Setor sucroenergético

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Cevasa, o bagaço da Cargill

O fundo norte-americano Amerra estaria em conversações para a compra da Cevasa, usina sucroalcooleira pertencente à Cargill. A empresa está na raspa do tacho, com dívidas de R$ 500 milhões.

No ano passado, a Cargill comprou a parte dos sócios, a Canagril, mas o pagamento de fornecedores ainda não teria sido normalizado. (Jornal Relatório Reservado 27/03/2018)

 

Cosan propõe a acionistas aumento de quase R$420 mi no capital

A gigante brasileira de energia e logística Cosan propôs ao acionistas um aumento de capital de quase 420 milhões de reais, conforme proposta da administração da companhia a ser deliberada em assembleia geral convocada para 26 de abril.

Segundo o comunicado da Cosan divulgado ao mercado na noite de segunda-feira, o aumento do capital social, no valor de 419,40 milhões de reais, ocorreria sem a emissão de novas ações, “mediante a conversão de parte do saldo existente na conta de Reserva de Capital e na conta de Reserva Legal”.

Também será deliberada na assembleia a alteração do nome da empresa, de Cosan S.A. Indústria e Comércio para apenas Cosan S.A.

Em evento recente com investidores e analistas em São Paulo, o CEO do conglomerado, Marcos Lutz, comentou que atualmente a empresa tem focado na recompra de ações dada a atratividade de preço e o baixo risco. (Reuters 27/03/2018)

 

Clealco busca novos investidores

Sete meses após reestruturar uma dívida de R$ 1 bilhão com bancos credores, o grupo sucroalcooleiro Clealco, dono de três usinas em São Paulo, está procurando investidores que possam injetar capital na companhia, seja por meio de uma participação minoritária, majoritária ou mesmo da venda total das usinas, afirmou o CEO da companhia, Alberto Pedrosa, ao Valor.

O executivo disse que não há um "prazo" para realizar uma transação e que a busca por um investidor ocorre de forma "serena". Mas admitiu que, diante do atual cenário de baixos preços do açúcar, a companhia "está se preparando para continuar sua operação" e que só uma capitalização permitirá "retomar o ritmo de expansão e de investimentos industriais". Para a safra 2018/19, a Clealco planeja moer 7,5 milhões de toneladas de cana, ante 8 milhões de toneladas no ciclo 2017/18.

Após a renegociação das dívidas com os bancos no ano passado, os sócios da Clealco decidiram não colocar mais recursos na companhia. A busca por investidores está sendo realizada pelos bancos Santander e Itaú BBA.

Segundo uma fonte, a venda das usinas de Clementina e Queiroz pode levantar entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões, dada a capacidade de moagem de cada uma, de 3,5 milhões de toneladas de cana por safra e 4,5 milhões de toneladas de cana, respectivamente. Pedrosa afirmou, porém, que não há um valor mínimo que a empresa pretende levantar com uma capitalização.

Ele disse que a usina de Penápolis, cujas atividades foram suspensas em meados de 2017, atraiu "vários interessados", mas não deu detalhes. A unidade tem capacidade de moer até 2 milhões de toneladas de cana e não deve operar na safra 2018/19 por causa da falta de cana na região.

Em algumas semanas, a companhia receberá um adiantamento de US$ 30 milhões de tradings de açúcar. O recurso deverá garantir o capital de giro da companhia e entrará como Pré-Pagamento de Exportação (PPE). Segundo Pedrosa, é comum a Clealco receber recursos adiantados neste momento da safra.

A empresa também está sendo cobrada na Justiça por vários fornecedores. Parte reclama de pagamentos não realizados e alguns pedem a rescisão do contrato de fornecimento. Apenas no Foro de Birigui, as ações por cobrança de valores em atraso desde o fim de 2017, apresentada por fornecedores, estão por volta de R$ 20 milhões. Segundo Pedrosa, menos de 2% do volume de cana a ser moído na nova safra refere-se a "acordos comerciais em discussão". Ele acrescentou que a empresa procura fornecedores para comprar cana para ser moída na nova temporada. (Valor Econômico 28/03/2018)

 

Açúcar: Produtores retraídos

A desvalorização do açúcar na bolsa de Nova York desde meados do ano passado tem feito os produtores se retraírem, o que deu uma pequena sustentação às cotações no mercado futuro ontem.

