Setor sucroenergético

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Cofco planta mais US$ 1 bilhão no Brasil

A chinesa Cofco, o mega conglomerado do agronegócio, que fatura mais de US$ 60 bilhões por ano vai semear uma nova safra de investimentos no Brasil. Segundo o RR apurou, o desembolso deve passar de US$ 1 bilhão. A maior parte dos recursos será destinada à originação de grãos e à expansão da estrutura industrial no Brasil, incluindo aquisições.

De acordo com a mesma fonte, a Cofco entrou na disputa com a Cargill para ficar com duas unidades de processamento de grãos da Granol, localizadas em Anápolis (GO) e Porto Nacional (TO). Os valores sobre a mesa giram em torno dos US$ 350 milhões.

Trata-se de uma pechincha perto dos mais de US$ 3 bilhões que os chineses já investiram no Brasil. (Reuters 05/09/2018)

 

Usinas de cana no Brasil têm dificuldade em manter operações, diz Itaú

Banco estima que 18 usinas não têm caixa para manter operações.

O banco de investimento Itaú BBA estima que 18 usinas de açúcar e etanol do centro-sul do Brasil não estão gerando caixa suficiente para manter suas operações, disse nesta terça-feira (4) o chefe de negócios em agricultura do banco, Pedro Fernandes.

A instituição fez uma avaliação da situação financeira de 75 produtores de açúcar e etanol no centro-sul do Brasil, que representam uma capacidade total de processamento de 475 milhões de toneladas de cana.

O banco ainda estima que outras 22 empresas mal têm conseguido gerar recursos suficientes para cobrir serviços da dívida e para manter níveis adequados de renovação dos canaviais.

A longa estiagem de 2018 ameaça a próxima colheita. Em algumas cidades paulistas, a seca se aproximou de 120 dias e pode resultar em uma redução na produção de cana-de-açúcar de até 40 milhões de toneladas na atual safra.

Enquanto na safra 2017/18, encerrada em março, a produção alcançou 596 milhões de toneladas de cana moídas pelas usinas, no período 2018/19 o montante pode ser de até 556 milhões. (Folha de São Paulo 04/09/2018 às 17h: 24m)

 

Bancos veem setor de cana do Brasil encolher com dificuldades financeiras

Bancos de investimento que operam no setor agrícola do Brasil projetam uma contração potencial na indústria sucroenergética do país, já que muitas empresas não conseguem dinheiro suficiente para pagar contas e grupos melhor capitalizados não estão dispostos a investir.

O Itaú BBA estima que 18 empresas de açúcar e etanol no maior cinturão de cana do país, o centro-sul, não estão gerando caixa suficiente para manter suas operações, disse o chefe de negócios agrícolas do banco, Pedro Fernandes, nesta terça-feira.

Outras 22 empresas não estão gerando caixa suficiente para pagar dívidas e manter níveis adequados de renovação do canavial, disse Fernandes em uma apresentação no NovaCana Ethanol Conference, em São Paulo.

Os resultados vieram de uma avaliação feita pelo Itaú BBA sobre a situação financeira de 75 produtores de açúcar e etanol no centro-sul, representando capacidade de processamento de cana de 475 milhões de toneladas, das cerca de 560 milhões de toneladas que a região deve moer neste ano.

O banco disse que apenas 35 empresas desse grupo tinham uma situação financeira estável, considerando a dívida por tonelada de capacidade de processamento de cana e os ganhos após a adequada renovação dos canaviais.

Fernandes disse que a situação levou a uma diminuição no processamento de cana, já que muitas usinas não são capazes de investir em plantações e há uma falta de interesse de empresas com melhor estrutura de capital para investir devido a uma fraca perspectiva de mercado.

Os preços globais do açúcar atingiram o nível mais baixo em 10 anos recentemente, em meio a um excesso de oferta.

“Estamos vendo uma consolidação em termos de processamento de cana. Mais de 70 usinas fecharam. Outras que costumavam esmagar 12 milhões de toneladas estão esmagando 6 milhões. Alguns grupos com cinco ou seis usinas pararam uma ou duas para otimizar a operação”, disse Manoel de Queiroz, gerente do Rabobank em São Paulo.

