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Uma nova perspectiva para o etanol

As perspectivas para a indústria americana de etanol mudaram completamente ontem, após breve declaração de Donald Trump.

O presidente dos EUA disse que "provavelmente" autorizará a venda de gasolina com 15% de etanol durante o ano inteiro.

Hoje, as vendas são proibidas no verão por causa da maior volatilidade do álcool sob alta temperatura.

Se confirmada, a medida abrirá um mercado de 26 bilhões de litros nos EUA e mudará o mercado mundial de etanol, com reflexos positivos no Brasil. (Valor Econômico 13/04/2018)

 

Cápsulas biodegradáveis são usadas no controle de pragas na cana-de-açúcar

Com o uso da tecnologia do drone, as cápsulas são lançadas nas plantações.

 O combate a pragas de lavouras é feito de forma bem diferente em Barra Bonita (SP). Uma inovação que também ajuda na preservação do Meio Ambiente. Com o uso da tecnologia dos drones, cápsulas biodegradáveis são lançadas nas plantações de cana de açúcar.

A bióloga e engenheira agrônoma Gabriela Vieira da Silva é uma das responsáveis pela idealização dessas cápsulas. Ela participa de uma startup em uma incubadora de empresas que há um ano e meio vem trabalhando no desenvolvimento das cápsulas biodegradáveis.

O formato e o tamanho lembram uma bola de tênis e podem ser feitas de diversos materiais, entre eles celulose e bagaço de cana.

“Hoje estamos usando na cana-de-açúcar, mas também podemos usar na soja, no milho, tomate e outras culturas que têm o controle biológico através da liberação de parasitóides. O principal ponto é a mecanização da liberação”, explica a bióloga.

E é justamente lá na lavoura onde tudo acontece.

A Raphaella Gomes é diretora de inovação de uma empresa que produz os derivados da cana-de-açúcar e também a mais nova cliente deste projeto.

"E esse futuro que está vindo não só vem com várias tecnologias que têm uma possibilidade de romper com os negócios existentes, mas também essas novas tecnologias também podem ajudar a resolver os desafios do desenvolvimento sustentável”, completa.

Neste novo método, as cápsulas são feitas de um material biodegradável por isso contribuem para uma agricultura sustentável. Bem diferente do que acontece há 40 anos, na maioria dos canaviais, onde o controle biológico é feito com o uso de copo plástico.

“A gente pega um processo que era feita de forma manual com o uso de plástico. Agora você pega o drone com a cápsula tem um ponto muito significativo em um aspecto: precisão. Eu sei exatamente como será feita essa aplicação. Menos recursos, menos tempo. É um método sustentável e eficaz”, destaca a diretora.

Além disso, a bióloga explica que o processo também é mais seguro. “As cápsulas têm orifício por onde as vespas saem. Então a cápsula não abre no canavial, e sim saem pelos os orifícios contidos nela. Tiramos os trabalhadores dessa função [de espalhar os copos plásticos] diminuindo o risco de acidentes. Fazemos liberação e áreas menores e um tempo menor. E tiramos o copo plástico e coloca as cápsulas biodegradáveis. Então aumenta a eficiência do controle.”

Um controle biológico mais eficiente, veloz e sem danos ambientais nas lavouras. Pedro Barbieri trabalha na área de projetos agrícolas da usina desde o ano passado. Ele explica que a broca costuma surgir no período chuvoso e é uma das piores pragas do canavial.

"A broca é uma praga que deposita os ovos perto da folha. Aí a larva entre e se aloja. O que vira uma porta de entrada para bactérias. Perco muito açúcar. Essa larva apodrece e tem potencial de matá-la. Esse projeto é interessante porque o controle dela é muito difícil. O problema hoje é como a gente faz essa dispersão. Os operadores que entrar no canavial. É um trabalho bem desgastante. O drone não tem preguiça, ele faz o canavial inteiro, tem um rendimento alto”, destaca o engenheiro agrônomo.