Os contratos com vencimento em julho fecharam a 12,66 centavos de dólar a libra-peso, alta de 5 pontos.

Segundo Nick Penney, trader sênior da Sucden Financial, os produtores da União Europeia estão preferindo armazenar açúcar nos estoques, o que reduz a disponibilidade do produto para os exportadores, especialmente nos portos europeus.

A única origem com açúcar disponível, segundo Penney, é a Tailândia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou ontem em R$ 52,33 a saca de 50 quilos, com ligeira alta de 0,06%. (Valor Econômico 28/03/2018)

 

Usinas se preparam para a safra 2018/19 de cana, e preço do etanol cai

Valor do álcool hidratado recua para R$ 1,86 nas unidades de produção, com queda de 2,1% na semana.

A safra 2018/19 de cana-de-açúcar começa oficialmente a partir da próxima semana, mas 42 usinas já colocaram suas máquinas nas lavouras.

A expectativa de um aumento da oferta de produto mexe com o mercado, derrubando os preços do etanol hidratado (o que vai diretamente ao tanque dos veículos).

Pesquisa semanal do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) mostrou que o preço médio do etanol hidratado recuou 2,1% na semana passada nas usinas paulistas. Na semana imediatamente anterior, o álcool havia atingido o maior patamar desde outubro de 2016.

O preço do litro do etanol hidratado caiu para R$ 1,8617 na porta das usinas no período de 19 a 23 de março. Na semana anterior, estava em R$ 1,9022 por litro.

Já o etanol anidro foi negociado a R$ 1,9231 por litro, com aumento de 0,55% na semana.

Pesquisadores do Cepea atribuem essa queda de preços do álcool hidratado à nova oferta do combustível, colocada no mercado pelas usinas que já iniciaram a safra 2018/19.

Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), a oferta de etanol da nova safra ainda tem pouco reflexo sobre os preços. A queda ocorre mais pelas expectativas da nova safra, o que provoca uma desova dos estoques da safra que termina.

A moagem ainda é pequena e a cana não tem uma boa produtividade, segundo ele. Na primeira quinzena deste mês foram processados 3,34 milhões de toneladas de cana na região centro-sul.

Até o final da primeira quinzena deste mês, a moagem de cana atingiu 588,5 milhões de toneladas na safra 2017/18. O volume ficou 2% inferior ao de igual período de 2016/17.

Os preços caem nas usinas, mas é preciso que eles cheguem aos consumidores, diz o diretor da Unica. (Folha de São Paulo 28/03/2018)

 

Justiça rejeita oferta de compra da São Fernando

A proposta da Pedra Angular, veículo de investimento liderado pelo economista Winston Fritsch, para comprar a Usina São Fernando, que era da família de José Carlos Bumlai e teve a falência decretada em 2017, foi rejeitada pela Justiça sul-mato-grossense. Em despacho na segunda-feira, o juiz Jonas Hass Silva Júnior, da 5ª Vara Cível de Dourados, julgou que a oferta da Pedra Angular não oferecia garantias de que os investidores tinham capacidade financeira e não financeira para tocar o negócio.

Fritsch e os investidores Rodrigo Aguiar, que presidiu a Tonon Bioenergia, e Paulo Vasconcellos, fundador da Energias Renováveis do Brasil, haviam ofertado R$ 825 milhões pela usina de Dourados, com pagamento em 20 anos, sendo R$ 10 milhões à vista.

O juiz avaliou que a Pedra Angular é “incapaz de assumir tamanho compromisso” e que capital social da empresa “é ínfimo ante o tamanho das dívidas, do capital da massa falida, e do fluxo de caixa diário da massa falida”. Ele ressaltou que o prazo de pagamento significaria que menos de 10% da proposta seria paga nos cinco primeiros anos.

A decisão refletiu o parecer de oito credores que representam 60% da dívida da usina, de R$ 1,5 bilhão, e que pediram a rejeição da proposta ao juiz. Foram eles o Banco do Brasil, o BNDES, a consultoria EXM Partners, a Agrofield Centro-Oeste, o BNP Paribas, a John Deere Brasil e a Monteverde Agro Energética.

