Setor sucroenergético

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Pedro Mizutani - Venda direta de etanol em discussão

O sistema produtor-distribuidor-revenda inclui transporte

Produtora de açúcar, biocombustíveis e bioenergia, a Raízen não é favorável à venda direta do etanol aos postos, conforme prevê o Projeto de Decreto Legislativo (PDS 61/18), que autoriza essa comercialização. O projeto foi aprovado no Senado, no último dia 19 e, na última quarta-feira (20), teve o pedido de urgência de votação negado na Câmara dos Deputados, onde a proposta voltou a ser deliberada.

De acordo com Pedro Mizutani, vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) que representa 60% da produção de etanol do Brasil, a Raízen e Unica são contrários à proposta, principalmente pelos riscos que ela poderá trazer ao desenvolvimento da Política Nacional de Biocombustíveis, o Renovabio.

"O etanol é um produto nacional, não regional. A Raízen não vende apenas para Piracicaba. O sistema produtor-distribuidor-revenda inclui transporte por meio de dutos, ferrovias, navios além do rodoviário. Há 40 mil postos de combustíveis no País, com toda uma logística que funciona. Os postos são abastecidos com caminhões que levam três combustíveis. O transporte é compartilhado em etanol, gasolina e diesel. Se a venda direta fosse da usina, haveria uma maior circulação de pequenos caminhões com etanol e alem disso deveria existir outro caminhão que traria o diesel e a gasolina para os postos", disse.

Mas, ele vê nessa possibilidade outro problema que é a qualidade do biocombustível.

"Hoje a certificação da qualidade acontece na usina e na distribuição. O risco de ter o etanol adulterado é maior, por exemplo com mais água que o permitido. O condutor que não quer ter danos no motor do veículo com etanol adulterado, que provoca falhas, abandonaria o consumo do biocombustível. Isso seria ruim para o país que assinou o acordo de Paris (COP 21) para reduzir a emissão de CO2 (gás carbônico) e o etanol tem papel fundamental para essa descarbonização", afirmou.

O acordo enaltece o etanol que pode passar da atual capacidade de 30 bilhões de litros produzidos para 46 bilhões. "O Renovabio visa cumprir as metas previstas no acordo , insere na matriz energética os biocombustíveis, o etanol, o biodiesel, o biogás e dá uma previsibilidade de investimentos por 10 anos. O crescimento do setor com essa política deve gerar empregos, o que não ocorrerá se ela for afetada pela venda direta", alertou.

Origem

Mizutani explicou que o PDS surgiu após a crise de abastecimento da greve dos caminhoneiros e é defendido principalmente por produtores da Região Nordeste.

"Os estudos, logísticos , tributários e de eficiência, indicam que a venda direta não reduzirá o preço ao consumidor. A venda direta é proibida, porem na crise provocada pela paralisação dos caminhoneiros, no final de maio, houve uma certa flexibilização pela ANP, agência que regula a distribuição dos combustíveis, que autorizou as distribuidoras e não as usinas entregarem diretamente aos postos através da venda a ordem e sem fidelidade de bandeira. Esta resolução foi cancelada após o fim da greve dos caminhoneiros.

A norma em vigor é a Resolução 43/2009 da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que prevê que só é permitido ao distribuidor , comercializar o etanol com os postos ou outro distribuidor cadastrado na ANP.

"Se os produtores quiserem ter uma distribuidora para vender aos postos, eles podem. Isso já é permitido pela ANP",e é muito simples, portanto não há necessidade de se criar uma nova lei para isso, comentou.

Experiência

Há 30 anos no setor de biocombustíveis, Mizutani disse que já vivenciou um período no qual a venda direta acontecia entre usinas e postos.

"Houve muita sonegação de impostos e adulteração de qualidade. As empresas que pagavam corretamente os tributos não conseguiam superar a concorrência desleal dos sonegadores. Muitas distribuidoras pensaram em retirar as bombas dos postos. Hoje, tudo está regulado e fiscalizado e não há falta do produto. O impacto que a venda direta pode causar, não merece o risco", afirmou.

Entidades querem audiência pública

A Unica representa 60% dos produtores de cana. Em nota, a entidade afirmou que a decisão do Senado "é preocupante pelo fato de não ter existido, até o momento, uma avaliação profunda sobre as consequências dessa mudança, como a redução de preços do biocombustível e vantagens ao consumidor na vigência de uma medida como essa", informou.

