Setor sucroenergético

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Valorização do dólar faz açúcar e etanol subirem

As dúvidas sobre quem ocupará o Palácio da Alvorada nos próximos quatro anos deixam os usineiros de cabelo em pé, à espera das próximas políticas para os combustíveis, mas no curto prazo a incerteza, que também contamina o mercado financeiro, bem que lhes veio a calhar. A disparada do dólar depois das últimas pesquisas de intenção de voto melhorou a remuneração das exportações de açúcar e etanol e teve reflexos positivos sobre os preços domésticos, minimizando a pressão sobre as margens que marca a safra atual (2018/19), que começou em abril.

Até o início de agosto, o dólar forte era mais um motivo de preocupação do que um alento, dado que o câmbio compensava pouco os preços do açúcar deprimidos e inflava as dívidas atreladas à moeda. Mas, agora que a dólar ronda R$ 4,10, a remuneração esboça uma reação, mesmo com os preços do açúcar na bolsa de Nova York patinando na casa dos 10 centavos de dólar a libra-peso. Neste mês, o dólar Ptax já subiu 9,7%, enquanto os contratos do açúcar demerara para entrega em outubro recuaram 1,6% em Nova York.

Segundo a JOB Economia, o preço do açúcar exportado pelas usinas do Centro-Sul saiu de R$ 870 a tonelada, no início da semana passada, para R$ 910 agora. Para Julio Maria Borges, diretor da consultoria, o avanço já se refletiu no mercado interno. Em seu levantamento, o preço médio do açúcar cristal (com cor até 250) no mercado spot (à vista) em São Paulo subiu 7,3% na última semana, para R$ 51,25 a saca de 50 quilos.

O câmbio pode não ter sido o único fator responsável por essa recuperação, recentemente a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a moagem perdeu força no Centro-Sul na primeira metade de agosto e que as usinas continuam preferindo produzir etanol -, mas foi fundamental para ela, na avaliação de boa parte das usinas. "Não fosse o câmbio nas últimas duas semanas, o preço do açúcar no país ficaria parado", disse uma fonte.

A fonte avalia que, no momento, exportar açúcar é mais negócio do que a venda doméstica, mas diz que essa vantagem vai desaparecer. "Quando há uma puxada grande do câmbio, a arbitragem favorece primeiro a exportação, mas o mercado doméstico tem mais inércia". Para essa mesma fonte, a perspectiva é de mais ganhos na entressafra. "Historicamente, quando há quebra de safra, o mercado interno se descola da exportação na entressafra", concorda Luiz Gustavo Diniz Junqueira, diretor comercial da Usina Batatais.

Para as usinas focadas no mercado interno, sobretudo as que trabalham com marcas comercializadas no varejo, deixar de vender no país para negociar fora pode não ser um bom negócio. "Não podemos nos dar o luxo de ficar um mês inteiro fora do mercado", afirmou um diretor de uma usina que vende açúcar ensacado no país. Sua aposta é que o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal (para cor entre 130 e 180) ainda tem de subir para cerca de R$ 55 a saca para remunerar o equivalente ao açúcar exportado. Na terça-feira, o indicador estava em R$ 53,78 a saca, alta de 8% desde o dia 17, quando atingiu seu menor patamar em três anos (R$ 49,80 a saca).

Alguns analistas observam que a alta do dólar também ecoa sobre o etanol, já que a Petrobras tem repassado no país parte do aumento do preço da gasolina importada. "Como a valorização da gasolina foi diretamente relacionada ao câmbio, o etanol acompanhou", afirmou Luis Gustavo Junqueira Figueiredo, diretor comercial da Usina Alta Mogiana, em São Joaquim da Barra (SP).

