Setor sucroenergético

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Cargill mira no etanol de milho

A Cargill, que anda às voltas com os prejuízos e os mais de R$ 500 milhões em dívidas da Cevasa, seu braço sucroalcooleiro, estuda produzir etanol de milho no Brasil. (Reuters 04/07/2018)

 

Syngenta fecha parceria com Perfect Flight

A Syngenta, que recentemente anunciou a compra da agtech brasileira Strider, fechou uma nova parceria em sua estratégia de avançar nas tecnologias digitais voltadas para o campo. Desta vez, os trabalhos serão focados na gestão de aplicação aérea de agrotóxicos desenvolvida pela Perfect Flight.

Fundada em 2015 em São João da Boa Vista, a startup uniu a eficácia dos dados georreferenciados à alta demanda por aplicação aérea para desenvolver uma solução digital inédita.

Por meio de um aplicativo, empresas que atuam com aplicação aérea passaram a acessar dados que minimizam desperdícios de insumos, aprimoram informações sobre espaço adequado para aplicação e, consequentemente, aumentam a produtividade e a segurança no campo.

“Em apenas dois anos, a Perfect Flight monitorou mais de um milhão de hectares no Brasil. O aplicativo detecta falhas na aplicação, realiza o levantamento de dados de área aplicada e não aplicada e identifica erros de dose. Além disso, a ferramenta observa detalhadamente as propriedades por meio de mapas georreferenciados, que permitem um diagnóstico preciso a partir da análise das imagens obtidas”, diz Kriss Corso, um dos sócios da Perfect Flight.

Além de viabilizar ao produtor um controle simples e eficiente das aplicações aéreas, o aplicativo permite a criação de mapas de pré-aplicação, por meio de arquivos para o GPS da aeronave. Após o levantamento de dados, produz relatórios sobre a performance do piloto, qualidade da aplicação realizada e diagnósticos ambientais podem ser gerados, apoiando a adoção de um padrão de boas práticas na atividade de aplicação aérea.

Segundo a Syngenta, a solução já foi testada pela Tereos Açúcar & Energia Brasil na última safra, em canaviais. Conforme José Olavo Vendramini, gerente corporativo de desenvolvimento e tecnologia agrícola da companhia, a ferramenta foi utilizada em 45 mil hectares e viabilizou o aumento no índice de acerto, reduziu as perdas e falhas e elevou o índice de uniformidade de aplicações, sem citar números. Para a safra 18/19, a Tereos pretende expandir a área monitorada para 78 mil hectares, em todas as sete unidades do grupo. (Valor Econômico 05/07/2018)

 

CTC amplia oferta de cana transgênica

Um ano após conseguir a primeira liberação de uso comercial no mundo de uma cana transgênica, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) inicia agora uma fase em que pretende otimizar seus esforços em inovação. O plano é ampliar a oferta de variedades geneticamente modificadas e elevar a venda das convencionais sem grandes expansões em investimentos, que alcançaram R$ 90,5 milhões na safra passada, a 2017/18.

No front da transgenia, a companhia pretende chegar ao fim da temporada atual, a 2018/19, com pedidos para a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) liberar ao menos mais duas variedades de cana geneticamente modificada.

No ano passado, o CTC conseguiu a liberação para vender sua primeira variedade transgênica, resistente à broca da cana. A variedade aprovada foi desenvolvida para o Centro-Sul e para a colheita que ocorre no meio de safra, em ambientes "favoráveis". Agora, o objetivo é conseguir a aprovação para outras variedades com a mesma transgenia, mas apropriadas a condições mais adversas.

Em maio, a companhia apresentou à CTNBio um pedido para liberação de outra variedade transgênica contra a broca, destinada ao plantio em solos mais pobres - como no Cerrado e algumas áreas de São Paulo - e em áreas de colheita precoce. Até o fim desta safra, "mais uma variedade transgênica com certeza será apresentada, talvez duas", afirmou Gustavo Leite, presidente do CTC, ao Valor, sem dar detalhes.

Essa deve constituir a "primeira onda" de inovações em biotecnologia do CTC, e a meta é criar 10 variedades geneticamente modificadas resistentes à broca, cada uma adaptada a diferentes condições.

A "segunda onda" de inovação biotecnológica deverá ocorrer após o lançamento das 10 primeiras variedades transgênicas e buscará um gene de resistência a herbicidas e outro para garantir a resistência ao bicudo, que afeta a produtividade da cana. Quando essas pesquisas derem resultados, o CTC pretende criar variedades de cana com genes que a tornem resistente tanto à broca e ao bicudo como a herbicidas, disse Leite.

