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Moagem da cana perde ritmo e venda de hidratado segue firme na segunda quinzena de setembro

A quantidade de cana-de-açúcar processada no Centro-Sul totalizou 27,64 milhões de toneladas na segunda quinzena de setembro, 31,68% inferior às 40,46 milhões de toneladas apuradas no mesmo período do último ano.

Do início da safra 2018/2019 até 1º de outubro, o processamento chegou a 457,93 milhões de toneladas, queda de 2,31% se comparado ao mesmo período do ciclo anterior (468,78 milhões de toneladas).

A retração observada na moagem deriva, em grande medida, da maior precipitação pluviométrica nas regiões das lavouras na região Centro-Sul durante a segunda quinzena de setembro, além da redução do ritmo de processamento devido ao término da safra em algumas unidades.

Com esse efeito, até o início de outubro deste ano, cinco unidades encerraram a safra 2018/2019. Essas empresas registraram uma redução de 13,1% na moagem. Na próxima quinzena, a expectativa é de que outras 32 usinas interrompam as operações.

“Essa é a primeira quinzena em que a moagem da safra atual ficou aquém daquela observada no ciclo anterior. Essa retração está concentrada nos estados de de São Paulo e Paraná”, explica o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Pádua Rodrigues.

Produção de açúcar e de etanol

A produção de açúcar somou 1,28 milhão de toneladas na segunda metade de setembro, com expressiva queda de 55,01% (equivalente a mais de 1,57 milhão de toneladas) sobre o resultado em igual período da safra 2017/2018. Por sua vez, a fabricação de etanol reduziu 19,81%, alcançando 1,63 bilhão de litros, sendo que 493,75 milhões de litros correspondem ao anidro e 1,14 bilhão ao hidratado.

Esses números retratam o maior direcionamento da matéria-prima processada para a fabricação do etanol. Nos últimos quinze dias de setembro, o indicador registrou 66,92% de cana direcionada à produção do biocombustível. Esse percentual é significativamente superior aos 53,45% observados na mesma quinzena de 2017.

Desde o início da safra, a produção de açúcar atingiu 22,27 milhões de toneladas frente a 29,34 milhões no mesmo período de 2017. No caso do etanol, são 24,38 bilhões de litros produzidos, dos quais 7,54 bilhões de anidro e 16,84 bilhões de hidratado. Este último apresenta crescimento de 51,87% em relação ao acumulado da safra 2017/2018.

Para Antonio de Pádua, “a expansão da fabricação de etanol registrada até o momento, considerando também a tendência de mudança no mix de produção das empresas, deverá resultar em uma redução na oferta total de açúcar na safra 2018/2019 de pelo menos 9 milhões de toneladas na comparação com a quantidade produzida no último ano”.

Produtividade e qualidade da matéria-prima

A concentração de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) alcançou 147,61kg por tonelada de cana nos 15 dias finais de setembro, contra 159,30 kg na mesma quinzena do último ano – queda de 7,34%. No acumulado até 1º de outubro, esse indicador atingiu 140,34 kg por tonelada, aumento de 3,09% em relação à safra 2017/2018.

Dados preliminares do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) - baseado em uma amostra de 138 usinas - indicam que o rendimento do canavial alcançou 64,79 toneladas por hectare colhido no mês de setembro, contra 72,39 toneladas por hectare no mesmo período 2017 (queda de 10,50%).

O levantamento também  indica uma retração de 4,15% na produtividade acumulada desde o início da safra 2017/2018 até 1º de outubro (76,06 toneladas de cana por hectare ante 79,35 toneladas na safra 2017/2018).

Vendas de etanol

O volume total de etanol comercializado pelas unidades do Centro-Sul somou 1,33 bilhão de litros na segunda quinzena de setembro, crescimento de 8,54% em relação a mesma quinzena do ano anterior (1,22 bilhão de litros), sendo 83,15 milhões destinados à exportação e 1,25 bilhão ao mercado doméstico.

Esse crescimento deve-se, mais uma vez, à manutenção da competividade do etanol hidratado frente à gasolina no mercado doméstico.

As vendas do biocombustível alcançaram 925,50 milhões de litros nos últimos quinze dias de setembro, registrando aumento de 29% em relação aos 717,51 milhões de litros verificados em igual período de 2017.  No total do mês, as vendas de hidratado carburante atingiram 1,80 bilhão de litros, registrando crescimento de 38,09% em relação ao volume observado em setembro de 2017.

