Setor sucroenergético

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Estiagem prolongada compromete a ação dos herbicidas na cultura da cana-de-açúcar

O longo período seco, certamente impactou na performance dos herbicidas, reduzindo o período residual, que confere controle por mais tempo.
A exposição sobre a palha, sem ocorrências de chuvas potencializa perdas por fotólise, ou seja, as moléculas se degradam através da incidência de raios ultra-violeta.
Considerando cenários onde as aplicações ocorreram no início de safra e associando-se a uma flora diversificada, composta por plantas daninhas de alta complexidade, os cuidados devem ser redobrados a partir do início das chuvas (setembro/outubro).
Provavelmente serão necessárias novas intervenções que antigamente eram denominadas de "repasses", não eram planejadas e quase sempre eram "curativas".
Atualmente, inseridas em um manejo racional e sustentável, surgem as intervenções sequenciais, essas sim, são planejadas e orçadas antecipadamente.
Ocorrem sempre no melhor momento, e preservando a cultura com tratamentos (produtos e doses) adequados a cada intervenção específica.
Vale ressaltar que essas intervenções são fundamentais, pois além de permitir a redução do banco de propágulos vegetativos, evitam futuras disseminações, principalmente na colheita.
Segundo Weber Valério, diretor das empresas Consult Agro e Agro Analítica, o conhecimento pleno sobre a flora local e seu respectivo nível de infestação, além do domínio sobre as características dos herbicidas disponíveis, é que nortearão as melhores tomadas de decisões.
Para Valério, máquinas, equipamentos e produtos adequados, devem estar disponíveis no melhor momento, ou os resultados poderão ser comprometidos. (Agroanalítica Consultoria Agronômica 19/09/2018)
 

Usinas paradas respondem por 13% da capacidade de moagem

Cresceu de forma significativa no país o número de usinas que está sem produzir uma gota sequer de etanol nem um grama de açúcar. Segundo levantamento da consultoria RPA feito a pedido do Valor, estão atualmente de portas fechadas 93 plantas, que juntas têm capacidade instalada de moagem de 98,9 milhões de toneladas de cana por safra. Há um ano atrás, foram identificadas 76 usinas fora de operação.
O número atual representa 21% das 443 unidades instaladas no país. Em termos de capacidade instalada de processamento de cana, as usinas paradas representam 13%, em relatório divulgado em maio, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informa que, conforme o Ministério da Agricultura, a capacidade total chega a 744 milhões de toneladas. São Paulo, que abriga o maior polo sucroalcooleiro do país, é também onde está o maior número de usinas paradas, são 36. Alagoas e Minas Gerais empatam em segundo lugar nesse ranking, com nove unidades cada.
O aumento da ociosidade do parque sucroalcooleiro do país decorre sobretudo da falta de investimentos nos canaviais do Centro-Sul, segundo Ricardo Pinto Arruda, sócio da RPA. Quando não há aportes para a troca de pés de cana, as plantas envelhecem, tornam-se cada vez menos produtivas e a atividade industrial fica mais cara. A ponto de muitas empresas optarem por desativar suas caldeiras e arrendar áreas agrícolas ou fecharem contratos de fornecimento de cana para usinas próximas.
Foi o que aconteceu neste ano com uma usina do Grupo Furlan em Santa Bárbara D'Oeste, no interior paulista. Em vez de moer 1 milhão de toneladas de cana de suas lavouras na própria planta, a companhia vendeu seus canaviais para usinas vizinhas da Raízen Energia e da São Martinho.
Em muitos casos, uma usina parada não significa necessariamente que sua controladora está em más condições financeiras. Tanto que a maior parte das unidades de portas fechadas não está nem em recuperação judicial, nem falida, são 46 unidades, segundo a RPA, que juntas têm capacidade para moer 49,75 milhões de toneladas por safra, ou metade de toda a capacidade instalada que está em operar. Entre os exemplos mais notórios estão duas usinas da Raízen no interior paulista, em Araraquara e no município de Dois Córregos.
Outro exemplo é a Usina Costa Bioenergia, que pertence ao grupo Santa Terezinha e está situada em Umuarama, no Paraná. A companhia suspendeu as atividades da planta no início deste ano e remanejou a cana disponível na região para outra de suas usinas, situada em Ivaté (PR).
Ainda conforme a RPA, há 25 usinas paradas que são de grupos em recuperação judicial, que juntas têm capacidade para processar até 24,9 milhões de toneladas de cana por safra. Nessa lista está a Usina Revati, em Brejo Alegre, no interior paulista. A unidade pertence à Renuka do Brasil, que preferiu manter em operação apenas a Madhu, localizada em Promissão, também em São Paulo, enquanto espera o encaminhamento do leilão da Revati. Outra que não ligou as caldeiras em 2018/19 é a Usina Campestre, de Penápolis (SP). A planta é da Clealco, que pediu proteção contra os credores este ano.
A lista de usinas de empresas falidas que estão sem operar é um pouco menor. São 22 unidades paradas, com capacidade total para processar até 24,2 milhões de toneladas de cana por temporada. Nesse rol, a debacle mais recente é a da Alta Paulista, em Junqueirópolis (SP), pertencente ao Grupo Silveira Barros.
Para analistas e executivos do segmento, a reativação dessa parcela do parque sucroalcooleiro do país que está ocioso enfrenta obstáculos. Para retomar a moagem em uma usina, é preciso ter cana suficiente para operá-la, o que depende de investimentos nas lavouras - que demoram até um ano e meio para começar a fazer efeito. E, em meio a uma safra com a atual, marcada por preços de açúcar que mal oferecem margem aos produtores, a tendência é que um aumento dos investimentos no campo fique mais para frente.
E nem todas as usinas paradas voltarão a operar. Para Arruda, da RPA, cerca de 49% da capacidade hoje inutilizada não deverá ser retomada. "São usinas que estão sendo desmontadas ou abandonadas há muito tempo, ou têm escala pequena, e a cana do entorno já foi absorvida por usinas maiores da região", disse. (Valor Econômico 19/09/2018)
 

