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Concessionária paulista veta tráfego de caminhões de cana

Usinas paulistas reclamam que não conseguem autorização da concessionária Via Rondon para o trânsito de caminhões de cana no trecho de 331 quilômetros administrados por ela, entre Bauru e Castilho (SP), além de vicinais.

Segundo produtores, a Via Rondon alega que veículos trafegam a menos da metade da velocidade máxima, de 80 km/h, o que não seria permitido. Um pedido de explicação foi protocolado na concessionária. Procurada, ela não se manifestou. (Broadcast 09/04/2018)

 

Para Unica, Brasil corre risco no etanol

Associação diz que País não tem excedente de etanol para vender à China e pode virar destino do produto americano barrado pelos chineses.

Mesmo com o etanol envolvido na disputa entre Estados Unidos e China, a União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica) vê mais riscos do que vantagens para o Brasil com a briga entre os dois gigantes. Para a associação, o País não tem álcool excedente para exportar e o etanol que a China deixará de importar dos Estados Unidos vai “sobrar” no mercado e poderá ser desviado para o País.

“No curto prazo, não há benefício”, afirmou o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão de Sousa. Ele explica que atualmente o Brasil consome perto de 28 bilhões de litros de etanol ao ano e exporta 1 bilhão de litros. “Não há excedentes que possam se beneficiar do vácuo do etanol americano no mercado chinês no curto prazo”.

Os Estados Unidos, por sua vez, têm uma produção maior do que o consumo em 4 bilhões de litros ao ano. E havia três destinos para escoar esse excesso: Brasil, Canadá e China. “Para onde vai esse etanol? Isso vai causar uma desorganização do mercado.”

No médio e longo prazos, há uma grande incógnita pairando sobre o mercado de etanol. A China anunciou que pretende misturar 10% de etanol à gasolina. Com isso, o consumo do produto saltará de 4 bilhões para 20 bilhões de litros.

Num primeiro momento, o país vai se abastecer com sua própria produção. Pretende utilizar, para isso, o etanol produzido a partir de um estoque de 200 milhões de toneladas de milho que, na sua maior parte, é imprópria para consumo humano ou animal. Não se sabe como o mercado será suprido depois de usado esse estoque.

“Isso abre uma perspectiva para os países exportadores de etanol como os Estados Unidos e o Brasil”, disse Leão. Mas, para isso, seria importante a China estabelecer regras que dessem previsibilidade aos produtores.

A China já havia elevado as tarifas de importação do etanol americano de 5% para 30% no início do ano passado. No início desta semana, a tarifa foi elevada para 45%.

Mercosul-UE. A escalada de medidas protecionistas entre os Estados Unidos e a China aumenta a pressão para que Mercosul e União Europeia acelerem um acordo de complementação econômica. O efeito prático, porém, tende a ser “marginal”, segundo avalia fonte do governo próxima à negociação.

Desde o início da administração de Donald Trump, que fez a campanha eleitoral defendendo medidas unilaterais de comércio, europeus e sul-americanos tentam se colocar como um contraponto na defesa do livre comércio e do multilateralismo. O fechamento do acordo seria um marco importante nessa direção.

As negociações, porém, ainda não estão concluídas. No momento, o plano é realizar uma reunião técnica ainda este mês para fechar uma proposta que possa ser discutida pelos ministros das duas regiões. Data e local não foram definidos. A discussão deverá ficar restrita aos temas “mais centrais”, que envolvem o acesso a mercados.

No caso do açúcar, por exemplo, as discussões estavam num impasse porque os europeus fizeram uma oferta considerada “modesta”. Eles se propõem a importar 100 mil toneladas anuais do produto. Porém, vão aplicar uma tarifa de 98 euros por tonelada, o que simplesmente inviabiliza a venda para aquele mercado. O governo tem mantido segredo nessa etapa, que supostamente é uma reta final dos entendimentos.

No caso do etanol, os europeus se propuseram a importar 600 milhões de toneladas por ano do produto para uso como combustível.

O diretor da Unica disse que é um volume razoável para esse segmento. Porém, quer aumentar a venda do etanol para uso pela indústria química. (O Estado de São Paulo 07/04/2018)

 

Açúcar em NY segue na tendência longa de 12 c/lp e interno puxando mais R$ 2 sobre o Esalq; etanol caiu 16% na semana

Aumentou para 12,4 milhões de toneladas o açúcar a ser fixado, diante de uma cotação internacional que está na mínima de 2,5 anos pelo excedente da Ásia e até da UE.

