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Unica prevê queda maior da produtividade dos canaviais

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) sinalizou que a redução da produtividade da atual safra de cana (2018/19) do Centro-Sul do país deverá se aprofundar conforme a colheita avançar em áreas com plantações mais velhas e, portanto, já de rendimento naturalmente menor.

Com a longa estiagem que prejudica a região, do início da temporada, em 1º de abril, até a primeira quinzena de agosto o rendimento médios dos canaviais do Centro-Sul foi de 80,72 toneladas por hectare, uma queda de 1,9% em relação a igual período do ciclo anterior. Apenas em julho, a retração na comparação com o mesmo mês do ano passado chegou a 5,7% , para 78,04 toneladas por hectare.

“A quebra agrícola registrada na [primeira] quinzena [de agosto] retrata o início de unma tendência esperada para os próximos meses. A expectativa dos técnicos das empresas é que o rendimento por hectare das lavouras que serão colhidas até o fim da safra será bastante reduzido e em algumas áreas a quebra poderá superar 20%”, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica.

Por causa da quebra, estima-se que até o fim de agosto a redução acumulada da moagem poderá alcançar 16 milhões de toneladas, acrescentou Padua. Até a primeira quinzena de agosto, o volume acumulado de moagem ainda superou o de igual período de 2017/18 - foram 348,5 milhões de toneladas, um aumento de 1,4%.

“Nos próximos meses, deverá ocorrer a ampliação da participação da cana de cortes mais velhos na moagem, intensificando a tendência de retração da produtividade agrícola, já notada nos dados preliminares da 1ª quinzena de agosto”, indicou a Unica, em nota.

O ritmo acelerado da colheita observado até o momento também pode reduzir o ímpeto dos trabalhos em campo nas áreas restantes. Segundo Padua, é possível que haja um desestímulo à colheita em áreas com cana que foi processada entre dezembro de 2017 e março de 2018. (Valor Econômico 24/08/2018 às 14h: 24m)

 

Chuvas prejudicam moagem de cana, mas produção de etanol volta a crescer

Moagem caiu 26,13%, alcançando 33,56 milhões de toneladas nos primeiros 15 dias de agosto.

O total de cana-de-açúcar moída nas usinas do centro-sul do país caiu na primeira quinzena de agosto devido às chuvas, mas nem isso impediu que o volume de etanol fabricado apresentasse crescimento em relação ao ano passado.

É o que aponta relatório da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) divulgado nesta sexta-feira (24).

Segundo a entidade, a moagem de cana caiu 26,13%, alcançando 33,56 milhões de toneladas nos primeiros 15 dias de agosto, ante as 45,44 milhões de toneladas do mesmo período na safra passada.

Isso ocorreu por causa das chuvas do início do mês em algumas regiões produtoras, que perderam em média cinco dias de moagem.

Entre as regiões atingidas estão as de São Carlos, Piracicaba e Assis, no interior paulista, e o estado do Paraná. As chuvas de agosto, porém, estão longe de amenizar o impacto provocado pela seca nos canaviais, que fará com que haja quebra de produção.

No período, a produção de etanol cresceu 1,10%, com 1,98 bilhão de litros, ante 1,95 bilhão da mesma quinzena do ano anterior.

O hidratado, utilizado diretamente nos veículos bicombustíveis, teve alta de 23,08% na produção, para atender a demanda, os preços estão mais vantajosos que os da gasolina.

Já o etanol anidro, que é misturado à gasolina antes da comercialização, teve queda de 26,75% no mesmo período.

Para produzir mais etanol mesmo tendo menos cana, as usinas diminuíram a produção de açúcar, que caiu 45,90% na quinzena.

A queda já foi observada ao longo dos últimos meses. Mais vantajoso financeiramente às usinas, o etanol tem sido a opção das unidades produtoras.

Em postos do interior de São Paulo, o etanol tem sido encontrado nesta semana com preços inferiores a R$ 2 o litro.

