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Importação de etanol americano ameaça Renovabio

Com a implantação do Renovabio no País, a importação de etanol americano para a região Nordeste no período de safra da cana tem preocupado o Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool no Estado de Alagoas (Sindaçúcar-AL).

O presidente Pedro Robério Nogueira atenta para o fato de que as janelas de importação se dão na entressafra, onde há um gargalo de oferta e demanda nos ciclos de produção no Sul, no Norte e no Nordeste, porém, nos últimos anos o produto americano chegou durante a safra nordestina.

“Quando o etanol americano chega em plena moagem da cana, desestimula a produção local. O que precisa ser verificado é que o Brasil agora está voltado para o Renovabio e para a expansão da oferta de biocombustíveis, com condições de ofertar etanol tanto para o mercado interno quanto para o mercado externo”, atenta Nogueira.

Ele explica que o Nordeste, durante a entressafra, complementa o etanol no mercado interno com produtos vindos de Minas Gerais. “Em alguns momentos, existe essa complementação. Mas não há necessidade de vir o produto do exterior durante o ciclo produtivo da cana”, afirma.

Nos últimos anos, alguns grupos estão usando a importação de etanol americano para aumentar a margem de atravessadores comerciais. “Eles não tem compromisso com o Renovabio nem com o consumidor e podem acabar desestimulando as empresas a investir na produção de biocombustíveis”, esclarece o presidente do Sindaçúcar-AL. (Sindaçúcar-AL 31/07/2018)

 

Operação em Curitiba prende executivos das 3 maiores distribuidoras de combustíveis

Eles responderão pelos crimes de organização criminosa e abuso de poder econômico.

A operação Margem Controlada, deflagrada na manhã desta terça-feira (31) em Curitiba (PR), prendeu oito executivos das três maiores distribuidoras de combustível do país, suspeitos de controlar ilegalmente o preço final do litro nos postos da capital paranaense.

Foram presos temporariamente três assessores comerciais da Petrobras Distribuidora S.A (BR Distribuidora), um gerente comercial e um assessor da Ipiranga Produtos de Petróleo S.A e um gerente e dois assessores comerciais da Raízen, que opera com a bandeira Shell.

A BR Distribuidora é controlada pela Petrobras, a Raízen é uma joint venture entre Cosan e Shell, e a Ipiranga pertence ao grupo Ultrapar. As três distribuidoras, que detêm juntas cerca de dois terços do mercado de diesel do Brasil e mais de 60% do de gasolina, impediriam a livre concorrência na capital do Paraná, segundo os investigadores.

As empresas negam irregularidades

Os detidos são suspeitos de integrar uma suposta quadrilha que controlaria de forma indevida o preço final do litro do combustível nas bombas dos postos de gasolina bandeirados de Curitiba, restringindo o mercado e prejudicando os consumidores.

Os alvos da operação foram Cesar Augusto Leal, Marcos Bleuler Gouveia de Alves de Castro e Silvio Cesar Avila, da BR; Peter Oliveira Domingos e Adriano Alves de Souza, da Ipiranga; e Diego Neumann Balvedi, Karen Pedroso da Silva e Andre Spina Oliva, da Raízen.

Eles responderão pelos crimes de organização criminosa e abuso de poder econômico. Se condenados, podem pegar penas de prisão que variam de 2 a 13 anos. Com os alvos, foram apreendidos celulares, computadores e documentos.

A polícia também cumpriu 12 mandados de busca e apreensão. Ainda foi afastado o sigilo telemático (e-mail) de nove pessoas. Segundo a procuradoria, as combinações de preços eram feitas por telefone, e-mail e aplicativos de trocas de mensagens.

A investigação levou mais de um ano, alavancada por quatro delações premiadas feitas por três proprietários de postos em Curitiba - Fabiano Soares Zortea, Marcelo Concato, Cristiano Toshitaja - e o gerente de postos Felipe Luis Gewehr Orlando.

Zortea foi o primeiro a procurar a Procuradoria. Ele assumiu ter participado de fixação de preços em conluio com representantes das distribuidoras e afirmou ter ter provas da prática ilícita.

