preços baixos, o 2015/16, quando os contratos futuros chegaram a ser negociados por 10 centavos de dólar a libra-peso, o custo de produção também era menor. Segundo Fernandes, na época o custo era de 9 centavos de dólar a libra-peso, o que garantia alguma geração de caixa - diferentemente do horizonte para a próxima safra. "Esse é o ponto alarmante, é um cenário que não víamos nos últimos cinco anos", observa. (Valor Econômico 26/03/2018)

 

Para Unica, investimentos em etanol voltarão após 2020, com RenovaBio em vigor

O presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen, Pedro Mizutani, avaliou nesta quinta-feira, 22, que os investimentos do setor de etanol voltarão após 2020, quando a nova Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) estará completamente em vigor.

“A partir de 2020 vamos ter a segurança de investimento. Os empresários vão esperar isso acontecer e vemos ter novo ciclo de expansão”, disse Mizutani durante o VII Encontro Cana Substantivo Feminino, em Ribeirão Preto (SP).

Ele considerou que o RenovaBio, cuja lei foi regulamentada na semana passada, está 60% concluído, “mas que muitos obstáculos” surgirão pela frente até 2020. Entre esses obstáculos estão a definição das metas de redução de emissões de gases poluentes e o papel dos produtores de biocombustíveis nesse processo.

Mizutani lembrou que a demanda de combustíveis do Ciclo Otto (gasolina e etanol) irá crescer dos atuais 53 bilhões de litros por ano para 70 bilhões de litros por ano, em 2030. “Essa demanda precisa ser suprida pelo etanol, o RenovaBio será fundamental e isso precisa ser divulgado. Se ficarmos quietos, os 17 bilhões de litros (de aumento na demanda) serão ocupados por gasolina importada, sujando a matriz”, concluiu. (Agência Estado 23/03/2018)

 

Etanol hidratado cai 2,13% e anidro recua 0,55% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 2,13% nesta semana, de R$ 1,9022 o litro para R$ 1,8617 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro caiu 0,55%, de R$ 1,9337 o litro para R$ 1,9231 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 26/03/2018)

 

SP: Cana é 42% do valor da produção agropecuária e presente em 504 cidades

A economia canavieira presente em quase todos os 645 municípios paulistas, ainda que a concentração maior da produção seja em 154, não deixa margem à dúvida quanto a sua importância. A entrada da cultura em detrimento da produção de alimentos também é desmistificada, mesmo porque, por exemplo, o avanço para o oeste deu-se sobre pastagens degradadas. E principalmente após o fim da queima, a sustentabilidade ambiental está consolidada.

No estado de São Paulo, o setor de cana-de-açúcar representa aproximadamente 42% de toda a produção agropecuária. Com isso, a cultura ganha destaque no setor da agricultura.

Segundo a pesquisadora do Instituo de Economia Agrícola (IEA), Rejane Cecília Ramos, a produção da cana-de-açúcar atingiu cerca de 42%  em relação aos outros produtos no estado de São Paulo. “A importância econômica da cana no estado é muito significativa. Dos 645 municípios do estado, 504 cidades são produtoras sendo que 154 são responsáveis por 71% da produção”, destaca.

De acordo com dados da temporada passada, a área plantada atingiu cerca de 4,7 milhões de hectares em todo o estado. Apenas no Brasil, são cultivados nove milhões de hectares, sendo que o São Paulo representa 56,3% da produção brasileira.

“Essas informações ainda não foram finalizadas. Porém, houve uma queda na área cultivada e a expectativa é a produção que a safra 2017/18 será menor em 2% que a temporada passada”, afirma.

Após o setor de o agronegócio ter tido bom desempenho no produto interno bruto (PIB), o setor sucroenergético se destacou pela a geração de emprego em contratou 41,4 milhões de pessoas em São Paulo. Segundo informações do Ministério de Trabalho, para trabalhar no cultivo da cana foram empregados cerca 66 mil empregos relativo ao ano de 2016. (Notícias Agrícolas 23/03/2018)

 

Clima recupera canaviais indianos de Maharashtra e beneficia produção de açúcar

A área plantada de cana-de-açúcar e a participação de cana de primeiro corte aumentaram significativamente da safra anterior para a atual no estado indiano de Maharashtra, trazendo grande impacto positivo sobre a produtividade agrícola.

