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Raízen Energia tem prejuízo de R$ 23,8 milhões no trimestre e perspectiva de moagem cai

Maior parte da receita da companhia é atribuída à comercialização de etanol e diesel; vendas de açúcar caíram 40,28%.

O primeiro trimestre da safra 2018/19 trouxe um novo prejuízo para a Raízen Energia, joint venture entre Cosan e Shell. A companhia obteve um resultado líquido negativo de R$ 23,8 milhões no primeiro trimestre da safra, no mesmo período de 2017/18, o balanço registrava um prejuízo de R$ 249,9 milhões.

Essa queda ocorreu mesmo com um aumento na receita com vendas, que alcançou R$ 4,09 bilhões, ante R$ 3,11 bilhões no ano anterior. O maior aumento relativo está classificado como “outros”, que subiu de R$ 71 milhões para R$ 1,43 bilhão (+1.919,44%). Dentre os produtos que fazem parte dessa categoria estão diesel (R$ 1,12 bi) e gasolina (R$ 275,07 mi).

Aliás, a receita com diesel é a segunda maior da companhia, ficando atrás apenas das vendas de etanol. Na comparação com o mesmo período da safra anterior, a receita com etanol também apresentou crescimento, mas de apenas 0,6%, saindo de R$ 1,61 bilhão para R$ 1,62 bilhão.

Em contrapartida, o açúcar viu uma queda de 51,5% em sua receita ajustada, que considera o efeito do câmbio. As vendas no 1º primeiro trimestre de 2018/19 registraram a entrada de R$ 722,8 milhões, contra R$ 1,49 bilhão um ano antes. Desse total, R$ 492,2 milhões são referentes ao mercado externo (-58,2%).

Segundo a companhia, esse resultado reflete a diminuição no volume vendido, que teve uma queda de 30%, com preço médio de R$ 994 por tonelada – um valor 31% menor na comparação anual. “As vendas no trimestre foram impactadas pela greve dos caminhoneiros, alterando a programação de alguns embarques, mas sem impactos para as vendas programadas para o ano-safra”, garante a Cosan.

Além disso, em função da maior rentabilidade do etanol, a empresa adotou um mix de produção onde 48% da cana-de-açúcar foi direcionada para o açúcar, contra 57% no primeiro trimestre de 2017/18.

Por fim, as vendas de energia elétrica subiram de R$ 198,7 milhões para R$ 303,9 milhões (+53,0%). Conforme a Cosan, isso foi possível devido à aceleração da moagem e ao maior volume de energia comercializada, com preço médio de vendas de R$ 237/MWh (8% maior que no mesmo período da safra passada).

Como o custo dos produtos vendidos foi de R$ 3,79 bilhões, sendo que R$ 2,3 bilhões são referentes a açúcar e etanol, a relação entre a receita líquida e os custos totais é de 92,6%, uma margem apertada, que gerou um lucro bruto de R$ 301,2 milhões. Considerando apenas açúcar e etanol, os dois números são equivalentes, anulando o lucro bruto.

Segundo a Cosan, o Ebitda ajustado da Raízen Energia foi de R$ 488 milhões no trimestre, ante R$ 804 milhões um ano antes (-39%). A queda é atribuída principalmente ao menor volume de vendas de açúcar no período.

Estiagem ajuda a moagem, mas não a cana

Beneficiada pelo tempo seco, a moagem de cana-de-açúcar da Raízen Energia no primeiro trimestre da safra 2018/19 alcançou 22,3 milhões de toneladas, ante 19,2 no início de 2017/18 (+16%). A companhia ressalva que, contudo, esse valor poderia ter sido maior, pois foi prejudicado pela greve dos caminhoneiros, que interrompeu a colheita devido à crise no abastecimento de diesel.

Por sua vez, a produção também registrou aumentos. O total de açúcar fabricado no trimestre subiu 5,5% na comparação anual, de 1,24 milhões de toneladas para 1,31 milhões de toneladas. Já o volume de etanol cresceu 47,5%, indo de 589 milhões de litros para 869 milhões de litros.