A expectativa dos responsáveis pelo projeto é expandir a ideia para além do canavial. E o custo para o produtor fica praticamente o mesmo.

“Com o aumento da eficiência, a gente consegue reduzir o custo. A cápsula é feita de um material barato. Diferente do copo plástico. E se o controle tiver que continuar, faz mais uma aplicação”, explica a bióloga. (G1 16/04/2018)

 

Reativação de duas usinas vai gerar 2.000 empregos diretos

O setor canavieiro de Minas Gerais, que viu 11 usinas fecharem ou paralisarem as atividades nos últimos dez anos, está recuperando o fôlego. Duas delas serão reativadas no Triângulo Mineiro, com geração de aproximadamente 2.000 empregos diretos. Vão recuperar pelo menos 15% das 12 mil vagas fechadas no setor desde 2008.

A moagem vai começar só em 2020, mas os empreendedores já estão começando a plantar cana para produção de açúcar, álcool e energia. As unidades foram compradas em leilões, no fim do ano passado, e receberão cerca de R$ 200 milhões de investimentos, fora os custos com a aquisição, que ultrapassam R$ 340 milhões.

Na cidade de Canápolis, a antiga Triálcool foi comprada por acionistas da Companhia Mineira de Açúcar e Álcool (CMAA), em um leilão realizado no dia 7 de dezembro de 2017, por R$ 133,86 milhões. O grupo, que já possui outras duas unidades no Triângulo, em Uberaba e Limeira do Oeste, investirá mais R$ 100 milhões na reativação.

“Já começamos a plantar em uma área de 1.000 hectares. Em 2019, vamos plantar mais 4.000 hectares. Nossa primeira safra será em 2020 e nosso objetivo é gerar mais de 5.000 empregos diretos e indiretos na operação”, explica o diretor administrativo e financeiro da CMAA, Jeferson Degaspari. A capacidade é de 1,85 milhão de toneladas de cana-de-açúcar.

Em Capinópolis, a antiga usina Vale do Paranaíba foi arrematada por R$ 206,35 milhões e passa a se chamar CRV Minas. Os investimentos vieram do grupo Japungu, da Paraíba, que ainda vai investir R$ 95 milhões na reativação. O plantio da cana-de-açúcar também já começou, assim como o processo de contratação.

“Essas duas usinas estavam paralisadas havia cerca de quatro anos. Juntas, terão capacidade de produzir 4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar”, afirma o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos. Quando estiverem em plena operação, CRV e Canápolis vão recuperar cerca de 40% da produção perdida nos últimos dez anos. Segundo a Siamig, as 11 usinas fechadas tinham capacidade de 10 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Tanto a Canápolis (Triálcool) como a CRV Minas (Vale do Paranaíba) faziam parte da massa falida da Laginha Agroindustrial, que teve a falência decretada em 2014. O dinheiro arrecadado com os leilões foi direcionados para credores, fornecedores de serviços e pagamento de tributos.

Minas deve colher 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar

Para a safra 2018/2019, a expectativa da Associação das Indústrias Sucroenergéticas do Estado de Minas Gerais (Siamig) é colher 65 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, praticamente o mesmo volume da safra anterior. “Esperamos um novo recorde para a produção de etanol, com 3 bilhões”, anuncia o presidente da Siamig, Mário Campos.

Na avaliação de Campos, depois dos consecutivos fechamentos de usinas nos últimos dez anos, a retomada da antiga Triálcool (Canápolis) e da Vale Paranaíba (CRV Minas) vai ampliar a oferta.

“Nos últimos anos tivemos uma série de fechamentos de usinas e, infelizmente, isso gerou muito desemprego. Agora, com a reativação dessas duas unidades no Triângulo, vamos ter mais condições de aumentar a oferta no Estado”, afirma Campos.