A adoção da transgenia ainda está nos primeiros passos. Até o momento, a variedade liberada já foi plantada em 400 hectares. Nos três primeiros ciclos, os clientes deverão apenas multiplicar a área com essa variedade, prática que costuma ampliar a área em quatro vezes por safra.

Mas o presidente do CTC acredita em uma velocidade maior de multiplicação por causa dos resultados que as lavouras já semeadas demonstram. Segundo ele, relatos indicam que o nível de infestação de broca nas lavouras transgênicas é "virtualmente zero". "Nas áreas de cana convencional, mesmo com herbicida, há infestações em 8% a 10% da cana. Nas nossas canas transgênicas, só houve dois casos de 0,5% de infestação", afirmou.

O executivo vê um cenário também promissor no segmento de cana convencional. Em volume, as vendas dessas variedades crescem 20% a 25% ao ano, ritmo que Leite espera que seja mantido neste ciclo. Até o fim da safra passada, as variedades de cana sobre as quais o CTC cobra royalties ocupavam 1,2 milhão de hectares, e a perspectiva é que a área avance para até 1,5 milhão de hectares no ciclo atual.

O crescimento é maior na venda das variedades "premium", desenvolvidas para sob medida para regiões e climas bastante específicos. Na safra passada, essas variedades representaram 10% do faturamento da companhia, 5 pontos a mais do que no ciclo anterior. Em 2017/18, a receita do CTC, basicamente proveniente de royalties, subiu 9%, para R$ 144,3 milhões.

Essa receita deve continuar garantindo o orçamento para os investimentos, que devem priorizar agora o projeto de sementes, existente há seis anos. No ano passado, o CTC realizou testes de plantio de cana em estufa, e neste ano a companhia começará a fazer o plantio em lavouras de usinas. Se os resultados se mostrarem satisfatórios, será necessário erguer uma planta-piloto de produção de sementes, afirmou. (Valor Econômico 05/07/2018)

 

Açúcar: Alta em Londres

Os contratos futuros do açúcar refinado registraram alta ontem na bolsa de Londres, descolados dos fundamentos, diante do menor volume de negociações em decorrência do feriado de 4 de julho nos EUA.

Os papéis com vencimento em outubro encerraram o pregão a US$ 331,60 a tonelada, avanço de US$ 3,20. No ano, porém, os contratos acumulam recuo de mais de 15%.

"O problema com o açúcar é o fato de termos uma enorme produção em todo o mundo, mantendo uma pressão sobre os preços, aliada a um dólar americano forte", explicou Michael Seery, da consultoria Seery Futures.

O dólar forte eleva as margens dos exportadores, contribuindo para maior oferta internacional.

No Brasil, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 57,85 a saca de 50 quilos, queda de 0,65%. (Valor Econômico 05/07/2018)

 

Tereos Açúcar e Energia investira R$ 776 milhões nas operações do Brasil

A Tereos Açúcar e Energia Brasil S.A. investirá R$ 776 milhões na operação da companhia no País. Os recursos serão captados por meio de um empréstimo junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e destinados à renovação da frota agrícola, à ampliação da cogeração de energia elétrica, além do aumento capacidade das usinas para produzir ou mais etanol ou mais açúcar nas sete usinas que possui no Brasil.

A sucroenergética, dona da marca de açúcar Guarani, também expandirá a capacidade de refino da unidade Cruz Alta, em Olímpia (SP), obra que deve ser concluída ao fim da safra 2019/2020, disse ao Broadcast Agro (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) Jacyr Costa Filho, diretor da Região Brasil do Grupo Tereos.

Outra medida operacional é a construção de um centro de serviços compartilhados em São Jose do Rio Preto (SP), que centralizará a gestão administrativa da empresa de origem francesa no País, incluindo, as operações de açúcar e energia, amidos e a Tereos Commodities.

Em 2017/2018, a Tereos Açúcar e Energia Brasil S.A. relatou lucro líquido consolidado de R$ 33 milhões em 2017/2018, ano-safra encerrado em 30 de março, queda de 54% ante lucro de R$ 72 milhões em 2016/2017, segundo balanço da companhia. O resultado inclui as sete usinas de açúcar, etanol e bioenergia do Brasil e uma unidade em Moçambique. A companhia obteve receita consolidada de R$ 3,656 bilhões em 2017/2018, 3,7% maior em relação ao ano anterior, de R$ 3,525 bilhões no período anterior.

