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Rubens Ometto Silveira Mello: 'Governo não pode adotar medidas populistas'

Empresário vê com preocupação uma possível intervenção política na economia.

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, fundador e presidente de administração do grupo Cosan, vê com preocupação a possibilidade de o governo passar a adotar medidas populistas que possam interferir na economia e na gestão da Petrobrás. O executivo Pedro Parente renunciou hoje cedo ao cargo, van Monteiro, diretor financeiro da estatal, assumiu interinamente. “Sou a favor da economia de mercado. Decisões populistas podem agradar no curto prazo, mas não são eficientes” A seguir, os principais trechos da entrevista.

A saída de Pedro Parente preocupa?

Pedro Parente foi muito importante para a Petrobrás. Acredito que o Pedro quis deixar o governo à vontade para fazer o que tinha de fazer. Não sei se ele concordaria com mais intervenção política. Acho que algumas  pequenas adaptações precisam ser feitas, mas sem prejudicar a Petrobrás. Se vier uma política de intervenção na Petrobrás ou mesmo na economia, será um desastre. Espero que (o governo) não esteja nesta direção.

Que pequenas adaptações têm de ser feitas?

Esses ajustes talvez passem por reajustes (de preços dos combustíveis) mensais para dar mais previsibilidade, como é feito no gás, por exemplo. Mas tudo isso sem prejudicar a Petrobrás.

O nome de Ivan Monteiro agrada ao mercado?

Acho muito bom.

O governo não soube conduzir a crise na  greve dos caminhoneiros?

Ninguém estava preparado. Essas coisas acontecem e fazem parte da vida democrática. Poderiam ter tomado medidas antes... Mas em uma semana o governo resolveu. Talvez tenham alguns erros de discursos porque não conhecem necessariamente a tecnicidade do setor energético no Brasil. Acho errado movimento de aproveitadores que usam o momento de forma oportunística.

Qual a lição que fica desta crise?

Acredito em economia de mercado. Sou contra o populismo. Minha preocupação é de não ir na onda oportunística. O que o governo anterior estava fazendo com a Petrobrás e empresas públicas era um bsurdo. É fácil ser populista. A curto prazo, as medidas parecem boas, mas engana todo mundo.

A atual crise muda a corrida eleitoral em outubro?

Este episódio vai ser bom para saber o que cada um (dos pré-candidatos) pensa. Agora, cada um deles vai ter de mostrar a cara. Todo mundo é contra a reforma da Previdência. Mas como é que faz?  Se forem parar para pensar, as reformas têm de ser feitas. para reduzir as despesas e, depois, os impostos. (O Estado de São Paulo 01/06/2018)

 

Usinas temem que eventual mudança na metodologia afete etanol

A saída de Pedro Parente do comando da Petrobras colocou os produtores de etanol em alerta. Após o "tsunami" provocado pela greve dos caminhoneiros no mercado de combustíveis nos últimos dias, o receios imediato no setor é de que a troca de comando mude a política de precificação da gasolina A, que sai das refinarias da estatal, e que desde o início foi fortemente comemorada pelas usinas.

Nos últimos meses, os repasses diários dos preços internacionais dos derivados do petróleo à gasolina do mercado doméstico vinham favorecendo as usinas, já que os preços do petróleo estão em franca ascensão. Com isso, a gasolina C, vendida nos postos, estava perdendo vantagem para o etanol.

Tanto que, no primeiro trimestre deste ano, as vendas de etanol hidratado das distribuidoras aos postos foram 44% maiores do que no mesmo período do ano passado, somando quase 4 bilhões de litros, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A competitividade do etanol hidratado nas bombas passou a fazer com que as usinas programassem destinar o máximo de cana possível desta safra para o biocombustível. O setor teme o fim dessa política. "O maior risco é termos irrealismo de preços", disse Plinio Nastari, presidente da consultoria Datagro.

Os usineiros estão em compasso de espera. André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, acredita ser pouco provável que a Petrobras altere sua política de preços. Mas ressalta que a alta do dólar decorrente das turbulências já é negativa para as usinas que tem dívida no mercado internacional.

Já um executivo do setor ressalta que Parente não era o único fiador da atual política de preços e que toda a equipe - incluindo Ivan Monteiro, escolhido para ser o CEO interino -, além do conselho têm um compromisso com a saúde financeira da Petrobras. "Parente foi mais político do que executivo", avalia.