Com atacadistas fora das vendas, preço na usina melhorou. Etanol cai na margem, mês contra mês, mas pode melhorar se queda na usina chegar na bomba. (Reuters 06/04/2018 às 17h: 48m)

 

Lavouras de goiaba avançam sobre áreas de cana e laranja em SP

Área de cultivo da fruta aumentou 11%. As lavouras de cana e laranja cresceram menos de 3% na região central do estado.

Uma fruta que está ganhando espaço e animando os produtores: a goiaba. A colheita já começou em uma fazenda de 80 hectares em Matão, região central de São Paulo. São 30 mil pés de goiaba vermelha. Neste ano, o produtor Antonio Tadiotti espera uma produção maior.

“A nossa expectativa é de oito mil toneladas e isso representa 20% a mais do que o ano anterior. E graças, justamente, ao fator climático. Então tivemos chuva na hora certa. Tudo favoreceu”, explica o produtor.”

A safra de goiaba deve ser 9% maior que no ano passado, segundo a secretaria estadual de Agricultura.

O estado de São Paulo é o maior produtor do Brasil. São cerca de 150 mil toneladas por ano. Cada vez mais agricultores têm apostado na fruta. A região central paulista, por exemplo, que é tradicional área produtora de cana-de-açúcar e de laranja, vem se destacando com o cultivo da goiaba.

De 2016 para 2017, em todo o estado, enquanto a área plantada de cana aumentou 0,5% e o número de pés de laranja cresceu 2,5%, o de pés de goiaba subiu 11%. Tadiotti trocou a laranja pela goiaba. Nos últimos anos, substituiu 50 hectares.

“Uma caixa de goiaba, hoje, como essa, equivale, em preço, 30% a mais do que uma caixa de laranja. Fora o aspecto que na cultura, na produtividade de um pé de goiaba, ele é quatro vezes maior do que um de laranja.”

O agricultor Lucas do Carmo espera um aumento de 15% na produção e está animado com o preço. “Ano passado a gente estava recebendo a R$ 6,40 o preço da caixa com 20 quilos. Esse ano a gente espera vender a R$ 6,60.”

A compra está garantida. Toda produção vai para uma indústria de alimentos, que recebe mil toneladas de goiaba por dia de produtores da região. Do total, 20% viram polpa. O resto vai para fabricação de doces, como goiabada.

A colheita da goiaba vai até o final de abril. (Globo Rural 08/04/2018)

 

Etanol hidratado cai 8,44% e anidro recua 2,17% nas usinas de São Paulo

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 8,44% nesta semana, de R$ 1,8020 o litro para R$ 1,6499 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). É o menor preço para esse tipo de etanol desde a semana encerrada em 10 de novembro de 2017.

O forte recuo acontece no momento em que usinas ampliam oferta do biocombustível com processamento da safra 2018/2019 da cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, iniciada oficialmente no último domingo. A produção de etanol é prioridade das companhias, já que o açúcar segue com os preços deprimidos globalmente.

"Esta semana a pressão de oferta foi fator preponderante para queda nos preços, com a entrada de etanol novo da atual safra. Tivemos, inclusive, preços diferentes pela manhã e à tarde", disse Ivelise Rasera Bragato, pesquisadora do Cepea/Esalq. "A demanda, no entanto, segue alta", completou.

Já o valor anidro caiu 2,17% de R$ 1,9106 o litro para R$ 1,8691 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq, o menor valor desde a semana finalizada em 24 de novembro passado. (Reuters 09/04/2018)

 

Importação de etanol pelo Brasil segue forte e deve dobrar em abril ante 2017

O Brasil deve importar em abril mais de 220 milhões de litros de etanol, o dobro na comparação anual, após compras recordes no primeiro trimestre, em uma janela ainda favorável para se trazer o biocombustível do exterior a despeito de uma taxa aplicada sobre negócios que superem 150 milhões de litros por trimestre.

A importação vem basicamente dos Estados Unidos e é direcionada quase toda ao Nordeste, em um momento de demanda forte, início da nova safra de cana no país e, consequentemente, estoques menores do biocombustível, segundo dados da consultoria Datagro e da agência marítima Williams.

"Já temos 224 milhões de litros programados para abril", disse o presidente da Datagro, Plinio Nastari, ressaltando que fatores como a taxa de câmbio e os preços locais e no exterior também estão favorecendo os negócios.

