Setor sucroenergético

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Etanol no Brasil ajuda Ebitda da Raízen Energia em 18/19, diz Cosan

A Cosan manteve a perspectiva de geração de caixa pela Raízen Energia na safra 2018/19 em razão do cenário favorável ao etanol no Brasil, compensando os baixos preços internacionais do açúcar e a menor moagem prevista pelo grupo sucroenergético, disse um executivo da empresa nesta sexta-feira.

De qualquer forma, caso se confirme a previsão, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ficaria inferior aos 4,09 bilhões de reais de 2017/2018.

Na véspera, a Cosan revisou o guidance da Raízen Energia para a atual temporada, estimando um processamento de cana até 1 milhão de toneladas menor, em no máximo 66 milhões de toneladas, pela maior empresa global do setor sucroalcooleiro.

Mas a projeção para fabricação de açúcar e etanol não foi alterada, nem o Ebitda da Raízen Energia, mantido entre 3,4 bilhões e 3,8 bilhões de reais no ciclo iniciado em abril.

"Seguimos confiantes com o cenário de Ebitda, mesmo com o cenário de baixos preços do açúcar, que devem ser compensados com o etanol e com eficiência operacional", disse o gerente-executivo de Relações com Investidores da Cosan, Phillipe Casale, durante teleconferência com analistas e investidores.

Joint venture entre Cosan e Shell, a Raízen conta agora com 26 usinas no Brasil, após adquirir duas unidades da Tonon no ano passado. Na temporada anterior, a empresa processou 61,2 milhões de toneladas de cana na temporada passada.

Nos últimos meses, o etanol vem se mostrando atrativo para toda a cadeia produtiva brasileira, na esteira de uma melhor competitividade do biocombustível ante a gasolina e da forte queda das cotações do açúcar na Bolsa de Nova York.

Em abril, por exemplo, as unidades do centro-sul do Brasil produziram quase 70 por cento mais etanol, com vendas 10 por cento superiores na comparação anual, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Sobre a estratégia de comercialização de etanol pela Raízen Energia nesta safra, Casale afirmou que isso é discutido todas as semanas dentro da empresa.

"A estratégia vai depender de como estão os preços dos produtos, mas vamos maximizar a produção de etanol neste ano, pois tem remunerado melhor que o açúcar", comentou.

ARGENTINA

Casale também afirmou que a recente crise cambial na Argentina não afeta "em nada" a aquisição de ativos da Shell no país pela Raízen Combustíveis, o braço de distribuição da joint-venture.

"Não muda em nada a ideia do negócio... A qualidade do ativo nesse segmento é uma avenida de crescimento para nós", disse.

O negócio entre as empresas foi fechado no fim de abril por quase 1 bilhão de dólares e envolve a totalidade do negócio de downstream da Shell na Argentina, algo antecipado pela Reuters em agosto de 2017. (Reuters 11/05/2018)

 

Cosan decide elevar investimentos em 2018 e não desiste da Argentina

O gerente-executivo de relações com investidores da Cosan, Philipe Casale, afirmou que a empresa deve novamente enfrentar um cenário desafiador em 2018, por conta da retomada lenta da economia, mas já definiu uma estratégia para mitigar os efeitos da baixa atividade.

“O ritmo da retomada está mais gradual, pressionando nossa atividade”, disse nesta sexta-feira (11). “Mas continuamos nos apoiando na consistência de nossa estratégia”, afirmou, em teleconferência para anúncio de resultados. A empresa registrou aumento de 68% no lucro do primeiro trimestre, na comparação anual, para R$ 345,7 milhões.

A estratégia da Cosan inclui, entre outros pontos, o aumento do número de postos de gasolina da Raízen Combustíveis, licenciada da marca Shell no Brasil. A expectativa é de que a divisão aumente seus investimentos dos R$ 781 milhões de 2017 para um intervalo entre R$ 800 milhões e R$ 1 bilhão em 2018.

Argentina

As dificuldades econômicas vistas na Argentina, que levou inclusive ao congelamento dos preços dos combustíveis por dois meses, não muda a postura da Cosan quanto ao setor de distribuição e refino, afirmou Casale.

O governo argentino anunciou na terça-feira (8) um acordo com as empresas petroleiras do país para um congelamento dos preços dos combustíveis durante dois meses. O objetivo é tentar controlar a inflação, que somente no primeiro trimestre do ano já subiu 6,7%, afastando-se cada vez mais da meta do governo de fechar 2018 em 15%.

