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Bolsonaro manterá política liberal para combustíveis, avalia Única

A União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) acredita que o futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL) poderá avançar em negociações bilaterais e manterá uma política liberal quanto aos preços de combustíveis, que tem beneficiado o setor de etanol.

Em intervalo de conferência da consultoria Datagro, realizada em São Paulo. o diretor executivo da Unica, Eduardo Leão, afirmou a jornalistas que “ser pró-ativo na agenda bilateral é muito bom”. Em sua avaliação, “o Brasil ficou para trás nos últimos anos” sem firmar acordos bilaterais.

Uma das negociações bilaterais que o setor mais aposta é o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que não avançou nos últimos anos por dificuldade em estabelecer uma cota para exportação de açúcar e de carnes.

Os sinais de aproximação que Bolsonaro já apresentou em relação aos Estados Unidos, maior competidor do Brasil no mercado internacional de etanol, não são vistos com preocupação pela associação. Os produtores americanos têm reclamado da tarifa de 20% fora da cota de 600 milhões de litros, imposta pelo Brasil às importações do biocombustível até agosto de 2019.

Recentemente, Donald Trump mencionou o Brasil como um país protecionista, mas não mencionou em quais setores. “Acho difícil que uma suspensão da tarifa aconteça. Foi uma decisão da Camex, colegiada, após meses de estudo”, avaliou o diretor da Unica. Uma eventual retirada da tarifa, afirmou, seria prejudicial ao segmento, já que representaria “uma quebra de regras”.

Leão defendeu que o Brasil deve manter sua atuação multilateral, que permitiu, por exemplo, a formulação e assinatura do Acordo de Paris, que serviu de base para a formulação de políticas de incentivos ao setor de bicombustíveis. Ele admite que o segmento “teve um pouco de preocupação” com a declaração de Bolsonaro de que poderia sair do acordo climático de 2015. “Mas, aparentemente, ele sinalizou que vai continuar [no acordo]”, afirmou.

O diretor executivo da Unica disse ainda que vê de forma positiva a defesa da equipe de Bolsonaro por uma política liberal para os preços de combustíveis, iniciada no governo de Michel Temer, e que tem favorecido o setor de etanol. (Valor Econômico 29/10/2018 às 18h: 30m)

 

Usinas de açúcar veem panorama melhor na próxima safra

Produtores brasileiros de açúcar e etanol disseram nesta segunda-feira que as perspectivas para o setor estão gradualmente melhorando e que as indicações para a temporada do ano que vem podem incluir o direcionamento de mais cana para o adoçante.

Os produtores participando da conferência internacional de açúcar da Datagro em São Paulo disseram que o recente rali dos preços na ICE poderia ajudar a dar continuidade às vendas da commodity, o que por sua vez pode levar as usinas a destinar mais cana para a produção do adoçante do que foi feito neste ano, e menos para o etanol.

Eles também pensam que o novo governo de direita do Brasil, que está prometendo adotar políticas amigáveis ao mercado, eventualmente levaria a um maior consumo de combustível, sustentando a demanda de etanol e forçando os consumidores mundiais de açúcar a pagar mais pelo adoçante brasileiro.

“Eu acho que as usinas têm a oportunidade de fazer hedge para uma parte do açúcar agora e evitar apostar muito altas no etanol no ano que vem, uma vez que o produto sempre está sujeito aos preços do petróleo e políticas públicas”, disse Gabriel Feres Junqueira, presidente-executivo da usina Bioenergética Aroeira, à Reuters.

“Considerando a taxa de câmbio e os futuros em Nova York no momento, elas poderiam fixar um preço de 1.250 reais por tonelada de açúcar para a próxima temporada, que é um valor razoável”, ele disse.

A sua empresa decidiu não produzir açúcar neste ano, alocando 100 por cento da cana para a produção de etanol, disse Junqueira.

A Bioenergética Aroeira foi uma das 17 usinas do Centro-Sul do Brasil que focaram totalmente na produção do biocombustível.

Em média, a região centro-sul está destinando 67 por cento cana para a produção de etanol e apenas 33 por cento para o açúcar no atual ciclo.

“O pior já passou, o panorama é construtivo”, disse Mariangela Grol, diretora de inteligência de mercado da Raízen, a maior produtora de açúcar do mundo.

Ela prevê que os preços do açúcar podem chegar a 16 centavos de dólar por libra-peso se a oferta global encolher, devido a dificuldades na produção em alguns países, e com compradores se voltando novamente ao Brasil.