Moreira Franco almoça com Rubens Ometto Silveira Mello, da Cosan

O ministro Moreira Franco (Minas e Energia) causou estupefação ao almoçar nesta segunda (17) com os donos do grupo Cosan, um dos que mais se beneficiaram da política que favoreceu a formação de cartel na distribuição de combustíveis. Mas reafirmou posição sobre o tema, segundo ele "clara" desde que foi secretário-geral da Presidência da República. Moreira lembrou inclusive que mobilizou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a ação dos cartéis.
Pela concorrência
O ministro Moreira sinalizou apoio à venda direta de etanol aos postos, ao defender a concorrência, a regionalização e a descentralização.
Apoio ao cadê
Ele disse apoiar a "solução técnica" do Cade, que é favorável à venda direta de etanol aos postos, "em fase final de decisão."
Sem medo de indigestão
Moreira disse ainda que foi "adequado e útil" almoçar com Rubens Ometto et caterva: "conhecem o setor e têm influência sobre ele". (Jornal Mídia 18/09/2018)
 

Bayer diz que rotas comerciais agrícolas podem mudar diante de disputa tarifária

A Bayer disse nesta terça-feira que seria difícil prever os resultados de 2019 dos seus negócios agrícolas, que agora incluem a Monsanto, porque a disputa comercial entre os Estados Unidos e a China pode retraçar as rotas comerciais globais das commodities agrícolas.
O chefe da divisão de "crop science" da Bayer disse à Reuters que a empresa poderia se beneficiar se os agricultores dos EUA passassem a produzir mais milho para evitar as barreiras comerciais do comércio de soja, impostas pela China em resposta para às tarifas norte-americanas sobre produtos chineses.
A Bayer e a Monsanto têm combinadas uma participação muito maior no mercado de sementes de milho e produtos de proteção ao milho do que no mercado de soja, então poderiam captar muito mais desse crescimento.
"A grande incógnita do ano que vem será como os produtores norte-americanos irão reagir à guerra comercial EUA-China", disse Liam Condon nos bastidores de uma coletiva de imprensa na sede da divisão em Monheim, na Alemanha.
"Até poderia haver um desenvolvimento positivo, quando os produtores dos EUA plantarem menos soja e mais milho", ele disse, acrescentando que a China depende principalmente dos EUA para as importações de soja e menos de milho.
A aquisição da Monsanto tornou a Bayer a maior fabricante de sementes e pesticidas do mundo, à frente da Corteve Agriscience, da DowDuPont , da Syngeta e da BASF
"O que é seguro prever, outras coisas ficando iguais, é que muito mais soja brasileira irá para a China e muito menos soja irá dos EUA à China", disse Condon, acrescentando que a soja norte-americana pode ser direcionada para a Europa, se o comércio brasileiro permanecer focado no novo mercado chinês. (Reuters 18/09/2018)
 