A decisão ocorre no momento em que a Cosan está buscando as autorizações regulatórias necessárias para fechar a compra da rede de postos de combustíveis e atividade de refino e lubrificantes da Shell no país, anunciada no final de abril, por US$ 950 milhões

“Os eventos na Argentina não mudam nossa ideia de negócios. A Raízen vem avaliando o investimento há muito tempo, e ele é um ativo de muita qualidade, que se encaixa bem no portfólio da Raízen”, disse Casale.

Segundo o executivo, a empresa está vendo o negócio como uma forma de expansão na Argentina e que está trabalhando para conseguir as aprovações regulatórias para concluir a aquisição, sem dar um prazo.

“A Shell tem conseguindo manter a rentabilidade na Argentina, apesar da volatilidade da inflação e do câmbio. A empresa tem conseguindo manter rentabilidade em dólar”, afirmou.

Cana

O clima seco deve prejudicar a moagem da cana no ano safra de 2018/2019, o que fez com que a Cosan revisasse para baixo a sua projeção para moagem de cana-de-açúcar, afirmou Casale. A expectativa passou de um intervalo de 63 mil a 67 mil toneladas para um período de 62 mil e 66 mil toneladas.

Apesar disso, a perspectiva para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amotização (Ebitda, na sigla em inglês) foi mantida entre R$ 3,4 bilhões e R$ 3,8 bilhões, apoiado na perspectiva de bom desempenho do etanol, que apresenta rentabilidade maior.

“A rentabilidade do etanol foi melhor no ano passado e ajudou na formação do Ebitda, junto com o aumento no volume vendido”, disse. “Nossa estratégia será maximizar a produção de etanol, que tem remunerado melhor que o açúcar”.

A Cosan espera que a produção de etanol fique entre 2,3 milhões e 2,6 milhões de metros cúbicos, o que representa um crescimento de 4,2% e 18% em relação aos 2,2 milhões de metros cúbicos registrados no ano safra de 2017/20018, respectivamente. (Valor Econômico 11/05/2018 às 12h: 01m)

 

Etanol hidratado sobe 4,94% e o anidro avança 1,15% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 4,94% nesta semana, de R$ 1,4468 para R$ 1,5184 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). A alta do biocombustível foi a primeira em dois meses, após sete recuos semanais consecutivos.

Segundo Ivelise Rasera Bragato, pesquisadora do Cepea/Esalq, a alta ocorreu por conta da forte demanda pelo hidratado. O combustível vem sendo vendido nos postos por um preço abaixo da paridade econômica de 70% do valor da gasolina. "A demanda já vinha aquecida e, com o preço competitivo, ficou ainda mais. A alta do preço do petróleo e os reajustes da gasolina também foram mais um fator de sustentação para o etanol", disse.

Bragato destacou que os negócios captados pela equipe do Cepea apontaram um volume recorde para uma semana em São Paulo e em outros Estados produtores onde a paridade para a gasolina é favorável ao biocombustível, como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Já o valor anidro avançou 1,15% na semana, de R$ 1,6328 o litro para R$ 1,6516 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. O reajuste desse tipo de álcool misturado à gasolina é o primeiro após nove semanas em queda. (Agência Estado 14/05/2018)

 

Etanol mais barato limita alta da inflação

Início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul derrubou preço do álcool hidratado.

O início da safra de cana tem derrubado os preços de etanol, o que pode limitar, em conjunto com a forte ociosidade, o impacto da alta recente do dólar e do petróleo sobre o custo dos combustíveis para o consumidor, avaliam os economistas consultados pelo Estadão/Broadcast. Desse modo, apesar da disparada da moeda americana e da tendência de aumento da commodity, os especialistas afirmam que as projeções para a inflação oficial deste ano devem continuar bem abaixo do centro da meta de 4,5%.

As cotações do petróleo, que vem subindo mais intensamente nas últimas semanas, e a escalada do dólar já pressionaram de forma contundente o atacado, como mostra o aumento dos combustíveis e lubrificantes para a produção (0,62% para 8,56%) no Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) de abril.

No varejo, a gasolina também já esboçou avanço, como visto, por exemplo, no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, reverteu a queda de 0,19% em março e já subiu 0,26%. Já o etanol caiu 2,73%, depois de alta 0,59%.

