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Brasil deve se manter como 2º maior mercado para a Basf

Empresa concluiu a aquisição de ativos da Bayer, agregando um portfólio de 300 milhões de euros para a América do Sul.

No mercado brasileiro, a Basf passa a ter uma ampla liderança na área de sementes de algodão.

O Brasil deve se manter pelo menos como o segundo maior mercado local para a Basf, com a integração dos ativos da Bayer, cuja negociação foi concluída na quarta-feira (1/8). Historicamente, o Brasil disputa a liderança nos resultados da multinacional com os Estados Unidos.

“Deve ser mais o segundo do que o primeiro, em função do aporte que esse negócio tem para lá (Estados Unidos). Mas continuamos o segundo mais relevante e isso é importante na tomada de decisões. É importante a voz do Brasil na área de sementes. Já era nos defensivos”, afirmou o vice-presidente da Divisão de Soluções para a Agricultura na América Latina, Eduardo Leduc, em entrevista coletiva, em São Paulo (SP).

A aquisição dos ativos da Bayer foi negociada em função das exigências de autoridades de defesa da concorrência para a compra da Monsanto por parte da concorrente. O negócio foi estimado em 7,6 bilhões de euros. Inclui todo o catálogo com sistemas produtivos ligados ao princípio ativo glufosinato de amônia.

Os acordos incluem também as operações na área de hortaliças, plataforma de pesquisa de trigo híbrido, tratamento de sementes e herbicidas à base de glifosato. Conforme o comunicado, passa de uma empresa para a outra um contingente de 4,5 mil funcionários.

Nas estimativas da Basf, a aquisição agrega mais de 2 bilhões de euros em vendas, ampliando o potencial para 8 bilhões de euros anuais na divisão agrícola. Envolve também 900 milhões de euros em investimentos (mais de 40% do que a empresa investiu em 2017, que foi de 1,9 bilhão de euros).

A nova estrutura integrará ainda 217 locais de pesquisa entre laboratórios, campos experimentais e unidades de melhoramento de sementes. Só na América Latina, são 25; 15 deles no Brasil.

Para a América do Norte, o portfólio agregado da Bayer que, desde a quarta-feira, já pode ser comercializado pela Basf, representará um aporte de 1,4 bilhão de euros. Na América do Sul, que tem no Brasil o principal mercado, será o equivalente a 300 milhões de euros.

“Essa aquisição tem muito foco nas Américas e no Brasil. Para o Brasil, muda muita coisa. Não é simplesmente colocar produtos no portfólio. Muita gente vem para a área de pesquisa e desenvolvimento, com novas frentes de trabalho. É um fortalecimento muito grande”, explicou Leduc.

No mercado brasileiro, a Basf passa a ter uma ampla liderança na área de sementes de algodão. Segundo Leduc, a posição da empresa nesse segmento vem de investimentos em pesquisa, que serão mantidos. A estratégia para manter a liderança é ter “um material novo a cada ano”.

Na soja, a participação da empresa é menos significativa, uma fase que Leduc classificou como de “introdução de variedades”. Com uma participação de mercado bem menor, a estratégia é a de acelerar o crescimento, não apenas no Brasil, mas também em mercados como a Argentina, um grande produtor global da oleaginosa.

“Entramos definitivamente no mercado de sementes. Passamos a ser proprietários de marcas muito bem definidas e estabelecidas e a ser mais uma opção de mercado para a oferta de sementes e traits (tecnologias inseridas nas sementes),”, disse Leduc.

Complementaridade

Em teleconferência, também nesta quinta-feira (2/8), o chefe global da área agrícola da Basf, Markus Heldt, explicou que a integração das estruturas adquiridas da Bayer deve terminar até janeiro de 2019. O momento atual é o que a empresa chama de “fase de descoberta”, com o acesso total às informações do que antes pertencia à concorrente.

Segundo ele, a Basf se torna quarta maior do mundo no segmento que passa a chamar de “soluções para a agricultura”, que envolve o portfólio desde tratamentos de sementes até agroquímicos. “A aquisição traz complementaridades estratégicas e inclui as marcas”, explicou Heldt. A expectativa é adicionar novas operações em cerca de 60 países.

Ele informou ainda que serão mantidas as principais marcas utilizadas pela Bayer. Isso inclui a Liberty Link, para as tecnologias de soja e algodão associadas ao princípio ativo glufosinato de amônia, e Nuhems, com sede na Holanda, que atua no segmento de hortaliças. “Não há intenção de mudar, mas em expandi-las em escala global. São reconhecidas como grandes marcas”, disse Heldt.

