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Bolsonaro enfrenta barreiras no Congresso antes mesmo de assumir

O presidente-eleito Jair Bolsonaro nem tomou posse e já enfrenta a dura realidade de lidar com a negociação no Congresso e o corporativismo de setores do poder público.
Um exemplo se deu nesta terça-feira, quando a votação de um dos projetos de lei mais importantes para equilibrar as contas públicas, e defendido por Bolsonaro e sua equipe econômica- acabou mais uma vez postergado.
A tramitação da cessão onerosa, que poderá injetar nos cofres públicos R$ 120 bilhões relativos à exploração do petróleo, ficou suspensa por tempo indeterminado por decisão do presidente do senado, Eunício Oliveira. Ele alegou que a discussão sobre a repartição desse dinheiro entre estados e municípios exigia mais tempo de discussão. Na semana passada, o próprio Eunício havia se comprometido a pôr o texto nesta semana ontem após acordo com o atual e o futuro ministros da Fazenda.
Eunício, que permanece no cargo até 31 de janeiro, também é pedra no sapato de Bolsonaro em outra frente. O presidente eleito não deve conseguir conter o reajuste dos salários do Judiciário, de 16,38%, aprovado no Senado dias depois de sua eleição.
O aumento dos salários do topo do funcionalismo público brasileiro foi pautado e aprovado por Eunício um dia depois de uma visita do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, ao seu gabinete.
Além das dificuldades para a aprovação da reforma da Previdência, que ficou para o próximo ano, outro revés no Congresso veio com a fala de Rodrigo Maia. O presidente da Câmara disse que não há votos para aprovar a autonomia formal do Banco Central.
Os projetos são vistos como essenciais para colocar o Brasil na rota da sustentabilidade fiscal e para a retomada do grau de investimento. (Bloomberg 21/11/2018)
 

Fazenda cria grupo de trabalho para analisar mercado de etanol

O Ministério da Fazenda instituiu um grupo de trabalho envolvendo o etanol para atuar em defesa de comércio concorrencial e em níveis tributários. O grupo terá seis representantes indicados por três grupos: as secretarias de Acompanhamento Fiscal, Energia e Loteria (Sefel), de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência (Seprac) e a Receita Federal.
O objetivo do grupo será buscar um alinhamento sobre as questões concorrencial e tributária na venda direta do etanol. Ele foi aberto após a identificação de crise de abastecimento e de paralisações de caminhoneiros no Brasil.
De acordo com a economista Ana Paula Vescovi, secretária-executiva da Fazenda, esse grupo se tornou necessário “considerando que surgiram algumas iniciativas com o objetivo de estimular a competição entre os combustíveis e, dentre elas, a possibilidade de comercialização de etanol”.
“Há necessidade de que a venda direta de etanol [da usina] ao posto de combustível não cause sonegação fiscal, não promova distorção tributária, assim como não crie conflito entre a tributação federal e estadual na comercialização”, ressaltou Ana Paula.
A criação desse grupo foi oficializada nesta quarta-feira, com detalhes publicados em portaria no “Diário Oficial da União”. (Valor Econômico 21/11/2018 às 10h: 18m)
 