Para Nastari, a possibilidade de se utilizar uma Cide com alíquota flexível como um "colchão" tarifário para absorver as oscilações do mercado internacional seria a melhor solução "não só para o setor sucroalcooleiro, mas para a sociedade". "A política de realismo tarifário é inconsistente com a estabilidade do preço na bomba? Não, desde que se tenha um tributo compensatório", defendeu.

No saldo até agora, a redução do diesel favorece as usinas. O combustível é o principal custo do setor. Na sexta-feira, as ações da Cosan - que controla a Raízen Energia junto com a Shell - fecharam em baixa de 0,77%, em R$ 38,50; os papéis da Biosev caíram 1,07%, em R$ 3,69; enquanto os da São Martinho fecharam em alta de 0,57%, em R$ 17,62. (Valor Econômico 04/06/2018)

 

Açúcar: Exportações no radar

Os contratos de açúcar demerara com vencimento em outubro caíram 21 pontos na sexta-feira, a 12,81 centavos de dólar a libra-peso.

O fim da paralisação dos caminhoneiros e da greve dos petroleiros no Brasil acabaram com as especulações sobre o atraso nas exportações do país.

Segundo Thomas Kujawa, da Sucden Financial, os riscos logístico e climático foram usados como desculpa para a alta dos preços, mas ambos não são influências de longo prazo.

No Brasil, o pedido de demissão de Pedro Parente na Petrobras aumenta a especulação sobre a política de preços de combustíveis, e mudanças envolvendo o etanol podem influenciar no destino da cana colhida.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 56,20 a saca de 50 quilos, alta de 0,84%. (Valor Econômico 04/06/2018)

 

Venda de etanol de usinas aos postos diminuiria os custos, mas geraria riscos

O caos em que se transformou a distribuição de combustíveis no país durante a greve dos caminhoneiros jogou luz a algumas propostas de venda direta de etanol das usinas aos postos espalhados pelo país, reunidas em projetos de lei em análise no Congresso e fortalecidas por um parecer favorável do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Além de minimizar a escassez do biocombustível nas bombas, os projetos defendem que seu preços poderão diminuir, já que haverá menos escalas na logística de entrega se as usinas não forem obrigadas a entrega seu produto às distribuidoras. E cálculos do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq-Log) corroboram essa tese: em São Paulo, que concentra a maior parte das unidades sucroalcooleiras do país, a redução pode ultrapassar 30%, levando-se em consideração apenas os custos de transporte rodoviário.

Segundo cálculos de Thiago Guilherme Péra, pesquisador e coordenador da Esalq-Log, o custo de transporte médio no Estado para levar o etanol das usinas aos postos, passando pelas distribuidoras, foi de R$ 89,09 por metro cúbico em 2017. Caso o etanol hidratado tivesse sido comercializado diretamente entre as usinas e os postos, o custo médio teria recuado para R$ 60,77 por metro cúbico.

A questão percebida é que as bases de distribuição não estão necessariamente perto dos consumidores e nem perto das usinas produtoras. "Em regiões de grande produção de etanol hidratado é muito comum uma logística antieconômica, uma vez que o etanol sai de um município produtor, percorre muitas vezes grandes distâncias e depois retorna para o mesmo município", afirma Péra.

Na região de Presidente Prudente, por exemplo, teria havido uma economia de 81,5% no custo de transporte em 2017 caso as usinas fizessem diretamente o abastecimento na própria região sem que o etanol tivesse que passar pela base de distribuição em Paulínia e depois retornar para abastecê-la. No caso de Ribeirão Preto, esta economia seria da ordem de 66,6%.

Mesmo para regiões onde o consumo é grande e a área de produção é próxima à Paulínia, caso de Campinas, a venda direta tem um potencial de redução de custo de transporte de 19%. "A queda nos preços pode ser ainda maior se pensarmos que o distribuidor tem sua margem de operação", afirma o pesquisador.

Entretanto, a implantação da política de venda direta pode ter reveses. A primeira questão é garantir que o etanol entregue no posto seja de boa qualidade. Em 2016, segundo a ANP, a fiscalização foi feita nas 271 bases de distribuição no país. Fiscalizar os postos é um desafio maior. Outro problema apontado por Péra é que o mercado pode ficar concentrado perto das usinas produtoras. "Para garantir que chegue etanol em outros Estados, seria preciso uma política de cota ou incentivo."

