Setor sucroenergético

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Grupo Raízen remaneja funcionários em usinas de São Paulo

A Usina Diamante, no distrito de Potunduva, em Jaú (SP), está importando mão de obra de outras cidades da região desde o fim do ano passado. A mudança no recrutamento de trabalhadores tem eliminado vagas no campo entre os moradores de Jaú, que tinham a empresa do grupo Raízen como principal empregador.

A vinda de profissionais de outras cidades aumentou após o anúncio do fechamento da unidade da Raízen em Dois Córregos, em novembro do ano passado. Na época, a empresa alegou que a medida tinha como objetivo “otimização da logística e da produção”. Funcionários de Barra Bonita também são remanejados diariamente.

O jornal Comércio do Jahu conversou com um trabalhador rural de Potunduva, que teve o nome preservado, e que relata cortes sucessivos de pessoal de Jaú. “Ninguém explica o que está acontecendo. Eles trazem o pessoal [de outras unidades], que já está registrado, e que ocupa todas as partes da usina: indústria, lavoura, mecanização e barcos”, comenta. Diariamente, três ônibus trazem o efetivo de fora, além dos funcionários que vêm ao distrito por meios próprios.

A importação de mão de obra preocupa o Sindicato dos Empregados Rurais de Jaú, que já pediu informações ao grupo Raízen. Por causa da reforma trabalhista aprovada no ano passado, as homologações de demissões não são mais feitas com intermediação da entidade. Em razão disso, não é possível precisar a quantidade de funcionários de Jaú demitidos. O sindicato estima que sejam “dezenas”.

“Nós sentimos muito pelos trabalhadores da região, mas Jaú não pode pagar essa conta, que é muito alta”, alerta o presidente do sindicato, José Luiz Stefanin Júnior.

Após o fechamento de usinas em Dois Córregos e Araraquara, no ano passado, a Justiça foi acionada e impediu as demissões em massa. A empresa nega que o remanejamento tenha relação com estes casos.

Por meio da assessoria de imprensa, a Raízen informou que realocou, a partir do final de 2017, “boa parte dos funcionários que atuavam na unidade Dois Córregos para trabalharem em outras unidades próximas”. “Este assunto não é objeto de negociação com o MPT. As demissões que porventura ocorreram após isso se deram de forma pontual”, conclui.

Considerada uma das mais bem localizadas usinas do grupo, a unidade Diamante já empregou 6 mil pessoas em Jaú, mas os números atuais são desconhecidos. A indústria produz açúcar e álcool e, apesar da mecanização da lavoura, emprega profissionais na abertura da plantação para entrada de maquinário, no fundo do canavial e em outros setores. (Comércio de Jaú 12/04/2018)

 

Usinas moem menos cana, mas produzem mais etanol e açúcar

Matéria-prima de melhor qualidade permitiu superar a última safra.

As usinas instaladas no centro-sul do país finalizaram a safra 2017/18 com queda na moagem de cana-de-açúcar em relação à safra passada.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (10) pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), entidade que representa os principais grupos sucroenergéticos do centro-sul, principalmente de São Paulo.

De acordo com a Unica, foram processadas 596,31 milhões de toneladas de cana entre abril do ano passado e o último dia 31, o que representa queda de 1,78% em relação às 607,14 milhões de toneladas moídas na safra anterior.

Apesar da redução, a produção de etanol e de açúcar foi superior à da última safra, graças à qualidade da matéria-prima.

O total de ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) atingiu 136,6 quilos por tonelada, maior índice desde a safra 2011/12 e que representa alta de 2,68% em comparação com os 133,03 quilos da safra 2016/17.

De acordo com o diretor-técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, o aumento na concentração de açúcares permitiu que a safra atingisse uma oferta total de 81,46 milhões de toneladas, compensando a queda na moagem e superando a oferta de ATR da safra passada em 1,72%.

ETANOL

Foram produzidos 26,09 bilhões de litros de etanol, 1,72% mais que os 25,65 bilhões do ano anterior. Desse total, a maior parte foi destinada ao álcool hidratado, utilizado diretamente no abastecimento de veículos, com 15,67 bilhões de litros.

“Mesmo com retração no volume de cana, o setor ampliou a oferta do renovável [etanol hidratado] em mais de 650 milhões de litros”, disse o diretor-técnico, via assessoria.

Já o etanol anidro, que é misturado à gasolina, teve produção de 10,42 bilhões de litros.

