Setor sucroenergético

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Família Furlan corta seus canaviais

Mais uma usina de etanol corre o risco de evaporar do mapa.

A família Furlan deverá desativar a planta sucroalcooleira de Santa Bárbara D’ Oeste (SP). A emrpesa vai se concentrar apenas na usina de Avaré, também no estado de São Paulo.

Ressalte-se que o Grupo Furlan já deu o primeiro passo neste sentido ao arrendar à Raízen e a São Martinho a moagem de aproximadamente um milhão de toneladas de cana, até então beneficiadas na usina de Santa Bárbara D’ Oeste. (Reuters 25/07/2018)

 

Açúcar bruto fica estável na ICE; outubro é negociado a 11,19 cents/libra

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE ficaram estáveis nesta quarta-feira, depois de dados sobre a moagem de cana-de-açúcar no Brasil não terem conseguido desencadear uma grande reação do mercado.

O contrato outubro do açúcar bruto ficou estável a 11,19 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar uma máxima da sessão de 11,35 centavos de dólar.

Dados sobre o Brasil, um dos maiores produtores do mundo, mostraram que as usinas na região centro-sul moeram 45 milhões de toneladas de cana na primeira metade de julho, levemente abaixo dos 47,7 milhões de toneladas moídos em igual período há um ano.

O relatório "não foi o suficiente para levar o mercado a nenhuma grande reação", disse em nota James Liddiard, da consultoria Agrillion.

Alguns operadores esperavam um relatório mais altista, escreveu Liddiard.

O açúcar branco para outubro avançou pelo quarto dia consecutivo, ganhando 1,30 dólar, ou 0,4 por cento, a 327,40 dólares por tonelada.

O Catar está construindo uma refinaria de açúcar para evitar interrupções no fornecimento em meio às tensões contínuas no Golfo. (Reuters 26/07/2018)

 

Potencial de etanol de milho é de 3 bilhões de litros em cinco anos

A produção brasileira de etanol de milho deve saltar dos atuais níveis, entre 600 milhões e 700 milhões de litros por ano, para algo entre 3 bilhões e 3,5 bilhões de litros em cinco anos. É o que afirma Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional de Etanol de Milho (Unem). O cálculo considera os projetos de usinas com perspectiva de concretização no período.

"Entre projetos em construção e sendo licenciados, temos 15 plantas. A maioria em Mato Grosso, algumas em Goiás. São muitos e a tendência é de crescimento rápido", disse ele, durante o Global Agribusiness Fórum (GAF), em São Paulo (SP).

O presidente da Unem acredita que o atual cenário é positivo para a produção de etanol de milho. Mesmo considerando que a oferta de matéria prima é menor, por conta da redução da safra do cereal no ciclo agrícola 2017/2018. Segundo ele, ainda há bastante grão disponível para processamento nas usinas e o combustível está remunerando o produtor.

"O mercado de etanol está bem precificado e as margens são muito boas. Não há um impacto significativo que pressione a ponto de complicar o cenário", avalia Tomczyk, acrescentando que, no cenário atual, o etanol tem sido viável mesmo com a saca do milho variando entre R$ 35 e R$ 38.

Tomczyk explica ainda que o fato do consumo de etanol de milho ainda ser "regionalizado" ajuda a estabilizar os preços. Segundo ele, a estratégia inicial das usinas é abastecer o norte e nordeste do Brasil, concorrendo com o etanol importado dos Estados Unidos, que também usa milho.

"A grande produção tende a ser no Centro-Oeste, pela disponibilidade e preço da matéria-prima, especialmente em Mato Grosso. Primeiro vamos incomodar os americanos, depois, em um segundo momento, a indústria tradicional aqui do Centro-Sul", afirmou.

Preços de combustíveis

Questionado sobre os rumos da política de preços de combustíveis, que foi discutida em função das manifestações de caminhoneiros pelo Brasil, avalia que não deve haver mudança, pelo menos no que ele chama de "conceito". Para Ricardo Tomczyk, está correta a metodologia de atrelar os preços à paridade internacional e à taxa de câmbio.

Ele considera, no entanto, que pode haver “correções”, especialmente de ordem tributária. Sugere, por exemplo, que os impostos variem de forma inversa aos preços dos combustíveis. Quando o valor aumenta, a alíquota diminui e vice-versa. Ricardo Tomczyk acredita que, desta forma, o efeito das variações seria menor sobre o mercado.