Mario Lorencatto, presidente-executivo da Coruripe, uma das dez maiores companhias de açúcar e etanol do Brasil, disse que a empresa já conseguiu garantir vendas antecipadas lucrativas, combinando os futuros da ICE com contratos do tipo NDF (Non-Deliverable Forward), em moeda local. O arranjo foi lucrativo, ele disse.

“É bem possível que seja considerada uma maior produção de açúcar no Brasil na próxima temporada com esse níveis de preço”, disse Jeremy Austin, diretor no Brasil da trading de açúcar Sucden, em apresentação durante a conferência. (Reuters 29/10/2018)

 

BNDES acaba de aprovar financiamento de R$ 300 mi para setor canavieiro

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou, há cerca de um mês, o financiamento de R$ 300 milhões para o setor canavieiro, afirmou nesta segunda-feira o presidente da instituição, Dyogo Oliveira.

Durante discurso na abertura da 18ª Conferência Internacional Datagro, ele destacou que o nome da companhia beneficiada ainda encontra-se sob sigilo.

"O BNDES tem uma relação extremamente forte com o setor sucroenergético. Atualmente, o banco responde por 40% dos financiamentos da usinas. Desde 2013, cerca de 120 unidades foram construídas e todas elas tiveram o apoio do BNDES", lembrou o presidente. "Os incentivos presentes na metodologia do RenovaBio vão privilegiar os produtores mais eficientes", ressaltou.

Oliveira também ressaltou a participação do banco nos projetos de carros flex, que permite o abastecimento via gasolina ou etanol, e as mais recentes aprovações de crédito para cogeração de energia elétrica. "Agora estamos entrando com a internet das coisas voltada para o agronegócio", acrescentou.

Para ele, a infraestrutura do País ainda carece de uma enorme melhora, além de demais ajustes ligados à redução de burocracias e ampliação de acesso ao crédito. "A agricultura brasileira precisa sair dessa imagem de setor primário e ser reconhecida como grande desenvolvedora de tecnologia", afirmou. (Broadcast 29/10/2018)

 

Açúcar: Realização de lucros

Os contratos futuros de açúcar demerara passaram por uma realização de lucros dos investidores durante o pregão de ontem em Nova York.

Os papéis com vencimento em maio terminaram a sessão em queda de 32 pontos, a 13,62 centavos de dólar por libra-peso.

O movimento também foi influenciado pela valorização do dólar sobre a moeda brasileira. A apreciação da moeda americana estimulas as exportações de açúcar do Brasil, maior produtor global da commodity.

Nesse cenário, os preços do produto recuam.

No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo fico praticamente estável (ligeira queda de 0,04%), a R$ 66,66 por saca.

No acumulado de outubro, o preço do açúcar registrou valorização de 6,43%. conforme o levantamento do Cepea. (Valor Econômico 30/10/2018)

 

No mercado de açúcar, o pior já ficou para trás

Os baixos preços do açúcar no mercado internacional registrados em meados da atual safra do Centro-Sul (2018/19), as cotações chegaram a cair ao menor patamar em dez anos na bolsa de Nova York, não deverão ser revisitados tão cedo. As perspectivas de redução do excedente de açúcar no mundo e o petróleo mais valorizado estão contribuindo para que as empresas sucroalcooleiras e as tradings estejam mais otimistas com a remuneração do açúcar ao longo da próxima safra (2019/20).

"O pior já passou. O cenário é mais construtivo", afirmou Mariangela Grola, gerente de inteligência de mercado da Raízen Energia - joint venture entre Cosan e Shell e dona de 26 usinas no país -, em apresentação ontem na Conferência Datagro, realizada na capital de São Paulo. Para ela, se o etanol continuar bastante competitivo em relação à gasolina nas bombas no país, a um preço médio de 65% do combustível fóssil, o preço do açúcar demerara poderá atingir um "teto" de 14,5 a 15 centavos de dólar a libra-peso na bolsa de Nova York. Ontem, os contratos mais negociados da commodity fecharam a 13,50 centavos de dólar a libra-peso.

A Bunge, dona de oito usinas no país, também está vislumbrando um cenário favorável aos preços do açúcar na próxima safra - entre 13 e 15 centavos de dólar a libra-peso. Para Luciana Torresan, gerente de inteligência de mercado em açúcar da multinacional, que também participou da conferência, "o preço de etanol é que deve ditar o preço do açúcar na safra que vem".