Mas, apesar do aumento no volume de cana-de-açúcar, houve uma queda da quantidade de açúcar total recuperável (ATR) por hectare, outra consequência da falta de chuvas. Com isso, a produtividade média da companhia caiu em 3,8%, de 10 kg/ha para 9,6 kg/ha.

“[A estiagem] de um lado aumenta a concentração de sacarose na cana, mas, por outro lado, reduziu o rendimento agrícola”, explica. No trimestre, o índice de ATR por tonelada foi de 127,7 kg/t (+3,3%), enquanto o rendimento dos canaviais foi de 75,1 t/ha (-6,9%).

Queda nas projeções

Por acreditar que o clima seco pode continuar a prejudicar a produtividade agrícola nos próximos trimestres, a Cosan optou por reduzir a expectativa de moagem de cana-de-açúcar da Raízen Energia. Com isso, o intervalo projetado mudou de 62 a 66 milhões de toneladas para de 60 a 63 milhões de toneladas. Ainda assim, esse valor representa um aumento em relação ao resultado da safra 2017/18, que foi de 61,22 milhões de toneladas.

Apesar da menor projeção de moagem, a companhia manteve suas estimativas para a produção de açúcar e etanol. Segundo o guidance divulgado, serão fabricadas entre 4,2 e 4,6 milhões de toneladas do adoçante, além de um volume de 2,3 a 2,6 bilhões de litros do biocombustível. Já a geração de energia está projetada para um intervalo entre 2,5 e 2,7 TWh.

Também está previsto um Ebitda de R$ 3,4 a R$ 3,8 bilhões, ante um resultado de 4,09 bilhões em 2017/18, além de investimentos totalizando entre R$ 2,4 e R$ 2,7 bilhões, contra R$ 2,38 bilhões na safra anterior. (Reuters 09/08/2018)

 

BASF investe em novos negócios com foco na relação de longo prazo com o agricultor

A aquisição é um complemento ao portfólio da empresa.

A BASF está ainda mais completa para atender as necessidades da agricultura e contribuir com o legado do agricultor. A aquisição de ativos da Bayer, com investimento de € 7,6 bilhões, posiciona a BASF como a quarta maior empresa global do setor. O negócio evidencia a estratégia de crescimento de longo prazo.

A BASF acrescenta ao portfólio o negócio global de glufosinato de amônio; os negócios de semente e traits de soja, algodão e canola; a plataforma de Pesquisa e Desenvolvimento para trigo híbrido e juncea canola; alguns produtos de tratamento de sementes; toda a plataforma agrícola digital xarvio™; e alguns projetos de pesquisa de herbicidas não seletivos e de nematicidas.

Marcas já conhecidas do agricultor passam a ser comercializadas pela BASF, como o herbicida Liberty®, a soja Credenz® e o algodão FiberMax®. Com a aquisição, mais de 4500 colaboradores experientes passam a integrar a equipe da BASF em mais de 50 países.

De acordo com a empresa, a compra dos ativos é um complemento estratégico ao bem-sucedido negócio de Proteção de Cultivos e às atividades de biotecnologia já totalmente consolidados. Na América Latina, a aquisição acrescenta € 230 milhões em vendas anuais para a Divisão de Soluções para a Agricultura, cerca de 20% do faturamento atual da região.

“A demanda do mercado por novas tecnologias, integrando químicos, biológicos e ferramentas digitais continuará alta. A aquisição fortalece ainda mais a BASF na Agricultura”, afirma Eduardo Leduc, vice-presidente sênior da Divisão de Soluções para Agricultura da BASF na América Latina.

Com a aquisição dos novos negócios, o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento de Soluções para Agricultura passa de € 507 milhões para mais de € 900 milhões por ano. Este é o segmento da empresa que mais investe em P&D.

BASF no Brasil

No Brasil, são mais de 370 novos colaboradores. A aquisição também reforça a área de Pesquisa e Desenvolvimento da BASF, que é líder em inovação em diversos segmentos. A empresa incorpora 12 novas unidades de P&D localizadas nos estados de Goiás, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso do Sul, Bahia e Tocantins. O país é um dos principais mercados de agricultura para a BASF, sendo o principal da América Latina.