Na semana encerrada no dia 24, o indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado (que compete com a gasolina) vendido pelas usinas paulistas ficou em R$ 1,4572 o litro, com alta de 4,9% em duas semanas. Conforme levantamento da JOB Economia, houve alta de 7% apenas na última semana, para R$ 1,500 o litro (já descontando o pagamento de impostos). Nesta semana, a Alta Mogiana já conseguiu vender o produto por R$ 1,92 o litro para uma grande distribuidora, disse Figueiredo.

"Mas, antes dessas altas, açúcar e etanol haviam caído assustadoramente. Os preços continua horríveis", ressalvou Carlos Dinucci, presidente da Usina São Manoel. (Valor Econômico 29/08/2018)

 

Crise em usina da Renuka, em Promissão (SP), provoca prejuízos à população e ao comércio

Série de demissões de uma grande usina do Grupo Renuka está causando reflexos na economia de cidades da região. Setor que mais sente os efeitos é o do comércio.

Uma série de demissões em uma grande usina produtora de açúcar e álcool, instalada em Promissão (SP), vem trazendo impactos negativos não só na vida dos trabalhadores demitidos, como também na economia de cidades da região. O setor que mais tem tido prejuízos é o do comércio.

Desde o fim do ano passado, cerca de 1.250 funcionários da usina que pertence ao grupo Renuka Brasil, foram dispensados. Em Promissão, o comércio sente os efeitos de tantos desempregados.

Segundo levantamento da Associação Comercial de Promissão, a queda nas vendas gira em torno de 20%.

Alguns empresários até estão adotando medidas para baixar seus custos, que vão desde deixar o centro da cidade e se estabelecer em bairros, até diminuir o próprio quadro de funcionários.

"Infelizmente essa situação trouxe queda nas vendas e aumento da inadimplência, porque a prioridade das pessoas acaba sendo morar e comer, e daí não conseguem honrar seus compromissos", explica Lucimar Rodrigues, vice-presidente da Associação Comercial de Promissão.

A região também sente os reflexos. Em Lins, por exemplo, o presidente da Associação Comercial da cidade diz que o momento é ruim desde 2015, quando as demissões começaram.

Dívida bilionária

A dívida da Renuka Brasil está estimada em R$ 3,5 bilhões. Um novo processo de recuperação judicial está sendo elaborado e propõe a venda de outra usina do grupo para saldar as dívidas. Enquanto isso, correm na Justiça Trabalhista quase 300 ações contra o grupo.

“É uma situação muito difícil, que não é exclusiva nossa, mas de várias usinas de açúcar e etanol que estão em situação complicada. Estamos fazendo o possível para superar essas dificuldades”, garante Manoel Vicente Bertone, presidente da Renuka Brasil.

Na última terça-feira (21) ex-funcionários da usina Madhu, a unidade da Renuka em Promissão, reuniram-se em um protesto em frente à empresa. Cerca de 250 pessoas participaram do ato, segundos os organizadores.

De acordo com os manifestantes, que foram demitidos da usina entre outubro de 2017 e junho deste ano, a empresa não teria pago parte da rescisão prometida.

“Fomos demitidos e sem o depósito de do 40% e com a promessa de pagar em seis vezes pagaram duas e a terceira não foi feita. Eles dizem que o pagamento foi suspenso que não tem previsão”, afirmou César Rocha, representante dos ex-funcionários. (G1 28/08/2018)

 

Setor sucroenergético ganha variedade de cana com elevada produtividade, alto teor de fibra e de sacarose

Entre as novidades apresentadas no 2º INOVACANA - Seminário sobre Inovações Tecnológicas na Cana-de-açúcar, realizado pelo Grupo IDEA, em Ribeirão Preto, SP, em 4 e 5 de setembro de 2018, está a Vertix 3, variedade de cana desenvolvida pela Granbio que, segundo José Antônio Bressiani, diretor de tecnologia agrícola da empresa, apresenta elevada produtividade em toneladas de cana por hectare e proporciona maior longevidade ao canavial, além de índices expressivos de sacarose e de fibra.