Apenas 36,37% da cana disponível foi destinada à produção de açúcar na atual safra, ante os 48,69% em igual período do ano passado. (Folha de São Paulo 24/08/2018 às 17h: 23m)

 

Preços do açúcar se recuperam na ICE com fortalecimento do real

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE subiram nesta sexta-feira, recuperando-se das mínimas de múltiplos anos desta semana, com o fortalecimento do real ante o dólar norte-americano e com os operadores cobrindo suas posições vendidas.

Os ganhos no real tendem a dar suporte aos preços, por diminuir o valor na moeda local das commodities atreladas ao dólar, reduzindo o incentivo de venda. O Brasil é o maior produtor de açúcar do mundo.

"Há operadores que vendem porque eles esperam que os produtores estejam vendendo em real", disse um operador norte-americano, destacando que os especuladores continuam com grandes apostas baixistas.

O contrato outubro do açúcar bruto subiu 0,11 centavo de dólar, ou 1,09 por cento, a 10,23 centavos de dólar por libra-peso, se distanciando da mínima de 10 anos de quarta-feira, de 9,91 centavos de dólar, e terminando a semana com leve alta.

Os preços tiveram um rali de 3,6 por cento nesta sexta-feira, impulsionados pela valorização do real e por dados do setor. O mercado reduziu os ganhos depois de ficar abaixo do nível de resistência da média móvel de 20 dias, de 10,47 centavos de dólar.

Dados quinzenais da Unica mostraram que a produção de açúcar do Brasil na primeira metade de agosto caiu 46 por cento ante a temporada anterior, com as usinas desviando cana para a produção de etanol ao invés do adoçante.

O açúcar branco para outubro ganhou 4,60 dólares, ou 1,5 por cento, a 310,60 dólares por tonelada, fechando a semana com ganho de 1,1 por cento.

As operações em Londres estarão suspensas na segunda-feira em razão de um feriado local. (Reuters 27/08/2018)

 

Etanol hidratado sobe 4,75% e anidro avança 1,13% nas usinas

Com a demanda crescente, os preços do etanol hidratado avançaram 4,75% nas usinas paulistas nesta semana. O combustível saiu de R$ 1,3911 para R$ 1,4572, o litro, em média, entre segunda-feira e hoje, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Já o valor anidro voltou a subir após dez recuos consecutivos, com alta de 1,13% na semana, de R$ 1,5628 o litro para R$ 1,5805 o litro, em média.(Agência Estado 27/08/2018)

 

Etanol competitivo limita oferta de açúcar, mas NY ainda aguarda boa disponibilidade chegando

 Os fundos e grandes tradings lutam para trazer o açúcar de volta acima do nível de 10.50 c/lp, tentando se  aproveitar de pequenas e rápidas janelas para a commoditie buscar novos suportes, como foi nesta sexta (24) na ICE Nova York. Mas é quase como enxugar gelo, pelo menos até outubro, ou até novembro.

E o Brasil ainda tem sua contribuição a dar jogando mais pressão no açúcar, mesmo com a possibilidade do etanol continuar subtraindo alimento do mercado.

O ponto de baixa ainda não está devidamente claro, abaixo ou próximo dos 10.23 c/lp do outubro neste último dia útil da semana (na quinta/23, havia caído 6 pontos), quando subiu 11 pontos. O alívio externo com o FED (Banco Central americano) reafirmando sua política de aumento gradual dos juros por lá e o dólar ligeiramente mais fraco aqui jogaram panos quentes nos preços do alimento.

Mas Maurício Muruci, da Safras & Mercado, registrou também um grande volume de ordens de compra, com indústrias de alimentos tentando assegurar estoques baratos, o que teria ajudado o açúcar a se manter no modo de sobrevivência.

