Setor sucroenergético

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Cosan quer simplificar estrutura para ser controladora direta da Rumo

A empresa de energia Cosan afirmou nesta terça-feira que vai avaliar uma proposta de simplificação societária que pode permitir que se torne controladora direta da empresa de logística Rumo.

A operação envolveria a incorporação da unidade Cosan Log, veículo por meio do qual a Cosan já controla a Rumo indiretamente.

O estudo de viabilidade inclui levantar autorizações necessárias à implementação da operação em até 12 meses.

“Por meio da operação pretendida, Cosan e Cosan Log buscam simplificar e otimizar a estrutura societária do grupo e reduzir custos operacionais”, afirma o comunicado. (Reuters 14/11/2018)

 

Disputa do açúcar fica para dezembro

A China e o Brasil concordaram em realizar na terceira semana de dezembro a rodada de consultas para tratar da queixa brasileira contra barreiras ao açúcar nacional no mercado chinês. Será quase no fim do prazo dado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) para os dois países fazerem uma última tentativa de chegar a uma solução mutuamente satisfatória.

Como uma solução que satisfaça ambos parece pouco provável, o Brasil poderá pedir a abertura de painel (comitê de investigação) no ano que vem contra os chineses na OMC pela imposição de salvaguardas ao açúcar.

Brasília mira três problemas: a medida de salvaguarda da China, que praticamente triplicou as tarifas de importação; a administração, por Pequim, da cota com alíquota menor; e o regime de "licença de importações automáticas" para o açúcar importado fora da cota definida.

Em 2001, ao entrar na Organização Mundial do Comércio, a China estabeleceu uma cota de importação de açúcar de 1,945 milhão de toneladas com tarifa de 15%. Com a salvaguarda, a tarifa passou a 45% em 2018, 40% em 2019 e 35% em 2020. Fora da cota de importação, a alíquota era de 50%, mas com a salvaguarda passou para 95% este ano, 90% no ano que vem e 85% em 2020.

Pequim não reagiu ainda às demandas da União Europeia, da Tailândia e da Guatemala para participarem das consultas dos chineses com o Brasil na disputa envolvendo o açúcar. É uma decisão que deve ser tomada pela China, como país denunciado.

Em Pequim, o Ministério do Comércio da China tem reafirmado que sua salvaguarda, adotada para proteger os produtores chineses de açúcar contra as importações, está em linha com as regras da OMC. Para o Brasil, porém, a investigação para a imposição das salvaguardas está "eivada de vícios" e viola as regras internacionais.

O Brasil era o maior fornecedor de açúcar para a China. Mas as exportações caíram brutalmente após a imposição das salvaguardas. Agora a UE quer também se tornar exportadora de açúcar para o mercado chinês. (Valor Econômico 14/11/2018)

 

Açúcar: Câmbio e petróleo

As cotações do açúcar tiveram forte retração ontem na bolsa de Nova York, pressionadas pela valorização do dólar ante o real e pela queda dos preços do petróleo.

Os contratos com vencimento em maio de 2019 fecharam com queda de 33 pontos, a 12,75 centavos de dólar a libra-peso.

Por um lado, a alta do dólar eleva a rentabilidade das exportações brasileiras, o que pode estimular as usinas a produzir mais açúcar, elevando a oferta.

Por outro, o recuo dos preços internacionais do petróleo reduz a competitividade do etanol ante a gasolina, o que também pode incentivar a produção de açúcar.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou ontem em R$ 67,02 por saca (de 50 quilos), leve alta de 0,03% em relação à segunda-feira. (Valor Econômico 14/11/2018)

 

Atvos vê moagem de cana maior em 2018/19, preços mais baixos do etanol na entressafra

A Atvos, antiga Odebrecht Agroindustrial, deve registrar aumento no volume de cana processada na atual temporada 2018/19, na contramão do observado no centro-sul do Brasil, mas já vê preços menos remuneradores para o etanol durante a entressafra após a queda das cotações do petróleo, disse nesta terça-feira o CEO da companhia.