Na conversa com os jornalistas, Eduardo Leduc não detalhou quando novos produtos devem chegar ao mercado. Disse apenas que o momento atual é de “entender melhor” o que está sendo agregado e em que combina mais com o que já estava nos planos. O executivo pontou, no entanto, que existem materiais para lançamento já para este ano e para o ano que vem.

“Temos que avaliar e buscar as sinergias. Algumas coisas a gente consegue disponibilizar no curto prazo. Mas até a quarta-feira (1/8), não tínhamos acesso aos detalhes, nem dados específicos sobre produtos, clientes e mercados. Agora somos proprietários da tecnologia”, disse. (Revista Globo Rural 02/08/2018)

 

Norte e Nordeste elevam aposta no etanol

Neste mês, as usinas das regiões Nordeste e Norte do país iniciam a safra de cana-de-açúcar 2018/19 apostando na produção de etanol como nunca antes em sua história. Refletindo o maior dinamismo dos mercados local e nacional do biocombustível, o etanol deve avançar sobre o reinado do açúcar nessas duas regiões, na avaliação de consultorias e produtores.

Em projeções antecipadas ao Valor, a consultoria INTL FCStone estima que a produção de etanol hidratado (utilizado diretamente nos veículos) nas duas regiões juntas crescerá quase 25% e atingirá 1,05 bilhão de litros. Somando à produção de etanol anidro (que é misturado à gasolina), a produção total do biocombustível deverá ser quase 11% maior do que na safra passada, alcançando 1,98 bilhão de litros, nas contas da consultoria.

Além de um leve aumento na moagem da cana, o crescimento deve ser fruto, sobretudo, do maior direcionamento da matéria-prima para a produção de etanol. Na avaliação da FCStone, apenas 43,5% da cana moída será destinada à fabricação de açúcar - o menor "mix" açucareiro da série histórica da consultoria, iniciada na safra 1999/00.

A consultoria JOB Economia, que em abril já previra aumento da produção de etanol (hidratado e anidro) no Norte e no Nordeste, elevou semana passada sua projeção de 1,87 bilhão de litros para 2 bilhões de litros. Na safra anterior, a JOB estima que as duas regiões produziram 1,8 bilhão de litros.

A razão para as usinas preferirem o etanol em detrimento do açúcar é a melhor remuneração do biocombustível, cujos preços têm subido nos últimos meses para os motoristas do Norte e Nordeste sem perder competitividade em relação à gasolina.

Na terceira semana de julho, por exemplo, o preço da gasolina C vendida nos postos das duas regiões subiu 26,4% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto o do etanol teve alta de 16,3% na mesma base de comparação. "Ou seja, a próxima safra deve começar com preços mais altos e demanda acelerada pelo biocombustível produzido na região", aponta João Paulo Botelho, analista da FCStone, em relatório.

Segundo a JOB Economia, a produção de Norte e Nordeste deverá abastecer 43% da demanda das duas regiões, estimada pela consultoria em 4,66 bilhões de litros para o ciclo atual. A região Centro-Sul, que também está tendo uma safra mais alcooleira, deverá enviar um pouco mais de etanol às duas regiões. A JOB Economia prevê uma transferência de 1,1 bilhão de litros do Centro-Sul ao Norte e Nordeste neste ciclo, 100 milhões a mais do que na safra anterior.

Com isso, a importação de etanol pelas regiões deve diminuir. Se na safra passada Norte e Nordeste importaram 1,46 bilhão de litros do produto, na atual o volume deverá cair para 1,2 bilhão de litros, estima a JOB Economia.

O bom momento do mercado de etanol contrasta com o enfraquecimento do mercado de açúcar. Enquanto o indicador mensal de preços Cepea/Esalq para o hidratado em Pernambuco em junho (último dado disponível) estava em R$ 1,9982 por litro, alta de 23% sobre igual mês de 2017, o indicador mensal para o açúcar cristal no mesmo Estado estava 11% abaixo do visto um ano antes, a R$ 68,53 a saca de 50 quilos.

"Diante da deficiência dos preços do açúcar, a única esperança é o mercado de etanol hidratado, que tem apresentado fluxo de vendas mais contínuo em função do preço da gasolina", afirma Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE, que prevê produção de hidratado praticamente igual ao estimado pela FCStone.

