Setor sucroenergético

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Bayer começa a arrancar as raízes da Monsanto no Brasil

A maior operação de M&A da história da Bayer vai deixar suas primeiras e dolorosas marcas no Brasil. O presidente da subsidiária, Theo van der Loo, recebeu sinal verde da Alemanha para iniciar o processo de integração com a Monsanto. Por integração, leia-se uma enxadada que deverá arrancar até 15% dos postos de trabalho da empresa no país.

Segundo o RR apurou, a Bayer estaria se preparando para ceifar cerca de 200 funcionários da Monsanto, marca, inclusive, que será extinta. Os cortes se dariam não só na esfera administrativa, mas também na nevrálgica área de pesquisa e desenvolvimento. De acordo com a fonte do RR, as primeiras demissões serão anunciadas em julho.

Parte do processo deverá ser conduzida, curiosamente, por um egresso da Monsanto, o atual presidente da empresa na América do Sul, Rodrigo Santos, que assumirá a divisão de CropScience do grupo alemão na América Latina. Procurada, a Bayer não quis se pronunciar.

Anunciada em 2016, a aquisição mundial da Monsanto, ao valor de US$ 66 bilhões, só foi concluída na semana passada, após a complexa aprovação por órgãos antitruste em 29 países. O desfecho do deal coincide com um momento de estiagem da Bayer no Brasil.

No ano passado, a empresa teve um de seus piores resultados no país, com um prejuízo de R$ 422 milhões, quase o triplo das perdas registradas em 2016 (R$ 147 milhões). Os funcionários da Monsanto vão pagar parte da conta. (Jornal Relatório Reservado 14/06/2018)

 

Usina na mira

A gestora norte-americana Amerra tem interesse na aquisição da Cevasa, companhia sucroacooleira do interior de São Paulo controlada pela Cargill.(Jornal Relatório Reservado 14/06/2018)

 

CNA quer melhorar remuneração para produtores de cana

Valor atual de pagamento pela matéria-prima, baseado no índice do Consecana, está defasado, afirma Confederação.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) quer melhorar o preço pago ao produtor de cana-de-açúcar e, para isso, está desenvolvendo um índice de preço real em parceria com as federações de agricultura e pecuária e as entidades do setor. O assunto foi um dos temas da reunião da Comissão Nacional de Cana-de-Açúcar da CNA nesta quarta (13), em Brasília.

“É interesse da CNA trabalhar junto com as Federações e organizações para mostrar a grave discrepância nos preços pagos ao produtor. A CNA não quer substituir nenhum índice que já existe, mas apenas lançar um preço justo, transparente e de credibilidade tanto para o produtor quanto para o mercado”, afirmou o presidente da Comissão, Ênio Fernandes.

O índice sugerido pela CNA está sendo elaborado por uma consultoria que presta serviços para a entidade no levantamento de custos de produção da cana. Atualmente, o preço pago ao produtor é baseado no Consecana, conselho formado por produtores e indústria, que deveria ter sido revisado em 2017.

“Os preços que são praticados hoje não refletem a realidade e estão inviabilizando as atividades do produtor”, destacou Gustavo Rattes, vice-presidente da Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana). “O Consecana é um sistema justo, mas precisa de revisão devido à defasagem dos preços.”

Outro item da pauta foi a venda direta do etanol das usinas para os postos. Hoje apenas as distribuidoras podem fazer essa transação. 

“Existe hoje uma resolução da ANP que dá exclusividade para as distribuidoras. A CNA está discutindo para que a gente consiga a liberação para fazer a venda direta para os postos. Isso não substitui o distribuidor, apenas cria uma nova possibilidade de venda", explicou o assessor técnico da Comissão de Cana-de-Açúcar, Rogério Avellar.

Para o presidente da Federação de Plantadores de Cana-de-Açúcar do Brasil (Feplana), Alexandre Lima, ao vender diretamente para os postos, o consumidor final será o principal beneficiado. "Será um custo menor, que o consumidor sentirá no bolso na hora de abastecer e o etanol ficará mais competitivo em relação à gasolina."