ESQUEMA

Segundo a denúncia, as distribuidoras vinculavam o preço do venda dos combustíveis ao valor cobrado pelos postos nas bombas, "retirando do proprietário do posto o poder de determinar suas próprias margens e gerir seus próprios negócios".

Em um exemplo concreto citado pelos investigadores, uma distribuidora apresentou aos postos de sua bandeira três opções de valores de compra e de venda, e se o acordo não fosse cumprido poderia haver retaliações.

Quem comprasse a gasolina a R$ 3,20, teria de vender a R$ 3,39; quem comprasse a R$ 3,25, teria de vender a R$ 3,49, e quem pagasse R$ 3,32, teria de vender a R$ 3,59.

No caso da Raízen, por exemplo, o sistema de vendas dos produtos já indicava um preço sugerido de bomba. "A utilização de preço diferente do 'preço de bomba' exibido no site acarretará em maiores preços para a compra", diz o Ministério Público.

Os donos dos postos eram obrigados a enviar fotos das placas onde informam os preços ao consumidor para conseguir comprar combustíveis pelos valores combinados com os representantes das distribuidoras.

Durante a investigação, descobriu-se que as distribuidoras contavam também com serviço de motoboys para fiscalizar se os valores acordados estavam, de fato, sendo praticados.

Em uma das trocas de mensagens, Avila, da BR, pede ao proprietário de um posto que envie a foto para justificar a venda do produto com desconto, mas o cliente desiste de baixar seu preço alegando que deve vender mais na véspera do carnaval. "Você quem manda! Amanhã cedo tiro o seu desconto", responde ele.

No dia seguinte, o cliente volta a entrar em contato avisando que decidiu baixar o preço e envia uma foto para comprovar. "Favor liberar (o desconto)", conclui, para em seguida obter resposta positiva.

Além deste controle, existe a suspeita de que algumas distribuidoras alugam ou sublocam, via contrato, o terreno e o maquinário para que os donos de postos de gasolina de Curitiba possam atuar no mercado de venda de combustíveis.

A prática, no entanto, pode ser considerada ilegal já que é vedada a verticalização --ou seja, quem produz ou distribui o combustível não pode atuar na venda do produto.
"Embora os postos de combustíveis formalmente sejam empresas separadas das distribuidoras, isto não é o que ocorre na prática. A determinação de conduta uniforme e a prática de preços determinados é o modo de operação adotada pelas três grandes". diz a procuradoria.

OUTRO LADO

Segundo os dados mais recentes da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), BR, Raízen e Ipiranga somaram juntas 72% do mercado brasileiro de distribuição de diesel, combustível mais consumido do país, e 63% do mercado de gasolina no primeiro trimestre.

A BR, maior distribuidora do país, representou 31,07% do mercado de venda de diesel no Brasil e 23,63% do mercado de gasolina no período. Já a Raízen ficou com 21,1% do mercado de diesel e 20,44% do mercado de gasolina, enquanto a Ipiranga deteve 19,75% do mercado de diesel e 19,07% do de gasolina.

A BR Distribuidora disse que "pauta suas atuações pelas melhores práticas comerciais, concorrenciais, a ética e o respeito ao consumidor" e que exige o mesmo comportamento de seus parceiros.

A Raízen diz que acompanha o caso e que está à disposição das autoridades para esclarecimentos. "Importante reforçar que os preços nos postos de combustíveis são definidos exclusivamente pelo revendedor, e a Raízen não tem qualquer ingerência sobre isso", disse a empresa, em nota.

A Raízen disse que está à disposição das autoridades e que está analisando os autos, mas  entende ser improvável que revelem qualquer desvio de procedimento ou de conduta, já que "possui os mais altos padrões de governança em relação às suas políticas comerciais".

A Ipiranga também negou exercer qualquer influência sobre o preço cobrado nas bombas, e disse que as medidas cabíveis serão tomadas assim que tiver acesso ao inquérito.

"A empresa ressalta que não incentiva práticas ilegais, não compactua com atividades que violem o seu Programa de Compliance e preza pela transparência e ética em todas as suas ações e relações."