O que vem ainda pela frente, nas contas da Canex Exportação, é um número razoável de fixação de açúcar brasileiro, inflando uma oferta asiática, desta e da safra 18/19, em vias de começar -, que ninguém sabe mais o que fazer com ela. “Ainda tem usinas no Brasil com 50% da safra por fixar preços”, disse a trader da empresa, Ana Cláudia Cordeiro.

Para completar, segundo Ana Cláudia, o mercado está esperando uma forte “entrega” da Tailândia, descarregando maior disponibilidade de açúcar no contrato de outubro.

Um ponto fora da curva, que pode acabar sendo um limitador da queda, é o fôlego do etanol vis-à-vis o valor do barril do Brent e o carrego para a gasolina, como a escalada da gasolina vista nesta sexta. O analista da Safras & Mercado chama a atenção para isso.

O petróleo está em alta e a paridade do hidratado (em produção no pico) com o combustível fóssil chegou a patamares de 52% em São Paulo, por exemplo, em postos de bandeira. A demanda segue firme.

Isso tira matéria-prima destinada ao açúcar, na prática. Na teoria, é esperar para ver os próximos passos da escalada da guerra comercial EUA X China e a insegurança com as eleições brasileiras, e o efeito cambial, que aliás já está freando as importações de petróleo. (Notícias Agrícolas 27/08/2018)

 

Açúcar, carne e veículos ainda são obstáculos para acordo UE-Mercosul, diz Aloysio Nunes

Os negociadores de um acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul querem bater o martelo até setembro, mas diferenças a respeito da carne bovina, do açúcar e da indústria automotiva podem acabar com essas esperanças, disse o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes.

Questões sobre propriedade intelectual, regras de origem e serviços marítimos também precisam ser resolvidas, disse o chanceler brasileiro em uma entrevista concedida na quinta-feira.

“A UE não tem respondido aos movimentos que o Mercosul tem feito como nós esperamos”, disse.

O Mercosul solicitou um período de transição de 15 anos para a importação de veículos europeus e peças automotivas, mais do que os 10 anos propostos originalmente, para amenizar o impacto sobre sua indústria. Em troca, ofereceu aceitar uma quota generosa de importações da Europa durante o período de transição que “praticamente anula” seu efeito, argumentou.

A resistência da UE para dar acesso a algumas exportações de alimentos do Mercosul continua sendo um obstáculo central para a conclusão do acordo, que vem sendo negociado desde 1995.

Nunes disse não ver nenhuma chance de alterar a quota oferecida pela comissão da UE para a importação de 99 mil toneladas de carne bovina do Mercosul por ano, menos do que a oferta europeia feita em 2004, mas o bloco sul-americano insiste que essa quota entre livre de tarifas.

O mesmo vale para o açúcar do Mercosul, que terá uma quota de 150 mil toneladas por ano, mas ainda precisa pagar uma tarifa de 98 euros por tonelada, o que tornará difícil ganhar espaço no competitivo mercado de açúcar europeu, disse Nunes.

“Se eles nos oferecem uma quota, que seja uma quota para valer, e não uma quota fictícia”.

Nunes disse que o Mercosul, que é formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai e é o quarto maior bloco comercial do mundo, ofereceu à UE um grande mercado de consumidores de classe média disposto a comprar produtos europeus.

Como as negociações comerciais com os Estados Unidos foram interrompidas depois da vitória presidencial de Donald Trump em 2016, a UE fechou acordo comerciais com o Japão e o México, e o Mercosul é o próximo da lista.

Em termos de redução de tarifas, pode se tratar do pacto comercial mais lucrativo do bloco até hoje, já que a economia pode ser até três vezes maior do que a de acordos com o Canadá e o Japão somados.

Nunes disse que a separação britânica da UE não terá impacto no acordo UE-Mercosul para além de servir como base para uma futura negociação com o Reino Unido.

