Setor sucroenergético

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Açúcar: Produção no Brasil

A diminuição da produção de açúcar no Brasil elevou o preço futuro da commodity na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos de açúcar demerara com vencimento em maio encerraram a sessão negociados a 13,08 centavos de dólar a libra-peso, alta de 21 pontos.

Ontem a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) informou que a produção de açúcar na região Centro-Sul do Brasil caiu 49,4% na segunda quinzena de outubro, para 958 mil toneladas.

As usinas brasileiras vêm reduzindo a parcela de cana destinada à produção de açúcar em detrimento do etanol, uma vez que a demanda pelo biocombustível tem avançado.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou ontem em R$ 67 por saca de 50 quilos, uma desvalorização de 1,41%. (Valor Econômico 13/11/2018)

 

Bunge investe em núcleo de mudas de cana para elevar produtividade

A Bunge Açúcar & Bioenergia, uma das maiores empresas do setor sucroenergético do Brasil, com oito usinas no país, está investindo em produção própria de mudas de cana, com o objetivo de ampliar a produtividade de seu canavial, informou a empresa.

A divisão de açúcar e bioenergia da Bunge, cuja processo de oferta de ações no Brasil está em suspenso, aguardando melhora das condições do mercado, informou que investiu mais de 2 milhões de reais na criação de um Núcleo de Produção de Mudas Pré-Brotadas (MPB), inaugurado este mês na Usina Moema, em Orindiúva (SP).

A unidade da Bunge disse que, desde 2013, mantém anualmente investimentos relevantes nos canaviais, destinados ao aumento da fertirrigação, controle de pragas, introdução de novas variedades, adubação complementar e redução de pisoteio nas atividades mecanizadas.

“Com esses investimentos, a produtividade dos canaviais plantados após o ano de 2013 apresenta aumento superior a 25 por cento em relação ao período que antecede essas novas práticas agronômicas”, completou a empresa em nota.

Com tais investimentos, a companhia, com capacidade de moagem de 22 milhões de toneladas por ano, busca se diferenciar de um setor que vem enfrentando fracas produtividades agrícolas, em meio a problemas climáticos e baixos investimentos nos canaviais, especialmente por parte das empresas mais endividadas.

De acordo com a Bunge, o primeiro viveiro com a nova tecnologia possui capacidade inicial de 3,5 milhões de mudas e atenderá as oito usinas da companhia no país. A empresa destacou ainda que, até 2020, a estimativa é de que a capacidade de produção seja duplicada.

A companhia explicou que o núcleo permitirá maior adoção do plantio via meiosi, que pode chegar a até 45 por cento do total em 2019. Esse processo é mais produtivo e beneficia tanto a operação quanto o cultivo.

“Atualmente, 15 por cento do nosso plantio é feito via meiosi, reduzindo o custo da formação do canavial, em razão da eliminação da necessidade de transporte da muda. Com o viveiro, vamos intensificar esse procedimento que passará a ser aplicado em até 45 por cento da plantação no próximo ano”, disse Geovane Consul, VP da Bunge Açúcar & Bioenergia, em nota.

O período de produção das mudas é de cerca de 60 dias, e a empresa disse que prevê plantar uma área anual de 350 hectares de novas plantas.

Com a implantação do sistema e a ampliação de plantio via meiosi, a companhia prevê também redução de até 80 por cento nos custos com logística de muda, com formação de lavoura pelo melhor planejamento de viveiros.

As oito usinas da Bunge estão localizadas nas regiões Sudeste, Norte e Centro-Oeste do país. Cinco unidades formam um cluster que, segundo a companhia, gera economia de escala e sinergia para o negócio. (Reuters 13/11/2018)

 

Vendas de etanol seguem firmes e batem recorde

Em apenas 15 dias, na segunda metade de outubro, as usinas do Centro-Sul venderam 1,07 bilhão de litros de etanol hidratado (colocado diretamente nos tanques) no mercado interno. O volume foi 26,5% maior do que na mesma quinzena do ano passado e um novo recorde de vendas para uma única quinzena, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No total do mês, as vendas de hidratado atingiram 2,02 bilhões de litros, avanço de 33,6%. Essas vendas surpreenderam até o próprio setor produtivo e refletem o bom momento do mercado doméstico de etanol, que tem ganhado força por causa da vantagem que o produto está oferecendo em relação à gasolina.