Procurado, o Sinicombustíveis-PR, que representa os postos da capital paranaense, afirmou que acusações de interferência indevida são "gravíssimas e precisam ser investigadas profundamente". (Folha de São Paulo 31/07/2018 às 12h: 05m)

 

Justiça do DF bloqueia R$ 800 milhões de investigados por cartel

Pelo menos 13 redes de postos de combustíveis são suspeitas de formar uma organização criminosa, combinando preços e eliminando concorrentes.

A pedido do Ministério Público, a Justiça do Distrito Federal bloqueou R$ 800 milhões em bens de pessoas físicas e empresas investigadas por formação de cartel no mercado de combustíveis na unidade da federação.

A Justiça também acolheu denúncia criminal e tornou réus 16 donos de postos de combustíveis, seis empregados de postos e seis representantes de distribuidoras. Também suspeitas de formar cartel, oito pessoas foram presas no Paraná nesta terça-feira, 31, em outra operação.

No DF, a suspeita é que tenha sido formada uma organização criminosa com pelo menos 13 redes de postos de combustíveis, que atuou de janeiro de 2011 a abril de 2016 combinando preços e eliminando concorrentes. O bloqueio do valor foi pedido porque o Ministério Público do Distrito Federal pediu a reparação dos danos causados ao consumidor durante o período em que o cartel atuou, calculado em R$ 996 milhões.

Operação Dubai

A denúncia é desdobramento da Operação Dubai feita em conjunto com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em 2015. Enquanto o Cade investiga as empresas pelos danos concorrenciais, cabe ao MP a investigação no âmbito penal.

De acordo com o MP, os membros do cartel retaliavam concorrentes que não concordassem com o aumento combinado de preços. As empresas investigadas também teriam atuado para tornar inviável o consumo de etanol no mercado do DF, colocando os preços do produto muito acima do de mercado.

Na denúncia, além dos postos de combustíveis, também são acusadas as distribuidoras BR, Ipiranga e Raízen (Shell) de atuarem para eliminar a concorrência na guerra de preços. As distribuidoras teriam concedido descontos aos participantes do cartel, financiando represálias comerciais para retirar os dissidentes dos mercados.

As distribuidoras teriam também boicotado o consumo de etanol e aumentado arbitrariamente o preço de forma a impedir que o produto concorresse com a gasolina.

Em janeiro de 2016, o Cade chegou a intervir na rede de postos Cascol, líder de mercado no DF, e nomeou um administrador provisório para a rede. Na época, o conselho entendeu que essa era a única forma de "quebrar" o cartel e garantir a concorrência no setor. Tanto o MP quanto o Cade firmaram um acordo de colaboração premiada com a rede Cascol, que ajudou nas investigações. A Cascol teve que pagar R$ 148 milhões para o MP e o Cade.

Outro lado

A Ipiranga disse que não obteve acesso aos autos do processo para ter conhecimento da denúncia e poder se manifestar. “A empresa esclarece que opera em regime de livre iniciativa e concorrência, em que cada revendedor é livre na determinação do seu preço-bomba. A Companhia ressalta que não compactua com práticas ilegais ou atividades que violem o seu programa de compliance e que ainda preza pela transparência e ética em todas as suas ações e relações”, afirmou.

A Petrobras Distribuidora informou que sempre colaborou com as autoridades responsáveis  pela  investigação. “A BR reafirma que pauta sua atuação  pelas melhores práticas comerciais, concorrenciais, de ética e o respeito ao consumidor, exigindo o mesmo comportamento de seus parceiros e força de trabalho”, disse.

A Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, informou que recebeu com “surpresa” a denúncia oferecida pelo MP. Segundo a empresa, as implicações contra a companhia e seu funcionário não encontram respaldo no processo de investigação conduzido nos últimos anos com a participação de diversos órgãos, incluindo o Cade. “A Raízen está convicta de que não teve qualquer participação nas ações apontadas no processo e, portanto, prosseguirá contestando a denúncia e buscando a correta”, afirmou. (O Estado de São Paulo 31/07/2018 às 17h: 02m)

 

Brado inicia operações de açúcar em terminal de Araraquara (SP)

A Brado Logística iniciou em maio as operações de açúcar em seu Terminal de Araraquara (SP), movimentando 638 contêineres, os quais transportaram um total de 16 mil toneladas de açúcar, sendo 3.700 toneladas em maio, 7.800 t em junho e 4.500 t neste mês.