Os membros da Comissão também trataram dos efeitos da greve dos caminhoneiros para o setor sucroenergético. Segundo Avellar, como a cultura da cana-de-açúcar precisa de maquinário para colheita, carregamento e transporte para as usinas e faltou diesel e outros insumos, o produtor colheu, mas as usinas não moeram.

“Como o produtor é remunerado pela qualidade da matéria-prima, com o atraso na colheita, haverá prejuízo tanto pela menor qualidade quanto pela menor oferta de cana na safra. Portanto, o fornecedor acabará recebendo menos pela sua produção e apenas quando o produtor fizer o balanço da safra, vamos saber o tamanho do prejuízo.” (CNA 14/06/2018)

 

Ajuste de posições e câmbio retiram suporte de alta do açúcar, que recuou na ICE

Além de algumas fixações contra julho, usinas brasileiras também saíram rolando posições para outubro, dando margem para o interrupção das altas que o açúcar vinha tendo na ICE Nova York. Os dois vencimentos de 2018 saíram com perdas nesta quinta (14).

O outubro em 28 pontos, fechando em 12.23 c/lp, e o outubro em 20 pontos, cotado a 12.56 c/lp.

Ana Cláudia Cordeira, da Canex Exportação, que observou a rolagem, completa também se tratar do aproveitando do spread.

“Se fizermos as contas, hoje a combinação de tela e dólar paga em torno de R$ 5,00 a mais por saca na comparação com o início de maio”, disse a analista. Ou seja, o açúcar brasileiro começou a chegar em maior volume já há duas semanas, mais ou menos, com a breve interrupção  quando o Banco Central interveio e derrubou a alta no final da semana passada.

Na Sucden Brasil, Eduardo Sia, percebeu o mesmo ajuste de posição julho-outubro, mas lembrou ainda que o câmbio está confuso no mundo inteiro e as commodities estão “apanhando esses dias”.

A instabilidade causada com a aproximação do anúncio das sanções americanas à China, marcado para amanhã, também sugou recursos das commodities, despejados em ativos de menor risco, ainda que o açúcar não tenha peso na disputa comercial como a soja e o milho.

Mas mesmo diante das condições de safra no Brasil, em volume menores e qualidade cada vez mais comprometida, e sem chuva no horizonte que drena o ATR, Sia ainda acredita que o “mercado ainda trabalhando no range 11-12 c/lp”. (Notícias Agrícolas 14/06/2018)

 

Bunge deve cancelar oferta inicial de ações

As reuniões dos bancos com investidores sobre a oferta pública inicial de ações (IPO) da Bunge Açúcar e Álcool têm sido desanimadoras e o processo deve ser cancelado nos próximos dias, conforme três fontes. Além da maior volatilidade do mercado, o histórico operacional e a atual cotação do açúcar jogam contra o interesse do investidor. "Para viabilizar a oferta, a companhia teria que aceitar um ajuste brutal de precificação", diz um executivo próximo à empresa. A Bunge tentava, nesta semana, encontrar um investidor que ancorasse a oferta.

A companhia teve prejuízo no ano passado e no primeiro trimestre deste ano e um excesso de oferta de açúcar tem pressionado os preços no mercado este ano. "A oferta de ações é secundária, sendo que a companhia tentou por anos encontrar um comprador em negociação privada e não conseguiu fechar. Isso pesa", diz uma fonte.

Um grande gestor destaca o histórico negativo do investidor com Biosev, que atua no mesmo setor. Desde o IPO em 2013, a ação da Biosev desvalorizou quase 80%. A empresa passou por uma reestruturação, com renegociação de dívidas e aumento de capital. Em março, a empresa encerrou o balanço anual da safra 2017/18 com prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão, mais que o dobro da safra anterior. "O investidor desse setor prefere ficar em São Martinho", diz esse gestor.

