Setor sucroenergético

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Nada se perde nos processos da Raízen

Etanol, açúcar e bagaço de cana como fonte para geração de energia não são os únicos produtos que movem o avanço da Raízen Energia. A joint venture entre Cosan e Shell, que faturou R$ 14,8 bilhões na última safra, começa neste mês a erguer os primeiros tijolos de uma estratégia que visa a aproveitar todos os resíduos do processo agroindustrial para produzir eletricidade e biometano e incrementar suas receitas.

Com investimentos previstos de R$ 153 milhões, a Raízen começa neste mês a construir a primeira usina elétrica de grande escala do país movida a biogás, ao lado de sua planta sucroalcooleira localizada no município de Guariba, no interior paulista. Para a empreitada, a companhia formou uma joint venture, na qual tem 85% de participação, com a empresa de bioenergia GEO Energética, que já opera no Paraná uma usina elétrica a biogás de pequena escala, também ao lado de uma unidade de açúcar e etanol.

Para chegar à geração de eletricidade, a nova planta da Raízen começará utilizando as quantidades monumentais de matéria orgânica que hoje saem do processo produtivo da usina de cana e são usadas apenas como adubo nos canaviais, dado seu alto teor de potássio. Isso continuará acontecendo, mas primeiro a matéria orgânica passará por um processo industrial que a tornará fonte de energia elétrica.

"Isso se encaixa em nossa visão de economia circular, em que se usa os subprodutos. Outro exemplo na mesma linha é o etanol de segunda geração, feito a partir da biomassa que já está ali [no campo]", afirmou João Alberto Abreu, vice-presidente executivo de Etanol, Açúcar e Bionergia da Raízen. A iniciativa também está alinhada à estratégia da Raízen de abrir o leque de atuação em energia, como indicou a recente criação, pela companhia, de uma joint venture para comercializar eletricidade.

Na unidade de biogás, as impurezas sólidas derivadas da purificação do caldo de cana (conhecidas como "torta de filtro") e a vinhaça, líquido que sobra da destilação do etanol, serão mantidas em "piscinões" (biodigestores) e produzirão metano e gás carbônico, que compõem o biogás. Em seguida, esse biogás também passará por um processo de purificação e depois abastecerá os geradores. Parte desse gás ainda poderá ser utilizada para produzir biometano (com 95% de metano), que é um potencial substituto do gás natural que abastece veículos (GNV).

Inicialmente, a planta de biogás da Raízen produzirá apenas energia elétrica, mas a perspectiva é, mais adiante, ampliar seu escopo para a produção do biometano. Para a geração de 1 megawatt (MW) no modelo da planta que está sendo erguida, são necessários 9 mil toneladas de "torta de filtro" e 100 milhões de litros de vinhaça, gerados para a produção de cerca de 8 milhões de litros de etanol.

O projeto começou a sair do papel em 2016, quando a Raízen acertou a venda de eletricidade tendo o biogás como fonte em leilão do tipo A-5 realizado pela Aneel, que prevê o início da entrega da energia em 2021. Foi acertada a venda de 14 megawatts (MW), mas a usina de Guariba terá capacidade instalada de 21 MW. Existe potencial, portanto, para a empresa exportar à rede 138 mil MWh ao ano.

Mas os planos nasceram ao menos dois anos antes, quando a companhia começou um "namoro" com a Geo Energética para estabelecer a parceria. "Já se fala de biogás de vinhaça no setor faz muito tempo, mas essa combinação com a 'torta de filtro' é uma novidade no mundo", ressalta Alessandro Gardemann, presidente da GEO Energética. A vantagem de acrescentar os resíduos sólidos ao processo é não depender apenas do período da safra de cana.

"Armazenar a vinhaça [para a entressafra] é antieconômico, porque a quantidade é muito grande e a energia, pequena. Já a torta, por ser sólida, ocupa menos espaço e tem mais energia. Isso permite geração de energia 365 dias por ano", diz ele. Por demandar uma matéria-prima que já está disponível, replicar esse investimento está no radar da Raízen, a depender do sucesso da empreitada inicial.

"Precisamos garantir que os resultados operacionais e financeiros estejam de acordo com nossas expectativas. Sendo atingidos, planejamos nosso próximos passos", afirma João Alberto Abreu. Mas a companhia está confiante.

Considerando a receita garantida com a comercialização de energia para o leilão e outras receitas, como a venda da energia no mercado livre, a expectativa é faturar R$ 40 milhões ao ano com essa planta. O investimento deverá oferecer uma taxa de retorno "de dois dígitos" e deverá se pagar em sete anos, afirma o executivo. Do total a ser investido, 80% será financiado pelo BNDES, com prazo de dez anos e três anos de carência.