"Minimizar as flutuações de cotação pela parte tributária, com ajustes de maneira que a alíquota seja flutuante. Sobe o preço do combustível, desce o imposto e não ha prejuízo na arrecadação porque você arrecada menos sobre uma base maior. O caminho inverso também é verdadeiro", avaliou.

Sobre a periodicidade dessas alterações, Ricardo Tomczyk evitou dizer qual seria a ideal. Disse apenas que é uma questão a ser resolvida pela equipe econômica do governo. (25/07/2018)

 

Moagem de cana caiu no início de julho no Centro-Sul

A moagem de cana pelas usinas da região Centro-Sul do país alcançou 44,9 milhões de toneladas na primeira quinzena de julho, retração de 6,5% ante o mesmo período da safra 2017/18. A informação foi divulgada hoje pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Do total processado, 38,4% foi destinado à fabricação de açúcar, bem menos que os 50,4% registrados na mesma data de 2017. Assim, a produção de açúcar caiu 23,3% na primeira quinzena de julho desta safra 2018/19, para 2,4 milhões de toneladas. Já a produção de etanol cresceu 26,2% na comparação, para 2,4 bilhões de litros.

A produção de etanol anidro totalizou 791 milhões de litros, mas a de etanol hidratado aumentou de 52,7%, para 1,6 bilhão.

A moagem total de cana no acumulado de 2018/19, iniciada em abril, chegou a 267,4 milhões de toneladas, 8,08% mais que em igual intervalo do ciclo anterior. Na comparação a produção de açúcar atingiu 12,1 milhões de toneladas e a de etanol alcançou 13,5 bilhões de litros.

“Caso não tivesse ocorrido mudança no mix das usinas, a produção acumulada de açúcar já teria superado 15 milhões de toneladas. A retração de 57,40 quilos de açúcar por tonelada de cana processada verificada em 2017/18 para 45,39 quilos nesta safra; permitiu uma redução próxima a 3,2 milhões de toneladas na fabricação acumulada de açúcar até o momento”, afirmou Antonio de Pádua Rodrigues, diretor Técnico Unica, em nota.

Também segundo a Unica, as vendas de etanol hidratado das usinas do Centro-Sul para as distribuidoras com destino ao mercado interno na primeira quinzena de julho foram quase 40% maiores do que no mesmo período do ano passado. Foram vendidas 767,5 milhões de litros, contra 550,3 milhões de litros na mesma quinzena de um ano atrás.

No acumulado da safra 2018/19, as vendas já somaram 5,1 bilhões de litros, 34% acima do mesmo período da safra passada.

Na última quinzena, também cresceram exponencialmente as vendas de etanol hidratado para o mercado externo. Foram registradas vendas de 48,6 milhões de litros, quatro vezes mais do que as 10,3 milhões de litros vendidas na mesma quinzena da safra anterior.

No acumulado da temporada, as usinas do Centro-Sul venderam 154,0 milhões de litros de hidratado para o exterior, 49% superior às vendas do acumulado do mesmo intervalo do ciclo passado. (Valor Econômico 25/07/2018 às 12h: 57m)

 

Carros híbridos e elétricos pagarão IPI de 7% a 20% a partir de agosto

Alíquota entra em vigor em agosto e vai variar de acordo com peso e eficiência energética.

A partir de 1º de agosto, o IPI de carros elétricos e híbridos passa a variar de 7% a 20% com o decreto assinado pelo governo federal no começo de julho, no mesmo dia em que foi anunciado o Rota 2030. O imposto anterior ia de 7% a 25%, com tributação mais pesada principalmente para os modelos equipados com propulsão elétrica pura. Tabela elaborada pela Anfavea mostra como a tributação será aplicada.

Por exemplo, os veículos híbridos com motor a gasolina com eficiência energética melhor, que apresentarem consumo de energia inferior ou igual a 1,10 MJ/km, pagarão menos IPI, em três alíquotas de 9%, 10% e 11%, aplicadas a três faixas de peso: até 1.400 quilos, de 1.400 e 1.700 kg e acima de 1.700 kg, respectivamente. A alíquota vai variar em 12%, 13% e 15% no caso dos modelos com consumo de 1,11 MJ/km a 1,68 MJ/km e oscilar entre 17%, 19% e 20% para os que apresentarem eficiência menor, com demanda acima de 1,68 MJ/km.

