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Açúcar: Pragas na Índia

A cotação do açúcar subiu ontem em Nova York impulsionada por rumores de pragas nos canaviais da Índia e por receios com a safra na Europa.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio subiram 14 pontos, a 13,94 centavos de dólar a libra-peso.

Segundo agências, circulam relatos sobre infestação de praga nas lavouras de cana da Índia, o que poderá afetar a nova safra do país.

As cotações do açúcar também continuam reagindo a previsões de redução da produção de açúcar nesta safra na Europa.

Para o Centro-Sul do Brasil, as previsões são de que a próxima safra de cana será reduzida e que o mix continuará mais alcooleiro.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 65,51 a saca de 50 quilos, alta de 2,25%. (Valor Econômico 19/10/2018)

 

Açúcar já subiu mais de 22% neste mês em Nova York

Os contratos futuros de açúcar negociados na bolsa de Nova York saíram da estagnação em que se encontravam nos últimos meses e já subiram mais de 20% desde o início do mês. Ontem, os papéis para entrega em março, mais negociados, fecharam a 13,73 centavos de dólar a libra-peso, 22,6% mais que no fechamento do último pregão de setembro. Essa mudança reflete uma combinação entre movimentos de fundos e notícias menos positivas sobre a produção da commodity no mundo.

Especificamente ontem houve forte influência do câmbio, já que o dólar caiu abaixo de R$ 3,70 ante especulações do mercado com as eleições presidenciais. Esse movimento também ajuda a explicar a alta expressiva do café, cujo contrato para dezembro subiu ontem mais de 4%.

Mas a atual escalada do açúcar tem refletido de fato fatores ligados aos fundamento, segundo analistas. "A maior parte da alta foi resultado da expectativa de quebra na safra europeia de beterraba, de liquidação de vendas por parte dos especuladores e das já esperadas perdas no Centro-Sul do Brasil", afirma João Paulo Botelho, analista da consultoria INTL FCStone, em relatório.

Para Julio Maria Borges, diretor da JOB Economia e Planejamento, a alta até o momento pode ser explicada pelas notícias de redução de produção e é intensificada pela saída dos fundos de suas posições vendidas por causa das mudanças nos fundamentos.

Apenas na primeira semana de outubro, os gestores de recursos ("managed money") reduziram sua posição líquida comprada no mercado futuro de açúcar pela metade, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).

Recentemente, grandes players do mercado de açúcar da Europa começaram a avaliar que haverá quebras na safra de beterraba na região, o que pode reduzir a produção de açúcar no continente. Em seu relatório, a FCStone afirma que essa quebra "deve paralisar as exportações de açúcar do bloco". Em relatório recente, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) destacou que uma seca generalizada no noroeste da Europa deveria afetar a produção de beterraba da safra 2018/19 (que começou no dia 1º de outubro).

Outro ponto de atenção agora é com a próxima safra do Centro-Sul do Brasil, cuja produção deve ser limitada pela provável baixa disponibilidade de cana e pela expectativa de mais um ciclo mais "alcooleiro". Apesar desses fatores, Borges, da JOB, acredita que o preço não deve sofrer correção mais para frente, embora ele não acredite que as cotações voltem aos níveis historicamente baixos observados em setembro. (Valor Econômico 18/10/2018)

 

Brasil aciona OMC contra tarifas chinesas à importação de açúcar e país asiático defende restrições

País asiático aumentou tarifas sobre a importação do adoçante em maio do ano passado.

O Ministério de Comércio da China defendeu nesta quarta-feira (17) que as medidas de controle aplicadas às importações de açúcar do Brasil têm base nas regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), à qual o governo brasileiro recorreu para pedir que as barreiras sejam revistas.

O Ministério das Relações Exteriores entrou na terça-feira (16) com um pedido de consulta formal junto ao órgão contra tarifas adicionais à importação de açúcar adotadas pelo país asiático.

Em maio do ano passado, a China impôs restrições às importações de açúcar e aumentou as tarifas para os três anos seguintes (de 45% no primeiro ano, 40% no segundo e 35% no terceiro) aos países que exportassem uma quantidade determinada do produto. Desde então, os embarques de açúcar brasileiro para o país caíram cerca de 90%, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

"A China vai tratá-lo (o pedido) de maneira adequada e de acordo com os procedimentos de resolução de disputas da OMC", afirmou o ministério do país asiático, que, no entanto, considerou que as medidas tomadas condizem com as regras da organização internacional.