Os ganhos da Raízen com a usina de biogás ainda poderão ser potencializados se a companhia enveredar pela produção de biometano, que demandará aporte adicional para a compressão do gás. O horizonte ideal, segundo Abreu, é utilizá-lo para abastecer tratores e colhedoras de cana, no lugar do diesel - que, atrelado às cotações do petróleo e ao dólar, tem peso expressivo nos custos das usinas. "Para cada metro cúbico de diesel substituído por gás, gastaríamos 50% a menos", exemplifica.

Além disso, essa substituição reduziria a pegada de carbono do processo produtivo do etanol da Raízen Energia, o que a credenciaria a comercializar mais certificados de biocombustíveis (CBios) que serão negociados quando o RenovaBio estiver em operação. A empresa estima que, se toda a frota de tratores e caminhões que transportam a cana da usina sucroalcooleira de Guariba fosse adaptada e todo o consumo migrasse para o biometano, a pegada de carbono do etanol da unidade seria 20% inferior à atual. (Valor Econômico 23/08/2018)

 

Bunge vende operações de trading de açúcar para Wilmar

A gigante do agronegócio Wilmar International, de Cingapura, adquiriu as operações de trading de açúcar da rival Bunge por um valor não revelado, disseram as companhias nesta quarta-feira.

A venda é o mais recente dos esforços da Bunge para reduzir sua exposição a um problemático negócio de açúcar, o qual a companhia disse, ainda em 2013, estar buscando vender.

A empresa afirmou no início do ano que buscaria vender suas operações comerciais separadamente de seus ativos de produção no Brasil.

Os preços do açúcar despencaram à medida que a produção global tem superado a demanda, deixando o mundo inundado pelo excesso de oferta. Os futuros de referência de açúcar bruto e refinado caíram para os níveis mais fracos em uma década nesta semana.

A venda da Bunge inclui contratos de açúcar bruto e refinado, disse a Wilmar em um documento.

A empresa, que é grande usuária de açúcar bruto e produtora, vem expandindo sua presença por meio de compras de usinas, bem como de novos empreendimentos comerciais nos últimos anos.

A aquisição não deverá ter nenhum impacto significativo no atual exercício financeiro da empresa, de acordo com o documento.

Em março, a Wilmar informou que não mantinha conversas com a Bunge sobre o negócio de comércio de açúcar, mas também se recusou a comentar quando perguntada se havia considerado a aquisição da unidade.

A Bunge, uma grande empresa global na comercialização e produção de açúcar, busca sair do negócio desde 2013. A empresa norte-americana ainda possui usinas no Brasil, o maior exportador mundial do adoçante. (Reuters 22/08/2018)

 

Biosev encerra contrato com Brasil Plural para formador de mercado

Empresa frisou que respeitado o aviso prévio, o contrato vigorará até o dia 21 de setembro de 2018.

A Biosev, braço sucroenergético da Louis Dreyfus Company (LDC), informou nesta quarta-feira que decidiu terminar o contrato de prestação de serviços de formador de mercado firmado com a Brasil Plural, segundo fato relevante divulgado ao mercado.

Por meio desse contrato, o formador de mercado exerce atividades com o objetivo de fomentar a liquidez das ações da companhia, no âmbito da bolsa paulista B3.

“Respeitado o aviso prévio, o contrato vigorará até o dia 21 de setembro de 2018”, afirmou a Biosev.

A empresa frisou ainda que seus acionistas controladores não celebraram com o formador de mercado “qualquer contrato ou instrumento regulando exercício de direito de voto e/ou compra e venda de valores mobiliários de sua emissão”.

“A companhia informa, ainda, que até a presente data, não celebrou qualquer contrato e não tem planos para contratar outra instituição para atuar como seu formador de mercado”.

Os papéis da Biosev fecharam nesta quarta-feira em baixa de quase 2,5 por cento.

Segunda maior processadora de cana do mundo, a Biosev, registrou prejuízo líquido de 506 milhões de reais no primeiro trimestre da safra 2018/19 (abril a junho) em meio a um impacto negativo da variação cambial. (Reuters 23/08/2018)

 

Açúcar: Na corda bamba

Depois de testarem novas mínimas na bolsa de Nova York, os contratos futuros do açúcar demerara encerraram o pregão com alta marginal ontem.

Os papéis com vencimento em março fecharam a 11,07 centavos de dólar a libra-peso, alta de 2 pontos.