“Mesmo com queda de 27% no preço do açúcar, conseguimos um resultado positivo pela melhora na eficiência operacional. Saímos de uma eficiência de 88,9% para 90,5% nas usinas e conseguimos isso com a mesma cana”, disse Costa Filho. “Além disso, fizemos um bom hedge de preços, o que possibilitou fazer esse resultado mesmo com o recuo no açúcar”.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado na safra 2017/2018 foi de R$ 952 milhões, leve baixa de 0,83% ante o Ebitda de R$ 960 milhões na safra 2016/2017. Os investimentos 2017/2018 somaram R$ 778 milhões, aumento de R$ 94 milhões, ou 13,7%, sobre os R$ 684 milhões da safra anterior. Com uma dívida líquida total consolidada de R$ 2,3 bilhões, queda ante os R$ 2,6 bilhões no período anterior, a relação dívida líquida versus Ebitda recuou de 2,7 vezes para 2,4 vezes.

“De 2010 a 2014 fizemos investimentos importantes na companhia, elevando a capacidade de cogeração de energia de 300 mil MW/hora para 1,2 milhão de MW/hora ao ano e a colheita mecânica da cana e 35% para 100%, além de uma renovação grande de canaviais. Ao mesmo tempo, reduzimos a relação dívida líquida versus Ebitda de 6,8 vezes para 2,4 vezes, o que mostra que os investimentos se foram adequados e os frutos aparecem agora”, afirmou Costa Filho.

A Tereos Açúcar e Energia Brasil processou 20,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2017/2018, 20,2 milhões de toneladas no Brasil e 400 mil toneladas na unidade que possui em Moçambique. Em 2016/2017 a moagem foi de 20,1 milhões de toneladas. A produção de açúcar variou de 1,6 milhão para 1,8 milhão de toneladas, e a de etanol cresceu de 636 milhões para 646 milhões de litros entre os períodos.

Para o diretor da Região Brasil do Grupo Tereos, na atual safra 2018/2019, “está dado que haverá quebra de produção” e no processamento de cana, causados pela seca que atinge o Centro-Sul, principalmente o Estado de São Paulo, onde se localizam as usinas da companhia. “Ainda não sabemos avaliar o montante da quebra, mas a seca faz com que a performance operacional das usinas esteja muito melhor, com um nível de aproveitamento em torno de 6% superior ao do ano passado”, disse. “Esse fato deve atenuar, mas não vai zerar os efeitos da seca.”

Assim como outras empresas, a Tereos Açúcar e Energia Brasil S.A. ampliou o destino da cana para a produção do etanol entre a safra passada e a atual de 38% pra até 46% e reduzirá de 62% para até 54% o destino da matéria-prima para a produção de açúcar. “Temos uma parte fixada significativa do açúcar (no mercado futuro), o que vai minimizar o efeito da queda (dos preços da commodity). E estou otimista para o futuro, pois o petróleo está em alta, o dólar se valorizou e a manutenção da política de reajustes Petrobras deve favorecer o etanol”, concluiu Costa Filho. (Agência Estado 03/07/2018)

 

Açúcar: Estimativa da safra 2018/19 mas alcooleira reflete nos preços do cristal

As estimativas de uma safra 2018/19 mais alcooleira têm se refletido nos preços do açúcar cristal negociado no spot do estado de São Paulo.

Em junho, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (cor Icumsa de 130 a 180) foi de R$ 57,80/saca de 50 kg, 6,5% maior que o do mês anterior (R$ 54,27/saca).

No correr do mês passado, o Cepea captou menor volume de açúcar negociado no spot e também para contratos, especificamente na última semana de junho, a movimentação no mercado spot foi mais calma, com apenas negócios pontuais envolvendo maiores quantidades. (Reuters 04/07/2018)

 

BB disponibiliza R$ 103 bilhões para a safra 2018/19

O Banco do Brasil vai destinar R$103 bilhões de recursos para a safra 2018/19. Desse total, R$ 11,5 bilhões serão destinados para as empresas da cadeia do agronegócio e R$ 91,5 bilhões em crédito rural aos produtores e cooperativas, dos quais R$ 72,8 bilhões são para operações de custeio e comercialização e R$ 18,7 bilhões para créditos de investimento agropecuário.