“Boris Johnson me disse, quando era ministro, que o acordo da UE seria o ‘padrão mínimo’ para um acordo Mercosul-Reino Unido”, afirmou Nunes. (Reuters 24/08/2018)

 

Agronegócio cobra fim da tabela de frete

Pessimista em relação a uma possível decisão ágil ou favorável ao setor pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o agronegócio brasileiro vai cobrar do próximo presidente do Brasil que se comprometa em revogar a lei do tabelamento de frete rodoviário para cargas, em vigor desde o início deste mês no país. Ou ainda aprovar no Congresso um novo marco regulatório do transporte de cargas que exclua as tabelas de frete.

As propostas constam do estudo "O Futuro é Agro", obtido com exclusividade pelo Valor, que traz um plano de metas com políticas de Estado a serem adotadas pelos próximos presidentes até 2030. E será entregue aos presidenciáveis na próxima quarta-feira, em uma série de sabatinas na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O documento foi encomendado por 18 entidades do segmento agropecuário a Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Maior foco de preocupação da agropecuária brasileira no momento, o preço mínimo para os fretes será tema de uma audiência pública que o ministro Luiz Fux, relator do assunto no STF, marcou para esta segunda-feira com representantes do setor produtivo e dos transportadores para embasar sua decisão sobre as dezenas de ações de inconstitucionalidade sobre tabelamento.

Alas do setor agrícola já avaliam, no entanto, que Fux não deve considerar o tabelamento inconstitucional, como pretendem as tradings e empresas em geral, ou transferir o julgamento para o plenário da Suprema Corte. Logo há grandes chances de o STF analisar o caso somente em 2019 com o país já sob o comando de um novo presidente.

Daí a mobilização política para incluir os fretes como tema da campanha presidencial por parte da cadeia produtiva de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, carnes e frutas, entre outros itens em que o Brasil tem participação de destaque na produção ou exportação. Da lista dos cinco candidatos já confirmados no evento da CNA, que inclui Marina Silva (Rede), Álvaro Dias (Podemos) e Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) já se declararam abertamente contra o frete mínimo. Até a última sexta-feira, Jair Bolsonaro (PSL) não havia confirmado presença.

Apesar de o frete concentrar as preocupações do agronegócio neste momento, dezenas de outras propostas também farão parte do conjunto de cobranças contidas no estudo, apesar de velhas conhecidas da agropecuária, como ampliação de subsídios ao seguro rural, incentivo à armazenagem, assistência técnica, melhorar segurança no campo, fortalecer a defesa agropecuária e acessar mais mercados aos produtos do agronegócio. A razão da insistência com as mesmas políticas de sempre é o diagnóstico do setor de que as medidas nunca foram executadas nas últimas décadas ou não foram prioridade para os governos.

Dentre as 10 propostas prioritárias ao agronegócio brasileiro que serão apresentadas aos candidatos estão: apoio às "reformas necessárias", em especial a tributária e da Previdência; priorizar o seguro rural e atrair novas fontes de financiamento agrícola que não sejam dependentes do Tesouro; firmar acordos comerciais com prioridade em importantes importadores de alimentos como Coreia do Sul, México, União Europeia e Japão, e facilitar fluxo comercial com China, Estados Unidos e Aliança do Pacífico; apoiar políticas voltadas para o crescimento sustentável do setor; fomentar e ampliar o acesso às tecnologias no campo; e desenvolver políticas voltadas para o aumento da produção de biocombustíveis.

O documento a ser entregue aos candidatos também defende a manutenção do sistema de crédito rural, que inclui subsídios bancados pelo governo, tema já criticado por alguns presidenciáveis; que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) retorne à Presidência; e cooperativas de crédito operem com linhas do BNDES. (Valor Econômico 27/08/2018)

 

Ministro se corrige e diz que proibição ao uso de glifosato continua em vigor

 O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pediu desculpas nesta sexta-feira por ter informado equivocadamente na véspera que a Justiça brasileira havia cassado liminar que proíbe o uso do glifosato no país, e ressaltou que a proibição ao herbicida continua em vigor.

