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Renuka do Brasil quer indenização por cartel do câmbio

Empresas cobram bancos estrangeiros por prejuízos em contratos bilionários entre 2003 e 2013.

A Aurora Alimentos e a Renuka do Brasil estão se preparando para pedir indenização aos bancos estrangeiros que estão sendo investigados pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) por suposta formação de cartel para manipular taxas de câmbio.

Entre os anos de 2003 e 2013, a Aurora contratou operações de câmbio no valor total de US$ 3,8 bilhões (R$ 14,35 bilhões, na cotação desta segunda-feira, 25) e a Renuka cerca de US$ 1,3 bilhão (R$ 4,91 bilhões).

Na semana passada, as duas empresas pediram à Justiça para que seja interrompido o prazo de prescrição para um futuro processo contra os bancos.

As duas empresas eram clientes dos bancos Barclays, Citibank, Credit Suisse, Deutsche Bank, HSBC, JPMorgan, Kirton Bank, Merrill Lynch, Morgan Stanley, Standard Chartered, Tokyo Mitsubishi e UBS.

Segundo explicam alguns advogados, essa interrupção da prescrição é importante em função do fato de que o processo administrativo no Cade não têm previsão de término e somente depois de os bancos serem condenados é que as empresas poderão pedir ressarcimento.

O uso de esquema para manipular taxas de câmbio foi reconhecido em outros países e a investigação chegou ao Brasil por meio de um acordo de leniência firmado entre o banco suíço UBS e o Cade.

Instituições como Citigroup, JPMorgan e Barclays chegaram a firmar acordo de leniência com o Departamento de Justiça americano se comprometendo a pagar multas de bilhões de dólares.

No Brasil, o valor arrecado até agora é de aproximadamente R$ 230 milhões.

O Cade investiga cerca de 20 bancos e fez acordos com sete deles, além do UBS.

Na semana passada, o tribunal do órgão homologou os termos de compromisso com o Royal Bank e o Morgan Stanley. Outros cinco bancos, Barclays, Citi, Deutsche, HSBC e JPMorgan, tinham assinado acordo parecido com o Cade em dezembro de 2016, também por reflexo da admissão de culpa em outros países.

De acordo com informações do Cade, o órgão investiga a suposta manipulação de taxas de câmbio envolvendo moedas estrangeiras conhecido como Forex ou FX e o mercado à vista, o que inclui contratos de proteção cambial, conhecido como hedge.

Nota técnica da autarquia relata fortes indícios de que teria havido acordo para fixar preços e coordenar compras e venda de moedas dificultando a atuação de outros operadores.

Os concorrentes também teriam realizado o compartilhamento detalhes sobre negociações e posições confidenciais.

De acordo com o processo judicial que está sendo patrocinado pelo escritório GFC Advogados para a Renuka e Aurora, as empresas foram justamente lesadas pela prática desses ilícitos relatados pelo Cade e por isso entendem ter direito a serem indenizadas por danos emergentes e lucros cessantes.

A Aurora nasceu em Santa Catarina e atua no setor de alimentos, especialmente de abate de aves, é formada por 12 cooperativas e faturou em 2017 cerca de R$ 9 bilhões.

Já a Renuka era uma das maiores empresas do setor sucroalcooleiro do país e hoje está em processo de recuperação judicial.

Os advogados das empresas não quiseram comentar.

Os bancos Deutsche Bank, HSBC e Kirton (atual Bradesco, no Brasil), JPMorgan, Merril Lynch (atual Bank of America), Morgan Stanley, Standard Chartered e UBS não quiseram comentar.

O Citibank enviou nota dizendo que mantém altos padrões de compliance e coopera com as autoridades.

O Credit Suisse, Barclays e Tokyo-Mitsubishi não deram retorno. (Folha de São Paulo 26/06/2018)

 

São Martinho: lucro sobe 28,4% no 4º tri da safra 2017/18, a R$ 153 mi

A decisão do grupo São Martinho de concentrar grande parte das vendas do etanol produzido ao longo da safra 2017/18 no último trimestre da temporada, entressafra no Centro-Sul e em um momento em que os motoristas já vinham preferindo abastecer seus carros com o biocombustível, rendeu frutos melhores do que o esperado para a companhia.