A safra de cana do Brasil está caindo em 2018 pelo terceiro ano consecutivo. A maioria dos analistas não espera uma recuperação no próximo ano, uma vez que a área plantada deve diminuir.

“A safra poderá encolher em breve 100 milhões de toneladas a mais. Você não vê apetite por expansão”, disse Queiroz.

William Hernandes, analista da consultoria FG/A, disse que o retorno sobre o capital visto nas empresas brasileiras de açúcar é atualmente muito baixo para atrair investimentos, o que prejudica qualquer ideia de expansão.

“Neste momento, o retorno sobre o capital investido no setor está abaixo do próprio custo de capital”, disse Thiago Duarte, analista do banco de investimentos BTG Pactual. “Há muita gente perdendo dinheiro”. (Reuters 04/09/2018)

 

Volvo inicia venda de tecnologia autônoma

A Volvo começou a vender caminhões autônomos no Brasil. As primeiras sete unidades foram adquiridas pela Usaçucar e já começaram a operar num dos canaviais do grupo, em Maringá (PR), mesmo local onde um protótipo foi testado durante um ano. Trata-se da primeira entrega comercial de caminhões com tecnologia autônoma do mundo. Além disso, é um passo importante na transformação da indústria automobilística, que, além de fabricar veículos, prepara-se para vender serviços. No contrato com a Usaçucar, os caminhões foram vendidos, mas a tecnologia autônoma é comercializada em forma de prestação de serviço. A movimentação dos veículos é toda monitorada pela Volvo.

O início da comercialização no Brasil de um veículo que a Volvo ainda testa na Europa e Estados Unidos abriu uma nova perspectiva de negócios na companhia. Segundo o presidente da Volvo América latina, Wilson Lirmann, além das consultas que tem recebido de outras usinas de açúcar, a empresa percebe potencial de vendas em outros setores e em outros países da região, como o de mineração no Chile ou Peru.

O uso dessa tecnologia como ferramenta de trabalho nas chamadas áreas confinadas dispensa a necessidade de esperar a legislação que ainda precisa ser elaborada para que veículos autônomos circulem no trânsito. Abre, ainda, caminhos para fazer dos veículos que funcionam sem a intervenção de um motorista muito mais do que uma aventura futurística. Os testes na usina Santa Terezinha, do grupo Usaçucar, no Paraná, comprovaram ganhos significativos em produtividade.

Segundo informações do grupo Usaçucar, no processo tradicional, a cada cinco safras de cana-de-açúcar uma é perdida por pisoteamento das mudas, pelos caminhões, durante a colheita. A precisão de direção, na tecnologia autônoma, elimina a perda. O grupo é o terceiro maior exportador de açúcar do Brasil e conta com 350 mil hectares plantados.

Por questões estratégicas, Lirmann não informa o preço do serviço de tecnologia autônoma, uma atividade que a empresa sueca não imaginava um dia oferecer quando inaugurou a fábrica em Curitiba há 38 anos. Para a montadora, se responsabilizar e operar o funcionamento autônomo garante segurança. Para o cliente, a maior vantagem é financeira, já que ele não tem de pagar pela aquisição de uma tecnologia ainda cara.

Por enquanto, o motorista não precisa temer a perda de trabalho. No canavial, o veículo move-se sozinho, recebendo a cana despejada pela colheitadeira que segue aos seu lado. Mas o motorista permanece dentro do caminhão, mesmo sem interferir na sua condução. Ao final do processo, quando concluído o carregamento, cabe a ele dirigir o veículo até a usina.

Com motor a diesel, o caminhão autônomo da Volvo é equipado com um sistema de geolocalização que identifica com exatidão o caminho a ser seguido e aciona o sistema de direção. "Na lavoura de cana, o sistema autoguiado permite precisões que o olho humano não consegue visualizar. A colheita da cana é feita também à noite, o que reduz as chances de boa visibilidade humana, principalmente levando em conta a palha que se espalha pelo solo", destaca Lirmann.

Segundo o executivo, será negociada com cada cliente a forma de remuneração pelo serviço nos períodos fora da época da colheita. Nessa fase, o caminhão poderá ser deslocado para qualquer outro tipo de operação sem usar a tecnologia autônoma.