Açúcar bruto continua declínio na ICE; outubro é negociado a 10,52 cents/libra-peso

Os preços do açúcar bruto estenderam as perdas na ICE nesta terça-feira.
O contrato outubro do açúcar bruto perdeu 0,11 centavo de dólar, ou 1 por cento, a 10,52 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar 10,43 centavos de dólar, sua mínima em mais de duas semanas.
Os preços recuaram nove por cento nas últimas duas sessões, por receios sobre um possível aumento nos embarques da Índia, que está considerando novos incentivos de exportação.
"A Índia tem o potencial para inundar o mercado mundial com quantidades consideráveis de açúcar", disse a Commerzbank em nota. "Atualmente, isso está sugando qualquer indício de sustentação de preços".
O açúcar branco para dezembro fechou em queda de 1 dólar, ou 0,3 por cento, a 329,10 dólares por tonelada. (Reuters 19/09/2018)
 

FCStone vê risco para oferta de diesel com subsídio e de perdas para Petrobras

A consultoria INTL FCStone vê risco para o suprimento de diesel no Brasil no último trimestre deste ano, devido a problemas no pagamento e no cálculo de subsídios ao combustível, o que tem levado a Petrobras a elevar importações, enquanto concorrentes param operações.
Lançado em junho, o programa de subvenção foi uma resposta a uma histórica paralisação dos caminhoneiros, que protestaram em maio contra os altos preços do combustível. Por meio dele, Petrobras, pequenas refinarias e importadoras reduziram preços com a promessa de serem ressarcidas.
Importadores privados já alertaram anteriormente que, nos valores atuais do subsídio, não compensa importar, além de questionar atrasos no recebimento da subvenção.
A FCStone também apontou que os valores adotados para o cálculo dos subsídios pela agência reguladora ANP, responsável pelos pagamentos, estão "muito abaixo do praticado pelo mercado" e que, até o momento, a grande maioria das empresas não foi paga.
Nesse cenário, muitas empresas estão sem liquidez para realizar novas operações e têm incertezas se a subvenção ocorrerá de fato, apontou a consultoria.
"A importação privada está paralisada e a Petrobras é praticamente o único agente a trazer produto para o Brasil, salvo raras exceções", afirmou em nota representante da área de Petróleo, Gás e Derivados da INTL FCStone, Thadeu Silva.
Desde o lançamento do programa, a ANP pagou apenas 185.749 reais para poucas companhias.
Após as declarações da FCStone, a autarquia informou que aprovou o pagamento de mais 877,9 milhões de reais, sendo 871,5 milhões de reais para a Petrobras, 6,2 milhões de reais para a Petro Energia e 191,6 mil reais para a Dax Oil.
O valor é uma parcela dos até 2,5 bilhões de reais que a petroleira brasileira espera receber dentro de duas semanas, segundo a Reuters publicou na véspera.
Procurada para falar sobre o assunto, a ANP tem afirmado que "não há qualquer risco de desabastecimento de diesel".
Demanda agrícola
O ambiente poderá se agravar com o esperado aumento da demanda por diesel nos últimos meses do ano, devido ao maior consumo sazonal do setor agrícola, que está em expansão.
Em meio à evolução na safra de grãos, a FCStone prevê que o consumo anual de diesel no Brasil apresente alta de 0,32 por cento neste ano em relação ao volume total em 2017 e alcance 50,13 milhões de metros cúbicos (m³) neste ano.
"Caso não haja mudança na política de precificação de diesel por parte da ANP e o início do pagamento da subvenção, teremos desabastecimento de diesel nos últimos meses do ano ou a Petrobras terá que arcar sozinha com o prejuízo de suprir a totalidade do mercado brasileiro com arbitragem negativa", disse Silva.
Procurada nesta terça-feira, a Petrobras não respondeu aos pedidos de comentários.
Na véspera, a empresa informou em nota à Reuters que "as margens de lucro da Petrobras nas importações estão preservadas, na medida em que a companhia aplica preços para o diesel alinhados à paridade internacional, conforme dispõe sua política de preços para o derivado".
Ao contrário de suas concorrentes, a petroleira defende que o programa de subsídio "gera resultados aderentes ao esperado pela política de preços da Petrobras vigente" e declarou que a empresa "possui infraestrutura logística eficiente, que permite ser mais competitiva que eventuais concorrentes".
Agravamento
A FCStone frisou que as condições domésticas da oferta de óleo diesel se agravaram após a explosão na Refinaria de Paulínia-SP (Replan) da Petrobras, no mês passado, que reduziu a capacidade de produção do combustível em 50 por cento.
A consultoria projeta que o Brasil precisará importar cerca de 5,5 milhões de m³ (130 navios com capacidade de 42 mil m³) durante os próximos quatro meses para equilibrar o balanço doméstico de oferta e demanda em 2018.
A necessidade de importar 1,37 milhão m³ ao mês pelos próximos quatro meses representaria um aumento de 22,6 por cento em relação a média das importações de diesel nos cinco primeiros meses do ano.
"Comparando com o volume importado no mesmo período de 2017, as compras de diesel no mercado internacional precisarão expandir 12,2 por cento, realçando que no passado 24,2 por cento do diesel ofertado no mercado doméstico teve origem fora do país, o maior share já registrado para o produto", disse Silva. (Reuters 18/09/2018)
 

