Setor sucroenergético

Notícias

Cade sugere que ANP reveja resoluções sobre venda de etanol

O Conselho Administrativo Defesa Econômica (Cade) pediu que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) reveja resoluções que impedem a venda direta de etanol para os postos de combustíveis. Em nota técnica, o órgão antitruste destacou a resolução publicada pela ANP em novembro no "Diário Oficial da União" com mudanças nas regras de estocagem de etanol combustível no Brasil. O ponto mais importante obriga importadores de biocombustíveis a manter estoques do produto durante o período de entressafra, de janeiro a março, como ocorre para usinas e distribuidores.

Essa resolução da ANP levou a uma redução no percentual de estoque mínimo até 31 de março de cada ano, o último dia de safra, de 8% para 4% do volume produzido pelas usinas com o estoque de etanol contratado. Com isso, os produtores sem contratação precisam manter estoques de 25% do volume, em 31 de janeiro, e de 4% em 31 de março.

Segundo o órgão, essa não obrigatoriedade de estoques por parte de importadores "foi motivo de duras críticas dos produtores de etanol, que arcavam com custos para manterem volumes mínimos do biocombustível em tanques nas usinas por ao menos três meses por ano". Na visão do Departamento de Estudos Econômicos (DEE) do Cade, esse tipo de norma gera uma quase verticalização entre usinas de etanol e distribuidoras. "Não parece ser razoável exigir que se venda capacidade futura a agentes incumbentes sob pena de, ao não agir assim, o agente usineiro ver seus custos de estoque aumentados".

O órgão antitruste acrescentou que esse tipo de norma pode interferir no nível de rivalidade que a venda direta do etanol ao posto de combustível terá no mercado, "já que, caso seja mantida tal obrigatoriedade, possivelmente a venda direta àqueles que queiram fugir do ônus do estoque relatado acima poderão no máximo se limitar a 10% da capacidade restante da usina, não contratualizada".

Ao fim, o departamento do Cade pediu, em nota técnica, que seja feita uma revisão sobre a resoluções da ANP no caso do etanol. É o DEE elabora estudos e pareceres econômicos para a Superintendência-Geral e para o tribunal administrativo do Cade, que julga os casos. Procurado, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, afirmou que a agência vai analisar a sugestão do Cade. Mas, de acordo com ele, ainda é preciso aguardar análises técnicas sobre o caso. (Valor Econômico 11/09/2018)

 

Açúcar: Recuperação

Após apresentarem recuperação ao longo da última semana, quando acumularam alta de 36 pontos, os contratos futuros do açúcar voltaram a registrar alta na bolsa de Nova York ontem, ultrapassando a marca dos 12 centavos de dólar pela primeira vez desde julho.

Os papéis do demerara com vencimento em março fecharam a 12,03 centavos de dólar a libra-peso, avanço de 25 pontos.

"O impulso esteve atrelado ao reduzido volume de chuva entre abril e julho no Brasil, que prejudicou a produtividade dos canaviais, elevando a expectativa de quebra de safra, principalmente em São Paulo", explicou o Cepea em nota.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo fechou a R$ 58,83 a saca de 50 quilos ontem, alta de 2,05%. (Valor Econômico 11/09/2018)

 

Açúcar bruto atinge máxima de sete semanas na ICE

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE tocaram uma máxima de sete semanas nesta segunda-feira, impulsionados pelo crescente sentimento de que o mercado atingiu o piso da sua prolongada tendência baixista.

O contrato outubro do açúcar bruto subiu 0,19 centavo de dólar, ou 1,7 por cento, a 11,2 centavos de dólar por libra-peso, depois de alcançar uma máxima em sete semanas de 11,27 centavos de dólar.

O primeiro contrato estendeu sua recuperação ante mínima de 10 anos de 9,91 centavos de dólar, que marcou uma queda de 35 por cento ante o fim de 2017 e deve corroer a produção.

"Depois de dois anos de preços baixos, a produção começou uma tendência de baixa. A melhor aposta é que em 2019/20 nós teremos novamente déficit global", disse a corretora Marex Spectron.

As safras de beterraba sacarina devem ser menores nesta temporada na União Europeia e na Rússia.

O açúcar branco para dezembro teve alta de 2,30 dólares, ou 0,7 por cento, a 334,20 dólares por tonelada. (Reuters 11/09/2018)

 

Volume importado de etanol recua 65,7% em agosto, para 45,82 mi de litros

O volume importado de etanol pelo Brasil despencou 65,7% no mês passado e atingiu 45,82 milhões de litros, ante 133,61 milhões de litros em agosto de 2017. O total é também 67,5% menor que os 140,88 milhões de litros de etanol importados em julho deste ano.

Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Nos primeiros oito meses de 2018, o volume importado de etanol chegou a 1,390 bilhão de litros, queda de 6,8% sobre o total de 1,491 bilhão de litros de igual período de 2017.

O volume importado do biocombustível em agosto foi 82,5% inferior ao do total exportado. No mês passado o País enviou 262,5 milhões de litros de etanol ao mercado externo, segundo o MDIC. Mesmo com o recuo no mês passado, as importações nos oito primeiros meses de 2018 superam em 40,6% o total exportado pelo Brasil no período, de 988,3 milhões de litros.

Receita

A importação brasileira de etanol movimentou US$ 19,91 milhões no mês passado, queda de 69% sobre os US$ 64,27 milhões de agosto de 2017 e de 66,1% sobre os US$ 58,74 milhões de julho deste ano. Com o resultado, nos primeiros oito meses de 2018 as importações de etanol movimentam US$ 594,59 milhões, recuo de 25,9% sobre o período de janeiro a agosto de 2017, com US$ 801,97 milhões.

A balança comercial do etanol gerou superávit de US$ 104,89 milhões em agosto, pois as exportações movimentaram US$ 124,80 milhões no mês passado, mas acumula déficit de US$ 153,98 milhões no ano, já que as vendas externas entre janeiro e agosto somaram US$ 545,5 milhões. (Agência Estado 10/09/2018)

 

Pesquisadores desenvolvem melhoramento genético da cana de açúcar para aumentar produtividade, no Paraná

Especialistas desenvolveram 10 novas plantas nos últimos 30 anos; Universidade Federal do Paraná mantém 500 hectares de plantio de cana.

Pesquisadores paranaenses têm trabalhado no desenvolvimento de pesquisas para o melhoramento genético da cana de açúcar.

O trabalho é desenvolvido há pelo menos 30 anos no estado e reflete na produção de propriedades rurais que fornecem cana para usinas de todo o Paraná.

A Universidade Federal do Paraná mantém 500 hectares de plantio de cana de açúcar para pesquisa. O melhoramento genético é feito, principalmente, com a combinação de vários tipos de cana, buscando novas variedades e cruzando sementes. (G1 09/09/2018 às 07h: 41m)

 

Agronegócio absorve 40% das aeronaves não tripuladas no Brasil

Praticamente desconhecidos até meados de 2010, os drones, pequenas aeronaves sem tripulação, comandadas à distância, vêm aumentando sua presença em diversas atividades, com destaque para o avanço expressivo de seu uso nas fazendas. O ritmo de crescimento desse mercado no país tem surpreendido até mesmo os fabricantes dos equipamentos.

Há estimativas de que o Brasil se tornará, em dois anos, o terceiro maior mercado mundial de drones na agricultura. A  previsão é da americana MicaSense, empresa líder no mercado mundial de câmeras e sensores para o agronegócio.

Segundo a empresa, o Brasil ocupa a décima colocação no mercado mundial de drones com aplicação na agricultura. Os primeiros colocados hoje são Estados Unidos, Europa, Canadá e Argentina. (Reuters 10/09/2018)

 

Petrobras pode avaliar política de hedge para diesel, diz CEO

A Petrobras deve estudar a possibilidade de utilizar operações de hedge para evitar um excesso de volatilidade nos reajustes do diesel, após o encerramento de uma política de subsídios ao combustível no Brasil que deve vigorar até o final do ano, disse a jornalistas nesta segunda-feira o presidente da petroleira, Ivan Monteiro.

A fala vem após a estatal ter anunciado na semana passada a aprovação pela diretoria da opção de adotar um mecanismo de hedge para a gasolina.

Com a iniciativa, toda vez que a empresa antever uma volatilidade no mercado, poderá congelar por até 15 dias o preço do combustível na refinaria e comprar futuros de gasolina nos EUA com base nos volumes diários comercializados para não incorrer em perdas financeiras.

“A gente vai olhar principalmente o que está acontecendo em relação a essa experiência na gasolina e eventualmente poderia aplicar no diesel também. Agora ainda é muito preliminar, é algo que a gente pode vir a fazer também para o diesel, mas até o momento sem nenhum tipo de decisão interna na companhia”, disse Monteiro, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

O programa de subsídio ao diesel foi lançado após uma histórica greve de caminhoneiros em maio, contra os altos preços do combustível. A paralisação causou sérios danos à economia brasileira e também teve como consequência a renúncia de Pedro Parente da presidência da Petrobras.

