Setor sucroenergético

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Abengoa Bioenergia fecha acordo para venda de usinas a fundo da Cargill

A Abengoa Bionergia, em recuperação judicial, fechou acordo para a venda de suas duas usinas para o fundo CarVal, subsidiária independente da Cargill, multinacional que opera na produção e processamento de alimentos.

Pelas Usina São Luiz, em Pirassununga, e Usina São João, em São João da Boa Vista, o fundo estaria pagando US$ 80 milhões. O negócio ainda depende da assinatura dos contratos. O fundo teria também assumido o compromisso de injetar R$ 100 milhões nas duas operações. As usinas têm cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas.

Todos por um

A Abengoa Bioenergia, braço sucroalcooleiro da Abengoa Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em setembro de 2017.

No início deste mês, a Abengoa Brasil, também em recuperação, vendeu seus ativos operacionais de transmissão de energia no País para o fundo norte-americano TPG, por R$ 482,5 milhões.

As dificuldades das companhias seguiram-se às da matriz espanhola, que igualmente recorreu à justiça para reorganizar seu passivo.

Procurada, a Cargill não respondeu até o fechamento da nota. Da Abengoa, não foi encontrado porta-voz para comentar. (O Estado de São Paulo 14/06/2018)

 

Venda direta de etanol eleva custos, diz Plural

Distribuidoras de combustíveis divulgaram ontem estudo estimando que a venda de etanol hidratado diretamente aos postos elevaria o custo de transporte do produto no Brasil em ao menos R$ 181 milhões ao ano, levando-se em conta a movimentação do ano passado. E, com isso, as distribuidoras estimam um aumento de custos total de até R$ 877 milhões ao ano. O estudo foi apresentado um dia depois de os senadores terem aprovado o regime de urgência para o projeto que permite que usinas façam a venda direta. Ontem à noite, no entanto, a Câmara dos Deputados rejeitou o regime de urgência.

O estudo foi elaborado pela consultoria Leggio - especializada nas áreas de petróleo e gás e em agronegócio - sob encomenda da Plural, associação que reúne Raízen Combustíveis, Ipiranga e BR Distribuidora. Segundo a Leggio, o custo de transporte de etanol no Brasil (via distribuidoras) é de R$ 730 milhões por ano, enquanto o transporte direto das usinas aos postos somaria R$ 911 milhões anuais.

Conforme o estudo, a eliminação das distribuidoras fragmentaria o transporte do produto e direcionaria para as rodovias parte da movimentação do biocombustível que hoje é feita em dutos e trilhos, modais mais baratos, mas só viáveis com volumes elevados.

Além disso, a consultoria avalia que seriam usados veículos com capacidade menor que os utilizados hoje pelas distribuidoras nas rodovias por causa de restrições de tráfego nas cidades onde as usinas atuam e porque elas privilegiariam a venda a municípios próximos.

Para carregar essa frota de veículos menores, as usinas teriam que construir uma infraestrutura própria de carregamento, o que oneraria o custo do produto por cerca de cinco anos, diz a consultoria.

Sem essa infraestrutura, a consultoria prevê maior tempo de carregamento, descarregamento e principalmente de espera em filas - reduzindo a produtividade e, portanto, elevando o custo.

Mesmo que as usinas tenham capacidade de carregamento, a consultoria avalia que um veículo que sai da unidade com etanol teria que realizar várias viagens, enquanto os veículos usados pelas distribuidoras também entregam diesel B e gasolina C, realizando menos viagens.

Poderia haver ainda aumento do custo de movimentação de outros combustíveis, cujos fretes são beneficiados pela escala elevada. A partir de dados informados pelas distribuidoras, a Leggio calcula que a perda de escala elevaria o custo de transporte de anidro em R$ 34 milhões ao ano, e do diesel B e da gasolina C em R$ 252 milhões ao ano.

Marcus D'Elia, sócio-executivo da Leggio, lembra, porém, que o efeito do tabelamento de fretes, que ainda está em discussão no governo, não foi considerado.