Tal volume previsto para abril fica praticamente em linha com o apurado pela Williams para este mês, de aproximadamente 226 milhões de litros. Em abril do ano passado, o país importou cerca de 112 milhões de litros, segundo dados do governo.

"Isso revela que o Brasil está inserido no mercado internacional de etanol. Dependendo dos preços e dos níveis de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis), o Brasil acaba exportando ou importando, é um reflexo natural dessa inserção", acrescentou Nastari.

A forte importação de agora se assemelha à registrada no primeiro semestre de 2017. À época, as compras externas pressionaram os preços domésticos, levando a indústria a pleitear, junto ao governo, algum mecanismo para segurar a enxurrada do produto externo.

No fim de agosto, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou uma tarifa de 20 por cento sobre importações de etanol que superem 600 milhões de litros ao ano, ou 150 milhões de litros por trimestre, válida a partir de setembro. A medida tem vigência de 24 meses.

Os importadores, entretanto, não têm se intimidado diante dessa taxação graças a uma conjunção de fatores de mercado.

"É o preço no mercado interno brasileiro, o preço nos Estados Unidos, a taxa de câmbio, o frete", enumerou Nastari, em referência aos fatores por trás da importação de etanol.

Após 1,81 bilhão de litros em 2017, o país importou 692,3 milhões de litros de álcool no primeiro trimestre de 2018, alta de 11,3 por cento ante igual período do ano passado, segundo dados da Datagro.

Os Estados Unidos, principais fornecedores de etanol ao Brasil, registraram vendas recordes em fevereiro.

"A margem está menor por causa da taxa (de 20 por cento), mas, nas média, há uma margem. E, se há demanda para ser cumprida, já que o anidro é misturado à gasolina, o importador age para manter 'market share'", disse um operador do mercado de etanol que pediu para não ser identificado.

SAFRA ALCOOLEIRA

A tendência é de que a atual janela para importação de etanol comece a se fechar a partir de agora, dado o início da safra de cana 2018/19 no centro-sul do Brasil, a maior região produtora do mundo.

A expectativa é de que as usinas da região vão focar na produção de etanol, para atender a crescente demanda no país. A fabricação de álcool deve aumentar 10 por cento no centro-sul nesta temporada, segundo pesquisa da Reuters.

"A partir desse mês vai depender do comportamento de preço", disse o operador e analista Eduardo Sia, da Sucden, projetando uma natural queda de preços do álcool no mercado brasileiro.

Para ele, outro fator de atenção é a escalada de tensões entre China e Estados Unidos, que tem envolvido várias commodities, incluindo o etanol.

Uma eventual redução nas compras de etanol norte-americano pela China faria com que a oferta nos EUA aumentasse, diminuindo os preços por lá e, conseqüentemente, melhorando a competitividade do produto, explicou.

Procurada, a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), entidade que apoiou a taxação de etanol no ano passado, preferiu não comentar o assunto. (Reuters 06/04/2018)

 

Indústria do Brasil mostra receio por política de exportação de açúcar de Paquistão e Índia

A indústria de cana-de-açúcar do Brasil, na quinta-feira, manifestou preocupação quanto às políticas adotadas pelo Paquistão e pela Índia para proteger produtores locais e impulsionar as exportações de açúcar, argumentando que esses países poderiam depreciar ainda mais os preços globais.

O Paquistão, cujo tamanho como produtor de açúcar tem crescido nos últimos anos, quadruplicou em janeiro o volume de açúcar elegível para subsídios à exportação para 2 milhões de toneladas, em uma tentativa de reduzir uma oferta doméstica excessiva.

Eduardo Leão de Sousa, diretor da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), disse que a entidade avalia se essas práticas estão de acordo com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Comunicamos nossas preocupações ao governo brasileiro", disse ele à Reuters. "Estamos falando com o nosso governo e com outros países sobre a possibilidade de ação na OMC."

Os subsídios à exportação podem levar os produtores paquistaneses a mudar do arroz para o açúcar, aumentando permanentemente a oferta global e reduzindo os preços, disse ele.

Esse foi o caso da Tailândia, que cresceu até se tornar o segundo maior exportador de açúcar do mundo graças ao controle de preços.

Em janeiro, o governo tailandês eliminou o controle doméstico dos preços do açúcar e a administração de vendas como parte de uma revisão regulatória para resolver um desafio brasileiro na OMC.