A Associação Indiana das Usinas de Açúcar (ISMA) projeta para a safra atual produção de 10,1 milhões de toneladas de açúcar no estado, um aumento de 141,2% na comparação com ano passado. De todo o aumento da produção indiana esperado para este ano, 64,7% está concentrado apenas em Maharashtra.

Segundo avaliação da INTL FCStone, este indicador foi beneficiado pelo bom nível das monções tanto em 2016, como em 2017, na maior parte das áreas produtoras, que garantiu a disponibilidade de água nos reservatórios para a irrigação da cana-de-açúcar.

"Como as monções em 2016 foram muito positivas - com precipitação entre 12% e 21% acima da média, os agricultores do estado retomaram com força plantio de cana naquele ano, também devido ao elevado preço pago pela matéria-prima graças aos preços fixados pelo governo", avalia o Analista de Mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho. Com isso, tanto a área plantada aumentou fortemente da safra passada para a atual, como a participação de cana de primeiro corte também aumentou de forma significativa, com grande impacto sobre a produtividade agrícola.

Destaca-se, entretanto, que a produção do estado ainda está projetada pela ISMA 3,6% abaixo da máxima registrada em 2014/15. Ou seja, mesmo com a produção mais do que dobrando este ano, ainda não foi capaz de recuperar a perda acumulada nos dois anos anteriores, que registraram queda na produção devido às monções fracas em 2015, ano em que houve uma das mais fortes ocorrências de El Niño já registradas - quando as chuvas da temporada ficaram entre 33% e 40% abaixo do normal nas principais regiões produtores. (FCSTONE 23/03/2018)

 

Variedade de cana puxa alta na produção no estado indiano Uttar Pradesh

O aumento da participação da variedade de cana-de-açúcar Co 0238 é apontada pela consultoria INTL FCStone como o motivo principal da alta na produção da cultura no Estado indiano Uttar Pradesh. Estima-se que a proporção desta variedade, desenvolvida pelo Instituto de Reprodução de Cana-de-Açúcar da Índia, está entre 50% e 60% das lavouras de Uttar Pradesh.

A Associação Indiana das Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês) prevê que a produção de Uttar Pradesh deve atingir 10,5 milhões de toneladas de cana no ciclo 2017/2018, 23,6% acima da safra passada, que já havia sido recorde. Em comparação com 2015/2016 o aumento será de 54,1%. Segundo a INTL FCStone, além da maior produtividade desta nova variedade, a situação financeira das usinas também contribuiu para o aumento.

Parte significativa da cana-de-açúcar produzida no Estado não é destinada às usinas de açúcar, e sim às fábricas de gur, um adoçante pouco elaborado e produzido por manufaturas de pequeno porte, consumido como um substituto mais barato do açúcar e também utilizado para a produção informal de bebidas alcoólicas.

"Ao contrário dos demais Estados produtores indianos, a área plantada e a produtividade agrícola em Uttar Pradesh foram pouco afetadas pela crise hídrica causada pela monção fraca de 2015", avalia o analista de mercado da INTL FCStone, João Paulo Botelho. Ele destaca que, embora a área plantada do Estado tenha ficado praticamente estável ao longo dos últimos anos, a produtividade agrícola e industrial apresentou "salto considerável" na safra passada e na atual. (Agência Estado 23/03/2018)

 

Ambientalistas protestam contra cana na Amazônia

Organizações socioambientais publicam hoje uma carta de repúdio contra o projeto de lei que libera o plantio de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia Legal.

Organizações socioambientais publicam hoje uma carta de repúdio contra o projeto de lei, do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que libera o plantio de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia Legal, região que abrange nove Estados brasileiros.