Além dos custos calculados pela Leggio, a Plural considera que as usinas gastariam mais R$ 410 milhões ao ano para incluir a comercialização de etanol aos postos entre suas funções.

O estudo da Leggio restringiu-se a calcular o custo de transporte de etanol e não avaliou o aumento de custos das usinas nem qual seria a redução de custo na cadeia com a retirada da margem das distribuidoras e de seus custos operacionais e administrativos.

Também ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou posicionamento contra a proposta porque "dificulta a implementação do RenovaBio" e porque exigiria mudanças na cobrança de PIS, Cofins e ICMS, hoje recolhidos pelas distribuidoras.

Já Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE e defensor da venda direta, argumenta que a proposta no Senado é de "venda alternativa" pelas usinas, "e não exclusiva". Ele lembra que a medida foi recomendada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). (Valor Econômico 14/06/2018)

 

Proposta de venda direta de etanol a postos é contestada por produtores e distribuidores

O projeto que visa permitir às usinas de cana do Brasil vender etanol diretamente aos postos de combustíveis, sem intermediação de distribuidoras, recebeu forte reação contrária desse segmento e também de produtores nesta quarta-feira, um dia após a proposta ganhar regime de urgência no Senado.

O Projeto de Decreto Legislativo (PDS) 61/2018, de autoria do senador Otto Alencar (PSD-BA), surge na esteira dos problemas de abastecimento registrados durante os protestos de caminhoneiros. Para o parlamentar, a limitação imposta pela reguladora ANP, que demanda um distribuidor para o negócio, “produz ineficiências econômicas ao impedir o livre comércio através da venda direta”.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis já havia dito, em nota técnica, que a proposta “extrapola” suas atribuições regulatórias e pode até impactar o RenovaBio, a nova política nacional de biocombustíveis, na qual os distribuidores terão de comprar créditos de descarbonização.

Na avaliação da Plural, que representa distribuidoras de combustíveis no país, esse tipo de comercialização poderia gerar perdas para o setor e até afetar a qualidade do álcool vendido.

“Vemos esse projeto com muita preocupação. Existe um dano com esse tipo de ação, que traz ineficiência ao processo”, afirmou o presidente da entidade, Leonardo Gadotti, acrescentando que perdas no setor poderiam chegar a 900 milhões de reais por ano.

Em seu cálculo de perdas estão desde aumento de custos para as usinas no transporte de etanol até prejuízos às próprias distribuidoras, entre outros “custos adicionais”.

Já o consultor Marcus D’Elia, da Leggio, especializada em Supply Chain, argumentou que as unidades produtoras de álcool não dispõem de capacidade logística para garantir o abastecimento.

“Na prática, as usinas não possuem logística suficiente para chegar aos mais de 40 mil postos espalhados pelo Brasil. Isso só é possível hoje após bilhões de reais em investimentos por parte das distribuidoras”, afirmou em nota repassada à Reuters.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) ressaltou, também em comunicado, que a proposta não traz “ganhos ao produtor nem ao consumidor” e poderia “desconfigurar” ou mesmo “inviabilizar” o RenovaBio.

“Outro ponto é a necessidade de mudança na estrutura tributária no país. Um sistema de venda direta pode trazer riscos ao sistema de fiscalização da cadeia de etanol”, afirmou a Unica, acrescentando que a atual legislação permite aos fornecedores de etanol abrirem suas próprias distribuidoras.

O Fórum Nacional Sucroenergético, por sua vez, disse que não tomará posição sobre a questão, mas que acompanhará as discussões. (Reuters 14/06/2018)

 

Açúcar: Mais etanol

As perspectivas de uma safra de cana-de-açúcar mais alcooleira no Brasil em 2018/19 voltaram a impulsionar as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos da commodity com vencimento em outubro fecharam a 12,76 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 9 pontos.

Na terça-feira, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) apontou que a região produziu 1,34 milhão de toneladas de açúcar na segunda metade de maio, volume inferior aos 1,76 milhão de toneladas de igual período do ano passado.

