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Alta no preço do petróleo cru é causa de esperança para o etanol

Governo Trump está estudando possíveis mudanças na regulamentação para encorajar a venda de etanol.

A recuperação no preço do petróleo fez com que as perspectivas do álcool combustível (etanol) produzido com resíduos agrícolas, no passado a grande esperança do setor de combustíveis alternativos, voltassem a parecer promissoras.

O presidente do último consórcio que persiste em produzir etanol dessa maneira em escala industrial acredita que as outras companhias tenham errado ao descartar o método, agora que os consumidores estão encarando uma alta nos preços dos combustíveis.

Feike Sijbesma, presidente-executivo da Royal DSM, uma empresa holandesa que é parte de um grupo que trabalha com etanol celulósico na usina Project Liberty, em Iowa, disse que o projeto estava a caminho de produzir combustível em preço competitivo com o da gasolina, e que a alta no preço do petróleo estava ajudando.

A recente recuperação nos preços do petróleo, para mais de US$ 75 por barril de petróleo cru padrão Brent, despertou esperanças de que o etanol celulósico possa se provar competitivo, se os problemas de engenharia restantes puderem ser resolvidos.

"O caminho não foi fácil, mas estamos chegando lá", ele disse ao Financial Times. "A tecnologia é mais complicada do que qualquer um imaginava, no começo".

A DSM, uma empresa de biotecnologia e produtos químicos, criou a usina Project Liberty em parceria com a Poet, uma fabricante americana de etanol, a fim de produzir combustível usando sabugos de milho, folhas e cascas que restam nos campos depois da colheita.

A cerimônia de inauguração da usina aconteceu em 2014, mas ela ainda não atingiu sua capacidade plena de produção de 75 milhões de litros de etanol por ano.

Boa parte do dinheiro investido em petróleo vem de investidores de prazo mais longo tentando operar com ativos de "ciclo tardio", como as commodities.

A DuPont, dos Estados Unidos, e a Abengoa, da Espanha, que vinham realizando projetos semelhantes, os abandonaram.

A usina Project Liberty continua a operar, no entanto, e o volume produzido está crescendo. Em um sinal da crescente confiança do consórcio Poet-DSM sobre a tecnologia, no ano passado o grupo assumiu o compromisso de construir no local instalações para a produção das enzimas usadas para decompor a celulose presente nos resíduos de milho, a fim de produzir combustível.

Sijbesma disse que o principal desafio que a Project Liberty vinha enfrentando era administrar a logística da coleta dos resíduos de safras de milho e seu processamento para tratamento na usina. As enzimas superaram as expectativas em termos de sua efetividade na decomposição da celulose, mas surgiram problemas de engenharia como a dificuldade de remover terra, areia e pedras recolhidos junto com o material vegetal.

Ele acrescentou que esses desafios de processamento devem se provar mais fáceis de resolver do que a questão científica fundamental de como usar enzimas para decompor a celulose, porque eles são o tipo de que questão a que as empresas estão acostumadas em outros processos industriais.

Em novembro do ano passado, a companhia anunciou um "grande avanço" na usina, desenvolvendo uma forma de pré-tratamento para os resíduos de milho que permitia que as enzimas e fermentos usados na produção do etanol trabalhassem com mais facilidade.

Poet e a DSM esperam licenciar sua tecnologia para outros produtores, afirmando que ela "oferece uma imensa oportunidade de negócios" para empresas que estejam produzindo etanol de primeira geração com base em milho e outros grãos.

Se a Project Liberty estivesse produzindo em plena capacidade, seu etanol seria competitivo com a gasolina, aos preços atuais, disse Sijbesma. "Quanto mais alto o preço do petróleo, mais econômicos nos tornamos", ele acrescentou. "Qual é o preço com que nos sentimos confortáveis, para o petróleo? US$ 70". O petróleo cru padrão Brent subiu para mais de US$ 79 por barril esta semana, pela primeira vez desde 2014.

Uma década atrás, o etanol celulósico era visto por muitos como vital para a oferta futura de energia, oferecendo uma alternativa aos combustíveis fósseis, com emissões menores dos gases causadores do efeito estufa; além disso, essa forma de etanol não compete com a demanda por alimentos. A Lei de Independência e Segurança Energética dos Estados Unidos, de 2007, estabeleceu metas ambiciosas para o uso de biocombustível celulósico, que o setor não chegou nem perto de atingir. Apenas 38 milhões de litros de etanol celulósico foram produzidos nos Estados Unidos no ano passado, o que equivale a 0,2% da meta original para biocombustíveis.

A DowDupont, companhia formada pela fusão entre a DuPont e a Dow Chemical, suspendeu a produção em sua usina de etanol celulósico em Iowa, e a colocou à venda.

A Abengoa também suspendeu a produção de sua usina de etanol celulósico em Hugoton, Kansas, em 2015. A usina de Hugoton entrou em concordata em 2016, e foi adquirida no final daquele ano por uma empresa americana chamada Synata Bio, que derrotou a Royal Dutch Shell em um leilão, com uma oferta de US$ 48,5 milhões. Fontes setoriais afirmam que a usina não parece estar produzindo etanol celulósico. A Synata declarou que "não faremos qualquer comentário sobre Hugoton, no momento".

Outras empresas estão tentando caminhos diferentes para produzir etanol celulósico. A DowDupont, por exemplo, vende enzimas para o chamado combustível "geração 1,5", feitas com os grãos de milho que restam da produção de etanol convencional. A Aemetis, da Califórnia, planeja desenvolver uma usina para produzir etanol celulósico com cascas de frutas secas e resíduos de pomares.

As metas para uso de biocombustíveis estabelecidas sob a lei de 2007 ainda existem, mas em forma fortemente modificada. O requisito de uso de biocombustíveis celulósicos caiu para cerca de 5% de seu nível original, e a maior parte da meta é cumprida não por meio do etanol mas sim do gás natural renovável, produzido em aterros sanitários e usinas municipais de tratamento de esgotos.

Para 2018, o volume de biocombustíveis celulósicos que deve ser usado, sob a norma, é de 1,09 bilhão de litros, ante 1,18 bilhão de litros em 2017. Geoff Cooper, da Associação do Combustível Renovável dos Estados Unidos, alertou que essa redução teria "efeito paralisante" sobre os esforços para expandir a produção de biocombustível celulósico.

O presidente Donald Trump está estudando possíveis mudanças na regulamentação para encorajar a venda de etanol, e por enquanto o futuro do setor nos Estados Unidos continuará a depender fortemente de medidas de apoio da parte do governo. Em prazo mais longo, porém, as perspectivas do etanol celulósico e outros biocombustíveis, em todo o mundo, serão muito mais positivas caso os preços do petróleo mantenham o nível atual ou subam ainda mais. (Folha de São Paulo 18/05/2018 às 15h: 57m)

 

Rodrigo Maia critica alta da gasolina e defende zerar Cide e diminuir PIS-Cofins

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu neste domingo que o governo federal avalie a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins para ajudar a diminuir o preço da gasolina no País. Ele também prometeu convocar uma comissão geral na Casa para debater, em 30 de maio, outras sugestões para reduzir os preços dos combustíveis.

"No curto prazo, o governo federal deve avaliar a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins. Os Estados podem avaliar o mesmo para o ICMS. São ideias de políticas compensatórias para enfrentar o momento atual. E estão distantes do congelamento de preços que vimos no passado.", escreveu Maia em sua conta oficial no Twitter. Cide, PIS-Cofins e ICMS são tributos que incidem sobre o preço dos combustíveis.

No curto prazo, o governo federal deve avaliar a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins. Os estados podem avaliar o mesmo para o ICMS.

Dados divulgados na última sexta-feira (18) pela Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP) mostraram que o preço médio da gasolina nas bombas terminou a semana em alta. O aumento, segundo a instituição, foi de 0,63%, para R$ 4,284 por litro na média nacional. O valor representa uma média calculada pela ANP, que verifica os preços em diversos municípios. Eles, portanto, podem variar de acordo com o local.