Segundo o executivo, o veículo foi aprimorado a partir dos testes. "Desenvolvemos soluções para o uso no canavial, como um eixo traseiro mais resistente", destaca. Lirmann prevê que no futuro, esse tipo de veículo poderá ser elétrico. Tudo vai depender do desenvolvimento de infraestrutura para o carregamento das baterias.

O setor sucroalcooleiro foi o primeiro a interessar-se por caminhões autônomos em razão do evidente ganho em produtividade. Por isso, o projeto desenvolvido pela equipe de engenharia de Curitiba passou à frente dos que ainda estão em teste em outros países. Um autônomo para mineração tem sido testado em Kristineberg, um vilarejo ao norte da Suécia.

Em Londres, a Volvo faz testes com coleta de lixo. O motorista não precisa mais se preocupar com a direção. Em vez disso, ele "ajuda" o braço mecânico a içar para dentro do veículo as lixeiras colocadas nas vias públicas.

Na Carolina do Norte (EUA), a Volvo faz testes em parceria com a empresa de entregas Fedex. Veículos conectados se alinham num comboio puxado por um caminhão com motorista. Segundo Lirmann, nesse caso, a maior vantagem é a economia de combustível. (Valor Econômico 06/09/2018)

 

Monsanto e reação no Brasil motivam aumento de 40% das vendas da Bayer

Impulsionadas pela aquisição da americana Monsanto, concluída no início de junho, as vendas globais da divisão agrícola da Bayer registraram forte aumento no segundo trimestre deste ano. O montante alcançou € 3 bilhões, um crescimento de quase 40% em relação a igual intervalo de 2017.

Segundo informou a multinacional alemã, a Monsanto respondeu por € 543 milhões desse total. Outros € 468 milhões vieram de vendas de negócios alienados para a Basf em agosto, como determinaram órgãos regulatórios no processo de aprovação da compra da Monsanto.

Mas o aumento das vendas também refletiu a normalização dos estoques no Brasil, segundo maior mercado de defensivos do mundo. Por causa dos problemas no Brasil, as vendas na Bayer Crop Science de abril a junho do ano passado na América Latina foram negativas em € 69 milhões.

No segundo trimestre deste ano, o valor, positivo, atingiu € 441 milhões, ou 15% das vendas totais, e no Brasil o aumento foi de 10%. Na América do Norte foram € 1,1 bilhão. No primeiro semestre, as vendas da divisão agrícola da Bayer na América Latina totalizaram € 671 milhões, ante € 181 milhões do mesmo período de 2017. No total, foram € 5,9 bilhões, aumento de 11,1%.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Crop Science somou € 353 milhões no segundo trimestre, um incremento de 51,5% na comparação com igual intervalo de 2017. No semestre, chegou a € 1,3 bilhão, com alta de 0,8%.

Em relatório, a Bayer confirmou que expandiu consideravelmente o negócio de sementes, especialmente de soja e milho, depois da aquisição da Monsanto. E que o negócio de herbicidas também cresceu. Com a americana, a alemã avançou sobretudo nas Américas do Norte e Latina.

O avanço dos resultados deu combustível para a Bayer mais uma vez defender que a aquisição da Monsanto foi um bom negócio, apesar dos processos judiciais que "herdou" envolvendo o defensivo glifosato, um dos principais produtos da americana, que desenvolveu a semente transgênica resistente a ele.

Mesmo com o aumento de processos envolvendo o produto - já são 8 mil apenas nos Estados Unidos - o presidente da Bayer, Werner Baumann, disse não se arrepender da transação. "O negócio da Monsanto é muito saudável", afirmou durante teleconferência com analistas.

"Não há nenhuma comprovação entre a aplicação, os ingredientes do produto e o desenvolvimento de câncer", reforçou. Questionado sobre provisões para eventuais perdas na Justiça nos casos em pauta, Liam Condon, membro do conselho de administração da Bayer e presidente da divisão agrícola, afirmou que o valor "não é estimável". "Não colocamos nenhuma previsão no livro para perdas nessa linha", disse.

"Até o momento, não vimos nenhum impacto negativo nas vendas. Também não há qualquer mudança regulatória e nenhum novo efeito científico constatado", afirmou Condon. Segundo ele, o único efeito possível seria se os agricultores decidissem não usar o herbicida. "E não temos visto nenhuma mudança nesse sentido". (Valor Econômico 06/09/2018)

 

Fundo Castlelake considera aquisição de usinas de cana no Brasil, diz fonte

O Castlelake, um fundo de investimento sediado nos Estados Unidos, planeja adquirir participações em empresas brasileiras de açúcar e etanol, disse uma fonte com conhecimento direto dos planos nesta segunda-feira.

