Setor sucroenergético

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Bolsonaro quer “golden share fundiária” para venda de terras a estrangeiros

Enquanto se debate a polêmica fusão entre os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, o futuro governo vai passando o rodo nos assuntos fundiários, antiga pasta da Reforma Agrária. A gestão da área será transferida integralmente para o Ministério da Agricultura. Há planos ambiciosos para o setor.

A ideia na equipe de Jair Bolsonaro é resolver o imbróglio da compra de terras por estrangeiros, favorecendo o crescimento da produção agrícola. Quem comprasse os latifúndios seria obrigado a cumprir determinada meta de hectares plantados. Seria uma espécie de "golden share fundiária". A medida, em tese, permitiria um aumento do agronegócio, notadamente das exportações de commodities.

Contribuiria também para os planos do guru Paulo Guedes de fazer uma varredura nos ativos da União que podem ser vendidos ou securitizados para o abatimento da dívida pública. Com um novo ordenamento jurídico mais firme, as terras ganhariam maior liquidez e poderiam ser incorporadas, junto com os imóveis do Estado, em um fundo similar à BNDESpar composto por esses ativos. (Jornal do Senado 06/11/2018)

 

Cosan deve lucrar 61% menos no 3º tri com piora em açúcar e álcool

A Cosan S.A., que tem negócios na áreas de energia e infraestrutura, deve reportar resultados mais fracos no terceiro trimestre, na comparação anual, diante do pior desempenho em açúcar e álcool e do aumento das despesas financeiras. Para analistas que acompanham a companhia, números piores nesse segmento de atuação devem ser parcialmente compensados por resultados consistentes na área de distribuição de combustíveis da Raízen, apesar de alguns profissionais esperarem pressão nas margens, e na Comgás, de distribuição de gás natural.

No trimestre, a companhia deve ter registrado lucro líquido de R$ 194,8 milhões, conforme a média das expectativas de Santander, Bradesco BBI, BTG Pactual e Morgan Stanley, com queda de 61% ante o mesmo intervalo de 2017.

As estimativas para a última linha do balanço variaram de maneira significativa, de R$ 44 milhões (Santander) a R$ 434 milhões (BTG). O resultado final no trimestre, segundo o Bradesco BBI, deve ter sido afetado também por maiores despesas financeiras decorrentes do impacto da variação cambial no bônus perpétuo emitido pela companhia.

Para a receita líquida, a estimativa é de alta de 9%, a R$ 14,1 bilhões da média das quatro projeções. Já o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) deve ter recuado 25% no trimestre, para R$ 1,2 bilhão.

Em relatório, os analistas Gustavo Allevato e Rodrigo Almeida, do Santander, avaliam que o segmento de distribuição de combustíveis deve reportar margem Ebitda consolidada, de R$ 93 por metro cúbico, com o impacto negativo da greve dos caminhoneiros compensado pelo desempenho positivo em aviação.

“Os resultados consistentes na distribuição de combustíveis devem ajudar a compensar parcialmente os números fracos na divisão de açúcar e etanol, onde a estratégia da empresa de constituir estoques continuou, a nosso ver”, escreveram os analistas, que esperam desempenho operacional positivo para o negócio de lubrificantes e para a Comgás.

No Bradesco BBI, os analistas Vicente Falanga e Osmar Camilo afirmam que a Cosan deve ser a menos afetada pela tendência de queda nas margens do setor de distribuição de combustíveis, embora, no conjunto, os resultados tenham sido afetados pela sazonalidade negativa no negócio de açúcar e álcool.

Para a Raízen Combustíveis, o banco projeta margem Ebitda de R$ 98 por metro cúbico, na esteira da maior concorrência e de efeitos residuais da greve dos caminhoneiros. Em açúcar e álcool, a expectativa é de queda dos volumes vendidos e estratégia de formação de estoques. A Cosan divulga os resultados do terceiro trimestre amanhã (7) após o fechamento dos mercados. (Valor Econômico 06/11/2018 às 15h: 43m)

 

Lucro trimestral da São Martinho cresceu 10%

Ante uma já esperada redução da receita no segundo trimestre da safra 2018/19, quando os preços do açúcar ainda estavam em mínimas históricas, foi com a redução das despesas financeiras e a ajuda do câmbio que o Grupo São Martinho conseguiu encerrar o período com lucro maior que o do mesmo período da temporada passada. O resultado líquido da companhia alcançou R$ 58,5 milhões entre julho e setembro, um crescimento de 10,4%.

