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Zilor procura atestar a sustentabilidade operacional em novo relatório bienal

Para demonstrar como conduz seus negócios de maneira responsável e transparente, a Zilor apresenta a 6ª edição do Relatório de Sustentabilidade, com os principais resultados e iniciativas da empresa no período de 1º de abril de 2016 a 31 de março de 2018.

Publicado desde 2007 pela Zilor, o Relatório de Sustentabilidade segue os padrões da Global Reporting Iniciative (GRI), que são normas internacionais para o relato de sustentabilidade das organizações e apresenta informações sobre o desempenho socioambiental e as perspectivas dos negócios para o longo prazo, a fim de prestar conta para todos os públicos que se relaciona.

Nesta edição, o relatório destaca as principais iniciativas promovidas pela Zilor neste período, referente às três unidades produtoras de açúcar, etanol e energia elétrica, localizadas em Lençóis Paulista, Macatuba e Quatá, no estado de São Paulo e à Biorigin, unidade de negócios especializada em biotecnologia, com unidades no Brasil, Estados Unidos e Europa e que atende clientes no Brasil e no exterior.

Entre os destaques desta edição, ressaltamos o recorde de produção da Biorigin, além do resultado de 84% de satisfação geral dos clientes. No cuidado com as pessoas, investimos no desenvolvimento, na segurança e bem-estar dos colaboradores com o Programa Vida em Foco.

Como parte das estratégias para o futuro, promovemos o Programa Zilor Mais, que busca o aumento da competitividade e eficiência da empresa a partir da racionalização de custos, o fortalecimento da governança corporativa, a otimização de processos e a eliminação de desperdícios, com foco na perenidade dos nossos negócios.

O Relatório apresenta também desafios e metas da empresa, atitudes que contribuem para um futuro mais sustentável para as futuras gerações. Promoveremos a restauração florestal de  380 hectares entre o período de 2018 e 2028 nas regiões de Quatá e Lençóis Paulista. Neste ano, estabelecemos uma nova meta de longo prazo para nossas operações. Até 2025, buscaremos uma redução de 49% no volume de água captado para cada tonelada de cana-de-açúcar processada.

A comunidade também está no nosso foco de atuação, na safra 2018/19 nosso desafio é promover um modelo de empresariamento social, capacitando as organizações para a independência e sustentabilidade financeira, para que possam ampliar sua atuação na sociedade. Dessa forma, compartilhamos riquezas e conhecimento com as comunidades que nos fornecem licença social para operar.

O diretor-presidente da Zilor, Fabiano José Zillo, destaca o compromisso, a transparência e a capacidade da empresa de gerar valor para seus públicos de relacionamento. Somos mais de 4 mil colaboradores comprometidos com o crescimento sustentável em toda nossa cadeia produtiva. Do campo à indústria somos responsáveis com as pessoas e o meio ambiente.

“Este novo momento é marcado por ações e investimentos para ganhos de eficiência operacional e estratégias para colocar a Zilor em um novo patamar de competitividade. Continuamos firmes no nosso propósito de agregar valor para os nossos clientes, com a oferta de alimentos saudáveis e energia limpa, além de compartilhar riquezas e realizar investimentos em projetos sociais que geram impactos positivos e perenes para as comunidades que nos abraçam”, destaca Fabiano.

Destaques no último biênio:

1. Na safra 2016/17 atingimos um novo recorde de moagem de cana-de-açúcar: 11,34 milhões de toneladas.

2. Produzimos energia limpa suficiente para iluminar uma cidade com mais de 500 mil habitantes por um ano. O volume de energia elétrica exportada na safra 2017/2018 foi de 509 mil MWh.

3. Plantamos mais de 486 mil mudas nos últimos dois anos em projetos de restauração e preservação ambiental, superando a meta assumida em quase 200%.

4. Realizamos mais de 156 mil horas de treinamentos para nossos colaboradores, com destaque para o desenvolvimento das competências da liderança, o fortalecimento da cultura de segurança e de excelência operacional.

5. Investimos mais de R$ 9 milhões em projetos sociais nas comunidades, impactandocerca de 800 estudantes das cidades de Lençóis Paulista, Macatuba e Quatá. (Zilor 19/06/2018)

 

Senado aprova projeto que autoriza venda direta de etanol para postos

Projeto libera que produtor comercialize combustível diretamente para postos de gasolina; medida divide mercado e governo.

