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Açúcar bruto fica estável na ICE, com outubro negociado a 11,41 cents/libra

Os futuros do açúcar bruto na ICE terminaram praticamente estáveis nesta terça-feira (10). O contrato outubro do açúcar bruto fechou a 11,41 centavos de dólar por libra-peso.

Uma seca reduziu a produção de cana na região centro-sul do Brasil, maior produtor do mundo, aumentando a perspectiva de um fim antecipado da colheita em 2018.

Um aumento nos estoques de etanol elevou os prospectos de que os processadores de cana brasileiros mudem a produção de volta para o açúcar, o que pode pressionar ainda mais os preços, que já estão perto de mínimas de meados de maio, disseram operadores.

O açúcar branco para outubro avançou 1,20 dólar, ou 0,4 por cento, para 332,10 dólares por tonelada. (Reuters 11/07/2018)

 

Com desaceleração do consumo e estoques em alta, superávit global de açúcar segue firme

A demanda está desacelerando à medida que consumidores passam a se preocupar mais com a saúde. Estrategistas acreditam que preços devem se manter baixos por algum tempo.

Os estoques de açúcar deverão atingir um recorde e, devido à desaceleração do crescimento da demanda e ao aumento da produção, a commodity registra o pior desempenho de 2018.

Os consumidores estão cada vez mais cautelosos com o impacto do açúcar na saúde, e empresas como a fabricante de frutas enlatadas Del Monte Foods e a distribuidoras de doces Mondelez International estão promovendo produtos com menos açúcar. Embora o consumo global continue aumentando, o ritmo de crescimento diminuiu para uma média de 1,4 por cento nas últimas safras, contra 1,7 por cento na última década, segundo a empresa de pesquisa Green Pool Commodity Specialists.

O fenômeno ocorre em meio ao crescimento da produção, especialmente na Índia, a segunda maior produtora do mundo. Os produtores da Tailândia também estão colhendo safras enormes. Os estoques mundiais deverão atingir o maior patamar da história nesta temporada e continuarão perto do recorde no ano que vem, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os futuros do açúcar em Nova York já caíram 25 por cento em 2018. É a maior queda do Bloomberg Commodity Index, que monitora os retornos de 22 componentes.

“A menos que ocorra um problema climático, aparentemente não há qualquer esperança de que os otimistas vejam uma alta sustentada”, disse o estrategista-chefe de mercado da Newbridge Securities em Nova York, Donald Selkin, que administra cerca de US$ 2 bilhões. “Todos estão tentando eliminar o açúcar e os produtos açucarados. Vemos isso nos supermercados e nas mercearias. A demanda continuará mais baixa que nos últimos anos. O preço está fadado a continuar baixo por um tempo”.

Na segunda-feira, o açúcar bruto para entrega em outubro caiu 1 por cento, para 11,4 centavos de dólar a libra, na ICE Futures U.S. em Nova York.

Apostas de fundos

Os investidores se preparam para novos declínios.

No período de uma semana encerrado em 3 de julho, os gerentes de recursos mais que triplicaram suas posições vendidas líquidas, ou a diferença entre apostas no aumento e no declínio do preço, para 54.736 futuros e opções, segundo dados divulgados na segunda-feira pela Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA (CFTC, na sigla em inglês). A mudança ocorreu após aumento de 15 por cento nas posições vendidas, enquanto as apostas compradas caíram quase 7 por cento.

A produção global deve exceder a demanda em 19,6 milhões de toneladas na safra global 2017/18, que se encerra em setembro, afirma a Green Pool em relatório publicado no mês passado. Essa é a maior sobra de todos os tempos e apenas o excesso já seria suficiente para atender a atual demanda anual da China, o maior importador de açúcar do mundo.

Após uma colheita gigantesca, a Associação de Moinhos de Açúcar da Índia afirmou em 3 de julho que o setor de processamento tenta ampliar as cotas de exportação para um recorde de 6 milhões de toneladas. O grupo estima a produção do país em até 32 milhões de toneladas, um aumento de 58 por cento em relação ao ano anterior. Enquanto isso, no Brasil, devido ao aumento dos estoques de etanol e à queda dos preços do biocombustível, os usineiros podem transformar uma fatia maior da safra de cana em açúcar.