Por isso, no curto prazo, o pesquisador defende a ampliação de bases de distribuição. "Isso poderia equilibrar a oferta e a demanda e reduzir os custos de transporte até que um modelo para todo o país fosse desenhado". (Valor Econômico 04/06/2018)

 

Etanol hidratado sobe 2,33% e anidro avança 1,44% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas subiu 2,33% nesta semana, de R$ 1,6484 para R$ 1,6868 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro avançou 1,44% na semana, de R$ 1,7950 o litro para R$ 1,8209 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 04/06/2018)

 

Usinas de SP retomam moagem, mas escoamento de produtos é lento, diz Unica

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que um levantamento parcial aponta que usinas de etanol e açúcar do Estado de São Paulo retomaram a moagem e a produção, após mais de uma semana de paralisação em decorrência da greve dos caminhoneiros.

"Os dados mostram que grande parte das unidades começou a retomar o processo de moagem, embora o recebimento de diesel ainda esteja intermitente, bem como de outros insumos agrícolas e industriais", informou a Unica, em nota.

Segundo a Unica, o maior entrave às indústrias está no escoamento dos produtos, que não acontece na mesma velocidade da moagem de cana. As usinas aproveitam o frete de combustíveis para dar maior agilidade na entrega de etanol e o caminhão de diesel que chega às unidades sai carregado com álcool às distribuidoras.

"Por isso, a maioria das unidades não está comercializando o biocombustível. No entanto, a expectativa é de que esse processo seja retomado nos próximos dois dias", disse.

A associação informou também que o volume de etanol e açúcar estocado nas usinas é suficiente para aproximadamente 40 dias de abastecimento. "Isso significa que o setor está preparado para entregar seus produtos, tão logo normalize essa situação", concluiu. (Agência Estado 04/06/2018)

 

Cinco desafios que o próximo presidente da Petrobras vai enfrentar

Pedro Parente pediu demissão nesta sexta-feira e será substituído por Ivan Monteiro.

Anunciado como novo presidente da Petrobras nesta sexta-feira (01), Ivan Monteiro vai encontrar uma série de desafios na administração da estatal nos próximos meses. Pedro Parente, que presidia a companhia desde junho de 2016, pediu demissão nesta sexta-feira (1) depois de uma semana de crise causada pela paralisação nacional dos caminhoneiros, que protestavam contra o preço de combustíveis.

O Conselho de Administração da Petrobras já havia aprovado o nome de Monteiro para presidir interinamente a estatal e, no início da noite, ele teve seu nome anunciado oficialmente pelo presidente Michel Temer.

Parente havia assumido a presidência da Petrobras em junho de 2016, com a missão de reerguer a estatal, que acumulava prejuízos e tinha sua imagem extremamente comprometida pelo avanço das investigações da Lava Jato. Ao deixar o cargo, Parente ressaltou uma série de conquistas durante sua gestão frente à estatal, em uma carta endereçada ao presidente Michel Temer.

“A Petrobras é hoje uma empresa com reputação recuperada, indicadores de segurança em linha com as melhores empresas do setor, resultados financeiros muito positivos, como demonstrado pelo último resultado divulgado, dívida em franca trajetória de redução e um planejamento estratégico que tem se mostrado capaz de fazer a empresa investir de forma responsável e duradoura, gerando empregos e riqueza para o nosso país. E isso tudo sem qualquer aporte de capital do Tesouro Nacional, conforme nossa conversa inicial. Me parece, assim, que as bases de uma trajetória virtuosa para a Petrobras estão lançadas”, disse Parente no documento.

Mas o próximo presidente da estatal ainda vai encarar uma série de desafios no comando da Petrobras. “O desafio do novo presidente vai na linha de ter uma política de preço transparente, com planilha mais aberta; de aumentar nacionalização da produção e refino no Brasil; e um terceiro ponto importante, que é a recuperação, não só financeira, mas a recuperação da capacidade de investimento da empresa”, analisa o professor do curso de Ciências Econômicas da PUCPR, Wilhelm Meiners.

Pressões políticas

Um dos principais desafios do novo presidente da Petrobras é fugir da pressão política do governo federal. O ex-presidente Pedro Parente assumiu em 2016 prometendo uma gestão livre desse tipo de pressão, mas na última semana acabou tendo que ceder e reduzir o preço do diesel em 10% por 15 dias. Segundo ele, se tratava de um gesto de “boa vontade” da empresa em meio à greve dos caminhoneiros que causava diversos transtornos em todo o país.

