Setor sucroenergético

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Justiça determina que Raízen remunere deslocamento de funcionários

O juiz João Baptista Cilli Filho, da 3ª Vara do Trabalho de Araraquara (SP), determinou que a Raízen compute as chamadas "horas in itinere" na jornada de trabalho e remunere seus empregados. A medida atende a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT) e deve ser cumprida a partir de junho, “sem prejuízos dos direitos trabalhistas anteriores”, ou seja, considerando o período total em que os trabalhadores deixaram de receber o benefício.

As "horas in itinere" são o tempo gasto pelo empregado em transporte fornecido pelo empregador na ida e na volta até o local da prestação de serviços que seja de difícil acesso ou que não seja servido por transporte público. O descumprimento resultará em pena de multa diária de R$ 5 mil por trabalhador.

Em nota, a empresa informou que “cumpre integralmente a legislação trabalhista vigente no Brasil e preza por constante aprimoramento na relação com seus funcionários" e que, "em relação às 'horas in itinere', a Raízen está em fase adiantada da negociação com a grande maioria dos sindicatos”. A companhia relatou também que pretende recorrer da decisão judicial, em caráter liminar.

Segundo o MPT, o inquérito foi instaurado após “recebimento de documentos relacionados a uma tentativa de mediação promovida pelo Sindicato dos Empregados Rurais de Araraquara, solicitada diante da notícia de que a empresa pretendia extrair a marcação de 'horas in itinere' do controle de jornada, excluindo-as de qualquer remuneração”.

Uma audiência de mediação foi tentada, mas a empresa sustentou que “pretendia introduzir a mudança unilateral nos contratos em curso, alegando amparo na chamada 'Reforma Trabalhista', confirmando que já havia dado início à alteração no cálculo da jornada de trabalho a partir de dezembro de 2017”, informou o MPT.

A procuradoria propôs um Termo de Ajuste de Conduta (TAC), mas a empresa não aceitou e a mudança reduziu em 20% os salários dos empregados que utilizam o transporte, principalmente em operações agrícolas, informou o MPT.

“O transporte concedido pela Raízen não corresponde a uma liberalidade ou comodidade fornecida pelo empregador, mas a um meio de produção, sem o qual a empresa não conseguiria desenvolver sua atividade”, informou o procurador Rafael de Araújo Gomes, autor do inquérito. (Agência Estado 17/05/2018)

 

Endividada, Bunge recorre à oferta de ações do negócio de açúcar

A Bunge Açúcar e Bioenergia, subsidiária da Bunge, protocolou ontem seu prospecto preliminar para oferta inicial de ações (IPO) e, segundo dois executivos próximos à operação, quer fazer a listagem até julho. A oferta é secundária, coordenada pelos bancos Itaú BBA, J.P. Morgan e Santander. A empresa vai testar, na sondagem inicial com investidores, uma avaliação entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões, conforme as fontes.

A empresa, que produz etanol, açúcar e bioenergia a partir da cana-de-açúcar, não vai chegar à bolsa em seu melhor desempenho. No ano passado, a subsidiária da Bunge registrou prejuízo de R$ 57,6 milhões, ante lucro de R$ 531,4 milhões em 2016. O resultado líquido do primeiro trimestre de 2018 continuou no vermelho, com prejuízo de R$ 111,9 milhões. A receita operacional líquida ajustada no trimestre foi de R$ 273,6 milhões.

O sucesso do IPO é condição precedente para a reestruturação da dívida da empresa com seu controlador. Ao fim de março, o saldo dessa dívida estava em R$ 2,944 bilhões, com custo médio de 8,7% ao ano - parte é remunerada por uma taxa anual fixa de 7,5% e outra, de 11,5%. Conforme o prospecto preliminar, após o IPO, a dívida da companhia com o grupo passará a ser denominada em dólares, num total de US$ 700 milhões. O custo passará para Libor mais 2,75% ao ano. Não há informação sobre prazos. De acordo com o documento, o contrato de empréstimo de capital de giro atual será trocado por um financiamento de pré-exportação de usinas.

Outras duas empresas em fase de sondagem com investidores estão avaliando alternativas ao IPO, apurou o Valor. A fabricante de produtos de informática Multilaser segue com o processo para listagem até julho, mas também contratou um assessor financeiro e um escritório de advocacia para avaliar uma venda direta de participação, em torno de 25%, conforme uma fonte. "A empresa está em processo de 'dual track' e, se chegar em acordo para venda de participação, postergará a oferta", diz uma fonte. A Multilaser ainda não fez o registro de empresa aberta ou protocolo de prospecto, o que está previsto para o fim do maio.