Também apresentou alta a produção de açúcar, com 1,21% de incremento em relação a 2016/17. Foram produzidas 36,05 milhões de toneladas, ante as 35,62 milhões da safra anterior.

A safra terminou com menos usinas em operação: 78 agora, enquanto no fim de março de 2017 84 estavam moendo cana. No centro-sul, há 278 usinas. (Folha de São Paulo 11/04/2018)

 

Açúcar: Preço do cristal inicia safra em alta e o do etanol em forte queda

A nova safra sucroalcooleira 2018/19, iniciada oficialmente em 1º de abril no estado de São Paulo, vem registrando altas nos preços do açúcar cristal e quedas nos do etanol, segundo indicam pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. A projeção de uma safra mais alcooleira tem sido o principal fator de sustentação para as altas dos preços do açúcar neste início de moagem, quando a maior parte dos primeiros lotes da cana é direcionada à produção do etanol.

AÇÚCAR

Desde o início de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (cor Icumsa de 130 até 180) subiu quase 3%, fechando a R$ 54,97/saca de 50 kg nessa terça-feira, 10. Pesquisadores do Cepea indicam que compradores até diminuíram o ritmo das aquisições no mercado spot diante das recentes altas, mas usinas estão firmes nos valores de venda.

ETANOL

O preço do etanol hidratado recuou significativamente no estado de São Paulo na primeira semana oficial da safra. Entre 2 e 6 de abril, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado foi de R$ 1,6499/litro, 8,44% inferior ao da semana anterior. Vale lembrar que, em período equivalente de 2017, a queda foi bem menor, de 3,25%, enquanto que, na primeira semana de moagem de 2016, a baixa chegou a 13,4%. Para o anidro, o Indicador CEPEA/ESALQ fechou em R$ 1,8691/litro, recuo de 2,17% frente à semana anterior. De acordo com pesquisas do Cepea, a pressão sobre os valores dos dois etanóis vem do aumento da oferta proporcionalmente maior que o observado para a demanda.

SAFRA 2017/18

Média do açúcar no último mês da safra é o menor em 10 ciclos

Em março, mês de encerramento da safra 2017/18, o Indicador do açúcar cristal CEPEA/ESALQ teve média de R$ 51,32/saca de 50 kg, a menor das últimas 10 temporadas, em termos reais. O patamar de março passado não era observado desde dezembro/08, quando a média do Indicador foi de R$ 51,77/saca de 50 kg – os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de março/18. O recuo dos preços esteve atrelado à oferta de açúcar em volume suficiente para atender à demanda nos meses de entressafra.

Preço médio do etanol na safra 17/18 fica abaixo do da temporada anterior

A temporada 2017/18 de São Paulo registrou preços dos etanóis hidratado e anidro abaixo dos verificados na safra anterior, em termos reais (valores deflacionados pelo IGP-M de março/18). Considerando-se os Indicadores CEPEA/ESALQ mensais, de abril/17 a março/18, a média do hidratado, de R$ 1,6021/litro (sem ICMS e sem PIS/Cofins), foi 3,7% inferior à da temporada 2016/17, em termos reais. Para o anidro, a média do Indicador foi de R$ 1,7735/litro (sem PIS/Cofins) na temporada 2017/18, pouco mais de 4,1% abaixo do da temporada anterior.

Mesmo com o consumo de etanol hidratado atingindo recordes em alguns períodos, pesaram na média final da safra 2017/18 os menores preços registrados na primeira metade da temporada, que, por sua vez, recuaram devido à maior oferta do combustível – ainda que houvesse redirecionamento de parte da cana-de-açúcar destinada à produção do etanol para a de açúcar. A maior liquidez do etanol e a necessidade de capital de giro de usinas com baixo nível de capitalização também influenciaram as quedas no início da safra. (Reuters 11/04/2018)

 

Produção de cana supera as expectativas

A safra sucroalcooleira 2017/18 do Centro-Sul terminou com uma produção de açúcar e de etanol hidratado superior às estimativas iniciais do mercado e da indústria devido à forte recuperação do rendimento da cana-de-açúcar, favorecida pelo clima, e volume maior de matéria-prima moída.

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a moagem de cana do ciclo somou 596,313 milhões de toneladas, redução de apenas 1,78% ante 2016/17. No início da temporada, porém, a própria associação estimara que a moagem seria menor, de 585 milhões de toneladas.