Gasolina é a mais cara da “nova era”

Os preços da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras atingiram o maior valor desde que os reajustes passaram a ser diários, em julho de 2017. A alta acompanha elevação das cotações internacionais do petróleo no mercado internacional.

Nessa quinta-feira (12), a Petrobras anunciou aumento de 0,8% no preço da gasolina, que passará a ser vendida por suas refinarias a R$ 1,6968 por litro a partir desta sexta-feira (13). O diesel será elevado em 2%, para R$ 1,9549 por litro. Nos dois casos, é o quarto aumento seguido, acompanhando a alta da cotação internacional do petróleo, que reage ao risco de ação militar dos Estados Unidos na Síria.

Na última quarta-feira, o barril negociado em Londres fechou em US$ 72,06, 1,42% a mais do que no dia anterior. Durante o pregão, chegou a superar os US$ 73 pela primeira vez desde novembro de 2014.

No meio do ano passado, a direção da Petrobras autorizou a área técnica da companhia a realizar ajustes diários nos preços, com o objetivo de melhorar as condições de competição com combustíveis importados por terceiros. Desde a última semana de junho, o preço da gasolina subiu 26% nas refinarias, considerando o reajuste desta sexta.

Nas bombas. A gasolina custava, na semana passada, R$ 4,217 por litro, 20% a mais do que no fim de junho. O litro do diesel custava R$ 3,396 na semana passada, alta de 12%. (O Tempo Siamig 13/04/2018)

 

Valores de etanol caem com força nas usinas de São Paulo

As cotações dos etanóis anidro e hidratado registraram queda significativa no mercado spot paulista. Segundo informações do Cepea, a moagem da nova temporada 2018/19 e a necessidade de “fazer caixa” por parte de algumas usinas pressionaram as cotações dos produtos.

Entre 9 e 13 de abril, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de R$ 1,5212/litro, recuo de 7,8% frente ao do período anterior. No caso do etanol anidro, o Indicador Cepea/Esalq fechou em R$ 1,6955/litro entre 9 e 13 de abril, baixa de 9,29% em relação ao anterior.

Para o anidro, pesou também o volume disponível para venda no mercado spot da produção da safra 2017/18 (previsto na Resolução n. 67 da ANP). (ESALQ / Cepea 17/04/2018)

 

Etanol ficou sem competitividade nos postos do país na semana passada

Apesar da queda dos preços do etanol na porta das usinas, os preços do hidratado continuaram subindo nos postos da maior parte do país na semana passada a ponto de perderem competitividade no único Estado onde ainda estava mais vantajoso do que a gasolina: em Mato Grosso.

De acordo com levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) entre os dias 8 e 14 deste mês, os preços do etanol subiram nos postos de 16 Estados e do Distrito Federal (DF) e só caíram em nove. Não houve pesquisa no Amapá. Em Mato Grosso, onde o preço do etanol ainda estava abaixo de 70% do valor da gasolina, patamar mais aceito pelo mercado para medir a equivalência de rendimento entre ambos, até a semana anterior, o litro do biocombustível subiu 2,3%, para R$ 2,975 o litro. A alta do etanol foi mais expressiva do que a da gasolina e seu preço passou a corresponder a 70,2% o valor do combustível fóssil no Estado.

Com isso, não há nenhum Estado em que o etanol tenha ficado economicamente mais vantajoso do que a gasolina na semana passada.

Porém, o preço do etanol já começa a cair em praças importantes de consumo, como em São Paulo. Nos postos paulistas, o etanol recuou 0,8% na semana passada, para R$ 2,848 o litro. O valor, porém, ainda foi de 71,1% o preço da gasolina. Em Minas Gerais, outro importante polo consumidor, o litro do etanol caiu 0,81%, para R$ 3,196 o litro, 71,3% o valor da gasolina.