O senado aprovou nesta terça-feira, 19, o projeto de decreto legislativo que autoriza a venda direta de etanol hidratado de usinas para os postos. O texto contou com 47 votos favoráveis e, agora, segue para a Câmara dos Deputados.

O projeto foi apresentado após a paralisação dos caminhoneiros, na segunda quinzena de maio. Na semana passada, um requerimento de urgência foi assinado pela maioria dos líderes da Casa, o que fez com que a matéria fosse levada diretamente ao plenário.

Atualmente, os produtores não estão autorizados a vender o combustível diretamente aos postos por restrições da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Durante a greve dos caminhoneiros, a agência chegou a liberar emergencialmente a venda direta das usinas para os postos, mas a medida foi revogada quando a situação se normalizou.

O projeto é de autoria do senador Otto Alencar (PSD-BA) e derruba artigo da Resolução 43/2009, da ANP, que só permite ao fornecedor comercializar o etanol com outro fornecedor cadastrado na ANP com um distribuidor autorizado pela agência, ou com o mercado externo.

Os que são contra a proposta alegam que a venda direta criará dificuldades para a tributação e a fiscalização do projeto. Otto, por sua vez, afirma que a medida vai beneficiar o livre comércio, pois o produtor não iria precisar de uma distribuidora para vender o etanol, o que baratearia o preço para o consumidor. "Nós queremos mexer em um oligopólio grande, que ganha dinheiro fácil", afirmou.

Representantes do setor de etanol estão divididos. A União da Indústria de cana-de-açúcar (Unica) é contra a liberação de comércio direto entre produtores e postos de combustíveis.

Já Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), que reúne os agricultores e tem forte influência no Nordeste, se posicionou favorável ao projeto.

Projeto. O Projeto de Decreto Legislativo 61/2018, que autoriza a venda direta de etanol hidratado de usinas para os postos, é rejeitado pelas distribuidoras e dividiu o setor de biocombustível.

A Plural (antigo Sindicom), que reúne as distribuidoras, além de grandes entidades de produtores de etanol, como a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), são contrárias à autorização para a venda direta, prevista na proposta do senador Otto Alencar (PSD-BA).

A Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana), que reúne os agricultores e tem forte influência no Nordeste, é favorável ao projeto. Em entrevista disponível no site da entidade, o presidente da associação Alexandre Lima diz que, "no mundo inteiro, não há essa restrição só no Brasil". Ele cita ainda que a medida beneficiaria principalmente o consumidor, que vai comprar um combustível mais barato.

Preocupado com uma desregulamentação no comércio do etanol hidratado, o governo prepara um estudo para tentar mediar o conflito causado pela tramitação do projeto no Senado. Fonte do Ministério das Minas e Energia informou que uma possível sugestão apontada no estudo seria propor um teste com a venda direta do biocombustível por um período longo em um estado produtor, possivelmente no Nordeste, para avaliar como a cadeia se comportaria sem a venda intermediada pelas distribuidoras.

Apesar da possibilidade de queda nos preços, que seria favorável ao consumidor, o governo teme que o desmonte da distribuição seja acompanhado pela sonegação de impostos e pela adulteração do biocombustível.

Durante a greve dos caminhoneiros, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) chegou a autorizar emergencialmente a venda direta das usinas para os postos, mas a medida foi revogada quando a situação se normalizou. Agora, o projeto do senador baiano derruba o artigo da Resolução 43/2009, da ANP, que só permite ao fornecedor comercializar o etanol com outro fornecedor cadastrado na ANP com um distribuidor autorizado pela agência, ou com o mercado externo. O PL teve sua tramitação acelerada no Parlamento.

A Unica preparou um documento ao Congresso com argumentos contrários à venda direta. O texto cita prejuízo à implementação da nova política nacional de biocombustíveis, o RenovaBio; o mercado de venda direta limitado; os desafios logísticos sem ganhos para o consumidor; e a necessidade de mudança na estrutura tributária.

No documento, a Unica informa também que a entidade representa produtores de etanol, "isto é, aqueles que, em tese, seriam beneficiados com a venda direta de etanol aos postos revendedores" e lembra que o RenovaBio institui as distribuidoras como parte obrigada no cumprimento das metas de redução de emissões. Com a venda direta, o programa seria inviabilizado e ficaria desconfigurado.