Segundo uma fonte, que prefere o anonimato, os credores consideraram que a proposta estava abaixo do valor avaliado da usina e não contemplava os investimentos necessários. O valor de R$ 825 milhões, trazido a valor presente, considerando-se a Selic em 6,5% ao ano, representaria menos de R$ 350 milhões. O montante equivale a menos da metade do valor avaliado da usina, disse.

O único credor relevante favorável à proposta foi o Grupo Bertin, através da holding Heber Participações, que detém 11% do crédito da Usina São Fernando. O grupo foi sócio da usina até 2011, quando vendeu sua participação aos Bumlai.

O juiz determinou que o administrador judicial, a VC Perícia, apresente um novo edital em 30 dias para a realização de um outro leilão, com propostas fechadas.

Entretanto, alguns credores importantes estão articulando a possibilidade de viabilizar um arrendamento da unidade de cogeração de energia a partir do bagaço de cana anexa à usina.

A alternativa foi apresentada pela EXM Partners ao Banco do Brasil e ao BNDES e para duas companhias geradoras de energia elétrica, que poderiam se interessar no arrendamento. “Iniciamos as conversas quando vimos que a proposta da Pedra Angular poderia não ser aceita”, afirmou Wendel Caleffi, sócio da EXM. Essa alternativa poderia levantar recursos para amortizar parte da dívida da São Fernando com seus credores.

O aluguel da unidade estaria condicionado a um investimento por parte da empresa arrendatária de aproximadamente R$ 250 milhões no plantio de cana, já que a oferta de matéria-prima em Dourados está baixa. A arrendatária obteria receita com a venda da cana à usina e de energia cogerada ao mercado.

Segundo Caleffi, a EXM pretende procurar empresas que vencerem o leilão A-4, de venda de energia no mercado regulado, que ocorrerá no próximo dia 4. O investimento requerido, portanto, seria para o plantio de cana, e não para erguer uma unidade de geração de energia nova, afirmou. Caso essa opção não dê certo, outra possibilidade seria buscar interessados no leilão A-6, programado para ocorrer no segundo semestre.

Para cobrir o período em que a usina ainda não estiver entregando energia no leilão, a EXM elaborou um modelo que leva em consideração um preço médio de energia elétrica no mercado spot de R$ 200 por megawatt-hora. (Valor Econômico 27/03/2018 às 19h: 55m)

 

Novo plano de recuperação da Renuka será alinhado com Castlelake e BNDES, dizem fontes

A Renuka do Brasil deve protocolar na Justiça ainda nesta semana um novo plano de recuperação já alinhado com a gestora norte-americana Castlelake, interessada na compra da usina de cana Revati, em Brejo Alegre (SP), e também com o BNDES, que vetou anteriormente um leilão do ativo, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.

Após aprovado pela Justiça, o plano deve ser levado a uma assembleia de credores previsto para o fim de abril ou início de maio, afirmou uma das fontes, com conhecimento direto do assunto, que pediu para ficar no anonimato.

A pessoa disse acreditar que os credores, sem grandes alternativas para um acordo, tendem a aceitar a proposta da Castlelake, que prevê assumir dívidas da Renuka de quase 3 bilhões de reais com um desconto de 81 por cento. O restante do passivo seria pago em 11 anos.

A outra fonte destacou, sem elaborar, que o plano deve ser estruturado de modo a evitar contestações por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), titular de garantias hipotecárias.

A Renuka do Brasil entrou em recuperação judicial em outubro de 2015 e, neste processo, tentou leiloar no início de 2017 uma de suas usinas, a Madhu, em Promissão (SP). Mas o BNDES pediu a suspensão do certame, algo que voltou a ocorrer em setembro, com a Revati.

Com a Castlelake, porém, a Renuka do Brasil poderia buscar uma nova linha para seu plano de recuperação, que encontrou empecilhos após a suspensão do leilão da Revati, usina com capacidade instalada para moer 4 milhões de toneladas de cana por safra.

A Reuters noticiou em fevereiro que a Castlelake faria uma proposta formal pela planta industrial neste mês.

Com mais de 13 bilhões de dólares em ativos em fundos e setores público e privado, segundo seu site, a Castlelake já comunicou aos credores e à própria indiana Shree Renuka Sugars que só leva adiante a aquisição da Revati se tiver garantias de fornecimento de cana.

Segundo as fontes, praticamente toda a cana da Renuka do Brasil está hoje perto da Madhu, e a Castlelake quer garantias de que a subsidiária indiana não operará nos próximos anos para ter acesso a esse produto.