Durante toda a sua gestão, Parente sempre defendeu a independência de a Petrobras estabelecer preços, sem interferências governamentais, e que os ajustes deveriam ocorrer quase que diariamente, para que a empresa pudesse garantir rentabilidade e evitar perdas de mercado.

Monteiro negou que o programa tenha sido discutido com economistas de candidatos à Presidência com os quais representantes da empresa têm se encontrado para apresentar resultados e planos da petroleira estatal.

Até o momento, não há informação de que a Petrobras já tenha sido autorizada pela reguladora ANP a receber os subsídios que podem ter somado até 30 centavos de real por litro.

A conversa com os jornalistas nesta segunda-feira ocorreu após a diretoria da companhia ter realizado um encontro com analistas de mercado em São Paulo para apresentar resultados da empresa.

Na ocasião, os executivos previram que a dívida líquida da estatal deverá alcançar 69 bilhões de dólares no fim deste ano, ante 85 bilhões de dólares em 2017, à medida que o programa de gestão de endividamento dá resultados.

Otimismo com futuro

Monteiro admitiu aos jornalistas que os preços do petróleo Brent acima dos 70 dólares auxiliaram na trajetória de redução da dívida da companhia, uma vez que as estimativas do plano de negócios da empresa previam os valores em cerca de 53 dólares neste ano.

O executivo ainda se mostrou otimista com o comportamento futuro dos preços.

“De um modo geral, a gente vê muita consistência, todos relatórios de todos previsores apontam que isso deve continuar para o ano de 2019 e eventualmente até para o próprio ano de 2020”, disse Monteiro, aos jornalistas.

A respeito do bilionário plano de desinvestimentos, Monteiro reiterou que ainda não há decisão sobre a possibilidade de venda da participação da Petrobras na Braskem. Do ponto de vista estratégico, a empresa vem estudando internamente qual deveria ser a presença da Petrobras na petroquímica.

A Petrobras quer estar preparada para uma possível decisão do grupo LyondellBasell de comprar a participação da Odebrecht na Braskem. As negociações vêm ocorrendo há meses.

“A partir do momento em que a gente for notificado (do fim das negociações) tem um prazo de até 60 dias para fazer análise interna; evidentemente, a gente não está aguardando ser notificado”, afirmou.

“Essa discussão ia ser colocada em prática ou ia ser externada um pouco mais adiante, na revisão do planejamento para 2019-2023, e a gente antecipou justamente porque a gente acha que pode haver um evento importante, que é o que fazer, qual vai ser a decisão da Petrobras em relação aos termos do acordo da LyondellBasell com a Odebrecht”, afirmou. (Reuters 11/09/2018)

 

Para executivos, Brasil deve investir em acordo de longo prazo com a China

Órgãos do governo e empresas precisam atuar juntos para fortalecer diálogo com país asiático.

Apesar de ser o principal destino das exportações brasileiras, a China impõe grandes barreiras a produtos comercializados pelo agronegócio nacional. É o caso da recente salvaguarda do açúcar, que elevou a taxa de importação do produto em 2017, e da sobretaxa aplicada ao frango brasileiro sob alegação de prática de dumping, nome dado ao expediente de vender produtos a preços inferiores aos praticados no mercado.

Para fortalecer os laços comerciais com o país e impedir outras ocorrências como essas, o governo brasileiro deve investir em um acordo de cooperação a longo prazo que priorize a China dentre todos os demais parceiros comerciais e que traga garantias de retorno desse investimento no futuro.

A medida foi uma das principais conclusões discutidas nesta quarta-feira (5) em debate durante o seminário Brasil-China, organizado pela Folha, com patrocínio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da distribuidora Caoa Chery e do Banco Modal e apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo Roberto Brant, presidente do Instituto CNA da Confederação da Agricultura e Pecuária, os interesses de ambos os países devem convergir cada vez mais com o tempo, o que torna mais necessária a cooperação a longo prazo.

“A China terá necessidade de aumentar a importação por restrições físicas, sua estrutura agrícola impede que haja um grande crescimento da produção no futuro”.

Brant também recomendou que o Brasil evite tomar grandes iniciativas baseadas na atual guerra comercial entre Estados Unidos e China. Trata-se de um cenário efêmero, avalia, que pode sofrer alterações a qualquer instante e tem potencial para prejudicar qualquer investimento que o país venha a fazer baseado nesse contexto.

Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), reforçou ainda a importância do respaldo da iniciativa privada em um acordo do gênero. A atuação conjunta de governo e empresas torna o Brasil mais forte para dialogar com o país asiático.

Essa integração já ocorreu no caso da salvaguarda de importação do açúcar, afirmou Leão. Na semana passada, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) divulgou decisão de consultar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para questionar a sobretaxa aplicada pela China.

“A Camex teve uma postura ousada. Na nossa avaliação [da Unica], foi uma atitude louvável visando o bem da indústria brasileira”.

Hoje é inviável entrar no mercado chinês sem nenhum respaldo, disse Marcio de Oliveira, responsável pelo setor de concessões do Banco Modal. Caso não haja apoio por parte do governo brasileiro, um bom caminho é atrair investidores chineses para o capital da companhia, diz ele.

“Fizemos essa sugestão a uma empresa que queria exportar café para a China. Com a parceria, eles teriam alguém que já conhece o mercado lá. Se outras seguirem o método, pode facilitar a distribuição e consumo do café brasileiro no país, que tem um potencial enorme.”

Outra dica importante para as empresas nacionais, afirmou Oliveira, é investir no controle sanitário da produção. “Algumas empresas menores não cuidam dessa parte, que é muito relevante para o mercado chinês”. (Folha de São Paulo 10/09/2018)

 

‘Empresas usaram Judiciário para lavar dinheiro’, diz delegado da Operação Rosa dos Ventos

À frente de investigação sobre setor de combustíveis, profissional fala sobre esquemas anticoncorrenciais.

O delegado da Polícia Federal Victor Hugo da Costa Miranda esteve à frente de uma das principais investigações já deflagradas no país sobre fraudes no setor de combustíveis: a Operação Rosa dos Ventos.

Em agosto do ano passado, a PF deflagrou a investigação para apurar desvios tributários que giram em torno de R$ 5 bilhões, sem contar os créditos que ainda podem ser discutidos administrativamente.

Segundo Miranda, o esquema investigado na Rosa dos Ventos impressionou por estar “sempre um passo à frente” dos órgãos de fiscalização, o que permitiu que durasse 15 anos até ser desbarato.

Na investigação, a PF encontrou 100 empresas de fachada ligadas aos investigados. “Eles se utilizaram de vários expedientes para sonegar e evitar que o crédito tributário fosse constituído na pessoa deles, e sim nas empresas de fachada”, diz Miranda.

Os operadores do esquema utilizaram desde garantias de diamantes que, ao que tudo indica, são falsas à simulação de lides no Poder Judiciário para fazer com que o pagamento de impostos se mantivesse dentro da estrutura da organização. “Na verdade, o que eles estão fazendo é usar do Poder Judiciário para lavar dinheiro. Eles estavam sempre um passo adiante”, afirma o delegado da Rosa dos Ventos.

Na apuração do caso, a PF também encontrou indícios, sobre os quais o delegado não comenta por ainda estarem sendo investigados, de infiltração em órgãos como o CARF, Banco Central e Receita Federal.

Para Miranda, o aspecto mais prejudicial dos crimes apurados é a concorrência desleal, uma vez que o setor opera com commodities, como o etanol e a gasolina, e a sonegação ajuda os fraudadores a ter um preço mais baixo e, consequentemente, permite que pratiquem preços mais baixos de maneira artificial e criminosa.

Confira a íntegra da entrevista concedida ao Jota.

A operação Rosa dos Ventos surgiu de uma investigação da Receita, que foi levada à PF e ao MPF. A integração entre os órgãos de fiscalização parece essencial para investigar crimes como esse. Qual a maior dificuldade de fazer investigações em suspeitas de crimes no setor de combustíveis?

A maior dificuldade ao investigar uma organização criminosa como a desbaratada na Operação Rosa dos Ventos é desvendar a complexa trama empresarial que os criminosos montam para ocultar seu patrimônio e protegê-los da ação da polícia, do Fisco e do Ministério Público.

Para se ter uma ideia, entre as empresas ostensivas que eram colocadas nos nomes dos próprios sócios, e as empresas que eram colocadas em nome de laranjas, tivemos de analisar a estrutura societária de mais de 100 delas.