Ela ressaltou que, em conjunto com outras entidades de classe, já foi solicitada à Câmara dos Deputados, a realização de uma audiência pública "para que o assunto seja amplamente discutido e que o setor privado possa se manifestar e levar aos parlamentares os argumentos do setor sucroenergético, responsável por mais de 50% da produção nacional de etanol".

A entidade reforça, por meio desta nota, ser contra essa proposta, principalmente porque dificulta a implementação do RenovaBio.

A Plural (Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência) emitiu nota na qual também considera preocupante a aprovação no Senado do PDS 61/2018, "pois não leva em conta as complexidades que envolvem o setor. O argumento de que trará benefícios ao consumidor carece de avaliação aprofundada. Na realidade, o preço final ficará mais alto, a garantia de qualidade mais difícil e a arrecadação por parte do Estado mais vulnerável. Além da Plural, as outras duas principais entidades que representam o setor de etanol são contra a proposta: a Unica, dos produtores, e a Fecombustíveis, dos postos revendedores", informou.

Segundo a entidade, as usinas produtoras não possuem logística necessária - que envolve sistemas de dutos, ferrovias e bitrens - para chegar aos mais de 40 mil postos espalhados pelo Brasil.

"A complexa malha em funcionamento atualmente só foi possível ao longo de anos de investimento e desenvolvimento sob uma sólida regulação que define claramente os papéis e responsabilidades de cada agente da cadeia de suprimentos. Estudos técnicos mostram que os custos extras serão da ordem de R$ 870 milhões. A possível perda de arrecadação é inestimável no momento, até porque as regras atuais contemplam tributação nos produtores e nos distribuidores. A Plural espera que agora na Câmara dos Deputados o PDS seja amplamente debatido e todas suas implicações e impactos sejam avaliados, e que ao final prevaleça o que for melhor para a sociedade e para o País". (Gazeta de Piracicaba 24/06/2018)

 

Atvos, ex-Odebrecht Agroindustrial, suspende processo de venda

Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, enfrenta dificuldade para encontrar um parceiro estratégico e, por isso, segundo fontes que participavam do processo de venda, desistiu da operação. O momento ruim do mercado e as incertezas no setor e no País teriam afastado compradores.

Também pesa o tamanho da companhia, uma das maiores processadoras e produtoras de etanol do Brasil, que atrairia apenas grandes (e raros) grupos industriais ou fundos. Apesar do socorro obtido de R$ 6 bilhões há dois anos da Odebrecht SA, sua holding, para reestruturar uma dívida de R$ 11 bilhões, a Atvos tenta negociar com os bancos credores perdão para os juros. A venda seria retomada depois.

Em maio, a empresa foi multada e impedida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de firmar contratos públicos, em meio a um processo que apurou doações para campanhas eleitorais em 2014 acima do permitido pela lei. No mesmo mês, a companhia deixou de honrar juro referente a empréstimo tomado com bancos, citando o comprometimento de seu fluxo de caixa por conta da greve dos caminhoneiros.

Complicado

A venda de ativos no setor sucroenergético tem sido difícil, já que há um número elevado de usinas disponíveis, mas altamente endividadas. Os compradores têm olhado só para aquelas que estão em recuperação judicial, para evitar sucessão de passivos, ou para usinas de cogeração, nas quais é possível compensar queda na commodity com produção de energia.

No páreo

Em nota, a Atvos disse que permanece em busca de parceiros estratégicos. A empresa comentou também que o processo em curso perante o TSE não interfere na busca de parceiros, acrescentando que aguardará a publicação da decisão para interposição dos recursos cabíveis. A Atvos disse ainda considerar excessivas as sanções aplicadas pela Justiça Eleitoral. (O estado de São Paulo 24/06/2018)

 

Açúcar: Produção no Brasil

A última semana foi de valorização para os contratos futuros do açúcar, com o mercado atento ao tempo quente e seco no Centro-Sul do Brasil e às perspectivas de queda na produção do país.

Os papéis com vencimento em outubro fecharam a 12,41 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 20 pontos e alta de 13 pontos no acumulado desde segunda-feira.

"Uma queda na produção total de cana, principalmente no fim da colheita, é amplamente esperada, com fontes em São Paulo projetando perdas de 10% a 15%", disse o Rabobank em nota.