"A alta da gasolina me leva a chamar, na Câmara, uma Comissão Geral no dia 30 de maio para debater e mediar saídas que atendam aos apelos da população. O preço dos combustíveis, no nível em que se encontra, começa a impactar negativamente o dia a dia dos brasileiros. Convidarei Petrobras, distribuidoras, postos, governo e estudiosos para buscarmos ações diante da crise geopolítica global que encarece os combustíveis.", afirmou Maia.

No primeiro semestre do ano passado, a equipe econômica chegou a estudar elevar a Cide sobre os combustíveis para ajudar no cumprimento da meta fiscal de 2017, mas acabou não fazendo por temer desgaste político. A elevação da contribuição era uma das alternativas avaliadas porque depende apenas de um decreto do Executivo para que passe a valer. O aumento, porém, só passa a valer três meses após a assinatura do decreto. (Agência Estado 21/05/2018)

 

Usinas podem parar em razão da safra recorde da Índia e Tailândia

A safra recorde de açúcar na Índia e na Tailândia está pesando sobre os produtores no Brasil, o maior fornecedor mundial do adoçante.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), até nove usinas podem não moer cana em 2018/19 devido a problemas financeiros, juntando-se a um grupo de cerca de 80 unidades que interromperam a moagem desde 2008.

O quadro se agrava, segundo a entidade, porque o preço do açúcar está abaixo do custo médio de produção no Brasil após uma queda nos preços globais neste ano, tornando ainda mais difícil para algumas usinas financiar a compra de cana e manter suas fábricas. O Brasil tinha cerca de 330 usinas em 2017, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Com a superprodução no sudeste asiático, que derrubou o preço da commodity no mercado global, criando a perspectiva de outro superávit no próximo ano, os fundos de hedge estão se preparando para mais perdas e já realizam apostas de quedas de preços por cinco meses consecutivos.

“A Índia vai se tornar um inimigo do mundo do açúcar, já que, basicamente, é ela quem produz e lança no mercado esse excedente”, disse o corretor da ED&F Man Capital Markets, Michael McDougall, em Nova York. “Acho que isso vai pressionar algumas usinas brasileiras a abandonar os negócios”.

As empresas açucareiras no Brasil podem enfrentar prejuízos se os preços continuarem sendo negociados de 10 centavos a 11 centavos de dólar por libra-peso, disse o diretor executivo do grupo de açúcar Virgolino de Oliveira, Joamir Alves, em São Paulo. Como a maioria das outras empresas no Brasil, a GVO irá direcionar a maior parcela possível de cana para a produção de etanol em 2018/19.

Apenas esse ano, o açúcar bruto caiu 23%. Na ICE Futures, em Nova York, os contratos futuros de açúcar para entrega em julho subiram 0,2%, indo para 11,63 centavos de dólar por libra-peso, na quinta-feira, após caírem mais de 0,8%. O preço chegou a 10,93 centavos em abril, o menor desde setembro de 2015.

DÍVIDAS ELEVADAS NO BRASIL

Cerca de 30% das usinas de açúcar brasileiras enfrentam altos níveis de endividamento, afirma a presidente da Unica, Elizabeth Farina. Assim, de acordo com ela, toda vez que a Índia subsidia sua produção e exportação, o país comprime ainda mais os preços globais, afetando as chances de uma recuperação para as empresas brasileiras em crise.

O montante de endividamento das usinas no Brasil é estimado em cerca de 85 bilhões de reais (US$ 23,1 bilhões), segundo a consultoria MB Agro. E a dívida das usinas provavelmente aumentará na atual temporada, disse o analista sênior de agronegócios do Banco Itaú BBA, Guilherme Bellotti.

DIFICULDADES DAS USINAS INDIANAS

Por sua vez, as usinas na Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, também estão lutando. Elas estão vendendo açúcar abaixo do custo e, atualmente, devem aos agricultores locais cerca de 200 bilhões de rúpias (US$ 2,95 bilhões). Foi para tentar minimizar esse quadro e ajudar as usinas a pagar suas dívidas que o governo do país alocou 15,4 bilhões de rúpias (US$ 230 milhões) para subsidiar uma parte dos pagamentos de cana feitos aos agricultores.

O país também permitiu que as usinas de açúcar exportassem açúcar branco dentro de um plano que lhes permite comprar quantidades equivalentes sem pagar imposto de importação dentro de um período de dois anos, a partir de outubro de 2019. Separadamente, o governo pediu às usinas que exportem 2 milhões de toneladas de açúcar como parte de outro programa, que aloca cotas obrigatórias às companhias.

Colheitas abundantes na Índia e na Tailândia podem resultar em um superávit global de 11,1 milhões de toneladas na safra 2017/18 (outubro a setembro). Conforme o diretor executivo da International Sugar Organization, José Orive, há um mês, a expectativa era de um excedente de 10,1 milhões de toneladas; em março, esse valor era de 5,15 milhões de toneladas.

A atualização nos números foi necessária por conta da safra maior na Índia e, ainda segundo Orive, foi um “choque” para todos os participantes do mercado, pois eles não esperavam por um salto anual de cerca de 50%.

“A Índia é uma força imparável neste momento”, disse McDougall. “Uma boa monção pode significar outra safra recorde, que prejudicará todo o mundo do açúcar” (Bloomberg, NovaCana, 17/5/18)

 

Açúcar: Alta semanal

Após uma longa sequência de fortes quedas, os contratos futuros do açúcar acumularam alta na bolsa de Nova York na semana passada.

Na sexta-feira, os papéis com vencimento em outubro fecharam a 11,97 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 10 pontos e valorização de 3,19% desde segunda-feira.

De acordo com analistas, a redução das vendas especulativas dos fundos e as condições climáticas de seca no Centro-Sul do Brasil contribuíram para dar sustentação ao mercado nos últimos dias.

Além disso, a recente alta do petróleo tende a encorajar as usinas locais a destinarem ainda mais cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 53,61 a saca de 50 quilos, queda de 0,3%. (Valor Econômico 21/05/2018)

 

Etanol hidratado sobe 6,76% e anidro avança 5,48% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 6,76% nesta semana, de R$ 1,5184 para R$ 1,6210 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em duas semanas, os preços do hidratado nas usinas subiram 12,04%, após dois meses de queda.

Mesmo com o início da safra de cana-de-açúcar e uma oferta maior do biocombustível, a demanda e os valores do etanol acompanharam os recentes reajustes nos preços da gasolina. Já o valor anidro avançou 5,48% na semana, de R$ 1,6516 o litro para R$ 1,7421 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 21/05/2018)

 

Venda de bloco de ações da Cosan movimenta R$ 709 milhões na bolsa

A negociação de um bloco de ações (“block trade”) da Cosan nesta quinta-feira movimentou um total de R$ 709 milhões na bolsa, de acordo com uma corretora.

Ontem, a B3 já havia informado que, entre as 11h30 e as 11h45 de hoje, o BTG Pactual iria intermediar a venda de 17,2 milhões de ações, ou 4,21% do capital da Cosan. O preço final negociado no “block trade” foi de R$ 41,25.

Conforme informações do site “Brazil Journal”, a anglo-holandesa Shell foi a vendedora da fatia. A participação da Shell na Cosan foi obtida como pagamento pela venda da participação da petrolífera na Comgás.

Às 14h51, as ações da Cosan operavam em alta de 1,88%, a R$ 40,71. O Ibovespa cai 2,41%, aos 84.449 pontos.

Por causa do “block trade” hoje, o giro financeiro da Cosan ON já é o segundo maior do Ibovespa, em R$ 942,4 milhões, atrás apenas da Petrobras PN, que movimenta R$ 1,74 bilhão. Ontem, a ação da Cosan girou R$ 106 milhões. (Valor Econômico 17/05/2018 às 15h: 04m)

 

Centroalcool, de Goiás, dá início à moagem nesta safra 2018/19

Em meio a um complicado processo de recuperação judicial iniciado há quatro anos, a Centroalcool, que é dona de uma destilaria localizada em Inhumas, na região central de Goiás, começará no fim do mês a moagem de cana deste ciclo 2018/19 com perspectivas otimistas.