A BASF entra no mercado brasileiro de sementes de soja e de algodão com grande expectativa de crescimento e desenvolvimento de novos germoplasmas e traits. A empresa acredita no potencial do portfólio para oferecer soluções mais completas para sojicultores e cotonicultores.

“A entrada no negócio de sementes permite que a nossa oferta seja mais completa e integrada, pensando na gestão do sistema produtivo, o que vai aproximar ainda mais a BASF dos agricultores”, explica Leduc.

A BASF ingressa em uma nova fase, com um portfólio ainda mais completo para o agricultor. Além de proteção de cultivos, a empresa passa a ser parceira do produtor rural em todas as fases do cultivo. Contribuindo de maneira mais significativa para o sucesso da produção agrícola. “Há algo ainda mais desafiador do que ter sucesso. É sustentá-lo ao longo do tempo. A BASF acredita que só produtividade não basta. É preciso produtividade com longevidade”, conclui Eduardo Leduc. (Basf 09/08/2018)

 

Cade reafirma ser favorável à venda de etanol das usinas para os postos de combustíveis

Em evento promovido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na quinta-feira (9), na cidade de Búzios (RJ), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão ligado ao Ministério da Justiça, reafirmou ser favorável à possibilidade de as usinas de etanol poderem vender etanol diretamente para os postos de combustíveis, dispensando as distribuidoras.

Por se tratar de um tema polêmico, o superintendente de Defesa da Concorrência da ANP, Bruno Conde Caselli, defendeu que ninguém fizesse registros das discussões. O economista-chefe do Cade, Guilherme Resende, discordou. Disse que sua intervenção poderia ser filmada ou fotografada à vontade, diferente da orientação da ANP.

Estiveram presentes na discussão, além do Cade e ANP, representantes de distribuidoras, indústrias de álcool e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). (Revista Época 09/08/2018)

 

Açúcar: Movimento técnico

Com a divulgação de dados de moagem de cana no Centro-Sul do Brasil dentro das expectativas do mercado, os contratos futuros do açúcar tiveram ligeira alta na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 11,79 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 10 pontos.

Conforme Maurício Murici, da Safras & Mercado, as cotações do açúcar têm oscilado mais por questões técnicas do que pelos fundamentos de oferta e demanda.

Ontem, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que o Centro-Sul processou 47,347 milhões de toneladas de cana, queda de 7% ante o ano passado, e produziu 2,6 milhões de toneladas de açúcar, queda de 23,65%.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 50,77 a saca, alta de 1,34%. (Valor Econômico 10/08/2018)

 

Biosev tem prejuízo trimestral de R$ 506 milhões

A Biosev, segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, registrou prejuízo líquido de R$ 506 milhões no seu primeiro trimestre da safra 2018/19 (abril, maio e junho), ante prejuízo de R$ 577 milhões no mesmo período da temporada passada, com o resultado financeiro pesando no desempenho diante do impacto negativo da variação cambial.

O resultado financeiro líquido no período foi negativo em R$ 538 milhões, o que se compara com uma despesa de R$ 474 milhões no mesmo período da temporada passada.

Mesmo com o prejuízo, a companhia conseguiu uma leve alta em sua Margem Ebitda ajustada, que mede seu desempenho operacional. O indicador passou de 22,9% para 23,7% na comparação anual.

Ainda assim, o Ebitda ajustado total diminuiu 13%, indo de R$ 282 milhões no primeiro semestre da safra passada para R$ 245 milhões. O indicador considera os efeitos de revenda e HACC (impactos contábeis não-caixa do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira).

Perdas cambiais

A empresa controlada pela trading de commodities global Louis Dreyfus indicou que o resultado poderia ter sido melhor não fosse a questão cambial.

“Excluindo-se o efeito da variação cambial, o resultado financeiro no trimestre foi uma despesa de 13 milhões de reais, representando uma redução de 94,9 por cento em relação ao mesmo período da safra anterior, explicado principalmente pela redução das despesas com juros e pelos ganhos com a liquidação e marcação a mercado dos derivativos”, disse em seu balanço.