ATR SP: Valor acumulado desvaloriza 1,05%

O Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana-SP) divulgou os dados do ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) referentes ao mês de agosto de 2018.
Os preços do valor acumulado foram firmados em R$ 0,5599 o quilo, contra R$ 0,5658, desvalorização de 1,05%.
O valor do ATR mensal fechou em R$ 0,5384, contra R$ 0,5488 do mês de julho, queda de 1,933%.
Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo foram cotados, em agosto, em R$ 61,14 a tonelada. Já a cana esteira fechou o mês em R$ 68,29 a tonelada. (UDOP 17/09/2018)
 

Variedades de cana criadas na UFSCar representam 64% do cultivo em SP e MS

Programa de desenvolvimento do campus de Araras (SP) faz parte de rede de universidades e já originou 25 novos cultivares comerciais.
A maioria da cana-de-açúcar plantada nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul tem origem no campus de Araras (SP) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O Programa de Melhoramento Genético da Cana-de-Açúcar (PMGCA) da universidade é responsável por 64% da área plantada desses estados.
Segundo o professor do Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal (DBPVA-Ar) da UFSCar, Hernann Paulo Hoffmann, coordenador nacional da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroenergético (Ridesa), o Programa de Melhoramento é a razão de existir o curso de agronomia e do campus de Araras da UFSCar.
"Com a extinção dos programas de incentivo do álcool, os centros de pesquisa foram repassados para as universidades federais, e havia uma estrutura montada aqui em Araras que a UFSCar herdou".
Ridesa
A Ridesa foi formada pelas universidades federais que herdaram as áreas de pesquisa que eram dos projetos de incentivo sucroalcooleiro e que foram extintos na década de 1990, como o Proalcool, a Planalsucar e o Instituto de Açúcar e Álcool (IAA).
Além da UFSCar, a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), de Viçosa (UFV), Alagoas (UFAL), Pernambuco (UFPE), Paraná (UFPR) e Sergipe (UFSE) e mais três universidades com pesquisas em cana: Goiás (UFG), Mato Grosso (UFMT) e Piauí (UFPI).
Juntas, essas 10 universidades são responsáveis pelo desenvolvimento das variedades que recebem o nome República do Brasil (RB) e, atualmente, estão plantadas em 5,2 milhões de hectares, o correspondente a 64% dos 8,22 milhões de hectares de plantio cana-de-açúcar no país. Das cinco variedades mais plantadas na safra 16/17, quatro são RB.
As variedades RB começaram a ganhar destaque na década de 80, quando a ferrugem afetou boa parte dos plantios e elas eram imunes à praga.
Centro de excelência
O centro de Araras é destaque dentro da rede. Desde a sua criação, a Ridesa produziu 75 cultivares que, somadas às variedades desenvolvidas antes, somam 94, sendo que 25 são criações pela UFSCar.
Atualmente, 15 desses cultivares estão sob proteção intelectual e são os responsáveis pelos R$ 30 milhões angariados pelo PMGCA por ano.
O centro fica em uma área de 226,5 hectares, dos quais 110 ha são plantados com experimentos. Possui um laboratório de biotecnologia, viveiro e uma estufa com autorização para armazenamento de plantas transgênicas. Guarda ainda em um arquivo vivo com as principais variedades de cana do Brasil e do mundo dos últimos 60 anos.
O centro é autossuficiente em energia elétrica, produzida por placas solares e tem um sistema de armazenamento de água da chuva que é utilizada na irrigação. Ao todo, 78 pessoas trabalham para o programa, em Araras e em uma estação experimental em Araçatuba (SP).
A importância do trabalho do PMGCA pode ser medida pelo tamanho da procura que desperta. O centro é o principal fornecedor de novas variedades de cana para o maior estado produtor do Brasil: São Paulo tem 5 milhões dos quase 9 milhões de hectares de cana brasileiros.
Parceria
Para que isso tudo possa ocorrer, a palavra que norteia o trabalho é parceria – dentro e fora da universidade.
Com um exemplo de sucesso de parceria público-privada no agronegócio, a estrutura do PMGCA é mantida pelos royalties das variedades de cana e pelos acordos que o centro tem com 166 usinas e associações de fornecedores de cana de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