A estimativa é que o planejamento logístico da Brado resulte em um aumento de 10% na movimentação de cargas no município. A empresa informa em comunicado que a unidade de Araraquara está programada para a saída de um trem por semana capaz de tracionar de 70 a 90 contêineres, cada um com 20 pés e 25 toneladas.

A estreia da operação em maio foi diferenciada, com um trem de 180 contêineres partindo em direção ao Porto de Santos (SP). “O terminal de Araraquara foi preparado para movimentar trens mais pesados como esse, e certamente teremos bons desempenhos de produtividade nos próximos anos”, informa o gerente executivo de Cargas Dry, Douglas Goetten, da Brado Logística. Conforme a companhia, o principal destino do açúcar transportado é o continente africano. A operação utiliza os modais rodoviário, ferroviário e marítimo para a movimentação dos contêineres.

O Terminal de Araraquara utiliza um novo processo operacional para a movimentação da carga. Agora, os contêineres são movidos por pórticos, equipamentos elétricos de elevação de materiais pesados que eliminam a necessidade do consumo de combustível.

O uso de pórticos elétricos nas unidades Brado de Araraquara (SP) e Rondonópolis (MT) vem aumentando ainda mais a produtividade da movimentação de cargas. Ambos foram adquiridos neste ano, e a meta da empresa é utilizar cada vez mais energia limpa e sustentável em suas operações. Antes, os contêineres eram elevados e reorganizados com empilhadeiras Reach Stackers a diesel. Com o pórtico, a emissão de poluentes é zero e os equipamentos oferecem mais segurança aos operadores. A vida útil do produto também merece destaque: com a manutenção adequada, um pórtico pode operar perfeitamente por 30 anos.

A Brado tem estrutura própria composta por 16 locomotivas, cerca de 3 mil contêineres e 2,4 mil vagões, equipamentos, armazéns e terminais, complementadas por meio de parcerias estratégicas nos principais centros de consumo do País. (Agência Estado 31/07/2018)

 

Resina verde

A Braskem está lançando mais uma resina produzida a partir da cana-de-açúcar.

Depois do polietileno verde, a petroquímica desenvolveu uma resina EVA (copolímero etileno acetato de vinila) a partir de fonte renovável, com aplicação em setores como calçadista, automotivo e transporte.

Em parceria com a americana Allbirds, a resina será empregada na nova linha de calçados Sugarfootwear, disponível os Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Canadá.

A Braskem fez adaptações na fábrica de Triunfo, no Rio Grande do Sul (RS), para a produção da resina renovável. (Valor Econômico 01/08/2018)

 

Exportações de açúcar caem no principal polo produtor do País

Problemas de transporte, seca e tarifas impostas pela China refletiram diretamente nas vendas

As exportações de açúcar na região de Ribeirão Preto caíram 12% na comparação entre o acumulado de 12 meses. As vendas recuaram de US$ 934,5 bilhões (julho de 2016 a junho de 2017) para US$ 822,5 bilhões (julho de 2017 a junho de 2018). Os dados são do Boletim Comércio Exterior do Ceper/Fundace, com base nos indicadores da Comex.

A queda se deu principalmente em função das vendas para a China, que elevou as tarifas sobre a importação do produto brasileiro. Paralelamente, a produção de açúcar tem disparado na Índia e na Tailândia, agravando a pressão no mercado internacional.

“A produção de açúcar deve cair mais com maior o aumento da produção de etanol. E ainda temos outro fator preocupante para o setor que é a definição do novo governo brasileiro e de que forma será conduzido o teto dos preços internos da gasolina, o que pode tornar o etanol bem menos competitivo nas bombas”, avalia o pesquisador do Ceper Luciano Nakabashi, coordenador de estudos sobre comércio exterior, realizado em conjunto com as pesquisadoras Francielly Almeida e Armando Henrique.

Na contramão, a exportação de soja seguiu em alta na região, com aumento de 17,44% no período analisado. As vendas do grão brasileiro no mercado externo têm registrado valores substanciais ao longo de 2018, resultado da colheita recorde, da quebra de safra na Argentina e da expectativa de aumento das exportações para a China, diante da guerra comercial travada entre o país asiático e os Estados Unidos.