Alagoas em particular ganhou um incentivo adicional para produzir etanol. No último dia 27, o governador Renan Filho publicou decreto em que isenta de ICMS a saída de cana para as usinas e permite que as empresas utilizem crédito presumido (da aquisição de insumos) de 12% na venda de etanol hidratado, mesmo regime vigente em Pernambuco.

A produção de etanol de Norte e Nordeste também será beneficiada pelo maior volume de cana a ser moído nas duas regiões. A FCStone estima incremento de 2,8% na moagem, para 46,5 milhões de toneladas. Nas contas da JOB Economia, o processamento será quase igual à safra anterior, projetada em 47 milhões de toneladas. Para o Sindaçúcar/PE, que estima que a moagem da última safra tenha ficado em 44,9 milhões de toneladas, as usinas elevarão o volume de cana moída em 4,7%, para 47 milhões de toneladas.

O aumento da quantidade de matéria-prima reflete o avanço da área de plantio nos principais Estados nordestinos para a safra 2018/19. Esse incremento de área foi resultado, em grande parte, da morte de soqueiras (restos de cana que rebrotam a cada safra) pela seca em 2016 e no início de 2017, afirma Botelho, da FCStone. "A morte das soqueiras obrigou muitas usinas e fornecedores a replantarem parte de seus canaviais em 2017", acrescentou.

Além disso, as chuvas ficaram acima da média no Nordeste até abril, o que favoreceu o crescimento das plantas. Contudo, o tempo voltou a ficar seco a partir de junho. Para a FCStone, há riscos para a produtividade se as chuvas em agosto ficarem abaixo do normal. Já Cunha, do Sindaçúcar/PE, não vê ameaças para o ciclo atual, mas para a próxima temporada. (Valor Econômico 06/08/2018)

 

MS: Mesmo com 25% da capacidade, usina paga R$ 150 milhões em um ano

Administradora judicial fez balanço do período à frente da indústria que pertencia à família Bumlai e anuncia novas ações para tentar vender São Fernando, localizada em Dourados.

A Usina São Fernando, que pertencia à família do pecuarista José Carlos Bumlai e teve a falência decretada pela Justiça estadual em junho do ano passado, completa, na próxima quarta-feira (8), 14 meses sendo gerenciada pela administradora judicial VCP (Vinícius Coutinho Consultoria e Perícia).

Mesmo operando  só com 25% da capacidade, tem potencial para moer quatro milhões de toneladas de cana por ano, mas está moendo apenas 1 milhão/ano - a São Fernando pagou R$ 150 milhões em salários, parcerias com donos de lavouras, tributos e fornecedores em um ano de administração judicial.

A maior parte desse dinheiro, cerca de R$ 100 milhões, foi injetada na economia de Dourados, cidade a 233 km de Campo Grande, onde fica a indústria.

Quando a São Fernando teve a falência decretada, a indústria tinha apenas 1.200 reais em conta, fornecedores estavam sem receber e a indústria tinha perdido os benefícios fiscais em razão dos tributos em atraso.

Atualmente, segundo os administradores judiciais, a situação é outra. “As contas estão sanadas, o dinheiro do salário dos funcionários e da parceria agrícola é provisionado com uma semana de antecedência, a indústria tem créditos a receber de energia elétrica já comercializada de pelo menos R$ 7 milhões e tem seis milhões de litros de álcool em estoque”, afirma a VCP.

Em um ano da nova administração foram produzidos 6.874 m³ de álcool anidro e 68.599 m³ de álcool hidratado. Cada metro cúbico equivale a 1.000 litros.

Conforme a administração judicial, a usina mantém uma média de 1.000 empregos diretos, com salários em dia, inclusive férias, 13º, plano de saúde e transporte. Em um ano foram pagos R$ 26,6 milhões aos funcionários.

Energia

A produção e comercialização de energia, responsável por 20% do faturamento da empresa, também foi recuperada. Quando a falência foi decretada, a indústria não podia mais cogerar energia elétrica.

Após negociação com a CCEE (Câmara de Comercialização e Energia Elétrica) e a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), a usina voltou a gerar energia elétrica e produziu 127.576,20 Mwh em um ano, produção suficiente para sustentar uma cidade de 60.000 habitantes.

Com débitos altíssimos e falta de pagamento, a indústria perdeu todos os benefícios fiscais, o que inviabilizou a concorrência de seus produtos no mercado. Os débitos foram negociados e os benefícios fiscais restaurados.