Braço sucroenergético do conglomerado empresarial Odebrecht, a Atvos moeu no ciclo anterior (2017/18) cerca de 25 milhões de toneladas de cana, em meio a problemas com geadas em parte de suas plantações.

Agora, a despeito de uma estiagem em meados do ano, a empresa espera elevar o processamento, creditando a isso os diversos polos de produção que tem no país.

“Se olharmos a indústria como um todo, foi cheio de imprevistos. Nós fomos menos afetados. Para nós, será um ano de crescimento. Temos um hedge geográfico”, destacou o CEO da Atvos, Luiz de Mendonça, no intervalo de evento sobre agronegócios, em São Paulo.

Embora não tenha projetado um volume, destacou que o potencial atual, a partir da oferta de cana, é de 28 a 29 milhões de toneladas.

Com noves usinas espalhadas por São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a Atvos tem capacidade instalada para processar 37 milhões de toneladas de cana por ano. Até atingir essa quantidade, focará os investimentos em canaviais, em vez de novas unidades, por exemplo, disse Mendonça.

“Enquanto não encher as plantas, se eu tiver um dólar, vou investir em canavial”, comentou ele, acrescentando que a companhia investe algo como 600 milhões a 700 milhões de reais por ano, sendo o grosso desse montante em tratos culturais e plantio.

Tradicionalmente alcooleira, a Atvos endereçou cerca de 80 por cento da oferta de matéria-prima para fabricação de etanol na atual safra.

“Mas essa queda do petróleo não é positivo, já vemos um preço menor (de etanol) na entressafra. Continua bom, mas poderia ser melhor”, avaliou o executivo.

As referências internacionais do petróleo vêm caindo há semanas em meio a menores preocupações quanto à oferta. Nesse cenário, as cotações da gasolina, concorrente direto do álcool, também vêm cedendo, o que pode, portanto, enfraquecer a competitividade do biocombustível na entressafra.

O petróleo Brent fechou em queda de mais de 6 por cento nesta terça-feira.

Mendonça comentou ainda que a empresa segue em busca de um investidor externo e que também não descarta uma oferta de ações (IPO) nos próximos anos, se as condições de mercado permitirem.

Ele também afirmou, sem detalhar, que a companhia trabalha pela renegociação de dívidas, de modo a priorizar investimentos. (Reuters 14/11/2018)

 

Mourão diz que governo Bolsonaro pode privatizar a BR Distribuidora

Após os comentários de Mourão, as ações da BR Distribuidora subiram mais de 6%

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, quer privatizar a BR Distribuidora, unidade de distribuição controlada pela Petrobras, disse o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, em conferência com investidores em Nova York nesta terça-feira.

No segundo semestre do ano passado, a Petrobras, na então gestão de Pedro Parente, colocou a BR Distribuidora no plano de desinvestimento da companhia. A ideia era vender parte da empresa para um investidor estratégico, que poderia ser minoritário ou majoritário, abrindo mão do controle. A outra alternativa era vender parte das ações no mercado. Após meses de estudo, a estatal decidiu fazer uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A operação, realizada em dezembro do ano passado, foi a maior desde 2013, levantando R$ 5 bilhões com a venda de parte dos papéis.

Com a operação, a estatal se desfez de 28,75% das ações da subsidiária, que passaram a ser negociadas no Novo Mercado, principal segmento da Bolsa de Valores de São Paulo (a B3), onde só há ações ordinárias (ON, com direito a voto). O negócio fez parte do plano de desinvestimentos de US$ 21 bilhões para o biênio 2017/2018.

Maior rede de postos do país, a BR chegou ao fim do terceiro trimestre deste ano com 8.437 unidades, maior que os 8.212 no mesmo período do ano passado. No terceiro trimestre deste ano, ao divulgar seus resultados financeiros, a BR registrou uma receita de R$ 26,455 bilhões, uma alta de 21,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos nove primeiros meses a alta chegou a 18,2%, para R$ 72,511 bilhões.