O destaque na região ficou com o amendoim não torrado, que registrou quase 60% de aumento nas vendas externas. O item papel e cartão apresentou queda de 6,77%, e as exportações de carne não apareceram entre os principais produtos nos últimos 12 meses, já que sofreram com a paralisação dos caminhoneiros e os embargos comerciais, como no caso da da União Europeia para com o frango.Os dados completos do Boletim Comércio Exterior podem ser acessados no site da Fundace:

https://www.fundace.org.br/_up_ceper_boletim/ceper_201807_00385.pdf

Sobre o Ceper

O Centro de Pesquisa em Economia Regional (Ceper) foi criado em 2012 e tem como objetivo desenvolver análises regionais sobre o desempenho econômico e administrativo regional do País. Reúne a experiência de diversos pesquisadores da FEA-RP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto) da Universidade de São Paulo em pesquisas relacionadas ao Desenvolvimento Econômico e Social em nível regional, a análise de Conjuntura Econômica, Financeira e Administrativa de municípios e Gestão de Organizações municipais, entre outros. A iniciativa de criação do Centro foi dos pesquisadores Rudinei Toneto Junior, Sérgio Sakurai, Luciano Nakabashi e André Lucirton Costa, todos da FEA-RP/USP. Os Boletins Ceper têm o apoio do Banco Ribeirão Preto, Stéfani Nogueira Incorporação e Construção, São Francisco Clínicas, Citröen Independance, Ribeirão Diesel e CM Agropecuária e Participações.

Sobre a Fundace

A Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace) é uma instituição privada, sem fins lucrativos, criada em 1995 para facilitar o processo de integração entre a FEA-RP e a comunidade. Oferece cursos de pós-graduação (MBA) e extensão em diversas áreas. Também realiza projetos de pesquisa in company, além do levantamento de indicadores econômicos e sociais nacionais e regionais. (Fundace 31/07/2018)

 

Açúcar mexicano sai para o mundo após quase cumprir cota com EUA

As exportações de açúcar do México estão se direcionando para o mercado internacional depois que as remessas enviadas para os EUA se aproximaram do limite estabelecido por um acordo bilateral, segundo o Rabobank International.

A oferta do México e as mudanças nos padrões comerciais ameaçam piorar o excedente global. Na segunda-feira, os contratos futuros do açúcar bruto em Nova York atingiram o menor patamar desde setembro de 2015. Os estoques mundiais deverão subir e atingir um nível recorde, e o crescimento da demanda diminuiu, em parte devido à preocupação maior que o açúcar gera em relação à saúde.

A expectativa é que o México chegue a exportar 1,085 milhão de toneladas aos EUA e 400.000 toneladas para outros lugares na temporada que começou em outubro, disse Pablo Sherwell, chefe de pesquisa sobre alimentos e agronegócio do Rabobank para a América do Norte em Nova York, em entrevista por telefone.

"É lógico esperar que o México exporte mais para outros países além dos EUA nesta temporada porque o acordo" limita as vendas aos EUA, disse Sherwell.

Dados do governo mexicano mostram que até 22 de julho as exportações subiram 12 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, para 990.643 toneladas, sendo que 3.337 toneladas foram para outros mercados além dos EUA.

A colheita que terminou recentemente, de 6,009 milhões de toneladas, superou a projeção de 5,9 milhões de toneladas do início da temporada, disse Sherwell. Na próxima temporada, a produção chegará perto de 6 milhões, disse.

As exportações mexicanas e centro-americanas estão "começando a competir mais agressivamente" contra o Brasil, maior produtor e exportador do mundo, principalmente fora da China, para evitar as tarifas de importação do país, disse James Liddiard, sócio da Agrilion Commodity Advisers em Nova York, em nota. Ele citou uma venda não confirmada de açúcar mexicano para o Canadá.

Os rivais viram o México como uma fonte "indesejável" de 4.064 toneladas em entregas para cobrir o término dos contratos futuros de julho em meio ao excedente, disse Michael McDougall, vice-presidente sênior da ED&F Man Capital Markets em Nova York, por e-mail. A valorização do peso e os preços internacionais fracos do açúcar podem impedir vendas mais agressivas, disse. (Bloomberg 31/07/2018)