Surpresas do clima

É claro que as colheitas ainda podem fracassar, especialmente se o clima for pior do que o esperado. As condições de seca afetaram os canaviais do Centro-Sul do Brasil, a maior região produtora do mundo. E a possibilidade de que ocorra um padrão climático El Niño ainda neste ano também pode provocar danos às plantações asiáticas.

Mas em um mercado onde a demanda está desacelerando, pequenas diminuições nos estoques podem ser absorvidas. Embora preocupações com a saúde e impostos em bebidas açucaradas que prejudiquem o consumo tenham sido mais frequentes em economias desenvolvidas, a Green Pool acredita que esses fatores estão sendo “replicados” em mercados emergentes.

“Todos os elementos pessimistas que tinham abaixado os preços do açúcar inicialmente ainda estão no lugar, e alguns estão ainda piores”, disse o presidente da JSG Commodities, Frank Jenkins, em South Norwalk, Connecticut. “Estamos olhando para um longo período de tempo com um excedente muito substancial. Estamos no quarto ou quinto estágio deste mercado de baixa”. (Bloomberg 11/07/2018)

 

Feplana critica audiência da Câmara sobre venda direta de etanol

Demanda da Feplana e do Sindaçúcar-PE é que a Comissão de Minas e Energia inclua entidades defensoras da venda direta ou agende nova audiência sobre o tema

Nesta quarta-feira (11), como parte das atividades da Comissão de Minas e Energia, a Câmara dos Deputados deve realizar uma audiência pública para tratar da venda direta de etanol aos postos. Segundo a Federação dos Plantadores de Cana do Brasil (Feplana) e o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool (Sindaçúcar-PE), no entanto, a formação da mesa da audiência é composta apenas por entidades contrárias à venda direta.

“Nem o senador Otto Alencar (PSB-BA), autor do Projeto de Decreto Legislativo (PDS 61/2018) que seguiu para a Câmara, teve o seu nome incluso como participante oficial da audiência”, diz o presidente da Feplana, Alexandre Andrade Lima. A entidade, que representa 70 mil fornecedores de cana em 12 estados produtores, também não foi inserida na lista de presentes com direito a fala.

“Foram escolhidas entidades como a União da Indústria da Cana de Açúcar e empresas distribuidoras, todas que discordam (...) da venda direta aos postos”, pontua o presidente do Sindaçúcar-PE, Renato Cunha.

Assim, as duas entidades argumentam que a audiência pública não estaria garantindo a pluralidade dos atores no processo legislativo. Em nota à imprensa, elas afirmam: “Só assim se dará a real oportunidade ao produtor genuíno e, principalmente, para o consumidor final e não somente às distribuidoras. Do contrário, a Comissão de Minas e Energia da Câmara irá atuar para condenar o produtor a vender seu etanol a poucas distribuidoras, quando existem mais de 40 mil postos revendedores de hidratado no país”.

Ainda segundo o texto, os consumidores pagam 13% a mais no preço do etanol devido à margem de lucro das distribuidoras, além do custo proveniente do ‘passeio’ do biocombustível das usinas para os pontos de distribuição e, depois, para os postos.

“A Feplana e Sindaçúcar esperam que a Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal inclua entidades defensoras ou agende nova audiência”, pleiteiam. (AFCP 11/07/2018)

 

Moody’s: Rota 2030 é positivo para crédito das montadoras no Brasil

O programa Rota 2030, de benefícios para o setor automotivo, é positivo ao introduzir uma nova política industrial, com incentivos fiscais para os gastos em pesquisa e desenvolvimento e eficiência energética. A avaliação é da agência de classificação de risco Moody’s.

“A nova política e decreto são positivos para o crédito das montadoras no Brasil, incentivando novos investimentos no setor e alinhando-as melhor ao movimento global em direção à eletrificação dos veículos”, avaliaram as analistas Carolina A. Chimenti e Marianna Waltz.