'Produto importante'

Para o governo chinês, "o açúcar é um dos produtos agrícolas importantes na China, que está vinculado com o interesse econômico de mais de 40 milhões de camponeses".

"Devido ao aumento das importações de açúcar, o setor na China foi gravemente prejudicado. O governo chinês, respondendo aos pedidos do setor e de acordo com a lei, tomou essas medidas de garantia", detalhou o Ministério de Comércio chinês na nota.

O Brasil já tinha mostrado seu mal-estar em relação a essas medidas, especialmente depois que o país asiático também impôs restrições às importações de frango em junho, quando o governo brasileiro afirmou que a decisão carecia de "fundamentos".

Consulta

O pedido formal de consulta é uma fase de negociação, preliminar a uma investigação pela OMC. Feito a solicitação pelo Itamaraty, a China terá 10 dias para aceitá-la e, depois, mais 60 para tentar chegar a um acordo com o Brasil – prazo pode ser prorrogado em consenso entre os dois países.

Caso um acordo não seja feito, o governo brasileiro ganha o direito de abrir um painel na OMC. O painel é a investigação, quando especialistas examinam as condições de comércio questionadas. (G1 18/10/2018)

 

BNDES Giro aprova R$ 50 milhões para Usina Jacarezinho, do Paraná

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 50 milhões na modalidade BNDES Giro para a Companhia Agrícola Usina Jacarezinho, no Paraná. Em nota, o banco disse que os recursos possibilitarão à empresa melhorar a sua capacidade e manter os cerca de 1.800 empregados em atividade em 2019.

"A Usina Jacarezinho possui uma unidade industrial com capacidade de processamento de 2,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, localizada no município de Jacarezinho, no Paraná. A unidade produz açúcar branco, açúcar VHP (não refinado), etanol hidratado e etanol anidro", informa. A Usina Jacarezinho integra o Grupo Maringá. (Agência Estado 18/10/2018)

 

Pesquisas buscam melhorar processo produtivo do etanol celulósico

O Brasil é um dos países que mais usam fontes energéticas renováveis e, além disso, não depende tanto do petróleo para seus veículos como os demais países. O motivo é o uso de biocombustíveis, especialmente o etanol, feito à base do caldo extraído da cana-de-açúcar. Mas há outro tipo de etanol de potencial imenso, o etanol celulósico, obtido do bagaço e da palha da cana, também chamado de etanol de segunda geração.

O etanol celulósico é um dos mais importantes exemplos do uso de biomassa lignocelulósica para produção de combustíveis líquidos renováveis.

“É um consenso que uma economia sustentável dependerá de uma multiplicidade de fontes de energia, mas a biomassa irá desempenhar um papel importante”, disse Roberto de Campos Giordano, professor titular no Departamento de Engenharia Química da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), na Fapesp Week Belgium, realizada nas cidades de Bruxelas, Liège e Leuven de 8 a 10 de outubro de 2018.

“Além disso, as biorrefinarias terão de produzir moléculas e monômeros [que se combinam na formação de polímeros] para substituir os derivados do petróleo. No entanto, uma lacuna importante ainda precisa ser superada: como fazer essa transição na economia real?”, disse Giordano, que dirige o Laboratório de Desenvolvimento e Automação de Bioprocessos, e falou no evento sobre a contribuição da engenharia de processos e sistemas para viabilizar o uso da biomassa em uma economia de baixo carbono.

Segundo Giordano, muito trabalho ainda deve ser feito em duas vertentes: o desenvolvimento de bioprocessos avançados e o desenvolvimento de ferramentas computacionais que “apoiem a análise de viabilidade tecno-econômica-ambiental desde o início da pesquisa de processos produtivos com baixo impacto de carbono”.

Ambos os aspectos estão sendo abordados por um grupo interinstitucional de oito laboratórios reunidos no Projeto Temático “Da fábrica celular à biorrefinaria integrada Biodiesel-Bioetanol: uma abordagem sistêmica aplicada a problemas complexos em micro e macroescalas”, coordenado por Giordano e que integra o Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen).

“O projeto se propõe a enfrentar desafios tecnológicos colocados por uma nova concepção de biorrefinaria integrada, aproveitando sinergias entre os processos de produção dos dois mais importantes biocombustíveis no contexto brasileiro: bioetanol de primeira e segunda gerações, a partir da cana-de-açúcar, e biodiesel, a partir de óleos vegetais e, também, de fonte microbiana”, disse.