Caso o negócio não avance, ambas as fontes ressaltaram que a Renuka do Brasil não conta com cana suficiente para operar as duas usinas na safra deste ano, cujo início oficial é em 1º de abril. Revati e Madhu possuem capacidade combinada para processar cerca de 10 milhões de toneladas de cana por temporada.

As fontes também não deram qual seria o valor do negócio entre a gestora norte-americana e a empresa sucroenergética.

Procuradas para comentar o assunto, a Shree Renuka Sugars e a Castlelake não responderam de imediato. (Reuters 27/03/2018)

 

Preço do etanol sobe para motoristas de 17 Estados em uma semana

Os preços do etanol hidratado subiram para os motoristas de 17 Estados na semana passada e caíram em outros nove, segundo levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). No Amapá, o preço ficou estável. A pesquisa foi realizada entre 18 e 24 de março.

A alta do etanol ocorreu, mais uma vez, na contramão da gasolina, que caiu nos postos de 17 Estados e do Distrito Federal no mesmo período e só subiu em nove Estados.

Por isso, a correlação de preços entre os dois combustíveis continuou conferindo vantagem ao etanol em apenas dois Estados: Mato Grosso e Goiás. Nestes, o preço médio do etanol está abaixo de 70% do valor da gasolina - patamar mais aceito no mercado para a equivalência energética entre os dois produtos.

Além de Goiás e Mato Grosso, em mais outros quatro Estados o preço médio do etanol está mais de R$ 1 por litro mais barato que a gasolina. Essa elevada diferença nominal, segundo alguns analistas, também pode estimular a preferência dos motoristas pelo etanol em detrimento do combustível fóssil.

Em São Paulo, principal polo consumidor, o preço do etanol caiu 0,24% ante a semana anterior, enquanto a gasolina caiu 0,37%. A correlação entre ambos subiu ligeiramente, para 72%, mas a diferença nominal ficou em R$ 1,115 o litro. (Valor Econômico 26/03/2018 às 15h: 11m)

 

Senado adia votação de projeto que pode liberar cana na Amazônia

Com presença insuficiente de parlamentares para a realização de votações importantes, o Senado encerrou sua sessão deliberativa de hoje sem votar o controverso projeto que libera o cultivo de cana-de-açúcar na área da Amazônia Legal.

A pauta foi adiada para amanhã, quando uma nova sessão será iniciada excepcionalmente às 9h, por conta do feriado de Páscoa, vários senadores não compareceram ao Congresso esta semana e outros já estão com vôo marcado para amanhã no início da tarde, o que diminui as chances de que a medida seja efetivamente votada esta semana, dada a falta de acordo.

O cultivo na cana na região está proibido desde 2009. A proposta de retomada do plantio em áreas degradadas da Amazônia Legal é de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA).

Ontem, 39 organizações socioambientais, entre elas o Instituto Socioambiental (ISA), Greenpeace, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e WWF, divulgaram uma carta de repúdio à medida e cobraram que o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira (MDB-CE), e o presidente Michel Temer atuem para engavetar a proposta.

Se aprovado, o texto segue para análise na Câmara dos Deputados e, depois, para sanção do presidente Michel Temer. (Valor Econômico 27/03/2018 às 18h: 46m)

 

Indústria do etanol diz ser contra projeto que coloca cana na Amazônia

União da Indústria de Cana de Açúcar (Única) endossa documento que aponta para o risco de a imagem do etanol ficar manchada no exterior; Agência Brasileira de Exportações também faz esse alerta.

Criticado por ambientalistas, o projeto de lei do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) que libera o plantio de cana-de-açúcar em áreas da Amazônia Legal não está agradando nem mesmo o setor canavieiro.

A União da Indústria de Cana de Açúcar (Única) rejeita a proposta por considerar que ela traz riscos aos biocombustíveis e ao açúcar brasileiros no mercado internacional. O texto do PL chegou a ser colocado em votação, na semana passada, mas não houve quórum para deliberação. Ele está previsto para ser votado nesta terça-feira, 27.

A entidade tem feito lobby no Congresso e optou por, publicamente, endossar um posicionamento da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, grupo que reúne o setor produtivo e organizações ambientalistas. O documento questiona o projeto ao dizer que ele “contraria os esforços feitos pelo governo federal, setor produtivo e sociedade rumo à produção sustentável de cana-de-açúcar no país”.

