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Com seca, Cosan reduz estimativa de moagem da Raízen em 2018/19

O tempo seco favoreceu a moagem de cana da Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, no primeiro trimestre da safra atual (2018/19), mas estreitou o horizonte para a moagem total desta temporada.

Em detalhes de seu balanço, a Cosan revisou para baixo a estimativa para a moagem total de cana da Raízen Energia nesta safra, argumentando que o clima seco “afetou a produtividade agrícola em algumas regiões”.

A estimativa da Cosan agora é de que serão processadas entre 60 milhões e 63 milhões de toneladas de cana em suas usinas. Anteriormente, a projeção era de uma moagem entre 62 milhões e 66 milhões de toneladas de cana. Na safra passada, a 2017/18, a Raízen Energia moeu 61,217 milhões de toneladas de cana.

Por outro lado, o tempo bem mais seco que o normal acelerou a moagem de cana no primeiro trimestre desta safra nas usinas da Raízen Energia. A companhia esmagou 22,3 milhões de toneladas de cana no período, crescimento de 16% na comparação anual.

Além disso, com a alta concentração de sacarose nas plantas decorrente da falta de chuvas, a produção de açúcar aumentou 24%, para 2,7 milhões de toneladas. O maior teor de sacarose (ATR) compensou a redução do “mix” açucareiro, de 48% no período, ante 57% no mesmo trimestre da safra passada.

Apesar da redução da previsão para a moagem total, a Cosan não alterou suas projeções para a produção de açúcar, etanol e energia, nem para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Para a fabricação de açúcar, a estimativa foi mantida para no mínimo 4,2 milhões de toneladas e, no máximo, 4,6 milhões de toneladas. Para o etanol, a projeção de produção foi mantida em 2,3 bilhões a 2,6 bilhões de litros.

A Cosan informou ainda que a Raízen encerrou o primeiro trimestre de safra com 1,591 milhão de toneladas de açúcar precificadas para venda no atual ciclo a um preço médio de 14 centavos de dólar a libra-peso, superior aos atuais patamares do mercado. O contrato para entrega em outubro na bolsa de Nova York fechou ontem a 10,81 centavos de dólar a libra-peso. Já para a próxima safra (a 2019/20), haviam sido precificadas apenas 338,2 mil toneladas, mas a um preço médio também maior, de 14,4 centavos de dólar a libra-peso. (Valor Econômico 08/08/2018 às 20h: 24m)

 

Raízen Energia teve lucro de R$ 4 milhões no 1º tri da safra atual

A Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell, registrou um lucro de R$ 4,1 milhões no primeiro trimestre da safra 2018/19, depois de um prejuízo de R$ 196,2 milhões em igual intervalo do ciclo 2017/18, conforme resultado que contempla a visão da companhia divulgado ontem pela Cosan. Nos cálculos da Cosan, a Raízen Energia deu prejuízo de R$ 23,8 milhões. A diferença se dá pela forma de contabilização de ativos.

Operacionalmente, a Raízen elevou sua receita com o aumento das vendas de "outros produtos e serviços", o que também a levou a ter um custo com vendas maior. Com isso, a receita operacional líquida da empresa cresceu 31,7% no primeiro trimestre desta safra ante o mesmo período do ciclo 2017/18, para R$ 4,092 bilhões, enquanto o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (na visão da Raízen) recuou 39,3%, para R$ 488,2 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou em 11,9%, ante 25,9% no mesmo período da última temporada.

Houve forte retração nas vendas de açúcar, afetadas pela greve dos caminhoneiros, o que alterou a programação de alguns embarques, segundo nota da Cosan. A receita com as vendas de açúcar somou R$ 729,4 milhões, 40,3% abaixo do registrado no mesmo trimestre da safra passada. De acordo com a Cosan, o atraso nas vendas não impacta as vendas programadas para o ano-safra atual.

As vendas de etanol ficaram praticamente estáveis em R$ 1,624 bilhão. O preço mais elevado compensou a redução do volume comercializado, em parte por decisão de postergar as vendas para a entressafra, mas também por causa de atrasos decorrentes da paralisação dos caminhoneiros.

Beneficiada pelos preços e pelo aumento da moagem de cana, a receita com a cogeração de energia avançou 53%, para R$ 303,9 milhões. Já a linha denominada "outros" no balanço aponta para uma receita de R$ 1,434 bilhão, crescimento de 53%. Excluindo o faturamento com outros produtos, a receita caiu 20%, para R$ 2,7 bilhões. (Valor Econômico 09/08/2018)

 

Açúcar: Oferta abundante

A ampla oferta mundial de açúcar estimada para as safras 2017/18 e 2018/19 continua pressionando as cotações do demerara na bolsa de Nova York.