Essa variedade da Granbio possui teor de fibra próximo de 20% e ART de 110 quilos por tonelada de cana. Com essas características, a Vertix 3 pode ser processada juntamente com a cana-de-açúcar tradicional para a produção de etanol de primeira geração. E, posteriormente, pode ser ainda utilizada, enfatiza José Bressiani, para geração de energia ou etanol 2G, pois disponibiliza grande quantidade de bagaço.

Outro diferencial dessa variedade é a produtividade em toneladas por hectare. Experimentos com a Vertix 3 mostraram um rendimento médio de 128 TCH em três cortes, enquanto a cana convencional alcançou 85 TCH. O surpreendente é que essa cana-energia está registrando uma produtividade crescente: 124 TCH no primeiro corte; 127 TCH no segundo e 131 no terceiro. A outra variedade, utilizada nesse experimento, teve um rendimento decrescente, como sempre ocorre com a cana tradicional, produzindo 116 TCH no primeiro corte, 74 TCH no segundo e 64 TCH no terceiro.

Em três cortes, produziu uma quantidade média de açúcar de 12% superior à outra variedade devido ao seu alto rendimento agrícola em toneladas por hectare. Esse índice deverá se tornar ainda maior em decorrência da produtividade crescente. Estes rendimentos podem alcançar entre 20% a 25% se cultivadas em solos de melhor fertilidade, calcula José Bressiani.

Os ganhos não param aí. A maior longevidade do canavial com a Vertix 3, que poderá atingir entre 8 e 10 cortes, também é destacada pelo diretor de tecnologia, segundo ele, essa duplicação do ciclo derrubará significativamente o custo de produção de matéria-prima.

Devido à sua rusticidade e ao sistema radicular mais robusto, essa variedade de cana resiste mais ao pisoteio e ao arranquio provocados pela mecanização da colheita, em comparação às canas convencionais. A Vertix 3 também aumentará o faturamento das unidades produtoras de cana por meio do CBios (créditos de descarbonização) – criados pelo RenovaBio, porque captura maior quantidade de dióxido de carbono (CO2), conforme demonstraram os experimentos da Granbio.

Com tantos benefícios, essa “supercana” deverá se tornar uma fantástica opção aos produtores de cana de todo país – e da indústria – em pouco tempo. A Vertix3 está em fase final de validação comercial e já está sendo multiplicada em algumas usinas do Centro-Sul desde 2017 e logo será oferecida em forma de MPB àqueles que se associarem ao programa da Granbio. Em Alagoas já está sendo cultivada por produtores e usinas há alguns anos.

As características, as vantagens e os diferenciais da Vertix 3 serão detalhados no 2º INOVACANA, José Bressiani realizará a palestra “Apresentação da primeira variedade Vertix de alta tonelagem com ATR superior”. (Vale 28/05/2018)

 

Preços do açúcar bruto caem na ICE devido ao câmbio no Brasil

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE caíram nesta terça-feira, aproximando-se de mínimas de múltiplos anos registradas na semana passada, pressionados pela renovada fraqueza da moeda do Brasil, maior produtor da commodity.

A desvalorização do real torna as commodities denominadas em dólar mais interessantes na moeda local, podendo encorajar vendas especulativas e por produtores.

O contrato outubro do açúcar bruto recuou 0,2 centavo de dólar, ou 1,9 por cento, para 10,31 centavos de dólar por libra-peso.

O mercado continua pressionado pela ampla oferta global, apesar da baixa desta terça-feira ter sido ditada pelo câmbio no Brasil, disseram operadores.

"A incerteza política no Brasil irá manter o real volátil e maiores depreciações irão limitar os ganhos nos preços de commodities em que o Brasil é dominante (como o açúcar), eventualmente levando os especuladores a venderem de novo", disse Rodrigo Costa, diretor de trading da Comexim USA, em nota.