A visão das duas executivas é baseada na perspectiva de que os preços do petróleo vão continuar sustentados nos próximos meses. "Apesar da queda das últimas semanas e da valorização do câmbio, o preço da gasolina ainda está alto, em níveis recorde", disse Torresan. De acordo com Grola, o petróleo pode se sustentar mais, "principalmente diante da sanção dos Estados Unidos contra o Irã, que entrará em vigor no próximo ano, e de problemas logísticos nos Estados Unidos" que impedem o escoamento da produção de óleo de xisto.

O "teto" de preços previsto pela Raízen poderá ser ainda maior, afirmou Grola, caso os importadores globais percebam que precisam mais do açúcar brasileiro já que os principais produtores deverão ter safras menores neste novo ciclo. Nesse caso, o "teto" para o preço seria de 16 centavos de dólar a libra-peso, aposta a gerente da Raízen. Por outro lado, no pico da safra no Centro-Sul do Brasil as cotações podem voltar ao patamar dos 13 centavos de dólar a libra-peso, aposta.

A redução da produção de açúcar em outros países, sobretudo na Índia, contribui para um cenário de oferta menos folgada neste novo ciclo internacional, mas o Brasil também precisará moderar sua oferta. "Nossa preocupação é que o preço fique em patamar muito alto e o Brasil volte a produzir muito açúcar. O Brasil tem a missão de ser menos agressivo na produção", disse.

As tradings também estão prevendo possível alta dos preços ante os patamares atuais. Para Jeremy Austin, diretor da trading francesa Sucden, o preço-alvo do açúcar na próxima safra brasileira deve oscilar entre 12 a 15 centavos de dólar a libra-peso. Já Felipe Ferraz, diretor da trading RCMA do Brasil, acredita que as cotações podem chegar a 18 centavos de dólar a libra-peso no segundo semestre de 2019, quando os fundos especulativos estiverem acumulando posições compradas no mercado futuro diante das expectativas de déficit de oferta na safra internacional 2019/20. (Valor Econômico 30/10/2018)

 

Mundo terá déficit de até 6 mi t de açúcar em 2019/20, diz trading

O mundo deverá registrar um "pequeno" superávit de 1 milhão a 1,5 milhão de toneladas de açúcar na safra global 2018/19, iniciada neste mês, e um déficit de até 6 milhões de toneladas no ciclo seguinte (2019/20), projetou nesta segunda-feira o diretor da trading RCMA do Brasil, Felipe Ferraz.

A projeção quanto a uma menor oferta nos meses à frente se segue a um recuo de produção de açúcar no Brasil e previsões menos otimistas para a Índia, países que figuram como os maiores produtores mundiais do adoçante. Outras regiões, contudo, também despertam atenção, acrescentou ele.

"Os principais fatores a observar são Índia, Brasil, Tailândia, Paquistão, China e Europa", destacou Ferraz durante apresentação na 18ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

Para o centro-sul do Brasil, principal região produtora de cana do mundo, a RCMA prevê uma fabricação de 26,5 milhões de toneladas de açúcar na temporada vigente, iniciada em abril. Caso se confirme, o volume seria cerca de 10 milhões de toneladas abaixo do registrado no ano passado.

Usinas do país focaram na produção de etanol neste ano graças à melhor remuneração, uma vez que as referências internacionais do açúcar, apesar da recente recuperação, tocaram em setembro o menor patamar em uma década, abaixo da simbólica marca de 10 centavos de dólar por libra-peso.

Em relação à Índia, Ferraz disse que a produção de açúcar deve ser inferior a 32 milhões de toneladas. O cenário se assemelha ao traçado também nesta segunda-feira pela associação de usinas de açúcar da Índia (Isma, na sigla em inglês).

Por fim, Ferraz disse que na União Europeia a produção deve cair até 1,5 milhão de toneladas, após problemas climáticos, enquanto na Tailândia pode ficar abaixo de 14 milhões. Além disso, a redução de safra no Paquistão deve limitar os volumes de exportação, comentou.