No ano, a commodity acumula queda de 17,38%, refletindo as previsões de superávit na oferta mundial. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,19 a saca de 50 quilos, alta de 1,54%. (Valor Econômico 25/06/2018)

 

Etanol hidratado recua 5,28% e anidro cai 1,71% nas usinas

Com oferta em alta, os preços do etanol recuaram nas usinas paulistas pela segunda semana segunda. O hidratado caiu 5,28% nesta semana, de R$ 1,6491 para R$ 1,5621 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Em duas semanas, a queda acumulada aos produtores deste tipo de etanol é de 7,93%. Já o valor anidro caiu 1,71% na semana, de R$ 1,8333 o litro para R$ 1,8019 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq. (Agência Estado 25/06/2018)

 

Biosev reduz mix para açúcar de 52,8% para 39,7% com cenário positivo ao etanol

O longo cenário de preços favorável ao etanol em relação ao açúcar, iniciado em meados de 2017, fez com que a Biosev reduzisse o mix de destino da cana-de-açúcar processada em suas usinas para a produção do adoçante de 52,8% para apenas 39,7%, se comparados o período atual da safra 2018/2019 e o da passada. Com isso, a cana para a produção do biocombustível saiu de 47,2% para 60,3%.

“Vivemos o primeiro período prolongado em que o etanol tem um prêmio maior do que o açúcar”, justificou Dorothea Soule, diretora comercial e de originação da Biosev.

O presidente da Biosev, Rui Chammas, afirmou que mudanças operacionais em unidades foram necessárias para ampliar a capacidade de produzir mais etanol.

“Nós temos um prêmio 10% maior para o etanol sobre o açúcar em São Paulo e 20% superior em Mato Grosso do Sul, e os maiores investimentos foram lá naquele estado”, afirmou o executivo, durante evento da companhia em Ribeirão Preto (SP). “Acreditamos que indústria fará mais etanol neste ano e também no ano que vem”.

A companhia avalia que o mix de destino da cana para o açúcar no Centro-Sul em 2018/2019 será ainda menor do que o atual das suas usinas e ficará em apenas 37,3%, ante 46% em 2017/2018.

Com isso, a oferta de açúcar na atual safra na região será de 28,1 milhões de toneladas, contra 36,06 milhões de toneladas em 2017/2018.

A menor oferta do Brasil deve ajudar para que o superávit global de açúcar em 2018/2019 fique em apenas 1,04 milhão de toneladas, na avaliação da Biosev, contra estimativas superiores a 5 milhões de toneladas do mercado. “Esperamos no ano que vem ter um mercado e preços mais equilibrados do que temos hoje para o açúcar”, afirmou Dorothea Soule.

Além do açúcar, a Biosev estima que a moagem nas usinas do Centro-Sul do Brasil fique em 563,1 milhões de toneladas em 2018/2019, com uma produção de 29,2 bilhões de litros de etanol no período. (Agência Estado 25/06/2018)

Álcool livre

Possibilidade de venda direta de etanol da usina para os postos favorece o consumidor.

Foi correta a decisão do Senado de permitir a venda direta de etanol dos produtores para os postos de combustível no varejo. Ao eliminar a intermediação obrigatória por parte de uma distribuidora, a medida visa aumentar a concorrência na comercialização e reduzir preços para o consumidor.

Em tese, a mudança pode abrir caminho para que tal procedimento alcance mais de 40 mil estabelecimentos, o álcool anidro, adicionado à gasolina, continuará passando pelos intermediários, que dispõem de condições técnicas para realizar essa mistura.

Entretanto apenas uma minoria das unidades varejistas deve se valer da nova possibilidade, dado que boa parte do mercado é ocupada pelos postos com bandeira, vinculados a redes que tem contratos com grandes distribuidoras.

Ainda que o efeito prático possa se revelar menor que o esperado, a alteração legislativa dá uma opção a mais aos varejistas.

Os argumentos contrários à maior liberdade de negociação, empregados por representantes dos intermediários e mesmo por algumas grandes usinas e redes de postos, soam pouco convincentes.

Entre eles está a afirmação de que haverá perda de eficiência e aumento dos preços ao consumidor, já que apenas as distribuidoras contariam escala suficiente para reduzir custos logísticos e assegurar padronização do produto.

O projeto votado pelos parlamentes, afinal, não acaba com a atuação dessas empresas; simplesmente permite a relação direta entre produtor e varejista.

Mostra-se razoável esperar que essa opção vá ser usada apenas quando fizer sentido econômico para as partes, caso em que a produção se localiza perto dos pontos de venda. Para distâncias e volumes maiores, a distribuidora continuará a ser usada.