“Para tanto, reunimos pesquisadores com larga experiência na área, de várias instituições do Estado de São Paulo. Biocombustíveis líquidos de fontes renováveis são a espinha dorsal dessa biorrefinaria, baseada em rotas bioquímicas, mas moléculas de maior valor agregado também têm sua produção estudada”, disse.

O Projeto Temático reúne várias linhas de pesquisa, como: Síntese, otimização e análise tecno-econômica-ambiental integrada à simulação da refinaria de bioetanol; Obtenção de biomoléculas de valor agregado a partir de subprodutos dos processos de produção de biocombustíveis ou da biomassa presente na biorrefinaria; e Integração dos processos de produção de etanol de segunda geração e do biodiesel etílico usando subprodutos da produção de combustíveis como matéria-prima.

Fungos que gostam do calor

A biomassa é uma fonte abundante de polissacarídeos, carboidratos compostos por moléculas de açúcares menores, como a celulose, que podem ser utilizados como matéria-prima renovável para a produção de biocombustíveis (como o etanol de segunda geração) e de compostos de química verde (fertilizantes), entre outros.

“O problema é que a conversão desses polissacarídeos em açúcares que podem ser fermentados por via enzimática ainda é um processo lento e de alto custo”, disse Fernando Segato, professor na Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo, na Fapesp Week Belgium.

Segato falou no evento em Bruxelas sobre o uso de enzimas produzidas por fungos que sobrevivem a temperaturas elevadas na produção de açúcares a partir da biomassa lignocelulósica, composta de lignina, hemicelulose e celulose.

“A produção de biocombustíveis e de outros compostos químicos a partir de materiais renováveis como a biomassa lignocelulósica é difícil, principalmente por causa de sua resistência, o que dificulta a sua desconstrução. Essa resistência é devida principalmente à presença da lignina contida na parede celular da planta”, disse.

A lignina é uma macromolécula encontrada nas plantas terrestres. Está associada à hemicelulose e à celulose na parede celular e tem a função de conferir rigidez, impermeabilidade e resistência a ataques biológicos e mecânicos aos tecidos vegetais.

“A lignina pode ser quebrada ou removida da parede celular da planta por tratamentos com custo elevado e que necessitam de produtos químicos, altas temperaturas e alta pressão. A lignina na biomassa lignocelulósica é resistente ao ataque de microrganismos, mas alguns fungos produzem enzimas que podem degradar a lignina”, disse.

Por conta disso, o grupo do professor Segato investiga o uso de enzimas produzidas por fungos termofílicos (ou termófilos) na degradação de lignina. Esses microrganismos são capazes de sobreviver a temperaturas elevadas, acima de 45 °C. Alguns desses fungos (hipertermofílicos) podem resistir a temperaturas próximas a 70 °C. Dentre as principais espécies de fungos estudadas pelos pesquisadores estão Aspergillus niveus (recentemente reclassificado como A. fumigatus var niveus) e Myceliophthora thermophila.

A pesquisa tem apoio da Fapesp e é conduzida em colaboração com cientistas da USP, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), da Universidade Estadual Paulista (Unesp), da University of Nebraska em Lincoln (UNL), onde Segato foi professor visitante, e da Oklahoma State University (OSU).

Segundo Segato, mecanismos para degradar materiais lignocelulósicos foram identificados a partir da análise do transcriptoma (conjunto de RNAs de um organismo, órgão, tecido ou linhagem celular) e do secretoma (conjunto de proteínas secretadas) de fungos termofílicos. “Além disso, foi verificado um aumento de até 2,5 vezes na atividade de sacarificação da biomassa, quando os extratos enzimáticos de diferentes espécies foram misturados”, disse.

“Esses resultados levaram o nosso grupo a investigar enzimas que poderiam estar agindo em conjunto para melhorar a sacarificação da biomassa lignocelulósica. Para isso, utilizamos técnicas de análise de alta taxa de produção, biologia molecular e expressão heteróloga de proteínas como ferramentas para compreender melhor a interação enzimática que levou a aumentar a sacarificação de biomassa lignocelulósica”, disse.