Outra empresa em andamento com IPO, a fabricante de eletrônicos Multilaser mantém simultaneamente negociação com dois fundos de private equity para uma captação privada. Quem coordena a negociação é o Citi, segundo o Valor apurou, que também participa da oferta de ações. (Valor Econômico 15/06/2018)

 

Projeto que autoriza venda direta de etanol divide setor; governo prepara estudo

O Projeto de Decreto Legislativo 61/2018, que autoriza a venda direta de etanol hidratado de usinas para os postos, é rejeitado pelas distribuidoras e dividiu o setor de biocombustível. A Plural (antigo Sindicom), que reúne as distribuidoras, além de grandes entidades de produtores de etanol, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), são contrárias à autorização para a venda direta, prevista na proposta do senador Otto Alencar (PSD-BA).

O presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, disse ao Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) que a entidade não tem uma posição fechada sobre o tema, justamente pela divisão interna dentro do setor produtivo de biocombustível. "A Unica e a Alcopar são contrárias, mas temos produtores do Nordeste, de Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte, que são favoráveis. Como não temos unanimidade no Fórum, ainda não temos posição, mas vamos debater o assunto", afirmou o executivo.

A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), que reúne os agricultores e tem forte influência no Nordeste, é favorável ao projeto. Em entrevista disponível no site da entidade, o presidente da associação Alexandre Lima diz que, "no mundo inteiro, há essa restrição só no Brasil". Ele cita ainda que a medida beneficiaria principalmente o consumidor, que vai comprar um combustível mais barato.

Estudo

Preocupado com uma desregulamentação no comércio do etanol hidratado, o governo prepara um estudo para tentar mediar o conflito causado pela tramitação do projeto no Senado. Fonte do Ministério das Minas e Energia informou ao Broadcast que uma possível sugestão apontada no estudo seria propor um teste com a venda direta do biocombustível por um período longo em um Estado produtor, possivelmente no Nordeste, para avaliar como a cadeia se comportaria sem a venda intermediada pelas distribuidoras.

Apesar da possibilidade de queda nos preços, que seria favorável ao consumidor, o governo teme que o desmonte da distribuição seja acompanhado pela sonegação de impostos e pela adulteração do biocombustível.

Durante a greve dos caminhoneiros, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) chegou a autorizar emergencialmente a venda direta das usinas para os postos, mas a medida foi revogada quando a situação se normalizou.

Agora, o projeto do senador baiano derruba o artigo da Resolução 43/2009, da ANP, que só permite ao fornecedor comercializar o etanol com outro fornecedor cadastrado na ANP com um distribuidor autorizado pela agência, ou com o mercado externo. O PL teve sua tramitação acelerada no Parlamento.

A Unica preparou um documento ao Congresso com argumentos contrários à venda direta. Obtido pelo Broadcast, o texto cita prejuízo à implementação da nova política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio; o mercado de venda direta limitado; os desafios logísticos sem ganhos para o consumidor; e a necessidade de mudança na estrutura tributária.

No documento, a Unica informa também que a entidade representa produtores de etanol, "isto é, aqueles que, em tese, seriam beneficiados com a venda direta de etanol aos postos revendedores" e lembra que o RenovaBio institui as distribuidoras como parte obrigada no cumprimento das metas de redução de emissões. Com a venda direta, o programa seria inviabilizado e ficaria desconfigurado.

Quanto à limitação do mercado de venda direta, a Unica lembra que os postos "com bandeira" possuem vínculos contratuais com empresas como BR Distribuidora, Ipiranga e Grupo Cosan (Raízen Combustíveis). "Portanto, as vendas diretas de etanol ficarão restritas aos postos 'bandeira branca'", cita.

Para a entidade do setor produtivo de etanol, custos de transação nas usinas serão ampliados e o controle da qualidade do produto, dificultado. O transporte de combustíveis aos postos é usualmente realizado por modal rodoviário com tanques e, em uma mesma carga, o posto recebe etanol, diesel e gasolina. "Com a venda direta, será necessário estabelecer outro canal para obter diesel e gasolina junto a uma distribuidora, limitando a atividade de compra".