“O volume comercializado em setembro representou uma pequena redução em relação aos 1,87 bilhão de litros vendidos em agosto deste ano devido ao início de safra na região norte-nordeste e a consequente retração nas transferências do Centro-Sul”, acrescenta o diretor da UNICA.

No caso do etanol anidro, o volume comercializado na última metade de setembro atingiu 324,01 milhões de litros, montante inferior aos 379,12 milhões de litros observados na mesma quinzena do último ano.  Essa queda se deve ao crescimento do consumo de hidratado, à retração na demanda de combustíveis do ciclo Otto, ao início da safra no Norte-Nordeste e à oferta de etanol importado.

Desde o início de abril até 1° de outubro deste ano, as vendas de etanol pelas usinas e destilarias do Centro-Sul totalizaram 14,91 bilhões de litros, sendo 858,15 milhões destinados ao mercado externo e 14,05 bilhões comercializados domesticamente, crescimento de 17,71% na comparação com o mesmo período da safra passada. =(Unica 10/10/2018)

 

Açúcar: Primeira queda do mês

Pela primeira vez desde o início de outubro, os contratos futuros do açúcar registraram queda na bolsa de Nova York ontem.

Os papéis do demerara com vencimento em maio fecharam a 13,01 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 12 pontos.

A commodity vinha sendo impulsionada pela queda do dólar ante o real após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais.

Hoje, contudo, a moeda americana passa por uma correção após ruídos na campanha presidencial do candidato Jair Bolsonaro, pressionando as cotações do açúcar.

No mercado internacional, a queda do petróleo também contribuiu para a queda do açúcar ontem.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 63,60 a saca de 50 quilos, alta de 0,52%. (Valor Econômico 11/10/2018)

 

Açúcar bruto recua de máxima sete meses na ICE; março é negociado a 12,85 cents/libra

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE caíram nesta quarta-feira, recuando de uma máxima em sete meses, com o mercado realizando correções após entrarem em território de sobrecompra e sendo pressionados pela queda da moeda do Brasil.

O contrato março do açúcar bruto caiu 0,12 centavo de dólar, ou 0,9 por cento, a 12,85 centavos de dólar por libra-peso, depois de tocar 13,14 centavos de dólar, uma máxima desde o começo de março.

Esse foi o primeiro fechamento negativo em 10 sessões.

A desvalorização do real no começo do dia, que impulsiona os retornos das commodities atreladas ao dólar, promoveu vendas de produtores.

O mercado está começando um movimento de correção depois de atingir níveis técnicos de sobrecompra na sexta-feira no índice de força relativa, disseram operadores.

Isso compensou ganhos registrado no início do pregão, causados por dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) que mostraram que a região centro-sul do Brasil produziu 1,286 milhão de toneladas de açúcar na segunda metade de setembro, ante 2,147 milhões de toneladas nas duas semanas anteriores.

As usinas destinaram 33 por cento do volume de cana-de-açúcar para a produção de açúcar, um dos menores níveis da indústria na série histórica, sendo o resto voltado para a produção de etanol.

O açúcar branco para dezembro subiu 3,10 dólares, ou 0,9 por cento, a 356,50 dólares por tonelada. (Reuters 11/10/2018)

 

Genes que tornam a cana mais resistente à seca são identificados

A falta de disponibilidade de água durante o desenvolvimento da cana é um dos tipos de estresse ambiental que causam maiores efeitos negativos na planta. A fim de torná-la mais resistente, pesquisadores de diferentes instituições no Brasil buscam desenvolver variedades de cana mais bem adaptadas a condições de seca.

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em parceria com colegas do Vlaams Instituut voor Biotechnologie (VIB), da Bélgica, liderado pelo pesquisador Dirk Inzé, identificaram um conjunto de cinco genes que, ao serem permanentemente ativados, podem tornar a cana mais tolerante à seca.

Os resultados do estudo, feito com apoio da Fapesp, no âmbito do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), foram apresentados em uma palestra na segunda-feira (8), na Fapesp Week Belgium. O encontro, que foi realizado em Bruxelas até dia 9 de outubro, e que também aconteceu em Liège e Leuven no dia 10, reúne pesquisadores brasileiros e belgas com o objetivo de estreitar parcerias em pesquisa.

“Submetemos a patente desses genes no mês passado. Queremos, agora, analisá-los em plantas transgênicas de cana e, posteriormente, licenciá-los para empresas interessadas”, disse Marcelo Menossi Teixeira, professor do IB-Unicamp e coordenador do projeto, à Agência Fapesp.