Segundo os economistas, o etanol anidro pode mitigar o impacto do avanço da gasolina por dois caminhos. Primeiro, porque funciona como substituto em alguns veículos e também porque faz parte, com 27%, da composição da gasolina ofertada nos postos.

A tendência é de que os preços do etanol caiam ainda mais nos próximos meses, refletindo a colheita de cana-de-açúcar, o que tende a limitar os efeitos de elevação da gasolina no varejo sobre a inflação, avalia o economista Fábio Romão, da LCA Consultores. “Não anula, mas deve mitigar o impacto de alta do combustível”, diz.

Segundo o economista-sênior do Haitong, Flávio Serrano, a queda do etanol anidro deve se estender até junho, e depois deve ter um período de estabilidade até setembro, o que tende a mitigar o aumento dos preços da gasolina para o consumidor.

Além disso, ressalta, apesar do aumento do custo da gasolina nas refinarias, as distribuidoras têm reduzido suas margens porque não conseguem repassar o reajuste completamente para as bombas devido à demanda contida. Por enquanto, Serrano vai manter a elevação prevista para a gasolina neste ano, de 7,0% (ante 10,32% em 2017). Para o IPCA, a estimativa é de 3,70%. (O Estado de São Paulo 14/05/2018)

 

Lucro das empresas agrícolas cresce e aponta ano favorável

As turbulências no mercado internacional de grãos, deflagradas pela quebra de safra na Argentina e potencializadas pela briga entre Estados Unidos e China, beneficiaram as empresas agrícolas brasileiras com ações negociadas em bolsa.

Os resultados obtidos por SLC Agrícola, Terra Santa e BrasilAgro no primeiro trimestre de 2018 mostraram aumento de receita e rentabilidade, e a boa fase deverá continuar no restante do ano, segundo executivos do segmento. Isso porque boa parte dos custos já está definida para a safra 2018/19 e há indicativos de que as cotações permanecerão mais elevadas nos mercados internacionais. A alta do dólar ante o real também deverá ter reflexos positivos, dado o peso das exportações no mix de negócios.

Afora a valorização de soja e milho na bolsa de Chicago, a escalada do algodão em Nova York, motivada pela demanda aquecida pela fibra, também contribuiu para os resultados das companhias brasileiras nos primeiros três meses do ano.

Com o cenário mais favorável, a SLC Agrícola registrou lucro de R$ 169,3 milhões no intervalo, mais que o dobro que de janeiro a março de 2017. A receita líquida subiu 21% na mesma comparação, para R$ 423,3 milhões. Nesta safra 2017/18, a empresa trabalhou em uma área de 404,5 mil hectares, 2,9% maior que o do ciclo passado. A soja ocupou 56,9% do total, o milho ficou com 19% e o algodão, com 23,5%.

Os resultados da Terra Santa também apontaram um 2018 promissor. A companhia registrou lucro de R$ 38 milhões, alta de 31,5% na comparação anual. O resultado foi puxado por uma produtividade das lavouras de soja acima da média em Mato Grosso, onde está concentrado seu plantio. Dados da Conab indicam rentabilidade de 55,1 sacas por hectare, enquanto a produtividade da Terra Santa ficou em 59,3 sacas.

"É o nosso segundo ano de produtividade muito acima da média do Estado, o que indica uma virada operacional concretizada e consolidada", disse José Humberto Prata Teodoro Júnior, que preside a companhia desde fevereiro, em teleconferência. O executivo substituiu Arlindo Moura, que permaneceu cinco anos na presidência e agora seguirá no conselho de administração.

Considerando todas as culturas, a área plantada da Terra Santa atingiu 176,9 mil hectares em 2017/18, 5% menor que em 2016/17. A redução decorreu da não renovação do arrendamento de 7,9 mil hectares cujas condições não estavam favoráveis. A melhora dos resultados operacionais motivou uma alta de 5,6% das ações na B3 na quinta-feira, dia seguinte da divulgação do balanço.

A BrasilAgro também tem motivos para comemorar. Reportou lucro de R$ 54 milhões de janeiro a março (terceiro trimestre de seu exercício 2017/18, quase 12 vezes superior ao do mesmo período de 2017. A companhia concentra o foco no desenvolvimento de terras agrícolas no Brasil e no Paraguai.