As usinas pagam uma taxa fica mensal mais um valor pelo uso do material. "A usina paga por hectare plantado, mas quanto mais ela usa, menor fica o valor do hectare". A interface com o setor privado é feita por meio de uma fundação.
A UFSCar tem o registro intelectual da cana por 15 anos, após esse período, a variedade cai no uso público, por isso, os pesquisadores do centro estão atentos às necessidades do mercado.
"Se a gente tem a área cultivada, a gente tem apoio, se não tiver variedade, não tem dinheiro. Mas a questão não é liberar [variedade], é liberar o que emplaca", afirma Hoffmann.
O resultado é um grande mercado com variedades com diferentes perfis de maturação, desenvolvimento em diversos tipos de solos, teor de sacarose, adaptação ao clima da região. "A usina leva todas e vê qual se encaixa para o que está precisando", diz Hoffmann.
Já teve material descartado no passado que agora está fazendo sucesso. "Esse material foi cruzado em 1997, mas ficou para trás. A gente achou que não tinha muito apelo. Esse material tem uma capacidade de brotar muito boa e com o aumento da colheita mecanizada, essa característica dela, com muito perfilho (brotação) passou a despertar interesse É de uma série que as colegas dela foram liberadas e ela ficou para trás e agora por essa característica voltou".
Produção
A parceria também é forte entre as universidades da rede, que trocam informações e conhecimentos entre si. Além disso, todas dependem da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), onde fica a Estação de Floração e Cruzamento Serra do Ouro, em Murici (AL), e onde são feitos os cruzamentos das unidades da Ridesa de todo Brasil.
"Lá estão as melhores condições do Brasil para a cana florescer e, assim, fazer a combinação entre os parentais, ou seja, os cruzamentos. Aqui, na época de florescimento é frio e seco, então a semente não consegue fecundar. Em Alagoas, o clima é mais ameno e chove nesse período", explica Hoffmann.
Os cruzamentos são feitos a partir de abril. Neste período, os pesquisadores do centro vão para Alagoas e coordenam os cruzamentos utilizando o banco de germoplasmas com mais de 3 mil opções, com espécies do mundo todo.
"A gente identifica entre essas 3 mil variedades disponíveis, quais tem características interessantes para a gente realizar os cruzamentos dentro das necessidades do setor e faz estudos para escolher as melhores combinações e evitar indivíduos aparentados ", explica o engenheiro agrônomo Danilo Cursi, que começou no centro de pesquisa como estagiário, em 2009, e hoje é mestre é doutorando em genética e melhoramento de plantas pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), onde também fez mestrado.
Vantagem competitiva
O cruzamento é feito de forma natural. Ramas das variedades escolhidas são colocadas juntas para que a polinização ocorra espontaneamente.
"A gente cria condição favorável para a cana fazer o papel dela que é fecundação. A gente só une os pares e aí ocorre de forma natural", diz Cursi.
Segundo o engenheiro e pesquisador, esse é uma vantagem competitiva do Brasil. "Em Alagoas, há um conjunto de fatores naturais, como precipitação e temperatura que favorecem o florescimento da cana que tenha a formação do pólen. Outros países precisam investir em técnicas e estruturas para promover de forma artificial o florescimento, o que encarece o melhoramento".
Testes duram anos
Esses cruzamentos geram sementes que são enviadas para as universidades a partir de agosto para se tornarem mudas. Esse processo demora em torno de 90 dias.
Cerca de 2 milhões de indivíduos começam a ser testados. Só na UFSCar são em torno de 240 mil.
O processo pode levar até 15 anos. Os testes começam com apenas uma touceira de cada cruzamento, mas à medida que vão avançando, vai-se eliminando os cruzamentos inviáveis e aumentando o plantio dos promissores até chegar na etapa dos tratos culturais e colheita, que são feitos nos mesmos moldes das usinas.
"Começa com 200 mil, na segunda fase vai para 2 mil, depois para 60 e no ensaio final vai para 30 indivíduos. Começa com exames visuais, depois começa a tirar brix, a analisar se ela está brotando bem, depois vai inoculando doenças para ver como ela se comporta. É um risco. Ao final, a gente pode chegar a um material ou não. A gente tem conseguido", afirma Hoffmann. (G1 18/09/2018)
 