“Com a administração judicial, todos os tributos, sejam estaduais, federais ou municipais, estão sendo quitados impreterivelmente em dia. Em um ano foram pagos R$ 21.097.421,59 em tributos”, afirma a VCP.

A São Fernando estava há quatro anos sem fazer manutenção significativa no parque industrial. Na entressafra deste ano, foi feito minucioso trabalho de manutenção dos equipamentos, com investimento de R$ 5 milhões. Quase 50 máquinas que estavam sem condições de uso voltaram a operar.

Venda

Quatro meses após a falência, o processo de venda do ativo já estava disponível, mas não houve comprador. Para a VCP, o difícil momento econômico e político do Brasil contribuiu para a ausência de interessados.

Agora, em nova ação para atrair investidores, a administradora judicial pediu ao juiz do processo de falência autorização para contratar o consórcio formado pelas empresas Datagro, SBA e Agriplanning, especialista em negociar ativos como o da São Fernando.

“Existem vários interessados em comprar a São Fernando. São grupos nacionais e internacionais, mas as tratativas são longas. O ativo é considerado muito bom, a planta industrial é elogiada por todos. A administração judicial está segura que conseguirá manter a empresa funcionando até a concretização da venda”, afirmou a VCP. (Campo Grande News 03/08/2018)

 

Governo australiano concede prêmio para projeto de blockchain de açúcar sustentável

O governo australiano concedeu A$ 2,25 milhões (US$ 1,7 milhão) para o Projeto Açúcar Sustentável, informou a Foodnavigator-Asia em 30 de julho.

O Projeto Açúcar Sustentável, liderado pela Organização dos Produtores de Cana-de-açúcar de Queensland, utilizará a tecnologia blockchain para rastrear a origem dos suprimentos de açúcar para a Austrália. A iniciativa conhecida como Melhor Prática de Gestão do Canavial Inteligente (BMP) é parte de um esforço da indústria açucareira para melhor sustentabilidade e rastreabilidade.

A tecnologia Blockchain permitirá que os compradores vejam claramente de onde vem a cana-de-açúcar e comprovem a proveniência e a sustentabilidade da fazenda. Os produtores falaram à Foodnavigator-Ásia: "O principal atributo da blockchain é que é um banco de dados seguro no qual todas as transações são registradas e visíveis. O açúcar de qualidade produzido a partir da cana cultivada de forma sustentável pode ser rastreado pela cadeia, dando aos consumidores a confiança no que estão comprando".

Para a iniciativa, especialistas do setor e produtores de cana-de-açúcar colaboraram com as melhores práticas e padrões do setor com base na produtividade, sustentabilidade e lucratividade.

O Ministério da Agricultura e Recursos Hídricos afirmou que grandes compradores de açúcar poderiam pagar mais no futuro por açúcar sustentável, uma vez que os clientes exigem cada vez mais produtos de origem sustentável.

“Essa tecnologia proporcionaria garantias em torno da sustentabilidade de nosso açúcar e garantiria que os produtores de cana que usam práticas sustentáveis possam atrair um prêmio por seu produto”, disse o ministro da Agricultura, David Littleproud.

A tecnologia blockchain tem se mostrado benéfica para aplicações de logística e cadeia de suprimentos e é considerada uma maneira mais barata e eficiente de rastrear cadeias de fornecimento complexas globalmente.

Inclusive, o Commonwealth Bank of Australia anunciou que concluiu um comércio bem-sucedido de 17 toneladas de amêndoas para a Europa usando a tecnologia blockchain. A plataforma, que fazia parte de um esforço colaborativo de cinco “líderes da cadeia de suprimentos”, é sustentada pela tecnologia de contabilidade distribuída (DLT), Internet of Things (IoT) e contratos inteligentes. (Cointelegraph 06/08/2018)

 

Açúcar: Cobertura de posições

A cobertura de posições vendidas dos fundos deu fôlego aos contratos futuros do açúcar demerara na bolsa de Nova York na última sexta-feira.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 11,66 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 27 pontos.

Segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês), os fundos elevaram em 48,8% o saldo líquido vendido para o açúcar durante a semana móvel encerrada no dia 31, para 118.959 contratos.