Em 2017/18, a BrasilAgro semeou 102,194 milhões de hectares, incluindo grãos, cana e pastagens, um incremento da ordem de 15% ante 2016/17. Cerca de 35% do total foi destinada aos grãos, principalmente soja.

A boa fase deverá perdurar nos próximos trimestres. Aurélio Pavinato, presidente da SLC, disse em teleconferência que "o nosso ano de 2018 está encaminhado e 2019 está com um desenho favorável". Boa parte dos custos da empresa com insumos - que sofreram fortes ajustes para cima em parte devido a restrições ambientais chinesas - já estão praticamente definidos para a safra 2018/19. E parte da produção da temporada 2018/19 já foi comercializada.

Na mesma linha, o presidente da Terra Santa também afirmou que a companhia está "aproveitando o bom momento para capturar o lucro da safra que vem". (Valor Econômico 14/05/2018)

 

Drones ganham mais funções empresariais

Há um ano, Ulf Bogdawa, um alemão radicado no Brasil, ouviu um relato curioso de bombeiros durante uma conferência em Santa Catarina. Para ajudar a resgatar vítimas de afogamento, alguns deles haviam "confiscado" drones dos filhos e passado a usar os equipamentos em missões de salvamento. O problema? Depois de localizar as vítimas, os drones não podiam fazer mais nada para ajudá-las, enquanto o socorro não chegasse.

Com isso em mente, Bogdawa e seus sócios na SkyDrones, sediada em Porto Alegre, conceberam um drone salva-vidas. O equipamento carrega uma boia de apenas 200 gramas, que é atirada assim que a câmera encontra alguém se afogando. Já foram embarcados 22 aparelhos para a Alemanha, dois para os Estados Unidos e um para o Caribe. Há três semanas, os empresários se reuniram com executivos da Walt Disney. "Eles querem usar o produto em seus navios", diz Bogdawa.

O exemplo da SkyDrones mostra o avanço recente dos veículos aéreos não tripulados em aplicações para empresas. Dados inéditos mostram que no ano passado o mercado de drones movimentou R$ 300 milhões no Brasil, com projeção de crescer 30% neste ano. Na conta está incluída toda a cadeia produtiva, como fabricantes, importadores, criadores de software e prestadores de serviços. Só nos últimos oito meses, o número de cadastros para operar drones na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aumentou 200%, sendo 34 mil pessoas físicas e 2 mil empresas. É difícil dizer qual é o número total de empresas existentes porque muitas não se cadastram na agência, mas a estimativa é que o mercado de drones já emprega diretamente 12 mil pessoas no país.

"É um mercado muito pulverizado, especialmente o de serviços. A maioria das empresas é pequena - com quatro, cinco, seis pessoas. Além disso, é recente, com dois ou três anos de vida", diz Emerson Granemann, organizador da feira DroneShow, que compilou os dados e será aberta amanhã, em São Paulo. "Muitas pessoas compram um drone para o lazer, começam a ganhar algum dinheiro, e passam ser empreendedores."

Os drones foram concebidos na década de 80, em Israel, para uso na guerra. Nos anos 2000 passaram por um "boom" na área militar e chegaram com força ao mercado civil no início desta década.

Há basicamente dois tipos de drone: os multirotores, semelhantes a pequenos helicópteros, e os de asa fixa, que lembram um avião. No primeiro caso, os aparelhos têm capacidade de voar durante meia hora. São muito usados para lazer por causa do preço - a partir de R$ 5 mil, em média - e para serviços de inspeção, que exigem que o aparelho fique um tempo parado no ar. Esse é mercado dominado pela chinesa DJI. Os de asa fixa podem voar por mais tempo, entre uma e duas horas, o que lhes permite cobrir grandes extensões.

De maneira geral, o negócio do drone não é o equipamento em si. Até porque, afirmam empresários, há um grande fluxo de contrabando vindo do Paraguai, cujos preços tornam difícil a competição nessa faixa. O modelo de remuneração das empresas baseia-se principalmente nos dispositivos adicionais, câmeras e softwares que fazem dos drones ferramentas úteis para missões específicas e, não raro, difíceis de executar. "O drone é uma plataforma para você desenvolver valor para as empresas", diz Bogdawa, da SkyDrones. A empresa já criou sistemas que ajudam montadoras a encontrar carros nos pátios ou companhias petrolíferas a localizar equipamentos em grandes plataformas. Outra tecnologia é capaz de detectar ervas daninhas em plantações. A empresa compra drones prontos e os equipa com os recursos necessários. Entre os clientes estão grupos como Gerdau, Petrobras, Bayer e Monsanto.