A estratégia contribuiu para que o lucro líquido da São Martinho no trimestre alcançasse R$ 153,3 milhões, conforme balanço publicado nesta segunda-feira. O resultado superou em 28,4% o lucro obtido no último trimestre da safra anterior, quando o desempenho financeiro da companhia foi beneficiado pelo impacto da aquisição da fatia da Petrobras na Nova Fronteira, então dona da Usina Boa Vista (GO). Esse evento não recorrente acrescentou cerca de R$ 100 milhões ao lucro naquele período.

Desconsiderando fatores que não têm efeito no caixa, o “lucro caixa” do trimestre alcança de R$ 232,2 milhões, o dobro do registrado um ano antes.

O lucro do último trimestre representou um terço de todo o lucro líquido da safra, de R$ 491,7 milhões, um recorde nos 80 anos de história da companhia.

No fim do terceiro trimestre, a São Martinho ainda mantinha 35% de sua produção em estoque, o que a permitiu aumentar o volume de vendas de etanol durante a alta dos preços. Da receita obtida no trimestre, de R$ 1,118 bilhão, 57% foi resultado das vendas de etanol anidro e hidratado (R$ 637,2 milhões). Apenas o faturamento com a comercialização de etanol hidratado, que compete com a gasolina nas bombas, triplicou em relação ao mesmo período da safra passada, alcançando R$ 318 milhões.

O faturamento do último trimestre também turbinou a receita da companhia no acumulado da safra, que atingiu R$ 3,6 bilhões.

Os resultados obtidos com o biocombustível ainda permitiram que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do quarto trimestre alcançasse 52,4%, acréscimo de 7,5 pontos percentuais. Em geral, a margem Ebitda do último trimestre das safras alcooleiras não ultrapassam os 50%, já que, por ser época de entressafra, não há operação de cogeração de energia elétrica, negócio que costuma ter uma margem elevada.

O Ebitda do trimestre totalizou R$ 585,6 milhões, um aumento de 46%, enquanto no acumulado da safra, ficou em R$ 1,949 bilhão, aumento de 34,9%.

A companhia destacou ainda o impacto positivo no balanço do esforço feito desde o início da safra passada para enxugar custos, com automação no campo e melhorias na indústria.

A geração de caixa ainda permitiu uma redução da alavancagem financeira no fim do trimestre, que encerrou com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 1,26 vez, ante 1,55 vez um ano antes. A dívida líquida encerrou o período em R$ 2,462 bilhões, queda de 4,7%.

Seca deve reduzir moagem de cana pela empresa

Com quatro usinas, o grupo São Martinho estima que terá uma redução da moagem de cana na safra atual (2018/19), iniciada em abril, por causa da seca que atinge diversas áreas no Centro-Sul e em função da redução da área de colheita para expandir os canaviais.

Em fato relevante divulgado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a companhia informou que prevê uma redução da quantidade de cana processada nesta temporada ante a anterior de 7,4%, para 20,570 milhões de toneladas.

Como a falta de chuvas ajuda a elevar a concentração de sacarose nas plantas, a quantidade total de sacarose extraída da cana deve cair menos, na ordem de 5,5%, para 2,933 milhões de toneladas.

Dessa matéria-prima, a tendência de safra será muito mais alcooleira, resultando em uma produção mais concentrada no etanol hidratado. Do caldo total, 65% deve ser voltado à produção de biocombustível, ante 53% na safra passada.

Dessa forma, a companhia espera aumentar sua produção de etanol hidratado em 42,4%, para 663 milhões de litros, enquanto a de anidro deve cair 6,5%, a 456 milhões de litros. Em compensação, a perspectiva é que a produção de açúcar seja a mais penalizada, com redução de volume de 30,4%, para 980 mil toneladas.

O CEO da São Martinho, Fábio Venturelli, afirmou ao Valor que a companhia deve “estar preparada” para qualquer que seja a decisão sobre uma eventual liberação para a venda direta de etanol das usinas aos postos.