Segundo a Unica, a paridade média entre os preços de bomba do etanol hidratado e a gasolina no Brasil na semana de 4 de outubro a 10 de novembro ficou em 63%. Para a Unica, o etanol perde vantagem quando seu preço equivale a mais de 73% o valor da gasolina.

Conforme o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o etanol ficou mais vantajoso que a gasolina em oito Estados: Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo. Em relação à semana anterior, não houve mudança nesses Estados. O preço do produto nas bombas teve queda em 16 Estados e do Distrito Federal e alta em outros nove (não houve pesquisa no Amapá).

Como efeito da maior competitividade do etanol, em um momento em que o consumo de combustíveis como um todo está em baixa no país, as vendas de etanol anidro (misturado à gasolina) têm recuado. Na última quinzena, as usinas venderam 383,7 milhões de litros do produto, queda de 13,5%. Ainda assim, foi o maior volume para o período de uma quinzena desde a primeira quinzena de setembro, refletindo a diminuição das importações. (Valor Econômico 13/11/2018)

 

Mesmo com maior demanda, preços do etanol seguem em queda nas usinas

Apesar do reaquecimento da demanda por etanol na semana passada, os valores registraram queda no estado de São Paulo, segundo dados do Cepea. Pesquisadores afirmam que a baixa esteve atrelada à necessidade de venda por parte de algumas usinas, que precisam de recursos para despesas de final da moagem.

Entre 5 e 9 de novembro, o Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado foi de R$ 1,6738/litro, recuo de 3,33% em relação ao período anterior. Já o Indicador Cepea/Esalq do anidro foi de R$ 1,8982/litro, queda de 2,12% no mesmo comparativo. (Reuters 13/11/2018)

 

Sem preço mínimo, usina Revati do Grupo Renuka vai a leilão em 18 de dezembro

 Do ponto de vista prático, a situação do grupo Renuka e as chances dos seus credores verem alguma cor do dinheiro que lhes é devido começam ficar mais clara a partir do dia 18 dezembro. Está confirmada para esse dia o leilão da usina Revati, a primeira das duas unidades da corporação indiana que entrou em recuperação judicial há mais de 3,5 anos.

A informação foi dada pela divisão de estruturação financeira da Czarnikow - player mundial na comercialização de açúcar e etanol, e que atua assessorando o Renuka a desmobilizar seus ativos e que, provavelmente, será o passaporte para o fim dessa aventura no Brasil.

O acordo entre os credores, bancos e fornecedores (cerca de 10% do passivo aproximado de R$ 3 bilhões), foi fechado com o devedor e homologado pela Justiça em 26 de setembro. Em termos de valores, os credores que aceitaram a proposta representaram 61,82%, e em quantidade de CNPJs, 92,544%.

A Revati, de Brejo Alegre, no Noroste paulista, tinha até 90 dias para ser colocada em leilão, com propostas sendo recebidas em envelope, com as partes tendo depois mais 30 dias para aceitar ou não a melhor proposta. Não haverá preço mínimo estabelecido, também como consta do edital.

A outra unidade do grupo, a Madhú, de Promissão, com 6 milhões de toneladas de capacidade, quase o dobro de capacidade da Revati, terá até 3 anos para ser colocada a venda, seja por leilão ou adquirida por outro grupo, também sujeito a aprovação dos credores.

Enquanto esta é considerada mais problemática, por conta de sua alta ociosidade hoje (cerca de 3 milhões de toneladas), canaviais em péssimo estado e sem fornecedores, a Revati tem no seu sistema de cogeração de energia o ponto forte.

Nelson Peres, da Norplan, entidade que reúne parte dos credores da unidade, torce para que apareçam compradores com boas propostas, porque "muitos fornecedores estão necessitando desses recursos; não receberam pela cana entregue mai seus compromissos não puderam esperar. (Notícias Agrícolas 13/11/2018)