Consumo de etanol tende a resistir à baixa do petróleo

O derretimento do petróleo no mercado internacional nos últimos dois meses está chegando aos poucos aos postos de combustíveis. Embora o preço da gasolina nas bombas ainda não tenha caído na mesma proporção que a gasolina vendida nas refinarias da Petrobras, o movimento já coloca uma pulga atrás da orelha dos usineiros. Até então, eles tinham a expectativa de elevar os preços do etanol hidratado nesta entressafra. Mas o cenário indica que, apesar de a demanda se manter aquecida, os preços não devem atingir os patamares desejados pelo setor.
Desde o início de outubro, quando o petróleo começou a ceder nas bolsas de Nova York e Londres, até a semana encerrada dia 17 de novembro, o preço da gasolina C (vendida nos postos já misturada ao etanol anidro) caiu em média no país 1,8%, ou R$ 0,108 por litro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). No mesmo período, o preço que a Petrobras pratica nas refinarias para a gasolina A, sem adição de anidro, já caiu 27%, ou R$ 0,6065 por litro.
Concorrente da gasolina, o etanol hidratado começou a refletir esse movimento em novembro, em um momento em que a expectativa era que o biocombustível começasse a subir, já que as usinas do Centro-Sul estão encerrando a moagem da cana da safra 2018/19. Na média nacional, o preço do hidratado caiu 1,9% desde a última semana de outubro, ou R$ 0,057 o litro, segundo a ANP. Nesse mesmo período, o etanol já recuou 7% (ou R$ 0,129 por litro) nas usinas paulistas, de acordo com indicador do Cepea/Esalq.
Essa queda vem na contramão da expectativa das usinas, uma vez que o preço do biocombustível já estava mais alto nesta safra e costuma começar a subir nesta época do ano. Mas o mercado ainda está cético quanto a uma pressão adicional sobre os preços do etanol, já que o produto vem de um período em que esteve bastante competitivo ante a gasolina, o que estimulou uma demanda recorde em meses recentes.
"[O etanol] perdeu um pouco de competitividade, mas ainda estamos bem competitivos tanto na correlação com a gasolina como em valores absolutos. Devemos permanecer assim em novembro", afirma Martinho Ono, da SCA Trading, que comercializa o biocombustível. Para ele, o etanol vai se ajustar ao novo "teto" da gasolina. Assim, o preço na entressafra deve ser um pouco menor que o esperado.
Em São Paulo, maior centro consumidor, mesmo com a queda recente do etanol, a correlação com o valor da gasolina subiu, passando de 61% na segunda semana de outubro para 63,1% na última semana de novembro. Mas continua distante do patamar em que estaria equivalente ao rendimento da gasolina, de 70% para a média da frota flex brasileira. A diferença nominal entre o litro do etanol e o da gasolina também caiu, mas continua grande, alcançando R$ 1,617 o litro na última semana pesquisada pela ANP no Estado.
Enquanto essa correlação continuar favorável para a venda de etanol, o consumo tende a se manter aquecido, avaliam analistas. Ono estima que o volume de hidratado vendido aos postos deve ficar em média em 2 bilhões de litros ao mês neste último trimestre do ano. O volume é bem superior ao do mesmo período do ano passado, quando as vendas ficaram em torno de 1,4 bilhão de litros por mês.
Para Willian Hernandes, sócio da consultoria FG/A, ainda que a distância entre os preços do etanol e da gasolina encurte para 67%, "o consumo vai continuar alto e tende a explodir". Ele avalia, porém, que quanto mais tempo o preço do etanol ficar vantajoso em relação ao da gasolina, mais violenta tende a ser a correção dos preços no futuro. "Também podemos ver sair de 64% para 75% do nada", afirma. A rapidez, acrescenta, vai depender do gradualismo do ajuste entre os preços dos combustíveis.
Ambos concordam, porém, que uma eventual alta do etanol no último trimestre da safra 2018/19 (primeiro trimestre do próximo ano) deve frustrar a expectativa das usinas, pois deve ficar abaixo do esperado. (Valor Econômico 22/11/2018)
 

Açúcar: Impulso do petróleo

As cotações do açúcar subiram ontem na bolsa de Nova York, acompanhando a recuperação do petróleo.
Os papéis do açúcar demerara para entrega em maio fecharam a 12,78 por libra-peso, em alta de 19 pontos.
Os investidores recompraram posições depois que os preços caíram ao menor patamar em cerca de seis semanas na sessão de terça-feira.
E o movimento, uma vez mais, foi desencadeado pelas oscilações do petróleo, que ontem subiu após o tombo da véspera, motivado por preocupações em relação à economia global.
Os preços do açúcar são afetados pelo petróleo, que influenciam a competitividade do etanol no Brasil. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a saca de 50 quilos do açúcar cristal negociada em São Paulo subiu 0,06%, para R$ 67,79. (Valor Econômico 22/11/2018)
 