Já o percentual de cana destinada à produção de etanol ficou em 67,46% ante 52,53% em igual período de 2017.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58 a saca de 50 quilos, alta de 0,55%. (Valor Econômico 14/06/2018)

 

Prejuízo da Biosev aumenta 42,8% no 4º trimestre do ano-safra 2017/18

A Biosev, braço sucroenergético do Grupo Louis Dreyfus, reportou prejuízo líquido de R$ 446,7 milhões no quarto trimestre do ano-safra 2017/2018, entre janeiro e março deste ano. O resultado é 42,8% superior ao prejuízo de R$ 313,4 milhões registrado em igual período do ciclo anterior. No acumulado anual, a Biosev relatou prejuízo de R$ 1,27 bilhão, alta de 111,5% sobre os R$ 600,4 milhões do consolidado na safra 2016/2017.

A receita líquida da companhia (ex-HACC) avançou 24,4% na mesma base de comparação trimestral, para R$ 1,956 bilhão, enquanto o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ex-HACC totalizou R$ 441,75 milhões, alta de 30,3%. A dívida líquida em 31 de março era de R$ 3,318 bilhões, um recuo de 29,4% na comparação com o nível verificado o final do último trimestre de 2016/2017, encerrado em 31 de março de 2017, de R$ 4,699 bilhões.

Em 28 de março deste ano, a Biosev anunciou a renegociação com 11 instituições financeiras, brasileiras e internacionais, para a extensão e renovação de parte de seu endividamento bancário. A operação contou com um aporte de R$ 3,46 bilhões feito pelo Grupo Louis Dreyfus, um adiantamento no aumento de capital da Biosev, de até R$ 4,793 bilhões, que contou com a participação de acionistas minoritários da empresa produtora de açúcar, etanol e bioenergia. Em maio, a companhia informou que no exercício do direito de preferência dessa operação de aumento de capital foram subscritas 800.802.710 ações ON ao preço de R$ 4,32, o que corresponde ao valor do aporte. Hoje a Biosev informou que a operação foi homologada.

A Biosev investiu um total de R$ 430,5 milhões no quarto trimestre da safra 2017/2018, 19% menos do que em igual período da passada. Do total, R$ 232,7 milhões foram investidos na entressafra, R$ 192 milhões foram investidos em atividades operacionais, e R$ 5,8 milhões na expansão.

Na safra 2017/2018, as usinas da Biosev moeram 32,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, a maior em sete safras e aumento de 3,6% em relação a igual período de 2016/2017. O Açúcar Total Recuperável em quilos por tonelada de cana (kg/t) processada no último trimestre da safra ficou em 128,8 kg/t ante 129 kg/t no período anterior. Com mix de 47,5% da oferta de matéria-prima para a fabricação de açúcar, a produção do alimento alcançou 1,89 milhão de toneladas em 2017/2018, um recuo de 0,7%. A fabricação de etanol ficou em 1,29 bilhão de litros, alta de 13% entre as safras períodos e a cogeração de energia elétrica para venda foi de 892 Gwh, alta 5,7%. (Agência Estado 13/06/2018)

 

Rui Chammas (Biosev): “Cenário é favorável ao etanol até onde podemos enxergar comercialmente”

O presidente da Biosev, Rui Chammas, afirmou nesta terça ao Broadcast Agro que o cenário é favorável ao etanol em relação ao açúcar até onde pode "enxergar comercialmente" e que a companhia nunca produziu tanto o biocombustível como no atual momento da safra 2018/2019.

"Estamos desafiando limites de algumas unidades e, com investimentos de ajustes de processos, nunca produzimos tanto etanol", contou. Ele citou que o etanol hidratado está cotado em torno de 13,70 cents por libra-peso, ou 11% mais do que o açúcar no primeiro vencimento da Bolsa de Nova York (ICE Futures US), que fechou em 12,35 cents hoje.