O mercado segue acompanhando as perspectivas de superávit na oferta mundial após duas safras recorde consecutivas na Índia e na Tailândia.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado em São Paulo ficou em R$ 50,77 a saca de 50 quilos na sexta-feira, alta de 0,44%. (Valor Econômico 06/08/2018)

 

Fortalecimento do real dá suporte e futuros de açúcar sobem na ICE

O fortalecimento do real ante o dólar impulsionou os contratos futuros do açúcar bruto na ICE nesta sexta-feira, um dia após atingirem mínimas de três anos.

O contrato outubro do açúcar bruto fechou com alta de 0,27 centavo de dólar, ou 2,6 por cento, a 10,85 centavos de dólar por libra-peso, estendendo um rali após a mínima de quinta-feira, de 10,37 centavos de dólar.

A recuperação de dois dias ajudou o primeiro contrato a reduzir as perdas do início da semana, deixando-o praticamente estável ante o fechamento de sexta-feira passada.

"Hoje o real está muito forte e isso está ajudando os preços", disse um operador norte-americano.

A moeda brasileira mais forte reduz o incentivo aos produtores para venderem commodities negociadas em dólar, como o açúcar e o café, já que as deixa mais baratas em reais.

As usinas no Brasil irão continuar a priorizar a produção de etanol, ante a de açúcar, na próxima temporada, disseram processadores e consultores.

O açúcar branco para outubro avançou 6 dólares, ou 1,89 por cento, a 324,30 dólares por tonelada. (Reuters 06/08/2018)

 

Etanol hidratado recua 2,15% e anidro cai 3,7% nas usinas

Os preços do etanol recuaram nas usinas paulistas pela oitava semana consecutiva. O hidratado caiu 2,15% nesta semana, de R$ 1,4312, para R$ 1,4004 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor do anidro recuou 3,7% na semana, de R$ 1,6526 o litro para R$ 1,5915 o litro, em média, segundo o Cepea/Esalq.

Desde a semana encerrada em 8 de junho, quando o hidratado foi cotado em R$ 1,6966 o litro e o anidro em R$ 1,8550 o litro, os recuos acumulados são de 17,46% e 14,2%, respectivamente.

As baixas são fruto do aumento na oferta do biocombustível por parte das usinas durante a safra 2018/2019. Com o preço do açúcar deprimido internacionalmente, as companhias priorizaram ao máximo a produção do etanol no período. (Agência Estado 06/08/2018)

 

Pesquisadores e agricultores se unem para desenvolver fertilizantes naturais

Para não depender de fertilizantes sintéticos, ter custos menores de produção e reduzir impactos ambientais, pesquisadores e produtores se uniram na busca por adubos orgânicos. Experiências executadas em propriedades em Goiás, e na área experimental em Agroecologia da Embrapa Arroz e Feijão (GO), encontraram na utilização de resíduos da lavoura e pecuária a solução ideal para nutrir as plantas e, ao mesmo tempo, recuperar e conservar os solos. O material orgânico foi avaliado em culturas de arroz, feijão e milho, que mantiveram bons índices de produtividade, além de manter ou melhorar a qualidade do solo.

Essa união faz parte de uma metodologia participativa que envolve instituições de pesquisa, de extensão e produtores rurais no manejo agroecológico do solo, feito com a utilização de materiais facilmente encontrados em muitas propriedades, como esterco bovino, capim e folhas de bananeiras. Eles se transformam em excelentes fertilizantes, e podem ser enriquecidos com materiais minerais não sintéticos, e que são permitidos pela legislação brasileira para a agricultura orgânica, como os fosfatos naturais e pós de rocha.

As ações fazem parte do projeto Compostar, coordenado pela pesquisadora Flávia Alcântara, da Embrapa Arroz e Feijão, trabalho que busca a produção de fertilizantes alternativos de baixo custo capazes de reduzir ou eliminar a dependência do mercado externo. “São fertilizantes que podem ser produzidos pela integração dos componentes animal e vegetal nas propriedades, aproveitando-se resíduos da criação de animais,” esclarece a pesquisadora, ressaltando que, além de nutrir as plantas, os fertilizantes orgânicos repõem os nutrientes que são exportados com a colheita, incorporados aos produtos agrícolas.

De acordo com Alcântara, o trabalho se desenvolveu a partir de práticas em campo de aproveitamento de resíduos disponíveis e da validação de processos de produção de fertilizantes orgânicos e organominerais, como resultados dessas práticas. Um dos objetivos era utilizar os resíduos da propriedade, provenientes da criação de animais, ou resíduos vegetais. “Tudo isso proporciona maior sustentabilidade às atividades, uma vez que traz benefícios não só técnicos, mas também ambientais e socioeconômicos”, enfatiza a cientista.