O Paquistão deve produzir 6,5 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2017/18, que se encerra em 30 de setembro, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

Em comparação, a produção da Índia, segundo maior produtor do mundo, deve atingir o recorde de 29,5 milhões de toneladas, com os preços locais já caindo mais de 17 por cento nos últimos seis meses.

Enfrentando um excesso de oferta doméstica, a Índia cortou um imposto de exportação de 20 por cento e permitiu nesta temporada que usinas exportadoras de açúcar importassem açúcar bruto isento de impostos pelas próximas duas temporadas até setembro de 2021.

Mesmo sem taxas, no entanto, os altos custos de produção significam que a Índia deve sofrer para exportar com preços competitivos.

"Se a safra recorde se materializar, esperamos que o superávit vá para o mercado com subsídios", disse Sousa. (Reuters 06/04/2018)

 

Brasil estuda abrir processo na OMC contra barreiras chinesas ao açúcar

Salvaguardas impostas pela China reduziram exportações brasileiras de 2,5 milhões de toneladas para cerca de 300 mil toneladas ao ano.

O governo brasileiro estuda entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as salvaguardas que a China aplicou no ano passado sobre o açúcar brasileiro, uma medida que reduziu drasticamente suas importações do produto. Porém, embora considere ter bases fortes para o recurso, ainda não bateu o martelo se vai mesmo iniciar um processo no organismo internacional. Com o aumento da tensão entre EUA e China no campo comercial nos últimos dias, haverá uma dose adicional de cautela, admite um integrante do governo.

Até 2016, o Brasil era o maior fornecedor de açúcar para a China, que por sua vez era o principal destino das exportações de açúcar bruto produzido aqui. As vendas totalizavam perto de 2,5 milhões de toneladas ao ano, pouco menos de 10% das exportações totais do País, o açúcar brasileiro era competitivo mesmo pagando, na maior parte, alíquota de 50% para ingressar naquele mercado.

Em 2017, porém, os chineses elevaram essa tarifa para 95%, o que fez as exportações brasileiras caírem para cerca de 300 mil toneladas. O aumento da tarifa foi feito com base numa salvaguarda, mecanismo previsto na legislação internacional. Ele pode ser aplicado quando se combinam três fatores: um surto de importações, a indústria local ser prejudicada e haver uma relação direta de causa e consequência entre as duas coisas.

Mas as bases da aplicação da medida são frágeis, segundo afirmou o diretor executivo da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), Eduardo Leão de Sousa. Com base no histórico de volumes embarcados entre 2016 e 2018, a Unica sustenta que não houve o surto de importações alegado pela China. Os volumes estão mais ou menos no mesmo patamar desde 2011, mostram os números.

Apesar da possibilidade de uma ação na OMC, a preferência, tanto do governo quanto do setor privado, ainda é por uma solução negociada. Isso porque as discussões no organismo de comércio são demoradas e caras. Mas há quem duvide da efetividade de uma negociação nesse momento justamente por causa da disputa entre China e EUA. A escalada de medidas de restrição comercial cria um ambiente onde prevalece a lei do mais forte, e não o diálogo.

Em busca de um entendimento, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, informou ao Estado que negociará o comércio de açúcar durante sua visita à China, em maio. Pelo lado privado, Sousa, da Unica, esteve na China no mês passado. Ofereceu às empresas locais cooperação técnica em troca da reabertura do mercado nas condições que havia antes da salvaguarda.

Segundo Sousa, a abertura de um processo na OMC pode servir para forçar uma negociação, a exemplo do que ocorreu com a Tailândia: em janeiro, o país eliminou medidas de controle sobre o açúcar para evitar uma disputa com o Brasil. A decisão sobre iniciar ou não um processo na OMC encontra-se nesse momento em análise nos escalões técnicos do governo. (O Estado de São Paulo 07/04/2018)

 

Queda dos juros incentiva crédito alternativo no campo

Com a Selic em patamar inferior à taxa praticada pelo Plano Safra, produtores tendem a buscar mais opções; agricultores estão mais dispostos a tomar empréstimos para investir no campo.

A recente queda da taxa básica de juros deve atrair produtores de médio e grande porte para linhas de crédito de bancos privados fora das taxas subsidiadas do Plano Safra neste ano, avaliam instituições financeiras.

O Banco Central reduziu a Selic a 6,5% no último dia 21, a taxa mais baixa desde sua criação, em 1996. Embora isso não signifique uma queda imediata das tarifas cobradas por empréstimos nos bancos aos produtores, a medida faz com que a taxa seja menor que a praticada no Plano Safra, que tem uma média de 7,5% a 8,5% ao ano, o que pode tornar o crédito não subsidiado mais atrativo.