A queda no açúcar ocorre por conta do superávit global da commodity na safra mundial a ser encerrada em setembro deste ano. Apesar da possibilidade de um déficit no próximo período, a produção da Biosev será voltada ao etanol na atual safra.

"(Mesmo com a queda nos preços do adoçante) para esta safra estamos bem protegidos, com o 84% do açúcar hedgeado em R$ 0,55 por libra-peso, ou 20% acima dos R$ 0,45 do preço internacional de hoje", disse Chammas.

Sobre os resultados de 2017/2018, publicados hoje, ele avaliou que "do ponto de vista operacional, (a safra) foi muito boa, com moagem histórica (a melhor em sete anos), e um bom volume de produção".

Em 2017/2018, as usinas da Biosev moeram 32,67 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, aumento de 3,6% em relação a igual período de 2016/2017. A fabricação de açúcar alcançou 1,89 milhão de toneladas em 2017/2018, recuo de 0,7%, e a de etanol avançou 13%, para 1,29 bilhão de litros.

Chammas destacou a redução do custo unitário em 8% e a alta do Ebitda em 16,5%, com recuo no Capex de 17% na safra passada. O prejuízo líquido de R$ 1,27 bilhão, alta de 111,5% sobre os R$ 600,4 milhões do consolidado na safra 2016/2017, ocorreu, de acordo com o executivo, principalmente por conta de itens não-recorrentes. Ele citou um acordo com os antigos acionistas da empresa para o pagamento de R$ 138 milhões e o ajuste do valor do ativo biológico ao final da safra em R$ 350 milhões. (Agência Estado 13/06/2018)

 

Usinas deixaram de ganhar R$ 1,2 bi por causa da greve

A greve dos caminhoneiros fez o segmento sucroenergético deixar de ganhar R$ 1,2 bilhão pela não comercialização de açúcar e etanol nos dez dias de paralisação, informou ontem a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). A mobilização também fez com que as usinas da região Centro-Sul do país deixassem de processar aproximadamente 13 milhões de toneladas de cana.

O volume moído da matéria-prima atingiu 32,4 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, 2,2% mais que no mesmo período do ano passado. Mas o volume poderia ter sido maior não fosse a greve, que deixou as usinas paralisadas por quatro dias e meio.

No Paraná, Estado mais impactado, a perda chegou a dez dias de moagem, de acordo com Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Na segunda quinzena de maio, 67,5% da cana-de-açúcar processada no Centro-Sul foi destinada à fabricação de etanol, ante 52,5% em igual período de 2017. A produção do biocombustível alcançou 1,7 bilhão de litros, 44,5% mais que na segunda metade de maio do ano passado, e a de açúcar ficou em 1,3 milhão de toneladas, o que significou uma queda de 23,8% em igual comparação.

Em consequência da greve, afirmou Padua em comunicado, "o Centro-Sul deixou de entregar 160 mil toneladas de açúcar para comercialização no mercado doméstico e mais de 170 mil toneladas para exportação". No caso do etanol anidro (misturado à gasolina), disse, "apenas 226,95 milhões de litros foram comercializados, menos da metade do volume registrado no mesmo período da safra 2017/2018". O impacto efetivo da greve sobre as vendas totais de etanol será calculado após a divulgação de estatísticas da ANP.

Do início da atual temporada 2018/19, em 1º de abril, ao fim de maio, a moagem de cana chegou a 134,8 milhões de toneladas, avanço de 20,2% em relação ao mesmo período da temporada 2017/18. A produção total de etanol atingiu 6,6 bilhões de litros, 51,9% maior, e a de açúcar recuou quase 4%, para 5,5 milhões de toneladas. (Valor Econômico 13/06/2018)

 

Francesa Tereos considera buscar parceiro em meio a baixos preços do açúcar

A francesa Tereos, diante dos preços internacionais do açúcar em patamares historicamente baixos, está considerando oferecer uma participação a um parceiro internacional, já que o grupo busca construir mercados no exterior, disse a empresa nesta terça-feira.