Brasil deve perder coroa de maior produtor mundial de açúcar

Produção da Índia está ultrapassando a do Brasil pela primeira vez em 16 anos; USDA cita alta produção de etanol no Brasil.
O Brasil, tradicionalmente o maior produtor de açúcar do mundo, está prestes a perder a coroa para a Índia pela primeira vez em 16 anos.
A produção do país asiático nesta safra poderá subir 5,2 por cento, para um recorde de 35,9 milhões de toneladas, devido ao aumento da área plantada e à melhora da produtividade, informou o Serviço de Agricultura Estrangeira do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).
A produção brasileira pode cair 21 por cento, para 30,6 milhões de toneladas, devido ao clima adverso e à opção por uma maior produção de etanol à base de cana.
A produção global deverá cair 4,5 por cento, para 185,9 milhões de toneladas, volume menor que o da estimativa de maio, de 188,3 milhões, porque as perspectivas para o Brasil, a Tailândia e a União Europeia foram revisadas para baixo.
O Brasil deve continuar sendo o maior exportador, seguido pela Tailândia. O período de comercialização vai de abril a março no Brasil e de outubro a setembro na Índia. Na maioria dos países, o ano-safra vai de maio a abril.
O total armazenado em todo o mundo deverá aumentar porque o “enorme aumento dos estoques” na Índia compensará o estoque menor na China e na UE, informou a unidade do USDA.
Os futuros de açúcar bruto caíram 18 por cento neste ano em Nova York em meio a colheitas mais abundantes. Em 2017, o preço caiu 22 por cento. (Bloomberg 22/11/2018)
 

Açúcar bruto se recupera de mínima em 6 semanas na ICE com movimento do petróleo

Os contratos futuros do açúcar bruto na ICE se recuperaram nesta quarta-feira, recebendo suporte do avanço nos preços do petróleo.
O contrato março do açúcar bruto subiu 0,22 centavo de dólar, ou 1,8 por cento, a 12,68 centavos de dólar por libra-peso, reduzindo algumas das perdas da sessão anterior.
Na terça-feira, o mercado de açúcar, pressionado pelo forte declínio dos preços do petróleo, caiu para uma mínima em mais de seis semanas.
"Um dos principais fatores altistas para o açúcar tem sido a mudança dramática no Brasil pelo uso de cana-de-açúcar na produção de etanol, em vez de açúcar", disse Shawn Hackett, presidente da Hackett Financial Advisors.
A mudança ajudou a fortalecer a ligação entre os preços do açúcar e do petróleo. Nesta quarta-feira, os preços do óleo subiram mais de 1 dólar, dando suporte ao mercado de açúcar, disseram operadores.
O açúcar branco para março teve alta de 4,20 dólares, ou 1,2 por cento, a 342,30 dólares por tonelada. (Reuters 21/11/2018)
 

Bahia dá incentivo fiscal a usinas para tornar o estado autossuficiente em etanol e açúcar

O governo da Bahia decidiu dar incentivos fiscais para empresas que queriam produzir etanol e açúcar na região do rio São Francisco. A medida visa fazer com que o estado se torne autossuficiente nos dois produtos em até cinco anos.
De acordo com o vice-governador da Bahia, João Leão (PP), o estado produz hoje apenas 9,7% do etanol consumido e 7,3% do açúcar. O restante, segundo ele, é importado de São Paulo, Pernambuco e Alagoas. Para mudar este quadro, afirmou que a administração estadual vai conceder durante 15 anos uma redução de 30% a 45% no ICMS (Imposto sobre circulação de mercadorias e serviços).
“O açúcar aqui é mais caro do que em qualquer prateleira em São Paulo. Então, temos também prometido energia e botar asfalto na região até as usinas. Temos uma região excepcional para o plantio e para a instalação das usinas”, afirmou o vice-governador.
Segundo ele, dois grupos já mostraram interesse e compraram terras na região para investir no negócio: Grupo Paranhos e Pedro Leite. “Queremos mais empresas para viramos autossuficiente em quatro ou cinco anos”, ressaltou. (Veja.com 21/011/2018)
 