Por sua vez, a objeção de que a nova modalidade de venda direta ocasionará perda de receita tributária, estimada em R$ 2,2 bilhões ao ano, somente revela a ineficiência do sistema atual.

A obrigatoriedade de um intermediário na cadeia de fornecimento gera duas vendas (no lugar de uma) e, consequentemente, dupla incidência de impostos.

As eventuais dificuldades operacionais, incluindo a fiscalização dos recolhimentos ao fisco, parecem superáveis. Não servem como argumentos para justificar a permanência de regras que, em última análise, oneram o consumidor. (Folha de São Paulo 25/06/2018)

 

Criada no Brasil, ‘supercana’ promete mudar o campo

Desenvolvida pelo CTC, empresa privada de pesquisa, cana transgênica é resistente a pragas e deve possibilitar salto de produtividade.

Nos campos de testes do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma empresa privada que ganha dinheiro com pesquisa, desenvolvimento e inovação, convivem lado a lado pés de cana de açúcar diferentes por dentro e por fora. Externamente, é fácil notar que as canas marcadas com fitas vermelhas não têm folhas na parte inferior. Por dentro, estão sendo devorados por brocas, enquanto as plantas saudáveis resistem à praga, graças a um gene letal à lagarta, colocado em seu interior.

Com sua chegada às fazendas desde março, a nova variedade de cana traz consigo a promessa de causar impacto semelhante ao provocado pela soja, pelo milho e pelo algodão transgênicos, há quase 20 anos. Com uma diferença: agora, a tecnologia foi toda desenvolvida no Brasil.

“A coitada da cana é meio órfã porque os produtores de milho, soja e algodão sempre puderam contar com o desenvolvimento das multinacionais”, afirma Gustavo Teixeira Leite, presidente do CTC. “Afinal de contas, essas culturas são produzidas em áreas dez vezes maiores do que as da cana e nos países de principal interesse dessas empresas, geralmente no hemisfério norte.”

Os transgênicos tomaram conta de quase todas as grandes lavouras do mundo por seu ganho de produtividade, redução no uso de agrotóxicos e no impacto ambiental. Fácil de entender quando se olha, por exemplo, o caso da broca, que causa perdas estimadas em R$ 5 bilhões por safra aos canavieiros.

Com o bicudo, outra frente de ataque do CTC, são perdidos outros R$ 4 bilhões. São valores significativos em um setor que tem receita anual média de R$ 100 bilhões, lucros operacionais em torno de 20% e ocupa área de 10 milhões de hectares. A expectativa dos usineiros com a cana geneticamente modificada para sobreviver à broca é aumentar a rentabilidade em 20%.

Teixeira Leite, que era presidente da Monsanto no Canadá e no Brasil quando a canola e a soja transgênicas foram lançadas, acredita que os ganhos podem ser maiores. “Os benefícios que o agricultor vê costumam ir além do que a gente antecipa”, diz ele. “O controle da broca, por exemplo, é feito por um camarada andando no meio dos canaviais, procurando furinho em pau de cana: não é um método muito científico e nem fácil de fazer em 10 milhões de hectares.” Hoje, o controle biológico tem eficiência de 30% a 50% no controle do inseto. O químico mata 70% das brocas.

O lançamento marca o início de uma série de inovações que devem ser colocadas no mercado nos próximos anos pelo CTC. Entre elas há uma cana geneticamente modificada desenvolvida especificamente para o cerrado, região para a qual jamais foi trabalhado um produto específico e que já está na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para ser aprovada. Também há investimentos num laboratório nos Estados Unidos, onde os pesquisadores começarão a trabalhar com a CRISPR, sigla em inglês para a última inovação na área, que permite a edição de genes.

O mais revolucionário deles, porém, começa a ser testado em campo ainda este ano: sementes de cana. No ano passado, o projeto se provou em laboratório, depois de oito anos de pesquisa. Uma semente totalmente desenvolvida pelos pesquisadores gerou um embrião, que se transformou numa planta completa. Agora, o conceito será provado na terra, onde intempéries e pragas decidirão se ele poderá continuar evoluindo ou se deve voltar à bancada de trabalho.