A pesquisadora explica que o conceito de agroecologia preconiza que o manejo do solo deve se beneficiar da junção da adubação verde com fertilizantes orgânicos. Adubação verde são plantas utilizadas para melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo e que, além de deixarem nutrientes disponíveis para o produto orgânico que será cultivado, protegem também o solo da erosão e podem atrair inimigos naturais de pragas, entre outros benefícios.

Consorciada ou não com os cultivos, a adubação verde adiciona matéria orgânica rica em nutrientes, mas que também tem efeito importante como condicionador de solo. Já os fertilizantes orgânicos, como os compostos, podem não ter um efeito tão expressivo no condicionamento do solo, mas adicionam matéria orgânica já parcialmente decomposta, que atuará como fonte imediata de nutrientes. “Por isso, é a associação de ambos que garante a qualidade do solo no longo prazo”, afirma a especialista.

Solo mais fértil com boa produtividade

Paralelamente à pesquisa participativa nas propriedades rurais, experimentos foram instalados na Fazendinha Agroecológica da Embrapa Arroz e Feijão, espaço que funciona, ao mesmo tempo, como área experimental e polo de irradiação de conhecimento, gerando e multiplicando informações.

Nesses experimentos, foram testadas diferentes formulações de compostos orgânicos e biofertilizantes, produzidos com os mesmos materiais e pelos mesmos processos usados nas propriedades. Os fertilizantes foram avaliados para arroz, feijão e milho em um sistema de adubação verde em pré-cultivo e rotação posterior das culturas.

Os resultados demonstraram que, além de boas produtividades dos grãos, há efeitos benéficos sobre a fertilidade do solo. A intenção da equipe do projeto é divulgar amplamente os resultados, como forma de estimular a utilização de matérias-primas locais para produção de fertilizantes e, dessa forma, fortalecer o manejo agroecológico do solo em sistemas de produção agropecuária familiar de Goiás.

Os parceiros no campo

O agricultor familiar Elísio Pinheiro é proprietário do Sítio Esperança, localizado no povoado Taquaral, município de Orizona (GO). Ele produz principalmente banana-maçã, além de feijão, abóbora e melancia. “As bananas são vendidas em feiras da região e também abastecem as escolas do município, no Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)”, conta.

Em Orizona, há quatro famílias cadastradas para o abastecimento da merenda escolar. Elas atendem 20 escolas do município, sendo quatro estaduais e 16 municipais. Pinheiro é integrante do Grupo G-Vida, que reúne famílias que querem produzir de forma agroecológica. O grupo é formado hoje por 20 famílias.

Durante a prática com a equipe do projeto Compostar, Pinheiro passou a valorizar materiais que antes não tinham grande importância como, por exemplo, serapilheira da mata (folhas, galhos e frutos que caem das árvores e formam uma camada sobre o chão). “Com o projeto, pude também perceber a diferença entre o composto que é feito agora, e o que eu fazia antes”, compara ele, ressaltando a boa qualidade do novo material.

Para avaliar o solo usando um método fácil e rápido, a equipe do projeto promoveu três oficinas de avaliação participativa de qualidade do solo, para que as diferenças em cada avalição pudessem ser observadas ao longo do tempo. As avaliações mostraram que a fertilidade do solo melhorou após o manejo desenvolvido pelo projeto.

A pesquisa foi executada com os produtores de Buritizinho e também de Teresópolis de Goiás, onde a equipe técnica da Embrapa trabalhou auxiliando no diagnóstico de materiais para a produção de composto orgânico, verificando sua aderência à legislação brasileira para agricultura orgânica, bem como na proposição de modificações no processo de compostagem.

Para o engenheiro agrônomo Oriçanga de Bastos Junior, da Empresa de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater-GO) de Teresópolis de Goiás, “o projeto Compostar contribuiu, principalmente, para diminuir custos, ao propor a utilização de materiais disponíveis na propriedade ou na região, o que se reflete no aumentando da renda”. Além disso, ele ressalta a importância de os agricultores contarem com insumos de qualidade para fortalecer os sistemas agroecológicos e, assim, contribuir para a conservação dos recursos naturais.