É improvável que o novo sócio seja francês ou uma cooperativa, e não seria necessariamente outro grupo de açúcar, disse o presidente-executivo Alexis Duval à Reuters antes de anunciar os resultados.

A Tereos, que se tornou a segunda maior produtora de açúcar do mundo na última temporada, ao impulsionar a produção após o fim das cotas da União Europeia no ano passado, está enfrentando uma queda acentuada nos preços do açúcar devido ao excesso de oferta.

"Hoje a diversificação e a internacionalização não são uma opção para grupos como o nosso. Neste contexto, estamos lançando um estudo que poderá nos levar a abrir o capital da Tereos para atores externos que não cooperativas", disse Duval.

Ele disse que o grupo acaba de começar essa avaliação e que uma mudança no capital, que poderia tomar a forma de uma oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês), não ocorrerá nesta temporada. Ele disse que o grupo ainda não entrou em contato com nenhum parceiro em potencial.

"O mercado de açúcar está ficando mais internacional estruturalmente", disse ele, acrescentando que há um número crescente de clientes no exterior.

A Tereos listou anteriormente operações de processamento de cana-de-açúcar, cereais e amido na Bolsa de Valores de São Paulo no Brasil em 2010. Mas o negócio foi deslistado seis anos depois.

Apesar do forte aumento na produção de açúcar e amido, as vendas do grupo no ano até 31 de março aumentaram apenas 3,5 por cento em valor, para 4,99 bilhões de euros. O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 2 por cento, para 594 milhões de euros.

O grupo limitou o impacto dos preços mais baixos do açúcar graças a maiores vendas e operações de hedge, disse Duval a repórteres.

O grupo fixou suas exportações europeias de açúcar para 2017/18 a preços médios mais altos do que o mercado mundial e cobriu as exportações para metade da temporada de 2018/19, disse Duval. Um terço da produção europeia de açúcar para o período de 2018/19 também foi fixada.

A filial comercial do grupo, a Tereos Commodities, abriu escritórios no Vietnã e na África do Sul na última temporada, elevando o número de escritórios de vendas para oito. Ela comercializou quase 1,4 milhão de toneladas de açúcar, alta de cerca de 40 por cento.

A produção de açúcar da Tereos saltou 26 por cento em 2017, para 5,3 milhões de toneladas, tornando-a a segunda maior fabricante de açúcar, atrás apenas da Suedzucker, da Alemanha.

O grupo, que tem 12 mil membros, espera que o excedente na produção mundial de açúcar se estenda até o próximo ano fiscal. Os preços mundiais médios do açúcar caíram 27 por cento em 2017/18.

"Esse ambiente deve afetar os resultados previstos para a divisão de açúcar na Europa", disse a empresa.

Os resultados da divisão internacional devem se mostrar mais resilientes do que os da Europa, beneficiando-se de ganhos de desempenho e fortes preços do etanol no Brasil, onde o grupo processou um recorde de 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2017/18.

A divisão de amido e adoçantes teve um aumento de 11 por cento nas vendas em 2017/18, e o grupo disse que espera um aumento nos volumes em 2018/19. (Reuters 12/06/2018)

 

Seca deve reduzir produtividade dos canaviais do Centro-Sul

Não está sendo fácil plantar cana no Brasil. Além do prejuízo de R$ 1,2 bilhão estimado pelo setor devido à greve dos caminhoneiros, as usinas sucroalcooleiras do país deverão registrar perdas de produtividade dos canaviais, que estão sofrendo com a falta de chuvas nos últimos meses.

Em relatório divulgado ontem, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), observou que “a quantidade de cana-de-açúcar a ser processada neste ciclo sofrerá os impactos da conjunção de um canavial envelhecido com um extenso período de seca entre os meses de março a maio, prejudicando severamente as lavouras e a produtividade agrícola do restante da safra”.

Na semana anterior, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ) também havia informado que a estiagem entre abril e maio no Centro-Sul reforçaram o quadro negativo iniciado em dezembro por causa de chuvas irregulares, e que afetaram especialmente os canaviais situados nos piores ambientes de produção.