Já o grupo catarinense de shoppings Almeida Junior, que contratou bancos em março, estuda deixar o IPO para 2019. Um executivo próximo à companhia afirma que há novas receitas a serem capturadas este ano, de estratégias já implementadas, e que podem tornar o balanço mais robusto para o ano que vem. A decisão se dará nas próximas semanas, conforme esse executivo. Na fila de IPOs até julho estão também o banco Agibank, a subsidiária de cartões do Banrisul e a varejista Quero-Quero. (Valor Econômico 17/05/2018)

 

Bunge não prevê emitir ações em IPO de usinas no país

Empresa indicou que venderá ações próprias na potencial transação envolvendo a Bunge Açúcar & Bioenergia.

A gigante do agronegócio Bunge não prevê emitir novas ações na abertura de capital de seu negócio de açúcar e etanol no Brasil, processo coordenado pelos bancos Itaú BBA, JP Morgan e Santander.

Conforme o prospecto preliminar para a oferta pública inicial de ações enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa indicou que venderá ações próprias na potencial transação envolvendo a Bunge Açúcar & Bioenergia.

Conforme dados da empresa, a Bunge Açúcar & Bioenergia teve prejuízo de R$ 112 milhões no primeiro trimestre de 2018, ante resultado negativo de R$ 62 milhões um ano antes.

A medida “nos dá a opção de tornar a empresa pública, se assim quisermos, dependendo do ambiente”, disse o vice-presidente e diretor financeiro da Bunge, Thomas Boehlert, em evento em Nova York, nesta quarta-feira.

Conforme dados da empresa, a Bunge Açúcar & Bioenergia teve prejuízo de R$ 112 milhões no primeiro trimestre de 2018, ante resultado negativo de R$ 62 milhões um ano antes. Além disso, a dívida da empresa ao fim de março era de quase R$ 3 bilhões.

Não só a Bunge, mas o setor sucroenergético brasileiro tem enfrentado tempos difíceis, com os preços do açúcar em mínimas em vários anos por causa da ampla oferta global do produto. A Bunge, que entrou no segmento em 2010, tentou vender suas oito usinas brasileiras de açúcar e etanol por quatro anos, sem sucesso.

A maioria de suas unidades no Brasil está localizada no norte do Estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. A empresa tem capacidade para processar cerca de 22 milhões de toneladas de cana por safra. (O Estado de São Paulo 17/05/2018)

 

Açúcar: Virada semanal

Os contratos futuro de açúcar sinalizam a primeira valorização semanal após 11 semanas consecutivas em baixa.

Ontem, os papéis com vencimento em outubro fecharam o pregão a 11,89 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, valorização de 4 pontos.

A alta é puxada pelo ajuste de posições dos fundos em meio à valorização do petróleo e às perspectivas cada vez mais negativas para a produção no Brasil, maior exportador global.

Segundo o Commerzbank, as expectativas são de que a relação entre o preço do etanol e da gasolina no Brasil bata os 62% no final deste mês, tornando a produção do biocombustível mais atrativa para as usinas brasileiras.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 53,07 por saca de 50 quilos, queda de 0,15%. (Valor Econômico 17/05/2018)

 

Cosan terá 4,21% do capital vendido na Bolsa na quinta-feira

O BTG Pactual vai intermediar na quinta-feira uma operação de venda de um bloco de ações (“block trade”) da Cosan, informou a B3. Serão negociadas 17,2 milhões de ações da empresa ao preço de R$ 38,85 por papel, totalizando R$ 667,7 milhões.

Segundo o site "Brazil Journal", de Geraldo Samor, a Shell será a vendedora do bloco. A participação da petrolífera anglo-holandesa na Cosan foi obtida na ocasião da venda da fatia da Shell na Comgás.

A quantidade de ações vendidas representa 4,21% do capital da companhia e a venda em bloco vai acontecer entre as 11h30 e as 11h45. Logo depois do anúncio do “block trade” nesta quarta-feira, as ações da Cosan chegaram a entrar em leilão. Às 14h22, os papéis perdiam 1,76%, a R$ 39,64, enquanto o Ibovespa ganhava 1,48%, para 86.394 pontos.

Segundo o comunicado, o BTG informou que o seu cliente desconhece qualquer informação relevante sobre a empresa que não seja de domínio público e não é acionista integrante do bloco de controle da companhia, nem do conselho de administração ou de outros órgãos de gestão.