Com capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas por safra, a empresa estima que neste ciclo passarão por suas máquinas cerca de 700 mil toneladas, a partir das quais planeja produzir 60 milhões de litros de álcool.

Se confirmadas as previsões, afirma Alceu Pereira Lima Neto, proprietário da Centroalcool, o faturamento da companhia deverá chegar a R$ 140 milhões em 2018. Dessa forma, pretende dar continuidade a sua retomada e moer 950 mil toneladas de cana na safra 2019/20, que terá início em abril do ano que vem.

Mesmo diante de um turbulento processo de recuperação judicial, que levou o empresário de 38 anos a pedir a suspeição do judiciário e não tem data para ser encerrado, a companhia tem ampliado sua área de cana, cultivada em terras arrendadas. Plantou mais 2,6 mil hectares nos últimos dois anos e hoje conta 14 mil hectares no total.

Com a melhora do cenário para os biocombustíveis no país, em boa medida graças à aprovação do RenovaBio, política que privilegia produtos como etanol e biodiesel para que o país cumpra metas ambientais assumidas em acordos internacionais, a Centroalcool também começa a planejar novos investimentos.

Conforme Neto, o mais importante projeto em gestação prevê a construção de uma usina de etanol de milho também em Inhumas. O aporte na nova unidade, cuja capacidade está dimensionada em 400 mil litros por dia, é estimado em R$ 26 milhões. O objetivo é que a fábrica comece a operar em janeiro. (Valor Econômico 18/05/2018 às 14h: 39m)

 

Petróleo em alta volta a tornar o etanol celulósico competitivo

A recuperação dos preços do petróleo voltou a tornar promissoras as perspectivas para o etanol produzido a partir de resíduos agrícolas, o que no passado já chegou a ser a grande aposta da indústria de combustíveis alternativos.

Em meio a custos com combustível cada vez mais pesados no bolso do consumidor, o chefe do último consórcio ainda empenhado em produzir em grande escala esse tipo de etanol nos EUA acredita que as outras empresas erraram ao desistir dessa frente. Feike Sijbesma, executivo-chefe da Royal DSM, empresa holandesa que faz parte do grupo que trabalha para produzir etanol celulósico na usina de Project Liberty, em Iowa, disse que o combustível caminha para ser competitiva frente à gasolina. A alta nos preços do petróleo ajuda.

A recente recuperação nas cotações para mais de US$ 75 por barril do petróleo Brent aumenta as esperanças de que o etanol celulósico possa ser competitivo, caso os problemas de engenharia do processo possam ser solucionados. "Não tem sido uma estrada fácil, mas estamos chegando lá", disse ao jornal Financial Times. "A tecnologia é mais complicada do que todos imaginavam no início".

A Royal DSM, que trabalha nas áreas química e de biotecnologia, criou a Project Liberty junto com a empresa americana de etanol Poet, para produzir o combustível a partir das espigas, folhas e cascas de milho deixadas após a colheita.

A usina foi inaugurada em 2014, mas ainda não atingiu a capacidade plena de produção de 20 milhões de galões de etanol (cerca de 76 milhões de litros) por ano.

DuPont e Abengoa, que coordenavam projetos similares nos Estados Unidos, os abandonaram.

O Project Liberty, no entanto, não só continuou operando como sua produção agora está em alta. Um sinal de como o consórcio Poet-Royal DSM se mantém confiante é o fato de que em 2017 prometeu construir instalações na usina para desenvolver as enzimas usadas para "romper" a celulose presente nos restos do milho e, assim, produzir o biocombustível.

Sijbesma disse que o maior desafio do Project Liberty foi a logística de recolher os resíduos de milho e, depois, processá-los antes de iniciar o tratamento na usina. A eficiência das enzimas em romper a celulose superou as expectativas, mas houve outros problemas, como a dificuldade de remover a sujeira, areia e pedras do material.

Ele acrescentou que esses problemas vão ser mais fáceis de resolver do que os métodos científicos básicos, de usar as enzimas para romper a celulose, porque são questões mais similares às de outros processos de produção.

No atual cenário de preços, se a Project Liberty estivesse produzindo a todo vapor, seu etanol seria competitivo em relação à gasolina, segundo Sijbesma. "Com qual preço nos sentimos confortáveis? US$ 70". O petróleo Brent passou dos US$ 79 por barril nesta semana pela primeira vez desde 2014.

Há dez anos, o etanol celulósico era visto como vital para o futuro do fornecimento de fontes de energia, pois representava uma opção para os combustíveis fósseis e tinha emissões mais baixas de gases-estufa, além de não concorrer com a demanda por alimentos.

A Lei de Segurança e Independência Energética dos EUA, de 2007, traçou metas ambiciosas para o uso dos biocombustíveis celulósicos, que não chegaram nem perto de ser alcançadas. Foram produzidos 10 milhões de galões de etanol celulósico em 2017 nos EUA, só 0,2% do objetivo original.

A DowDupont, criada pela fusão da DuPont e da Dow Chemical, parou de produzir em sua usina de etanol celulósico em Iowa e a colocou à venda. A Abengoa também desativou sua usina de etanol celulósico no Kansas, em 2015. A usina entrou em processo de recuperação judicial e foi comprada no fim daquele ano por uma empresa americana chamada Synata Bi o, que, com uma oferta de US$ 48,5 milhões, superou a Royal Dutch Shell em leilão. Fontes do setor dizem que a usina não aparenta estar produzindo etanol celulósico. Procurado, a Synata não faz nenhum comentário.

Outras empresas vêm tentando caminhos diferentes para produzir etanol celulósico. A DowDupont, por exemplo, vende as enzimas para o combustível produzidas a partir dos grãos de milho que sobram da produção do etanol convencional. A Aemetis, da Califórnia, pretende criar uma usina para produzir etanol celulósico a partir de resíduos de pomares e cascas de nozes.

A exigência de uso de biocombustíveis prevista na lei norte-americana de 2007 continua, mas modificada. No caso dos celulósicos, a exigência foi reduzida para cerca de 5% de sua meta original e, na maior parte, é cumprida por meio do uso de gás natural renovável, obtido de fontes como as usinas de tratamento de esgoto e aterros sanitários.

Para 2018, a exigência de uso de combustível celulósico foi fixada em 288 milhões de galões, abaixo dos 311 milhões de 2017. Os EUA estudam mudanças nas regras para encorajar a venda de etanol. No longo prazo, as perspectivas para o etanol e outros biocombustíveis celulósicos no mundo vão ser muito melhores se os preços do petróleo continuarem no nível atual ou se subirem ainda mais. (Financial Times 18/05/2018)

 

Senadores tentam acordo sobre proibição de vendas de veículos a gasolina

Para o relator, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), texto incentiva a modernização da indústria automotiva.

Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) estão negociando um acordo para permitir a votação de um projeto do senador Telmário Mota (PTB-RR) que veda gradativamente a comercialização de veículos movidos a combustíveis fósseis. Projeto com esse objetivo (PLS 454/2017) já recebeu voto favorável do relator Cristovam Buarque (PPS-DF).

A proposta esteve na pauta da última reunião da CAE, mas não chegou a ser votada depois que alguns parlamentares questionaram a proposta, que pretende eliminar totalmente, a partir de janeiro de 2060, a venda de novos veículos com motor a combustão. Para chegar a esse objetivo, o texto prevê limites a serem compridos ao passar dos anos.

O senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE) foi um dos que pediram mais reflexão sobre o assunto. Na opinião dele, nenhum país do mundo tem uma matriz energética tão limpa quanto o Brasil, e o país não precisa ficar copiando modelos adotados em outras nações. Além disso, acrescentou, a indústria automobilística é responsável por 23% do PIB do setor industrial do Brasil e precisa ser ouvida.

“Em primeiro lugar, a gente precisa saber de onde virá a energia que estará nos eletropostos. A China pretende ter, em 2030, 60% de sua frota eletrificada, mas a energia chinesa vem do carvão. Então é preciso uma discussão bem mais ampla. Não há matriz tão limpa quanto a brasileira e não podemos andar nos mesmos passos de outros países sem olhar para nossa realidade”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que o carro híbrido, embora seja uma tecnologia de transição, talvez deva ser utilizado por um período mais longo no Brasil, diante do forte agronegócio do país, capaz de produzir energia limpa, como biocombustíveis (etanol, biomassa ou biodiesel).

