Setor sucroenergético

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Açúcar reage na bolsa de Nova York

Embora os incentivos que já são concedidos pelo governo indiano à produção de açúcar ainda pressionem as cotações da commodity na bolsa de Nova York, um movimento de correção tem motivado uma reação dos preços internacionais desde sexta-feira. Nos últimos três pregões, a alta acumulada dos papéis para entrega em março, os mais negociados atualmente, chegou a 10,63%.

Apenas ontem, os contratos registraram alta de 46 pontos (3,96%), para 12,07 centavos de dólar a libra-peso. Segundo Maurício Muruci, da Safras & Mercado, a correção está relacionada à valorização do petróleo e às perspectivas cada vez mais alcooleiras para a safra 2018/19 no Brasil. "O que temos visto é que o consumo elevado do etanol hidratado no Brasil, junto a um petróleo na casa de US$ 85 o barril, tem dado forte implemento ao mercado do bicombustível", disse o analista.

De acordo com a Agência Nacional de Petróleo (ANP), o consumo de etanol hidratado cresceu 48,9% em agosto no Brasil, para 1,82 bilhão de litros - maior volume mensal da série histórica. Já a União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica) indicou que 63,4% da cana colhida no Brasil de abril a 16 de setembro foi destinada à fabricação de etanol, ante 51,56% em igual período do ciclo 2017/18.

Em 2019/20, se esse cenário não mudar, esses percentuais deverão continuar elevados, na avaliação de Muruci. "Com isso, mesmo que haja uma recuperação no volume de cana colhida no Brasil na próxima safra por conta das chuvas deste ano, a fabricação de açúcar tende a continuar em queda", disse. (Valor Econômico 03/10/2018)

 

Câmbio no Brasil leva açúcar bruto a saltar na ICE

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE tiveram um rali de mais de 5 por cento nesta terça-feira, com os ganhos acentuados da moeda brasileira impulsionando os preços das commodities.

O contrato setembro do açúcar bruto avançou 0,46 centavo de dólar, ou 4 por cento, a 12,07 centavos de dólar por libra-peso, depois de subir 5,6 por cento, para 12,26 centavos de dólar, a máxima desde 26 de junho.

Os preços receberam suporte da alta do real, de uma cobertura de vendidos e do sentimento positivo dos mercados de commodities, disseram operadores.

Um real fortalecido reduz as vendas por produtores brasileiros, por desvalorizar as commodities atreladas ao dólar nos termos da moeda local.

"Isso tira a pressão dos (produtores) de açúcar do Brasil para exportar", disse Stephen Maass, analista de commdities na Hightower Report. "Isso também alivia a pressão sobre os (produtores) para produzir açúcar versus etanol".

O açúcar branco para dezembro subiu 6,30 dólares, ou 1,9 por cento, a 333,50 dólares por tonelada. Mais cedo na sessão, avançou 3,6 por cento, para 338,80 dólares. (Reuters 03/10/2018)

 

Unidade da Louis Dreyfus é única compradora de açúcar entregue na ICE

A Term Commodities, uma subsidíaria da Louis Dreyfus Company, foi a única compradora dos 5.337 lotes, cerca de 271 mil toneladas, de açúcar bruto entregues contra o contrato outubro que expirou na sexta-feira na ICE, mostraram dados da bolsa nesta segunda-feira.

As origens do açúcar são Brasil, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua e África do Sul. (Reuters 03/10/2018)

 

Em fim de gestão, BNDES aprova R$ 62,9 mi em cogeração para usina paulista

A Diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 62,9 milhões para a ampliação da capacidade de cogeração de energia elétrica da Pitangueiras Açúcar e Álcool Ltda, usina localizada no município de Pitangueiras (SP), a 60 km de Ribeirão Preto.

O objetivo é otimizar a capacidade industrial do empreendimento e maximizar o potencial de geração de energia a partir do bagaço de cana produzida. O projeto contempla também a interligação de sua subestação à rede da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Com investimento total de R$ 78,6 milhões, o projeto envolve aquisição de maquinário de cogeração, construção de uma subestação elevadora interligada ao sistema em Morro Agudo, implantação de 7 km de linha de transmissão, e obras civis.

Atualmente, a usina de cana-de-açúcar já produz energia suficiente para sua operação e conta com um excedente de 90 mil MWh que é negociado no mercado livre. Após a conclusão do projeto, que tem período de implantação de dois anos, a capacidade de geração por hora será ampliada para 70 MW, uma expansão de 180%. Já o potencial de exportação de energia aumentará 133%, chegando a 210 mil MWh em cada ano safra, montante capaz de suprir 44 mil residências anualmente. Considerando apenas o investimento no empreendimento, a energia gerada é suficiente para atender 25 mil domicílios por ano.