Enquanto a alta do dólar e as previsões de superávit na oferta mundial pressionam o mercado, as cotações mais baixas estimulam a fixação de preços por parte de empresas processadoras.

"Mas essa força compradora é limitada no curto prazo, predominando a tendência de queda no longo prazo", diz Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, ao apontar uma linha de suporte de 9,85 centavos de dólar.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 51 a saca de 50 quilos, alta de 1,65%. (Valor Econômico 23/08/2018)

 

Com valorização do dólar, Brasil é o menos prejudicado pela queda do açúcar, diz Datagro

O presidente da Datagro, Plinio Nastari, afirmou nesta quarta-feira, 22, que a valorização do dólar no Brasil faz com que o País seja menos prejudicado entre os grandes produtores de açúcar pela queda dos preços da commodity, superior a 30% em um ano.

Como o açúcar é negociado em dólar no mercado global, a valorização da moeda norte-americana ante o real, de 5,2% em um mês e de 23,3% no ano, deu mais competitividade aos produtores locais em relação aos concorrentes.

Entre os outros grandes produtores, nos mesmos períodos, o euro se desvalorizou 2,4% e 5,3%, respectivamente, a rupia indiana 2,3% e 9,6%, e o bath tailandês teve desvalorização de apenas 0,2% no mês e de 2,5% no ano.

Nastari, no entanto, considera que os preços futuros do açúcar convertidos para real seguem muito baixos no curto prazo, entre R$ 870 e R$ 880 por tonelada, mas chegam a R$ 1.200 por tonelada para fixações para um prazo de dois anos. (Agência Estado 23/08/2018)

 

Brasil, terra onde o etanol de cana é rei, aposta em combustível de milho

As usinas espalhadas pelo coração agrícola do Brasil atestam que o País é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo e o rei absoluto do etanol produzido a partir desse cultivo. Mas a dívida enfraqueceu esse setor, o que abriu caminho para que outro biocombustível floresça.

A produção brasileira de etanol à base de milho deve ultrapassar a marca de 1 bilhão de litros pela primeira vez nesta temporada, de acordo com a INTL FCStone. Embora o número seja apenas uma pequena fração do mercado de biocombustível do país sul-americano, de 31 bilhões de litros, a produção deve se expandir rapidamente nos próximos anos em meio a uma onda de investimentos em que mais de uma dúzia de novas usinas estão planejadas.

A aposta no milho surge depois que os agricultores triplicaram a produção do grão no cerrado do Centro-Oeste do País nos últimos dez anos. Isso está oferecendo aos processadores agrícolas, como a Cargill, uma oferta abundante do ingrediente para a fabricação de etanol em um momento em que os preços dos combustíveis fósseis no Brasil chegam aos valores mais altos em vários anos. A nova legislação, chamada RenovaBio, também estipulou metas federais para níveis mais altos de uso de biocombustíveis. Isso deve dar um impulso de 20 bilhões de litros à demanda nacional até o final da próxima década, de acordo com projeções do governo.

A incursão pelo milho também pode gerar uma maior concorrência para a indústria americana de etanol, que extrai a maior parte do biocombustível desse grão. O Brasil é o maior consumidor de etanol do mundo depois dos EUA, em grande parte por causa do amplo uso de carros que podem rodar com o biocombustível ou com a gasolina convencional. Embora a maior parte das necessidades do país sul-americano seja satisfeita com a produção nacional, o Brasil absorve algumas importações, principalmente dos EUA.

'O milho mais barato'

"Os produtores de etanol de milho [do Brasil] se tornaram muito competitivos", disse Ricardo Tomczyk, presidente da União Nacional do Etanol de Milho (Unem). Os preços do grão no Mato Grosso, no coração da região onde as novas usinas estão sendo desenvolvidas, tiveram média de US$ 1,87 o bushel neste ano. O valor está bem abaixo da média de US$ 3,30 em Iowa, principal estado produtor de milho dos EUA, um reflexo dos diferentes custos de produção e logística. "Temos o milho mais barato do mundo", disse Tomczyk.

A produção de etanol de milho pode superar 3 bilhões de litros em cinco anos e tem o potencial de chegar a 8 bilhões de litros até 2030, estima Tomczyk. Isso seria suficiente para que o incipiente setor abocanhe cerca de 40 por cento do aumento projetado para a demanda nacional no período, segundo dados do governo.

O etanol à base de milho provavelmente será enviado principalmente para os estados do centro e do norte do Brasil, destinos comuns das exportações dos EUA, disse Tomczyk. O Brasil importou 1,7 bilhão de litros de etanol dos EUA na temporada 2017/2018.