“Nós precisamos valorizar o carro híbrido. É um carro de transição? Sim, mas por quanto tempo? Talvez para nós faça sentido tê-lo por mais 50 anos, pois vai ser melhor para a economia brasileira. Não estamos aqui para copiar modelos de outros países que não tem a mesma base agrícola do Brasil. Podemos construir nosso próprio modelo”, afirmou.

Audiência

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) também se disse preocupada com a viabilidade da proposta. Segundo ela, não adianta o Congresso aprovar uma lei para ser vetada pelo Poder Executivo ou não executada. Diante disso, sugeriu a realização de audiência com representantes do Ministério de Minas e Energia.

“O projeto é louvável, ninguém discute o problema da poluição, mas tenho informação que o governo federal está em processo de elaboração de um programa relacionado a isso. Me preocupa não a data final de 2060, mas a parte do texto que determina para 2030 a presença de 10% de veículos elétricos na frota. Ou seja, daqui a dez anos praticamente. Será que teremos postos e a estrutura necessária?”, disse.

Ritmo da história

O relator, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), elogiou a iniciativa e disse que o autor acertou "no ritmo da história" ao apresentar uma proposta da maior importância, visto que os combustíveis fósseis não podem ser mais a principal fonte de energia para moverem os veículos.

“A participação de veículos elétricos no mercado brasileiro é ínfima, mesmo se considerarmos os modelos híbridos. Determinações como essa estão em vigor em vários países. O Brasil não pode ser apenas expectador das inovações da indústria automobilística e deve tomar decisões estratégicas a esse respeito”, afirmou.

O senador disse que até pensou em apresentar uma emenda reduzindo a data-limite de 2060 para prazo mais curto, mas, para evitar discussões sobre a viabilidade, preferiu deixar como está. Apesar de ser a favor do projeto, o relator não se opôs aos pedidos de mais tempo para discussão do texto. (Agência Estado 21/05/2018)

 

IAC desenvolve pesquisas em prol do açúcar e do produtor

O Instituto Agronômico (IAC) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo necessitava, nos anos 90, de uma reorganização institucional, pois passava por problemas de sustentação financeira - que começaram no fim dos anos 70 e foram agravados durante os 80. A reforma do IAC então começou na década de 90, quando foram criados projetos como o Pró-Cana.

Outros fatores para criação do programa foram a vontade interna de revitalizar a pesquisa com a cana-de-açúcar e a demanda de usuários, estimulando o desenvolvimento de novas variedades. O projeto principal foi pensado para o melhoramento genético visando à obtenção de variedades mais produtivas, com maior riqueza em açúcar e com outras características que proporcionem vantagens econômicas.

Como resultado, em outubro de 1994, efetivou-se o Pró-Cana, que integra em suas atividades várias áreas de pesquisa como a fisiologia, fertilidade e climatologia.

É um dos três programas de melhoramento genético de cana-de-açúcar do Brasil e tem contribuições efetivas para a sustentabilidade do setor sucroenergético do Brasil. Por exemplo, a canavicultura de três dígitos é viabilizada por pacote tecnológico do IAC. As variedades de cana do Instituto Agronômico, somadas ao manejo recomendado, fazem o resultado médio saltar de 70 para 100 toneladas de açúcar, por hectare.

Outro exemplo está nas variedades IAC adaptadas ao estresse hídrico. A rede experimental do Instituto Agronômico também evidenciou clones IAC que, pelo desempenho, tornaram-se variedades atualmente cultivadas em áreas expressivas nas regiões com déficit hídrico.

Açúcar

Em 2013, em parceria com o Pró-Cana do IAC, a pesquisadora Elisangela Marques Jeronimo Torres, da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), coordenou um estudo na Unidade de Pesquisa de Jaú utilizando 10 variedades de cana para produção de açúcar mascavo, objetivando avaliar diferenças na qualidade do produto final.

A pesquisadora diz que “o resultado foi muito expressivo, pois nas condições de produção em escala artesanal houve influência direta da variedade de cana em relação à cor e ao rendimento do açúcar mascavo. No projeto de pesquisa, também estudamos alguns ajustes tecnológicos de processamento do caldo de cana para produção do mascavo, dentre eles a utilização do bicarbonato de sódio para dar ponto do açúcar em escala de produção artesanal”.

Com a estrutura e a linha de pesquisa montadas por Elisangela, a atual gestão do Polo de Jaú dá continuidade ao trabalho de uma forma prática, diz Gabriela Aferri, especialista em cana forrageira. “Nossa Unidade produz, mas não temos pesquisadores nessa área. Nosso conhecimento é prático.” A Unidade  trabalha com a transferência de conhecimento, por meio de treinamentos práticos voltados aos produtores.

Cachaça

A linha de pesquisa em cachaça no Polo Regional Centro Oeste da Apta, em Bauru, começou em 2005, com a chegada da pesquisadora Elisangela Marques na Unidade de Pesquisa de Jaú. A necessidade de desenvolver os estudos foi identificada a partir de um levantamento de demandas e conhecimento dos produtores da região.

A pesquisadora contou que em 2007 aprovou o primeiro projeto para implantar um laboratório, com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). No mesmo ano, foi criado outro projeto por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Apta, coordenado pela pesquisadora Celina Maria Henrique, do Polo Regional Centro Sul de Piracicaba, para diagnosticar a situação da cachaça no Estado de São Paulo, buscando os gargalos e oportunidades nos aspectos agrícolas, sociais, econômicos e ambientais.

Outras pesquisas

Do dia 1 de abril de 2007 ao dia 30 de junho de 2009:

Adição de nutriente orgânico como fonte de nitrogênio proteico ao mosto de cana-de-açúcar para a produção de cachaça de alambique

Do dia 1 de abril de 2008 ao dia 30 de setembro de 2008:

Programa de revitalização e capacitação da produção de cachaça de alambique paulista

Do dia 1 de julho de 2010 ao dia 31 de dezembro de 2011:

Formação de carbamato de etila em cachaça em função da matéria-prima e do tipo de fermento

Tipos de Açúcares

Beatriz de Castro, nutricionista da Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (Codeagro) da Secretaria diz que “somos o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. Nosso paladar doce é uma questão cultural, que herdamos de nossos colonizadores”. Existem no dia a dia vários tipos de açúcares, e a nutricionista recomenda que “diminua o consumo do açúcar refinado, prefira o mascavo ou demerara, pois eles possuem mais nutrientes, portanto, são mais saudáveis”. (IAC 18/05/2018)

 

Fronteiras do etanol de cana-de-açúcar

Mais de 100 nações exploram a cana-de-açúcar, mas o desempenho do Brasil nesse campo da agroindústria é singular. O país é o maior produtor mundial, com 646 milhões de toneladas colhidas na safra de 2017/2018, e as usinas do país têm rendimento elevado, fabricando açúcar e etanol em larga escala e recorrendo à queima de resíduos de cana para gerar eletricidade. Um grupo de pesquisadores do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Universidade Estadual de Campinas (Nipe-Unicamp) dedicou os últimos cinco anos a estudar por que o modelo adotado no Brasil não teve o mesmo sucesso em outras nações de clima tropical e quais seriam as condições necessárias para que a América Latina e a África consigam ampliar a produção de bioenergia. "A formação de uma rede robusta de países produtores do etanol de cana é importante para consolidar o mercado de biocombustíveis", explica o engenheiro agrícola Luis Cortez, professor da Unicamp. "O objetivo do nosso projeto é gerar conhecimento para orientar estratégias desses países."