Os preços do etanol recebidos pelas usinas de São Paulo têm sofrido queda vertiginosa desde meados de março, quando algumas usinas já começaram a retomar a moagem após o período de manutenção. Na semana entre 9 e 13 deste mês, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado no Estado ficou em R$ 1,5212 o litro, queda de 7,8% em apenas uma semana, acumulando recuo de 20% em quatro semanas. (Valor Econômico 16/04/2018)

 

Ação da Copersucar gera maior honorário advocatício da história do país

Pagamento de R$ 563,5 milhões é referente a uma ação da Copersucar criada 20 anos atrás contra o Instituto de Açúcar e Álcool (IAA).

Segundo reportagem do Valor Econômico, uma ação de indenização por congelamento de preços na década de 1980 será responsável pelo pagamento do maior honorário a escritório de advocacia da história do país.

Após 20 anos na Justiça, a Copersucar receberá R$ 5,6 bilhões do Instituto de Açúcar e Álcool (IAA) em pagamento parcelado pelo congelamento. O pagamento da indenização será feito de forma parcelada, 15% até dezembro e o restante em cinco vezes. Mas os precatórios do escritório devem ser pagos à vista.

O escritório Dias de Souza Advogados deve receber R$ 563,5 milhões pela representação da cooperativa na ação. O valor corresponde a 10% do valor do precatório federal. O jornal levantou com os maiores escritórios de advocacia que não há notícia de outro pagamento desta ordem.

Além disso, a Dias de Souza Advogados também representa a Copersucar em outra ação, que gira em torno de R$ 7 bilhões.

O direito à indenização por força do descumprimento, pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), dos artigos 9º, 10 e 11, da Lei 4.870/65 ao fixar preços de derivados da cana na época. (Valor Econômico 16/04/2018)

 

Diretor financeiro e de RI da Biosev renuncia

A Biosev informou ao mercado que Paulo Prignolato, que ocupava a diretoria financeira e de relações com investidores da companhia, apresentou sua renúncia ao cargo hoje ao conselho de administração da companhia.

Prignolato, contratado com diretor financeiro pela Biosev em 2013, será substituído temporariamente por Gustavo Lopes Theodozio até a reunião do conselho de administração que ocorrer após a próxima assembleia de acionistas que aprovar o balanço da safra 2017/18. Theodozio já atuou na área financeira da Vigor, da Itambé e da Unipar Carbocloro.

Em nota, Rui Chammas, presidente da Biosev, diz que Theodozio “vem agregar relevante experiência à companhia, com a missão de continuar a implementação do seu plano de negócio”. Haverá um período de transição entre os executivos para, segundo Chammas, “assegurar a manutenção da gestão profissional que vem sendo realizada pela companhia”.

A troca do comando da diretoria financeira e de relações com investidores da Biosev ocorre logo após a confirmação da maior operação financeira de sua história.

Também hoje, os acionistas da companhia aprovaram, em assembleia geral, o aumento de capital acertado pelo comando da Biosev com os bancos credores no mês passado como contrapartida para a repactuação dos termos do pagamento de uma parte de sua dívida. Pringolato participou das negociações com 11 bancos que resultou na alteração dos termos de pagamento de uma dívida de R$ 3,66 bilhões.

Participaram da assembleia de hoje os representantes da Louis Dreyfus Company, através dos veículos de investimento Sugar Holdings B.V, NL Participations Holding 2 B.V., NL Participations Holding 4 B.V. e Hédera Investimentos e Participações Ltda, e do International Finance Corporation (IFC), braço corporativo do Banco Mundial, que detém 5,84% das ações da companhia.

Não participou da assembleia nenhum representante da Santelisa Participações, de Walter Biagi e Celma Marconato, que atualmente têm 5,51% do capital da Biosev.

O aumento de capital mínimo, caso os sócios minoritários não adiram à subscrição de ações, é de R$ 3,459 bilhões, e o aumento de capital máximo, caso todos os acionistas adiram à medida, será de R$ 4,793 bilhões.