O Castlelake, que se define como uma empresa de investimento "focada em ativos alternativos, empréstimos problemáticos, indústrias deslocadas e situações especiais", teve acesso a informações detalhadas sobre cinco empresas brasileiras do setor sucroalcooleiro, disse a fonte, pedindo anonimato, já que não estava autorizado a falar sobre o assunto.

O fundo teria iniciado conversas com pelo menos duas das cinco empresas, com o objetivo de comprar uma participação majoritária, disse a fonte, sem dar mais detalhes sobre a situação atual das negociações.

Posteriormente, o Castlelake solicitou o mesmo tipo de informação de cinco empresas adicionais na indústria brasileira de cana-de-açúcar para expandir seu raio de avaliação e localizar outros possíveis alvos, disse a fonte.

O fundo não retornou imediatamente a um pedido de comentário.

No início deste ano, o Castlelake foi citado em uma negociação para adquirir usinas no Brasil de propriedade da indiana Shree Renuka Sugars. A subsidiária brasileira entrou com pedido de recuperação judicial em 2015.

As empresas ainda não chegaram a um acordo. A Renuka deve vender uma de suas usinas em um leilão ainda este ano para pagar parte de sua dívida. O Castlelake poderia ser um concorrente nesse certame, disse a fonte.

Mais de 50 usinas fecharam no Brasil nos últimos cinco anos após um período prolongado de baixos preços de açúcar e etanol e crédito caro. Dezenas entraram com pedido de recuperação judicial.

A fonte disse que o enfraquecimento acentuado do real brasileiro neste ano aumentou o interesse do Castlelake, uma vez que torna as aquisições mais baratas em dólares. (Reuters 04/09/2018)

 

Açúcar bruto sobe na ICE para máxima de quatro semanas

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE subiram para uma máxima de quatro semanas nesta quarta-feira, impulsionados por compras técnicas acima da máxima da última sessão, com o real se distanciando de mínimas recentes.

O contrato outubro do açúcar bruto subiu, pelo quinto pregão seguido, 0,25 centavo de dólar, ou 2,4 por cento, a 10,89 centavos de dólar por libra-peso, depois de chegar a 10,97 centavos de dólar, máxima desde 9 de agosto.

Uma cobertura de vendidos foi acionada acima da máxima de terça-feira, de 10,97 centavos de dólar.

Enquanto o mercado recebeu algum suporte de cortes na previsão do superávit global em 2018/19, a projeção de um aumento das exportações da Índia, entre 4 milhões e 6 milhões de toneladas, figurou como um fator baixista, disseram operadores.

O açúcar branco para dezembro teve alta de 7,20 dólares, ou 2,2 por cento, a 334,20 dólares por tonelada. (Reuters 04/09/2018)

 

Glencore assume Alesat e inicia integração

Após três anos entre negociações e um acordo quase fechado, a distribuidora de combustíveis Alesat tem um novo dono, a gigante das commodities Glencore. Com a compra da brasileira após aval do Cade, a multinacional avança em um segmento novo, ao mesmo tempo que traz suas diretrizes para a quarta maior companhia do setor no Brasil.

A primeira tentativa de compra da Alesat foi anunciada em junho de 2016, pela Ipiranga, distribuidora do grupo Ultra, e que disputa a liderança do setor com a BR Distribuidora e a Raízen. Exatamente pela possibilidade de maior concentração do mercado, a aquisição foi rejeitada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), pouco mais de um ano depois do anúncio.

De volta à mesa de negociações, a companhia recebeu proposta de diversos grupos estrangeiros, como a holandesa Vitol e a francesa Total. Acabou fechando com a anglo-holandesa, maior negociadora de commodities do mundo.

"Quando fechamos com a Ipiranga, não tínhamos conversado só com eles, vínhamos num processo de estruturar a empresa para um potencial novo acionista. Quando veio a negativa do Cade, foi natural retomarmos a conversa com os interessados", afirma Diego Pires, gerente executivo de varejo da Alesat. Ele explica que uma das dificuldades da negociação foi o fato da Glencore ter quase nenhuma experiência em distribuição de combustíveis. No ano passado, a empresa abriu seus primeiros postos no México, em parceria com a G500.