De acordo com a empresa, a receita líquida excluindo-se os efeitos contábeis (não caixa) do hedge accounting da dívida em moeda estrangeira (HACC) atingiu 1,9 bilhão de reais, uma redução de 2 por cento.

“Essa performance decorre principalmente dos menores volumes e preços de açúcar, sendo que os volumes foram impactados pelos efeitos da greve dos caminhoneiros ocorrida entre os meses de maio e junho e pela estratégia da companhia de carregar estoques do produto”, afirmou.

Segundo a Biosev, esses efeitos foram parcialmente compensados pelos maiores volumes de etanol, de energia e de performance de exportação de commodities executado no período.

Moagem

A companhia disse ainda que atingiu um volume de moagem de 11,3 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2018/19, alta de 17,1 por cento ante o mesmo trimestre da safra anterior.

“O maior volume de moagem é resultado principalmente dos aumentos de 29,7 por cento na área colhida e de 12,7 por cento no processamento de cana de terceiros”, afirmou.

A companhia observou também queda de 5,1 por cento na produtividade dos canaviais medida pelo TCH, afetada principalmente pelo menor nível de chuvas de janeiro a março.

Perfil da dívida

A companhia ainda divulgou um aumento da dívida no período. Segundo os números apresentados, os débitos totais somavam R$ 6,28 bilhões ao final de junho, ante a posição de R$ 5,30 bilhões ao final da safra 2017/18 (+18,5%).

Desse total, R$ 567 milhões possuem vencimento em até 12 meses, um crescimento de 5,6% em relação ao trimestre anterior. Já o endividamento em médio e longo prazo somava R$ 5,72 bilhões.

Considerando que a posição de caixa e aplicações financeiras também caiu no mesmo comparativo, o aumento da dívida líquida foi ainda maior: 49,7%. O valor passou de 3,32 bilhões em 31 de março para R$ 4,97 bilhões ao final de junho.

A alta foi atribuída, em parte, à desvalorização do real, que ampliou a dívida em dólar em R$ 792 milhões. Além disso, a Biosev afirma que realizou amortizações e adiantamentos ao acionista controlador no valor de R$ 718 milhões. (Reuters 10/08/2018)

 

Etanol continua batendo recorde de vendas, segundo a Unica

O volume de etanol total comercializado pelas unidades produtoras do Centro-Sul atingiu 1,50 bilhão de litros na segunda quinzena de julho, quase 35% superior ao resultado observado no mesmo período de 2017. Esse significativo crescimento decorre do volume recorde de etanol hidratado comercializado ao mercado interno na segunda metade de julho: 930,40 milhões de litros.

Esse aumento expressivo nas vendas de hidratado remete à competitividade do produto frente à gasolina na maior parte do mercado brasileiro. Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com dados compilados pela UNICA, indica uma paridade média de 62% entre os combustíveis no Brasil, muito aquém do rendimento técnico médio de 73%, ao longo da última semana (de 29 de julho a 04 de agosto).

Em pelos menos seis Estados, São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Rio de Janeiro, a competitividade do renovável nos postos é a melhor ao longo desta década. Por exemplo, na capital paulista e em cidades do interior do Estado, a relação está abaixo dos 60% (para mais detalhes acesse relatório de preços disponível nesse link). Para o diretor técnico da UNICA, Antonio de Pádua Rodrigues, “nesse momento, abastecer com o etanol gera uma importante economia ao consumidor, além dos inúmeros benefícios ambientais e de saúde pública proporcionados pelo consumo de uma fonte de energia limpa e renovável.”

Importante destacar também a contribuição do etanol anidro, aquele misturado à gasolina, para atenuar o preço do combustível fóssil nas bombas, concluiu. Tomando-se os preços da última semana e comparando esses valores com o rendimento médio dos veículos, é possível concluir que um proprietário de carro flex com consumo médio de 200 litros de combustível por mês está obtendo uma economia média de R$ 120 mensalmente pelo uso do etanol.