O esforço para a redução do endividamento que a companhia empreendeu nos últimos dois anos está resultando agora em uma diminuição de suas obrigações financeiras. A aposta em mecanismos de dívida mais baratos - como recebíveis do agronegócio (CRA), e a redução dos juros na comparação com o ano passado também aliviaram o peso dessas despesas no segundo trimestre, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia. "O perfil da dívida está mais favorável, com um custo menor, e juros um pouco menores", afirmou.

Dessa forma, a São Martinho contornou o já esperado enfraquecimento de seu desempenho operacional no trimestre, uma vez que a estratégia foi segurar as vendas - sobretudo de etanol, para aproveitar os preços sazonalmente melhores da segunda metade da safra.

Como resultado, a receita líquida do segundo trimestre caiu 12,6%, para R$ 643,4 milhões, e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado recuou 19,1%, para R$ 316,2 milhões. A margem Ebitda ajustada ficou em 49,1%, 3,9 pontos percentuais menor do que um ano antes.

Apesar do freio às vendas de etanol, a companhia conseguiu aproveitar dois momentos de alta dos preços. O primeiro foi logo após a greve dos caminhoneiros, quando os preços do bicombustível dispararam. "Aproveitamos essa janela em Goiás e em São Paulo. Concentramos o volume quando a janela abriu, dado que conseguíamos carregar muito e rapidamente. Pouca gente conseguiu atender a essa demanda e tinham comboios desesperados para carregar combustível", afirmou Fábio Venturelli, CEO da companhia. O segundo momento foi em setembro, quando os preços foram puxados pelo aumento da demanda.

O carregamento de mais etanol em estoque para a segunda parte do exercício, por sua vez, colaborou para que a companhia demandasse mais capital de giro no trimestre (R$ 453 milhões). No total, a dívida líquida cresceu 25,5% em relação ao início da safra, para R$ 3,090 bilhões, o que aumentou a alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda acumulado) para 1,72 vez, ante 1,26 no início da safra. A expectativa, porém, é que a dívida seja reduzida até o fim do trimestre, conforme os produtos em estoque (60% do etanol desta safra) forem vendidos, disse Vicchiato. (Valor Econômico 07/11/2018)

 

Açúcar: Nas ondas do câmbio

Os preços do açúcar voltaram a recuar ontem na bolsa de Nova York, mais uma vez sob influência da queda do real em relação ao dólar diante das promessas de reforma econômica no Brasil.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio fecharam em queda de 21 pontos, a 13,08 centavos de dólar a libra-peso.

O câmbio também tem sido direcionado por uma dose de cautela nos EUA com as eleições legislativas do país e pela expectativa quanto a decisão do Federal Reserve (Fed) sobre juros na quinta-feira.

A alta da moeda americana ante o real estimula as exportações brasileiras, o que, teoricamente, pode elevar a oferta no mercado externo.

No país, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, para R$ 66,57. (Valor Econômico 07/11/2018)

 

Emperrada, venda de refinarias da Petrobras ficará para Bolsonaro

Negociações estão suspensas desde concessão de liminar no STF; empresa lucra R$ 6,6 bi.

A direção da Petrobras admitiu nesta terça-feira (6) que dificilmente conseguirá concluir em 2018 negociações para a venda de participações em refinarias e nos gasodutos do Nordeste.

Isso empurra para o governo Jair Bolsonaro (PSL) a decisão sobre os principais processos do plano de venda de ativos.

A empresa divulgou lucro de R$ 6,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 2.397% sobre o mesmo período de 2017.

As tratativas sobre as refinarias e os gasodutos estão suspensas desde julho, em respeito a liminar do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Ricardo Lewandowski, que condicionou a venda de controle de estatais à aprovação do Congresso.

A Petrobras diz que ainda tenta derrubar a liminar, mas já reconhece que chegará ao fim do ano sem assinar contratos relativos às operações.