No caso dos elétricos, as tarifas são menores, mas também acompanham as mesmas três faixas do peso do automóvel. Os veículos com eficiência energética de até 0,66 MJ/km recolhem 7%, 8% e 9% de IPI. O tributo sobe para 10%, 12% e 14% quando a eficiência fica entre 0,67 MJ/km e 1,35 MJ/km. Os elétricos menos eficientes, com consumo energético superior a 1,35 MJ/km, recolhem de 14%, 16% e 18% de IPI.

Montadoras ainda não redefiniram estratégia

Por enquanto, as montadoras ainda estão calculando o impacto da medida na estratégia de veículos elétricos para o Brasil. A Renault, pioneira na oferta de modelos com a tecnologia localmente para frotas corporativas, ainda não divulga posicionamento sobre o tema.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a Toyota confirmou que sua estratégia local de eletrificação seguirá focada em veículos híbridos – e está em testes o Prius híbrido com motor flex a etanol, que recolhe menos IPI do que o modelo com motorização a gasolina.

A BMW foi a única marca a se pronunciar recentemente sobre o tema. O presidente da companhia no país, Helder Boavida, declarou que o preço do i3, hatchback elétrico da marca, não vai diminuir com a mudança do imposto. “O tributo é só um componente na composição do valor que cobramos. Com a desvalorização do real, importar o carro fica cada vez mais caro”, diz.

Segundo ele, a mudança não tem impacto sobre o preço do i3 porque a BMW vende no Brasil as versões REX do modelo, equipadas com um motor bicilíndrico que funciona como extensor de autonomia para o propulsor elétrico. O carro é categorizado pelo governo como híbrido e, portanto, já recolhe alíquota menor de IPI do que os 25% cobrados até então dos carros elétricos. (Automotive Business 26/07/2018)

 

Catar construirá refinaria de açúcar para evitar problemas com boicote, dizem fontes

O Catar está construindo uma refinaria de açúcar em uma tentativa de evitar problemas de abastecimento depois que os países vizinhos do Golfo Pérsico cortaram laços econômicos e políticos com Doha há mais de um ano, disseram fontes.

Em condições comerciais normais, a construção de uma refinaria no Catar faria pouco sentido comercial por causa dos preços baixos do açúcar, dos estoques mundiais excedentes e da presença de refinarias regionais que poderiam fornecer suprimentos, disseram as fontes.

Mas eles disseram que o Catar, com seus enormes recursos financeiros gerados pelas exportações de gás e como anfitrião da Copa do Mundo de 2022, quer evitar qualquer risco para o desértico país, que depende fortemente de importações para alimentar sua população de 2,7 milhões de pessoas.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito romperam relações com o Catar em junho de 2017, acusando-o de fomentar a agitação regional, apoiar o terrorismo e se aproximar demais do Irã. Doha nega todas as acusações.

"Isso fortalecerá nossa independência e, pela vontade de Deus, ajudará a quebrar as restrições impostas à nossa economia. Agora, mais do que nunca, devemos ser capazes de nos sustentar", disse à Reuters uma autoridade do Ministério da Economia.

Ela disse que a refinaria ficaria perto do porto de Hamad, a 40 quilômetros ao sul de Doha, e começaria a ser levantada até o final de 2019 ou início de 2020. O funcionário se recusou a fornecer mais detalhes. (Reuters 25/07/2018)

 

Produção histórica de etanol é destaque na 1ª quinzena de julho, diz Unica

A quantidade de cana processada pelas unidades do Centro-Sul somou 44,88 milhões de toneladas na primeira quinzena de julho. O resultado é 6,50% inferior às 48,00 milhões de toneladas verificadas no mesmo período na safra 2017/2018.

Da moagem total, apenas 38,40% da matéria-prima foi destinada à fabricação de açúcar, contrastando significativamente com os 50,41% registrados na mesma data de 2017.

Como consequência, a produção de açúcar diminuiu 23,30% na quinzena, atingindo 2,39 milhões de toneladas. A de etanol, por outro lado, aumentou 26,24%, totalizando 2,39 bilhões de litros, contra 1,89 bilhão fabricados em igual período do ciclo 2017/2018.

