Setor sucroenergético

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Analistas indicam lucro de R$ 203 milhões no 2º trimestre para Cosan

Apesar dos efeitos negativos da paralisação dos caminhoneiros nos negócios de distribuição de combustíveis (Raízen Combustíveis) e de açúcar e etanol (Raízen Energia), a Cosan S.A. deve reverter o prejuízo de R$ 76 milhões apurado no segundo trimestre do ano passado e divulgar lucro no mesmo intervalo de 2018, conforme as expectativas de quatro casas de análise, compiladas pelo Valor.

Para a última linha do balanço da companhia, que será divulgado na quarta-feira após o fechamento do mercado, Morgan Stanley, BTG Pactual, Credit Suisse e Goldman Sachs projetam em média ganho líquido de R$ 203,4 milhões. As estimativas para o resultado, porém, variaram bastante e ficaram no intervalo de R$ 52 milhões a R$ 417 milhões.

Para a receita líquida da companhia, a expectativa média, que considera apenas as projeções de Morgan Stanley e BTG Pactual, é de R$ 12,11 bilhões, com alta de 4% na comparação anual, na esteira de preços mais altos dos combustíveis, parcialmente compensados por volumes de venda reduzidos por causa da greve e preços mais baixos do açúcar.

Diante dos efeitos negativos da greve, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado deve mostrar queda de 10,6%, para R$ 1,01 bilhão conforme a média das estimativas das quatro instituições. O Goldman Sachs projeta impacto negativo de R$ 113,9 milhões proveniente da redução dos preços do diesel nos estoques da Raízen.

Em relatório, o Credit Suisse apontou que a perda líquida da companhia com estoques estava estimada em R$ 70 milhões, já considerado um ganho de R$ 30 milhões no segmento de combustíveis de aviação. Especificamente para Raízen Combustíveis o banco projeta Ebitda de R$ 546 milhões, com queda de 2% na comparação anual, e margem Ebitda estável em R$ 89 por metro cúbico, com desempenho acima daquele reportado pela concorrente Ipiranga.

Para a Raízen Energia, o Credit Suisse estima volumes menores, afetados pela greve dos caminhoneiros, especialmente no segmento de açúcar, diante do fechamento de terminais portuários. “Contudo, acreditamos que esse volume pode ser recuperado nos trimestres seguintes, de forma que isso não impacta as estimativas para o ano”, observou o analista Regis Cardoso. (Valor Econômico 07/08/2018 às 11h: 30m)

 

Açúcar: Pressão especulativa

A atuação dos fundos continua pressionando as cotações do açúcar na bolsa de Nova York.

Os contratos da commodity com vencimento em março fecharam a 11,78 centavos de dólar a libra-peso, avanço marginal de 1 ponto.

Segundo analistas, o açúcar tem tentado se recuperar diante das previsões negativas de produção no Brasil.

Contudo, os operadores comerciais têm fixado preços a cada valorização do mercado, impedindo a alta das cotações.

A FCStone estima que apenas 44,5% do açúcar brasileiro tenha sido fixado para entrega em outubro ante 75% no ano retrasado, quando o mercado estava em alta.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado na capital paulista fechou a R$ 50,54 a saca de 50 quilos ontem, com queda de 1,96%. (Valor Econômico 08/08/2018)

 

Preço médio mensal do açúcar refinado em julho é o menor em quase uma década, diz ISO

Os preços do açúcar no mercado internacional voltaram a cair em julho, de acordo com levantamento apresentado pela Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês).

Conforme relatório mensal divulgado nesta terça-feira, 7, pela entidade, a cotação do açúcar refinado spot (Índice de Preços ISO) caiu de US$ 335,60 por tonelada em 2 de julho para US$ 316,86 por tonelada no fim do mês.

Com isso, a média mensal calculada pela instituição foi de US$ 326,91 por tonelada. "Este é o menor preço mensal por quase uma década, desde dezembro de 2008", comparou OIA.

A organização também registrou que o açúcar bruto à vista (preço diário ISA) começou o mês passado cotado a 12,11 centavos de dólar por libra-peso, mas chegou a 11,24 centavos de dólar por libra-peso em 31 de julho. Dessa forma, a média mensal caiu para 11,72 centavos de dólar por libra-peso, a menor marca desde agosto de 2015.