Sem elas, espera arrecadar apenas um terço dos US$ 21 bilhões (R$ 79 bilhões) projetados pelo seu plano de desinvestimentos para o biênio 2018/2019.

Não está claro o posicionamento de Bolsonaro sobre o tema. O presidente eleito e sua equipe já falaram em privatizar refinarias e infraestruturas de gás, mas não deram detalhes. Procurados, assessores da área energética da equipe de transição não se manifestaram.

A negociação da malha de gasodutos do Nordeste está mais adiantada: em maio, a Petrobras deu exclusividade à francesa Engie para formular uma proposta por 90% do ativo.

A estatal iniciou em abril processo para vender 60% de dois polos de refino, cada um com duas refinarias, dutos e terminais de armazenagem de petróleo e derivados. 

O processo ainda não havia passado para a fase de negociações bilaterais quando foi suspenso pela Supremo.

A expectativa do mercado é que Bolsonaro reveja o modelo de venda, com a oferta de fatias maiores ou até de refinarias inteiras, sob o argumento de incentivar a competição no mercado de combustíveis.

Desde o início de 2017, a estatal fechou contratos de vendas de ativos no valor de US$ 5 bilhões (R$ 19 bilhões), incluindo campos de petróleo no Brasil e no exterior, petroquímicas e a produtora de etanol e cana São Martinho.

A empresa espera fechar mais US$ 2,5 bilhões (R$ 9,5 bilhões) até o fim deste ano, estão em negociação campos de petróleo no Brasil e a refinaria de Pasadena (EUA).

Os recursos vêm sendo usados pela estatal para reduzir o seu endividamento. (Folha de São Paulo 07/11/2018)

 

Brasil, EUA e mais 11 países se juntam para apoiar inovação agrícola

Treze países se juntaram para apoiar políticas que possibilitem inovação agrícola, inclusive a edição de genomas. As nações assinaram a Declaração Internacional para Aplicação Agrícola de Biotecnologia de Precisão (International Statement on Agricultural Applications of Precision Biotechnology, em inglês). O documento foi divulgado em Genebra, no comitê da Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias da Organização Mundial do Comércio (OMC), informa o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em comunicado.

A iniciativa, liderada pela Argentina, também tem apoio de Austrália, Brasil, Canadá, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Jordânia, Paraguai, Estados Unidos, Uruguai, Vietnã e o Secretariado de Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental. O projeto está aberto para inserção de outros países.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, disse no comunicado que “biotecnologias de precisão, como edição de genomas, trazem grandes benefícios tanto para agricultores como para consumidores ao redor do mundo. Essas ferramentas podem ter um papel crucial para ajudar produtores a lidar com muitos problemas de produção agrícola que eles enfrentam, ao mesmo tempo em que podem melhorar a qualidade e o valor nutricional dos alimentos disponíveis para consumidores no mundo”. (Agência Estado 06/11/2018)

 

Justiça suspende venda direta de etanol aos postos de combustível em PE, AL e SE

Suspensão é válida até o julgamento final da apelação pelo TRF5.

O desembargador federal Rubens de Mendonça Canuto Neto, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), deferiu, na última quarta-feira, 31, o pedido de efeito suspensivo à apelação interposta pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para suspender a eficácia de sentença da 10ª Vara Federal da Seção Judiciária de Pernambuco (SJPE).

No mês passado, o Juízo de Primeira Instância autorizou que as usinas produtoras de etanol hidratado dos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe vendessem o referido combustível diretamente aos postos revendedores.

“A meu ver, a elevação recente do preço dos combustíveis, bem como a crise que vem sendo enfrentada pelo setor sucroalcooleiro não se mostram hábeis a justificar a produção imediata de efeitos da sentença vergastada, na medida em que não se pode afirmar decorrerem diretamente da forma de distribuição do álcool hidratado para os postos revendedores de combustíveis há anos instituída”, ressaltou Canuto.

O desembargador federal ainda fez menção ao Projeto de Decreto Legislativo nº 61, que tramita no Congresso Nacional, que visa à suspensão do art. 6º da Resolução ANP nº 43/2009. Para ele, o fato de a temática se encontrar em análise pelas Casas Legislativas “reforça a tese de que se afigura descabida a produção imediata de efeitos da sentença em questão, na medida em que essa conduta acaba por atropelar os debates que vêm sendo travados em torno do aludido PDS”.