A Unica destaca ainda que o PIS e o Cofins incidentes sobre o etanol hidratado são recolhidos pelo produtor (R$ 0,13 por litro) e pelo distribuidor (R$ 0,11 por litro). A ausência do distribuidor exigirá, portanto, mudanças na legislação tributária federal. Além disso, serão necessárias alterações no regulamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual.

Por fim, a entidade lembra que atualmente já existem inúmeras distribuidoras operando apenas com etanol hidratado, uma vez que a legislação atual permite aos fornecedores do renovável a atividade de distribuição de combustíveis.

Aumento no custo de transporte

Em outra frente, a Plural encomendou um estudo à consultoria de supply chain Leggio, que concluiu que não há sustentação para a tese da existência de um benefício de eficiência logística e operacional com a venda direta do etanol. De acordo com o estudo, haveria um aumento de mais de R$ 870 milhões ao ano no custo médio logístico, operacional e administrativo.

O estudo considera duas alternativas de modelo de abastecimento. Na primeira, o etanol hidratado é transportado das usinas até as bases de distribuição e depois enviado para postos de abastecimento. Na segunda, o etanol hidratado é transportado das usinas diretamente para os postos de abastecimento, onde será vendido ao consumidor. Os resultados demonstram um crescimento do custo de transporte em 24,7%, representando R$ 181 milhões, quando aplicado o modelo de abastecimento da usina diretamente para o posto.

A diferença entre os valores é justificada por cinco fatores principais: ausência do uso de modais de alto volume (dutos e ferrovias) em função da entrega mais fragmentada nos fluxos entre usina e posto; a tendência de utilização de veículos de menor capacidade (o estudo considerou o tanque 30 metros cúbicos) no fluxo usina-posto, na comparação com o transporte usina-base de distribuição, no qual são utilizados bitrens 40 metros cúbicos; aumento do tempo total de viagem, com o acréscimo de pontos de entrega por viagem nos fluxos usina-base; produtividade mais baixa da frota contratada pela usina, em razão da infraestrutura limitada para carregamento, gerando filas na operação; e ganho de escala na contratação de frete nos fluxos usina-base-posto, uma vez que o volume total transportado por distribuidora é significativamente maior do que o transportado por usina.

O estudo elaborado pela Leggio menciona também potencial aumento do custo do frete usina-base para etanol anidro, por perda de escala na contratação no valor de R$ 34 milhões; e possível elevação do custo de frete base-distribuição para diesel B e gasolina C causada pela perda de escala na contratação, em R$ 252 milhões.

De acordo com a Plural, na prática, as usinas não possuem logística suficiente para chegar aos mais de 40 mil postos espalhados pelo Brasil. "Isso só é possível hoje após bilhões de reais em investimentos por parte das distribuidoras", diz a entidade.

Além disso, 58% dos postos operam com marcas e não poderiam comprar de uma usina, pois estariam "enganando o consumidor e descumprindo regras contratuais", diz declaração da Plural enviada à imprensa.

"O prejuízo ao consumidor também pode ocorrer pela fragilização dos processos de controle de qualidade dos combustíveis fornecidos aos postos revendedores. O modelo vigente viabiliza mecanismos de fiscalização dos agentes regulados e sua respectiva responsabilização pelas atividades efetuadas", acrescenta.

Comentário a clientes do Itaú BBA cita que a medida é negativa para distribuidoras como Ultrapar, detentora da rede Ipiranga, e BR. "Se o projeto for aprovado, acreditamos que seria negativo para a Ultrapar e para a BR, já que, enquanto postos com bandeira não iriam poder comprar etanol diretamente das usinas, os com bandeira branca iriam", diz o documento. "Isso, a nosso ver, iria piorar cenário competitivo e implicaria margens menores nos volumes de etanol para o negócio de distribuição". (Agência Estado 14/06/2018)

 

ANP e Cade criam grupo de trabalho para avaliar medidas em combustíveis

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovaram a instituição de um grupo de trabalho que irá analisar o mercado de combustíveis e avaliar medidas de aprimoramento da regulamentação do setor, segundo portaria assinada nesta quinta-feira.