Destaques

Taxas

Redução de até 1,5 ponto percentual nas taxas de juros do crédito rural para as linhas de custeio, investimento e comercialização da agricultura empresarial.

PRONAMP

Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural - Em continuidade à política de apoio ao Médio Produtor Rural, são destinados R$ 14,3 bi nesta safra.

PRONAF

Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar - Principal banco da agricultura familiar, o BB estima aplicar R$ 13,1 bi e redução das taxas para financiamento através do Pronaf que será entre 2,5% a.a. e 4,6% a.a.

ABC

Programa Agricultura de Baixo Carbono - O Banco do Brasil apoia a agricultura sustentável através do Programa ABC. Na safra 2018/19, o BB projeta conceder mais de R$ 1,5 bi em financiamentos com esta finalidade.

Armazenagem

Demonstrando o apoio creditício à infraestrutura do País e da capacidade estática da armazenagem, o Banco do Brasil estima aplicar R$ 650 milhões por meio do Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) na safra 2018/19.

INOVAGRO

Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária - O Banco do Brasil incentiva a incorporação de inovação tecnológica no campo, a adição de boas práticas agropecuárias e a agregação de valor no campo. Para tanto, projeta financiar R$ 650 milhões bilhão por meio do Inovagro na safra 2018/19.

Moderfrota

Em continuidade ao apoio à modernização no agronegócio, o Banco do Brasil estima aplicar R$ 1,1 bi para operações de investimento por meio do Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).

Facilitadores

Atendimento especializado - a estratégia já conta com 652 carteiras especializadas em agronegócio espalhadas por todo o Brasil.

Circuito Agro

Encontros com produtores rurais, assistências técnicas e gerentes de relacionamento, revendas e associações em 60 municípios no País, neste ano. O objetivo é fornecer consultoria e divulgar conhecimentos técnicos sobre temas diversos, como mitigadores, sucessão familiar, armazenagem, irrigação, produtos e serviços bancários, entre outros.

Esteira Agro

Solução que simplifica e agiliza o processo de contratação de crédito rural, reduzindo o período de contratação para até 2 dias. A solução já conta com mais de R$ 1 bilhão em operações liberadas para o financiamento de máquinas isoladas, na Safra 2017/2018 (134% a mais que a anterior) e tem sido o fator determinante para impulsionar a liberação de recursos, com alguns recordes no calendário de feiras agropecuárias do ano.

Soluções digitais

Gerenciador Financeiro Produtor Rural

O Gerenciador Financeiro do Produtor Rural, no Portal do Banco do Brasil para internet (bb.com.br) recebeu nova funcionalidade com a inclusão do DDA (Débito Direto Autorizado) para pagamento de boletos com apresentação eletrônica de cobrança registrada, independentemente de o registro ter ocorrido no BB ou em outro banco.

Crédito via móbile

A contratação de operações de crédito via mobile (Custeio e Investimento Digital) atingiu na safra 2017/2018 quase de R$ 3 bilhões.

Custeio Digital

Novas funcionalidades, como upload de documentos, estão previstas para julho de 2018 e Investimento Digital, upload de documentos e aquisição de bovinos estão previstas para agosto de 2018.

CPR Digital

Permitirá o cliente financiar sua produção com a emissão de CPR - Cédula de Produto Rural pelo mobile, utilizando senha eletrônica e disponibilização imediata do valor solicitado em conta corrente. Há necessidade de possuir o Teto de CPR aprovado e assinado. Previsão de disponibilização: final de julho/2018

QR Code

Para as operações de investimento, o Banco em conjunto com empresas conveniadas, desenvolveu o uso do QR CODE no envio de propostas de tratores e máquinas agrícolas encaminhadas por mobile. A partir da captura do QR CODE, informações específicas do bem a ser financiado, que antes necessitavam ser digitadas, serão internalizadas de forma automática, trazendo mais segurança ao processo de contratação e agilidade na disponibilização dos recursos.

Líder de mercado, com cerca de 60% de todo o crédito rural liberado pelo sistema financeiro, o BB atende a mais de 1,5 milhão de produtores rurais, em sua carteira agro, que, até março deste ano, já superava o volume de R$ 184,7 bilhões: R$ 43,3 bi para agricultura familiar, R$ 24,3 bi aos médios produtores e R$ 117,1 bi aos demais produtores, cooperativas e agroindústrias. (Banco do Brasil 04/07/2018)

 

Indústria de açúcar da China teme superávit global do adoçante

A indústria de açúcar da China está enfrentando uma ameaça crescente do excesso do adoçante no mercado global, alertou um funcionário da associação da indústria nesta quarta-feira.