A legislação brasileira sobre o uso de drones, que completa um ano neste mês, deu impulso aos negócios. A SkyDrones, fundada em 2008, chegou perto de fechar acordos com grandes companhias antes da regulamentação, mas os negócios eram barrados antes de ser concluídos, porque as regras de conformidade dessas empresas não permitiam fechar negócios devido à ausência de regras específicas. Agora, a SkyDrones já criou outra companhia, a SkyAgro, e prepara-se para lançar, nos próximos meses, a SkyTech, para inspeções industriais.

Pela regulamentação, qualquer pessoa que tenha um drone deve registrar o aparelho na Anac, embora muita gente não o faça, até por ignorar a existência da lei. A quantidade de drones registrados nos últimos oito meses foi de 38,4 mil aparelhos, sendo 35% para uso profissional e o restante para recreação.

Para drones que voam até 120 metros de altura e têm campo de visão máximo de 500 metros não se requer habilitação. Acima disso, é preciso habilitar-se como piloto no Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Funciona como tirar uma carteira de motorista. Atualmente existem 9,5 mil pilotos registrados no país, 90% mais que seis meses antes.

A Xmobots Robotic Systems criou um curso para habilitação de pilotos, aprovado pela Anac. "Habilitamos os dois primeiros pilotos, que serão professores dos novos alunos", diz Giovani Amianti, presidente da empresa. A companhia foi fundada em 2007, mas começou a operar comercialmente em 2010. Esse intervalo foi dedicado ao desenvolvimento tecnológico. Fugindo à regra, a Xmobots tem uma fábrica onde produz seus próprios drones em São Carlos (SP), onde também fica a sede.

Drones profissionais têm preços a partir de R$ 80 mil e podem custar até 10 vezes mais, diz Amianti. O produto mais vendido da Xmobots sai por R$ 140 mil. Tudo é feito artesanalmente e desenhado sob medida para o cliente. No ano passado, foram vendidas 40 unidades, de diversos tamanhos e valores. Para este ano, a previsão é vender 70 aparelhos.

Um dos modelos é destinado a usinas de cana-de-açúcar. No plantio automatizado dessa cultura, tratores com GPS trazem a reboque as plantadeiras, um implemento agrícola que deposita as sementes no solo. Ocorre que o trator fica a uma certa distância da plantadeira, o que pode provocar imprecisão. Na época da colheita, outra máquina, a colheitadeira, faz o trabalho seguindo as linhas do trator, onde fica o GPS, e não da plantadeira. Em função disso, existe o risco de o equipamento passar por cima das plantas, destruindo suas raízes. "Como a cana é uma cultura cujo ciclo é de sete anos, imagine a perda de produtividade causada por essa falha a cada ano", diz Amianti. O drone da Xmobots sobrevoa a área de plantio e "corrige" as linhas que serão percorridas pela colheitadeira. A margem de erro, afirma o empresário, é de 10 centímetros. (Valor Econômico 14/05/2018)

 

Açúcar: Sentimento baixista predomina

O mercado futuro de açúcar em NY fechou em baixa pela décima primeira semana em seguida, para desespero dos traders, que tentavam sobreviver à semana do jantar do açúcar ocorrido em NY, sob um clima de preocupação e desânimo. O vencimento julho de 2018 encerrou a sexta-feira cotado a 11.22 centavos de dólar por libra-peso representa uma queda de 29 pontos (pouco mais de 6 dólares por tonelada) em relação ao fechamento anterior.

Para quem esteve presente nos eventos da semana, a tônica foi bem baixista, coroada pela previsão de um analista que disse ser possível que o mercado de açúcar em NY negociasse 8 centavos de dólar por libra-peso tendo em vista o superávit mundial, a enorme produção na Tailândia, os estoques se formando na Índia e, caro leitor ou leitora, adicione mais o que lhe vier na cabeça pois o mundo parece que acabou. Só que não.