Esse aumento representará uma oportunidade de incremento de receita para a empresa, que saiu vencedora do leilão de energia A6-2017. Pelas regras da disputa, a partir de 2023 terá a garantia de exportação de parte de sua energia gerada para o mercado regulado do Sistema Interligado Nacional (SIN). Até lá continuará a fornecer para o mercado livre, ambiente por meio do qual grandes consumidores podem negociar o valor da energia adquirida com os fornecedores, o que não é possível no mercado cativo, onde as tarifas são as estabelecidas pela ANEEL.

Empresa

Fundada em 1975, a companhia atua na industrialização de cana-de açúcar, comercialização e distribuição de seus produtos e subprodutos. Em 2004 inaugurou uma planta de geração de energia elétrica e, dois anos depois, passou a comercializar o excedente produzido. A empresa conta com uma localização estratégica, próxima ao principal centro consumidor do país e de portos para o escoamento de açúcar.

Energia

Atualmente a biomassa representa 9% da potência outorgada pela ANEEL na matriz elétrica do Brasil, abaixo da hidráulica (66%) e fóssil (17%). Considerando a energia gerada a partir da biomassa, o setor sucroenergético responde por 77% do total produzido e florestas representam 21%. O financiamento a empreendimentos de cogeração energética a partir do bagaço da cana-de açúcar está em linha com as expectativas positivas de crescimento da demanda por fontes de energias renováveis no Brasil e no mundo. (BNDES 02/10/2018)

 

UE corta estimativa de produção de açúcar no bloco em 2018/19 para 19,2 mi t

A Comissão Europeia reduziu nesta sexta-feira sua previsão para a produção de açúcar na União Europeia em 2018/19, para 19,2 milhões de toneladas, ante uma projeção anterior de 20,1 milhões.

A perspectiva revisada, contida nos dados de oferta e demanda publicados no site da Comissão, fica abaixo dos 21,1 milhões de toneladas de 2017/18. (Reuters 03/10/2018)

 

Produtores da Índia ampliam pressão por apoio do governo

Milhares de produtores da Índia realizaram ontem uma grande manifestação em Nova Déli, a capital do país, para pressionar o governo a conceder mais apoio ao setor rural. O protesto aconteceu mesmo após o recente anúncio de um pacote de subsídios a diversas culturas, incluindo cana. Parte dos agricultores tentou romper barricadas policiais com tratores, e policiais reagiram com bombas de gás lacrimogênio e jatos d'água. Diversos produtores ficaram feridos.

De acordo com informações de agências internacionais, os produtores reivindicam, entre outras medidas, o perdão de dívidas, o aumento dos preços mínimos, a redução dos custos com energia elétrica e combustíveis e o pagamento pela cana-de-açúcar fornecida às usinas, que está atrasado.

Para tentar acalmar os ânimos, o governo recebeu porta-vozes dos produtores e aceitou conceder alguns dos pedidos apresentados, mas não se comprometeu com o perdão de dívidas nem com o aumento de preços mínimos.

A situação é particularmente delicada porque, em meio à pobreza no campo, a Índia vive uma crise de suicídios entre produtores e trabalhadores rurais que já dura anos. Segundo dados oficiais citados pelo jornal "Indian Express", 6.351 agricultores se suicidaram no país em 2016.

No segmento canavieiro, o descontentamento dos agricultores neste momento torna complicada a situação do governo indiano, que também está sofrendo pressões no front externo por causa dos subsídios recém-anunciados para incentivar as exportações de açúcar, incluindo apoio à exportação de 5 milhões de toneladas. Na sexta-feira, associações de produtores de açúcar de oito países, entre os quais o Brasil -, defenderam que seus governos acionem a Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Índia também passou a ser alvo da pressão americana. Em discurso na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump disse que o governo da Índia era o "rei das tarifas", mas acrescentou que o país se dispôs a iniciar negociações sobre um acordo. (Valor Econômico 03/10/2018)

 

Fixação de preços do açúcar para exportação do Brasil em 19/20 atinge 13,45%, diz Archer

O volume de açúcar para exportação do Brasil com preços fixados, referentes à safra 2019/20, atingia 2,824 milhões de toneladas até o final de agosto, equivalente a 13,45 por cento do total projetado, de acordo com cálculos da Archer Consulting.

Essa é a primeira estimativa da consultoria para a próxima temporada, que se inicia em abril do ano que vem.

Conforme a Archer, o valor médio das fixações de açúcar de exportação está em 13,27 centavos de dólar por libra-peso, sem prêmio de polarização, equivalentes a 49,96 centavos de real por libra-peso. (Reuters 02/10/2018)