O superávit mundial de açúcar foi recentemente revisado para 19,56 milhões de toneladas em 2017/18 pela consultoria de commodities Green Pool, em grande parte devido a um grande salto na safra indiana.

O superávit global causou uma queda acentuada nos preços domésticos e pode aumentar a quantidade de açúcar contrabandeado para a China, disse Deng Yi, diretor-geral da Associação de Açúcar de Yunnan.

Em um discurso em uma conferência do setor em Kunming, Deng também pediu mais "reforço" de suprimentos dos mercados internacionais.

O discurso foi publicado no site do Centro de Gerenciamento de Mercadoria da China. (Reuters 04/07/2018)

 

ANP quer que postos paguem por controle de qualidade de combustíveis

Agência lançou consulta pública para modificar a forma de contratação dos laboratórios que fazem o monitoramento da qualidade dos combustíveis comercializados.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) lançou nesta quarta-feira, 4, uma consulta pública para modificar a forma de contratação dos laboratórios que fazem o monitoramento da qualidade dos combustíveis comercializados no País.

Segundo a ANP, o objetivo é ampliar a quantidade de amostras coletadas. A ideia é lançar posteriormente um aplicativo para os consumidores poderem acompanhar a qualidade do produto de cada posto. A consulta será encerrada no dia 23 de agosto.

A proposta da ANP é que os próprios agentes econômicos (distribuidoras e postos de abastecimento) fiquem responsáveis pelo pagamento dos laboratórios que farão a fiscalização da qualidade dos seus produtos. A ANP continuará fazendo a licitação para escolha dos laboratórios e monitorando a fiscalização.

Outra mudança será o monitoramento também na base da distribuição dos combustíveis, e não apenas nos postos de abastecimento como é feito atualmente.

"Com a mudança, 100% dos postos revendedores serão contemplados no PMQC, assim como todas as distribuidoras, que também passam a ter seus produtos monitorados em suas bases de distribuição. Cada distribuidora terá amostras coletadas, obrigatoriamente, pelo menos uma vez ao mês e cada posto, pelo menos uma vez por semestre", informou a agência.

Segundo a ANP, o novo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) abre a possibilidade de revendedores e distribuidores utilizarem os resultados do monitoramento a que se submeteram, podendo inclusive, a seu critério, incrementar a frequência das coletas e ensaios.

A ANP divulgará em seu site a lista e a frequência de análises dos postos visitados e que tenham tido resultados conformes dos seus combustíveis. Como etapa futura, prevê-se o desenvolvimento de aplicativo em que os consumidores poderão acompanhar o desempenho do posto revendedor quanto à qualidade dos produtos comercializados.

"A ANP manterá a supervisão do Programa, realizando o sorteio dos postos a serem monitorados, estabelecendo requisitos técnicos mínimos para ingresso no Programa pelos laboratórios independentes, realizando programas interlaboratoriais obrigatórios anualmente com os laboratórios vencedores das licitações e realizando periodicamente vistorias/auditorias técnicas em suas instalações", informa a agência.

O PMQC foi criado em 1998 e desde essa época os índices de conformidade dos combustíveis aumentaram consideravelmente, chegando a padrões internacionais, diz a ANP. Em maio de 2018, foram de 98,4% para a gasolina, 98,1% para o etanol e 95,5% para o óleo diesel, segundo dados da agência. (O Estado de São Paulo 04/07/2018)

 

EUA propõe aumento em meta de biocombustíveis para 2019, mas mantém projeção para etanol de cana

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA, na sigla em inglês) propôs os volumes mínimos de combustíveis renováveis que refinarias do país devem misturar a combustíveis fósseis em 2019. O chamado Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS) para o ano que vem prevê um aumento de 3% no volume total em relação à exigência para 2018.

A proposta da agência é de 19,88 bilhões de galões (75,2 bilhões de litros) de etanol de milho e outros biocombustíveis, o que representa um aumento de 590 milhões de galões (2,2 bilhões de litros) em relação à exigência para este ano, de 19,29 bilhões de galões (73 bilhões de litros). O volume de combustíveis renováveis convencionais como etanol de milho foi mantido em 15 bilhões de galões (56,8 bilhões de litros).