A pesquisa começou em 2007. Naquele ano, um grupo de pesquisadores do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP), coordenado pela professora Gláucia Mendes Souza, iniciou um estudo com o intuito de analisar genes expressos em uma variedade de cana plantada em Alagoas em condições de seca. O experimento foi conduzido pela equipe do professor Laurício Endres, da Universidade Federal de Alagoas.

As análises de expressão gênica revelaram centenas de genes diferentemente expressos na cana em resposta ao estresse hídrico. Ao caracterizá-los, os pesquisadores identificaram alguns genes que eram mais ativados.

Seriam necessários vários anos para confirmar o papel dos genes candidatos em variedades transgênicas de cana em campo, mas os pesquisadores tiveram a ideia de testar alguns dos genes em tabaco, também plantado sob condições de seca: a planta leva apenas entre sete e oito meses para crescer e é mais fácil de manipular, em comparação com a cana, explicou Menossi.

Por meio da parceria com os colegas belgas, os pesquisadores brasileiros também testaram os genes em mostarda selvagem (Arabidopsis thaliana), muito usada como planta-modelo em estudos de genética.

As análises das plantas transgênicas cultivadas com os genes superexpressos confirmaram que eles conferiam maior resistência ao estresse oxidativo e à seca. “Constatamos que esses cinco genes são ativados pela cana quando a planta se encontra em condição de estresse hídrico a fim de protegê-la da situação de seca”, afirmou Menossi.

“Nossa ideia é fazer modificações genéticas na planta para tornar esses genes permanentemente ativados e, dessa forma, deixar a planta preparada para uma situação de seca de modo que apresente desempenho melhor sob essa condição”, explicou.

Em testes em laboratório, os pesquisadores já confirmaram que variedades transgênicas de cana com alguns desses genes em constante estado de ativação apresentaram maior tolerância à seca.

“Nosso objetivo é chegar a uma cana-de-açúcar transgênica capaz de suportar longos períodos sem irrigação e de crescimento rápido”, disse Menossi. (Agência FAPESP 11/10/2018)

 

Disputa do açúcar com China deverá começar hoje na OMC

O Brasil deverá acionar formalmente nesta quinta-feira o mecanismo de disputa da Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a China por causa de barreiras do país asiático ao açúcar brasileiro.

Depois de impor sobretaxa para proteger a produção local, que elevou a tarifa de importação a 90%, a China provocou uma queda de quase 85% das exportações brasileiras em 2017, para US$ 134 milhões, segundo a União da Indústria de Canade-Açúcar (Unica). Até então, o Brasil era o maior fornecedor da commodity ao mercado chinês.

Com o pedido inicial de consultas, Brasil e China terão prazo de 60 dias para encontrarem uma solução mutuamente satisfatória. É algo que Pequim já prometeu várias vezes à Brasília. Mas, na prática, o que fez foi ampliar o bloqueio à entrada de açúcar também de países mais pobres.

Paralelamente, o Brasil examina com outros exportadores da commodity como atacar os subsídios da Índia e do Paquistão a seus exportadores. Uma ideia em discussão é o Brasil acionar a OMC contra o Paquistão, e a Austrália fazer o mesmo contra a Índia. A estratégia não está ainda definida, mas ilustra a determinação dos exportadores de reagirem a práticas que distorcem o comércio internacional. (Valor Econômico 11/10/2018)

 

Apesar de leve queda em setembro, as vendas de etanol continuam firmes

As vendas de etanol hidratado realizadas pelas usinas do Centro-Sul do país somaram 1,889 bilhão de litros em setembro, de acordo com informações divulgadas nesta quarta-feira pela União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Ainda que tenha sido 35,7% maior que o registrado no mesmo mês de 2017, o volume foi 3,9% menor que o de agosto passado.

Em comunicado, Antonio de Pádua Rodrigues, diretor-técnico da Unica, atribuiu a queda ao início da safra canavieira nas regiões Norte e Nordeste, que, assim, passaram a demandar menores quantidades do biocombustível produzido no CentroSul. De qualquer forma, o mercado continua aquecido. Desde o início da safra 2018/19 da região, em abril, as vendas de etanol hidratado têm superado com folga os volumes da temporada passada por causa dos ganhos de competitividade do biocombustível em relação à gasolina nos postos.