Realizada no Centro Belga de Histórias em Quadrinhos, a Fapesp Week Belgium foi organizada pela Fapesp em conjunto com as organizações belgas F.R.S.-FNRS, o Departamento de Economia, Ciência e Inovação (EWI), a Fundação de Pesquisa – Flanders (FWO) e a Wallonie-Brussels International (WBI). (Agência FAPESP 18/10/2018)

 

Senadores consideram encurtar prazo para proibição de venda de carros a gasolina

Novos veículos movidos a combustíveis fósseis podem ser proibidos a partir de 2060.

A venda de carros, motos, ônibus e caminhões novos movidos a diesel ou gasolina pode ser proibida a partir de 2060. Um projeto de lei do senador Telmário Mota (PTB-RR), aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), impõe ainda restrições para a comercialização desses veículos a partir de 2030.

A proposta diz que, a partir de 2030, pelo menos 10% dos veículos novos devem ser movidos por outro tipo de combustível, que não gasolina ou diesel. A partir de 2040, esse percentual sobe para 30%, chegando a 90% em 2050. Além disso, o projeto determina que, em 2060, todos os veículos novos comercializados no país terão que ser elétricos ou abastecidos exclusivamente com biocombustíveis.

O relator, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), elogiou a iniciativa, mas admitiu que gostaria de ter encurtado os prazos. “Se ele [Mota] tivesse me consultado, eu teria reduzido o prazo. Em vez de 2040, teria colocado 2030, e, depois, 2040. Porque, se não fizermos isso, vai haver uma pressão internacional para que isso aconteça. Alemanha, Inglaterra e outros países da Europa já têm prazos mais curtos que o nosso”, disse.

Para o senador Dalírio Beber (PSDB-SC), esse projeto já é um primeiro passo. “Vale a iniciativa, ou seja, nós termos iniciado o processo de determinação de uma data para que nós promovamos a substituição dos automóveis que usam combustíveis fósseis. Trazer para mais para perto pode ser uma ação a ser implementada ainda oportunamente”, pondera.

A proposta seguiu para votação na Comissão de Meio Ambiente do Senado. (Agência Senado 19/10/2018)

 

Infestação de larva deve reduzir produção de açúcar da Índia

A Índia pode ter encontrado uma solução para seu problema com o excedente de açúcar, mas a resposta não deixará seus produtores de cana felizes.

Depois de uma safra abundante, os estoques de açúcar no país, maior consumidor do adoçante do mundo, mais do que dobraram desde o ano passado.

Com outra safra recorde esperada na atual temporada, a Índia está subsidiando as exportações de açúcar, ameaçando inundar o mercado, após mínima de 10 anos em 27 de setembro.

Mas uma infestação de larvas brancas em Maharashtra, segundo maior Estado produtor de açúcar da Índia, e Karnataka, o terceiro maior produtor, pode significar que a produção de açúcar para o ano-safra 2018/19 será 9 por cento menor que as estimativas anteriores.

Embora a produção mais baixa possa reduzir os estoques de 10 milhões de toneladas de açúcar na Índia, as larvas que se alimentam das raízes das plantas só podem ser erradicadas retirando a plantação, deixando o campo em pousio e depois replantando.

"A partir de agosto, os talos de cana começaram a murchar apesar da irrigação. Quando tentamos descobrir o motivo, encontramos larvas brancas comendo brotos", disse o agricultor Sopan Salunkhe.

Salunkhe pode colher apenas 20 toneladas de cana na temporada de comercialização de 2018/19, iniciada em 1º de outubro, ante 140 toneladas no ano anterior.

Em todo o interior de Maharashtra, mais de quatro dúzias de agricultores disseram à Reuters que estão esperando safras menores nesta temporada por causa das larvas que prosperaram após chuvas abaixo do normal em agosto e setembro.

Normalmente, as fortes chuvas de monção inundam os campos, reduzindo as larvas.

A Federação Nacional das Fábricas Cooperativas de Açúcar (NFCSF, na sigla em inglês), associação de usinas que operam 50 por cento da capacidade de processamento do país, reduziu sua previsão de produção para o ano-safra 2018/19 para 32,4 milhões de toneladas, incluindo 9,7 milhões de toneladas para Maharashtra.

Isso está abaixo de uma previsão nacional anterior de até 35,5 milhões de toneladas e de até 11,5 milhões de toneladas para Maharashtra.

"Estamos revisando os números de produção para baixo devido ao severo ataque de pragas", disse Prakash Naiknavare, diretor da NFCSF.