Petroleiras veem futuro na geração de energia elétrica

Posto da Repsol em Madri: estratégia da companhia em expandir tanto em serviços de mobilidade quanto na produção de eletricidade gerou investimentos em uma rede de pontos de carregamento rápido para carros elétricos
Um posto de gasolina na Rua Alberto Aguilera, em Madri, dá uma pequena mostra de como pode ser o futuro. Os clientes podem recolher remessas da Amazon ou ingredientes de alta culinária, largar seu carro híbrido compartilhado ou beber um “café con leche” enquanto esperam pelo seu veículo elétrico carregar-se.
Embora os carros normais a gasolina sejam bem-vindos, a Repsol, petrolífera espanhola que opera o posto, vem se preparando para a transformação mundial no consumo de energia diante do abandono do uso de combustíveis mais sujos. O panorama vem obrigando as grandes petrolíferas a repensar seus negócios.
“A energia elétrica vai ser um dos grandes motores dos novos modelos de negócios de baixo carbono para todas as grandes empresas de fontes energia”, disse o presidente do conselho de administração da Repsol, Antonio Brufau, em entrevista ao Financial Times. A eletricidade vai “representar a maior parte do crescimento da energia primária”, acrescentou.
A Repsol e rivais europeias como a Royal Dutch Shell e a Total estão realizando aquisições de companhias de energia elétrica, em busca de ativos que vão desde a geração de energia aos pontos de carregamento de veículos elétricos, tentando repetir o modelo existente no negócio de petróleo, que inclui desde sondas de perfuração até bombas de gasolina.
As petrolíferas passaram a ver a entrada no mercado de fornecimento de eletricidade aos consumidores, até agora dominado pelas concessionárias elétricas, como um passo para o crescimento futuro. “É como um seguro para essas empresas. Ninguém sabe como a transição energética vai se desdobrar ou em que velocidade”, disse Tom Heggarty, da divisão de eletricidade e fontes renováveis da firma de consultoria Wood Mackenzie.
A BP, em seu panorama energético de longo prazo para 2040, prevê que quase 70% do aumento no consumo de energia primária virá do setor de energia elétrica, com a demanda por eletricidade crescendo o triplo que a dos demais tipos de energia. Os veículos elétricos representam pequena fração da frota mundial de carros hoje, mas o segmento cresce a passos largos, sendo que os carros autônomos e o compartilhamento de viagens impulsionam a tendência.
“Como o petróleo está tão ligado à mobilidade, está mais exposto a mudanças no consumo”, disse Brufau. “Precisamos descobrir como vamos administrar isso”.
A estratégia da Repsol a levou a investir em uma rede de pontos de carregamento rápido para carros elétricos e a criar, com a sul-coreana Kia, um empreendimento conjunto em Madri de compartilhamento de 500 veículos híbridos. Também pagou 750 milhões de euros pelos ativos de gás e energia hidrelétrica da espanhola Viesgo.
A Shell também expandiu seus negócios de gás após a aquisição do BG por US$ 50 bilhões. Comprou a fornecedora de energia elétrica britânica First Utility, em fevereiro, o que lhe deu pela primeira vez acesso direto a consumidores de eletricidade no varejo, e a New Motion, uma das maiores empresas de carregamento de veículos elétricos na Europa.
Maarten Wetselaar, chefe de integração de gás e novas energias na Shell, disse que a passagem dos carros para a alimentação elétrica vai “sustentar” a transição energética. No caso da Shell, o gás não apenas vai substituir o carvão e se tornar mais dominante na geração de eletricidade, também vai servir para oferecer um sistema de reserva para fontes renováveis em dias nublados ou sem vento. Como a proporção do uso de eletricidade no consumo total de energia vem aumentando, Wetselaar diz que a Shell vai precisar “ter papel nisso” se quiser continuar sendo grande.