"Após dois meses, a tendência de baixa dos preços reapareceu em julho", constatou a instituição, que tem sede em Londres, por meio do relatório. "O período de consolidação de preços verificado pelo mercado em maio e junho mostrou-se de curta duração", continuou.

Segundo o documento, a tendência de baixa dos valores do mercado mundial reapareceu devido a fundamentos globais, que contam com superávit da produção da commodity.

A ISO informou que planeja publicar sua primeira previsão completa para o balanço mundial do açúcar em 2018/19 (de outubro de um ano a setembro de outra) na última semana de agosto. (Agência Estado 08/08/2018)

 

Prêmio nominal do açúcar refinado sobe, mas continua abaixo da média de longo prazo

O prêmio nominal do açúcar refinado mostrou mudanças "marginais" de junho para julho, de acordo com relatório mensal da Organização Internacional do Açúcar (ISO, na sigla em inglês) divulgado nesta terça-feira, 7, pela instituição.

O diferencial entre o índice de preços do açúcar branco ISO e o preço diário ISA subiu de US$ 68,23 por tonelada em junho para US$ 70,64 em julho. "Ainda permanece consideravelmente inferior à média de longo prazo (de três anos), de US$ 84,05 por tonelada", comparou a entidade, que tem sede em Londres.

A OIA salientou que pela ótica técnica de mercado, no fim de julho, os fundos de hedge ampliaram sua posição líquida vendida em Nova York para 140.930 lotes. Um mês antes, estava em 30 mil lotes, segundo a Organização.

A instituição comentou, ainda, em seu relatório, que o clima seco começa a ter efeitos sobre a produtividade agrícola da região Centro-Sul do Brasil, levando a moagem de cana a 267,4 milhões de toneladas até 16 de julho, um aumento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. (Agência Estado 08/08/2018)

 

Fora dos trilhos

Com a greve os caminhoneiros conseguiram fazer algo que os ferroviários não conseguem fazer há mais de cinquenta anos: alertar a sociedade de que o Brasil precisa de mais ferrovias.

O governo, assustado e precipitado, por meio do seu Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), aprovou em 02 de julho de 2018 mais dois projetos ferroviários no plano de concessões: a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e o Ferroanel de São Paulo.

Parte dessas ferrovias seriam executadas em troca das renovações antecipadas dos contratos de concessão existentes. Assim o governo federal tenta avançar no seu programa das renovações, sem fazer uma discussão mais ampla do modelo de cada concessão e dos seus serviços e dos reais valores que esta renovação traz para a sociedade como um todo.

Assim que foi lançada a ideia, os governadores do Pará e do Espírito Santo se juntaram contra o governo federal, contestando as escolhas e exigindo que sejam priorizadas as ferrovias de seus Estados. Já os produtores do Mato Grosso se lançaram em defesa da ferrovia em seu Estado. A princípio todos têm razão e todos podem ser atendidos, como veremos abaixo.

Regularmente os telejornais em rede nacional noticiam o abandono dos ativos ferroviários públicos e que foram concedidos nos anos 1990. Tal abandono, dá-se pelo modelo que o então governo federal adotou na época, e que resultou numa redução significativa da participação ferroviária na matriz de transporte de cargas e na extinção do transporte ferroviário de passageiros de longo percurso. Não se pode tratar da mesma forma e com o mesmo modelo, ferrovias tão diferentes como, por exemplo, a Estrada de Ferro de Carajás, que fundamentalmente transporta minério de ferro da mina ao porto, com a malha paulista, que deveria movimentar carga geral e passageiros.

Além da discussão de novos modelos para cada concessão ou segmento ferroviário, os valores corretos de outorga das concessões, se bem aplicados, podem fazer com que o país retome de vez o transporte ferroviário tanto de cargas como de passageiros.

Os preços de outorga no Brasil não correspondem nem de longe ao valor real que cada ferrovia tem de fato. Para tanto, vamos focar em dois exemplos de concessões do modelo que o governo insiste em renovar sem discussão: um da Estrada de Ferro Carajás, da Vale, e a Malha Paulista da Rumo, do Grupo Cosan.