O volume de biodiesel para 2019 também ficou inalterado ante a exigência para 2018, em 2,1 bilhões de galões (7,95 bilhões de litros), mas passará a 2,43 bilhões de galões (9,2 bilhões de litros) em 2020. Houve aumento no volume para biocombustíveis avançados, como biocombustíveis celulósicos e etanol de cana-de-açúcar, que passou de 4,29 bilhões (16,24 bilhões de litros) para 4,88 bilhões de galões (18,5 bilhões de litros).

Dentro dos avançados, o volume exigido de biocombustíveis celulósicos passou de 288 milhões (1,09 bilhão de litros) para 381 milhões de galões (1,44 bilhão de litros).

A proposta foi apresentada em 26 de junho e passará por uma audiência pública nos EUA no próximo dia 18, em Michigan. A EPA receberá comentários até 17 de agosto.

Etanol de cana-de-açúcar

Mesmo com o aumento da meta para biocombustíveis avançados, a estimativa da EPA para o etanol de cana-de-açúcar importado do Brasil continua em 100 milhões de galões (378,5 milhões de litros), conforme noticiado pelo Valor Econômico. O número mantém a previsão do ano passado.

Segundo a reportagem, a EPA considera que o aumento do mandato para os biocombustíveis “avançados” pode criar um estímulo à importação do etanol de cana, mas argumenta que a limitação do percentual de mistura do etanol à gasolina em 10% (E10) e a falta de competitividade do etanol de cana ante o de milho criam “desincentivos” para essa importação.

Além disso, de acordo com o relatório da agência citado pelo Valor, as importações estão se mantendo abaixo de 100 milhões de galões desde 2014. Em 2017, o volume foi de 77 milhões de galões (291,5 milhões de litros). Em 2013, porém, os EUA importaram mais de 1 bilhão de litros de etanol de cana.

A agência ainda explica que a estimativa não corresponde a uma meta. O volume de etanol de cana importado pelos Estados Unidos varia de acordo com a safra brasileira, os preços internacionais, a mistura de etanol à gasolina no país, a competitividade ante o etanol de milho e as tendências do mercado de açúcar.

Conforme o Valor Econômico, a EPA considera que a produção brasileira de etanol pode ser prejudicada por um estreitamento da relação entre oferta e demanda globais de açúcar, citando uma possível redução da produção.

Essa perspectiva, entretanto, contradiz as expectativas de especialistas de mercado e do próprio Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que prevêem superávit de açúcar para as safras internacionais 2017/18 e 2018/19.

Isenções para refinarias

O RFS foi criado em 2005 com o objetivo de diminuir as emissões de carbono e reduzir a dependência norte-americana do petróleo estrangeiro, num momento em que os preços do combustível fóssil começavam a subir.

No entanto, a exigência não tem funcionado como se pretendia, e os níveis de produção de combustíveis renováveis, principalmente etanol, costumam ficar abaixo dos volumes estabelecidos por lei. Muitas refinarias de petróleo estão recorrendo diretamente à EPApara serem desobrigadas da exigência.

Desde que Scott Pruitt assumiu o comando da agência, o número de concessões vem aumentando. Pequenas refinarias com capacidade inferior a 75 mil barris por dia, mesmo se controladas por uma grande empresa, podem obter isenções se comprovarem que a exigência está causando "dificuldades econômicas desproporcionais", segundo o site da EPA.

A Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês), que representa o setor de etanol nos EUA, disse que a proposta da EPA para 2019 é superficial, já que a agência vem permitindo que pequenas refinarias não cumpram a exigência.

Segundo o presidente e CEO da RFA, Bob Dinneen, em teoria a manutenção do volume de biocombustíveis convencionais como etanol de milho deveria enviar um sinal positivo para o mercado. No entanto, uma demanda de 1,6 bilhão de galões (6,1 bilhões de litros) foi "destruída por isenções ilegais para pequenas refinarias" e não há um comprometimento da EPA em mudar essa postura, afirmou Dinneen. "Isso não é apenas errado, mas vai de encontro ao compromisso assumido pelo presidente (Trump) junto a agricultores e consumidores que apoiam um maior uso de combustíveis renováveis."

Nos EUA, o etanol é feito principalmente com milho e a indústria consome cerca de um terço da safra doméstica do cereal. (Agência Estado 05/07/2018)