Alguns acionistas têm apoiado esse novo foco na transição energética. Temem que os gastos em projetos petrolíferos de longo prazo possam se revelar deficitários e mostram preocupação com o impacto do setor nas emissões de gases causadores do efeito estufa e no aquecimento mundial.
Grupos europeus como Total, Shell, Equinor, BP e Eni têm promovido mais investimentos em ativos de baixas emissões de gás carbônico do que os rivais americanos, chineses e russos, segundo estudo do grupo ambiental CDP. Entre 24 empresas avaliadas, as grandes petrolíferas europeias estão entre as mais bem preparadas para a transição a uma economia de baixas emissões de carbono.
Ainda não está claro, porém, qual o melhor caminho para o sucesso. Alguns investidores querem que as petrolíferas administrem o declínio dos negócios concentrando-se mais em gerar caixa do que em investir em eletricidade.
“Encontrar, desenvolver, produzir e transportar moléculas de hidrocarboneto é um negócio fundamentalmente diferente de gerar e transmitir elétrons”, disse Nick Stansbury, chefe da área de análise de commodities na administradora de recursos Legal & General Investment Management.
“Será que a indústria de gás e petróleo precisa se transformar em algo que se pareça mais claramente a uma concessionária para deixar seus negócios protegidos para o futuro? [A] resposta provavelmente é ‘não’”.
A mudança, de qualquer forma, está em andamento. Embora a Total tenha se dito “alérgica” à palavra concessionária de eletricidade, está desenvolvendo um negócio de varejo de energia elétrica na França. Comprou a empresa americana de energia solar SunPower, a fornecedora de energia Lampiris, a especialista em baterias Saft e participação no grupo de fontes renováveis de energia Eren. Neste ano, adquiriu a varejista francesa de eletricidade Direct Energie, por 1,4 bilhão de euros. As transações lhe permitiram montar uma carteira de usinas alimentadas a gás e a fontes renováveis.
Uma vez que a geração de energia elétrica no mundo vem mudando “rapidamente” rumo a um mercado mais competitivo, Philippe Sauquet, chefe da área de gás, fontes renováveis e energia elétrica na Total, diz que a empresa vai ser beneficiada. “Não temos vantagens nem ativos ultrapassados nesse campo. Podemos ser mais eficientes. Podemos oferecer melhores preços”.
Diferentemente das concessionárias tradicionais de energia que tem uma única faceta de relacionamento com os consumidores, como fornecedoras de eletricidade, Sauquet acredita que as grandes petrolíferas querem múltiplas interações. “Apesar de que os elétrons deveriam ser vistos como uma nova commodity, a forma como você os fornece não deveria”, disse Sauquet.
“Podemos fazer mais dinheiro com serviços de valor agregado, desde medidores inteligentes para monitorar o consumo e contas mais baixas até carregadores de veículos elétricos”.
Alguns analistas do setor, contudo, dizem que há grandes diferenças entre entrar em um negócio adjacente, como instalar pontos de carregamento de veículos elétricos em redes existentes postos de gasolina, e entrar em áreas nas quais não são grandes concorrentes, como geração de eletricidade.
A gigante da energia eólica dinamarquesa Orsted ou a espanhola Iberdrola podem estar muito mais aptas para criar projetos de energia limpa do que as petrolíferas. Por sua vez, analisar dados sobre como e quando os consumidores usam a eletricidade é um domínio que pende muito mais para o lado de grupos de tecnologia como Google ou Microsoft.
Descobrir como vender eletricidade de forma lucrativa é um ponto crucial, particularmente em vista do histórico do setor, que perdeu bilhões de dólares na sua primeira transição para energias renováveis. A BP teve que empreender demorada retirada após uma grande iniciativa na produção de módulos de energia solar nos anos 2000, quando seguiu o lema “Além do Petróleo”. (Financial Times 21/11/2018)
 