Quanto à limitação do mercado de venda direta, a Unica lembra que os postos "com bandeira" possuem vínculos contratuais com empresas como BR Distribuidora, Ipiranga e Grupo Cosan (Raízen Combustíveis). "Portanto, as vendas diretas de etanol ficarão restritas ao postos 'bandeira branca'", cita.

Para a entidade do setor produtivo de etanol, custos de transação nas usinas serão ampliados e o controle da qualidade do produto, dificultado. O transporte de combustíveis aos postos é usualmente realizado por modal rodoviário com tanques e, em uma mesma carga, o posto recebe etanol, diesel e gasolina. "Com a venda direta, será necessário estabelecer outro canal para obter diesel e gasolina junto a uma distribuidora, limitando a atividade de compra".

A Unica destaca ainda que o PIS e o Cofins incidentes sobre o etanol hidratado são recolhidos pelo produtor (R$ 0,13 por litro) e pelo distribuidor (R$ 0,11 por litro). A ausência do distribuidor exigirá, portanto, mudanças na legislação tributária federal. Além disso, serão necessárias alterações no regulamento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) estadual.

Por fim, a entidade lembra que atualmente já existem inúmeras distribuidoras operando apenas com etanol hidratado, uma vez que a legislação atual permite aos fornecedores do renovável a atividade de distribuição de combustíveis.

Aumento no custo de transporte. Em outra frente, a Plural encomendou um estudo à consultoria de supply chain Leggio, que concluiu que não há sustentação para a tese da existência de um benefício de eficiência logística e operacional com a venda direta do etanol. De acordo com o estudo, haveria um aumento de mais de R$ 870 milhões ao ano no custo médio logístico, operacional e administrativo.

O estudo considera duas alternativas de modelo de abastecimento. Na primeira, o etanol hidratado é transportado das usinas até as bases de distribuição e depois enviado para postos de abastecimento. Na segunda, o etanol hidratado é transportado das usinas diretamente para os postos de abastecimento, onde será vendido ao consumidor. Os resultados demonstram um crescimento do custo de transporte em 24,7%, representando R$ 181 milhões, quando aplicado o modelo de abastecimento da usina diretamente para o posto.

A diferença entre os valores é justificada por cinco fatores principais: ausência do uso de modais de alto volume (dutos e ferrovias) em função da entrega mais fragmentada nos fluxos entre usina e posto; a tendência de utilização de veículos de menor capacidade (o estudo considerou o tanque 30 metros cúbicos) no fluxo usina-posto, na comparação com o transporte usina-base de distribuição, no qual são utilizados bitrens 40 metros cúbicos; aumento do tempo total de viagem, com o acréscimo de pontos de entrega por viagem nos fluxos usina-base; produtividade mais baixa da frota contratada pela usina, em razão da infraestrutura limitada para carregamento, gerando filas na operação; e ganho de escala na contratação de frete nos fluxos usina-base-posto, uma vez que o volume total transportado por distribuidora é significativamente maior do que o transportado por usina.

O estudo elaborado pela Leggio menciona também potencial aumento do custo do frete usina-base para etanol anidro, por perda de escala na contratação no valor de R$ 34 milhões; e possível elevação do custo de frete base-distribuição para diesel B e gasolina C causada pela perda de escala na contratação, em R$ 252 milhões.

De acordo com a Plural, na prática, as usinas não possuem logística suficiente para chegar aos mais de 40 mil postos espalhados pelo Brasil. "Isso só é possível hoje após bilhões de reais em investimentos por parte das distribuidoras", diz a entidade.

Além disso, 58% dos postos operam com marcas e não poderiam comprar de uma usina, pois estariam "enganando o consumidor e descumprindo regras contratuais", diz declaração da Plural enviada à imprensa.

"O prejuízo ao consumidor também pode ocorrer pela fragilização dos processos de controle de qualidade dos combustíveis fornecidos aos postos revendedores. O modelo vigente viabiliza mecanismos de fiscalização dos agentes regulados e sua respectiva responsabilização pelas atividades efetuadas", acrescenta.