Com a subscrição mínima, o capital social da Biosev iria a R$ 6,077 bilhões. A subscrição máxima elevaria o capital da companhia a R$ 7,411 bilhões.

Os acionistas detentores de papéis até esta segunda-feira terão 30 dias para exercer seu direito de preferência na proporção da participação que possuem na companhia. Após esse período, todos acionistas poderão manifestar interesse nas sobras de ações não subscritas, que serão rateadas. (Valor Econômico 16/04/2018)

 

Açúcar: velocidade de queda do julho em NY deve levar mercado mais para o spot

Mesmo não sendo mais o contrato driver para o açúcar, o maio entrando na casa dos 11 c/lp na Bolsa de Nova York (ICE Futures) nesta abertura de semana leva à questão sobre a velocidade a qual o julho pode romper abaixo dos 12, reforçando a dúvida que permeia os exportadores há alguns dias: fixar o preço nessa faixa, já na zona de prejuízo, ou arriscar no spot. Essa segunda opção já começa a ser mais considerada.

Na verdade, a ida da tela do próximo mês a 11.98 c/lp, perdendo 10 pontos sobre a sexta, é um marco meramente psicológico, mas carrega para o julho (fechou em 12.17, com menos 3) uma quantidade expressiva de posições em aberto de entregas físicas do açúcar, tão baixas quanto foram em março. “O que reforça a tendência mais baixista”, explica Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado.

Se se considerar o segundo contrato, portanto, como pico de safra no Brasil, coincidindo com a finalização do ciclo na Ásia, e seu excedente de 6 a 7 milhões de toneladas, crio-use um cenário de pressão que o traders estão com pouca ou nenhuma margem de manobra.

“O mercado tende a ser de fato mais spoteiro”, responde Ana Cláudia Cordeiro, da Canex Exportação, fazendo coro ao que João Paulo Botelho, da INTL FC Stone, disse sexta-feira ao Notícias Agrícolas. E mercado livre, com o tamanho dos inventários mundiais, também não deverá fugir da referência de Nova York.

Tem muito açúcar ainda sem preço. Entre 10 a 12 milhões de toneladas. E terão que ir para o mercado de um jeito ou de outros, pois a maioria das usinas de São Paulo, por exemplo, não têm capacidade operacional de somente produzirem etanol.

O agravante, como lembrou Ana Cláudia, é que já houve prejuízo, com prefixação “contra a tela”, mediante um adiantamento. E se deram mal.

Para completar, o etanol caiu muito nas usinas, quase 8%, pelo Cepea/Esalq na semana de 9 a 13 -, e o mercado brasileiro também não tem capacidade para absorver mais açúcar do que já consome. Produto que também vem sob pressão de safra, ainda que perderá de 5 a 6 milhões de toneladas para o etanol. (Notícias Agrícolas 16/04/2018)

 

Biosev anuncia encerramento da safra 2017/18 com moagem recorde

Moagem de 32,7 milhões de toneladas e 89,7% de taxa de utilização são recordes históricos da companhia.

A Biosev encerrou a safra 2017/18 com moagem de 32,7 milhões de toneladas, o maior volume dos últimos sete anos e 3,6% superior ao realizado na safra passada, quando foi registrada moagem de 31,5 milhões de toneladas. De acordo com a companhia, somente a unidade Santa Elisa responde por seis milhões de toneladas, alcançando também um volume recorde de moagem.

Ainda conforme a Biosev, a quantidade de Açúcar Total Recuperável (ATR) do período cresceu 3,5% na comparação anual e totalizou 4,2 milhões de toneladas nos doze meses da safra. Em relação à moagem, o ATR correspondeu a 128,9 kg por tonelada de cana-de-açúcar. Esse índice, segundo a empresa, “permaneceu em linha com a safra anterior”.