“Você pode ser a favor ou contra, mas quando vira a lei, temos que gerar o melhor resultado possível”, disse.

“A São Martinho tem posicionamento estratégico diferenciado em suas bases. Tem condição logística diferenciada não só para armazenagem, mas também para distribuição onde ela tem produção. Isso coloca a gente em condição boa para atender distribuidora ou, se for necessário, atender de forma direta”, acrescentou.

Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, afirmou que, se o projeto de lei que libera a possibilidade de venda direta de etanol passar, a companhia realizará estudos para avaliar a viabilidade econômica de aderir à medida em cada usina da companhia. (Valor Econômico 25/06/2018 às 21h: 32m)

 

Vendas de etanol elevam lucro da São Martinho

A decisão do grupo São Martinho de concentrar grande parte das vendas do etanol produzido ao longo da safra 2017/18 no último trimestre da temporada - período de entressafra no Centro-Sul e um momento em que os motoristas já vinham preferindo abastecer seus carros com o biocombustível - rendeu frutos melhores do que o esperado para a companhia.

A estratégia contribuiu para que o lucro líquido da empresa no trimestre alcançasse R$ 153,3 milhões, conforme balanço divulgado ontem. O resultado superou em 28,4% o lucro do último trimestre da safra anterior, quando o desempenho foi beneficiado pela incorporação da fatia da Petrobras na Usina Boa Vista (GO). Esse evento não recorrente acrescentou cerca de R$ 100 milhões ao lucro daquele período. Desconsiderando fatores sem efeito no caixa, o lucro do trimestre dobrou, para R$ 233,2 milhões.

"O resultado superou o que esperávamos. A aposta no carregamento [de etanol] foi absolutamente acertada", disse Fábio Venturelli, CEO da São Martinho. O lucro do último trimestre representou um terço de todo o lucro líquido da safra, de R$ 491,7 milhões, um recorde nos 80 anos de história da companhia.

No fim do terceiro trimestre, a São Martinho ainda mantinha 35% de seus produtos em estoque, o que a permitiu elevar o volume de vendas de etanol durante a alta dos preços no trimestre seguinte. Da receita obtida no trimestre, de R$ 1,118 bilhão, 57% vieram das vendas de etanol anidro e hidratado. Só o faturamento com a comercialização de hidratado - que compete com a gasolina nas bombas - triplicou, alcançando R$ 318 milhões. A receita total do último trimestre turbinou o faturamento do acumulado da safra, que atingiu R$ 3,6 bilhões.

Os resultados obtidos com o etanol ainda permitiram que a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) do trimestre alcançasse 52,4%, alta de 7,5 pontos percentuais. Em geral, a margem Ebitda do último trimestre não ultrapassa os 50%, já que, por ser entressafra, não há operação de cogeração de energia elétrica, negócio que tem margem elevada, disse Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores.

O Ebitda do trimestre cresceu 46%, para R$ 585,6 milhões, enquanto no acumulado da safra, aumentou 34,9%, a R$ 1,949 bilhão.

Venturelli destacou o impacto positivo do esforço da São Martinho para enxugar custos, com automação no campo e melhorias na indústria. Segundo ele, a recente alta do dólar não representa um risco porque a companhia é pouco dependente de insumos dolarizados. "No início da safra, já tínhamos antecipado muitas compras", acrescentou Vicchiato.

A geração de caixa ainda permitiu uma redução da alavancagem financeira no fim do trimestre, que encerrou com uma relação entre dívida líquida e Ebitda de 1,26 vez, ante 1,55 vez um ano antes. A dívida líquida encerrou o período em R$ 2,462 bilhões, queda de 4,7%. (Valor Econômico 26/06/2018)

 

Açúcar: Queda do petróleo

A queda nas cotações do petróleo contribuiu para pressionar as cotações do açúcar demerara na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos com vencimento em outubro fecharam a 12,32 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos.

Ao longo do pregão, contudo, a commodity não apresentou direcionamento definido.

Se o petróleo mais barato tende a reduzir o interesse das usinas por etanol, estimulando a produção de açúcar, o tempo quente e seco no Brasil ainda limita as perdas em bolsa.