Aplicando a mesma lógica a todo o volume de hidratado comercializado pelas usinas do Centro-Sul no último mês, chegamos a uma economia de R$ 970 milhões proporcionada pelo biocombustível. Em relação ao anidro, as vendas ao mercado interno alcançaram 407,40 milhões de litros na última de metade de julho, registrando crescimento de 20,0% em relação ao volume comercializado nas duas quinzenas anteriores. Esse aumento é explicado especialmente pela maior quantidade de etanol transferida à região Norte-Nordeste após a redução nas importações do produto. No total de julho, as vendas das unidades produtoras alcançaram 2,70 bilhões de litros, sendo 253,04 milhões direcionados à exportação e 2,45 bilhões ao mercado interno. No mercado interno, o volume comercializado de anidro atingiu 748,63 milhões de litros e de hidratado 1,70 bilhão, com crescimento de 51,9% em relação a julho de 2017.

Para o executivo da UNICA, “as vendas de julho surpreenderam especialmente por ser um período de férias no Brasil”. A expectativa é de que o volume comercializado atinja patamares superiores no mês de agosto, acrescenta Pádua. No acumulado desde abril até o final de julho, o volume comercializado de etanol atingiu 9,24 bilhões de litros de etanol, sendo 6,25 bilhões de hidratado e 2,98 bilhões de anidro.

Deste total, apenas 513,06 milhões de litros (ou seja, menos de 6%) destinaram-se às exportações e 8,72 bilhões foram direcionados ao mercado interno, crescimento de 15,3% em relação ao mesmo período de 2017, com destaque para as vendas internas de hidratado que somaram 6,04 bilhões e registraram aumento de 37,7% em relação ao último ano. Moagem e produção A quantidade de cana-de-açúcar processada no Centro-Sul totalizou 47,34 milhões de toneladas nos 15 dias finais de julho, 6,99% inferior às 50,91 milhões de toneladas apuradas no mesmo período do último ano.

Quanto à produção de açúcar, esta somou 2,61 milhões de toneladas na segunda metade de julho, expressiva queda de 23,65% (equivalente a mais de 810 mil toneladas) sobre o resultado em igual período da safra 2017/2018. Em contrapartida, a fabricação de etanol aumentou 24,66%, alcançando 2,60 bilhões de litros. Deste volume, 864,26 milhões de litros correspondem ao etanol anidro e 1,74 bilhão ao etanol hidratado. Este último representa um crescimento de 51,37% comparado aos 1,15 bilhão de litros registrados na segunda quinzena de julho de 2017. “Diante desses resultados, menos de 40% da cana segue direcionada à produção de açúcar”, comenta o executivo. Nos últimos 15 dias de julho, 38,47% da matéria-prima processada destinou-se à fabricação de açúcar, contra 50,35% na mesma quinzena do ano passado. No acumulado da atual safra, este percentual atinge apenas 36,52%. Sobre o etanol de milho, sua produção alcançou 22,87 milhões de litros na última metade de julho, totalizando 210,67 milhões no ciclo 2018/2019.

No acumulado desde o início desta safra até 1º de agosto, a moagem totalizou 314,80 milhões de toneladas, com 14,75 milhões de toneladas de açúcar fabricadas, frente a 17,63 milhões no mesmo período de 2017. No caso do etanol, são 16,05 bilhões de litros produzidos, dos quais 4,94 bilhões anidro e 11,11 bilhões de hidratado. Qualidade da matéria-prima A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 150,64kg por tonelada de cana-de-açúcar nos 15 dias finais de julho, contra 140,21 kg na mesma quinzena do último ano, alta de 7,44%. No acumulado até 1º de agosto, esse indicador atingiu 134,67 kg por tonelada, aumento de 5,24% em relação à safra 2017/2018. (Unica 09/08/2018)

 

Cade pede dados de apuração sobre investigação de distribuidoras no Paraná

Apuração feita por Polícia Civil e Ministério Público no Paraná envolve Ipiranga, BR Distribuidora e Raízen.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pediu informações à Polícia Civil e ao Ministério Público do Paraná sobre investigação aberta para apurar conduta anticompetitiva de Raízen (dona da marca Shell), BR e Ipiranga no Estado. Caso sejam encontrados indícios de infração, o órgão poderá abrir sua própria apuração.