O açúcar branco para outubro, entretanto, subiu 6,60 dólares, ou 2,1 por cento, a 317,20 dólares por tonelada. (Reuters 29/08/2018)

 

Exportação de açúcar do Brasil atinge mínima de quatro anos com queda da produção

O Brasil embarcou apenas 1,8 milhão de toneladas de açúcar em julho e 1,2 milhão de toneladas até 27 de agosto, uma queda de 31 por cento e 38 por cento, respectivamente ante o ano passado, segundo dados de fluxos de comércio do Thomson Reuters Trade.

Os envios acumulados desde fevereiro somam apenas 9,7 milhões de toneladas, uma redução de 30 por cento na comparação anual e a mínima desde 2015.

Mais da metade das exportações do Brasil teve como destino a Ásia, incluindo Bangladesh, Índia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Malásia e Iraque.

A África também importou grandes volumes do adoçante brasileiro, principalmente a Nigéria, a Argélia, Marrocos e o Egito.

Entretanto, as aquisições da China, que em 2016 chegaram a 3 milhões de toneladas, diminuíram substancialmente para 100 mil toneladas neste ano. (Reuters 29/08/2018)

 

Açúcar: Aumento do dólar e da procura impulsionam indicador

Após aproximadamente dois meses em queda, os preços do açúcar reagiram nos últimos dias no estado de São Paulo.

Segundo colaboradores do Cepea, a alta do dólar e a maior presença de compradores negociando novos lotes no spot foram os principais motivos para a valorização.

De 20 a 27 de agosto, o Indicador CEPEA/ESALQ (cor Icumsa de 130 até 180, mercado paulista) subiu 5%, fechando a R$ 53,07/saca de 50 kg nessa segunda-feira, 27.

Segundo cálculos do Cepea, apesar da recuperação, os preços negociados no mercado doméstico perderam a vantagem sobre as exportações na última semana, que vinha sendo mantida por um período de aproximadamente três meses. (Cepea / ESALQ 28/08/2018)

 

Etanol: Volume negociado aumenta hidratado tem 3ª maior alta da safra

A demanda por etanol seguiu firme nos últimos dias, enquanto a necessidade de venda por parte das usinas foi menor.

Conforme colaboradores do Cepea, os volumes negociados nos principais estados produtores foram expressivos, o que resultou em alta de preços praticamente diárias. Entre 20 e 24 de agosto, o Indicador

CEPEA/ESALQ do etanol hidratado (estado de São Paulo) fechou a R$ 1,4572/litro, aumento de 4,75% frente ao da semana anterior e a terceira maior alta da safra atual.

O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro, também no mercado paulista, fechou em R$ 1,5805/litro, elevação de 1,13% na mesma comparação. (Cepea / ESALQ 28/08/2018)

 

BNDES libera R$ 42,7 milhões para usina de cana de Minas Gerais

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou ter assinado contratos de financiamento com a WD Agroindustrial no valor de R$ 42,7 milhões.

“Os recursos serão aplicados em melhorias do parque de geração de energia e ampliação da capacidade de armazenamento, além de fortalecer o capital de giro da empresa, que possui instalações e plantações nas cidades de João Pinheiro e Presidente Olegário, em Minas Gerais”, disse o banco em nota.

Conforme o BNDES, desde 2016, a WD Agroindustrial vem fazendo investimentos que aumentaram a capacidade de cogeração, permitindo o início do fornecimento de energia elétrica para o Sistema Interligado Nacional. “Ela garantiu a venda de 1,7 milhão de MWh durante 25 anos no 23º Leilão de Energia Nova A-5, com início de comercialização em 2021”.

Ainda conforme o comunicado, o plano de investimento da companhia é implementar melhorias no parque de geração de vapor e energia elétrica por meio de biomassa, permitindo a exploração total instalada de 46 MW.

Será construído um armazém de açúcar com capacidade para 20.000 toneladas, dobrando a capacidade de armazenagem.