A medida provisória que criou o Rota 2030 foi assinada no dia 5 de julho. A Moody’s lembra, no relatório, que as montadoras com operações no Brasil poderão deduzir 10,2% dos seus gastos totais com pesquisa e desenvolvimento dos seus impostos de renda federais e taxas de contribuição social. O governo espera que a nova política eleve em R$ 5 bilhões (US$ 1,4 bilhão) os investimentos anuais do setor automotivo, proporcionando até R$ 1,5 bilhão em incentivos fiscais anuais.

A Moody’s ressalta que o Rota 2030 tem como objetivo aumentar a eficiência energética dos veículos brasileiros em 11% até 2022, incorporar tecnologias de auxílio à condução até 2027 e “rotular” os automóveis de acordo com seus níveis de eficiência energética e segurança.

“O Rota 2030 beneficiará o setor automotivo brasileiro como um todo, oferecendo incentivos fiscais em um momento que as montadoras estão retomando o trabalho em turnos e os investimentos para aumentar a produção e atender a demanda do país”, avaliaram.

As analistas também compararam o Rota 2030 com o Inovar-Auto. Segundo elas, a principal vantagem está na ausência de uma tarifa sobre veículos importados, o que torna o mercado interno brasileiro mais atraente para montadoras sem produção local. No Inovar-Auto, válido até 2017, a alíquota do Imposto Industrial (IPI) era de 30% para forçar as montadoras a terem fábricas no país. Mas desde o início de 2018, com o fim do Inovar-Auto, as importações aumentaram 29%, mas representaram 13% do total de registros, abaixo dos 21% de 2012.

Outro benefício do Rota 2030, segundo as analistas da Moody’s, é que permitirá o melhor aproveitamento da infraestrutura de produção e distribuição de etanol para desenvolver veículos híbridos, o que pode ser mais acessível internamente do que os veículos elétricos que usam somente bateria.

Ainda assim, elas não esperam um aumento da produção ou das vendas de automóveis movidos a combustíveis alternativos no médio prazo, devido as limitações de infraestrutura para recarga dos veículos elétricos, consideráveis investimentos das montadoras nessas iniciativas e menores retornos desses veículos em relação àqueles com motores de combustão. (Valor Econômico 10/07/2018 às 14h: 17m)

 

Preço da gasolina bate maior valor desde paralisação dos caminhoneiros

Litro vai para R$ 2,039 nas refinarias; é a oitava alta seguida desde o dia 22 de junho.

A Petrobras subirá o preço da gasolina nesta quarta (11) para R$ 2,039 por litro nas refinarias, o maior valor desde o dia 23 de maio, quando a cotação internacional do petróleo chegou perto dos US$ 80 (R$ 306) por barril.

É a oitava alta seguida desde o dia 22 de junho, acompanhando a escalada das cotações internacionais e a variação da taxa de câmbio. Na segunda, a cotação do petróleo tipo Brent, negociado em Londres, fechou em US$ 78,16 (R$ 299) por barril.

A recente paralisação de caminhoneiros fez com que os motoristas voltassem a se preocupar em ficar com o tanque vazio.

Desde outubro de 2016, a Petrobras altera os preços dos combustíveis de acordo com a variação das cotações internacionais e da taxa de câmbio. A elas, acrescenta margem de lucro e o custo de importação.

A política é alvo de questionamentos, que ganharam força durante a greve dos caminhoneiros, no fim de maio, e levaram o governo a conceder subvenções ao preço do óleo diesel ao custo de R$ 13,6 bilhões.

O preço da gasolina nas refinarias da estatal acumula alta de 9,31% desde 22 de junho, quando a companhia interrompeu a sequência de quedas iniciada no fim de maio a partir do recuo das cotações internacionais. 

No dia 22 de maio, a gasolina vendida pela estatal atingiu o maior valor desde que foi iniciada a política de reajustes diários: R$ 2,0867 por litro.

Segundo a estatal, o valor cobrado por suas refinarias representa 31% do preço final do combustível nas bombas, a conta considera o preço da última semana de junho, último dado disponível.