Da Glencore, devem vir mudanças no compliance da companhia, atendendo a padrões internacionais. A gestão, entretanto, deve se manter com a atual equipe da Alesat. A principal alteração foi a saída de Marcelo Alecrim da presidência da companhia, substituído por Fulvius Tomelin, que era diretor financeiro e está na empresa desde 2007. Alecrim, um dos fundadores, manteve uma fatia de 22% na companhia - ele tinha 32% - e assumiu a presidência do conselho de administração. As outras quatro cadeiras no colegiado serão ocupadas por indicados da nova controladora. O grupo Asamar (50%) e o fundo Darby (18%) venderam suas participações.

Estruturalmente, a Alesat responderá à Glencore Oil do Brasil, que trabalha com a comercialização de petróleo e combustíveis importados. O grupo estrangeiro ainda tem duas usinas de produção de etanol, além da comercialização de commodities agrícolas, geridas por outras subsidiárias.

Em um cenário mais tranquilo, a intenção é aproveitar os produtos negociados pela Glencore Oil. "A ideia é exatamente criar esse tipo de oportunidade. Hoje não está claro quais seriam em função do subsídio que vem sendo dado ao diesel. O mercado está virtualmente fechado por conta disso", destaca Tomelin. "Trazendo essa expertise, acabamos ganhando um pouco mais de experiência sobre como importar, para fazer de fato a atividade de 'trader', que, voltando as importações, passa a ser inerente à distribuição."

Em participação de mercado, a Alesat tem fatia estimada de 3,8%. Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Ipiranga, BR e Raízen concentram cerca de dois terços. A empresa perdeu presença durante as negociações com a Ipiranga, que deixaram a empresa com 2,9% de participação. "Após a negativa do Cade, tivemos de dar o passo de voltar a ganhar mercado, sair da inércia. E mais rápido que perdemos, foi a velocidade com que ganhamos", diz Tomelin.

A companhia trabalha não apenas na rede Ale, mas também com os postos bandeira branca, ou seja, sem contrato de exclusividade com distribuidoras. É nesse modelo, de bom relacionamento com as unidades sem bandeira, que a Alesat vê espaço para crescer e potencial para possíveis conversões.

Pires explica que a greve dos caminhoneiros reforçou a importância dos acordos com as distribuidoras, uma vez que foram esses postos, via de regra, que receberam primeiro o abastecimento após a paralisação. "Criar esse vínculo com a bandeira branca é um diferencial para ganhar mercado e crescer a estrutura de rede."

Mas os movimentos da empresa devem ser mais lentos por enquanto, até que as duas companhias alinhem suas expectativas e desenvolvam um plano de crescimento, que não deve acontecer no curto prazo. "A missão nesse primeiro momento é entender, fazer integração, colocar as áreas no mesmo padrão. O Brasil está num momento de muita instabilidade, de incerteza, então temos de esperar um pouco", afirma Tomelin. "De qualquer forma, 50% do mercado é de postos com distribuidoras menores que a Ale ou bandeira branca, então há um universo de postos para serem embandeirados”. (Valor Econômico 06/09/2018)

 

Com suporte da Glencore, Ale vê potencial de crescimento sem aquisições

Em sua primeira semana de atividades após a conclusão da compra de 78 por cento da Ale Combustíveis pela Glencore, a distribuidora traça planos de crescimento no Brasil mesmo sem aquisições, em um mercado visto como de alto potencial, apesar da recente interferência do governo no preço do diesel, disseram executivos da companhia nesta quarta-feira.

Com suporte da Glencore, uma das maiores tradings de commodities do mundo, que entrou na distribuição de combustíveis primeiramente no México e agora no Brasil, a empresa avalia que há elevado potencial de conquistar novos revendedores, tanto aqueles que já são “embandeirados” quanto os de bandeira branca (não ligados a uma rede tradicional).

“Temos capacidade instalada para suportar o crescimento, temos bastante. Não é necessário aquisição para crescermos, temos capacidade de tancagem disponível”, disse o novo presidente-executivo da Ale, Fulvius Tomelin, em entrevista à Reuters.