O documento, assinado por entidades como Greenpeace, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e WWF, afirma que a mudança vai impulsionar o desmate. “A pecuária será empurrada para novas áreas para dar lugar à lavoura, estimulando a devastação onde hoje deveria haver intensificação. Toda a infraestrutura de processamento precisaria se instalar também ali, o que aumenta a pressão sobre a floresta.”

O projeto deve ser levado à votação amanhã. Na última quarta, data em que é celebrado o Dia Internacional das Florestas, foi colocado em votação, mas não houve quórum para deliberar, por causa obstrução de partidos como PT, PSB e Rede.

Caso aprovado, o texto vai para a Câmara e, se não tiver alteração, para sanção. O senador João Capiberibe (PSB-AP) disse que, se aprovado, vai acionar o Supremo Tribunal Federal. 

O projeto original previa a possibilidade de plantar cana em outros biomas como Cerrado, o que acabou sendo mudado. Outro artigo que chamou atenção dos parlamentares prevê créditos para a industrialização de etanol na região.

Argumento

Por nota, Flexa Ribeiro disse que o projeto libera o plantio apenas em áreas já degradadas. “Não irá se derrubar uma só árvore. Pelo contrário, ao assegurar mais uma atividade econômica em áreas degradadas à população extremamente carente da região, estamos falando em geração de emprego e renda”, justificou. Para ele, “quem está contra o projeto não conhece a região”, além de ignorar que a questão aqui “é econômica”. (O Estado de São Paulo 26/03/2018)

 

Senador Omar Aziz defende cultivo de cana na Amazônia para gerar emprego

O senador Omar Aziz (PSD) se manifestou favorável ao Projeto de Lei do Senado (PLS 626/2011), que permite o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal. Omar disse ser possível conciliar agricultura com preservação ambiental na região ao defender a economia sustentável para a geração de emprego no Amazonas.

“É possível ter uma economia sustentável na Amazônia, preservando como nós sempre preservamos. Chegar de proibir atividades que geram emprego e renda na Amazônia. Já provamos que é possível conciliar progresso e preservação do meio ambiente”, disse Aziz.

O projeto, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDBPA), permite o cultivo de cana-de-açúcar na Amazônia Legal em áreas já degradadas de çoresta (sem capacidade de regeneração natural) e nos trechos de cerrado e campos gerais dos Estados que compõem essa região, como Tocantins, Mato Grosso, Amazonas, Rondônia, Pará, Acre, Amapá e Maranhão.

Por falta de quórum, a votação da matéria nessa quintafeira foi adiada e o projeto pode voltar à pauta a qualquer momento.

Flexa Ribeiro diz que o plantio de cana será de acordo com o Código Florestal Brasileiro. Conforme o projeto, o art. 3º estabelece as diretrizes para a expansão sustentável nos mencionados biomas:

“I) proteção ao meio ambiente;

II) a conservação da biodiversidade;

III) a utilização racional dos recursos naturais;

IV) o uso da tecnologia apropriada para produção em áreas alteradas e nos Cerrado e Campos Gerais;

V) o respeito à função social da propriedade;

VI) a promoção do desenvolvimento econômico e social da região;

VIII) valorização do etanol como commodity energética;

IX) o respeito ao trabalhador;

X) o respeito à livre concorrência;

XI) o respeito à segurança alimentar e à nutrição adequada como direitos fundamentais do ser humano”. (Revista Senado 23/03/2018)

 

Refinarias preparam-se para a mistura de etanol à gasolina na China

Adiantando-se ao calendário oficial de implantação do E10 na China, a maior petrolífera privada do país começou a fazer compras de etanol, e duas outras requisitaram autorização para adotar a mistura. A informação foi confirmada à Reuters por diversas fontes.

Em setembro, o governo chinês determinou que toda gasolina vendida no país a partir de 2020 contenha 10% de etanol. A movimentação das refinarias privadas é o primeiro sinal de preparativos visando ao cumprimento da nova regra no maior mercado automotivo do planeta.

A Dongming Petroquímica, maior petrolífera independente do país, radicada em Heze, província de Shandong, já recebeu as autorizações do Ministério do Comércio para dar início à mistura, segundo três fontes da empresa.