"Minha vontade de resolver essa questão é tamanha que acabei repassando a informação de que a liminar do glifosato teria sido cassada", disse o ministro em uma postagem no Twitter nesta sexta-feira.

"Continuo aguardando a decisão. Me desculpem pelo acontecido!", acrescentou Maggi, depois de ter publicado a informação errada na tarde de quinta-feira.

A Reuters confirmou com o próprio ministro, na quinta-feira, a informação enviada por ele em sua conta no Twitter.

A confusão em torno do glifosato se deu após a juíza federal substituta da 7ª do Distrito Federal, Luciana Raquel Tolentino de Moura, determinar no início do mês que a União não conceda novos registros de produtos que contenham como ingredientes ativos o glifosato, entre outros.

A decisão judicial ocorreu apesar de o produto ser um herbicida utilizado há décadas em importantes lavouras brasileiras, especialmente na soja, o principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

A manifestação equivocada de Maggi ocorreu após recurso movido na quarta-feira pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao Tribunal Federal Regional da Primeira Região (TRF-1).

A proibição envolvendo o glifosato ocorre em momento em que produtores se preparam para o plantio da nova safra nas próximas semanas.

O ministro já havia se manifestado anteriormente sobre o tema, ao dizer que seria um "desastre" a proibição ao glifosato, uma vez que produtores não teriam opção para práticas agrícolas consolidadas como o plantio direto.

A maior parte da soja plantada no Brasil é transgênica, resistente ao glifosato, o que facilita o manejo e o combate a ervas daninhas nas lavouras.

A decisão pode impactar companhias como a Monsanto, comprada recentemente pela Bayer, que comercializa sementes resistentes ao glifosato e herbicidas. As empresas afirmam que o glifosato é seguro.

Ao ser procurado, o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), que representa as companhias do setor, afirmou que aguarda posicionamento do TRF sobre o recurso apresentado pelo governo para eventualmente tomar alguma medida judicial.

O Sindiveg também afirmou anteriormente que o glifosato é um produto seguro e utilizado em muitos países.

O foco sobre o glifosato no Brasil coincide com recente decisão da Justiça nos Estados Unidos, que determinou este mês que a Monsanto pague uma indenização de 289 milhões de dólares em um processo aberto por um homem que alega que desenvolveu câncer por causa do pesticida.

Pesquisa da Unicamp não reconhece traços de glifosato em trabalhadores rurais (Aprosoja)

Uma pesquisa realizada pelo Departamento de Farmacologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo, não encontrou traços significativos do herbicida glifosato em urina de trabalhadores rurais de Mato Grosso. O resultado foi apresentado nesta sexta (24) na Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja).

Os professores doutores Angelo Zanaga Trapé, médico toxicologista, e Paulo César Pires Rosa, químico e farmacêutico, mostraram que, em 90 amostras analisadas a partir da metodologia desenvolvida e validada, em apenas 11 (ou 12%) foram encontrados níveis quantificáveis de glifosato. Nestas amostras, o maior valor encontrado foi de 0,007mg/kg. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Ingestão Diária Aceitável (IDA) é 0,042mg/kg.

O relatório informa que o tempo em que estes trabalhadores ficaram expostos ao glifosato antes do estudo não influenciou em maior ou menor quantidade de resíduos, visto que o nível mais alto encontrado foi obtido do candidato nº 19 (7,13ng/mL), com tempo de exposição de 1 ano e 9 meses, enquanto que o candidato de nº 29, com tempo de exposição de 10 anos, não obteve nenhum nível de resíduo quantificável.

“Como estudos sugerem uma taxa de absorção de aproximadamente 20%, pode-se considerar que a ingestão possa ter sido até cinco vezes maior que a dose interna encontrada. Assim, o maior nível de resíduo encontrado, 7,13 ng/mL poderia equivaler a uma dose externa de até 0,003mg/kg. Isto é, 7,14% da dose diária aceitável”, relata o pesquisador. Trapé reforçou que “nenhum estudo mostra uma relação causal entre ser agricultor e ter câncer”.