As maiores empresas do setor no Brasil, incluindo BR Distribuidora (controlada pela Petrobras), Raízen (Shell e Cosan), Ipiranga e Ale têm entre 75 e 80 por cento do mercado de combustíveis, com a companhia da Glencore detendo cerca de 4 por cento do total do segmento.

Considerando que a empresa está operando formalmente apenas há três dias com a Glencore como sócia majoritária, ele disse que os planos de crescimento ainda estão sendo detalhados, mas ressaltou que a expansão terá duas linhas: pelo mercado de rede (embandeiramento) ou via postos de bandeira branca, este último um negócio de menor margem.

“Essas duas formas podem ser combinadas. Ainda estamos no caminho de detalhamento, do como fazer. (A estratégia de crescimento) será feita em conjunto com a Glencore”, ressaltou.

Ele disse que a Ale está de olho na rotatividade de centenas de revendedores que trocam de rede todos os anos – os embandeirados somam 24 mil no Brasil –, enquanto há 18 mil sem bandeira.

“São tantas as oportunidades de crescimento que não dá pra gente cravar ainda”, destacou Tomelin, que atuava como diretor financeiro antes de assumir a nova posição, após 11 anos na companhia.

Com 22 anos de história, a Ale possui uma rede de aproximadamente 1.500 postos de gasolina em 22 Estados e cerca de 260 lojas de conveniência.

O diretor-executivo de Marketing e Varejo, Diego Pires de Almeida, lembrou que a companhia recuperou mercado perdido após ter ficado mais de um ano com as operações atingidas, no aguardo de uma decisão do órgão antitruste Cade sobre uma proposta de compra da Ale pela Ipiranga, do grupo Ultrapar, que acabou não sendo aprovada em agosto de 2017.

“O processo no Cade com a Ipiranga limitou o crescimento da Ale”, disse Almeida.

Segundo ele, após a companhia voltar a operar normalmente, conseguiu aumentar o seu “share” em 37 por cento, para aproximadamente 4 por cento do total do mercado de combustíveis atualmente, excluindo-se querosene de aviação e óleo para navios, que a empresa não comercializa.

“Isso após ficarmos em estado vegetativo (aguardando a decisão do Cade), o que mostrou uma resiliência da empresa”, completou Tomelin.

Dados da reguladora ANP para o primeiro trimestre apontaram participação de mercado de 5,6 por cento para a Ale em gasolina e 3,5 por cento para o diesel.

Perspectivas

Os executivos da Ale acreditam que o mercado de combustíveis este ano terá uma estabilidade na comparação com 2017, tendo sido afetado pela greve dos caminhoneiros em maio, além de eventos como a Copa do Mundo.

As eleições seriam fator de impulso para o consumo, acrescentaram eles, explicando que a demanda por combustíveis tende a ficar no Brasil 80 por cento acima do aumento do PIB.

O próprio crescimento do consumo, quando for retomado, tende a favorecer a Ale, disseram eles.

O CEO da empresa disse esperar que programa de subsídios ao diesel, que está tumultuando o setor, seja temporário, como indica a lei que prevê seu fim no final deste ano.

Uma situação que ele acredita poderia colaborar para o mercado voltar ao normal, permitindo que a empresa volte a atuar na importação, da mesma forma que outras companhias.

Como não vale a pena importar nas condições atuais e com um preço controlado nas refinarias, o que antes era importado pelas companhias do setor está basicamente sendo comprado também no exterior pela Petrobras.

De acordo com Tomelin, importações de diesel são realizadas por agentes privados apenas quando há uma ótima janela de oportunidade. (Reuters 06/09/2018)

 

Índia precisa tornar obrigatória exportação de 7 mi t de açúcar, diz associação

O governo indiano deveria tornar obrigatória para as usinas de açúcar a exportação de pelo menos 7 milhões de toneladas do produto no ano comercial 2018/19, já que o país deve colher uma safra recorde na temporada, disse o dirigente de uma importante entidade do setor na quarta-feira.

"Pedimos ao governo que torne as exportações obrigatórias", disse Abinash Verma, diretor-geral da Associação Indiana de Usinas de Açúcar (Isma, na sigla em inglês).

O país começará a nova temporada no próximo mês com estoques de 10 a 10,5 milhões de toneladas, disse Verma.