“No parque de geração serão investidos R$ 13,7 milhões do Fundo Clima. Já na construção do armazém, serão aplicados R$ 5 milhões do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA). Serão ainda financiados R$ 24 milhões via BNDES Giro”, informa a instituição. (Agência Estado 29/08/2018)

 

MT mostra entusiasmo na produção de etanol de milho, diz analista de banco

Produção de Mato Grosso abasteceria não apenas o estado, mas também Amazonas e Rondônia.

Mato Grosso mostra um entusiasmo pelo etanol de milho, e o histórico das vendas de combustíveis no estado e nas regiões vizinhas aponta para um bom potencial.

A avaliação é de Andy Duff, analista de açúcar e de etanol do Rabobank, banco especializado em agronegócio.

Na safra 2017/18, Mato Grosso produziu 1,40 bilhão de litros de etanol. Deste volume, 290 milhões foram de combustível oriundo de milho.

A capacidade produtiva a ser incorporada no setor é de 1,5 bilhão de litros, considerados apenas os grandes projetos com o cereal a serem desenvolvidos nos próximos anos.

A produção de Mato Grosso abasteceria não apenas o estado, mas também Amazonas e Rondônia. Nessa região, o consumo de combustível do ciclo Otto (gasolina e etanol) tem evolução média anual de 8%.

A perspectiva de crescimento, tomando como base a média histórica da região, é boa, mas depende de alguns fatores, diz Duff.

Essa dependência passa pela evolução da renda da população, pelo acesso a crédito para a aquisição de carros e pelo aumento do uso do veículo.

O estrategista destaca, ainda, que o aumento do consumo do etanol hidratado depende da eficiência do combustível e da paridade de preços entre álcool e gasolina.

Duff traça dois cenários. Se a gasolina mantiver a fatia atual de mercado, a demanda nos estados de Mato Grosso, Amazonas e Rondônia aumentará 1 bilhão de litros de 2017 a 2023. Eficiência maior do etanol gerará um aumento de 2,1 bilhões de litros no período.

É difícil avaliar os preços futuros, segundo o analista do Rabobank. Eles dependem da oferta de etanol e do valor da gasolina. Já este depende dos preços externos do petróleo, do câmbio e da tributação.

A produção de etanol de milho e de seus derivados (o DDGS é um deles) é interessante, principalmente se o preço do cereal refletir o valor médio dos últimos anos e a venda de etanol ocorrer no estado e na vizinhança sob as condições atuais de precificação da gasolina, diz Duff.

O etanol de milho movimenta outras atividades. Serão necessários 85 mil hectares de eucalipto para a produção de cavacos para a industrialização projetada.

Duff alerta, no entanto, que a demanda de etanol e os preços futuros, por causa da volatilidade natural no setor, podem gerar riscos. É importante testar os projetos com cenários de estresse. (Folha de São Paulo 28/08/2018)

 

Massa falida da Usina Catende vai a leilão – pela sétima vez, nesta sexta, feira

A massa falida da Usina Catende, localizada na Zona da Mata Sul de Pernambuco, vai a leilão pela sétima vez na próxima sexta-feira (31). Com valor total avaliado em R$ 14,5 milhões, os bens serão distribuídos em três lotes (parque industrial, veículos e imóveis).

Uma novidade nesse leilão será a inclusão da Usina Hidrelétrica Harmonia entre os ativos, com valor estimado em R$ 596 mil. A última tentativa de vender os bens aconteceu em 2016, quando foi ofertado um pacote de R$ 29,6 milhões, mas apenas R$ 162,7 mil foram arrematados na aquisição de fornos, máquinas e veículos.

“Tenho sido bastante procurado por interessados na compra da hidrelétrica, mas também estamos confiantes de que desta vez vão surgir candidatos ao parque industrial. Os bens do chão de fábrica (sucatas e equipamentos) estão avaliados em R$ 4,3 milhões na primeira chamada do leilão e cairia para R$ 2,1 milhões na segunda chamada. Mas, na verdade, já registramos interesse de candidatos oferecendo R$ 2,7 milhões pelos bens dentro do processo da massa falida”, revela o leiloeiro Diogo Mattos Dias Martins, da Inova Leilão.