Comentário a clientes do Itaú BBA cita que a medida é negativa para distribuidoras como Ultrapar, detentora da rede Ipiranga, e BR. "Se o projeto for aprovado, acreditamos que seria negativo para a Ultrapar e para a BR, já que, enquanto postos com bandeira não iriam poder comprar etanol diretamente das usinas, os com bandeira branca iriam", diz o documento. "Isso, a nosso ver, iria piorar cenário competitivo e implicaria margens menores nos volumes de etanol para o negócio de distribuição". (O Estado de São Paulo 19/06/2018 às 16h: 10m)

 

Açúcar: Guerra comercial

A guerra comercial entre EUA e China também impactou as cotações do açúcar na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos com vencimento em outubro fecharam a 12,13 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 15 pontos.

A disputa entre os dois países elevou a aversão ao risco e deu força ao dólar, o que estimula as exportações, ampliando a oferta no mercado internacional.

A queda das cotações acompanhou ainda o recuo nos preços do petróleo antes da reunião da Opep.

A perspectiva de aumento ou redução da produção mundial de petróleo influencia a decisão das usinas no que tange à fabricação de açúcar ou etanol.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,31 a saca de 50 quilos, queda de 0,32%. (Valor Econômico 19/06/2018)

 

Venda direta de etanol põe arrecadação em risco, diz Plural

A proposta aprovada nesta terça-feira no Senado que permite a venda direta das usinas aos postos de etanol hidratado pode comprometer R$ 4,5 bilhões em arrecadação de impostos, afirmou Leonardo Gadotti, presidente da Plural (associação que reúne as maiores distribuidoras de combustíveis do país).

Atualmente, as distribuidoras são as responsáveis pelo recolhimento da maior parte do PIS/Cofins e pelo recolhimento de ICMS referentes à venda de combustíveis.

Gadotti avalia que o segmento recolha cerca de R$ 3 bilhões de ICMS aos Estados apenas com a venda de etanol hidratado, além de R$ 1,5 bilhão com PIS/Cofins.

“O projeto não tem resposta para isso ainda. Essa lei não pode prosperar antes de equacionar a questão tributaria”, disse.

Diante da urgência que o projeto ganhou no Congresso, as distribuidoras passaram a fazer forte lobby contra a proposta e ganharam apoio dos produtores de etanol do Centro-Sul e da Fecombustíveis.

O presidente da Plural disse que vai agora conversar com os governadores para debater o assunto. “Vamos recorrer aos Estados para que, através de suas bancadas, tenham influência para que a discussão aconteça”, afirmou. (Valor Econômico 19/06/2018 às 21h: 08m)

 

Com cana transgênica, CTC eleva lucro em 14%, para R$ 14 milhões

Primeira companhia do mundo a desenvolver e obter aprovação para comercializar uma cana-de-açúcar transgênica, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) registrou na safra 2017/18 (encerrada em 31 de março), um lucro líquido de R$ 14,3 milhões, aumento de 14,2% sobre a safra anterior, decorrente do aumento das vendas.

O CTC conseguiu no ciclo passado aprovação para comercializar sua cana transgênica no Brasil e no Canadá. Segundo mensagem da administração, a variedade geneticamente modificada já foi comercializada e plantada em 250 hectares na temporada no país.

Além disso, o CTC calcula que, da área plantada com cana no Brasil, 25% tenha sido com variedades (com e sem modificação genética) por ele desenvolvidas, enquanto na safra 2016/17 essa participação era de 21%. Em área, isso representou 297 mil hectares plantados. Já área total de cultivo com variedades do CTC somou 1,2 milhão de hectares, aumento de 17%.

O aumento da participação de mercado e a alta dos royalties cobrados pelo uso de suas variedades engordaram o faturamento do CTC. A receita operacional líquida cresceu 11,5% ante a safra 2016/17, para R$ 144,3 milhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) aumentou 69%, para R$ 30,5 milhões, enquanto a margem Ebitda cresceu 8 pontos percentuais, para 21%.

A alta do resultado líquido também é explicada, segundo a companhia, pela redução das despesas, já que o desembolso para investimentos em pesquisa e desenvolvimento está se normalizando. Segundo o CTC, cerca de 70% do orçamento anual para investimentos é destinado a pesquisa e desenvolvimento desde 2012.

Na safra 2017/18, o investimento nessa área somou R$ 90,5 milhões. O foco desses aportes foi nos projetos de biotecnologia, enquanto o projeto de etanol celulósico consumiu menos recursos.