Para o executivo, os preços do açúcar na Bolsa de Nova York devem variar de 12 a 15 centavos de dólar por libra-peso no primeiro semestre de 2019, com viés de alta na segunda metade do ano, já refletindo a perspectiva de déficit. (Reuters 29/10/2018)

 

Mercado global de biocombustíveis chegará a US $ 195,33 bilhões até 2023

O aumento dos preços dos combustíveis fósseis e a poluição do ar associada a eles está impulsionando a demanda pelo mercado de biocombustíveis. Regulamentos governamentais rigorosos para manter um controle sobre as emissões veiculares estão impulsionando o uso de biocombustíveis para automóveis.

No entanto, a falta de consciência sobre as vantagens dos biocombustíveis nos automóveis e as preocupações crescentes dos consumidores de que os biocombustíveis danificam os motores dos veículos são fatores que restringem o crescimento do mercado.

A Europa detém a maior quota de mercado devido aos rigorosos regulamentos do governo para dirigir veículos com bioetanol mínimo. As Américas mostrarão uma taxa de crescimento significativa devido ao aumento das aplicações em veículos com duplo combustível. A Ásia-Pacífico será a região que mais cresce devido à crescente demanda por biocombustíveis em automóveis na Índia e na China.

Esses dados estão no relatório “Global Automotive Biofuels Market, por tipo, região, tamanho do mercado, previsões de demanda, perfis de empresas, tendências e atualizações do setor (2017-2023)” foi adicionado à oferta da ResearchAndMarkets.com.

O mercado mundial de biocombustíveis automotivos atingiu US $ 118,63 bilhões em 2017 e alcançará US $ 195,33 bilhões até 2023, com CAGR de 8,67% durante o período de previsão. (O Petróleo 30/10/2018)

 

Bunge: guerra comercial entre EUA e China pode elevar produção de etanol

Em meio a uma conjuntura favorável para o mercado brasileiro de etanol, a gerente de Inteligência de Mercado em Açúcar, Bioenergia e Grãos da Bunge, Luciana Torresan, alerta que o eventual aumento da produção do biocombustível de milho nos Estados Unidos é o único fator que pode pressionar as cotações no País. "Se a guerra comercial entre a China e os norte-americanos continuar, os agricultores dos EUA vão apostar mais no milho, em vez da soja, para produzir etanol e isso pode ser um limitador aos preços do Brasil", afirmou a executiva durante a 18ª Conferência Internacional Datagro.

Com relação ao açúcar, Luciana destaca que as condições climáticas adversas tendem a afetar a moagem do adoçante em alguns de seus principais países produtores. Um exemplo é o clima seco que prejudica o desempenho do setor na Índia e na Tailândia. "Essa conjuntura pode levar a um déficit na safra global de 2019/20", diz.

Especificamente para o ano que vem, safra de 2018/19 no mundo, a expectativa de preço internacional do açúcar está entre 13 e 15 cents por libra-peso.

Em relação ao consumo global açucareiro, a executiva da Bunge projeta aumento anual de 12 milhões de toneladas, pelos próximos cinco anos. Para ela, o Brasil tem potencial para atender a esse aumento de demanda global, apenas movimentando o mix de produção das usinas do País. "Mas para que isso aconteça é necessário expandir a área de cana. É preciso que os preços incentivem essa expansão", acrescenta. (Agência Estado 29/10/2018)

 

Bradesco projeta carteira agro 15% maior em 2019

Banco prevê fechar 2018 com um carteira do crédito de R$ 15 bilhões para o setor agropecuário, 12% superior à do ano passado, e um crescimento ainda maior em 2019, de 15%.

Bradesco prevê fechar 2018 com um carteira do crédito de R$ 15 bilhões para o setor agropecuário, 12% superior à do ano passado, e um crescimento ainda maior em 2019, de 15%. O superintendente de Agronegócio do banco, Rui Rosa, diz à coluna que sustentam esta perspectiva a grande produção de grãos em 2017/18, a previsão de aumento da área plantada em 2018/19, além da queda da Selic, que tornou mais atrativas para produtores linhas com juros não subsidiados. Os produtos financeiros com taxas de mercado é que devem suprir a demanda extra, na opinião do executivo. Enquanto neste ano atenderam a 40% da carteira do banco, em 2019 devem chegar a 50%. “O total de recursos obrigatórios (provenientes de depósitos à vista e ofertados a juros mais baixos para custear a safra) deve estacionar ou recuar em 2019”, avalia. Desde 2017 o Bradesco vem reforçando a equipe e ampliando serviços para o agronegócio.