No caso do biocombustível hidratado, o aumento foi ainda mais intenso; sua produção atingiu 1,60 bilhão de litros, a maior produção quinzenal da série histórica. Esse resultado representa um crescimento de 52,71% em relação ao mesmo período de 2017.

A fabricação de anidro, por sua vez, totalizou 790,74 milhões de litros nos primeiros quinze dias de julho, com queda de 6,53% ante os 845,95 milhões de litros registrados na mesma quinzena do ano anterior.

No acumulado desde o início da safra até 16 de julho, a produção de açúcar atingiu 12,14 milhões de toneladas. Já o volume de etanol alcançou 13,45 bilhões de litros, sendo 4,08 bilhões de litros de anidro e 9,37 bilhões de litros de hidratado.

“Caso não tivesse ocorrido mudança no mix das usinas, a produção acumulada de açúcar já teria superado 15 milhões de toneladas. A retração de 57,40 kg de açúcar por tonelada de cana processada verificada em 2017/2018 para 45,39 kg nessa safra, permitiu uma redução próxima a 3,2 milhões de toneladas na fabricação do produto até o momento”, observa Antonio de Pádua Rodrigues, diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Nos primeiros quinze dias de julho deste ano, a produção de etanol de milho totalizou 24,68 milhões de litros. Desde o início da safra até 16 de julho foram fabricados 187,80 milhões de litros, registrando incremento de 163% em relação ao volume produzido em igual período do ano passado.

Produtividade e qualidade da matéria-prima

A qualidade da matéria-prima processada nos primeiros quinze dias de julho, medida por meio da concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), cresceu 7,70%, atingindo 145,47 kg por tonelada em 2018 contra 135,07 kg na mesma quinzena do último ano. No acumulado até 16 de julho, o indicador de qualidade totalizou 131,86 kg de ATR por tonelada, mantendo a alta de 5,10% em relação ao valor da safra 2017/2018.

Dados preliminares apurados pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a partir de uma amostra comum de 81 empresas, indicam que houve uma sensível retração de 4,27% na produtividade agrícola do canavial colhido na primeira quinzena de julho em comparação ao mesmo período da safra 2017/2018 (81,91 toneladas por hectare nesse ano, contra 85,56 no ciclo anterior). Os dados efetivos para o mês de julho serão confirmados no próximo levantamento.

Vendas de etanol

O volume total de etanol comercializado pelas unidades do Centro-Sul somou 1,2 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de julho, crescimento de 16,68% em relação à mesma quinzena do ano anterior (1,03 bilhões de litros), sendo 91,55 milhões destinados à exportação e 1,11 bilhão ao mercado doméstico.

Esse crescimento deve-se, mais uma vez, à expansão das vendas do hidratado no mercado doméstico, as quais alcançaram 767,48 milhões de litros na primeira metade de julho. Esse volume representa um expressivo aumento de 39,46% sobre o valor registrado em igual período de 2017 (550,31 milhões de litros).

A exemplo das semanas anteriores, esse resultado positivo das vendas retrata a maior competividade do biocombustível nos postos. Dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) compilados pela UNICA mostram que em seis Estados - São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro, abastecer com o etanol é economicamente muito vantajoso em comparação à gasolina. Estes Estados agregam cerca de 65% da frota nacional de veículos leves.

Com base no levantamento de preços realizado pela ANP na última semana (15 a 21 de julho), o hidratado atingiu uma paridade média de 59,9% em São Paulo, o que representa o índice mais competitivo nos últimos oito anos (para mais informações, acesse o relatório de acompanhamento semanal de preços ao consumidor disponível no linkhttp://www.unicadata.com.br/listagem.php?idMn=93).

Em relação ao anidro, o volume comercializado no mercado doméstico alcançou 341,23 milhões de litros na primeira quinzena de julho, montante inferior aos 407,08 milhões comercializados na mesma quinzena de 2017.

Como consequência, as vendas acumuladas de etanol pelas usinas desde o início da safra 2018/2019 até 16 de julho, já atingiram 7,74 bilhões de litros, com 351,57 milhões de litros exportados e 7,38 bilhões de litros comercializados domesticamente, crescimento acumulado de 12,45% na comparação ao ciclo 2017/2018. (Reuters 25/07/2018)