No fim da temporada, o CTC registrava um caixa superior ao endividamento bruto, embora o montante de recursos em caixa tenha diminuído em relação à safra anterior com o início do pagamento de linhas de crédito. Os recursos em caixa somavam R$ 230,8 milhões, enquanto a dívida bruta da empresa era de R$ 191 milhões, dos quais R$ 46,3 milhões tinham vencimento no curto prazo.

Houve uma reclassificação no saldo a receber pelo BNDESPar para o longo prazo, já que o pagamento está em processo de arbitragem. O BNDESPar faz parte do quadro de acionistas. (Valor Econômico 19/06/2018 às 21h: 03m)

 

Governança ineficiente dificulta a criação de mercado de créditos de carbono no país

A governança brasileira sobre mudança do clima pode ser alterada para se tornar mais eficiente. Uma resolução tramita na Casa Civil e pretende modificar a estrutura da instância que deve orientar e implementar os passos para o Brasil avançar na agenda doméstica de redução de gases-estufa e cumprir sua meta internacional. De maneira prática, pode escolher qual instrumento financeiro é mais adequado para o país - criar um imposto de carbono ou um mercado de créditos.

O problema é que o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) é grande - tem representantes de 17 ministérios - faz reuniões com frequência bissexta e não delibera. Este seria um dos motivos para o Brasil não decidir se pretende ter um mercado de créditos de carbono, um imposto ou um híbrido dos dois sistemas. A proposta que tramita na Casa Civil quer reduzir o número de ministérios para oito, ampliar a frequência dos titulares das pastas e dar ao CIM poder de decisão.

"Escolher entre mercado de carbono ou imposto não é questão de Fla-Flu, mas de qual pode ser a melhor combinação para o Brasil", disse Aloisio Melo, coordenador-geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas do Ministério da Fazenda. Ele reconheceu que a governança climática no Brasil tem problemas, mas não quis comentar a resolução na Casa Civil.

Melo adiantou que a Fazenda quer avaliar o impacto das duas opções sobre a economia brasileira - análise encomendada a pesquisadores da Coppe-UFRJ e outras instituições. A segunda frente de estudos quer um diagnóstico sobre o custo regulatório das duas opções e envolve o escritório de advocacia LHS.

"Temos um arcabouço tributário complexo, em três níveis. Um imposto sobre carbono teria que mexer com uma arquitetura difícil. Não é assunto fácil", ponderou. No caso do mercado de carbono, boa parte da estrutura já existe, mas seria preciso adaptações. Há, também, lacunas de informação. Só São Paulo, Rio, Minas e Paraná - pedem às indústrias dados sobre emissões. O mercado "exige uma capacidade gerencial que hoje não está dada", seguiu.

A União Europeia tem o maior e mais antigo mercado de carbono do mundo. O bloco trabalha na regulação há quase 20 anos. A meta de cortar emissões em 20% em 2020 sobre os níveis de 1990 foi superada e a economia não sofreu - ao contrário, cresceu 54%, disse Ismo Ulvila, diretor-geral para Ação Climática da Comissão Europeia.

O mercado europeu de carbono cobre 31 países e engloba 11.500 instalações industriais. Cobre 45% das emissões europeias. Emissões dos transportes, aquecimento e agricultura são atribuições de cada país e não estão no mercado.

"No mercado de carbono, a mitigação das emissões mais baratas acontece antes", diz Silke Karcher, chefe da Divisão Europeia de Clima e Política Energética do Ministério do Meio Ambiente alemão. "A indústria não gostou do sistema no início, mas hoje diz que com ele é possível planejar".

Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade (iCS) citou o estudo do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) lançado esta semana e que estima que, entre 2013 e 2017, os subsídios aos combustíveis fósseis no Brasil, na forma de renúncias fiscais e gastos diretos, alcançaram R$ 342,36 bilhões. A média anual corresponde a 1% do PIB ou o equivalente a quase dois programas Bolsa Família. É o chamado gasto na "velha economia".

Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), que apoiou com o iCS e a Embaixada da Alemanha o seminário sobre precificação de carbono em São Paulo, ontem, lembrou que "a mudança no uso da terra é nosso calcanhar de Aquiles, onde emitimos mais". Ela defende que "a floresta entre como uma das soluções ao problema".