Em sua carta de demissão, Parente cutucou o governo federal e sugeriu que não haja pressão política na Petrobras. “Permita-me, Sr. Presidente, registrar a minha sugestão de que, para continuar com essa histórica contribuição para a empresa – que foi nesse período gerida sem qualquer interferência política – Vossa Excelência se apoie nas regras corporativas, que tanto foram aperfeiçoadas nesses dois anos, e na contribuição do Conselho de Administração para a escolha do novo presidente da Petrobras”, disse o ex-presidente da estatal.

“Se o Temer escolher alguém que possa manobrar, um fantoche político na Petrobras, vai mostrar como esse governo está debilitado”, diz o cientista político Marcio Coimbra.

Política de preços

A política de preços da Petrobras tem sido alvo de críticas desde o início da greve dos caminhoneiros. Esse foi um dos principais fatores que levou à demissão de Parente, inclusive. “Infelizmente, todo peso caiu sobre a Petrobras, quando na verdade a política de preços deveria estar apontando da Agência Nacional de Petróleo, que é a agência reguladora da área”, analisa Meiners.

Em sua carta de demissão, Parente comentou a polêmica da política de preços da estatal. “A greve dos caminhoneiros e suas graves consequências para a vida do País desencadearam um intenso e por vezes emocional debate sobre as origens dessa crise e colocaram a política de preços da Petrobras sob intenso questionamento. Poucos conseguem enxergar que ela reflete choques que alcançaram a economia global, com seus efeitos no País. Movimentos na cotação do petróleo e do câmbio elevaram os preços dos derivados, magnificaram as distorções de tributação no setor e levaram o governo a buscar alternativas para a solução da greve, definindo-se pela concessão de subvenção ao consumidor de diesel”, disse o ex-presidente.

Para Meiners, a estatal precisa ter uma planilha de preços mais transparente, para não assustar o mercado financeiro, nem o mercado consumidor. “A Petrobras vem pressionada por aumento no preço internacional do Petróleo, por aumento na taxa de câmbio. Só que a Petrobras não é uma importadora de combustível e revendedora de combustíveis para o mercado interno. Ela extrai e refina petróleo no mercado Brasileiro. Isso significa que ela tem custos que não são os custos do mercado internacional do petróleo. São custos internos. É necessário que haja uma transparência maior para o mercado financeiro e para o mercado consumidor da sua planilha de preços”, avalia o economista.

Recuperação financeira

Outro ponto que precisa ser enfrentado pelo próximo presidente da Petrobras é a recuperação financeira da estatal. A petrolífera acumulava prejuízos desde 2014. Foram R$ 21,9 bilhões em 2014, R$ 34,8 bilhões em 2015, R$ 14,8 bilhões em 2016 e R$ 446 milhões em 2017. No primeiro trimestre de 2018, pela primeira vez desde o início da operação Lava Jato, a Petrobras apresentou lucro, de R$ 6,9 bilhões. Só nesta sexta-feira (1), com a demissão de Pedro Parente, a estatal perdeu R$ 47 bilhões em valor de mercado e suas ações na bolsa despencaram mais de 14%.

“De certa maneira, o mercado já precificou a saída do Pedro Parente na semana passada, em plena paralisação dos caminhoneiros, quando percebeu as interferências do governo na política de preços da Petrobras”, ressalta Meiners.

“A Petrobras ainda está em processo de recuperação financeira e econômica. É importante que qualquer que seja seu comandante, ele continue com esse processo e que ele negocie junto com a Agência Nacional do Petróleo uma política regulatória de preços que dê condições mínimas para que haja uma normalidade na remarcação de preços por parte da empresa naquilo que ela necessita jogar de preços para o mercado consumidor, mas ao mesmo tempo não assustar o mercado”, afirma o economista.

Imagem e credibilidade

Desde o início da operação Lava Jato, em 2014, a Petrobras passou por uma grave crise de imagem e credibilidade. A demissão de Parente reforça essa crise, segundo Coimbra. “[A demissão] é ruim para a imagem da empresa porque mostra que ela é suscetível a pressões políticas”, opina o cientista político. Para ele, a falta de credibilidade do governo, extremamente fragilizado pela greve dos caminhoneiros, também afeta a credibilidade da estatal.