Surpreendeu particularmente o teor de sacarose na cana, medido pela quantidade de açúcares totais recuperáveis (ATR), que ficou em 136,6 quilos por tonelada de cana moída, um aumento de 2,68% ante a safra passada. No total, portanto, a quantidade de sacarose nas usinas foi de 81,457 milhões de toneladas, um leve aumento de 0,85%.

A estimativa inicial era que o ATR total ficaria em 78,624 milhões de toneladas. O ATR é influenciado pelo clima. Quanto mais seco o tempo, como se observou durante o inverno, maior a concentração de sacarose na cana.

Esse maior rendimento compensou a redução da produtividade no campo. Segundo dados o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade ficou em 75,99 toneladas por hectare, queda de 1,02%.

Como isso, as usinas do Centro-Sul puderam elevar sua produção de açúcar em 1,21%, para 36,059 milhões de toneladas - acima da estimativa inicial da Unica, de 35,2 milhões de toneladas.

A produção só não foi maior devido à mudança de mix no meio da safra. No acumulado de 2017/18, 46,46% da sacarose foi para produzir o açúcar, mais que na safra anterior, mas abaixo dos 46,99% estimados. A produção de etanol também aumentou, mas o crescimento foi voltado ao hidratado, que ficou mais competitivo ante a gasolina principalmente após mudanças tributárias. Foram produzidos 15,672 bilhões de litros de etanol hidratado, um crescimento de 4,49% ante a safra passada e acima dos 13,861 bilhões projetados inicialmente.

Já a produção de etanol anidro, misturado à gasolina, caiu 2,19%, a 10,420 bilhões de litros, dada a migração da demanda do combustível fóssil para o etanol hidratado. A previsão era de 10,838 bilhões de litros. Do volume total de etanol produzido, a Unica identificou que 521,58 milhões de litros foram fabricados a partir do milho, alta de 123% em relação a 2016/17.

Para o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, o maior destaque foi a alta na produção de etanol hidratado. "Mesmo com retração no volume de cana, o setor ampliou a oferta do renovável em mais de 650 milhões de litros". Em toda a safra, operaram 278 usinas. (Valor Econômico 11/04/2018)

 

Açúcar: exportações da Índia, produção da China e clima favorável no BR levam mais perdas a NY

Junto com o componente que derrubou o açúcar ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o ganho na safra brasileira do Centro-Sul em 17/18, o mercado nesta quarta (11) precificou mais fundamentos. E todos os contratos de 2018 recuaram um pouco mais, de 7 a 8 pontos.

Vale dizer que o maio, apesar de quase encostado nos 12 c/lp cravados, fechou em 12.06, não é mais considerado o contrato driver, e sim os dois próximos. Nesse caso, também houve rolagem de posições do contrato maio.

A tendência longa continua de que eles cheguem mais próximos de entrar na fronteira dos 11 c/lp, especialmente o julho, como o Notícias Agrícolas já vem dando há algum tempo com o suporte de Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.

Na sessão de hoje, portanto, o julho saiu fixado em 12.12 e o outubro a 12.40.

O alimento sentiu o peso das notícias da Índia sobre exportações compulsórias de 2 milhões de toneladas, que vieram agora na esteira da decisão de dois dias atrás do governo em pagar um bônus por tonelada de cana entregue às usinas. Enquanto fortalece sua produção no campo, essencial para o equilíbrio social e político, o país se vê forçado a enxugar o excedente, da ordem de 4 mi/t, via mercado externo.

O segundo fundamento, de acordo com o Muruci, foi o informe da China, mostrando uma evolução de 42% de produção de açúcar em março, acumulando alta de 10% no ano, para 8 milhões de toneladas. Isso limita naturalmente o apetite importador, que, para o Brasil, já vinha limitado, e muito, com sobretaxa imposta em 2017 contra o adoçante brasileiro.

O mercado climático também entrou no jogo, lembrou o analista da Safras, com os agentes acompanhando o tempo bom, já em três semanas no Brasil, e sem risco de chuvas até para mais de uma semana a frente, portanto, sem atrapalhar a colheita e a moagem na safra 18/19 recém-iniciada.