Índia pode oferecer incentivo para exportação de 5 mi t de açúcar

A Índia pode avaliar na quarta-feira uma proposta para fazer com que usinas de açúcar exportem 5 milhões de toneladas da commodity, incentivando as vendas para o exterior na temporada 2018/19, disseram dois agentes do governo.
O país asiático, que deve superar o Brasil como maior produtor de açúcar do mundo em 2018/19, está tentando reduzir o estoque crescente.
O aumento de embarques poderia pressionar os preços globais do açúcar, que estão sendo negociados próximos de mínimas em quase uma década.
Porém, isso também poderia ajudar o governo do primeiro-ministro Narendra Modi durante o ano eleitoral, garantindo que os produtores consigam o preço prometido da cana-de-açúcar.
Sobrecarregadas com estoques massivos e uma queda acentuada dos preços, usinas disseram não conseguir pagar os agricultores de cana o preço fixado pelo governo a tempo.
Algumas empresas açucareiras devem cerca de 135 bilhões de rúpias (1,85 bilhão de dólares) no atual ciclo para produtores, que formam um grande bloco de eleitores, disse uma autoridade governamental à Reuters.
"Para ajudar usinas a exportar 5 milhões de toneladas de açúcar, o governo deve dar a elas subsídios de transporte no valor de 30 bilhões de rúpias", disse uma segunda autoridade.
Enquanto isso, grupos que representam as indústrias de açúcar do Brasil e da Austrália estão coordenando estudos junto a seus governos para questionar na Organização Mundial do Comércio (OMC) um possível subsídio à exportação de açúcar na Índia.
O governo indiano também está planejando aumentar o preço que paga diretamente para os produtores de cana para 138 rúpias por tonelada em 2018/19, começando em 1º de outubro, ante 55 rúpias neste ciclo, disseram as fontes governamentais. (Reuters 18/09/2018)
 

Rabobank projeta excedente mundial de 4,5 milhões de toneladas de açúcar em 2018/19

A produção mundial de açúcar superou em 10 milhões de toneladas o consumo nesta safra 2017/18, que se encerra neste mês. A estimativa é do Rabobank, banco especializado em agronegócio.
Para a safra que se inicia no próximo mês e termina em setembro de 2019, o banco acredita que haverá novamente uma produção mundial maior do que o consumo. Desta vez, de 4,5 milhões de toneladas.
O superávit mundial se deve basicamente à produção da Índia, que atingiu 35 milhões de toneladas. O volume compensa a queda de produção no Brasil, que ficará em 28 milhões. (Folha de São Paulo 19/09/2018)
 