Crise com funcionários

O ex-presidente da Petrobras também enfrentava a resistência de funcionários da empresa. Os petroleiros chegaram a anunciar uma greve de 72 horas a partir da quarta-feira (30) e, entre as reivindicações, estava a demissão de Pedro Parente e a redução do preço dos combustíveis.

“A situação do Pedro Parente fica também insustentável quando ele perde apoio político no Congresso e também quando a Federação Única dos Petroleiros entra num movimento grevista e como condição pede a cabeça do presidente da empresa”, analisa Meiners.

Para tentar conter a greve, Parente chegou a apelar para os funcionários da estatal através de uma carta, mas não conseguiu um resultado satisfatório. Os petroleiros só pausaram a greve por causa de decisões judiciais que consideraram a paralisação abusiva e estipularam multas caso a greve fosse mantida.

O novo presidente da estatal vai precisar recuperar a confiança da classe para evitar mais desgastes causados por paralisações. (Gazeta do Povo Paraná 04/06/2018)

 

Indústria de biodiesel pede isonomia tributária

Depois da redução dos PIS/Cofins sobre combustível fóssil, a indústria de biodiesel espera isonomia de tributos.

A indústria de biodiesel espera a isonomia de tributos e do reembolso dado pelo governo aos produtores de diesel de petróleo e à Petrobrás, após a redução do PIS/Cofins sobre o combustível fóssil. As medidas foram anunciadas para encerrar a greve de caminhoneiros e garantir o desconto de R$ 0,46 por litro vendido nos postos. O setor lembra que a lei 11.116, de 2005, proíbe a cobrança maior de tributos sobre biodiesel. Por enquanto, segundo associações do setor, a compensação financeira nem sequer foi apresentada a produtores. Sem a desoneração e a compensação tributária, eles temem o fracasso do leilão bimestral para a aquisição de biodiesel nesta semana. O Ministério de Minas e Energia informou que cumprirá a lei, mas não explicou como reembolsará produtores.

Na lei. Cobrança maior de tributos sobre o biocombustível é proibida  Foto: Sérgio Castro/Estadão

Compensação. Por outro lado, produtores comemoram a liberação do abastecimento com 100% de biodiesel em veículos de frotas cativas, como ônibus urbanos. A medida minimiza outra, adotada semana passada, que autorizava o uso do diesel de petróleo puro. Por lei, o diesel vendido nos postos tem mistura de 10% de biodiesel.

Fantasma. Além de os bloqueios nas estradas terem comprometido a produção e o escoamento das mercadorias e de o governo ter reduzido o Reintegra, mecanismo de compensação de impostos, as principais entidades do agronegócio temem bancar mais uma parte do rombo bilionário nas contas públicas criado pela redução de tributos sobre o diesel. Nas conversas entre lideranças do setor, ressurgiu o fantasma de que o governo retome a proposta de taxar exportações agropecuárias para compensar a receita perdida com a paralisação.

Quero gasolina. O etanol corre o risco de perder espaço para a gasolina nas primeiras semanas após a greve dos caminhoneiros. No mercado, a avaliação é de que os consumidores, temendo novas paralisações e o consequente desabastecimento, podem trocar o biocombustível hidratado, utilizado diretamente nos tanques dos veículos flex fuel, pela gasolina, que tem maior rendimento nos tanques e dá autonomia para os veículos rodarem mais. O preço mais alto ficará em segundo plano.

Migração

Startups de diversas áreas estão de olho no agronegócio. Elas despertaram para o peso do setor na economia e potenciais negócios na área, conta à coluna Cristiano Kruel, diretor de Inovação da StartSe, empresa que dá suporte a startups. Ele cita casos de empreendedores que criaram soluções envolvendo genética para o ramo da saúde, novidades para veículos elétricos, ou envolvendo inteligência artificial, e que agora querem usar estas mesmas tecnologias para oferecer serviços para o agronegócio. “O ecossistema de startups vem amadurecendo, observando onde existem oportunidades e o agro chama a atenção pelo seu peso no PIB.”

Só cresce

Entre 2015 e 2017, o investimento global feito por fundos em agtechs (startups de agronegócio) saiu de US$ 665 milhões para US$ 1,8 bilhão, conta Kruel, com base em cálculos da StartSe. Cresce também o interesse do setor agropecuário pelas soluções que as agtechs podem trazer. A StartSe realiza nesta semana em São Paulo a segunda AgroTech Conference, que reunirá startups, fundos de investimento e empresas. A maior parte do público deve vir do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso.