Outra marca de destaque levantada pela própria companhia é a elevação da taxa de utilização de capacidade para 89,7%. Isso representa um acréscimo de 3,1 pontos percentuais em relação ao valor registrado na safra passada.

“Esses resultados confirmam a eficácia das melhorias aplicadas na gestão agrícola e industrial da Biosev”, aponta a empresa, que continua: “Na área agrícola, a melhoria da produtividade no campo, incluindo a implementação de novo modelo de plantio, contribuiu para a formação de um canavial mais jovem, com longevidade aumentada, reduzindo a taxa de renovação dos canaviais para as próximas safras”.

Por sua vez, na área industrial, a empresa afirma que tem investido em um programa de manutenção com o intuito de elevar a confiabilidade dos equipamentos e acelerar a evolução dos processos industriais. “Como resultado, nos últimos sete anos, a produção, medida pelo ATR Total cresceu 15,4%”, garante.

A Biosev ainda anunciou que atingiu o guidance de Capex de R$1.141 milhões. Esse número, contudo, ficou abaixo do limite inferior do guidance revisado, divulgado ao mercado em 9 de agosto de 2017.

“Os resultados refletem os avanços do nosso projeto empresarial, que tem como estratégia o desenvolvimento de canaviais de alta qualidade combinados a unidades industriais de alta confiabilidade operacional e eficiência de processos, ao menor custo de produção”, explica Rui Chammas, presidente da Biosev. (Biosev 13/04/2018)

 

Chevron e Exxon querem isenção em lei de biocombustíveis nos EUA, dizem fontes

As gigantes globais de energia Chevron e Exxon Mobil requisitaram aos reguladores dos Estados Unidos isenções à política de biocombustíveis da nação que, historicamente, são reservadas para pequenas empresas em dificuldade financeira, de acordo com fontes próximas à questão.

O pedido vai adicionar combustível a uma disputa entre os chamados “Big Oil” e “Big Corn” sobre como a administração do presidente Donald Trump deveria tratar o Renewable Fuel Standard (RFS), uma lei de 2005 que obriga refinarias de petróleo a misturar biocombustíveis, como etanol à base de milho, à oferta nacional de combustíveis ou comprar créditos de produtores.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA, na sigla em inglês) já emitiu um total incomum de 25 isenções por dificuldades para pequenas refinarias nos últimos meses, de acordo com uma fonte da agência, baixando os preços do crédito de mistura e ajudando a indústria de petróleo a reduzir os custos.

Porém, a agência não revelou quais são essas companhias, citando preocupações com a divulgação de informações privadas das empresas.

Tanto a Chevron quanto a Exxon, entre as empresas de energia mais lucrativas do mundo, pediram à EPA isenções para suas fábricas menores, a refinaria da Chevron em Utah com capacidade para 54,5 mil barris por dia (bpd), e a da Exxon de 60 mil em Montana, disseram à Reuters duas fontes próximas ao assunto, na condição de anonimato.

Chevron e Exxon preferiram não comentar o tema. (Reuters 16/04/2018)

 

Descoberta levedura que pode auxiliar a produção de etanol de 2ª geração

Pesquisa desenvolvida no PPG em Microbiologia Agrícola descobre nova espécie de levedura que pode auxiliar a produção de etanol de segunda geração.

Uma nova espécie de levedura, descoberta em uma pesquisa realizada no laboratório de Bioquímica e Tecnologia de Leveduras, pelo Programa de Pós-graduação em Microbiologia Agrícola da Esalq, promete contribuir com a produção de bioetanol a partir da fermentação de açúcares presentes em materiais lignocelulósicos.

Batizada com o nome de Spathaspora piracicabensis, em homenagem à Piracicaba, o micro-organismo foi isolado pela pesquisadora Camila Varize, a partir da coleta de um pedaço do tronco da madeira, em fase de decomposição, de uma árvore ornamental no parque da Esalq.