Mesmo com a expansão, a grande maioria do etanol brasileiro provavelmente continuará sendo feita por usinas de cana-de-açúcar no futuro previsível. Esses processadores costumam ser mais eficientes e emitem menos dióxido de carbono. Eles também podem produzir mais litros por hectare e gerar sua própria energia com a queima do bagaço, o resíduo da cana que sobra do processo de moagem. (Bloomberg 22/08/2018)

 

Rombo no mercado de eletricidade deixa Petrobras e usinas de cana com milhões a receber

Uma disputa judicial entre empresas de energia e o governo pelas regras do chamado “risco hidrológico” tem deixado bilhões de reais em aberto em um acerto de contas mensal do mercado de eletricidade e provocado revolta entre os impactados pelo “rombo”, que incluem desde a estatal Petrobras até usinas de cana-de-açúcar e comercializadoras de energia.

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), que representa as usinas do centro-sul, estima que o setor tem 300 milhões de reais a receber, enquanto a Petrobras, apesar de ter ingressado na Justiça, não recebeu cerca de 40 milhões de reais na última liquidação financeira do mercado de curto prazo de eletricidade, promovida pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

Já a unidade de comercialização de energia do BTG Pactual chegou a acumular crédito de 2 bilhões de reais antes de também ir à Justiça.

A liquidação do mercado de junho, a mais recente realizada pela CCEE, envolveu 10,2 bilhões de reais em operações, mas arrecadou apenas 1,99 bilhão para pagar os agentes com créditos a receber.

Operadores de hidrelétricas questionam custos com a compra de energia mais cara no mercado para compensar uma menor geração de suas usinas por questões como o baixo nível dos reservatórios. Com liminares, esses agentes conseguiram evitar 7 bilhões de reais em pagamentos na liquidação do mercado.

Pelas regras da CCEE, os valores não pagos são descontados dos créditos de quem tem recursos a receber na operação, o que levou outras empresas a buscarem liminares para assegurar prioridade nos recebimentos, acirrando a briga.

“Com a judicialização do mercado por conta das liminares, nos últimos 12 meses, 98 por cento dos agentes da CCEE receberam cerca de 10 por cento de seus créditos, sendo que nas últimas liquidações esse grupo não conseguiu receber qualquer valor”, disse a CCEE em nota à Reuters.

Petrobras e usinas de cana-de-açúcar

A Petrobras, que opera termelétricas e conta com recursos das liquidações na CCEE para pagar custos de combustível, foi uma das empresas que buscou prioridade nos tribunais, com uma liminar obtida pela Associação Brasileira de Geradores Termelétricos (Abraget), mas ainda assim tem sido impactada.

“Na liquidação financeira ocorrida em 7 de agosto, a Petrobras foi exposta a uma inadimplência de 25,1 por cento de seus créditos totais, o que equivale a 39,4 milhões de reais. O problema da inadimplência na CCEE compromete o correto funcionamento do mercado e afeta todos os agentes”, disse a estatal em nota.

Outras empresas, sem liminares, têm sido muito mais afetadas, como usinas de cana-de-açúcar que produzem energia com biomassa, o que levou a uma movimentação da Unica junto ao governo em busca de soluções.

O gerente de bioeletricidade da Unica, Zilmar de Souza, disse que as usinas estimam ter 300 milhões de reais em créditos retidos na CCEE devido aos valores em aberto no mercado.

“Essa situação está ficando insustentável. Nossa estimativa é que neste ano a gente tenha, por conta desse imbróglio, deixado de estimular algo como no mínimo 10 por cento de geração adicional para a rede pelas usinas de biomassa. Não é estimulante buscar essa geração se você não vai receber, só vai ter o custo”, explicou.

Comercializadoras de eletricidade também têm reclamado muito dos impactos da briga de liminares, em um clima de insatisfação que aumentou ainda mais depois que algumas empresas do setor, como o BTG Pactual, conseguiram decisões judiciais para prioridade nos créditos, enquanto outras seguem sem receber.

Uma fonte com conhecimento do assunto disse que a unidade de comercialização do BTG decidiu ir à Justiça depois de não ver perspectiva de solução de curto prazo para o problema e diante de quase 2 bilhões de reais em créditos acumulados pela empresa em suas operações no mercado.

Procurado, o BTG não comentou.

A Abraceel, associação que representa as comercializadoras, tentou uma liminar em nome de todos agentes da categoria, que foi negada, mas o presidente da entidade, Reginaldo Medeiros, disse que considera injusto criticar a busca de algumas comercializadoras por soluções individuais na Justiça.