Segundo Bastos, a adequação de matérias-primas às normas da legislação é um ponto fundamental para o agricultor, pois é preciso saber, por exemplo, se os materiais utilizados estão realmente livres de contaminantes, principalmente quando o agricultor usa materiais de fora da sua propriedade.

A força da parceria

As ações do projeto Compostar são desenvolvidas por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Embrapa Arroz e Feijão, em parceria com outras Unidades da Embrapa no Centro-Oeste (Núcleo Regional da Embrapa Gado de Leite e Embrapa Cerrados), com a Emater Goiás e com o Instituto Federal Goiano - Campus Urutaí, além dos agricultores agroecológicos do Grupo G-Vida de Orizona (GO) e dos produtores de leite da Cooperativa de Agricultores Familiares de Buritizinho e Região (Coomafab).

A importância da matéria orgânica

Entre os princípios agroecológicos, destacam-se a reciclagem da matéria orgânica e sua valorização como componente-chave da manutenção da qualidade do solo.

A matéria orgânica é a parte do solo formada por constituintes orgânicos, ou seja, vegetais ou animais, que vão sendo depositados, se decompondo e, ao mesmo tempo, se acumulando ao longo do tempo.

Alguns efeitos da matéria orgânica no solo

A matéria orgânica apresenta efeitos positivos tantos nos atributos químicos do solo, quanto nos físicos e biológicos:

* fornece macro e micronutrientes para as culturas, quando decomposta e mineralizada;

* aumenta a capacidade de troca de cátions (CTC) do solo, muito importante para a disponibilização de nutrientes para as plantas;

* aumenta a superfície específica do solo, que aumenta sua capacidade de retenção de nutrientes;

* atua na complexação de substâncias tóxicas;

* melhora a estrutura do solo, pois contribui para a agregação de suas partículas;

* colabora para a redução da densidade do solo, tornando-o mais "leve" e solto;

* colabora para a melhoria da porosidade do solo, favorecendo a circulação de ar e água;

* aumenta a capacidade de retenção e infiltração de água do solo;

* é fonte de alimento para os microrganismos decompositores, que a utilizam como substrato;

* para cada tonelada de matéria orgânica acumulada no solo, cerca de 4 toneladas de CO2 são retidados da atmosfera; e

* favorece o equilíbrio de populações de minhocas, besouros, fungos, bactérias e outros organismos benéficos para a manutenção da vida no solo;

Em vista desses benefícios, para que se mantenha o solo fértil e saudável ao longo do tempo é necessário adicionar ou repor matéria orgânica. O ideal é que isso seja feito por meio da junção de práticas como a adubação verde e a cobertura morta com a aplicação de fertilizantes orgânicos.

Gastos com fertilizantes

O Brasil gasta mais de 30 milhões de toneladas anuais de fertilizantes sintéticos para adubar suas lavouras. Trata-se de um insumo dependente do mercado externo. Segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), foram entregues ao mercado 34.438.840 toneladas em 2017. Dessas, 26.305.488 toneladas foram importadas. (Embrapa 03/08/2018)

 

Exportação de etanol dos EUA para o Brasil aumenta 28% no primeiro semestre

O Brasil foi o principal importador de etanol dos Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, disse nesta sexta-feira, 3, a Associação de Combustíveis Renováveis (RFA, na sigla em inglês) dos EUA, citando dados do governo norte-americano.

Entre janeiro e junho, o Brasil recebeu 1,31 bilhão de litros do biocombustível dos EUA, um aumento de 28% ante igual período do ano passado. O volume representa cerca de 37% do total exportado pelos EUA.

No primeiro semestre, os embarques dos EUA ao exterior somaram 3,5 bilhões de litros, 33% mais na comparação anual. Segundo a RFA, o dado sugere que as exportações de etanol em 2018 podem superar o recorde do ano passado, de 5,22 bilhões de litros.

O Canadá foi o segundo principal destino do etanol norte-americano entre janeiro e junho, recebendo 603,7 milhões de litros, 8% mais do que em igual período de 2017.

Outros grandes importadores no primeiro semestre foram Índia (265,3 milhões de litros), China (200,2 milhões de litros), Coreia do Sul (168,4 milhões de litros) e Filipinas (165,4 milhões de litros).

A RFA observou que os embarques para a China ocorreram nos três primeiros meses do ano, e que as exportações para o país asiático caíram para zero no segundo trimestre por causa de tarifas mais altas. (Agência Estado 06/08/2018)