É uma referência ao decreto do governo federal que estabeleceu em 2009 o Zoneamento Agroecológico da Cana, que determina áreas e regras para o licenciamento de novas usinas e exclui a expansão sobre biomas sensíveis, como Amazônia e Pantanal, além de áreas de vegetação nativa.

Para o grupo, o projeto de lei, ao alterar o zoneamento, poderá causar uma pressão por mais desmatamento  – argumento que também vem sendo usado por ambientalistas, em oposição à defesa de Flexa Ribeiro de que ocupação se dará sobre áreas degradadas. 

A preocupação principal do setor canavieiro, no entanto, é com a imagem que a associação da cana com o desmatamento pode causar para as exportações do setor. Sempre houve, por exemplo, uma resistência por parte dos europeus ao etanol brasileiro em razão de uma suposta competição da cana com o cultivo de alimentos.

“Os biocombustíveis e açúcar brasileiros não são associados a esse desmatamento. O PLS 626/2011 pode manchar essa reputação e colocar em risco os mercados já conquistados e o valor dos produtos brasileiros. O Brasil precisa focar em promover aumento da produção de bioenergia e biocombustíveis nas atuais áreas não aproveitadas, de forma aliada à preservação ambiental”, escreve a Coalizão.

Esse é o posicionamento também do embaixador Roberto Jaguaribe, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), que lidera os esforços do País dentro da chamada Plataforma Biofuturo, que busca ampliar o mercado internacional de etanol.

Em evento em São Paulo, ele criticou ações que, para ele, desestabilizam a imagem do setor do agronegócio desnecessariamente. "Temos de cuidar muito para evitar ações que venham a permitam que nossos detratores adquiram combustível adicional, sobretudo quando essas ações não têm efeito prático visível realista", disse ao Broadcast/Estadão, em referência ao PL.

“(É o caso) da iniciativa de liberar certas regiões da Amazônia para plantio de cana. Não vejo que isso estruturalmente seja um problema, porque tem regiões que podem servir (para a cana), mas para a questão da imagem, vai ter um custo vastamente superior aos benefícios potenciais que isso venha a ter”, afirmou.

No documento, a Coalizão lembra que apesar de o zoneamento ter excluído 92,5% do território brasileiro como inapto para o cultivo da cana, ainda permite sua expansão em 64,7 milhões de hectares. Hoje o cultivo ocupa cerca de 10 milhões de hectares. 

“Assim, entende-se que, ao proteger os biomas sensíveis, o zoneamento indica áreas com extensão suficiente para permitir que o agronegócio expanda e intensifique sua produção e, ao mesmo tempo, possa garantir a preservação de áreas protegidas”, escreve.

Mudanças climáticas

Carta publicada por várias organizações ambientalistas nesta segunda-feira, como Instituto Socioambiental, Greenpeace, Observatório do Clima, SOS Mata Atlântica e WWF, afirma que a proposta “joga na lama a imagem dos biocombustíveis” no exterior. 

“O zoneamento da cana, afinal, foi feito exatamente como resposta a ameaças de imposição de barreiras comerciais não-tarifárias às exportações de álcool do Brasil. Revertê-lo atesta a nossos compradores que o Brasil não é um país sério, já que é incapaz de manter uma salvaguarda ambiental num tema discutido com o setor e pacificado há quase uma década”, escrevem.

As ONGs alertam para o impacto que isso pode ter na participação brasileira na luta global pelo combate às mudanças climáticas. “Prejudicar a indústria dos biocombustíveis significa prejudicar também o clima. Além de ter sua meta no Acordo de Paris para o setor de energia baseada, entre outros, na produção sustentável do etanol, e viabilizada com a lei do RenovaBio, o Brasil também lidera esforços internacionais de desenvolvimento de biocombustíveis para a descarbonização rápida do setor de transportes. Essa liderança é ferida de morte pelo projeto de Flexa Ribeiro”, dizem.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o senador Flexa Ribeiro questionou a crítica de que a imagem do etanol pode ser manchada e comparou com o que ele diz ocorrer com a soja. “Interessante dizerem isso, porque não mancha a imagem da soja, não mancha do milho, que não são plantadas nessas mesmas áreas. Não existe um movimento de fora para importar soja plantada nessas áreas”, disse ao Estado.