“Para o produtor mais estruturado, isso gera uma oportunidade de buscar alternativas mais competitivas”, afirma o gerente de crédito direcionado do Banco Cooperativo Sicredi, Silas Souza. “A oferta de crédito com recursos próprios passa a ser um atrativo”, afirmou.

O banco liberou até fevereiro R$ 9,6 bilhões em crédito nesta safra e pretende encerrar o ciclo 2017/2018 com R$ 14 bilhões em financiamentos para o setor, incremento de 13% em relação ao ciclo anterior. Na safra 2017/2018, 86% dos recursos liberados pelo banco tinham juros controlados, enquanto 14% dos valores foram contratados com taxas livres.

O diretor de agronegócios do Santander, Carlos Aguiar, acredita que esse cenário abre oportunidades aos bancos privados para que mostrem interesse em financiar o campo. “Sou cético quanto à necessidade de recursos públicos com uma taxa de 6,5%”, afirmou. “É uma oportunidade para os bancos mostrarem que estão atentos ao setor”, destacou.

O volume atual de financiamentos do banco para o agronegócio é de R$ 14 bilhões, sendo que R$ 4 bilhões são subsidiados. Para Aguiar, o crédito com juros livres no Plano Safra também tende a crescer. Até fevereiro, a contratação de crédito com juro não controlado cresceu 54% ante o mesmo período do ciclo passado, segundo dados do Ministério da Agricultura, e chegou a R$ 23,5 bilhões. Nas taxas controladas, o incremento foi 2,8%, para cerca de R$ 68,5 bilhões.

Sousa pondera que essa mudança de cenário não beneficia pequenos produtores, que lançam mão do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf) para financiar a lavoura ou pecuária. “Ainda que a Selic caia mais, o Pronaf é mais barato”, explica. O crédito tem juros entre 2,5% e 5,5% ao ano e outros benefícios, como bônus para pagamento de parcela, renegociação de prazos em caso de perdas.

Com a Selic mais baixa, também aumenta a perspectiva de que os juros do Próximo Plano Safra caiam, embora o Ministério da Agricultura ainda não tenha sinalizado para quanto. O que já foi dito é que o valor a ser anunciado deverá, no mínimo, repetir os R$ 188,3 bilhões do ano passado.

O Sicredi espera liberar R$ 17,7 bilhões em crédito rural no próximo ciclo, incremento de 20%. “Vamos ter um bom ciclo na concessão de crédito”, avaliou. Ele atribui o otimismo à retomada do crescimento econômico que reduz a incerteza dos produtores.

Investimentos

De acordo com Souza, esse cenário deixa o produtor mais confortável para investir. “Nos últimos anos, o foco principal foi o custeio da safra, mas o investimento vem crescendo desde o ano passado e deve aumentar ainda mais neste ano e no seguinte”, destacou o gerente do Sicredi.

De julho de 2017 a fevereiro deste ano, os valores contratados por meio do Plano Safra aumentaram 12,4%, para R$ 92,1 bilhões.

No mesmo período, os recursos destinados para investimento aumentaram 25,3%, para R$ 18,8 bilhões. (CDI 06/04/2018)

 

Açúcar: Fazer mau negócio é mais fácil - Por Arnaldo Luiz Corrêa

Um executivo do mercado ligado às usinas tem uma ótima frase que explica a situação atual do mercado de açúcar e qual seria a abordagem mais indicada para as empresas sob um cenário tão baixista como o que vivemos agora. Ele diz: "ninguém precisa ter pressa para fazer um mau negócio". Não há como refutar esse argumento muito embora a situação financeira da maioria das usinas as impeça de ao menos considerar essa alternativa. Começo de safra é o momento de fazer caixa, pagar as despesas de custeio, pagar os fornecedores e faturas que acumulam na mesa do diretor financeiro. Para algumas usinas, lamentavelmente, não raramente acabam aceitando preços nada remuneradores.

Uma mistura de medo e arrependimento, sob esse cenário, atinge o âmago do departamento comercial. Medo de que as recentes previsões apocalípticas acerca dos preços do açúcar possam eventualmente atingir um dígito e o arrependimento por não ter fixado os preços do açúcar em NY quando as condições do mercado, seja em centavos de dólar por libra-peso ou em reais por tonelada estavam num nível que pagavam as contas, deixavam dinheiro no caixa e agradavam o acionista. Hoje o acionista vai diariamente na empresa e obriga os executivos a cortarem custos em todos os setores.