Tudo isso, mais os dados da Única, a entidade principal das indústrias, que na sessão da véspera fortaleceu a queda de Nova York, com o reporte mostrando aumento de 1,2% de açúcar na safra 17/18, 36 mi/t, e que superou suas próprias estimativas anteriores, tiram o apetite por um mercado muito inchado de oferta. (Notícias Agrícolas 11/04/2018)

 

Parceria entre Embrapa e Agrícola NovAmérica busca maior produtividade da cana-de-açúcar em ambientes restritivos

Experimento implantado em Caarapó, por meio de parceria com a Agrícola NovaAmérica, pretende contribuir com recuperação de solo arenoso em prol da produção de cana-de-açúcar.

A produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul foi de 49 milhões de toneladas, cultivados em 665,4 mil hectares de canaviais na safra 2017/18, resultando numa produção de açúcar correspondente a 1,66 milhão de toneladas e numa produção de etanol total estimada em 2,811 bilhões de litros. Segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), o Estado é o quinto maior produtor de cana-de-açúcar do país e está se consolidando como um dos Estados brasileiros com vigorosa expansão da cultura.

O Mato Grosso do Sul possui um amplo potencial produtivo, com uma matriz de uso e ocupação do solo diversificada, em que se cultivam soja, milho, algodão, arroz, cana-de-açúcar, pastagens, eucalipto, seringueira, além de erva-mate, café, frutas e hortaliças.

Dada as diferentes características de clima, relevo, temperatura, umidade do ar, radiação, tipo de solo, e precipitação pluvial existentes no Estado, as pesquisas da Embrapa Agropecuária Oeste, localizada em Dourados, buscam fornecer respostas e soluções que possam contribuir com a melhoria da capacidade produtiva dos sistemas produtivos regionais. Uma atenção especial vem sendo dada pela Unidade aos estudos com cana-de-açúcar no Mato Grosso do Sul.

Por meio de parcerias com a Biosul, desenvolvimento de projetos de pesquisas com Usinas, capacitações, agrícolas, entre outros, a Unidade da Embrapa vem avançando em busca de resultados que possam agregar valor a esse importante setor produtivo.  Dentre as diversas iniciativas, destaca-se um experimento recém implantado numa área de seis hectares na Agrícola NovAmérica, em Caarapó, que pretende contribuir com respostas relacionadas a recuperação de solos arenosos, ocupados com pastagens degradadas, para implantação de lavouras de cana-de-açúcar.

“A equipe da Embrapa Agropecuária Oeste tem buscado atender as demandas do setor canavieiro do Estado e, para isso, estamos com trabalhos fortes com cana-de-açúcar sendo realizados, com bons projetos aprovados, parcerias importantes e experimentos implantados. Essa é uma das linhas de pesquisas prioritárias da Unidade”, destaca o Chefe Geral da Unidade, Guilherme Lafourcade Asmus.

Cana-de-açúcar

Segundo o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, José Rubens Leme Filho, a cana-de-açúcar é uma gramínea semi-perene; de sistema radicular fasciculado e muito dependente das condições físicas e químicas dos solos até a profundidade de 80-100 cm, sendo que essas características reforçam a importância da qualidade do solo para o desenvolvimento da atividade.

“Uma lavoura de cana bem manejada pode produzir por até dez anos de forma consecutiva, sem necessidade de renovação. Mas, isso está diretamente relacionado a qualidade do solo no período de implantação do canavial, além das estratégias de manejo adotadas”, explica Leme Filho. O pesquisador é responsável pela liderança do projeto de pesquisa intitulado CanaMS, que está sendo executado até 2021, e que pretende contribuir com o aperfeiçoamento do sistema de produção de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul.

Evolução da pesquisa

As atividades de alinhamento de agendas entre a Embrapa e a Biosul teve início em 2012, quando foi realizado o primeiro Seminário, que buscava identificar demandas de pesquisa junto ao setor produtivo regional. “De lá para cá as parcerias só foram se fortalecendo e ampliando. O experimento mais recente foi instalado em março, numa área de 6 hectares, na Agrícola NovAmérica, em Caarapó”, explica o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste, Cesar José da Silva.

Segundo Silva, se trata de uma Unidade Experimental Multidisciplinar (UEM), vinculado ao Projeto de Pesquisa CanaMS, com o objetivo de dar respostas ao Plano de Ação que busca implementar sistemas de produção, com o objetivo de melhorar o ambiente produtivo da cana-de-açúcar, buscando ampliar o cultivo em ambientes restritivos, que tem como características solos de textura arenosa, com baixa fertilidade e baixa capacidade de retenção de água.