Green Plains fechará duas fábricas de etanol nos EUA, dizem fontes

A Green Plains, uma das maiores produtoras de etanol dos Estados Unidos, está fechando duas usinas no Estado do Iowa e está reduzindo a produção em outra em Minnesota devido às baixas margens de lucro, disseram três fontes da indústria à Reuters.
Os cortes da produção acontecem depois que a intensificação das disputas comerciais travadas pela administração de Donald Trump limitou o acesso norte-americano aos mercados de etanol da China, contribuindo para um excesso de oferta doméstica que tem pressionado os preços do biocombustível para mínima em mais de uma década.
A Green Plains fechou a até segunda ordem a sua fábrica em Superior, Iowa, e em breve fechará a planta em Lakota, também em Iowa, enquanto a unidade da empresa em Fairmont, Minnesota, está operando na metade de sua capacidade, disseram as fontes, que pediram para não serem identificadas.
Um representante da companhia, Jim Stark, não respondeu imediatamente por pedidos por comentário nesta segunda-feira.
A Green Plains disse, em documento ao regulador do dia 30 de agosto que, "com base nas condições atuais do mercado, a empresa está reavaliando os níveis de produção".
Juntas, as plantas representam cerca de 20 por cento da capacidade de produção anual de etanol da Green Plains, de cerca de 1,48 bilhão de galões.
A Green Plains disputa com a Valero Energy a posição de terceira maior produtora de etanol nos EUA, atrás da Poet e da Archer Daniels Midland. (Reuters 17/09/2018)
 

Frota da maior usina de cana do mundo dá duas voltas na terra por dia

Maquinário e caminhões da São Martinho, de São Paulo, percorrem 87.200 quilômetros em operação de colheita e transporte.
Imagine colhedoras de cana, tratores, caminhões canavieiros, motoniveladoras, autropelidos, plantadoras e veículos de serviço dando duas voltas na terra ou percorrendo 87.200 km. Essa é a soma da distância percorrida em média por dia pela frota agrícola da maior processadora de cana do mundo, a Usina São Martinho, que fica no município paulista de Pradópolis e tem capacidade de moer 10 milhões de toneladas por ano.
Só as colhedoras de cana percorrem em média 3.500 km por dia. O trajeto é equivalente à distância entre Pradópolis e a capital do Acre, Rio Branco. Os tratores percorrem 6.300 km e os caminhões canavieiros, 46.000 km, o equivalente a mais de dez voltas no percurso de 4.182 km em linha reta que separam os municípios de Oiapoque e Chuí, nos extremos do país.
Os números da movimentação da frota foram divulgados nesta quinta-feira (13/9) pelo diretor agrícola e de tecnologia da São Martinho SA, Mario Ortiz Gandini, em evento de apresentação da nova colhedora da montadora Case IH, parceira da usina no desenvolvimento de maquinário para a cultura da cana-de-açúcar.
A São Martinho processa cana própria, de parceiros e de fornecedores de uma área de 135 mil hectares ao redor de sua sede, o equivalente a quase 190 mil campos de futebol. Segundo o executivo, a gestão da frota agrícola é fundamental para o sucesso da operação durante os 240 dias de safra. A cada dois minutos um caminhão carregado de cana tem que chegar à moenda. Esse é o tempo estimado para não parar a produção. "E a nossa produção não pára há mais de dez anos."
A produtividade nesta safra, no entanto, deve ser menor: está estimada em 85 toneladas por hectare ante a média anterior de 95 toneladas. A falta de chuvas no período de outubro a janeiro, época de crescimento da cana, deve provocar uma antecipação no fim da safra em todo o setor. "E o cenário para a próxima safra também não é animador", diz Mario.
Paulo Rodrigues, dono da fazenda Santa Izabel em Jaboticabal e um dos grandes fornecedores de cana da Usina São Martinho, concorda. Segundo ele, choveu menos da metade da média histórica da região e sua colheita deve terminar em um mês, o que significa uma antecipação de cerca de 45 dias. "O pior é que a seca prejudica também as próximas safras, já que a cana é uma cultura de cinco ou seis cortes." Por conta disso, ele pretende antecipar a renovação de canaviais em algumas áreas da fazenda da família e em terras arrendadas. No total, o filho do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues gerencia 3.500 hectares de cana plantada em São Paulo e mais 2.500 hectares em Frutal (MG).
Nova colhedora
A parceria entre Case e São Martinho vem desde o início da década de 90, quando a usina virou campo de testes de produtos para cana desenvolvidos pela multinacional. Segundo Roberto Biasotto, gerente de marketing de produto da montadora, a nova colhedora série 8810 garante uma economia de 15% no consumo de combustível, melhor qualidade de colheita e tem 29 melhorias tecnológicas que foram introduzidas nesses equipamentos nos últimos anos.
A mecanização da colheita na São Martinho, uma das pioneiras do setor, atinge neste ano 97%. O diretor agrícola admite que a mecanização, com o fim do corte de cana queimada, deixa 15 a 20 toneladas de matéria seca por hectare no solo, mas afirma que os ganhos de longevidade e produtividade do canavial, assim como ganhos ambientais e sociais, são bem maiores.
A usina testa há quatro anos a colhedora Case A-8800 Multirow, de duas linhas, que demanda mudanças no espaçamento de plantio da cana, mas pode garantir uma grande redução de custos na colheita. O desafio é diminuir as perdas de eficiência de colheita em relação à máquina de uma linha. A São Martinho tem uma frota de 68 colhedoras, sendo nove 8810 e cinco Multirow. Cada máquina colhe em média 970 toneladas por dia (na região Centro Sul, a média é de 494 toneladas), desempenho que sobe a cada ano. Na safra 2014/15, por exemplo, a média por máquina era de 772 toneladas/dia. (Globo Rural 14/09/2018)
 