Medo e arrependimento normalmente são péssimos conselheiros. No entanto, bem melhor do que olhar pelo retrovisor e se remoer sobre o que deixou de fazer é olhar para a frente e se estruturar para não deixar que isso aconteça novamente. Não adianta procurar gurus nem morubixabas que prometem fazer a dança da chuva e trazer de volta a felicidade.  Quando fazemos a clássica pergunta "onde foi que eu errei?", em nove entre dez ocasiões observamos que o problema é a falta de disciplina e de uma competente gestão de risco.

É importante estruturar a empresa para que o hedge tenha a mesma importância e seja tratado com o mesmo cuidado que se dá, por exemplo, às áreas industrial e agrícola. A melhora nos índices de desempenho dessas áreas é efusivamente comemorada, mas os hedges muitas vezes são colocados em plano secundário, quando não utilizados como perversa ferramenta de especulação pura e simples.

Por exemplo, algumas usinas recompraram seus hedges quando o mercado bateu 16 centavos de dólar por libra-peso, imaginando que iriam vender de volta a preços melhores. O mercado, como se sabe, mergulhou para níveis mais baixos fazendo com que a empresa perdesse dinheiro. Isso não é gestão de risco. É especulação pura.

O desempenho do açúcar no mercado futuro de NY na semana foi neutro com o contrato com vencimento maio/2018 encerrando a sexta-feira, praticamente no mesmo nível da semana anterior 12.34 centavos de dólar por libra-peso. O valor equivalente em reais por tonelada melhorou em função do dólar mais forte em relação à moeda brasileira devido às turbulências políticas da semana.

Os fundos não-indexados estão vendidos 176,000 lotes, um volume extraordinário e não nos parece que estejam pensando em recomprá-lo. Especula-se que um bom pedaço dessa posição faça parte de uma estratégia de long-short em que o fundo se posiciona comprado num ativo e vendido em outro. Nesse caso, eles estariam comprados em contratos futuros de petróleo e vendidos em contratos futuros de açúcar e café. No acumulado do ano, eles estão ganhando no petróleo comprado pois o mercado subiu e ganhando no açúcar e café vendidos, pois ambos caíram.

A pergunta que não quer calar é qual o nível de preço do petróleo, numa eventual alta no mercado internacional, que faria os fundos liquidarem suas posições compradas e tomarem lucro ou, inversamente, qual o nível do preço do petróleo numa eventual queda que os faria estancar o prejuízo e liquidar a posição? Em ambas, diga-se, os fundos teriam que liquidar as posições vendidas de açúcar e café, recomprando-as. Quem venderia novos contratos de açúcar nos atuais níveis de preço ?

O preço do hidratado caiu bastante na semana impulsionado por vendas agressivas de produtores. O que está por trás disso? Fazer caixa ou travar a arbitragem positiva do etanol em relação ao açúcar, vendendo o hidratado no físico e comprando açúcar em NY para outubro, por exemplo?

Definitivamente o setor não é para amadores. Cada vez mais são necessários foco, disciplina e uma boa dose de criatividade na gestão de risco para adicionar valor ao acionista.

Uma semana de muita alegria em todo o Brasil para aqueles brasileiros que trabalham dura e honestamente e não estão pendurados em nenhuma teta estatal. Finalmente, o juiz Sérgio Moro decretou a prisão do condenado e ex-presidente Lula. Esta é apenas a primeira condenação e prisão, ainda faltam meia dúzia de processos que ela ainda está respondendo. Levanto um brinde aos meus leitores sorvendo deliciosamente uma dose de Blue Label (não, a Diageo não é nossa cliente, infelizmente, embora eu seja dela) celebrando esse momento épico da vida política brasileira. Ver um canalha como Lula, chefe de uma quadrilha de criminosos que levou o país ao nível mais baixo de podridão ética e moral da história, atrás das grades, não tem preço (não, a Mastercard também não é nossa cliente).

Estão abertas as inscrições para o 30º. Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas. O curso vai ocorrer nos dias 7, 8 e 9 de agosto, em São Paulo-SP, no Hotel Wall Street, na Rua Itapeva. Se você tem intenção de fazê-lo, lembre-se que as vagas são limitadas e nas últimas edições elas esgotaram 40 dias antes do início do curso (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)