Culturas propagativas, como são chamadas as que acontecem com o replantio de mudas, ou toletes, no caso, são lentas. Ao contrário das que usam sementes, levam-se anos para se plantar uma área completa, com uma variedade mais moderna e eficiente. “Os desafios ainda são muito grandes porque num projeto de pesquisa realmente inovador como esse não se sabe se os resultados virão”, diz Teixeira Leite. “Mas nunca estivemos tão perto”. Caso tudo dê certo, as primeiras sementes de cana estarão disponíveis na safra de 2021/2022.

Mercado. Enquanto isso, outro desafio já começa a ser enfrentado: a aprovação, nos mercados que o exigem, para o comércio de açúcar proveniente de cana geneticamente modificada. Responsável por metade da produção e das exportações de açúcar de cana do mundo, o Brasil obteve quase US$ 12 bilhões com a venda do produto ao exterior, no ano passado, o equivalente a pouco mais de 5% da balança comercial.

O Canadá foi o primeiro a autorizar a exportação e deve ser seguido em breve pelos EUA. “O processamento desse tipo de açúcar só deve ganhar escala em 2023, por conta do plantio da cana ocorrer num ritmo lento pelas características da cultura”, diz Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). “Mas deverá ser um processo simples, já que não estamos exportando organismos geneticamente modificados vivos, como a soja ou o milho.” Além disso, os Estados Unidos conseguiram a aprovação de comercialização do açúcar de beterraba transgênica, no início da década de 2000. (O Estado de São Paulo 24/06/2018)

 

Tamanho da safra de cana do Brasil é incerto por chuvas irregulares

Agentes do mercado de açúcar no Brasil estão discordando amplamente sobre o tamanho da safra de cana-de-açúcar 2018/19 no centro-sul, maior região produtora do mundo, já que o tempo errático dificulta as avaliações sobre como será encerrada a temporada.

A previsão para a safra do centro-sul tem sido uma das polêmicas do mercado global de açúcar, depois de recentes revisões, que diminuíram a colheita em decorrência do nível de chuvas abaixo da média em importantes áreas, como o Estados de São Paulo.

Enquanto alguns participantes do mercado acreditam que a safra poderia diminuir ainda mais, outros veem uma tendência de recuperação, principalmente nas plantações de cana fora de São Paulo, que poderia evitar maiores cortes no volume geral produzido no centro-sul.

Estimativas para a moagem de cana variam em mais de 32 milhões de toneladas, da maior para a menor estimativa.

"Nós tivemos um tempo mais seco que o normal em São Paulo nos últimos meses, de fato. Mas (o tempo) foi normal no Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, por exemplo, então é difícil adivinhar (o tamanho final da safra)", disse à Reuters Rui Chammas, presidente-executivo da Biosev, controlada pela trading Louis Dreyfus.

A Copersucar, que vende açúcar e etanol de 35 usinas associadas no centro-sul, projetou nesta semana produção de cana da região em 555 milhões de toneladas, a menor estimativa até o momento, acrescentando que pode fazer uma nova avaliação no fim deste mês.

O Estado do Paraná, que deve produzir 37 milhões de toneladas de cana, tem contado com um tempo melhor recentemente.

"Nós tivemos boas chuvas na semana passada, elas melhorarão as condições para a cana a ser colhida mais tarde na temporada", disse Miguel Rubens Tranin, dirigente do grupo industrial local Alcopar, à Reuters.

Fabio Meneghin, analista chefe de açúcar e etanol da Agroconsult, disse que a consultoria está mantendo sua estimativa em 570 milhões de toneladas por enquanto.

"Nós sabemos que há perdas, mas algumas previsões parecem um pouco drásticas."

Não está claro se outras regiões poderiam compensar as perdas em São Paulo.

"A situação em algumas áreas, como no norte de São Paulo, é crítico. Eu não lembro de ver um seca tão prolongada", disse Vitor Campanelli, um grande produtor de cana e fornecedor do grupo francês Tereos no Brasil.

O Agriculture Weather Dashboard, do terminal Eikon da Thomson Reuters, não mostra chuvas na maior parte do Estado de São Paulo até dia 7 de julho.

SAFRA DO CENTRO-SUL 2018/19

(cana e açúcar em milhões de toneladas; etanol em bilhões de litros)

Fonte CANA AÇÚCAR ETANOL

Conab 580,2 32,8 26,3

Datagro 562 29 28,3

INTL FCStone 587,7 31 27,7

JOB Economia 585 30 28

Copersucar 555 28 27

Agroconsult 570 29,4 27,2

Archer 563 28,5 26,4

UNICA 2017/18 596,3 36 26,1

Fonte: (Reuters 22/06/2018)