O pedido do Cade foi enviado após os órgãos paranaenses deflagrarem uma operação que prendeu oito gerentes e assessores comerciais das distribuidoras, no fim de julho. Segundo o MPF, as distribuidoras atuaram para controlar o preço final dos postos de gasolina com bandeira, prejudicando a concorrência. As empresas teriam mantido até uma equipe de motoboys para circular por cidades paranaenses tirando fotos e informar os preços nas bombas.

Outros casos

O setor de combustíveis tem se mostrado um desafio para o Cade. Na semana passada, a pedido do Ministério Público, a Justiça do Distrito Federal bloqueou R$ 800 milhões em bens de pessoas físicas e empresas investigadas por formação de cartel no segmento.

Essa operação é um desdobramento da Operação Dubai, feita em conjunto com o Cade, em 2015. A suspeita é que tenha sido formada uma organização criminosa com pelo menos 13 redes de postos de combustíveis, que atuou de janeiro de 2011 a abril de 2016.

Há, no Cade, um processo envolvendo as três distribuidoras, investigadas por suposto cartel em Belo Horizonte. Além disso, a Ipiranga é investigada pelo mesmo motivo, em Joinville (SC). Entre três distribuidoras, a Raízen foi condenada em processos que investigaram fixação de preço em Bauru, Marília e São Carlos (SP).

Outro lado

Procuradas, as empresas afirmam que não foram notificadas pelo Cade e desconhecem a investigação.

Em função disso, Ipiranga e Petrobras, dona da BR, afirmaram que não iriam comentar. A Petrobras reforçou “que pauta sua atuação pelas melhores práticas comerciais, concorrenciais, de ética e respeito ao consumidor, exigindo o mesmo comportamento de seus parceiros”.

A Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, afirmou que possui altos padrões de governança em relação às suas políticas comerciais e confia que na hipótese de ser aberto um procedimento administrativo pelo Cade, a conclusão será pela legalidade das condutas da Raízen e de seus representantes. (O Estado de São Paulo 09/08/2018)

 

Em SP, etanol continua mais vantajoso que gasolina na bomba

Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, a relação entre os dois combustíveis ficou abaixo de 70% pela 15ª semana seguida.

A relação entre os preços do etanol e gasolina permaneceu abaixo de 70% pela 15ª semana consecutiva na capital paulista, conforme dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Na primeira semana de agosto, essa marca ficou em 60,77%,número inferior aos 68,47% em igual período de 2017. Mas é maior que o visto no fim de julho, de 59,85%.

Para especialistas, o uso do etanol é vantajoso quando tem o seu preço representa menos de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do etanol é de 70% do poder do combustível fóssil. Com a relação entre 70% e 70,5%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a taxa de inflação na cidade de São Paulo, os preços do etanol tiveram queda de 6,63% na primeira quadrissemana de agosto, últimos 30 dias terminados na terça. No fim de julho, haviam cedido 6,24%. Já os da gasolina caíram 1,31% ante recuo de 1,72%.

Com isso, o grupo Transportes no IPC teve retração de 0,33% para -0,34%. O IPC-Fipe, por sua vez, acelerou o ritmo de alta para 0,37% após 0,23% no encerramento do mês passado. (O Estado de São Paulo 09/08/2018 às 16h: 15m)

 

Produtividade agrícola manterá o crescimento

Estudo estima que a produção brasileira de grãos deverá evoluir de 232,6 milhões de toneladas na safra em curso para 301,8 milhões de toneladas em 10 anos.

Os técnicos do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) preveem não só uma expansão rápida do agronegócio nos próximos 10 anos, com aumento da área plantada da ordem de 15% e crescimento da produção de grãos de cerca de 30%. Mas, em especial, projetam uma notável elevação da produtividade, o que permitirá, simultaneamente, que o setor atenda à demanda interna e seja fortalecida a posição do País entre os maiores fornecedores do mercado internacional.

O estudo Projeções do Agronegócio, 2017/18 a 2027/28, com base em dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Embrapa, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Food and Agricultural Policy Research Institute (Fapri ) e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, estima que a produção brasileira de grãos deverá evoluir de 232,6 milhões de toneladas na safra em curso para 301,8 milhões de toneladas em 10 anos.