O preço mínimo de venda de açúcar deveria ser aumentado para 3.600 rúpias (50,17 dólares) por 100 kg, a partir de 2.900 rúpias, disse ele. (Reuters 04/09/2018)

 

Bayer lança fungicida para algodão no Brasil, quer consolidar liderança

A Bayer, uma das maiores companhias do setor de agroquímicos, anunciou nesta terça-feira o lançamento de um fungicida no Brasil para ajudar produtores a lidar já na safra 2018/19 com a principal doença a atingir a cultura do algodão, a mancha da ramulária.

O fungicida Fox Xpro, com três princípios ativos, promete maior eficácia no controle da doença, que além de reduzir a qualidade da fibra do algodão pode impactar negativamente a produtividade de uma lavoura em até 70 por cento, se o combate ao fungo não for adequado.

O agroquímico estará disponível também para produtores de soja, mas somente na safra seguinte (2019/20), em um movimento que a Bayer acredita que pode ajudá-la a "consolidar a liderança no mercado de fungicida no Brasil", disse a jornalistas nesta terça-feira Marcos Dallagnese, gerente de Fungicidas da companhia no país.

A companhia alemã, que fechou em junho a compra da norte-americana Monsanto por mais de 60 bilhões de dólares e aposta no Brasil como motor para a expansão da divisão de "crop science", já tem o registro do Fox Xpro para soja, o principal produto de exportação do país, o maior exportador da oleaginosa.

Contudo, executivos da Bayer explicaram que a empresa começará as vendas pelo setor de algodão, que conta com menos produtores comparativamente com a soja, para que o lançamento possa ser acompanhado de forma mais estruturada e responsável.

O lançamento do produto acontece em um bom momento no país para o setor de algodão, o mais intensivo em investimentos entre os principais produtos agrícolas. Os cotonicultores do Brasil projetam safras e exportações recordes, o que pode levar o Brasil a superar a Índia no ranking dos exportadores, na temporada 2018/19.

"Pretendemos estar (com o produto) entre os principais produtores de algodão", acrescentou Dallagnese, ao ser questionado sobre a abrangência das vendas da companhia ao setor, formado por cerca de mil cotonicultores.

Uma das principais dificuldades do controle da ramulária é que o fungo se adapta e pode ganhar resistência, dependendo do manejo realizado pelo produtor.

Segundo a Bayer, com uma maior eficácia, o Fox Xpro pode permitir uma redução de aplicações de fungicidas, elevando a rentabilidade em uma lavoura em 151 dólares por hectare.

O diretor-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Marcio Portocarrero, que participou de um evento realizado pela Bayer para promover o fungicida, afirmou que ainda que o produtor venha a pagar mais caro por um defensivo mais eficaz, o investimento em geral vale a pena pelo retorno financeiro obtido.

O custo de uma lavoura de algodão gira em torno de 8 mil reais por hectare, com os agroquímicos respondendo por 34 por cento do total. A ramulária responde por parte importante do gasto com defensivos agrícolas dos produtores, segundo Portocarrero. (Reuters 04/09/2018)

 

IBM lança aplicativo para avaliação instantânea do solo

Avaliar o solo é um dos principais componentes para uma boa produtividade. Essa avaliação, utilizada por grandes produtores que têm, em geral, uma equipe técnica para desenvolvê-la, agora estará à disposição de pequenos e médios produtores. E com uma vantagem: resultado instantâneo.

É o que promete a IBM, que lança hoje (5) um sistema de avaliação que, por meio de um aplicativo no celular, permitirá ao produtor avaliar o tipo de solo que tem e a necessidade de eventuais correções.

Segundo Ulisses Mello, diretor do laboratório de pesquisa da IBM Brasil esta ferramenta, denominada AgroPad, permite a análise química em tempo real, usando-se a Inteligência Artificial.

Para o diretor da empresa, uma gota de água ou amostra de solo é colocada no AgroPad, um dispositivo de papel do tamanho de um cartão de visita. O chip microfluídico do cartão realiza a análise da amostra química em poucos segundos.

Um conjunto de círculos no verso do cartão aponta a quantidade de elemento químico na amostra. Em seguida, basta o produtor utilizar o celular com o aplicativo para fotografar o cartão de papel e terá o resultado do teste químico.