A Vale investiu nos últimos anos R$ 15 bilhões na duplicação da Estrada de Ferro Carajás para transportar seu minério da mina ao porto, e a sua concessão termina em 30 de junho de 2027. Como ela fez este investimento por sua vontade, ou seja, sem ser obrigada a fazê-lo pelo governo federal, podemos deduzir sem erro que o valor real é igual ou maior que esse.

É preciso novo modelo de transporte sobre trilhos, no contexto de cada concessão ou segmento ferroviário

Agora estaria recebendo uma prorrogação por mais trinta anos, ou seja, a sua concessão, que venceria em 2027, passaria a vencer em 2057. Se dez anos valem R$ 15 bilhões, mais trinta anos valeriam ao menos R$ 45 bilhões. O valor que o governo teria definido para receber como outorga nesta renovação, seriam os R$ 4 bilhões que seriam investidos na Fico, ou seja, menos de dez por cento do seu valor real.

Outro caso concreto: o caso da renovação da concessão da Malha Paulista. Desde que ela foi anunciada e foi cada vez mais se concretizando a sua renovação, o valor das ações da Rumo, que é a controladora da Malha Paulista, multiplicaram por dez, saindo de R$ 1,50 em janeiro de 2016 para R$ 14,99 em maio de 2018.

Desse fato concreto se depreende o óbvio de que a valorização das ações da concessionária se deu, notadamente, pelo valor captado pela Malha Paulista pela expectativa da prorrogação do seu prazo de concessão por mais trinta anos, sem que a mesma seja objeto de uma nova concorrência.

Tal valorização fez com que o valor da companhia saltasse de R$ 2,2 bilhões em 2016 para R$ 22 bilhões em 2018, valor este advindo tão somente do anúncio da sua prorrogação. Neste caso, o governo não está considerando nenhum valor de outorga, exigindo apenas que a empresa invista na melhoria da sua própria malha, valor este já precificado pelo mercado no valor das ações da companhia.

Usando os valores de R$ 45 bilhões para Estrada de Ferro Carajás e R$ 20 bilhões para Malha Paulista, podemos estimar que o conjunto das prorrogações de todas as concessões ferroviárias brasileiras podem vir a valer algo próximo de RS 100 bilhões.

Quando foram implantadas as privatizações ferroviárias, em meados dos anos 90, prevenindo a possibilidade do surgimento de concentração e abuso do poder econômico, havia uma regra que garantia que nenhum acionista poderia deter mais que 20% do total do controle de cada concessionária. Com o tempo esta obrigação foi revogada dos contratos e hoje o mercado é punido por duopólio formado pela Vale e pela Cosan, controladora da Rumo, que juntas detêm o controle de mais de 99% das concessões ferroviárias brasileiras.

Além disso, não resta dúvida que o modelo anunciado pelo governo federal para a licitação da concessão que ele pretende fazer da Ferrovia Norte Sul não conseguirá atrair outros interessados que não as empresas controladas pelas mesmas, Vale e Cosan, uma vez que o direito de passagem pela Malha Paulista, ao sul e pela estrada de Ferro Carajás, ao norte, não garante acesso aos portos.

A FerroFrente não se coloca, a princípio, contra as prorrogações das concessões ferroviárias, mas sim contra o modelo que foi adotado nos anos de 1990 e que não trouxe os resultados que a sociedade brasileira tanto precisa, como ficou evidenciado na recente greve dos caminhoneiros que parou o Brasil. Nem cabe a ela contestar as atitudes dos investidores e executivos das concessionárias privadas. Eles buscam lucros e bônus, o que é legítimo.

O que se propõe é ampliar a discussão a outros órgãos de governo e de controle, além dos técnicos do Ministério dos Transportes e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), garantindo a total transparência para a construção de um novo modelo de transporte sobre trilhos, no contexto de cada concessão ou segmento ferroviário, permitindo assim uma adequada utilização dos ativos públicos ferroviários com a ampliação da ferrovia na matriz de transporte do Brasil. (Valor Econômico 08/08/2018)

 

MT: Doze usinas de etanol e açúcar foram processadas por corrupção

A Controladoria Geral do Estado (CGE-MT) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) instauraram processo administrativo contra 12 empresas do setor sucroalcooleiro, acusadas de suposto pagamento de R$ 19,1 milhões de propina a agentes públicos estaduais e a terceiros, durante os anos de 2010 a 2015.