Francesa Total compra Zema Petróleo, com 280 postos

Há muitos anos com os mesmos grandes grupos na liderança, o mercado de distribuição de combustíveis no Brasil passa por um chacoalhão em 2018 com a chegada de novos competidores internacionais de peso. Foram três grandes negócios neste ano atraindo ao país as tradings Glencore e Vitol e a petroleira CNPC. Agora é a vez da gigante francesa Total. O grupo de petróleo, que tem receita anual de US$ 140 bilhões e é avaliado em US$ 150 bilhões na Bolsa de Nova York, fechou a compra da Zema Petróleo, depois de muito namorar esse segmento no Brasil.
Com planos de longo prazo para o país, a Total escolheu como porta de entrada a companhia fundada pela família do governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema, do Partido Novo. A empresa tem receita anual da ordem de R$ 2,5 bilhões, atende a uma rede com 280 postos e possui uma fatia de mercado de pouco menos de 1%.
A Zema Petróleo tem bases de distribuição em Barra do Garça e Cuiabá (MT), Uberlândia, Uberaba e Betim (MG), em Paulínia, Bauru, São José dos Campos e Ribeirão Preto (SP), em Senador Canedo (GO) em Duque de Caxias (RJ) e em Brasília. Conforme o Valor apurou, 60% do volume vendido pela distribuidora é destinado aos postos que até então levam o sobrenome do novo governador e que devem, a partir da operação, adotar a marca da Total. Os demais 40% comercializados atendem unidades classificadas como "bandeira branca", que não possuem contratos de exclusividade para abastecimento e nem usam a marca de nenhuma grande distribuidora.
Companhia de distribuição fundada pela família Zema tem 280 postos e receita anual de R$ 2,5 bilhões
O valor de compra da Zema Petróleo não foi informado. Segundo analistas do setor, as transações no segmento de distribuição costumam variar entre um múltiplo de 7 vezes e 8,5 vezes o Ebitda anual (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). No caso em questão, significa um intervalo de R$ 390 milhões a R$ 500 milhões para a aquisição.
Com operações verticalizadas na cadeia do petróleo mundo afora, a Total atua em exploração de petróleo no Brasil, com 20% do consórcio do campo de Libra e mais cinco blocos no Foz do Amazonas, além de ter uma pequena operação de lubrificantes.
Essa não é a primeira investida do grupo aqui no ramo de distribuição. Entre o fim de 2013 e o começo de 2014, a francesa negociou a compra da rede Alesat, mas sem alcançar um acordo.
Desde que a Petrobras adotou a nova política de preços para combustíveis em outubro de 2016 e passou acompanhar o mercado internacional, o setor de distribuição têm sentido as consequências.
A nova prática comercial da Petrobras, que tem 100% a capacidade de refino do país, abriu espaço para a importação, que disparou em 2017, e trouxe uma volatilidade até então desconhecida para os distribuidores acostumados a atuar no Brasil. A novidade impactou até mesmo os grandes grupos. Alguns souberam aproveitar as mudanças para conquistar mercado, enquanto outros perderam rentabilidade.
A paridade com o mercado externo despertou atenção de grupos internacionais para os ativos brasileiros. A suíça Glencore comprou a Alesat e a holandesa Vitol adquiriu 50% da Rodoil, ambas grandes tradings de commodities. Em março, a gigante chinesa CNPC colocou pé nesse segmento ao assumir 30% da TT Work, que reúne uma distribuidora (Petronac), uma importadora de derivados (AtlantImport) e terminais (Tecomb).
O acordo final entre a Total e o grupo Zema foi assinado no dia 15 de novembro, em São Paulo, no escritório da butique de negócios Estáter, que representou o grupo francês junto com o escritório Vella Pugliesi Buosi Guidoni Advogados. Mas foi só ontem que os funcionários da empresa mineira e os revendedores tomaram conhecimento da operação, com a chegada dos executivos franceses para as formalidades em solo mineiro.
Após a Estáter mapear diversos alvos potenciais desde o começo deste ano, a Total fez em junho a primeira aproximação com o grupo Zema. Assessorado pelo banco ABC Brasil e pelo Tozzini Freire Advogados, com o interesse da petroleira francesa, a família mineira decidiu iniciar um processo competitivo pelo negócio, mas que não chegou a avançar devido ao recebimento da proposta firme da Total.
A expectativa no mercado de distribuição é que a Total, a partir dessa transação, buscará consolidar uma posição relevante. Há diversos anos, as líderes BR Distribuidora (Petrobras), Raízen (sociedade entre Cosan e Shell) e Ipiranga (grupo Ultrapar) oscilam entre 20% e quase 25% da distribuição cada. Já em número de postos, os dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam que quase 45% das unidades em operação no país são bandeira branca.
A empresa de combustíveis era o maior negócio da família Zema, que atua em diversos setores. Em 2017, o faturamento total do grupo Zema foi de R$ 4,4 bilhões e, neste ano, deve chegar a R$ 5 bilhões. A segunda maior empresa é a rede de varejo Zema Eletro, com 430 lojas em seis Estados e R$ 1,3 bilhão em receita. O grupo possui ainda uma financeira e revenda de automóveis.
O governador eleito de Minas Gerais, que até então nunca havia sequer disputado um cargo público, foi quem esteve à frente da gestão dos negócios até janeiro de 2017. Desde então, o presidente é Cézar Donizete Chaves, que está na companhia da família há 40 anos.
O grupo - baseado na cidade de Araxá, no leste de Minas - começou com o avô de Romeu Zema e hoje pertence a ele e seus dois irmãos. Levando em conta todas as unidades de negócios antes da transação, o grupo tem mais de 800 pontos de vendas. (Valor Econômico 22/11/2018)
 

Produção global de açúcar deve cair, mas consumo tende a aumentar, diz USDA

O governo dos Estados Unidos projetou na terça-feira que a produção mundial de açúcar cairá cerca de 9 milhões de toneladas na safra 2018/19, para 185,9 milhões de toneladas, enquanto o consumo global atingirá um recorde.
Em seu relatório bianual, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) disse que o declínio na produção global se deve principalmente ao Brasil, onde os rendimentos foram menores e uma parcela crescente de cana está sendo destinada para a produção de etanol.
A produção brasileira deve cair 8,3 milhões de toneladas, para 30,1 milhões de toneladas, segundo o relatório.
A produção indiana, por sua vez, deve subir 1,8 milhão de toneladas, para um recorde de 35,9 milhões, já que uma parcela maior de terras é dedicada ao cultivo de cana.
Esta é a primeira vez em mais de 15 anos que a produção indiana superará a do Brasil, segundo o relatório.
A maior produção indiana deve impulsionar um aumento nos estoques globais, que tendem a subir para um recorde de 53 milhões de toneladas, mesmo com o aumento do consumo.
O consumo global deverá subir para 176,8 milhões de toneladas, ante 174 milhões de toneladas em 2017/18. Isso representa uma ligeira revisão para baixo frente o relatório de maio, quando o consumo estava previsto em 177,6 milhões de toneladas. (Reuters 22/11/2018)
 