O processo de falência da Usina Catende se arrasta há 23 anos e a cada leilão frustrado desvaloriza o valor dos bens, que vêm sendo alvo de constantes furtos. Em 2012, a massa falida chegou perto de ser vendida quando a Trading Ghanei Legal Consultancy, de Dubai, criou a empresa Brazsugar Usina de Álcool Ltda para concorrer ao leilão, arrematando os bens por R$ 40 milhões. Mas a expectativa de colocar um ponto final na situação durou pouco tempo, porque a empresa não fez o pagamento e não concretizou o negócio.

Ao longo dos anos, os bens foram se depreciando e os leilões perdendo valor. No primeiro, em 2012, o lance mínimo estava projetado em R$ 100,7 milhões; enquanto este sétimo está avaliado em R$ 14,5 milhões.

Condições de participação e lotes

O leilão acontecerá nesta sexta-feira, a partir das 10h. Em sua modalidade presencial, ele ocorrerá no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, em Recife (PE). Além disso, o leilão também será transmitido ao vivo pela internet, por meio de redes sociais, sendo que os lances poderão ser ofertados por lote e em igualdade de condições nas duas modalidades.

Segundo o edital, os bens que serão leiloados foram divididos em três lotes. O primeiro, avaliado em R$ 4,32 milhões, abrange toda a estrutura do parque industrial, dentre eles o maquinário e os equipamentos dedicados ao preparo e refinamento da cana-de-açúcar, bem como as estruturas de ferros. Ainda estão listados no lote os bens da antiga hidrelétrica.

Já no segundo, avaliado em R$ 208,37 mil, constam os veículos existentes no parque industrial, incluindo os agrícolas. E o terceiro, avaliado em R$ 9,98 milhões, abrange os imóveis da massa falida, como o terreno do Engenho Catente, de 10 mil metros quadrados de área, e o terreno do parque industrial, com 46,1 mil metros quadrados.

No leilão do primeiro lote, apenas poderão participar pessoas jurídicas, associadas ou não, estabelecidas em qualquer localidade do território nacional ou fora dele. Elas deverão realizar habilitação e credenciamento prévio, entregando ao leiloeiro a lista de documentos descritos e exigidos no edital do leilão publicado na edição do Diário de Justiça Eletrônico (DJe) 142/2018, do dia 9 de agosto de 2018, e realizando um deposito de segurança no valor de R$ 1 milhão em conta judicial na Caixa Econômica Federal até esta segunda-feira (27).

Já para participar do leilão de veículos (segundo lote) e dos imóveis (terceiro lote), pessoas físicas e jurídicas não precisarão realizar habilitação e credenciamento prévio. (JC Online (PE) 28/08/2018)

 

Longa estiagem ameaça reduzir produção de cana no centro-sul do Brasil

Recuo da safra atual supera a produção de todo o Paraná; São Paulo é o estado mais afetado pela seca.

A longa estiagem de 2018, que em algumas cidades paulistas se aproximou de 120 dias, pode resultar em uma redução na produção de cana-de-açúcar de até 40 milhões de toneladas na atual safra.

Enquanto na safra 2017/18, encerrada em março, a produção alcançou 596 milhões de toneladas de cana moídas pelas usinas, no período 2018/19 o montante pode ser de até 556 milhões.

A diferença, que representa 6,71%, é maior, por exemplo, que toda a produção do Paraná na última safra. Quinto maior produtor de cana, o estado moeu 37 milhões de toneladas.

Dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) mostram que de abril a junho o impacto da seca não foi grande, pois foi colhida a cana que cresceu nos meses do verão.

Embora o acumulado da safra aponte redução de produtividade até julho de 1,7%, só no mês passado a perda alcançou 5,7%, com expectativa de alta nos próximos meses, segundo Luciano Rodrigues, economista da Unica.