Cortez é o líder do Lacaf (Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the GSB Project), projeto temático iniciado em 2013 e vinculado ao Global Sustainable Bionergy (GSB), iniciativa para discutir a viabilidade da produção de biocombustíveis em larga escala e em nível mundial (ver Pesquisa FAPESP nos 162 e 163). O Lacaf foi estruturado para dar resposta a três perguntas. A primeira é: por que um país latino-americano ou africano se interessaria em produzir etanol? "A experiência do Brasil, que criou uma indústria do bioetanol e utiliza o combustível para adicionar à gasolina, responde em parte a essa pergunta", afirma o engenheiro Luiz Horta Nogueira, pesquisador da Universidade Federal de Itajubá e do Nipe. "Mas há um pano de fundo, que são as assimetrias no desenvolvimento. América Latina e África estão ficando mais distantes de sociedades industrializadas na Ásia. A bioenergia ajudaria essas regiões a ganhar fôlego."

A segunda pergunta do projeto foi: quanto etanol poderia ser produzido de modo sustentável? Os pesquisadores testaram cenários conservadores. Em artigo publicado em janeiro na revista Renewable Energy, o grupo constatou que países como Guatemala, Nicarágua e Cuba poderiam substituir por etanol 10% da gasolina e entre 2% e 3% do diesel que consomem apenas por meio de ganhos de produtividade em usinas e destilarias, sem precisar ampliar a área plantada de cana. Já a Bolívia, com um pequeno avanço dos canaviais sobre áreas de pasto, conseguiria substituir 20% da gasolina e do diesel e ainda exportar etanol excedente. O uso do bagaço para produzir eletricidade poderia suprir as necessidades de um terço dos 11% da população boliviana sem acesso à eletricidade.

Na África, os impactos seriam ainda mais diversos. Um paper publicado pelo grupo em 2016 na Frontiers in Energy Research mostrou que a expansão da cana em 1% das áreas de pastagens em Angola, Moçambique e Zâmbia geraria um volume de combustível capaz de substituir 70% da madeira usada em fogões a lenha que enfumaçam as cozinhas e causam danos à saúde. A queima de resíduos da cana poderia ampliar em 10% a geração de eletricidade em Moçambique, Malawi, e Zâmbia, e em 20% em Angola.

Ao responder à terceira pergunta - como, então, ampliar a produção?, os pesquisadores constataram que não existe um caminho único, ainda que o modelo do Brasil possa servir de inspiração. Colômbia, Argentina, Guatemala e Paraguai adotaram um sistema semelhante ao brasileiro, com usinas de grande porte produzindo etanol, açúcar e energia. "Isso de certa forma é uma comprovação de que o modelo é sustentável", diz o engenheiro Manoel Régis Leal, pesquisador do Nipe-Unicamp. É certo que a escala de produção não é comparável: estima-se que o Brasil seja responsável por três quartos da produção de cana do continente, enquanto os demais países dividem os 25% restantes. "Mas regiões como o Vale do Cauca, na Colômbia, com campos de cana irrigada, têm produtividade elevada", informa Leal.

Existem formas distintas de uso da terra em que a matéria-prima é produzida. No Brasil, em média, um terço da cana é plantado em propriedades da usina, outro terço em terra arrendada e o terço final é adquirido de produtores independentes. "Mas nem todas as usinas são assim e há lugares, como Índia e Tailândia, em que 100% da cana é fornecida por pequenos produtores", explica Leal.

Assistência e Insumos

Os pesquisadores visitaram vários países, mas concentraram sua análise em dois deles: Moçambique e Colômbia. "A Colômbia está bem mais avançada, inclusive com centros de pesquisa para aperfeiçoar a produção", conta Luis Cortez. Já em Moçambique o cenário é de estagnação. Um caso excepcional é o da açucareira Xinavane, na província de Maputo. "Instalada pelos portugueses, a empresa foi paralisada durante a guerra civil [1977-1992] e mais tarde reabilitada por um grupo sul-africano. A usina implementou um sistema no qual pequenos produtores fornecem parte da cana e recebem em troca assistência e insumos", explica Leal. As dificuldades em Moçambique, ele observa, têm a ver com uma estrutura fundiária complexa. "A terra pertence ao governo e a cessão é intermediada por chefes tribais." Apesar disso, indicadores econômicos tendem a melhorar quando uma usina é construída. "As populações passam a ter acesso a mais empregos e há ganhos em infraestrutura, incluindo linhas de eletricidade, hospitais e escolas", afirma Leal.

Os estudos de caso sugerem que a viabilidade econômica do bioetanol está relacionada com a produção em larga escala. "Um modelo baseado apenas na agricultura familiar não funciona. Usinas de um certo porte garantem a produtividade adequada", diz Luiz Horta Nogueira. Segundo ele, vários motivos explicam a dificuldade de o bioetanol se consolidar em outros países. "Um deles é a limitação de recursos para grandes projetos. Mas também persiste um nível de desinformação alto", afirma. "Temos usado há décadas etanol em motores de automóveis, mas em alguns países ainda se diz que o combustível provoca corrosão." A dúvida mais recorrente envolve a ideia de que, se a terra for usada para produzir energia, pode faltar espaço para produzir alimento. "Isso não faz sentido. Em Moçambique, fizemos as simulações avançando sobre 1% de terras de pastagens", afirma. "Desde o pós-guerra, a disponibilidade de alimentos por pessoa aumentou muito. Há problemas localizados associados à renda, não à falta de comida."

Para partilhar o conhecimento, o grupo realizou workshops nos Estados Unidos e na África do Sul e convidou pesquisadores e autoridades de vários países. "Apresentamos mapas e estudos de modelagens. O impacto foi bom. Os colombianos convidaram o nosso pessoal para voltar", diz Cortez. Os resultados do projeto serão divulgados em um livro, a ser lançado pela editora britânica Taylor & Francis.

Projeto

Contribuição de produção de bioenergia pela América Latina, Caribe e África ao projeto GSB-Lacaf-Cana-I (nº 12/00282-3); Modalidade Projeto Temático; Pesquisador responsável Luis Augusto Barbosa Cortez (Unicamp); Investimento R$ 1.418.993,89

Alta no preço do petróleo cru é causa de esperança para o etanol

Governo Trump está estudando possíveis mudanças na regulamentação para encorajar a venda de etanol.

A recuperação no preço do petróleo fez com que as perspectivas do álcool combustível (etanol) produzido com resíduos agrícolas, no passado a grande esperança do setor de combustíveis alternativos, voltassem a parecer promissoras.

O presidente do último consórcio que persiste em produzir etanol dessa maneira em escala industrial acredita que as outras companhias tenham errado ao descartar o método, agora que os consumidores estão encarando uma alta nos preços dos combustíveis.

Feike Sijbesma, presidente-executivo da Royal DSM, uma empresa holandesa que é parte de um grupo que trabalha com etanol celulósico na usina Project Liberty, em Iowa, disse que o projeto estava a caminho de produzir combustível em preço competitivo com o da gasolina, e que a alta no preço do petróleo estava ajudando.

A recente recuperação nos preços do petróleo, para mais de US$ 75 por barril de petróleo cru padrão Brent, despertou esperanças de que o etanol celulósico possa se provar competitivo, se os problemas de engenharia restantes puderem ser resolvidos.

"O caminho não foi fácil, mas estamos chegando lá", ele disse ao Financial Times. "A tecnologia é mais complicada do que qualquer um imaginava, no começo".

A DSM, uma empresa de biotecnologia e produtos químicos, criou a usina Project Liberty em parceria com a Poet, uma fabricante americana de etanol, a fim de produzir combustível usando sabugos de milho, folhas e cascas que restam nos campos depois da colheita.

A cerimônia de inauguração da usina aconteceu em 2014, mas ela ainda não atingiu sua capacidade plena de produção de 75 milhões de litros de etanol por ano.

Boa parte do dinheiro investido em petróleo vem de investidores de prazo mais longo tentando operar com ativos de "ciclo tardio", como as commodities.

A DuPont, dos Estados Unidos, e a Abengoa, da Espanha, que vinham realizando projetos semelhantes, os abandonaram.

A usina Project Liberty continua a operar, no entanto, e o volume produzido está crescendo. Em um sinal da crescente confiança do consórcio Poet-DSM sobre a tecnologia, no ano passado o grupo assumiu o compromisso de construir no local instalações para a produção das enzimas usadas para decompor a celulose presente nos resíduos de milho, a fim de produzir combustível.