Segundo a Unica, a região mais afetada pela seca é o Estado de São Paulo, que responde por 60% da oferta de cana do Centro-Sul. A entidade avalia que os índices de produtividade agrícola podem sofrer uma queda de 2% e 15%, dependendo da região, na comparação com a safra passada.

O sistema da Esalq estima uma média de 5% de quebra ante a safra passada. Já os canaviais no centro-norte paulista deverão ter perdas entre 8% e 10%.

Até o momento, as adversidades climáticas ainda não se fizeram sentir nos índices de produção. Do início de abril até 1 de junho, o rendimento agrícola médio no Centro-Sul, apurado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) com 143 empresas, foi 2,01% maior do que no mesmo período da safra passada, de 81,64 toneladas por hectare. Em maio, o índice foi de 82,77 toneladas de cana por hectare, crescimento de 0,9% na comparação anual.

Além disso, a falta de chuvas favorece, de imediato, o avanço da colheita de cana e a concentração de sacarose na cana. A moagem está 20% adiantada nesta safra, ou 22,6 mil toneladas, alcançando até então 134 milhões de toneladas. Já o teor de açúcar na cana (ATR) está, até agora, 25,6% maior do que um ano atrás, em 123,71 quilos por tonelada de cana.

A Unica ressaltou, no entanto, que, se a condição climática desfavorável permanecer, será afetada a colheita do último terço da safra, que costuma ocorrer entre outubro e novembro. (Valor Econômico 13/06/2018)

 

Greve dos caminhoneiros afeta a produção e comercialização de açúcar e etanol, aponta Unica

 A greve dos caminhoneiros afetou severamente os resultados da segunda quinzena de maio da safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul do País. A quantidade processada da matéria-prima atingiu 32,38 milhões de toneladas, o equivalente a perda média de 4,5 dias de moagem.

Segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), “deixou-se de processar cerca de 13 milhões de toneladas nessa quinzena devido à suspensão das operações pela falta de diesel e outros insumos à produção”. No Paraná, Estado mais impactado, a perda chegou a 10 dias de moagem.

Considerando os preços vigentes na comercialização do açúcar e etanol, a redução da receita do setor sucroenergético devido à greve totalizou cerca de R$ 1,2 bilhão.

Ainda, o recuo no processamento de cana ocorreu mesmo com o clima favorável à colheita e à qualidade da matéria-prima. A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 133,44 kg por tonelada na última metade de maio, contra 122,75 kg verificados em igual data de 2017. No acumulado até 1º de junho, o indicador registrou alta de 4,53%, com 123,71 kg por tonelada.

Em relação à produtividade agrícola, dados do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) para uma amostra de 143 empresas indica que o rendimento médio da área colhida em maio atingiu 82,77 toneladas de cana por hectare, aumento de 0,9% em relação ao índice apurado no mesmo mês de 2017. No acumulado da safra, a produtividade alcançou 81,64 toneladas por hectare, crescimento de 2,01% ante o valor observado no mesmo período do ciclo 2017/2018 (80,03 toneladas por hectare). Entretanto, o resultado positivo deve ser analisado com precaução, pois não retrata a expectativa de quebra agrícola esperada para a safra 2018/2019, que pode variar de -2% a -15%, dependendo da região.

A quantidade de cana a ser processada neste ciclo sofrerá os impactos da conjunção de um canavial envelhecido com um extenso período de seca entre os meses de março a maio, prejudicando severamente as lavouras e a produtividade agrícola do restante da safra. O Estado de São Paulo, que representa cerca de 60% da oferta de cana no Centro-Sul foi a região mais afetada pelas adversidades climáticas.

Ademais, mantida essa condição desfavorável para o desenvolvimento da planta, a disponibilidade de cana ficará comprometida no último terço da safra.

Mix de produção

Na segunda quinzena de maio, 67,46% da cana processada destinou-se à fabricação de etanol, frente a 52,53% em igual período de 2017. No acumulado desde o início da atual safra até 1º de junho, esse percentual atingiu 65,46%. Estas cifras ratificam o entendimento quanto a um mix de produção bastante alcooleiro para o ciclo 2018/2019.