Ontem, os contratos da commodity com vencimento em março fecharam a 11,69 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 pontos.

Com uma produção superior a 32 milhões de toneladas de açúcar em 2017/18 e estimada em mais de 35 milhões em 2018/19, a Índia deve ter oferta suficiente para compensar a queda na produção brasileira.

As previsões para a produção no Brasil em 2018/19 são de um volume abaixo de 30 milhões de toneladas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal negociado na capital paulista ficou em R$ 50,10 a saca de 50 quilos ontem, queda de 0,87%. (Valor Econômico 09/08/2018)

 

Cade pede dados de apuração sobre investigação de distribuidoras

Apuração feita por Polícia Civil e Ministério Público no Paraná envolve Ipiranga, BR Distribuidora e Raízen.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pediu informações à Polícia Civil e ao Ministério Público do Paraná sobre investigação aberta para apurar conduta anticompetitiva de Raízen (dona da marca Shell), BR e Ipiranga no Estado. Caso sejam encontrados indícios de infração, o órgão poderá abrir sua própria apuração.

O pedido do Cade foi enviado após os órgãos paranaenses deflagrarem uma operação que prendeu oito gerentes e assessores comerciais das distribuidoras, no fim de julho. Segundo o MPF, as distribuidoras atuaram para controlar o preço final dos postos de gasolina com bandeira, prejudicando a concorrência. As empresas teriam mantido até uma equipe de motoboys para circular por cidades paranaenses tirando fotos e informar os preços nas bombas.

Outros casos. O setor de combustíveis tem se mostrado um desafio para o Cade. Na semana passada, a pedido do Ministério Público, a Justiça do Distrito Federal bloqueou R$ 800 milhões em bens de pessoas físicas e empresas investigadas por formação de cartel no segmento.

Essa operação é um desdobramento da Operação Dubai, feita em conjunto com o Cade, em 2015. A suspeita é que tenha sido formada uma organização criminosa com pelo menos 13 redes de postos de combustíveis, que atuou de janeiro de 2011 a abril de 2016.

Há, no Cade, um processo envolvendo as três distribuidoras, investigadas por suposto cartel em Belo Horizonte. Além disso, a Ipiranga é investigada pelo mesmo motivo, em Joinville (SC). Entre três distribuidoras, a Raízen foi condenada em processos que investigaram fixação de preço em Bauru, Marília e São Carlos (SP).

Outro lado. Procuradas, as empresas afirmam que não foram notificadas pelo Cade e desconhecem a investigação.

Em função disso, Ipiranga e Petrobrás, dona da BR, afirmaram que não iriam comentar. A Petrobrás reforçou “que pauta sua atuação pelas melhores práticas comerciais, concorrenciais, de ética e respeito ao consumidor, exigindo o mesmo comportamento de seus parceiros”.

A Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, afirmou que possui altos padrões de governança em relação às suas políticas comerciais e confia que na hipótese de ser aberto um procedimento administrativo pelo Cade, a conclusão será pela legalidade das condutas da Raízen e de seus representantes. (O Estado de São Paulo 09/08/2018)

 

Com chuva no Centro-Sul, preços do açúcar recuam na ICE

Os preços do açúcar bruto cederam pelo segundo dia consecutivo na ICE nesta quarta-feira (8), depois de terem fechado abaixo do nível de resistência de 11 centavos de dólar no início da semana.

O contrato outubro do açúcar bruto encerrou com queda de 0,07 centavo de dólar, ou 0,6 por cento, a 10,81 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado foi pressionado pela incapacidade do primeiro contrato de fechar acima dos 11 centavos de dólar nas duas sessões anteriores, disseram operadores, além da volta das chuvas no Brasil.

"As chuvas na região centro-sul do Brasil aumentaram durante o fim de semana, terminando a severa seca, e essas precipitações devem continuar nesta semana", disse Nick Penney, operador sênior na Sucden Financial, em nota de mercado.