“O objetivo dessa Unidade é propor sistemas que visam melhorias dos sistemas de produção, através do uso de doses de corretivos (calcário e fosfato), sistemas de incorporação de calcário profunda com arado de aiveca em comparação ao preparo tradicional com grade aradora e preparo com subsolagem”, explica Cesar.

Para isso, estamos utilizando alguns sistemas que antecedem o plantio da cana-de-açúcar. Após a eliminação da pastagem degradada, retirada da vegetação espontânea e o preparo do solo, citado anteriormente, implantamos plantas de cobertura, como a Brachiaria brizantha, cultivar Xaraés, seguido de crotalária, para só então inserir a cana-de-açúcar. O cultivo de plantas de cobertura e adubos verdes após o preparo intensivo do solo para sistematização e incorporação dos corretivos, visa manter a cobertura e promover a estruturação do solo, protegendo contra o efeito erosivo das chuvas nos meses verão.

“Essa é uma pesquisa de longo prazo, que propõe um manejo diferenciado do solo, com o objetivo específico de melhorar a sua qualidade, que acreditamos terá maior capacidade de retenção de água, melhor fertilidade, incremento de biomassa e quem sabe proporcionando até ampliação da vida útil e da capacidade produtiva do canavial ao longo dos anos”, explica o pesquisador.

Experimento

O pesquisador responsável pela implantação do experimento na Agrícola NovAmérica, Carlos Hissao Kurihara, explica que na Unidade Experimental serão avaliados os aspectos fitotécnicos, de fertilidade do solo e da nutrição de plantas. “E como o próprio nome sugere, envolve várias avaliações multidisciplinares, tais como: microbiologia do solo, avaliação econômica, avaliação de balanço de energia e tudo isso é feito com apoio e acompanhamento dos técnicos da Agrícola.

Kurihara explica que foram implantados três sistemas distintos e que essa demanda surgiu em função do plano de expansão da Agrícola NovAmérica que pretende instalar canaviais em áreas com solos arenosos, classificados como ambientes restritivos.

Parceria de sucesso

O Supervisor de Planejamento Agronômico da Agrícola NovAmérica, Cleir Inácio Matheus Pereira Junior, explica que esse projeto pode contribuir com a estabilidade de produção da empresa e se diz satisfeito com a parceria. “A Embrapa é uma instituição de pesquisa renomada e que tem uma equipe de profissionais altamente qualificada”, acrescenta.

“Buscamos técnicas que nos auxiliem a ter êxito e possam nos apresentar soluções para esse processo de expansão e implantação de canaviais em ambientes restritivos. A Unidade da Agrícola NovAmérica em Caarapó está em crescimento e buscamos novas tecnologias e estratégias de manejo que proporcionem melhorias na qualidade do solo”, acrescenta Cleir.

Segundo ele, atualmente, 52% dos canaviais da Agrícola estão instalados em ambientes restritivos classificados na escala D e E. Apenas 12% está sendo cultivado em ambiente A e B e explica “indo de Caarapó no sentido de Dourados ou Amambai estão os melhores ambientes. Já no sentido de Juti, os ambientes são desfavoráveis. Esses locais, por sua vez, não são muito utilizados para o cultivo de soja devido aos baixos resultados de produtividade e, por isso, temos mais disponibilidade de novas áreas para ampliação de canaviais nessas regiões”. (Embrapa 11/04/2018)

 

Justiça autoriza arrendamento da Usina Guaxuma

O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) autorizou, na semana passada, o arrendamento da Usina Guaxuma, da massa falida da Laginha Agroindustrial (do grupo João Lyra) para a Usina Coruripe, do Grupo Tércio Wanderley e pela Impacto Energia. Com o arrendamento, a usina voltará a operar por um período previsto de, no mínimo, 11 anos.

“O negócio jurídico proporcionará inúmeros benefícios para a massa falida e para os credores, permitindo, após a retomada das atividades, a geração de emprego e renda e o desenvolvimento socioeconômico da região”, afirmaram os juízes Leandro Folly, José Eduardo Nobre Carlos, Marcella Pontes e Phillippe Alcântara, responsáveis pelo processo, em nota.

A usina Guaxuma é uma das três que compõem a massa falida da Lagina. A unidade tem capacidade de processar até 1,8 milhão de toneladas de cana por safra e é considerada a mais produtiva. (Valor Econômico 11/04/2018)