Alerta

A indústria citrícola brasileira ligou o alerta depois de relatório da empresa de pesquisa de mercado IRI Worldwide apontar queda de 3,5% nas vendas de suco de laranja fresco no mercado norte-americano num período de 52 semanas até 25 de março, com um total de US$ 2,7 bilhões. Já as vendas de todos os sucos frescos caíram bem menos, apenas 0,55%, para US$ 6 bilhões no período. Até agora, o setor no Brasil comemora avanços de 55,4% na receita e de 48% no volume exportado para os norte-americanos entre julho e abril, os dez primeiros meses da safra da fruta no País.

Expande

Os bons resultados de lojas Agro do Santander, que atendem apenas clientes do setor, farão o banco instalar agências nesses locais. A proposta das lojas é oferecer crédito rural, mas elas acabam fomentando a demanda por outros produtos, como abertura de contas de familiares, cartões de crédito e até pagamentos de funcionários, conta Paulo Bertolane, superintendente executivo de Agronegócios do Santander. Ele diz que lojas virarão agências em Campo Novo do Parecis, Vilhena e Alta Floresta, em Mato Grosso, a partir de julho.

Leite em questão

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) proporá mudanças nas portarias publicadas em abril pelo Ministério da Agricultura sobre padrões de qualidade do leite, em fase de consulta pública. Pelas regras, indústrias devem interromper a coleta do leite na propriedade que apresentar, por três meses seguidos, qualidade inadequada na contagem de bactérias do leite cru refrigerado. A CNA quer da indústria um plano de manejo de ordenha e resfriamento para o produtor se adaptar. (O Estado de São Paulo 04/06/2018)

 

Governo inicia debate sobre proteção a consumidor de combustível, diz Minas e Energia

O governo iniciou nesta sexta-feira uma discussão sobre como criar um “mecanismo de proteção ao consumidor final” de combustíveis, mas de maneira que não impacte a política de preços da Petrobras e de outras empresas do setor, disse o Ministério de Minas e Energia em comunicado.

O movimento, que segundo a pasta envolveu técnicos do ministério e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), aconteceu no mesmo dia em que o presidente da Petrobras, Pedro Parente, apresentou pedido de demissão do cargo.

Na carta em que apresentou a renúncia, Parente afirmou que não gostaria de ser “um empecilho” para discussões do governo referentes às políticas para os combustíveis.

“O que o Ministério de Minas e Energia colocou em debate público visa a criação para o país de uma política de amortecimento dos preços dos combustíveis ao consumidor, um mecanismo que proteja o consumidor da volatilidade dos preços dos combustíveis nas bombas. Algo fora da política de preços da Petrobras”, afirmou a pasta.

A ideia do ministro Moreira Franco é estabelecer algum mecanismo que funcione como um “colchão” para amortecer impactos cambiais e oscilações do petróleo no mercado internacional.

“A discussão desse mecanismo foi iniciada hoje e uma nova reunião está agendada para segunda-feira, 4 de junho, com participação de técnicos do Ministério da Fazenda”, acrescentou o Ministério de Minas de Energia na nota.

Um grupo de trabalho será formado para discutir o assunto e especialistas serão convidados para ajudar a desenhar uma solução “que permita, por um lado, a continuidade da prática de preços livres ao produtor/importador e, por outro, o amortecimento dos preços ao consumidor”.

A pasta ressaltou que “a política de liberdade de preços da Petrobras” e das demais empresas de petróleo “é uma política de governo” e defendeu que a estatal “teve e tem total autonomia”.

O Conselho de Administração da Petrobras aprovou nesta sexta-feira o engenheiro Ivan Monteiro como presidente interino da companhia. Ele irá acumular o cargo com a área financeira e de relações com investidores da empresa, que já estava sob sua responsabilidade. (Reuters 04/06/2018)

 

Temer nomeia Ivan Monteiro para Petrobras em tentativa de acalmar mercado

O presidente Michel Temer indicou nesta sexta-feira (1) o engenheiro Ivan Monteiro como novo presidente-executivo da Petrobras, no lugar a Pedro Parente, que pediu demissão em meio a ataques à política de preços da estatal.