Ameaça subterrânea

Infestações esporádicas de pragas foram relatadas no passado em menor escala, mas o surto atual é tão disseminado pela primeira vez que afetará a produção total de açúcar, disse B. B. Thombare, presidente da Western India Sugar Mills Association.

"Havia crença entre os agricultores de que a cana é uma planta forte e que poderia resistir a ataques de pragas e doenças. Essa percepção mudou", disse Thombare.

Agricultores em todo o Estado de Maharashtra estão lutando para controlá-lo.

"Tentamos matar as larvas pulverizando querosene, sal e vários pesticidas, mas não conseguimos, pois os vermes ficam abaixo do solo" disse Ashok Giramkar, agricultor da vila de Dalaj, no distrito de Pune.

De junho a julho, os vermes brancos permanecem pequenos o suficiente para serem mortos com pesticidas, mas agora estão totalmente crescidos e podem sobreviver no subsolo, mesmo depois de diferentes pesticidas terem sido aplicados, disse R.G. Yadav, pesquisador em Pune, Maharashtra.

A infestação de larvas e a redução das chuvas reduziram as plantações de cana para a safra 2019/20, disse Naiknavare, da NFCSF, acrescentando que a produção de açúcar no próximo ano pode cair para 29,2 milhões de toneladas.

Com certeza, a previsão de produção de açúcar deste ano, de 32,4 milhões de toneladas, estabeleceria um recorde pelo segundo ano consecutivo.

Mas a produção menor do que a estimada poderia ajudar a reduzir os amplos estoques na Índia e limitar as exportações, disse um operador de Mumbai com uma trading global.

As usinas da Índia assinaram acordos no início deste mês para exportar açúcar bruto pela primeira vez em três anos, depois de garantir os subsídios do governo destinados a reduzir o acúmulo de estoques. (Reuters 17/10/2018)

 

Irrigação: Cultivo de cana-de-açúcar convencional e orgânica o ano todo

Investimentos em tecnologia e a busca por inovações são ferramentas indispensáveis para o ganho de produtividade em qualquer projeto agropecuário e no Grupo Jalles Machado, de Goianésia (GO) não é diferente. A usina que surgiu como uma cooperativa no início da década de 80, ao longo dos anos se esforçou para diversificar os seus negócios e não depender exclusivamente das oscilações do mercado de etanol. Assim, o objetivo foi agregar valor aos seus produtos para não cair na vala comum das commodities.

Além da fabricação de etanol, o grupo tem ainda em seus negócios a produção de energia elétrica, levedura, produtos de higiene e limpeza e o açúcar convencional. Mas é na produção de cana orgânica, ou seja, cultivo livre de fertilizantes e qualquer tipo de agroquímicos, que a empresa vem ganhando espaço.

A aposta neste mercado transformou a Jalles Machado em uma das maiores produtoras de açúcar orgânico do mundo, sendo responsável atualmente por 20% de Market Share do produto globalmente com exportação na casa de 65 mil toneladas por ano. Deste total, praticamente 50% vai para os Estados Unidos. “Desde 2015 somos os maiores exportadores de açúcar orgânico no mundo. Com esse produto estamos em quatro continentes e em mais de 20 países, entre eles os Estados Unidos, trabalhando tanto o atacado quanto o varejo. Nosso grande parceiro no País é o Costco, a segunda maior rede de supermercados americana que utiliza a marca deles nos nossos produtos”, diz Henrique Penna de Siqueira, diretor comercial do grupo.

Atualmente, são duas unidades industriais que geram cerca de 3.700 empregos diretos e fazem da cana a principal atividade econômica do município. Uma das usinas leva o nome do grupo (Jalles Machado) e a mais recente, inaugurada em 2011, foi batizada de Unidade Otávio Lage, em homenagem a um dos fundadores da empresa. Com grande tecnologia, as duas usinas juntas moem atualmente 5 milhões de toneladas de cana por ano.

O caminho é a irrigação

Para atingir um volume tão expressivo de produção, os investimentos do grupo não ficaram apenas nas unidades fabris, a empresa também focou em melhorar a produtividade de seus canaviais a fim de poder dispor de matéria prima com mais qualidade e assim tirar o máximo de proveito de suas usinas.