“Alguém não pagou uma conta, foi para a Justiça para não pagar e a conta sobrou para quem era credor. É uma situação de absoluta injustiça, o credor leva um calote e ainda é visto como criminoso”, afirmou.

Ele adicionou que o risco hidrológico “não é um problema dos comercializadores” e acusou o governo de ser “absolutamente omisso” na busca de uma solução para o problema no mercado.

Solução incerta

O governo tem apostado em resolver a disputa bilionária por meio de um acordo para compensar parcialmente as perdas dos geradores hídricos pelos custos com o risco hidrológico, desde que eles em troca retirem as liminares que travam o mercado.

O acerto seria viabilizado com a extensão de contratos de concessão das hidrelétricas envolvidas na briga, mas isso exigiria uma alteração legal que foi proposta em um projeto de lei em tramitação no Senado.

O problema é que o projeto sobre o assunto trata também da privatização de distribuidoras de energia da Eletrobras, um tema polêmico e que tem atrasado a deliberação da matéria em ano eleitoral.

A CCEE já disse que o rombo no mercado pode ultrapassar 13 bilhões de reais até o final do ano se não houver um acerto com os geradores. (Reuters 22/08/2018)

 

Datagro reduz previsão de produção de açúcar e espera recorde de etanol em 2018/19

A produção de açúcar no centro-sul do Brasil deve cair para 27,93 milhões de toneladas na atual safra 2018/19, iniciada em abril, projetou nesta quarta-feira a consultoria Datagro, apesar de certa manutenção no rendimento industrial, já que as usinas continuam a alocar parcela significativa de cana para a fabricação do adoçante.

O volume previsto é inferior aos 28,2 milhões de toneladas considerados anteriormente e também representa queda de 22,5 por cento ante o observado em 2017/18.

"Isso leva em consideração um mix de 37,1 por cento (do total de cana) para o açúcar", comentou o presidente da consultoria, Plinio Nastari, durante teleconferência. Na safra passada, o percentual havia sido de 46,5 por cento para a commodity.

Em contrapartida, a fabricação de etanol no centro-sul deve ir a 30,1 bilhões de litros no ciclo vigente, frente a 28,75 bilhões na previsão anterior, de julho, e 26,09 bilhões em 2017/18.

O setor sucroenergético brasileiro vem impulsionando a produção de etanol em razão da melhor remuneração do biocombustível, dado o forte consumo interno e o derretimento das cotações internacionais do açúcar, que nesta semana atingiram o menor nível em uma década.

Segundo Nastari, o total de matéria-prima destinada à produção de álcool hidratado, usado diretamente nos tanques de veículos, superou o de açúcar pela primeira vez 21 anos.

O presidente da Datagro disse que até o momento usinas fixaram os preços de até 70 por cento da exportação de açúcar em 2018/19. Ele destacou também que o tombo das referências do adoçante na ICE tem sido compensado pela apreciação do dólar ante o real.

"O impacto da queda dos preços em Nova York está sendo mais sentida em outras geografias do que no Brasil, por causa da desvalorização do real", comentou.

Moagem

A Datagro estima processamento de 558,12 milhões de toneladas de cana no centro-sul do Brasil na safra 2018/19, ante 557 milhões na previsão anterior e 596,31 milhões no ano passado.

Na avaliação de Nastari, a seca recente no país tende a ser mais sentida na próxima safra, a 2019/20, uma vez que afetou o desenvolvimento da cana que será colhida só no próximo ano.

Por ora, a estiagem contribuiu para a concentração de sacarose nas plantas. O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) deverá atingir 141,75 kg por tonelada de cana processada em 2018/19, alta de 3,8 por cento na comparação anual.

"A seca nesses últimos seis meses vai impactar mais intensamente a safra que vem do que a safra atual. O menor rendimento agrícola deste ano está sendo compensado por maior conteúdo de açúcar na cana", resumiu Nastari.

Conforme a Datagro, a moagem deve terminar 20,1 dias mais cedo neste ano ante o ano passado em razão do tempo seco. O cálculo foi feito com base em uma amostra de mais de 100 usinas.

Balanço global

A Datagro estimou também um superávit global de 9,39 milhões de toneladas de açúcar na safra 2017/18, que se encerra em setembro, e outro de 6,71 milhões em 2018/19. Anteriormente, as previsões eram de 9,66 milhões e 6,48 milhões, respectivamente. (Reuters 22/08/2018)