A oferta de “block trade” foi anunciada em conformidade com as regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para garantir o equilíbrio na participação dos investidores. (Valor Econômico 16/05/2018)

 

Negócios na América do Sul e Europa mantêm Bunge em vantagem, diz CEO

A Bunge é capaz de resistir a qualquer interrupção global no comércio agrícola decorrente das tensões entre Estados Unidos e China, graças a sua capacidade de processamento de soja na América do Sul e à expansão na Europa, disse o CEO da multinacional, Soren Schroder, durante um evento com investidores nesta quarta-feira em Nova York.

Em relação ao açúcar, Schroder disse que a Bunge preparou sua unidade brasileira de produção de açúcar para “ficar em pé sozinha”. A empresa tem procurado vender os ativos de açúcar no país desde 2013, mas por causa de uma retração no setor e do alto preço pelo qual a Bunge comprou as usinas, nenhum negócio surgiu.

Os preços do açúcar bruto estão em mínimas de vários anos, à medida que a oferta global do adoçante supera a demanda.

Nesta quarta-feira, a Bunge publicou na Comissão de Valores Mobiliários o prospecto preliminar para o IPO de seu negócio de açúcar e etanol no Brasil, que não prevê emissão de novas ações.

A medida “nos dá a opção de tornar a empresa pública, se assim quisermos, dependendo do ambiente”, disse o vice-presidente-executivo e diretor financeiro, Thomas Boehlert.

“Então, nós manteríamos uma participação majoritária e participaríamos da empresa, e potencialmente sairíamos completamente da estrada.”

Outros setores

Embora as atuais tensões comerciais não sejam boas para o setor de grãos em geral, “a pegada da Bunge entra em jogo em momentos como este”, disse Schroder.

A Bunge é uma empresa dominante no comércio de grãos na América do Sul, com ativos no Brasil que incluem fábricas, usinas, silos, centros de distribuição e terminais portuários.

A Bunge também tem forte presença na Argentina, o maior exportador mundial de farelo e óleo de soja. No ano passado, adquiriu duas unidades de esmagamento de oleaginosas da rival Cargill na Holanda e na França.

“Você pode arbitrar o fornecimento de soja a partir de qualquer origem”, disse Schroder, que falava na conferência Farm to Market, da BMO Capital Markets.

Disputas comerciais

Gigantes do setor de grãos como a Bunge, Cargill e Archer Daniels Midland (ADM) aproveitaram as tensões comerciais entre os Estados Unidos e vários de seus principais mercados de exportação, incluindo a China, para reverter as dificuldades de unidades após um dos anos mais difíceis para a indústria.

As crescentes disputas comerciais estão afetando as cadeias de fornecimento agrícolas em todo o mundo, com o México comprando mais milho do Brasil e os navios que transportam as exportações de sorgo dos EUA alterando rotas depois que a China aumentou as exigências para os compradores.

Além das tensões comerciais, uma seca na Argentina levou alguns processadores de soja a comprar soja norte-americana para entrega no Hemisfério Sul.

Mas a Bunge não é uma delas, disse Schroder. No momento, as margens não justificam tais movimentos, disse ele, e a companhia não acredita que o volume de tais fluxos comerciais seja particularmente significativo.

Ainda assim, disse Schroder, a empresa irá fornecer a soja dos EUA para suas instalações na América do Sul se as margens justificarem isso. (Reuters 16/05/2018)

 

Etanol pode ajudar no preço dos combustíveis, diz presidente da Petrobras

Pedro Parente afirma que safra maior de cana vai se contrapor à alta nas cotações do petróleo e do dólar.

Pedro Parente, presidente da Petrobras, afirmou na tarde desta quarta-feira em Nova York que uma boa produção de etanol pode compensar, no preço final dos combustíveis ao consumidor, a elevação da cotação do petróleo e do dólar por motivos externos. Segundo ele, há notícia de uma boa produção de cana de açúcar no país – o que tende a baratear o preço do etanol, tanto vendido diretamente quanto ao adicionado à gasolina.

“Outro aspecto importante é o preço do etanol. A gente está vendo informações de uma boa produção de etanol no país, que certamente vai ajudar a contrapor o aumento do óleo”, disse Parente.

Após participar de um fórum de presidentes de empresas promovido pelo Banco Itaú na capital americana, Parente afirmou que diversos fatores afetam o preço final. Ele lembrou que o preço da gasolina na refinaria está por volta de R$ 1,90, todo o restante sendo composto por impostos, distribuição e pelos postos de combustíveis.

“O preço da refinaria e uma parcela pequena, depende de outras parcelas onde impostos é a parcela mais importante e tem o clima competitivo entre as distribuidoras e os postos de gasolina. Então é muito difícil antecipar o que vai acontecer”, disse ele, quando questionado se o preço dos combustíveis deveria subir no curto prazo. (O Globo 16/05/2018)