Ou seja, precisamos analisar a composição e as alterações societárias e ver se a pessoa realmente tinha capacidade econômico-financeira para ser sócia de um empreendimento desses. A maior dificuldade é desvendar a trama empresarial para sonegar tributo e lavar dinheiro.

Como foi o processamento das informações destas 100 empresas investigadas na Operação Rosa dos Ventos?

É basicamente um trabalho de análise de dados. Cruzamos mais de dois milhões de chamadas telefônicas para poder chegar na estrutura da organização. Essas 100 empresas faziam parte da estrutura da organização, mas chegamos a analisar 300 companhias.

No caso das offshores, foi feito pedido de cooperação jurídica internacional? Se sim, qual o patrimônio estimado a ser repatriado?

Sim, isso está em curso. Não temos ainda uma estimativa de valores. Encontramos offshores na Holanda, Luxemburgo, Ilhas Virgens Britânicas, no Reino Unido. São várias.

Mas bloqueamos muito patrimônio no Brasil. Ainda não temos uma estimativa sobre esse valor. Mas bloqueamos os CPFs dos principais investigados na Rosa dos Ventos.

Para se ter uma ideia, só um prédio, de uma das empresas de um investigado, está avaliado em R$ 200 milhões. É um imóvel de 20 mil metros quadrados numa região nobre de Campinas. Há diversos outros imóveis, como fazendas, casas, prédios comerciais.

O grande chamariz eram essas empresas de fachada?

A fraude se centra no que o mercado chama de empresas “barriga de aluguel”. Elas são criadas tão somente para emitir notas fiscais que vão ser usadas para comercializar o produto.

Mas apesar de emitirem nota os tributos jamais são recolhidos. O empresário do setor que se vale deste expediente sai com uma grande vantagem diante dos concorrentes porque a carga tributária no álcool combustível, por exemplo, gira em torno de 30% do valor do produto na bomba.

Como estamos falando de uma commodity, o empresário que frauda tem preço mais competitivo. Assim, ganha mercado e o concorrente é obrigado a fechar as portas.

Então, além de causar grande prejuízo à Fazenda, gera prejuízo monstruoso à concorrência. Com o fechamento das portas de alguém que não consegue fazer frente ao preço do fraudador, ele avança no mercado.

Em Campinas, houve indícios de que essa organização estava sufocando a concorrência do mercado local?

Certamente sufocou. É muito difícil. O produto é basicamente o mesmo desde que não seja adulterado. Não tem um grande diferencial. Se um concorrente sai com uma vantagem de 30% a 40% no preço fica difícil concorrer com ele.

Para se ter uma ideia, a empresa que deu início às investigações da Rosa dos Ventos emitiu R$ 2 bilhões em notas fiscais em dois anos. Então, o volume movimentado pela organização é muito grande.

Só de tributos sonegados, e são valores não atualizados, e multas, as empresas deixaram de recolher R$ 5,1 bilhões aos cofres públicos. Isso sem contar aqueles créditos tributários que já foram constituídos pela Receita e pelas secretarias de Fazenda estaduais, mas que ainda cabe recurso na esfera administrativa.

A operação é sem precedentes pelo tamanho. O que motivou tanto êxito durante tanto tempo com esse esquema?

A resposta é complexa. Durante 15 anos, eles se valeram de vários expedientes para sonegar e evitar que o crédito tributário fosse constituído na pessoa deles – e sim nas empresas de fachada. Em alguns momentos desse período, a Receita conseguiu vincular algumas as empresas a alguns desses sócios.

Mas, enquanto isso acontecia, eles recorriam a outros expedientes para continuar blindando o patrimônio. Por exemplo: inicialmente constituía-se uma empresa de fachada em nome de sócios laranjas e começava-se a operar por meio dela.

Se a Receita descobria que aquela empresa no nome do laranja é do líder da organização criminosa, ele recorria a outro expediente como, por exemplo, dar de garantia para a Receita créditos que representam títulos da dívida ativa podre, que é outra vertente da investigação.

Parte do dinheiro era remetido para o exterior em nome de empresas offshore. Então, quando a Receita procurava o patrimônio para bloquear, grande parte dele já não estava mais no Brasil. Por isso, ainda que se chegasse ao nome do real proprietário da empresa, o patrimônio já estaria fora do país.

Além disso, foi desvendado também um esquema envolvendo diamantes. Para se ter uma ideia, interceptamos mensagens que mostravam que estava negociando diamantes da ordem de US$ 600 milhões. Tudo indica que esses diamantes não existiam de fato. Mas eram usados como garantia em operações de importação de combustível.