A IBM disponibilizará o sistema, que também poderá ser utilizado por grandes produtores, por meio de parcerias com cooperativas, associações e indústrias de insumos do setor.

“É uma ferramenta exploratória saindo de pesquisas”, diz Mello.

Os detalhes de custo, que a empresa promete ser baixo, e das parcerias ainda estão sendo avaliados. (Folha de São Paulo 05/09/2018)

 

Fundo de hegde da Cargill, CarVal, diz ter rejeitado oferta da Schroders

A gestora de ativos britânica Schroders <SDR.L> expressou interesse na compra da CarVal Investors em maio, mas o fundo de hedge, que pertence ao grupo norte-americano Cargill, disse que não estava à venda, informou um executivo da CarVal.

A CarVal, que tem 11,6 bilhões de dólares sob sua administração, o que a coloca entre os 2 por cento dos maiores fundos de hedge globais, teria sido uma importante aquisição para a Schroders, que tem buscado expandir sua gama de produtos.

"A Schroders... disse que eles estariam interessados em procurar maneiras para que nós trabalhássemos juntos", disse o diretor geral da CarVal, Lucas Detor, à Reuters. "Eles perguntaram se nós estávamos a venda, nós dissemos que não."

"Nós temos sido muito claros com todas as pessoas com quem conversamos no sentido de que a CarVal não está a venda. Nós fomos abordados por várias gestoras de ativos de grande porte diferentes nos últimos 24 meses."

A Schroders, que é listada na FTSE 100 como tendo 449 bilhões de libras (576 bilhões de dólares) em ativos sob sua gestão e administração até o fim de junho, não quis comentar.

Duas fontes com conhecimento do assunto avaliaram a CarVal em cerca de 200 milhões de dólares. Detor negou que esse número se aproxime de maneira "justa" do valor da companhia. (Reuters 05/09/2018)

 

Tabela de Frete tem reajuste médio de 5% e agrava prejuízo logístico do setor sucro, segundo a Udop

Com reajuste médio de 5%, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) publicou nesta quarta-feira (5) no Diário Oficial da União (DOU) uma nova tabela com preços mínimos de frete rodoviário, alterando a primeira versão, publicada em 30 de maio. Vários segmentos da sociedade continuam criticando a ingerência do Estado que tem cedido aos pedidos de uma categoria, no caso a dos caminhoneiros, mexendo na livre negociação que já era praxe neste tema.

A tabela de frete mínimo foi editada pelo Governo Federal após acordo com os caminhoneiros para por fim à greve que paralisou boa parte das estradas brasileiras por 11 dias no último mês de maio.

O reajuste da nova tabela leva em conta o ajuste de preços praticados pela Petrobras no litro do óleo diesel em suas refinarias, que após 90 dias congelado, subiu 13% na semana passada.

Para o presidente da UDOP, Amaury Pekelman, a medida (do novo reajuste na tabela) “continua sendo equivocada pelo Governo, que com uma visão míope da situação, tem onerado toda a cadeia sucroenergética, para citar apenas esta”.

“Proposto pelo Governo Federal como uma ‘solução’ para o impasse com uma categoria (caminhoneiros), o tabelamento de frete é, sem dúvida alguma, um duro golpe no projeto brasileiro de voltar a crescer, isso porque, sabidamente, o País é altamente dependente do modal rodoviário para o escoamento de boa parte de tudo o que produz, e consome”, destacou Pekelman em artigo veiculado no último dia 15 de agosto (veja o artigo aqui). http://www.udop.com.br/index.php?item=noticias&cod=1169443

Segundo a ANTT, a nova tabela foi negociada em tempo recorde, após boatos que circularam pela mídia de uma possível nova paralisação dos caminhoneiros, depois do reajuste anunciado no óleo diesel na última semana.

Mesmo sem o último reajuste, a Tabele de Frete já vinha sendo objeto de inúmeras críticas. Entidades do setor produtivo, por exemplo, afirmam que a tabela trouxe um acréscimo no custo de frete próximo a 12%. Especificamente no setor da bioenergia, o impacto do tabelamento foi dimensionado, pela Unica, em cerca de 1,2 bilhão de reais, podendo ser agravado agora com o novo reajuste. (UDOP 04/09/2018)