Por sua vez, o Grupo Petroquímico Shandong Wonfull, com sede em Zibo, na mesma província, solicitou autorização do ministério para fazer a adição de etanol, com planos de vender a mistura em postos de gasolina ou no atacado, segundo duas fontes da empresa.

Outra que solicitou autorização para mistura foi a Henan Fengli Petroquímica, radicada em Puyan, província de Henan, confirmou uma fonte interna.

Não há informações quanto ao prazo para essas autorizações serem emitidas.

A Dongming Petroquímica planeja importar etanol por meio de seu braço comercial, a Pacific Commerce, tanto para abastecer sua refinaria como para vender no mercado, diz uma das fontes escutadas.

A empresa também cogita construir uma usina de etanol própria.

Enquanto isso, a Wonfull já instalou equipamentos para realizar a mistura em sua refinaria, segundo as duas fontes ouvidas, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar com a imprensa. Elas não revelaram maiores detalhes do plano.

“Se o governo fizer valer as regras em todo o país, (os postos de combustível) terão de fornecer a mistura”, disse uma das fontes da Wonfull.

A empresa assinou um pré-contrato para compra de etanol importado da subsidiária comercial da CNPC (Corporação Nacional de Petróleo da China), a estatal chinesa de petróleo, acrescentou.

Uma quarta refinaria independente, a Shandong Haike, está fazendo sondagens sobre o mercado de E10. Se concluir que o mercado é promissor, também irá solicitar a autorização, segundo uma fonte.

Não foi possível contatar a Henan Fengli, a Shandong Wonfull e a Haike para comentários oficiais. O ministro do comércio e a CNPC não responderam às solicitações da reportagem. A Dongming não estava disponível no momento para declarações.

O recurso ao etanol importado pode encarecer o ingresso das refinarias privadas no mercado de E10, já que em 2017 o governo aumentou para 30% a tarifa de importação sobre o produto.

Embora seja a terceira maior fabricante de etanol do mundo, com cerca de 2,1 milhões de toneladas por ano, a China fica bem atrás dos líderes na produção da commodity, Brasil e Estados Unidos.

A meta do governo é dobrar a produção para 4 milhões de toneladas até 2020.

Algumas refinarias privadas consultaram a Cofco Agri, estatal de processamento e comercialização de produtos agrícolas e maior fabricante de etanol do país, quanto à possibilidade de compra de etanol.

“As refinarias particulares são um enorme mercado para nós”, afirmou uma fonte da estatal. “Nosso intento é aumentar a produção nas províncias do norte para atender a essa demanda.”

A Cofco não atendeu às solicitações da reportagem para comentar oficialmente sobre o tema. (Reuters 23/03/2018)

 

Açúcar: Muitas incógnitas de uma intrincada equação

Os números divulgados pela UNICA referentes ao início da moagem da safra 2018/2019 do Centro-Sul ainda não representam muita coisa. No entanto, em conversas com várias usinas, o consenso mostra que estamos caminhando celeremente para um mix de açúcar bem mais próximo de 40% comparativamente à média das previsões que rondam o mercado e que estavam em torno de 43%.

O fato de os preços do açúcar no mercado futuro de NY estarem extremamente pressionados (o vencimento maio fechou a semana a 12.61 centavos de dólar por libra-peso, uma pequena queda de apenas 4 pontos em relação à sexta-feira anterior) alimentam a preocupação das usinas que viram a chave para a produção de etanol sem pestanejar.

Apesar do mau humor do mercado temos razão para acreditar que este deverá ser um ano de grande volatilidade e de solavancos típicos de montanha russa. São muitas as variáveis que estão sobre a mesa, todas elas importantes e muitas em completa indefinição. Montar um plano estratégico que nos mostre o caminho das pedras é tarefa árdua.