O açúcar branco para outubro caiu 3,60 dólares, ou 1,1 por cento, a 319,40 dólares por tonelada. (Reuters 09/08/2018)

 

Empresas de defensivos vão recorrer da decisão que suspende glifosato

As empresas brasileiras de agroquímicos planejam recorrer de uma decisão judicial que suspende o uso do herbicida glifosato, o mais vendido no país, um dos maiores produtores de grãos do mundo, disse uma representante do setor nesta quarta-feira.

O glifosato, um herbicida muito aplicado em plantações de soja e milho, além de outras culturas geneticamente modificadas para tolerá-lo, teve o uso suspenso no Brasil por uma decisão judicial na semana passada, até que o governo reavalie sua toxicidade.

Silvia Fagnani, diretora-executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), disse que a entidade entrará com um recurso na semana que vem.

Ela também disse que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), assim como o Ministério da Agricultura, também entrarão com recursos à parte contra a decisão que suspende o glifosato e outros dois químicos usados na produção agrícola.

A Anvisa, que começou a reavaliação do glifosato, do inseticida abamectina e do fungicida tiram em 2008, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O ministério confirmou a intenção de entrar com recurso em comunicado enviado à Reuters.

A reavaliação toxicológica dos agroquímicos começou quando surgiram novas evidências de que o glifosato e os outros dois químicos "poderiam representar um perigo ou risco à saúde humana", segundo documentos em referência ao processo da Anvisa.

A Monsanto, agora controlada pela Bayer, é o maior vendedor de produtos contendo glifosato no Brasil.

A decisão contra o produto foi tomada na semana passada pela juíza federal substituta da 7ª Vara do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, que determinou que a União suspenda, no prazo de 30 dias, o registro de todos os agroquímicos que contenham glifosato, abamectina e tiram até que a Anvisa conclua os procedimentos de reavaliação.

Fagani disse que o glifosato é seguro e autorizado em muitos países. Ela acrescentou que as vendas e o uso comercial dos produtos devem continuar até que o Ministério de Agricultura, responsável pelo registro de agroquímicos, publique oficialmente uma decisão sobre o assunto.

A Organização Mundial da Saúde classificou em 2015 o glifosato como "provavelmente cancerígeno para humanos."

Uma maioria qualificada de países integrantes da União Europeia decidiu reautorizar o glifosato no ano passado.

No mês passado, um juíz federal nos Estados Unidos determinou que centenas de processos contra a Monsanto movidos por sobreviventes de câncer ou das famílias de falecidos poderão ir a julgamento.

"Todo o sistema de plantio direto tem base no glifosato, e (suspendê-lo) seria um gigantesco revés para o meio-ambiente", disse o ministro da Agricultura brasileiro, Blairo Maggi. (Reuters 08/08/2018)

 

Glencore tem lucro semestral recorde e vê custos mais altos

A Glencore relatou nesta quarta-feira um aumento de 23 por cento nos lucros do primeiro semestre, um pouco abaixo das previsões dos analistas, já que os custos mais altos e os preços mais baixos para o cobalto e outros produtos afetaram os resultados.

A mineradora e trading de commodities disse que seus lucros para o período de janeiro a junho foram recordes, mas o CEO da companhia Ivan Glasenberg disse que as condições do mercado devem permanecer voláteis.

Muitas ações de mineração reduziram ganhos este ano, com os mercados de metais enfraquecidos em resposta às tensões comerciais e à incerteza sobre a demanda chinesa.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da Glencore no primeiro semestre somou 8,3 bilhões de dólares, abaixo da previsão de consenso de 8,5 bilhões. (Reuters 08/08/2018)

 

Egito retira tarifa de exportação de açúcar

O Egito cancelou uma tarifa sobre as exportações de açúcar imposta no ano passado, disse o Ministério do Comércio e da Indústria, um movimento que abre as portas para a retomada das exportações.

O governo egípcio impôs uma tarifa de 3 mil libras egípcias (168 dólares) por tonelada de açúcar como parte do esforço para conter o aumento nos preços do açúcar no mercado local.

A pasta disse, em comunicado, que a decisão de cortar a taxa foi devido ao superávit de açúcar no mercado, o que permitiria exportações.

Um comerciante celebrou a decisão "tardia", apesar de outro ter dito que exportar açúcar não seria interessante no momento, porque os mercados de futuros globais estão em baixa.

O jornal diário financeiro Alborsa citou Hassan Kamel, presidente da Nubaria Sugar, dizendo que isso ajudaria sua companhia, com quase 160 mil toneladas em estoque, incluindo cerca de 128 mil toneladas da produção desta temporada. (Reuters 08/08/2018)