Histórico

Em sentença proferida no mês de outubro, o Juízo da 10ª Vara Federal de Pernambuco julgou procedente o pedido proposto pela Cooperativa do Agronegócio dos Associados da Associação dos Fornecedores de Cana-de-açúcar (Coaf), bem como por mais três sindicatos representantes do setor sucroalcooleiro nos estados de Pernambuco, Alagoas e Sergipe, contra a União e a ANP.

Com isso, a União Federal e a ANP foram condenadas a se abster de aplicar às mencionadas unidades produtoras de etanol as normas dos artigos 2º e 6º da Resolução nº 43/09 e do artigo 14 da Resolução nº 41/2013 e, também, de aplicar às usinas, destilarias e aos postos revendedores de combustível qualquer espécie de sanção, em decorrência da venda direta de etanol realizada entre eles. (Jornal do Senado 07/11/2018)

 

Braskem lança ação em prol da reciclagem

Maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem lança nesta quarta-feira nos países em que tem operação uma campanha para reforçar seu comprometimento com iniciativas de reciclagem do plástico. Ao mesmo tempo, a petroquímica aderiu a compromissos lançados recentemente pela indústria global, com metas a serem cumpridas entre 2020 e 2040, quando 100% das embalagens feitas com esse material deverão ser reutilizadas, recicladas ou recuperadas.

O posicionamento formal da petroquímica brasileira vem na esteira do endurecimento do discurso contra o uso do plástico, que atualmente tem como símbolo os canudinhos. "Não haverá uma mudança estrutural no negócio, mas uma evolução no sentido de tornar o consumo de plástico mais consequente", diz o vice-presidente da unidade de Poliolefinas da América do Sul e da Europa da Braskem, Edison Terra.

A crescente consciência da indústria sobre essa questão, na avaliação do executivo, já se reflete em iniciativas como o desenvolvimento das resinas "verdes", a Braskem, por exemplo, lançou em 2010 um polietileno produzido a partir de cana de açúcar e, neste ano, uma resina EVA de fonte renovável. Há outras iniciativas em curso, mas o setor percebeu que é necessário ampliar esforços e envolver a sociedade nos trabalhos que levarão ao cumprimento das metas previstas para 2020 e 2040.

Na primeira etapa do compromisso global, afirma Terra, o objetivo é garantir que todas as unidades da Braskem adotem as melhores práticas para redução da perdas de "pellets" (grânulos) de resinas, evitando que esses resíduos - que têm inclusive valor comercial, contaminem o meio ambiente. "É possível engajar ainda mais as unidades produtivas, transportadoras e armazéns", diz o executivo. A segunda etapa, de recuperação de 100% das embalagens, demandará participação mais efetiva da sociedade. "Estamos dispostos a atingir esse objetivo, mas não é possível fazermos isso sozinhos", ressalta.

A iniciativa individual da Braskem vai no mesmo sentido, de chamar os demais participantes do mercado a contribuírem para o avanço da reciclagem do plástico. Com a campanha de posicionamento em economia circular, no Brasil, México, Estados Unidos e Europa, a petroquímica brasileira defende o uso do plástico e mostra que a inovação com o material ajuda a combater o desperdício e aumentar a eficiência. Mas, para que a sociedade possa usufruir desses ganhos, é necessário gerir adequadamente os resíduos pós-consumo e recuperá-los.

"Essa iniciativa é uma evolução de uma série de esforços que já vêm há alguns anos", afirma Terra. Contudo, para que as metas de 2020 e 2040 sejam alcançadas, a Braskem colocou o foco em oito questões que considera fundamentais, entre as quais trabalhar com cliente na concepção de novos produtos que ampliem a reciclagem, especialmente produtos de uso único; manter os investimentos em resinas renováveis; apoiar o desenvolvimento de tecnologias e modelos de negócios considerando o melhor equilíbrio dos impactos econômicos, sociais e ambientais; engajar os consumidores em programas de reciclagem e recuperação. (Valor Econômico 07/11/2018)