Primeiro, comece pela quantidade de cana a ser moída no Centro-Sul. As estimativas estavam girando na média de 585 milhões de toneladas, mas agora começam a mostrar uma leve tendência de baixa com números que podem chegar a 570 milhões de toneladas, sem nenhum susto. Segundo, a definição do mix. Se antes o mercado trabalhava com 43% de açúcar, agora caminha para os 40%. Terceiro, o preço do petróleo no mercado mundial está novamente encostando nos 70 dólares por barril (Brent) e percebemos que a Petrobrás está segurando o repasse desse aumento integralmente para o consumidor. Isso não vai durar.

Em quarto lugar, todas as previsões de Índia, Tailândia e Centro-Sul assumem que não haverá nenhuma mudança no clima. Só que as coisas não são assim no mundo real. Quinto, a instabilidade política no Brasil que vai se acentuar num ano de eleição, ainda mais agora com o grotesco espetáculo promovido pelo STF, vai elevar o patamar do R$ em relação ao dólar. Sexto, a imensa posição vendida dos fundos, com 169,000 lotes tem seu preço de equilibro não muito distante do mercado (13.62 centavos de dólar por libra-peso, segundo nosso cálculo) colocando-a em grande vulnerabilidade se qualquer fagulha provocada por fricções que possam ocorrer nos fundamentos do mercado.

Em sétimo lugar, o crescimento da demanda para veículos novos deve crescer este ano no Brasil colocando mais 2.2 milhões de unidades nas ruas. Último, mas não menos importante, o crescimento do PIB (entre 3.5 e 3.8%) vai fomentar o consumo de produtos alimentícios e industrializados podendo aquecer o mercado de açúcar internamente, tirando-o do fundo do poço que se encontra e colocando o açúcar de exportação em disputa não apenas com o hidratado, mas também com o mercado interno.

Um dado interessante obtido após análise dos números coletados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos sobre os estoques mundiais. Nos últimos 20 anos, o maior acréscimo na formação de estoques mundiais de açúcar aconteceu em entre outubro de 2012 até setembro de 2013, quando os estoques pularam de 35.19 milhões de toneladas de açúcar para 42.29 milhões de toneladas de açúcar, ou seja, um acréscimo de 7.1 milhões de toneladas. Nesse período, o açúcar negociou na média de 867 reais por tonelada que corrigidos para valores de hoje representam 1,176 reais por tonelada ou, se pegarmos o preço mais baixo do período, R$ 1,054 por tonelada. Se usarmos a média da cotação do real de fevereiro, de R$ 3.2500, o preço mais baixo observado em 2012/2013 (safra mundial) convertidos para NY daria 14.12 centavos de dólar por libra-peso.

A volatilidade do mercado ainda está muito baixa. Com os solavancos que deveremos assistir ao longo dos próximos meses em função de tantas incógnitas que fazem parte dessa intricada equação do açúcar, vale a pena olhar estruturas para a segunda metade desse ano em busca de situações chamadas de cisne negro, ou seja, aquelas improváveis. Um trader do mercado disse, desconsolado, que o açúcar “está tão ruim, mas tão ruim, que para melhor não precisa de um cisne negro, mas de um elefante negro”.

O Supremo Tribunal Federal fez justiça à sua reputação. A mais alta corte do país está chafurdada no mais fétido lamaçal da história da república em companhia dos igualmente podres poderes legislativo e executivo. O Brasil se notabiliza como maravilhosa terra de bandidos. Aqui, o ladrão de galinha e o batedor de carteira vão para a prisão imediatamente, enquanto um criminoso como o ex-presidente Lula, cuja banca de advogados é a mais cara do país, faz campanha para as eleições presidenciais de 2018. Não deve existir no planeta país com tamanho descaramento em cultuar a impunidade. Aqui o crime compensa e a vergonha de ser brasileiro aumenta a cada dia.

Estão abertas as inscrições para o XXX Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas. O curso vai ocorrer nos dias 7, 8 e 9 de agosto, em São Paulo-SP, no Hotel Wall Street, na Rua Itapeva. Se você tem intenção de fazê-lo, lembre-se que as vagas são limitadas e nas últimas edições elas esgotaram 40 dias antes do início do curso.

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Bom final de semana a todos (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)