Segundo o professor Luiz Carlos Basso, do Departamento de Ciências Biológicas, orientador da pesquisa, existe um expressivo apelo da comunidade científica para a otimização dos processos envolvidos na bioconversão dos resíduos lignocelulósicos (constituídos de celulose, hemicelulose e lignina) em etanol. “A pressão é também para não se utilizar uma fonte de alimento, tal como a sacarose da cana, para a produção de biocombustível. A biomassa de origem lignocelulósica, como o bagaço de cana, é um dos subprodutos mais abundantes e disponíveis que poderia ser utilizado para alcançar o desenvolvimento sustentável de um processo de produção de biocombustível no Brasil”.

“Nosso objetivo foi isolar leveduras que apresentassem capacidade de fermentar a xilose, que é o segundo açúcar mais abundante da biosfera e também o maior constituinte da fração hemicelulósica”, aponta a autora do estudo.

Para Camila Varize, o etanol produzido a partir dos açúcares constituintes do bagaço de cana (principalmente a glicose e a xilose) tem um potencial de mercado promissor, porém essa tecnologia ainda está em escala de aperfeiçoamento. Há grande necessidade de melhorias, a fim de reduzir o custo do processo, principalmente no tocante ao aproveitamento total dos açúcares constituintes nesse material.

Uma das dificuldades encontradas na fermentação da xilose é que as linhagens de leveduras (Saccharomyces cerevisiae), normalmente utilizadas no processo fermentativo em destilarias, não possuem capacidade metabólica para a conversão desse açúcar em etanol. Desde a década de oitenta, várias leveduras denominadas “não-Saccharomyces” já foram descritas (Spathaspora arborariae, Spathaspora passalidarum, Scheffersomyces stipitis e outras) com a capacidade de fermentar a xilose. A nova espécie recentemente descoberta na Esalq se mostrou tão ou mais eficiente para a fermentação desse açúcar.

Nova espécie

“Há vários anos estamos buscando leveduras fermentadoras de xilose. E a madeira em decomposição coletada nos chamou a atenção, pois o material apresentava galerias/túneis provenientes da alimentação de larvas de besouros. É plausível que o intestino desses insetos hospede micro-organismos (como leveduras) que poderiam estar associados ao aproveitamento da madeira como alimento”, comenta o professor Basso. Foi nos dejetos das larvas coletados dentro das galerias do tronco de quaresmeira-roxa (planta ornamental característica da Mata Atlântica), que a nova espécie Spathaspora piracicabensis foi descoberta. Novos isolamentos estão sendo feitos a partir do intestino de larvas e adultos que habitam o tronco em decomposição.

Para a descrição da nova espécie, o trabalho contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (Carlos Augusto Rosa e Raquel Miranda Cadete), além do taxonomista Marc-André Lachance, do Departamento de Biologia da Western University/Canadá.

A nova espécie (denominada Esalq I54, MycoBank number MB 822,320) foi depositada na coleção do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute, Utrecht, Holanda, como cepa CBS 15054.

No final de 2017, a pesquisa foi publicada na revista científica holandesa Antonie van Leewenhoek com o título: Spathaspora piracicabensis f. a., sp. nov., a d-xylose-fermenting yeast species isolated from rotting wood in Brazil (https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs10482-017-0974-8).

O acesso ao sequenciamento dos genes está disponível no National Center for Biotechnology Information (NCBI) (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/nuccore/944549066).

Para o professor Basso, o desafio agora será avaliar, com mais afinco, o potencial dessa nova espécie. “Spathaspora piracicabensis poderia ainda contribuir como doadora de genes, que capacitariam linhagens mais tolerantes, como as de Saccharomyces, a produzirem com mais eficiência, o etanol de segunda geração. Se pudermos contribuir, mesmo que modestamente, nessa busca pelo etanol de segunda geração, já nos sentiremos recompensados”. (Assessoria de Comunicação 16/04/2018)