O restante é composto por impostos, margens de lucro de distribuição e revenda e o percentual de etanol anidro misturado ao produto vendido nos postos, atualmente em 27%.

No início de julho, 15 estados aumentaram o preço de referência para o cálculo do ICMS sobre a gasolina, o que deve ter reflexo nos preços de bomba. Os impostos estaduais representavam, no fim de junho, 28% do preço final. Já os federais eram responsáveis por 15%.

O preço do diesel nas refinarias segue em R$ 2,0316 por litro desde o início de junho. (Folha de São Paulo 10/07/2018)

 

Informa prevê superávit de 7,2 mi t de açúcar na safra global 2018/19

A área de inteligência em agronegócio da Informa projetou nesta terça-feira um superávit de 7,2 milhões de toneladas de açúcar na safra global 2018/19, ante um excedente de 7,3 milhões em 2017/18.

“O aumento inesperadamente forte na produção de açúcar da Tailândia e da Índia nesta temporada elevou o superávit global em 2017/18 significativamente acima das expectativas iniciais”, disse a empresa, que inclui os analistas de açúcar da F.O. Licht.

“As projeções atuais apontam para outro grande superávit em 2018/19, o que sugere que os preços (globais) permanecerão sob pressão no futuro próximo”.

Os preços do açúcar na União Europeia (UE) também devem permanecer baixos devido a um aumento na produção após a abolição de cotas.

A produção da UE em 2017/18 foi estimada em 19,5 milhões de toneladas, 21 por cento acima dos 16 milhões da temporada anterior. (Reuters 10/07/2018)

 

Incerteza na tabela de frete bagunça logística de fertilizantes no Brasil

Maior custo do transporte de fertilizantes limita entregas e sobrecarrega armazéns dos portos, alerta INTL FCStone.

O maior custo do transporte de fertilizantes tem limitado as entregas do produto e gerado acúmulo nos armazéns dos portos brasileiros. Quem alerta é a consultoria INTL FCStone, que tem acompanhado os impactos logísticos, sentidos desde o início da vigência da tabela de preços mínimos de fretes no começo de junho-18.

“Em Paranaguá, destino de 46,1% de todo o fertilizante importado no país em 2018, o tempo médio de espera para a atracação dos navios de fertilizantes é estimado em 17 dias. No ano passado, por exemplo, as embarcações aguardaram cerca de 8 dias para desembarcar os fertilizantes na média do mês de julho”, explica o analista de mercado do grupo, Fábio Rezende.

A situação é exacerbada pela baixa disponibilidade de caminhões no litoral, já que as vendas de grãos por via rodoviária também têm sido evitadas, de modo que, em muitos casos, não tem sido possível levar os fertilizantes ao interior, gerando uma crise de abastecimento.

No interior, a falta de produto limita compras antecipadas para o período de pico da demanda (de agosto a outubro), o que ameaça estender o caos logístico para o restante do ano mesmo que o embaraço dos fretes seja resolvido com celeridade.

Nos portos, os problemas se estendem: a lotação dos armazéns causa impacto no tempo de espera dos navios, resultando em aumento sobre o valor do demurrage, multa paga pelo fretador ao armador por cada dia de estadia acima do tempo contratado. O valor dessa multa é repassado para o preço do produto transportado na venda no mercado interno.

“Para o cloreto de potássio (KCl), o fertilizante mais demandado por importadores brasileiros, o demurrage médio de junho/18 atingiu US$ 7,56/t, um crescimento de US$ 4,82/t em relação ao mesmo período de 2017”, atenta Rezende.

Nos próximos meses, o desabastecimento do mercado nacional de fertilizantes deve causar atrasos nas entregas, época de pico de demanda de adubos. Segundo avaliação do analista de mercado da INTL FCStone, Fábio Rezende, “o avanço do custo de demurrage se junta aos preços mais elevados dos fertilizantes no mercado internacional, ao dólar mais valorizado e aos fretes mais altos tornando mais caro aos consumidores finais a aquisição dos adubos, o que deve ter um impacto negativo na demanda em 2018”. (INTL FCStone 10/07/2018)