Voltou a afirmar que o projeto prevê o plantio de cana somente em áreas degradadas da Amazônia. “Quero frisar que o projeto não derruba uma única árvore sequer. Temos a consciência na Amazônia de que não precisamos derrubar nada para produzir. Desde que possamos usar as áreas já alteradas”, afirmou.

“Tem de acabar com essa história de que somos comandados de fora para dentro. O presidente Michel Temer vetou projeto (de redução da Floresta Nacional do Jamaxim) que resolveria o problema de milhares de pessoas que vivem ali porque a Noruega reduziu o a contribuição para o Fundo Amazônia. Não pode fazer o mesmo agora”, complementou. (O Estado de São Paulo 26/03/2018 às 20h: 00m)

 

MRS Logística firma contrato de R$ 453 milhões com Rumo

O conselho de administração da MRS Logística aprovou contrato de prestação de serviço de transporte ferroviário de carga com a Rumo no valor de R$ 453 milhões, informou a empresa nesta segundafeira (26).

O contrato visa o transporte ferroviário de açúcar dos municípios de Itirapina e Ayrosa Galvão e prevê multa de R$ 50 milhões por ano em caso de rescisão.

Na mesma reunião, realizada no dia 21 de março, o colegiado da MRS Logística recomendou a aprovação pelos acionistas, em assembleia geral ordinária, de R$ 219 milhões em dividendos, referente ao exercício de 2017. O valor deve ser pago até dezembro de 2018. (Valor Econômico 26/03/2018)

 

Syngenta anuncia acordo para aquisição da brasileira Strider

A gigante Syngenta anunciou nesta segunda-feira um contrato para adquirir a companhia brasileira de tecnologia agrícola Strider, informou a multinacional suíça em nota.

Conforme a Syngenta, que não divulgou os valores do negócio, a aquisição está condicionada à aprovação de órgãos reguladores.

"A Strider é um importante player no mercado latino-americano de agricultura digital, e a transação aumentará a capacidade da Syngenta de agregar maior valor aos seus clientes, fornecendo soluções digitais inovadoras para o gerenciamento de informações agrícolas", disse a companhia no comunicado.

A Strider é uma empresa relativamente nova. Surgiu em 2013 e, entre suas atividades, estão o monitoramento de máquinas e controle de pragas, além de imagens via satélite das culturas agrícolas. (Reuters 26/03/2018)

 

Colômbia aumenta mistura de etanol na gasolina em combate a aquecimento global

Desde 1º de março deste ano, a Colômbia, terceiro maior país produtor de etanol na América do Sul, elevou de 8% para 10% a proporção do biocombustível misturado à gasolina em todo território nacional. A iniciativa é considerada estratégica para que o país reduza em 20% as emissões domésticas de gases de efeito estufa (GEEs) até 2030, compromisso estabelecido no Acordo de Paris, assinado durante a 21ª Conferência do Clima (COP21), há dois anos.

“Celebramos a decisão do governo pela adoção da mistura em 10% (E10). A medida mostra comprometimento para o alcance das metas firmadas na COP21. O etanol contribui com este propósito, visto que as análises do ciclo de vida do produto [na Colômbia] indicam que ele mitiga em 74% as emissões de GEEs se comparado à gasolina”, afirma o presidente da Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar da Colômbia (Asocaña), Juan Carlos Mira, em recente artigo publicado no site da entidade.

Segundo o executivo, a nova política do E10 não implicará em aumento de preços da gasolina. De acordo com condições de mercado, o valor do combustível poderá até cair nas bombas. “O [preço] etanol mostra tendência de baixa, o que permitiria uma redução próxima a 7 pesos por galão”, explica Juan Carlos, detalhando que a formação do preço final da gasolina é regulada pelo governo e depende de vários fatores. Entre eles, o fato de que o etanol representa apenas 8%. Impostos, por exemplo, compõem aproximadamente 29% do que é pago pelo consumidor na capital Bogotá.

Por fim, o presidente da associação colombiana destaca outros benefícios socioeconômicos proporcionados pela indústria sucroenergética local. “A produção de etanol também promove geração de emprego formal no segmento rural”, exalta. No ano passado, de acordo com o Balanço 2000-2017 da Asocaña, a Colômbia moeu mais de 24 milhões de toneladas de cana, produzindo mais de 336 milhões de litros de etanol anidro e 2,2 milhões de toneladas de açúcar.