A instauração do processo teve como base a colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa, e suas declarações feitas nas oitivas realizadas em janeiro deste ano na sede da CGE e de inquéritos concluídos e em andamento compartilhados pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pela Delegacia Fazendária (Defaz).

As empresas tinham como objetivo obter benefícios ilegais de redução da carga tributária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) no âmbito de Mato Grosso. O processo de responsabilização foi aberto por meio da Portaria Conjunta nº 369-11/2018/CGE-COR/Sefaz, publicada no Diário Oficial do dia 3 de agosto.

As empresas poderão sofrer multa de até 20% do faturamento bruto de seu exercício anterior ao da instauração do processo, além de reparação integral dos danos causados à administração pública.

Outras sanções administrativas são: restrição ao direito de participar de licitações e de celebrar contratos com a administração pública, bem como publicação de eventual condenação na sede e no site das próprias empresas e em jornal de grande circulação local e nacional.

Casa Civil

O esquema de pagamento de propina so setor sucroalcooleiro a agentes públicos foi revelado nas delações premiadas do ex-governador Silval Barbosa e do ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf. (Circuito MT 06/08/2018)

 

EUA aprovam açúcar feito da cana transgênica brasileira

Canadá já havia liberado o uso do açúcar; CTC agora espera resposta do Japão.

A FDA (Food and Drug Administration), agência americana de fiscalização e regulamentação de alimentos e remédios, concluiu nesta terça-feira (7) que o açúcar produzido a partir da cana-de-açúcar geneticamente modificada é seguro para o consumo assim como o obtido a partir de variedades convencionais. A variedade é resistente à broca, praga que gera prejuízo anual de R$ 5 bilhões ao setor sucroenergético.

Em março, a Health Canada já tinha aprovado o uso do açúcar oriundo da cana transgênica brasileira, desenvolvida pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). Agora, o centro aguarda a liberação do Japão. Os três mercados são considerados importantes pela credibilidade científica que têm.

A cana transgênica desenvolvida pelo CTC, a primeira do mundo, obteve em junho do ano passado aprovação da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, para uso comercial. A aprovação ocorreu após sete anos e meio de estudos do CTC para a criação da nova variedade.

“Iniciamos o processo de avaliação internacional em vários países, principalmente naqueles que são importadores de cana. Além deles, em alguns que são reconhecidos pela credibilidade científica, caso de EUA, Canadá e Japão. Neles, ter uma avaliação positiva quanto à segurança e avaliação do açúcar é muito importante”, afirmou Viler Correa Janeiro, diretor de etanol celulósico e assuntos corporativos do CTC.

Indonésia, Índia e Rússia também já receberam as informações técnicas sobre o açúcar bruto e refinado produzidos a partir da variedade geneticamente modificada. O Brasil exporta açúcar atualmente para cerca de 150 países.

A variedade, chamada CTC 20 Bt, tem como característica a resistência à broca (Diatraea saccharalis), responsável por perdas que chegam a R$ 5 bilhões por ano ao setor sucroenergético. Ela reduz a produtividade agrícola e industrial e a qualidade do açúcar, além de gerar custos extras com inseticidas.

Os estudos apresentados mostraram que tanto o açúcar quanto o etanol obtidos a partir dela são idênticos aos produzidos atualmente e que não foram constatados danos ao solo, à cana ou às populações de insetos, exceto a pragas como a broca.

“Para o produtor, fica mais simples o manejo do canavial e reduzir a quantidade de inseticidas é muito importante. E tem a produtividade maior, que deve corresponder na mesma proporção”, disse Janeiro.

Na safra passada o CTC iniciou a introdução da variedade no mercado e ela está na fase de multiplicação. Mais de 60 usinas plantaram a variedade, numa área aproximada de 400 hectares. Devido à procura, o CTC está ampliando o plano de lançamento nesta safra.