De abril até setembro, as usinas da região venderam 9,899 bilhões de litros de etanol hidratado no mercado interno, um crescimento de 38,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. No caso do etanol anidro (que é misturado à gasolina), as vendas acumuladas diminuíram 13,1%, para 4,158 bilhões de litros.

A Unica também informou que as chuvas que caíram no Centro-Sul na segunda metade de setembro provocaram interrupções na colheita e na moagem de cana, o que reduziu o volume de produção. No período, as usinas da região processaram 27,64 milhões de toneladas, 31,7% menos que no mesmo período de 2017.

A queda também foi influenciada pelo encerramento da safra em algumas unidades. Até o início de outubro, cinco usinas concluíram os trabalhos no ciclo 2018/19. Na próxima quinzena, a expectativa da Unica é que outras 32 usinas encerrem as operações. "Essa é a primeira quinzena que a moagem da safra atual ficou aquém daquela observada no ciclo anterior. Essa retração está concentrada nos Estado de São Paulo e no Paraná", afirma Antonio de Pádua Rodrigues, o diretor técnico da Unica, em comunicado.

Como consequência desse movimento, as produções de açúcar e etanol também recuaram. Foram fabricadas 1,28 milhão de toneladas de açúcar na quinzena, queda de 55% na comparação com o mesmo período da safra passada, 1,140 bilhão de litros de etanol hidratado, volume praticamente estável, e 494 milhões de litros de etanol anidro, em baixa de 44,9%. A oferta de hidratado se manteve firme porque as usinas continuaram dando preferência à fabricação do biocombustível. (Valor Econômico 11/10/2018)

 

Decisão sobre E15 nos EUA não terá impacto sobre demanda de milho, diz JPMorgan

A medida que permite vendas da mistura de 15% de etanol na gasolina durante todo o ano nos Estados Unidos deve ter impacto irrelevante sobre a demanda por etanol e milho, de acordo com o JPMorgan. Nos EUA, o biocombustível é feito principalmente com o cereal.

Na terça-feira, o presidente Donald Trump anunciou uma diretriz para que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) autorize vendas da mistura, conhecida como E15, durante todo o ano. Atualmente, a EPA proíbe a mistura de 15% de etanol durante o verão, por temores de que ela contribua para aumentar a fumaça em dias quentes. Normalmente, a gasolina nos EUA contém 10% de etanol.

Ao elogiar a decisão, o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse que a demanda por milho vai ser impulsionada. "Após anos de batalha, essa é mais uma vitória para a economia rural", disse Perdue em comunicado.

O JPMorgan, no entanto, considera que a nova política do governo Trump não sustentará os preços do milho, que estão em níveis baixos há anos. O presidente norte-americano espera que a medida resulte em maior apoio de agricultores, mas a nova diretriz enfrentará forte oposição da indústria do petróleo, disse o banco. (Down Jones 11/10/2018)

 

UBS inicia cobertura de ações da São Martinho com recomendação de 'compra'

O UBS iniciou a cobertura da São Martinho com recomendação de 'compra' e preço-alvo de R$ 24 por ação, considerando a resiliência de sua geração de fluxo de caixa livre (FCF, na sigla em inglês), mesmo em meio a um ambiente mais desafiador. O preço-alvo em 12 meses representa um potencial de alta de 35,7% em relação ao fechamento da sexta-feira, de R$ 17,68.

"Acreditamos que a São Martinho é referência (benchmark) na indústria de açúcar e etanol em um ambiente repleto de companhias em dificuldades financeiras e baixa produtividade", escreveram em relatório os analistas Luiz Carvalho e Gabriel Barra.

Segundo o UBS, os principais drivers para a recomendação são a forte geração de fluxo de caixa e o fato da companhia ser uma das produtoras com custo mais baixo, aliados ao potencial de alta relacionado ao programa RenovaBio, do governo, que poderia dobrar a demanda doméstica de etanol até 2030, além de uma possível recuperação do mercado de açúcar em 2021, dependendo do superávit da produção mundial. "Na nossa avaliação, esses pontos ainda não estão completamente refletidos no atual preço da ação", apontam Carvalho e Barra.

Na análise do UBS, o programa RenovaBio poderá ter um importante papel no futuro da indústria do etanol ao representar uma mudança estrutural no setor. "Apesar de algumas questões pendentes, o programa oferece um potencial de alta intrínseco e acreditamos que pode agregar muito valor a ação", observam os analistas. (Agência Estado 10/10/2018)