O atraso na efetivação dos hedges de venda por algumas das usinas, tendo inclusive uma parte desse volume ainda referente à safra 2017/2018 que foi sendo rolada ad infinitum na esperança de dias melhores, e a piora na percepção da trajetória do real em relação à moeda americana em função do cenário externo, e também da saída de investidores estrangeiros, pressionaram ainda mais as cotações do açúcar. O fechamento do dólar na sexta-feira a R$ 3.6010 coloca o açúcar em NY a equivalentes 928 reais por tonelada, muito próximo de quando NY estava 100 pontos melhor há seis semanas atrás com o dólar cotado a R$ 3.3300.

As usinas que tem endividamento em dólar e, portanto, não pensam em reais por tonelada, foram de certa forma atropeladas por aquelas que se orientam pela liquidação em reais. É fácil espalhar o pânico nesses momentos. Outra coisa que ajudou as cotações a caírem (sem contar o famigerado e desgastado superávit) é a massiva quantidade de operações de fences feitas para proteger as usinas contra a queda de preços. Como se sabe, elas consistem na compra de uma put (opção de venda) abaixo do nível de mercado combinada com a venda de uma call (opção de compra) acima do nível de mercado, dando um mínimo de remuneração caso o mercado colapse em troca uma remuneração máxima em caso do mercado subir.

Além desses pontos acima observados, uma grande quantidade de calls (opções de compra) foi vendida pelas usinas ou em seus nomes para adicionar valor no preço final da fixação. Ocorre que com a queda do mercado, essas calls acabaram virando pó (não sendo exercidas) fazendo com que aqueles que haviam vendido as opções objetivando serem exercidos e adicionarem valor, se viram sem o hedge apesar de embolsarem o prêmio vendido. No entanto, precisaram vender futuros para efetivamente fixarem seus contratos. Mais pressão.

O sentimento baixista é tão amplo que o canal de TV da Bloomberg começou uma matéria sobre o açúcar na semana passada com a manchete: “Açúcar! Se você é um trader, certamente você está vendendo”.

A pergunta que todos fazem é se o mercado já caiu o bastante. Difícil responder, pois não se sabe, por exemplo, quantas usinas foram, estão sendo ou serão afetadas pelas operações de balcão com acumuladores. Essas operações fixam uma quantidade diária de lotes dependendo do intervalo de preços negociado em determinado dia. Caso o mercado esteja abaixo do nível acordado entre as partes, não existe fixação nenhuma. Assim, como me confidenciou um trader que está metido até o pescoço nesse tipo de operação, o percentual efetivo de volume fixado foi muito menor do que ele esperava (menos de 30%). Portanto, ele terá que recorrer ao mercado fixando seus contratos vendendo futuro.

Acumuladores são ótimos para mercados que oscilam dentro de um intervalo limitado de preços. Mercados com forte tendência, para cima ou para baixo são um desastre para esse tipo de estrutura. Quando caem muito, você fica sem hedge. Quando sobe muito, você está vendido em dobro. Não existe almoço de graça. E nada substitui uma competente gestão de risco em que você é o dono da estratégia e você pode mudá-la quando achar conveniente.

Apesar das nuvens pesadas por sobre o mercado, alguns pontos merecem ser repetidos aqui. Os postos já estão vendendo etanol abaixo de 65% da paridade. O consumidor demora a perceber isso, mas a vantagem hoje chega a ser de R$ 1,5000 por litro (vi hoje um posto com gasolina a R$ 4.1900 e etanol a R$ 2.6900). Isso vai provocar um aumento espetacular no consumo de etanol e na constante diminuição do mix açucareiro. Ainda podemos ter incertezas em relação ao clima tanto no Centro-Sul como na Índia. O conflito no Oriente Médio pode elevar ainda mais o preço do petróleo e o real pode ainda ter outros picos de alta. Oito centavos? Alguém se habilita?

Estão abertas as inscrições para o 30º. Curso Intensivo de Futuros, Opções e Derivativos – Commodities Agrícolas. O curso vai ocorrer nos dias 7, 8 e 9 de agosto, em São Paulo - SP, no Hotel Wall Street, na Rua Itapeva. Se você tem intenção de fazê-lo, lembre-se que as vagas são limitadas e nas últimas edições elas esgotaram 40 dias antes do início do curso.

O livro "Derivativos Agrícolas", minha autoria com o jornalista Carlos Raices, já está disponível na Amazon Books, iTunes, Google Play, Kobo e Livraria Cultura: é só acessar o link a seguir. Boa leitura!

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 (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)