Com o tempo de amadurecimento das lavouras de cana com a cana transgênica, a expectativa é que a primeira moagem dessa variedade ocorra a partir do terceiro ano de plantio, entre 2020 e 2021. É quando esse açúcar obtido da cana geneticamente modificada deverá chegar ao consumidor brasileiro.

DUPLA AÇÃO

Além do CTC, a Embrapa Agroenergia assinou neste ano contrato de parceria de quatro anos para produzir nova variedade transgênica resistente à broca e, também, ao herbicida glifosato, o mais usado no setor.

A expectativa é que, até o fim do prazo, a variedade esteja disponível para negociações. (Folha de São Paulo 07/08/2018 às 18h: 31m)

 

Açúcar cai na ICE e outubro é negociado a 10,88 cents/libra

Os futuros do açúcar bruto recuaram na ICE nesta terça-feira (7).

O contrato outubro do açúcar bruto caiu 0,10 centavo de dólar, ou 0,9 por cento, a 10,88 centavos de dólar por libra-peso, mudando a direção depois de atingir 11,09 centavos de dólar, onde o suporte de compras perdeu fôlego.

O mercado teve apoio no começo do pregão de preocupações de que o tempo seco e quente na Europa poderia limitar a produção.

O açúcar branco para outubro fechou em queda de 4,30 dólares, ou 1,3 por cento, a 323 dólares por tonelada. (Reuters 08/08/2018)

 

EUA devem destinar recorde de 145,6 mi t de milho para etanol em 2018/19, diz Datagro

Os Estados Unidos deverão destinar um recorde de 145,6 milhões de toneladas de milho para a produção de etanol na safra 2018/19, a partir de setembro, contribuindo para a redução dos preços da gasolina naquele país, avaliou nesta terça-feira a consultoria especializada Datagro.

O volume representaria 40 por cento de toda a colheita norte-americana de milho, estimada pela Datagro em 364 milhões de toneladas, ante uma fatia de 38,2 por cento em 2017/18. O percentual já foi superior em anos anteriores, quando os EUA, maiores produtores globais do grão, registraram quebras de safra.

Segundo o presidente da consultoria, Plinio Nastari, o maior uso de milho para etanol incorpora uma redução nas cotações domésticas do cereal e permitiria uma queda também nos preços da gasolina, que registraram patamares elevados nos últimos meses.

“A mistura de etanol nos EUA está contribuindo para reduzir o preço da gasolina ao consumidor”, afirmou ele no intervalo de evento promovido pela Datagro e pela XP em São Paulo.

Nos EUA, a mistura de etanol à gasolina é regulada pelo governo, que estipula metas de uso para cada ano. Citando dados da Administração de Informação de Energia (AIE, na sigla em inglês), Nastari comentou que a produção de álcool no país irá a 60,44 bilhões de litros em 2018, de 59,88 bilhões em 2017.

A maior produção de etanol neste ano ampliou a diferença de preços entre o biocombustível na Bolsa de Chicago e a referência RBOB da gasolina. O spread entre ambos, que chegou a bater 30 centavos de dólar por galão em fevereiro, está agora em torno de 65 centavos de dólar.

Guerra comercial

Nastari também comentou sobre a escalada de tensões comerciais entre Estados Unidos e China, as duas maiores economias do mundo.

Em meio à disputa, a China elevou as tarifas de importação de etanol dos Estados Unidos, dentre outros itens, após Washington ter aplicado taxas sobre bilhões de dólares em bens chineses.

“A tensão entre EUA e China, para o etanol, não é positiva como um todo. Significa atraso no programa de expansão de etanol na Ásia”, explicou Nastari. (Reuters 08/08/2018)

 

Relator de MP quer prorrogar subsídio ao diesel

O relator da medida provisória que reduziu o custo do óleo diesel, deputado Arnaldo Jardim (PPS-SP), quer prorrogar o prazo de validade do subsídio por dois meses.

O texto original da MP, editada no auge da crise da greve dos caminhoneiros, prevê que o subsídio terá validade até 31 de dezembro deste ano.