Sijbesma disse que o principal desafio que a Project Liberty vinha enfrentando era administrar a logística da coleta dos resíduos de safras de milho e seu processamento para tratamento na usina. As enzimas superaram as expectativas em termos de sua efetividade na decomposição da celulose, mas surgiram problemas de engenharia como a dificuldade de remover terra, areia e pedras recolhidos junto com o material vegetal.

Ele acrescentou que esses desafios de processamento devem se provar mais fáceis de resolver do que a questão científica fundamental de como usar enzimas para decompor a celulose, porque eles são o tipo de que questão a que as empresas estão acostumadas em outros processos industriais.

Em novembro do ano passado, a companhia anunciou um "grande avanço" na usina, desenvolvendo uma forma de pré-tratamento para os resíduos de milho que permitia que as enzimas e fermentos usados na produção do etanol trabalhassem com mais facilidade.

Poet e a DSM esperam licenciar sua tecnologia para outros produtores, afirmando que ela "oferece uma imensa oportunidade de negócios" para empresas que estejam produzindo etanol de primeira geração com base em milho e outros grãos.

Se a Project Liberty estivesse produzindo em plena capacidade, seu etanol seria competitivo com a gasolina, aos preços atuais, disse Sijbesma. "Quanto mais alto o preço do petróleo, mais econômicos nos tornamos", ele acrescentou. "Qual é o preço com que nos sentimos confortáveis, para o petróleo? US$ 70". O petróleo cru padrão Brent subiu para mais de US$ 79 por barril esta semana, pela primeira vez desde 2014.

Uma década atrás, o etanol celulósico era visto por muitos como vital para a oferta futura de energia, oferecendo uma alternativa aos combustíveis fósseis, com emissões menores dos gases causadores do efeito estufa; além disso, essa forma de etanol não compete com a demanda por alimentos. A Lei de Independência e Segurança Energética dos Estados Unidos, de 2007, estabeleceu metas ambiciosas para o uso de biocombustível celulósico, que o setor não chegou nem perto de atingir. Apenas 38 milhões de litros de etanol celulósico foram produzidos nos Estados Unidos no ano passado, o que equivale a 0,2% da meta original para biocombustíveis.

A DowDupont, companhia formada pela fusão entre a DuPont e a Dow Chemical, suspendeu a produção em sua usina de etanol celulósico em Iowa, e a colocou à venda.

A Abengoa também suspendeu a produção de sua usina de etanol celulósico em Hugoton, Kansas, em 2015. A usina de Hugoton entrou em concordata em 2016, e foi adquirida no final daquele ano por uma empresa americana chamada Synata Bio, que derrotou a Royal Dutch Shell em um leilão, com uma oferta de US$ 48,5 milhões. Fontes setoriais afirmam que a usina não parece estar produzindo etanol celulósico. A Synata declarou que "não faremos qualquer comentário sobre Hugoton, no momento".

Outras empresas estão tentando caminhos diferentes para produzir etanol celulósico. A DowDupont, por exemplo, vende enzimas para o chamado combustível "geração 1,5", feitas com os grãos de milho que restam da produção de etanol convencional. A Aemetis, da Califórnia, planeja desenvolver uma usina para produzir etanol celulósico com cascas de frutas secas e resíduos de pomares.

As metas para uso de biocombustíveis estabelecidas sob a lei de 2007 ainda existem, mas em forma fortemente modificada. O requisito de uso de biocombustíveis celulósicos caiu para cerca de 5% de seu nível original, e a maior parte da meta é cumprida não por meio do etanol mas sim do gás natural renovável, produzido em aterros sanitários e usinas municipais de tratamento de esgotos.

Para 2018, o volume de biocombustíveis celulósicos que deve ser usado, sob a norma, é de 1,09 bilhão de litros, ante 1,18 bilhão de litros em 2017. Geoff Cooper, da Associação do Combustível Renovável dos Estados Unidos, alertou que essa redução teria "efeito paralisante" sobre os esforços para expandir a produção de biocombustível celulósico.

O presidente Donald Trump está estudando possíveis mudanças na regulamentação para encorajar a venda de etanol, e por enquanto o futuro do setor nos Estados Unidos continuará a depender fortemente de medidas de apoio da parte do governo. Em prazo mais longo, porém, as perspectivas do etanol celulósico e outros biocombustíveis, em todo o mundo, serão muito mais positivas caso os preços do petróleo mantenham o nível atual ou subam ainda mais. (Folha de São Paulo 18/05/2018 às 15h: 57m)

 

Rodrigo Maia critica alta da gasolina e defende zerar Cide e diminuir PIS-Cofins

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu neste domingo que o governo federal avalie a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins para ajudar a diminuir o preço da gasolina no País. Ele também prometeu convocar uma comissão geral na Casa para debater, em 30 de maio, outras sugestões para reduzir os preços dos combustíveis.

"No curto prazo, o governo federal deve avaliar a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins. Os Estados podem avaliar o mesmo para o ICMS. São ideias de políticas compensatórias para enfrentar o momento atual. E estão distantes do congelamento de preços que vimos no passado.", escreveu Maia em sua conta oficial no Twitter. Cide, PIS-Cofins e ICMS são tributos que incidem sobre o preço dos combustíveis.

No curto prazo, o governo federal deve avaliar a possibilidade de zerar a Cide e diminuir o PIS-Cofins. Os estados podem avaliar o mesmo para o ICMS.

Dados divulgados na última sexta-feira (18) pela Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP) mostraram que o preço médio da gasolina nas bombas terminou a semana em alta. O aumento, segundo a instituição, foi de 0,63%, para R$ 4,284 por litro na média nacional. O valor representa uma média calculada pela ANP, que verifica os preços em diversos municípios. Eles, portanto, podem variar de acordo com o local.

"A alta da gasolina me leva a chamar, na Câmara, uma Comissão Geral no dia 30 de maio para debater e mediar saídas que atendam aos apelos da população. O preço dos combustíveis, no nível em que se encontra, começa a impactar negativamente o dia a dia dos brasileiros. Convidarei Petrobras, distribuidoras, postos, governo e estudiosos para buscarmos ações diante da crise geopolítica global que encarece os combustíveis.", afirmou Maia.

No primeiro semestre do ano passado, a equipe econômica chegou a estudar elevar a Cide sobre os combustíveis para ajudar no cumprimento da meta fiscal de 2017, mas acabou não fazendo por temer desgaste político. A elevação da contribuição era uma das alternativas avaliadas porque depende apenas de um decreto do Executivo para que passe a valer. O aumento, porém, só passa a valer três meses após a assinatura do decreto. (Agência Estado 21/05/2018)

 

Usinas podem parar em razão da safra recorde da Índia e Tailândia

A safra recorde de açúcar na Índia e na Tailândia está pesando sobre os produtores no Brasil, o maior fornecedor mundial do adoçante.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), até nove usinas podem não moer cana em 2018/19 devido a problemas financeiros, juntando-se a um grupo de cerca de 80 unidades que interromperam a moagem desde 2008.

O quadro se agrava, segundo a entidade, porque o preço do açúcar está abaixo do custo médio de produção no Brasil após uma queda nos preços globais neste ano, tornando ainda mais difícil para algumas usinas financiar a compra de cana e manter suas fábricas. O Brasil tinha cerca de 330 usinas em 2017, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Com a superprodução no sudeste asiático, que derrubou o preço da commodity no mercado global, criando a perspectiva de outro superávit no próximo ano, os fundos de hedge estão se preparando para mais perdas e já realizam apostas de quedas de preços por cinco meses consecutivos.

“A Índia vai se tornar um inimigo do mundo do açúcar, já que, basicamente, é ela quem produz e lança no mercado esse excedente”, disse o corretor da ED&F Man Capital Markets, Michael McDougall, em Nova York. “Acho que isso vai pressionar algumas usinas brasileiras a abandonar os negócios”.

As empresas açucareiras no Brasil podem enfrentar prejuízos se os preços continuarem sendo negociados de 10 centavos a 11 centavos de dólar por libra-peso, disse o diretor executivo do grupo de açúcar Virgolino de Oliveira, Joamir Alves, em São Paulo. Como a maioria das outras empresas no Brasil, a GVO irá direcionar a maior parcela possível de cana para a produção de etanol em 2018/19.