Novidade

Rui Rosa conta que o Bradesco está desenhando um produto para quem adota o sistema de integração lavoura-pecuária-loresta, o ILPF. A ideia é agilizar a liberação de crédito, aprovando previamente montante que o produtor poderia demandar durante determinado período, com diferentes linhas e prazos. Para o custeio da área de grãos, por exemplo, a quitação da dívida se daria ao fim da colheita; para criação de gado, em até dois anos; aquisição de máquinas, até dez anos. “Estamos avaliando questões jurídicas para compatibilizar o produto com as regras atuais. A ideia é lançar em 2019”, diz. 

Passo atrás

Um ano após avaliar que o setor sucroenergético brasileiro passava por uma “consolidação silenciosa”, Manoel Queiroz, gerente sênior de relacionamento do Rabobank no Brasil, entende que agora o cenário aponta para uma “queda estrutural” na produção e processamento de cana no País. Saem do radar as compras, por grandes grupos, de empresas em dificuldades e o aumento tímido na moagem com investimentos nas usinas e entra a perspectiva do fechamento de unidades produtoras em crise.

Tira aqui, coloca ali

Após adiar a oferta pública de ações (IPO) até que o mercado melhore, a Bunge Açúcar & Energia segue a linha de outras companhias do setor de reduzir o custo fixo com suas operações. Os recursos economizados são drenados aos investimentos em insumos e tecnologia para melhorar a produtividade agrícola de canaviais das oito usinas da companhia.

Distância

Pedro Mizutani, presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entende que a melhor coisa que o próximo governo fará para o setor produtivo de etanol é não atrapalhar. “É só não retomar o controle de preços da gasolina, manter a política de preços da Petrobras e deixar o mercado do etanol funcionar sem interferência”, diz.

Na fonte

Dona da marca Lacta, a Mondelez International vai investir US$ 600 mil em regiões produtoras de cacau no Brasil. Em três anos, espera transformar mil hectares de pastagens degradadas do Pará em sistemas agroflorestais com cacau. Também vai atuar na Bahia, onde já apoia pesquisas para recuperar áreas dizimadas pela praga vassoura-de-bruxa. Até então, a companhia comprava de fornecedores os derivados da amêndoa usados na produção de chocolate.

Fomento

Pelo programa Cocoa Life, já implementado em Gana, Costa do Marfim, Indonésia, Índia e República Dominicana, a Mondelez poderá garantir, no futuro, a rastreabilidade do produto brasileiro e incentivar produtores a permanecer na atividade. “Queremos obter todo o nosso cacau por meio do programa”, afirma Cathy Peters, diretora global da iniciativa.

Inovação

A Embrapa Gado de Leite fechará uma parceria com a empresa de nutrição animal DSM para o desenvolvimento de tecnologias que melhorem a alimentação e a produtividade do gado. A previsão é que o negócio, no valor de R$ 899,42 mil, seja concluído em novembro. Segundo Paulo do Carmo Martins, chefe-geral da unidade, além da realização de pesquisas, o pacote inclui treinamentos para os funcionários da DSM e deve durar cerca de dois anos.  

Negócio da China. A Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) estará na próxima missão do Ministério da Agricultura para a China, que será realizada no mês que vem. O objetivo é facilitar o acesso para embarque da bebida brasileira por meio da redução de tributos. Caso o pleito seja atendido, há interesse de indústrias do País na construção de um terminal portuário na China.

Pode falar

Para saber o que pensam sobre os agroquímicos, a Syngenta está ouvindo produtores, autoridades reguladoras, entidades de alimentação, saúde e meio ambiente, incluindo os mais críticos. As opiniões servirão para a companhia orientar sua atuação e definir novas estratégias. No Brasil, os encontros vão até novembro, conta Valter Brunner, diretor de Sustentabilidade para o País e a América Latina. Das preocupações manifestadas, destacam-se as relacionadas à forma como defensivos são aplicados e ao volume usado no País. "O trabalho pode reforçar a necessidade de aprimorar a legislação para facilitar o acesso a tecnologias inovadoras", explica o diretor. ( O estado de São Paulo 29/10/2018)

 

Tereos deve fechar safra de cana 1 mês antes do usual; vê estabilidade para 2019/20

A Tereos Açúcar & Energia Brasil, um dos maiores grupos sucroenergéticos com atuação no país e controlado pela Tereos, deve encerrar a safra de cana 2018/19 um mês antes do usual, revelou nesta segunda-feira um executivo da companhia, que já prevê o próximo ciclo no centro-sul “bem parecido” com o deste ano em termos de produção.