No ano, o açúcar acumula queda de 17,98%, como reflexo das previsões de superávit na oferta mundial após uma safra recorde na Índia e na Tailândia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 58,94 a saca de 50 quilos, alta de 1,29%. (Valor Econômico 26/06/2018)

 

Açúcar bruto cai na ICE após dados mostrarem posicionamento baixista de especuladores

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE caíram pela primeira vez em quatro pregões nesta segunda-feira, depois que dados mostraram especuladores aumentando levemente seu posicionamento baixista em meio à oferta global abundante.

O contrato outubro do açúcar bruto recuou 0,09 centavo de dólar, ou 0,7 por cento, para 12,32 centavos de dólar por libra-peso, após serem negociados dentro do intervalo da sessão anterior.

O foco permaneceu nas expectativas de que a ampla oferta continuará na próxima temporada, com um aumento da produção indiana compensando a redução da oferta do Brasil, maior produtor do mundo.

"As estatísticas para o próximo ano mostram um superávit global provavelmente menor, mas ainda um superávit", disse Marex Spectron em relatório. "E presumivelmente, grandes estoques acumulados deste ano."

As perdas foram limitadas, no entanto, pelo monitoramento do tempo seco no Brasil, com agentes do mercado esperando por sinais de impacto na safra.

O açúcar branco para agosto terminou em alta de 60 centavos de dólar, ou 0,2 por cento, a 345,10 dólares por tonelada. (Reuters 26/06/2018)

 

Temer barra programa de refinanciamento de dívidas para agricultores

Medida Provisória limita a renegociação somente para pequenos produtores.

O presidente Michel Temer baixou nesta segunda-feira (25) uma medida provisória que impede o governo de gastar R$ 17 bilhões com o programa de refinanciamento de dívidas de produtores rurais aprovado pelo Congresso.

Da forma como foi aprovada pelo Congresso, no inicio deste ano, a medida permitiria que produtores de todo o país pudessem renegociar suas dívidas para quitá-las com bancos públicos.

Para isso, o Tesouro Nacional teria de arcar com R$ 17 bilhões, valor considerado fora da realidade pela equipe econômica diante de um quadro de ajuste fiscal. Por isso, Temer fez a MP autorizando a renegociação somente para pequenos agricultores do Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar) do Norte e Nordeste.

Ao reduzir a abrangência, o custo da medida caiu para R$ 1,6 bilhão.

"Para esses valores nós temos como pagar, temos disponibilidade financeira e orçamentária", disse à Folha o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida.

Segundo o secretário, bancos públicos emprestaram para agricultores de todos os portes em todo o país.

Caso o Tesouro permitisse que essas operações fossem levadas adiante, correria o risco de [o órgão] ficar devendo para banco. "Isso seria um financiamento de banco público pelo Tesouro, o que é proibido."

Ainda segundo o secretário, caso o Congresso modifique a medida provisória, terá de definir de onde sairão os recursos, uma exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal.

O governo estuda ainda mexer em outras medidas aprovadas pelo Congresso e que terão impacto fiscal.

Dentre elas estão o Refis para pequenas e médias empresas, o Funrural, programa de parcelamento de débitos previdenciários para agricultores, e o projeto que prevê o pagamento de precatórios. (Folha de São Paulo 26/06/2018)

 

Irregularidade de chuvas causa perdas de até 10% na safra de cana-de-açúcar em SP, diz USP

Regiões de Piracicaba, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara foram as mais afetadas; envelhecimento das plantações também tem trazido prejuízos.

O Sistema Tempocampo da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que monitora o tempo na região, prevê uma perda de até 10% no final da safra de cana-de-açúcar por causa da instabilidade de chuvas na região. A previsão atinge principalmente as cidades de Piracicaba (SP), Ribeirão Preto (SP), São José do Rio Preto (SP) e Araraquara (SP).

A safra da cana começa em abril e segue até o final de novembro, quando está previsto o pior período da safra. Segundo o professor Fabio Marin, coordenador do sistema, a irregularidade das chuvas no ano passado interferiu na produção da cultura. (G1 26/06/2018)