O doutor Paulo Rosa explicou que o método de pesquisa foi validado para dar segurança nos resultados e que houve certificação do aparelho utilizado para verificar as amostras. “Ainda temos que ampliar para um número maior de amostras. Porém, este é um projeto piloto que mostra a segurança do glifosato”, afirmou.

O vice-presidente da Aprosoja, Fernando Cadore, disse que é de interesse de todos os agricultores ter conhecimento sobre a segurança dos produtos que usa em suas propriedades. “A nossa família está lá, então investimos em pesquisa para saber com o que estamos trabalhando. Como associação, fazemos nosso papel de conscientizar sobre o uso de EPIs. O que nos preocupa são notícias sem conclusão científica e que são disseminadas sem conhecimento”, afirmou.

O procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso (MPT-MT), Marcel Bianchini, acompanhou a apresentação e afirmou que tem o interesse de conhecer cada vez mais sobre os produtos. “Estamos sempre preocupados com a questão trabalhista e a proteção do trabalhador. Frente a algumas decisões referentes ao glifosato no Brasil e no mundo, temos que estar por dentro de todas as informações possíveis sobre o produto”, disse. (Reuters 24/08/2018)

 

Polícia faz operação contra desvio de R$ 28 milhões de cooperativa de cana em MT

Investigação apura desvios de cerca de R$ 28 milhões da cooperativa de produtores de álcool e cana-de-açúcar, a Coprodia.

Uma operação que apura desvio de R$ 28 milhões em uma cooperativa de açúcar e etanol é realizada na manhã desta quinta-feira (23) em Mato Grosso, Goiás, Rondônia, Minas Gerais, Paraná e São Paulo.

Essa é a 3ª fase da Operação Etanol e foi deflagrada para cumprir 50 ordens judiciais, sendo 46 mandados de busca e apreensão e quatro mandados de prisão nesses estados.

A investigação, conduzida pela Delegacia da Polícia Civil do município de Campo Novo dos Parecis, a 397 km de Cuiabá, apura desvios de cerca de R$ 28 milhões da Cooperativa Agrícola de Produtores de Cana de Campo Novo do Parecis (Coprodia)

Em nota, a direção da Coprodia informou que ainda não tem o conhecimento de todos os fatos, mas que acredita que a investigação deve ajudar na Justiça aos cooperados, que estão se sentimento lesados e traídos com os desvios praticados e assim trazer a confiança novamente dos cooperados.

A cooperativa tem 46 cooperados, divididos em 19 famílias, quase todas moradoras de Campo Novo do Parecis, e constitui importante fonte de renda e emprego da cidade.

Na fase atual da operação, três ex-funcionários da cooperativa e a pessoa responsável pela abertura de empresas de fachadas para lavar o dinheiro estão com ordens de prisão decretadas. Alguns têm mais de um domicílio e serão notificados nas cidades ou estados que forem encontrados.

Outros endereços, como residências e empresas fantasmas, serão alvos de busca e apreensão de materiais.

O delegado que preside a investigação, Adil Pinheiro de Paula, informou que o objetivo da nova fase da operação é arrecadar elementos e apreender documentos fiscais e contábeis, que comprovem a movimentação financeira já detectada e investigada pela Polícia Civil, em parceria com o Ministério Público.

Mandados

Em Mato Grosso são cumpridos mandados de prisão e buscas nas cidades de Cuiabá (12), Várzea Grande (1), Araputanga (3), Campo Novo dos Parecis (7), Tangará da Serra (5), Santo Antônio do Leverger(1), Sapezal (2), Sinop (1), Porto Espiridião (2) Primavera do Leste (3) e Jaciara (1).