A rápida definição buscou acalmar investidores após as ações da Petrobras caírem quase 15 por cento com a saída de Parente, atribuída a uma possível interferência do governo na estatal. O movimento das ações representou uma perda de valor de mercado de cerca de 45 bilhões de reais para a estatal.

Na Petrobras desde 2015, quando foi nomeado diretor financeiro pela então presidente Dilma Rousseff, Monteiro havia sido definido pelo conselho de administração da petroleira como presidente interino mais cedo nesta sexta-feira.

Em breve pronunciamento no Palácio do Planalto, Temer classificou a escolha de Monteiro como uma garantia de que o rumo da estatal será mantido e de que a companhia não estará sujeita a intervenções de Brasília.

“Continuaremos com a política econômica que nestes dois anos retirou a empresa do prejuízo e a trouxe novamente para o roll das mais respeitadas do Brasil e do exterior. Declaro também que não haverá qualquer interferência na política de preços da companhia”, afirmou.

Essa visão de continuidade foi aprovada por especialistas ouvidos pela Reuters, que veem Monteiro como bem qualificado para a função, enquanto fontes na Petrobras dizem que ele era o nome preferido da própria cúpula da estatal para o cargo.

“É um nome para acalmar os ânimos. [Ivan Monteiro] foi da equipe de Parente, mas colocado antes pela Dilma. Se vai conseguir, veremos”, apontou o ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo Helder Queiroz.

“Acho a escolha excelente”, disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires.

O professor do Instituto de Economia da Energia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar de Almeida, foi na mesma linha. “É a solução mais adequada para reduzir o estrago. Ele representa uma esperança de manutenção do processo de recuperação econômica da empresa”.

Dois executivos de grandes empresas de petróleo também elogiaram a indicação de Monteiro. Eles falaram sob a condição de anonimato, porque não têm autorização para abordar o assunto com a imprensa.

Independência em jogo

O pedido de demissão de Parente foi atipicamente divulgado com o pregão aberto, o que levou a bolsa paulista B3 a inicialmente suspender as negociações das ações da companhia.

Na sequência, a petroleira divulgou a carta de demissão do executivo, na qual afirmou que sua permanência à frente da estatal “deixou de ser positiva e de contribuir para a construção das alternativas que o governo tem pela frente”.

A saída de Parente era exigida por sindicatos de trabalhadores da Petrobras e por políticos de oposição, que criticavam a alta dos preços dos combustíveis sob sua gestão, na qual a empresa passou a praticar reajustes até diários para seguir as cotações internacionais do petróleo e o câmbio.

Mas após pedir demissão, ele acabou criticado até por políticos da base do governo Temer, como o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que escreveu em sua conta no Twitter que o presidente da Petrobras “precisa reunir visão empresarial, sensibilidade social e responsabilidade política”.

O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Félix, negou que tenha havido pressão do governo para que Parente deixasse o cargo ou para que mudasse a política de preços da companhia.

Mas o ministério divulgou mais tarde uma nota em que diz ter iniciado ainda nesta sexta-feira um “debate público” sobre a criação de uma política de “amortecimento” dos preços dos combustíveis para consumidor.

A pasta adicionou, no entanto, que tal medida em avaliação seria “algo fora da política de preços da Petrobras” e também não afetaria outras empresas do setor. A ideia, segundo o ministério, é aliviar a volatilidade trazida pela variação do petróleo no mercado internacional e do câmbio.

Para o presidente da gestora de recursos Cabot Wealth Management, sediada em Massachussets, Robert Lutts, a mudança na direção da Petrobras gerou fuga de investidores estrangeiros, que agora ficarão mais cautelosos quanto ao futuro da estatal.

“A companhia tem algum trabalho a fazer, muito trabalho, para retomar a confiança junto aos acionistas. Quando você entra em uma situação dessas, tudo é suspeito”, afirmou.

Por um lado, a escolha de Monteiro por Temer deve ajudar a aliviar esses temores, uma vez que frustrou expectativas de políticos do próprio partido do presidente, o MDB, pela nomeação de um nome político para a estatal.

Mas a pressão política sobre a companhia deve seguir forte, uma vez que 29 senadores assinaram um requerimento que pede a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre a política de preços da Petrobras.

Entre os nomes que apoiam a CPI estão parlamentares de partidos governistas, como os senadores Eduardo Braga (MDB-AM) e Maria do Carmo (DEM-SE). A criação da comissão exige ao menos 27 assinaturas. (Reuters 04/06/2018)