"A abordagem que acredita que um modelo serve para todos não funciona", disse Axel Zeidler, cônsul-geral da Alemanha em São Paulo. "Cada país é diferente. O Brasil trilhou seu caminho com energia hidrelétrica, o programa de etanol e motores flex. O que funciona para a UE pode não ser o melhor para o Brasil", alertou. (Valor Econômico 20/06/2018)

 

Esalq-USP prevê queda de até 10% na produtividade da cana no Centro-Sul em 2018/19

Projeções do Sistema Tempocampo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP), apontam queda de até 10% na produtividade de lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil em 2018/2019, ante a safra passada, por causa da estiagem. A quebra mais severa deve ocorrer no Estado de São Paulo, principal região produtora, com chuvas escassas desde março.

“Apesar de as médias terem ficado apenas um pouco abaixo do volume histórico do período, nesta safra, as chuvas mostraram atraso de cerca de um mês na primavera de 2017 e finalizaram abruptamente no fim de março em praticamente todo o Estado”, informou o professor Fabio Marin, coordenador do Sistema Tempocampo.

Outro aspecto a ser considerado nesta safra, segundo ele, foi a irregularidade das chuvas ao longo do verão, prejudicando principalmente os canaviais jovens plantados em solos mais fracos.

“Os cenários apontados mostram queda de até 10% nas regiões de São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Araraquara em relação à safra passada”. Para a região de Piracicaba, há uma queda estimada de 5% em relação a produtividades observadas em 2017. Desde dezembro de 2017, o Sistema Tempocampo mostrava um cenário estável em relação ao ano passado, mas, em fevereiro de 2018, a tendência de queda já ficou clara para São Paulo.

“As projeções para Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e sul de Goiás são melhores, com ganhos de até 5%. Para Minas Gerais, a maior parte do Triângulo Mineiro tem perdas de até 3%, com pontos nos quais o clima deve oferecer a mesma produtividade do ano passado”, finalizou. (Agência Estado 19/06/2018)

 

Açúcar deve ter dois anos de superávit com oferta de Índia e Tailândia, diz Rabobank

O mercado mundial de açúcar deve ter dois anos consecutivos de excesso de produção, seguindo um aumento na oferta da Tailândia e da Índia, disse o Rabobank nesta terça-feira.

O superávit é estimado em 10,5 milhões de toneladas na temporada 2017/18, alta de 3 milhões de toneladas ante a previsão trimestral anterior do banco, em decorrência das colheitas nos dois países.

“Essas safras não foram meramente grandes, as duas foram enormes”, disse o Rabobank em seu relatório sobre o segundo trimestre.

Esse excesso deve ser seguido por um novo superávit de 5 milhões de toneladas em 2018/19, apesar do declínio projetado para a produção global.

A produção indiana de açúcar em 2018/19 é vista em 35,5 milhões de toneladas, ante 34 milhões de toneladas em 2017/18, enquanto a oferta da Tailândia é esperada a 14,5 milhões de toneladas, uma pequena queda em comparação com a safra recorde de 15,7 milhões em 2017/18, informou o Rabobank. (Reuters 19/06/2018)

 

Custo de produção da cana-de-açúcar sobe 18% em Pernambuco

Apesar da elevação nos gastos, setor comemora aumento da produção em função do inverno com boas chuvas.

O custo de produção da cana-de-açúcar em Pernambuco apresentou um aumento de 18% em relação à safra de 2016/2017. Essa elevação nos gastos foi analisada por produtores e técnicos ligados ao Sindicato dos Cultivadores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (Sindicape) e à Associação dos Fornecedores de Cana-de-Açúcar de Pernambuco (AFCP), que se reuniram nessa segunda-feira (18) com representantes do projeto Campo Futuro, na sede da Federação da Agricultura de Pernambuco (Faepe). O custo operacional por hectare passou de R$ 5.141 para R$ 6.700 segundo a Faepe.

Mas, apesar da elevação nos gastos, a expectativa do setor é positiva em relação à produção em Pernambuco. De acordo com o presidente da Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e da Associação dos Fornecedores de Cana de Pernambuco (AFCP), Alexandre Andrade Lima, o Estado produziu sozinho 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra de 2017-2018, 10% a mais do que o resultado da safra anterior. No mesmo período, o Centro-Sul teve uma queda de 10% na produção. (Folha de Pernambuco 19/06/2018)