Campinas (SP) recebe maior evento de irrigação do Brasil, a partir desta quarta-feira (19)

Pela segunda vez, cidade será sede da feira que reunirá profissionais do setor com objetivo de realizar negócios e debater os principais assuntos ligados à atividade no país.
Tem início nesta quarta feira, dia 19 de setembro, em Campinas (SP), a segunda edição da Feira Internacional da Irrigação Brasil 2018 (FIIB 2018), que será realizada até o dia 21 de setembro (sexta-feira), das 9h às 17h, no Centro de Convenções Expo Dom Pedro (Shopping Parque Dom Pedro).
O evento contará com uma solenidade de abertura, da qual diversas autoridades do agronegócio participarão, dentre elas, o Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Francisco Sérgio Ferreira Jardim, cuja presença está confirmada.
Na sequência da cerimônia de abertura haverá uma conferência inaugural especial, ministrada pelo presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Maurício Antônio Lopes.
Neste ano, um dos destaques da programação será a palestra, que acontecerá no último dia do evento (sexta-feira, dia 21), do engenheiro agrônomo Carlos Hanada, especialista em jardins verticais, responsável por projetos grandiosos em São Paulo (SP), como o Corredor Verde na Avenida 23 de Maio; os jardins do Hospital Sírio Libanês, Hospital do Coração, Grupo Carrefour, Rede Globo; além do Jardim Botânico Plantarum, no Rio de Janeiro (RJ). Mas muitos outros temas de grande relevância para o setor serão tratados emmais de 20 palestras ao longo de toda a programação, que está disponível no site: www.feiradeirrigacao.com.br/programacao.
Simultaneamente à FIIB 2018, acontecerá ainda o XXVII Congresso Nacional de Irrigação e Drenagem (CONIRD), organizado pela Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem (ABID) e o Instituto de Pesquisa e Inovação na Agricultura Irrigada (INOVAGRI).
SERVIÇO
Evento: Feira Internacional da Irrigação Brasil 2018 (FIIB 2018)
Data e horário: 19, 20 e 21 de setembro, das 9h às 17h.
Local: Centro de Convenções Expo Dom Pedro (Shopping Parque Dom Pedro), em Campinas (SP).
As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas antecipadamente pelo site www.feiradeirrigacao.com.br, ou presencialmente no local, durante o evento. (FIIB 18/09/2018)