Apenas esse ano, o açúcar bruto caiu 23%. Na ICE Futures, em Nova York, os contratos futuros de açúcar para entrega em julho subiram 0,2%, indo para 11,63 centavos de dólar por libra-peso, na quinta-feira, após caírem mais de 0,8%. O preço chegou a 10,93 centavos em abril, o menor desde setembro de 2015.

DÍVIDAS ELEVADAS NO BRASIL

Cerca de 30% das usinas de açúcar brasileiras enfrentam altos níveis de endividamento, afirma a presidente da Unica, Elizabeth Farina. Assim, de acordo com ela, toda vez que a Índia subsidia sua produção e exportação, o país comprime ainda mais os preços globais, afetando as chances de uma recuperação para as empresas brasileiras em crise.

O montante de endividamento das usinas no Brasil é estimado em cerca de 85 bilhões de reais (US$ 23,1 bilhões), segundo a consultoria MB Agro. E a dívida das usinas provavelmente aumentará na atual temporada, disse o analista sênior de agronegócios do Banco Itaú BBA, Guilherme Bellotti.

DIFICULDADES DAS USINAS INDIANAS

Por sua vez, as usinas na Índia, o segundo maior produtor mundial de açúcar, também estão lutando. Elas estão vendendo açúcar abaixo do custo e, atualmente, devem aos agricultores locais cerca de 200 bilhões de rúpias (US$ 2,95 bilhões). Foi para tentar minimizar esse quadro e ajudar as usinas a pagar suas dívidas que o governo do país alocou 15,4 bilhões de rúpias (US$ 230 milhões) para subsidiar uma parte dos pagamentos de cana feitos aos agricultores.

O país também permitiu que as usinas de açúcar exportassem açúcar branco dentro de um plano que lhes permite comprar quantidades equivalentes sem pagar imposto de importação dentro de um período de dois anos, a partir de outubro de 2019. Separadamente, o governo pediu às usinas que exportem 2 milhões de toneladas de açúcar como parte de outro programa, que aloca cotas obrigatórias às companhias.

Colheitas abundantes na Índia e na Tailândia podem resultar em um superávit global de 11,1 milhões de toneladas na safra 2017/18 (outubro a setembro). Conforme o diretor executivo da International Sugar Organization, José Orive, há um mês, a expectativa era de um excedente de 10,1 milhões de toneladas; em março, esse valor era de 5,15 milhões de toneladas.

A atualização nos números foi necessária por conta da safra maior na Índia e, ainda segundo Orive, foi um “choque” para todos os participantes do mercado, pois eles não esperavam por um salto anual de cerca de 50%.

“A Índia é uma força imparável neste momento”, disse McDougall. “Uma boa monção pode significar outra safra recorde, que prejudicará todo o mundo do açúcar” (Bloomberg, NovaCana, 17/5/18)

 

Açúcar: Alta semanal

Após uma longa sequência de fortes quedas, os contratos futuros do açúcar acumularam alta na bolsa de Nova York na semana passada.

Na sexta-feira, os papéis com vencimento em outubro fecharam a 11,97 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 10 pontos e valorização de 3,19% desde segunda-feira.

De acordo com analistas, a redução das vendas especulativas dos fundos e as condições climáticas de seca no Centro-Sul do Brasil contribuíram para dar sustentação ao mercado nos últimos dias.

Além disso, a recente alta do petróleo tende a encorajar as usinas locais a destinarem ainda mais cana para a produção de etanol em detrimento do açúcar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 53,61 a saca de 50 quilos, queda de 0,3%. (Valor Econômico 21/05/2018)

 

Etanol hidratado sobe 6,76% e anidro avança 5,48% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 6,76% nesta semana, de R$ 1,5184 para R$ 1,6210 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq). Em duas semanas, os preços do hidratado nas usinas subiram 12,04%, após dois meses de queda.

Mesmo com o início da safra de cana-de-açúcar e uma oferta maior do biocombustível, a demanda e os valores do etanol acompanharam os recentes reajustes nos preços da gasolina. Já o valor anidro avançou 5,48% na semana, de R$ 1,6516 o litro para R$ 1,7421 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Reuters 21/05/2018)

 

Venda de bloco de ações da Cosan movimenta R$ 709 milhões na bolsa

A negociação de um bloco de ações (“block trade”) da Cosan nesta quinta-feira movimentou um total de R$ 709 milhões na bolsa, de acordo com uma corretora.

Ontem, a B3 já havia informado que, entre as 11h30 e as 11h45 de hoje, o BTG Pactual iria intermediar a venda de 17,2 milhões de ações, ou 4,21% do capital da Cosan. O preço final negociado no “block trade” foi de R$ 41,25.

Conforme informações do site “Brazil Journal”, a anglo-holandesa Shell foi a vendedora da fatia. A participação da Shell na Cosan foi obtida como pagamento pela venda da participação da petrolífera na Comgás.

Às 14h51, as ações da Cosan operavam em alta de 1,88%, a R$ 40,71. O Ibovespa cai 2,41%, aos 84.449 pontos.

Por causa do “block trade” hoje, o giro financeiro da Cosan ON já é o segundo maior do Ibovespa, em R$ 942,4 milhões, atrás apenas da Petrobras PN, que movimenta R$ 1,74 bilhão. Ontem, a ação da Cosan girou R$ 106 milhões. (Valor Econômico 17/05/2018 às 15h: 04m)

 

Centroalcool, de Goiás, dá início à moagem nesta safra 2018/19

Em meio a um complicado processo de recuperação judicial iniciado há quatro anos, a Centroalcool, que é dona de uma destilaria localizada em Inhumas, na região central de Goiás, começará no fim do mês a moagem de cana deste ciclo 2018/19 com perspectivas otimistas.

Com capacidade para processar 1,2 milhão de toneladas por safra, a empresa estima que neste ciclo passarão por suas máquinas cerca de 700 mil toneladas, a partir das quais planeja produzir 60 milhões de litros de álcool.

Se confirmadas as previsões, afirma Alceu Pereira Lima Neto, proprietário da Centroalcool, o faturamento da companhia deverá chegar a R$ 140 milhões em 2018. Dessa forma, pretende dar continuidade a sua retomada e moer 950 mil toneladas de cana na safra 2019/20, que terá início em abril do ano que vem.

Mesmo diante de um turbulento processo de recuperação judicial, que levou o empresário de 38 anos a pedir a suspeição do judiciário e não tem data para ser encerrado, a companhia tem ampliado sua área de cana, cultivada em terras arrendadas. Plantou mais 2,6 mil hectares nos últimos dois anos e hoje conta 14 mil hectares no total.

Com a melhora do cenário para os biocombustíveis no país, em boa medida graças à aprovação do RenovaBio, política que privilegia produtos como etanol e biodiesel para que o país cumpra metas ambientais assumidas em acordos internacionais, a Centroalcool também começa a planejar novos investimentos.

Conforme Neto, o mais importante projeto em gestação prevê a construção de uma usina de etanol de milho também em Inhumas. O aporte na nova unidade, cuja capacidade está dimensionada em 400 mil litros por dia, é estimado em R$ 26 milhões. O objetivo é que a fábrica comece a operar em janeiro. (Valor Econômico 18/05/2018 às 14h: 39m)

 

Petróleo em alta volta a tornar o etanol celulósico competitivo

A recuperação dos preços do petróleo voltou a tornar promissoras as perspectivas para o etanol produzido a partir de resíduos agrícolas, o que no passado já chegou a ser a grande aposta da indústria de combustíveis alternativos.

Em meio a custos com combustível cada vez mais pesados no bolso do consumidor, o chefe do último consórcio ainda empenhado em produzir em grande escala esse tipo de etanol nos EUA acredita que as outras empresas erraram ao desistir dessa frente. Feike Sijbesma, executivo-chefe da Royal DSM, empresa holandesa que faz parte do grupo que trabalha para produzir etanol celulósico na usina de Project Liberty, em Iowa, disse que o combustível caminha para ser competitiva frente à gasolina. A alta nos preços do petróleo ajuda.