A parceria entre a agência reguladora e o órgão de defesa da concorrência vem após uma greve de caminhoneiros contra os altos preços do diesel que gerou forte desabastecimento em diversas indústrias e impactou a economia do país no final de maio.

Como uma das medidas tomadas para encerrar a greve, o governo prometeu aos caminhoneiros uma redução do preço do diesel, viabilizada por meio de um programa de subvenção à Petrobras e a outras fornecedoras do combustível no país, com duração até o fim deste ano.

Em meio aos protestos dos caminhoneiros, o Cade divulgou uma série de propostas com o objetivo de aumentar a concorrência no mercado de combustíveis, o que segundo o órgão poderia reduzir os preços aos consumidores finais.

A ANP disse em nota que a implementação das medidas apresentadas pelo Cade será avaliada no grupo de trabalho, que também irá discutir "a possibilidade de adoção permanente das medidas regulatórias excepcionais apresentadas pela ANP".

O grupo, que será composto por seis membros, sendo três de cada órgão, terá que concluir os trabalhos em 90 dias a partir de sua primeira reunião, prazo que pode ser prorrogado pelo mesmo período.

Desde o final da greve, a ANP também já aprovou a realização de uma consulta pública que tem como objetivo a elaboração de uma resolução sobre a periodicidade dos repasses de reajustes de preços de combustíveis aos consumidores. O processo receberá contribuições até 2 de julho. (Reuters 15/06/2018)

 

Vendas de defensivos caíram 7% no país em 2017

A receita das vendas de defensivo caiu 7% em 2017 no país, para US$ 8,89 bilhões, segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).

O segmento sofreu no ano passado com o alto nível de estoques parados no canal de distribuição no país. Fontes avaliam que foram aplicados aproximadamente US$ 10 bilhões em produtos, “queimando” US$ 1 bilhão dos estoques parados.

“A gente estava com um estoque muito alto e houve uma seca no Paraná no ano passado que reduziu o uso de fungicida”, disse Silvia Fagnani, diretora-executiva do Sindiveg. Para ela, a tendência é que as vendas em 2018 fiquem em linha com o resultado de 2017.

“Na verdade, os anos que apresentam faturamento de US$ 11 bilhões a US$ 12 bilhões é que são fora da curva”, disse. Segundo a diretora do Sindiveg, as vendas de agrotóxicos só ultrapassarão os US$ 9 bilhões quando houver um combate mais eficiente aos produtos ilegais no mercado. “Quando aumentar o mercado de legais, aí sim veremos esse montante crescer”, disse.

Para este ano, a questão que deve pesar para a indústria é o aumento de custos. “Temos uma alta de preços de matérias-primas, derivada do fechamento de fábricas na China e da questão do dólar”, afirmou. A valorização do dólar ante o real, motivada pelo aumento dos juros americanos, tem pressionado a indústria e a situação pode ser agravada pelas eleições presidenciais deste ano. “O que está sendo embarcado agora vai chegar entre agosto e setembro e só será faturado na cotação do dólar da chegada”, disse.

O aumento dos custos em decorrência do efeito cambial deve ficar na casa dos 15%, acredita. “Mas ainda há muita incerteza política, então, muita coisa pode acontecer com as eleições”, disse.

Em 2017, 28% do total vendido correspondeu a fungicidas e 27% a inseticidas. O faturamento com fungicidas caiu 21,4% em relação ao ano passado, enquanto a receita com inseticidas subiu 3,1%.

A soja continuou na liderança isolada de principal cultura no faturamento das vendas de defensivos, com 52% de participação, seguida por milho, com 10%, e cana-de-açúcar, com 12%.

As vendas em Mato Grosso corresponderam a 21% do total. Em seguida aparecem São Paulo (15%), Rio Grande do Sul (12%) e Paraná (11%). (Valor Econômico 14/06/2018 às 17h: 49m)