O término antecipado de moagem no centro-sul, principal polo canavieiro do mundo, é algo compartilhado por dezenas de outras usinas, diante da menor disponibilidade de cana para processamento. Conforme a associação industrial Unica, até 16 de outubro 15 unidades já haviam encerrado a safra e mais 64 devem interromper as operações nesta quinzena.

“Temos uma usina ainda em operação... Devemos terminar os trabalhos no começo de novembro, um mês antes”, comentou o diretor da Região Brasil do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, no intervalo da 18ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.

Ele não citou dados sobre o desempenho deste ano da companhia, que tem sete usinas no noroeste paulista e moeu cerca de 20 milhões de toneladas de cana no ano anterior, volume próximo da capacidade instalada da empresa.

PRÓXIMO ANO

Costa Filho disse esperar que o setor sucroenergético no centro-sul do país tenha uma safra 2019/20, a partir de abril, semelhante à deste ano, cuja moagem deve ficar em torno de 560 milhões de toneladas, conforme estimativas de consultorias.

“Haverá recuperação do canavial com essas chuvas propícias. O envelhecimento das plantações será compensado por essas chuvas”, destacou, referindo-se ao início de primavera com precipitações acima da média em diversas áreas canavieiras.

Por ora, contudo, é difícil saber como se comportará o mix de produção no próximo ciclo, afirmou, dada a recuperação dos preços do açúcar na Bolsa de Nova York e, ao mesmo tempo, a perspectiva favorável para o consumo de combustíveis no país, o que inclui o etanol.

Além disso, “a demanda global por açúcar vai continuar crescendo, mas vai depender se a gente conseguir evitar as medidas protecionistas que são aplicadas na Índia e no Paquistão”, acrescentou.

Em relação à vitória de Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República, Costa Filho afirmou que o eleito “já sinalizou que apoia o agronegócio e, principalmente, o setor de biocombustíveis”. (Reuters 29/10/2018)

 

Setor de cana descarta ameaça com Bolsonaro e diz que diálogo precisará ser intenso

O governo de Jair Bolsonaro (PSL), eleito no domingo com cerca de 55 por cento dos votos válidos, não representa uma ameaça às demandas do setor sucroenergético brasileiro, mas será necessário um forte diálogo com o novo presidente, que assume em 1° de janeiro de 2019, disseram lideranças do segmento nesta segunda-feira.

A cadeia produtiva de açúcar e etanol do país, um dos maiores produtores de ambas as commodities e principal exportador do adoçante, surpreendeu-se com declarações de Bolsonaro durante o período de campanha, incluindo sinalizações de que o Brasil poderia deixar o Acordo do Clima de Paris, além de um endurecimento nas relações comerciais com a China, um importador de açúcar do Brasil.

Posteriormente, Bolsonaro negou que fosse retirar o Brasil do acordo climático firmado após a COP-21.

Segundo o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, já houve contato com a equipe de Bolsonaro, e a pauta prioritária no governo do PSL seguirá sendo o RenovaBio, a nova política nacional de biocombustíveis, em fase de regulamentação.

“Acho que agora é ter paciência... Ele (Bolsonaro) poderá ouvir o contraditório no governo”, afirmou Rocha no intervalo de conferência sobre açúcar e etanol, promovida pela consultoria Datagro, em São Paulo.

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse, no mesmo evento, que será necessário levar uma “agenda detalhada” acerca das necessidades do setor sucroenergético.

“Vamos ter de renovar temas de biomassa na energia elétrica e de biocombustíveis”, afirmou Elizabeth, cuja entidade que preside é a mais importante do setor de cana no centro-sul do país.

A própria entidade divulgou um comunicado a respeito da vitória de Bolsonaro, dizendo que “muitos setores econômicos precisam de sinais claros e previsíveis de crescimento para retomar seus investimentos no médio e longo prazos e, assim, gerar mais empregos e renda”.

“Em nosso caso, esperamos iniciar o fim de uma estagnação que se arrasta há 10 anos. Desejamos que o novo governo faça um bom governo”, destacou a Unica em seu posicionamento.

O Brasil deve moer mais de 550 milhões de toneladas de cana neste ano, segundo estimativas de consultorias, com produção de cerca de 26 milhões de toneladas de açúcar e 30 bilhões de litros de etanol. (Reuters 29/10/2018)