A recente recuperação nas cotações para mais de US$ 75 por barril do petróleo Brent aumenta as esperanças de que o etanol celulósico possa ser competitivo, caso os problemas de engenharia do processo possam ser solucionados. "Não tem sido uma estrada fácil, mas estamos chegando lá", disse ao jornal Financial Times. "A tecnologia é mais complicada do que todos imaginavam no início".

A Royal DSM, que trabalha nas áreas química e de biotecnologia, criou a Project Liberty junto com a empresa americana de etanol Poet, para produzir o combustível a partir das espigas, folhas e cascas de milho deixadas após a colheita.

A usina foi inaugurada em 2014, mas ainda não atingiu a capacidade plena de produção de 20 milhões de galões de etanol (cerca de 76 milhões de litros) por ano.

DuPont e Abengoa, que coordenavam projetos similares nos Estados Unidos, os abandonaram.

O Project Liberty, no entanto, não só continuou operando como sua produção agora está em alta. Um sinal de como o consórcio Poet-Royal DSM se mantém confiante é o fato de que em 2017 prometeu construir instalações na usina para desenvolver as enzimas usadas para "romper" a celulose presente nos restos do milho e, assim, produzir o biocombustível.

Sijbesma disse que o maior desafio do Project Liberty foi a logística de recolher os resíduos de milho e, depois, processá-los antes de iniciar o tratamento na usina. A eficiência das enzimas em romper a celulose superou as expectativas, mas houve outros problemas, como a dificuldade de remover a sujeira, areia e pedras do material.

Ele acrescentou que esses problemas vão ser mais fáceis de resolver do que os métodos científicos básicos, de usar as enzimas para romper a celulose, porque são questões mais similares às de outros processos de produção.

No atual cenário de preços, se a Project Liberty estivesse produzindo a todo vapor, seu etanol seria competitivo em relação à gasolina, segundo Sijbesma. "Com qual preço nos sentimos confortáveis? US$ 70". O petróleo Brent passou dos US$ 79 por barril nesta semana pela primeira vez desde 2014.

Há dez anos, o etanol celulósico era visto como vital para o futuro do fornecimento de fontes de energia, pois representava uma opção para os combustíveis fósseis e tinha emissões mais baixas de gases-estufa, além de não concorrer com a demanda por alimentos.

A Lei de Segurança e Independência Energética dos EUA, de 2007, traçou metas ambiciosas para o uso dos biocombustíveis celulósicos, que não chegaram nem perto de ser alcançadas. Foram produzidos 10 milhões de galões de etanol celulósico em 2017 nos EUA, só 0,2% do objetivo original.

A DowDupont, criada pela fusão da DuPont e da Dow Chemical, parou de produzir em sua usina de etanol celulósico em Iowa e a colocou à venda. A Abengoa também desativou sua usina de etanol celulósico no Kansas, em 2015. A usina entrou em processo de recuperação judicial e foi comprada no fim daquele ano por uma empresa americana chamada Synata Bi o, que, com uma oferta de US$ 48,5 milhões, superou a Royal Dutch Shell em leilão. Fontes do setor dizem que a usina não aparenta estar produzindo etanol celulósico. Procurado, a Synata não faz nenhum comentário.

Outras empresas vêm tentando caminhos diferentes para produzir etanol celulósico. A DowDupont, por exemplo, vende as enzimas para o combustível produzidas a partir dos grãos de milho que sobram da produção do etanol convencional. A Aemetis, da Califórnia, pretende criar uma usina para produzir etanol celulósico a partir de resíduos de pomares e cascas de nozes.

A exigência de uso de biocombustíveis prevista na lei norte-americana de 2007 continua, mas modificada. No caso dos celulósicos, a exigência foi reduzida para cerca de 5% de sua meta original e, na maior parte, é cumprida por meio do uso de gás natural renovável, obtido de fontes como as usinas de tratamento de esgoto e aterros sanitários.

Para 2018, a exigência de uso de combustível celulósico foi fixada em 288 milhões de galões, abaixo dos 311 milhões de 2017. Os EUA estudam mudanças nas regras para encorajar a venda de etanol. No longo prazo, as perspectivas para o etanol e outros biocombustíveis celulósicos no mundo vão ser muito melhores se os preços do petróleo continuarem no nível atual ou se subirem ainda mais. (Financial Times 18/05/2018)

 

Senadores tentam acordo sobre proibição de vendas de veículos a gasolina

Para o relator, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), texto incentiva a modernização da indústria automotiva.

Integrantes da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) estão negociando um acordo para permitir a votação de um projeto do senador Telmário Mota (PTB-RR) que veda gradativamente a comercialização de veículos movidos a combustíveis fósseis. Projeto com esse objetivo (PLS 454/2017) já recebeu voto favorável do relator Cristovam Buarque (PPS-DF).

A proposta esteve na pauta da última reunião da CAE, mas não chegou a ser votada depois que alguns parlamentares questionaram a proposta, que pretende eliminar totalmente, a partir de janeiro de 2060, a venda de novos veículos com motor a combustão. Para chegar a esse objetivo, o texto prevê limites a serem compridos ao passar dos anos.

O senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB-PE) foi um dos que pediram mais reflexão sobre o assunto. Na opinião dele, nenhum país do mundo tem uma matriz energética tão limpa quanto o Brasil, e o país não precisa ficar copiando modelos adotados em outras nações. Além disso, acrescentou, a indústria automobilística é responsável por 23% do PIB do setor industrial do Brasil e precisa ser ouvida.

“Em primeiro lugar, a gente precisa saber de onde virá a energia que estará nos eletropostos. A China pretende ter, em 2030, 60% de sua frota eletrificada, mas a energia chinesa vem do carvão. Então é preciso uma discussão bem mais ampla. Não há matriz tão limpa quanto a brasileira e não podemos andar nos mesmos passos de outros países sem olhar para nossa realidade”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que o carro híbrido, embora seja uma tecnologia de transição, talvez deva ser utilizado por um período mais longo no Brasil, diante do forte agronegócio do país, capaz de produzir energia limpa, como biocombustíveis (etanol, biomassa ou biodiesel).

“Nós precisamos valorizar o carro híbrido. É um carro de transição? Sim, mas por quanto tempo? Talvez para nós faça sentido tê-lo por mais 50 anos, pois vai ser melhor para a economia brasileira. Não estamos aqui para copiar modelos de outros países que não tem a mesma base agrícola do Brasil. Podemos construir nosso próprio modelo”, afirmou.

Audiência

A senadora Simone Tebet (PMDB-MS) também se disse preocupada com a viabilidade da proposta. Segundo ela, não adianta o Congresso aprovar uma lei para ser vetada pelo Poder Executivo ou não executada. Diante disso, sugeriu a realização de audiência com representantes do Ministério de Minas e Energia.

“O projeto é louvável, ninguém discute o problema da poluição, mas tenho informação que o governo federal está em processo de elaboração de um programa relacionado a isso. Me preocupa não a data final de 2060, mas a parte do texto que determina para 2030 a presença de 10% de veículos elétricos na frota. Ou seja, daqui a dez anos praticamente. Será que teremos postos e a estrutura necessária?”, disse.

Ritmo da história

O relator, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), elogiou a iniciativa e disse que o autor acertou "no ritmo da história" ao apresentar uma proposta da maior importância, visto que os combustíveis fósseis não podem ser mais a principal fonte de energia para moverem os veículos.

“A participação de veículos elétricos no mercado brasileiro é ínfima, mesmo se considerarmos os modelos híbridos. Determinações como essa estão em vigor em vários países. O Brasil não pode ser apenas expectador das inovações da indústria automobilística e deve tomar decisões estratégicas a esse respeito”, afirmou.

O senador disse que até pensou em apresentar uma emenda reduzindo a data-limite de 2060 para prazo mais curto, mas, para evitar discussões sobre a viabilidade, preferiu deixar como está. Apesar de ser a favor do projeto, o relator não se opôs aos pedidos de mais tempo para discussão do texto. (Agência Estado 21/05/2018)