De acordo com Siqueira, a Jalles Machado sempre buscou ao longo de sua história melhorar os seus processos bem como a produtividade de seus canaviais e a irrigação foi uma dessas ferramentas que precisou ser implantada diante da necessidade. “Aqui na nossa região a cana-de-açúcar não nasce no período de seca senão tiver irrigação. De abril a outubro ficamos praticamente 180 dias sem ver um pingo d’água. Como começamos a cortar o produto partir de 1º de abril, se não irrigarmos a área um mês e meio depois, as plantas não crescem novamente e morrem. Sempre visamos operações eficientes do melhor uso da água e menor custo”, destaca.

Entre as soluções disponíveis no mercado o grupo escolheu as da Lindsay América do Sul, empresa com sede em Mogi Mirim (SP), referência mundial em irrigação. O grupo adquiriu pivôs centrais, fixos, lineares e também rebocáveis. “Fizemos um investimento na casa dos R$ 15 milhões nesses equipamentos. Posteriormente viemos a perceber que esses pivôs poderiam ser ainda melhores fazendo alta vazão, o que seria o mais adequado para a cana-de-açúcar por ser uma cultura com demanda hídrica superior a outras. Como esses equipamentos já eram mais altos e ideais para cana, implantamos a alta vazão, ou seja, a irrigação que chamamos de plena, que consegue suprir toda a demanda hídrica da planta”, explica Siqueira.

Para ser ainda mais eficiente, o grupo também se preocupou com a gestão de seus equipamentos e instalaram o FieldNET em seu processo. A tecnologia de grande potencial também disponibilizada pela Lindsay, possibilitou melhorias nos controles e gestão das usinas e proporcionou acesso a mais informações. Para auxiliar os profissionais foi montada uma sala exclusiva para controle de gestão dos pivôs. “Desde 2012 estamos explorando ao máximo essa ferramenta, que nos dá uma condição muito positiva de não perder tempo e estar sempre com o pivô funcionando. Quando há um problema somos avisados imediatamente. E desde então todo investimento que fazemos já é pensado e inserido nesse sistema de controle automatizado. A inteligência da ferramenta tem nos ajudado muito. A rapidez que recebemos as informações isso gera melhorias e redução de custos”, finaliza o diretor comercial. (Assessoria de Comunicação 18/10/2018)

 

Pesquisador brasileiro é premiado na ÁFrica do Sul por trabalho sobre cana no Piauí

Foi num dos mais antigos e mais importantes eventos da cana-de-açúcar do mundo, o South African Sugarcane Technologists’ Association Congress (SASTA), que o doutorando do programa de pós-graduação em Engenharia de Sistemas Agrícolas, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESalq/USP), Henrique Boriolo Dias, teve seu trabalho premiado na 91ª edição do congresso, realizado em Durban, África do Sul, entre os dias 14 e 16 de agosto de 2018.

E foi numa das fronteiras agrícolas do País com potencial de expansão da produção de alimentos e bioenergia, o Piauí, que o doutorando avaliou a interação entre variedades, ambiente e manejo com o objetivo de explorar o potencial de expansão da produção de alimentos e bioenergia.

O trabalho intitulado Modelling sugarcane yields and reduced growth phenomenon under high input conditions in tropical Brazil sinalizou que algumas variedades atingiram produtividades no campo da ordem de 200 t/ha em apenas 8 meses de cultivo, mostrando como as condições climáticas dessa fronteira são favoráveis para cana-de-açúcar irrigada.

O pesquisador destacou que o trabalho avaliou e melhorou o modelo de cana-de-açúcar da plataforma australiana de sistemas agrícolas APSIM, um dos mais importantes no setor canavieiro, para estimar a produtividade da cultura. “O desempenho do modelo foi substancialmente melhorado em termos de interceptação da radiação solar e acúmulo de biomassa. Desse modo, as melhorias evitam superestimações da produtividade da cultura e agora permite que estudos, por exemplo, envolvendo irrigação, yield gap e mudanças climáticas sejam mais realistas no contexto da pesquisa científica, planejamento a tomada de decisão pelos usuários do modelo”, informou o doutorando.

Tudo isso rendeu a Boriolo Dias, o Prêmio “Melhor trabalho na seção de Posters em Agricultura” na reunião do SASTA.

O pesquisador, que atualmente desenvolve parte do projeto de doutorado na James Cook University (Austrália), teve como orientador o professor Paulo Cesar Sentelhas, do departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB) da Esalq, com colaboração do pesquisador Geoff Inman-Bamber da referida universidade australiana e da empresa Terracal Alimentos e Bioenergia. A bolsa é da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP). (Reuters 18/10/2018)