Para o diretor Executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa, cuja entidade representa cerca de 60% da produção de etanol no Brasil, o aumento do uso do biocombustível na Colômbia reforça a viabilidade do produto como uma alternativa barata, produzida em larga escala e sustentável.

“O etanol se credencia cada vez mais no cenário internacional como um indutor de desenvolvimento econômico e redutor de emissões de GEEs. Hoje, aproximadamente 66 países têm mandatos ou estudos para adicioná-lo aos fósseis, sendo que 14 deles estão nas Américas”, destaca, citando dados do levantamento “The Digest's Biofuels Mandates Around the World”, divulgado no início do ano.

Para dar uma dimensão da importância do etanol e de políticas de mistura à gasolina no combate às emissões de GEEs no segmento veicular, o diretor Unica exemplifica: “No Brasil, as emissões evitadas pelo etanol nos veículos flex desde 2003 equivalem ao plantio de bilhões de árvores. Já são mais de 437 milhões de toneladas de gás carbônico mitigadas graças ao uso do biocombustível hidratado e do anidro, misturado em até 27,5% à gasolina (E27.5). Seria preciso plantar e manter, ao longo de 20 anos, mais de 3 bilhões dessas árvores para se atingir a mesma redução de CO2”, informa o executivo. (UNICA 27/03/2018)

 

Futuro do transporte está na eletrificação, mas há um período de transição pela frente

A história recente do etanol do Brasil é um caso único de sucesso de implementação em larga escala de uma alternativa ao uso de combustíveis fósseis. A combinação da tecnologia de produção de etanol em grandes quantidades associada ao desenvolvimento dos motores flex (ou bicombustíveis) foi chave para este sucesso. Hoje, quase 75% da frota circulante de veículos leves no Brasil são flex; portanto, podem rodar com qualquer mistura de gasolina e etanol.

A substituição da gasolina pelo etanol traz vários benefícios, entre eles a redução das emissões de poluentes locais de carbono. Ao crescer, a cana capta carbono da atmosfera através da fotossíntese e, ao queimar o combustível, o carbono que havia sido capturado volta para atmosfera. Com o fim progressivo da prática da queima da cana antes da colheita, há ainda um acumulo de carbono no solo. Assim, o sistema pode até ser positivo, capturando mais carbono do que emite.

Mas esta conta só fecha se os plantios de cana não envolverem novos desmatamentos (que emitem milhões de toneladas de carbono). Estudos conduzidos por instituições públicas e privadas, nos últimos anos, apontam que o crescimento dos novos plantios de cana desde o ano 2000 se deu sobre áreas já desmatadas há muito tempo, especialmente de pastos. Em São Paulo, o maior estado produtor, menos de 1% dos novos plantios está associado a áreas com desmatamento pós-2000. O veto vigente à expansão da cana na Amazônia é defendido pela própria indústria sucroalcooleira e por ambientalistas. Isto, certamente, tem ajudado a manter tal condição.

Apesar de quase 75% da frota de veículos leves serem flex, a escolha de abastecer com etanol representa menos de 25% do consumo total de combustível destes veículos. Ou seja, o potencial de redução de emissões de gases de efeito estufa pelo programa de etanol no Brasil ainda é pouco explorado. Se todos os veículos flex se abastecessem apenas com etanol, haveria uma redução adicional das emissões em quase 35 milhões de toneladas de CO2e por ano, o que equivale às emissões somadas de ônibus e aeronaves do país em 2016.

O futuro do transporte está na eletrificação. O motor a combustão está com os dias contados. No Brasil, isso faz ainda mais sentido, considerando que 80% de nossa matriz elétrica são renováveis. Mas a troca de toda a frota circulante demorará décadas, e o Brasil tem uma condição única para fazer esta transição: reduzir as emissões da frota já existente a partir de políticas e estímulos ao uso dos biocombustíveis.

Ao mesmo tempo, será necessário a indústria sucroalcooleira do Brasil se adaptar para se transformar numa indústria bioquímica e bioenergética, substituindo a petroquímica e a geração termoelétrica com combustíveis fósseis. Isso é a cara da nova economia. (O Globo 28/03/2018)