"A safra está mais avançada, 7% em relação ao ano passado, porque caiu a produtividade e o tempo seco facilitou a colheita. Acreditamos que a redução pode ficar entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas de cana", afirmou.

O principal estado atingido é São Paulo, que responde por cerca de 80% da queda de produção até julho, com destaque negativo para o noroeste paulista – região de São José do Rio Preto e Araçatuba.

Pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, Evelise Rasera Bragato disse que o cenário indica que as perdas podem ser grandes, mas compensadas em parte pela qualidade da cana.

Sem chuva, aumenta o chamado ATR (Açúcar Total Recuperável), que indica a qualidade da cana.

De acordo com ela, a seca deve impactar os preços de etanol a partir de outubro, quando algumas usinas podem encerrar a produção.

"Quando deveria ter chovido, não choveu, como em março, que era um mês crucial para o desenvolvimento da cana. Abril também foi seco, assim como maio, e foi se perdendo", disse.

Rodrigues disse que a cana que está sendo colhida é mais rica em termos de açúcar, que até agora está 5% superior ao da safra anterior.

"Achamos que no fim da safra deveremos ter 4 quilos de ATR a mais por tonelada de cana, o que deve compensar um pouco [a perda de produtividade por causa da seca]", disse.

Ainda segundo a Unica, mantendo a tendência atual, a produção de açúcar deve ser 8 milhões de toneladas inferior à da safra 2017/18. Mas a redução na produção de cana não deve atrapalhar o etanol.

Até julho, 63,5% da cana moída era direcionada à fabricação de etanol, cujos preços compensam mais às usinas atualmente. Na safra passada, o índice era de 51,5% nessa mesma época. (Folha de São Paulo 28/08/2018)

 

Produção de cana-de-açúcar do MS deve ter aumento de 5% na safra 2018/19

Produção do etanol hidratado aumentou 63% em relação ao mesmo período do ano passado.

O Mato Grosso Sul tem uma expectativa de colheita de 5% a mais de cana-de-açúcar em relação à safra 2017/2018. De acordo com dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o estado pode colher 49,3 milhões de toneladas em 2018/2019, ante as 46,7 milhões de toneladas vistas na safra anterior.

Segundo a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul), de abril a junho deste ano, o setor sucroalcooleiro produziu um volume 15% maior do no mesmo período do ano passado, acumulando um montante de 24 milhões de toneladas. Os especialistas do setor apontam que esse aumento se deve às condições climáticas favoráveis, ou seja, ao volume de chuva considerado ideal e às poucas geadas.

O órgão ainda divulgou, por meio de nota, que a fabricação de etanol hidratado apresenta um aumento de 63% na safra atual. A produção do biocombustível alcançou o volume de 1,23 bilhão de litros até a última quinzena de julho, enquanto que no mesmo período acumulado da safra anterior o registro foi de 753,73 milhões de litros. Já a produção do etanol anidro teve redução de 1,81%, com 369,84 milhões de litros, ante 376,64 milhões de litros.

O açúcar, em baixa no mercado internacional, também teve uma retração na produção até o momento, comparado ao mesmo período da safra anterior. Segundo o acompanhamento da Associação, a produção do açúcar foi de 515,64 mil toneladas, contra 716,38 mil toneladas no mesmo período acumulado da safra anterior, uma queda de 28%.

De acordo com o presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, a produção segue adiantada com relação à safra anterior. Com relação aos produtos, para Hollanda, a produção do etanol sempre foi uma característica no Estado, contudo, está se acentuando ainda mais nesta colheita por condições favoráveis de mercado. “O Mato Grosso do Sul sempre teve a produção voltada para o etanol, cerca de 70%, porém, neste ano, ela está maior pelo baixo preço das commodities”, avaliou. (Capital News Mato Grosso do Sul 28/08/2018)