Com a alta no volume de combustíveis vendidos no país, a companhia registrou um lucro líquido de R$ 1,078 bilhão no terceiro trimestre, uma alta de 173,6%. No ano, o avanço chegou a 156,1%, para R$ 1,588 bilhão. (O Globo 14/11/2018)

 

Tereza Cristina, futura ministra da Agricultura, quer fiscalizar recursos repassados a ONGs

Tereza Cristina também defendeu aprovação de PL sobre agrotóxicos

Após mais uma reunião de trabalho com o presidente eleito Jair Bolsonaro, na manhã de hoje (13), a futura ministra da Agricultura, deputada federal Tereza Cristina (DEM-MS), questionou o resultado de projetos coordenados por organizações não-governamentais (ONGs) com uso de dinheiro público. Em geral, são recursos provenientes da arrecadação de multas por crimes ambientais. Ela concedeu entrevista coletiva na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), em Brasília, na qual também comentou a reestruturação que fará no ministério.

"Se tem dinheiro, e é dinheiro público, a gente precisa saber se tem resultado", afirmou a deputada, que disse ter ficado "espantada" com as cifras do setor. "Eu sabia que era grandioso, mas não tão grande. Temos mais ou menos R$ 15,3 bilhões em multas em cima do setor agropecuário. Um percentual desses recursos vai para essas ONGs, mas vai para quê, para melhorar o quê, qual a utilidade desses projetos, eles vão mesmo para recuperação?", questionou.

Falta de resposta

Segundo ela, uma das principais queixas do setor produtivo do agronegócio é a falta de resposta nos processos de licenciamento ambiental. Na opinião da deputada, esses procedimentos têm tido análises subjetivas e se prolongam por prazos indefinidos.

"Vai um fiscal fala uma coisa, depois de dois meses, vai outro fiscal e fala outra. Temos que ter clareza das licenças, a fiscalização tem que ser menos subjetiva. A outra coisa é a data. Se você pede uma licença, dependendo do grau de complexidade desses projetos, você tem que ter 30, 60, 90 dias, o tempo necessário para que o empreendimento seja estudado, que dê garantias e segurança a quem vai empreender e ao meio ambiente, mas não pode ficar lá dois anos", criticou.

A futura ministra disse que pretende conversar em breve com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, para tentar avançar na tramitação do projeto de lei que cria uma nova lei geral de licenciamento ambiental no país (PL 3.729/04). A medida, uma das mais polêmicas em tramitação na Casa, visa a simplificar procedimentos para a concessão de licenças e reduzir prazo para que os órgãos ambientais decidam sobre projetos e empreendimentos agrícolas e de infraestrutura.

PL dos agrotóxicos

Defensora do Projeto de Lei 6.299/02, que flexibiliza as regras de utilização de agrotóxicos no país, conhecido como PL do Veneno, Tereza Cristina afirmou que a votação da matéria caberá ao Congresso Nacional, mas classificou a iniciativa como uma modernização para o setor.

"O legislativo é que vai votar o que ele acha que deve ser votado. Sei que, sem agrotóxico, não vai se produzir em escala nesse país. Hoje, na nossa agricultura tropical, é impossível. (...) Se a gente não fizer a nova lei, não vão entrar os novos [defensivos agrícolas]. Essa é a diferença, nós precisamos de uma lei, para que a fila [de aprovação] ande e esses produtos novos cheguem aqui", argumentou.

O PL foi aprovado em junho por uma comissão especial presidida pela própria Tereza Cristina na Câmara e ainda precisa passar pelo plenário. O relatório prevê que pesticidas possam ser liberados pelo Ministério da Agricultura, mesmo se órgãos reguladores, como Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), não tiverem concluído suas análises. Nesse caso, os produtos receberão um registro temporário, desde que tenham especificações idênticas em pelo menos três dos 37 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

"Precisamos de produtos mais modernos para deixar produtos de fora que a gente desconhece como são feitos. Hoje, existe muito contrabando na área de defensivos agrícolas e, enquanto isso, estamos com a fila parada, impedindo que produtos entrem [no país] de maneira oficial", acrescentou. (Agência Brasil 13/11/2018)