Já o parecer de Jardim a ser apresentado na quarta-feira em comissão especial que discute a MP, deve estender esse prazo para fevereiro de 2019, segundo a Agência Câmara Notícias, ampliando o impacto da medida nos cofres do governo.

“Do jeito que está o corte, previsto para o dia 31, poderá colocar o próximo governo em uma saia justa muito acentuada. O novo governo, quem quer que seja, pode desejar repensar esse assunto. Mas precisa de um tempo”, disse.

Segundo a agência, a prorrogação do prazo de validade do subsídio ainda está sendo negociado com os ministérios da Fazenda e de Minas e Energia. A intenção do relator é votar a MP na comissão e no plenário da Câmara nos dias de esforço concentrado ainda antes das eleições de outubro.

ANP segue sem pagar subsídios

Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) segue avaliando documentos para poder pagar a Petrobras e outras companhias valores referentes à primeira fase do programa de subsídio ao diesel, afirmou a jornalistas nesta terça-feira o diretor da autarquia, Aurélio Amaral.

Nessa primeira fase, referente ao período de 30 de maio a 7 de junho, habilitaram-se sete empresas, sendo que apenas as refinarias Dax Oil e Riograndense tiveram documentação aprovada pela ANP para pagamentos até o momento, segundo o diretor.

Mas, mesmo assim, Amaral explicou que ambas ainda estão aguardando o recebimento, uma vez que a Dax enfrentou problemas no cadastro e a Riograndense está em vias de receber.

O diretor afirmou que a demora para pagamentos e novas aprovações de documentos se deve à ausência de procedimentos internos que tragam segurança jurídica à autarquia, devido à novidade do programa. A reguladora precisa checar dados das empresas para realizar o pagamento.

“Isso é uma responsabilidade extremamente grande. Estamos falando de algo que pode chegar a 9 bilhões de reais (no fim do ano), não se pode pagar isso de forma leviana, sem aspectos de ‘compliance’, de ferramentas de segurança jurídica para nós... e também para quem recebe”, afirmou ele a jornalistas, ao deixar um evento da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

Amaral frisou ainda que a agência reguladora, responsável por apurar valores junto às empresas e realizar pagamentos, recebeu essa atribuição “de forma muito abrupta”, em meio a uma greve dos caminhoneiros, sem que tivesse as ferramentas necessárias.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), que representa nove empresas independentes, vem reclamando da demora para pagamentos, alegando que o atraso pode trazer insegurança ao mercado em relação ao programa.

O presidente da Petrobras, Ivan Monteiro, por sua vez, afirmou na semana passada que atrasos neste primeiro momento são considerados normais, uma vez que governo e empresas ainda estão se adaptando ao programa, que é muito recente.

Amaral evitou fazer previsões para a conclusão dos pagamentos, afirmou reconhecer que as empresas precisam que os valores sejam pagos de maneira rápida, mas frisou: “A gente quer fazer rápido e de maneira segura”.

O diretor também não quis fazer previsões referentes aos pagamentos correspondentes à segunda fase do programa (de 8 de junho a 31 de julho).

O programa de subsídio ao diesel foi criado em junho como resposta do governo federal aos protestos históricos dos caminhoneiros, no mês anterior, contra os altos preços do diesel, em maio.

Para participar do programa, produtores de diesel, como a Petrobras, e importadores do combustível precisam se cadastrar no programa e congelar os preços de comercialização em valores estipulados pelo governo.

Após a aprovação de documentos, elas deverão ser ressarcidas em até 30 centavos por litro pelo governo, dependendo das condições do mercado.

Por meio de cortes em programas sociais, dentre outras medidas, o governo reservou um total de 9,5 bilhões de reais, até o fim do ano, para o pagamento de subvenções ao diesel.

A Petrobras informou nesta terça-feira que o seu conselho de administração aprovou a adesão da estatal à terceira fase do programa do governo que prevê subvenção econômica à comercialização de diesel.

A estatal, contudo, ressaltou uma medida publicada neste mês pelo governo prevê a possibilidade de a ANP “realizar procedimento simplificado de verificação da documentação por amostragem, reduzindo a complexidade na comprovação em relação às fases anteriores”. (Reuters 08/08/2018)