Venda direta de combustível volta a ser debatida pelo setor

Para associações do etanol, estudo da Fazenda não implica liberação de comercialização.
Entidades empresariais ligadas à produção, distribuição e venda de etanol que se opõem à venda direta para postos consideram que o Ministério da Fazenda será contrário à medida.
A ANP (agência nacional do petróleo e combustíveis) realizou, em agosto, discussões sobre novas regras para a comercialização.
A liberação da venda direta sem mudanças na tributação poderá gerar distorções no mercado de etanol hidratado, segundo nota da Fazenda. Um grupo de três secretarias fará um relatório com proposições para a questão.
“A ideia é só discutir a venda direta, mas não necessariamente aprová-la”, diz Elizabeth Farina, diretora-presidente da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
A entidade é contrária à mudança, pois considera que as usinas herdarão impostos pagos por distribuidoras.
Já há sonegação nos postos, o que coloca os que estão em dia com o fisco em desvantagem. Isso seria ampliado com uma alteração da regra, diz Paulo Miranda, da Fecombustíveis (de postos).
“A Fazenda está preocupada com o PIS/Cofins. Ela resolverá isso se tributar na fonte, mas, sem distribuidoras, talvez o país inteiro não possa ser abastecido”.
A Plural (entidade dos distribuidores) considera que a pasta vai estudar o tema de forma técnica, e diz, em nota, apoiar o grupo de trabalho.
Para a Feplana (federação dos plantadores de cana), a venda derrubaria preços. “Postos já procuram as usinas para compra, na expectativa da aprovação”, diz o diretor-técnico José Severo. (Folha de São Paulo 22/11/2018)
 

Principais produtos agrícolas perdem receitas em 2019; maior redução fica para a cana

Cana-de-açúcar terá queda de 12,5%, aponta Ministério da Agricultura.
Os produtos agrícolas brasileiros líderes em receitas não vão repetir, em 2019, o bom comportamento deste ano. Com isso, o valor total da produção das lavouras do país deverá cair.
Soja, cana-de-açúcar, milho e algodão devem somar receitas de R$ 275 bilhões dentro da porteira no próximo ano, 72% de todo o Valor Bruto de Produção das lavouras brasileiras do período.
Os dados são do Ministério da Agricultura, que acompanha o desenvolvimento de 17 produtos agrícolas. Se confirmado, o valor de 2019 desses quatro itens ficará 5% inferior ao previsto para 2018.
Os produtores perdem receitas mesmo com aumento da produção. A queda se deve à previsão de preços menores para as negociações de 2019.
O ano de 2018 registrou elevação na produção e aumento nos preços para dos principais produtos agrícolas. O aumento de produção continuará no próximo ano, até com novos recordes, mas os preços devem perder força.
A Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê safra estável de soja, mas aumento nas de milho e de algodão. Este último, apesar da produção maior, poderá ter redução de 7% nas receitas.
A maior queda entre os quatro principais produtos agrícolas será a da cana-de-açúcar, cujo recuo está previsto em 12,5% em 2019, conforme dados de José Gasques, responsável pelo acompanhamento do Ministério da Agricultura.
Os 17 produtos que constam na lista do ministério deverão somar R$ 384 bilhões no próximo ano, 2% menos do que neste.
Para Gasques, a pecuária mantém a receita total do campo no azul em 2019. O setor, que engloba as carnes bovina, suína e de frango, além de leite e de ovos, deverá atingir um Valor Bruto de Produção de R$ 200 bilhões, 8% mais do que o deste ano.

Com isso, o valor total da produção brasileira, incluindo lavoura e pecuária, sobe para R$ 585 bilhões em 2019, 1% mais do que a deste ano, apontam dados do Ministério da Agricultura. (Folha de São Paulo 22/11/2018)