No estado de Goiás, dois mandados de busca e apreensão são cumpridos em Goiânia. No Paraná serão realizadas buscas nas cidades de Ponta Grossa (2) e Tibagi (1).

Em São Paulo os endereços estão localizados nas cidades de Marília (1), Ribeirão Preto (1), Mogi Mirim (1) e São Paulo (6). Em Minas Gerais serão duas buscas nas cidades de Ituiutaba (1) e Juiz de Fora (1). No Estado de Rondônia será cumprido um mandado de busca na cidade de Cacoal.

Fases 1 e 2

A 1ª fase da operação foi deflagrada em julho de 2017, em cumprimento de decisão judicial da 2ª Vara da Comarca de Campo Novo do Parecis, com parecer positivo do Ministério Público, para bloqueio dos bens de Nivaldo Francisco Rodrigues, apontado como um dos chefes do esquema criminoso.

Foram bloqueados 15 imóveis em Campo Novo dos Parecis, 7 bens localizados em Juína, Cuiabá e Paraná, além de recursos financeiros, automóveis e gado, demonstrando o enriquecimento ilícito do suspeito.

O ex-diretor financeiro da cooperativa foi preso na 2ª fase, após a Polícia Civil descobrir, que mesmo sendo monitorado por tornozeleira eletrônica, ele continuou movimentando dinheiro da cooperativa. Entre o final de 2017 e começo de 2018 foram cerca de R$ 1 milhão, ato que estava expressamente proibido por determinação judicial.

Segundo a investigação, Nivaldo é o chefe da organização criminosa, sendo o elo entre as empresas (fantasmas) que forneciam as notas falsas de prestação de serviço e o dinheiro da cooperativa. Ele também ficava com a maior parte do dinheiro desviado.

Durante buscas realizadas no dia 12 de julho de 2017, a Polícia Civil apreendeu farta documentação que prova o enriquecimento ilícito de Nivaldo Francisco, nos últimos anos. (G1 24/08/2018)

 

Mercado de Irrigação já aguarda a FIIB 2018

O maior evento especializado em Irrigação do país já é aguardado pelos profissionais do setor. A segunda edição da Feira Internacional da Irrigação Brasil, a FIIB 2018, acontecerá de 19 a 21 de setembro, das 9h às 17h, no Centro de Convenções Expo Dom Pedro (Shopping Parque Dom Pedro), em Campinas (SP).

O evento tem como foco proporcionar atualização sobre as principais novidades do mercado de Irrigação e promover o networking entre empresas e profissionais da área. Tudo isto, por meio de uma grande exposição técnica de serviços e equipamentos, acompanhada de diversas palestras e minicursos, ao longo de toda a programação.

Dentre os principais temas que serão abordados durante o evento estão: Gestão Hídrica; Sustentabilidade na irrigação; Planos diretores em agricultura irrigada; Gotejamento; Projetos de irrigação, Irrigação de precisão; Manejo de irrigação; Fertirrigação; Gestão inteligente de irrigação, além de muitos outros.

Neste ano, uma grande novidade para os participantes é que, simultaneamente à FIIB, acontecerá no mesmo local oXXVII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (CONIRD), fruto da parceria firmada entre a organização da feira com a Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) e o Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (INOVAGRI), entidades responsáveis pelo congresso. O objetivo é enriquecer ainda mais as discussões ligadas à gestão integrada de bacias hidrográficas, plano diretor de irrigação e outorga de água, em um evento conjunto, no qual estarão reunidos os principais stakeholders do setor de Irrigação do Brasil.

Em 2018, cerca de três mil pessoas são esperadas durante os três dias de programação.

As inscrições podem ser feitas antecipadamente no site do evento ou realizadas também diretamente no local durante a feira.

Vale lembrar ainda que o evento é gratuito e aberto ao público (maiores de 18 anos).

Mais informações sobre a FIIB 208 podem ser obtidas diretamente no site oficial do evento www.fiib.com.br. (Fonte: Fiib 24/08/2018)