A expansão prevista da área, da ordem de 10 milhões de hectares, deverá ocorrer na maioria das lavouras, incluindo algodão, banana, batata-inglesa, cacau, café, cana-de-açúcar, fumo, laranja, maçã, mamão, mandioca, manga, melão, milho, soja grão, trigo e uva.

Entre as cinco principais culturas de grãos, a alta será liderada pela soja e pelo milho, que permitirão produzir, respectivamente, 156 milhões e 113 milhões de toneladas. O trigo também deverá ver expandida sua área, mas haverá recuo nas áreas de plantio de arroz e de feijão, mas não da produtividade dessas lavouras.

A produção de carnes bovina, suína e de frango deve passar de 27 milhões para 34 milhões de toneladas, com alta de 27% ou 7 milhões de toneladas no período analisado.

O agronegócio é o maior diferencial da economia brasileira no mundo, ao assegurar oferta ampla de alimentos a preços módicos, exportações vultosas, emprego e renda crescentes no campo e expansão das fronteiras agrícolas. Não só o Centro-Oeste, mas Norte e Nordeste deverão ser beneficiados nos próximos 10 anos.

O agronegócio contribuirá, assim, para o desenvolvimento de áreas mais carentes. Sua contribuição será ainda maior se o País conseguir destravar os investimentos em infraestrutura, reduzindo custos de logística do setor. (O estado de São Paulo 10/08/2018)

 

Apesar da quebra de safra, estoque de milho será de 10 milhões de toneladas

Produção, que atingiu 98 milhões de toneladas em 2017, recua para 82 milhões neste ano.

A segunda safra de milho avança, e o ano se mostra um período de intensa queda na área e na produção do cereal.

Os dados desta quinta-feira (9) da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) confirmam que, pela primeira vez em nove anos, haverá queda de área na segunda safra, que ocorre no período de inverno.

O órgão já havia detectado a menor área da história na primeira safra, a de verão. A Conab tem estatísticas de produção e de área de grãos desde a década de 1970.

A conjugação de área menor, de redução do uso de tecnologia na produção e de problemas climáticos vai levar o país a obter uma safra de apenas 82 milhões de toneladas, distante dos 98 milhões do período anterior.

Essa queda é compensada pela sobra de milho em 2017. Segundo a Conab, o país entrou nesta safra 18/19 com 17 milhões de toneladas de estoques. Os dados se referem ao fim de janeiro.

Mesmo com a quebra de produção, o Brasil poderá manter as exportações deste ano próximas de 30 milhões de toneladas e ainda chegar ao final de janeiro de 2019 com sobra de 10 milhões.

Nos sete primeiros meses, as exportações somaram 6,4 milhões de toneladas. A partir de agora, as vendas externas de milho se intensificam, enquanto as de soja se retraem.

A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) aponta o Irã como o principal parceiro do Brasil, com compras de 3,1 milhões de toneladas de janeiro a julho.

A Conab divulgou também nesta quinta-feira que a safra total de grãos deste ano deverá ficar em 229 milhões de toneladas. Esse volume é puxado pela soja, que atinge o recorde de 119 milhões.

Outro destaque é o algodão, cuja produção cresce 29% e vai a 2 milhões de toneladas de pluma. Alguns produtores acreditam em um volume ainda maior.

Mais aquecido

Os Estados Unidos, líderes mundiais em exportações de milho, venderam 46 milhões de toneladas neste ano fiscal (outubro a junho), um volume 4% superior ao de igual período anterior.

Vizinhos

O México é o principal comprador dos americanos. Neste ano fiscal, já são 11 milhões de toneladas adquiridas. A seguir vem o Japão, com 9,4 milhões.

Alcooleiro

As usinas do centro-sul destinaram 64% da cana colhida para a produção de etanol nesta safra. Com isso, o volume produzido desde o início de abril já soma 11,1 bilhões de litros, 68% mais do que em igual período anterior.

Boa procura

Os dados são da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), que aponta ainda as usinas do centro-sul com vendas de 1,5 bilhão de litros de etanol na primeira quinzena de julho. (Folha de São Paulo 10/08/2018)