Havia outro expediente: a simulação de lides na Justiça. Eles tentavam sonegar. Se a Receita descobrisse, eles intentavam uma ação na Justiça contra a empresa dizendo que tinha um crédito privilegiado.

Identificamos ao menos quatro lides simuladas. Depois que o patrimônio do sonegador estava bloqueado, eles ingressavam com essas lides simuladas diante a apresentação de documentos ideologicamente falsos que representariam créditos entre empresas para tentar fazer com que o patrimônio não fosse para o Fisco, e sim para essas empresas que eram do mesmo grupo.

Esse expediente identificado na Rosa dos Ventos é novo ou é algo comum em outras operações?

Já havia visto em outras investigações, mas não com toda esta sofisticação. Na verdade, o que eles estão fazendo é usar o Poder Judiciário para lavar dinheiro.

Eles estavam sempre um passo adiante. Quando se conseguia bloquear o patrimônio, eles simulavam uma lide. Se a lide não fosse aceita, eles tinham um título podre para dar de garantia e tentar desbloquear.

Se a empresa estava enrolada, usavam os diamantes por meio da emissão de títulos. Interceptamos mensagens com a minuta da falsificação desses títulos dos diamantes. Então, todos esses esquemas estão interligados.

Quantos postos de combustíveis eles possuíam na região?

Não descemos para os postos de gasolina. Um dos alvos principais chegou a ter mais de 100 postos, mas não foi nosso foco. Os postos de gasolina e álcool, por substituição tributária, não recolhem os tributos. No caso de gasolina, por substituição tributária, o tributo é recolhido na refinaria. No álcool, entre a usina e as distribuidoras. (JOTA 10/09/2018)

 

MME prorroga prazo para habilitação em leilões de energia

Interessados têm até 14 de setembro para apresentar documentação.

O Ministério de Minas e Energia (MME) prorrogou ontem (10) o prazo de entrega dos documentos de empreendedores que desejam participar dos leilões de geração de energia A-1 e A-2, previstos para dezembro deste ano. Com o novo prazo, os interessados terão até as 12h do dia 14 de setembro para entregar a documentação para a qualificação técnica. Inicialmente, o prazo terminaria no dia 31 de agosto.

Os certames, realizados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), são destinados à compra de eletricidade proveniente de empreendimentos de geração de energia existentes de 2018. Os contratos de comercialização serão no ambiente regulado e se darão por disponibilidade para energia elétrica proveniente de fonte termelétrica, biomassa e gás natural. Os custos decorrentes dos riscos hidrológicos serão integralmente assumidos pelos compradores, "com direito de repasse às tarifas dos consumidores finais", diz a portaria com as regras do leilão.

Também serão realizados contratos por quantidade, para energia elétrica proveniente das demais fontes. Nestes casos, os custos decorrentes dos riscos hidrológicos serão integralmente assumidos pelos vendedores. O início do fornecimento de energia para o leilão A-1 será em 1º de janeiro de 2019 e término em 31 de dezembro de 2020. Já para o leilão A-2, o fornecimento terá início em 1º de janeiro de 2020 e término em 31 de dezembro de 2021.

Leilão A-6

No dia (31) de agosto, o leilão para a contratação de empreendimentos de geração de energia A-6 encerrou com a contratação de 168.033.684 megawatt por hora (MWh) de energia. O certame, realizado após a Advocacia-Geral da União ter derrubado uma liminar suspendendo sua realização, conseguiu um deságio de 46,89% em relação aos preços-tetos estabelecidos, com o preço final da energia contratada girando em R$ 140,87 por MWh.

De acordo com a Aneel, o leilão resultou em uma economia de R$ 20,9 bilhões para os consumidores de energia. As usinas deverão iniciar o fornecimento de energia elétrica a partir de 1º de janeiro de 2024.

Na ocasião, foram contratados 62 empreendimentos de geração, sendo 11 hidrelétricas (78,7 MW médios), 48 usinas eólicas (420,1 MW médios), 2 usinas térmicas movidas a biomassa (9,8 MW médios) e uma térmica a gás natural (326,4 MW médios), o que soma 835 MW médios de energia contratada.

Os estados com os empreendimentos contratados foram o Rio Grande do Norte (27 usinas), a Bahia (21 usinas), o Paraná (5 usinas), São Paulo (2 usinas), Minas Gerais (2 usinas), além de Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Maranhão com uma usina em cada estado, informou a Aneel. (Agência Brasil 11/09/2018)