A saber, no acumulado desta safra, a quantidade fabricada de açúcar atingiu 40,71 kg por tonelada de cana contra 50,93 kg por tonelada verificados até a mesma data de 2017. Essa redução do rendimento, por sua vez, reflete a quebra da produção próxima de 1,50 milhão de toneladas, a qual, mantida a atual tendência para o mix, resultará em uma queda acumulada da fabricação de açúcar superior a 5 milhões de toneladas no agregado da safra 2018/2019.

Produção

A produção de etanol anidro totalizou 546,36 milhões de litros nos 15 dias finais de maio, recuo de 16,95% sobre a primeira metade do mês. No caso do etanol hidratado, a redução alcançou 15,46%, com 1,20 bilhão de litros produzidos.

O açúcar apresentou a maior retratação. A quantidade fabricada somou 1,34 milhão de toneladas na segunda quinzena de maio, queda de mais de 550 mil toneladas sobre a quinzena anterior (1,91 milhão de toneladas). Trata-se também do menor volume já apurado para esse período.

Essa queda da produção é claramente demostrada nas vendas de açúcar ao mercado externo pelas unidades do Centro-Sul e por conta de um mix mais alcooleiro, priorizando a produção de etanol.

Vendas

As vendas de açúcar para o mercado externo pelas unidades produtoras do Centro-Sul alcançaram 703,68 mil toneladas nos últimos 15 dias de maio. A média nessa quinzena nas três últimas safras é de 1,30 milhão de toneladas.

“O Centro-Sul deixou de entregar 160 mil toneladas de açúcar para comercialização no mercado doméstico e mais de 170 mil toneladas para exportação”, destaca Rodrigues.

 Após sucessivos recordes, o volume de etanol hidratado comercializado no mercado interno pelas unidades do Centro-Sul caiu para 564,45 milhões de litros na metade final de maio - aquém dos 760,03 milhões de litros contabilizados na quinzena passada e dos 601,47 milhões de litros vendidos em igual data de 2017.

Em relação ao etanol anidro, apenas 226,95 milhões de litros foram comercializados, menos da metade do valor registrado no mesmo período da safra 2017/2018. Nesse ponto, importante ressaltar o aspecto do etanol importado como agente redutor das vendas das unidades produtoras.

Estas quedas foram de tal ordem que, no acumulado mensal, as vendas de etanol pelas unidades produtoras do Centro-Sul diminuíram. Somaram 1,88 bilhão de litros, contra 2 bilhões de litros em maio do ano passado.

“Embora em plena safra e com produção crescente de etanol, as distribuidoras não conseguiam retirar o biocombustível nas usinas e destilarias. Nos dias de paralisação, as unidades deixaram de entregar 300 milhões de litros de etanol hidratado e 150 milhões de litros de anidro”, acrescenta o diretor da UNICA.

Contudo, o impacto efetivo sobre a demanda de etanol devido à greve será conhecido após a divulgação das estatísticas pertinentes pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

 A demanda  de combustíveis do  ciclo  Otto (gasolina C + etanol hidratado), em gasolina equivalente, no  período de janeiro a  abril de 2018, apresentou  uma sensível queda de 1,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O cenário deve se acentuar nos próximos meses, também em função da queda no consumo indicada em maio decorrente da greve dos caminhoneiros.

A previsão para o ciclo de abril/2018 a março/2019 indica que a demanda de ciclo Otto deverá indicar uma retração entre 2% a 2,5%. (Unica 12/06/2018)

 

Paralisação de caminhoneiros faz produção de açúcar e etanol despencar

Conclusão é de relatório divulgado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

A paralisação dos caminhoneiros no país, deflagrada a partir do dia 21 de maio, travou a produção de açúcar e etanol nas usinas do país na segunda quinzena do mês passado.

É o que aponta relatório divulgado pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) na manhã desta terça-feira (12).

Foram moídas apenas 32,38 milhões de toneladas pelas usinas do centro-sul do país, ou 13 milhões de toneladas a menos que o esperado. Isso representa uma perda média de 4,5 dias de produção, de acordo com a entidade.

O estado mais afetado na região centro-sul foi o Paraná, onde os protestos dos caminhoneiros foram intensos, com perda de produção de dez dias de moagem.

Ainda conforme a associação das usinas, a redução da receita do setor sucroenergético devido à paralisação provocada pelas manifestações de caminhoneiros atingiu R$ 1,2 bilhão.

Segundo Antonio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, as usinas interromperam as atividades devido à falta de diesel e de outros insumos necessários à produção.

O etanol hidratado, utilizado diretamente no abastecimento nos postos, apresentou redução de 15,46% na segunda quinzena de maio, em comparação à quinzena anterior, com produção de 1,2 bilhão de litros.

Já a produção do anidro, misturado à gasolina, recuou 16,95%, alcançando 546,36 milhões de litros na quinzena final de maio.

Ainda conforme a Unica, 67,46% da cana processada nas usinas teve como destinação produzir etanol, ante os 52,53% de igual período do ano passado. No acumulado da safra, até o último dia 1º, o índice está em 65,46%.

Enquanto isso, a fabricação de açúcar alcançou 1,34 milhão de toneladas, o que representou redução de mais de 550 mil toneladas em relação ao 1,91 milhão de toneladas da primeira quinzena do mês. É o menor volume já apurado para esse período.

Em São Paulo, principal estado produtor, todas as usinas foram atingidas de alguma forma e paralisaram a produção de açúcar e etanol.

A redução na produção ocorre num momento em que, mais vantajoso financeiramente às usinas, o etanol bateu recordes de produção. (Folha de São Paulo 12/06/2018)

 

Brasil deve ser importador líquido de etanol pelo segundo ano seguido

A indústria açucareira do Brasil é de longe a maior do mundo, ajudada em parte pelo enorme mercado doméstico do etanol feito a partir da cana-de-açúcar. Apesar disso, o país provavelmente será importador líquido do biocombustível pela segunda temporada seguida, segundo uma trading.

As importações podem ultrapassar as exportações em 400 milhões de litros no ano-safra atual de 2018/19, contra 290 milhões de litros na temporada anterior, afirma a Bioagência, com sede em São Paulo.

Esmiuçando os números, a empresa prevê importações estáveis, com um volume recorde de 1,7 bilhão de litros. Mas as exportações cairão 20 por cento porque o biocombustível brasileiro está se tornando caro demais para o mercado mundial em comparação com o etanol americano, que é baseado no milho, disse Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, em entrevista em São Paulo.

"O Brasil está perdendo participação de mercado até na Califórnia, onde o etanol de cana tem prêmios elevados por seu menor impacto ambiental", disse.

Os futuros do açúcar em Nova York caíram 16 por cento neste ano, pior desempenho do Bloomberg Commodity Index. Consequentemente, a indústria açucareira do Brasil está desviando o máximo possível do caldo da cana para a produção de etanol.

O biocombustível está gerando às usinas 15 por cento mais receita que o açúcar, segundo a INTL FCStone. Essa diferença em faturamento, contudo, não é suficiente para ampliar a produção local de biocombustível, porque os canaviais envelhecidos vêm sendo afetados pela estiagem.

Enquanto isso as importações de etanol americano estão crescendo, apesar da tarifa de 20 por cento imposta pelo Brasil no ano passado para volumes superiores à cota anual de 600 milhões de litros, disse Rodrigues. O setor de cana-de-açúcar do Brasil perdeu capacidade de expansão após quase uma década de crise. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), 50 usinas sucroalcooleiras foram desativadas e mais de 70 pediram recuperação judicial no Brasil desde 2011.

"O déficit de etanol do Brasil pode não mudar nos próximos anos porque o investimento em novas usinas continua estagnado", disse. (Bloomberg 12/06/2018)