Setor sucroenergético

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Grãos avançam sobre áreas de canaviais no Centro-Oeste de SP

Cana-de-açúcar continua forte na região de Jaú, mas cresce concorrência com soja e milho.

O milho já foi colhido e agora é a vez de plantar a soja, na palhada mesmo. As sementes vão ocupar os 350 hectares da fazenda de José Sampaio Góes, em Jaú (SP). O investimento nos grãos representa uma mudança na propriedade. Por mais de 50 anos, só se via cana-de-açúcar no local. José conta que partir para o plantio de cereais não foi uma decisão fácil.

A substituição começou em 2007, quando teve que passar do corte manual para o uso de colheitadeiras nos canaviais. Ele diz que foi nesse momento que percebeu que a estrutura de mecanização voltada para os cereais sairia mais em conta. A partir daí, a área de cana foi diminuindo.

A aposta nos grãos vem mudando um pouco a paisagem. Segundo o Sindicato Rural do município, a região de Jaú, antes dominada por lavouras de cana-de-açúcar e café, tem passado por uma grande transformação. Para se ter uma ideia, de cinco anos para cá, a área plantada de milho e soja subiu de mil para 12 mil hectares.

Mesmo com esse avanço dos grãos, a cana-de-açúcar continua tendo uma forte presença na área cultivada. Ela responde por quase 80% da produção agrícola da região. Mas a diversificação vem sendo intensificada.

Uma cooperativa que atua na região investiu R$ 6 milhões na construção de um conjunto de silos. Juntos, eles podem armazenar 220 mil sacas de grãos. Carlos de Eduardo Nabuco de Araújo, que preside a cooperativa, prevê que o investimento nos cereais vai trazer maior renda para os produtores.

Na fazenda de Luís Antonio Marques de Oliveira, 84 hectares foram plantados com soja. Ele também deixou a cana-de-açúcar e foi para os cereais. Luís prevê colher 74 sacas por hectare e quase tudo já está vendido e vai para o silo da cooperativa. (G1 26/11/2018)

 

A nova modalidade de gestão na produção de cana-de-açúcar

O consórcio de produtores rurais constitui-se em um modelo organizacional que atende todas as etapas da produção agrícola

Os produtores de cana de açúcar passam por um momento de dificuldade financeira e os considerados pequenos e/ou médios produtores estão perdendo competitividade devido à falta de escala na produtividade. Uma oportunidade seria os mesmos agruparem-se através de um consórcio rural, como uma nova perspectiva de inovação.

O consórcio de produtores rurais constitui-se em um modelo organizacional que atende todas as etapas da produção agrícola, com o propósito de garantir segurança jurídica e comercial dos projetos e investimentos compartilhados no cultivo da cana de açúcar, do produtor rural e/ou da indústria.

Estamos falando da formação de grupos de fornecedores de cana por região, que pode agregar todas as formas de contrato Agrário, modulando as etapas da produção agrícola de forma legal e positiva com a redução de custos e projetando impacto positivo no setor rural e junto a sociedade.

Dentre as prerrogativas de se preservar a condição econômica de produtor rural, temos o agrupamento de profissionais ligados, diretamente, no desenvolvimento das atividades agrícolas, com o custeio e a realização de todas as etapas de produção de forma compartilhada em terras próprias, arrendadas e/ou em parceria com o seguimento industrial, utilizando a mão-de-obra contratada pelo consórcio, inclusive implementos e máquinas viabilizando a produção em uma regiãoe até mesmo uma unidade industrial.

No próximo texto será abordado questões tributárias e as vantagens em comparação com as formas de terceirização existentes. Nos colocamos a disposição para maiores informações sobre a Organização, Gestão e Operação desta nova modalidade no desenvolvimento da atividade agrícola. (Cana Online 26/11/2018)

 

Biometano da vinhaça pode suprir parte da demanda por gás natural em São Paulo

Substituição dos combustíveis fósseis por biometano reduziria emissões de gases de efeito estufa do Estado.

Em estudo publicado recentemente no Journal of Cleaner Production, pesquisadores do Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), que fica sediado na Escola Politécnica (Poli) da USP, revelaram os resultados de uma investigação sobre tecnologias de processos de purificação para remoção de contaminantes do biogás.

Eles criaram um modelo para avaliar o rendimento do processo de limpeza do gás e estimaram que, na conta “líquida” (ou seja, após a remoção de contaminantes), poderiam ser produzidos 1,975 bilhões de Nm³/ano de biometano a partir da vinhaça da cana-de-açúcar em São Paulo, suprindo 16,6% do consumo de gás natural de todo o Estado.

Além disso, a substituição do gás natural e do óleo diesel nas usinas de açúcar e álcool poderia evitar o lançamento de 3,965 milhões de toneladas de gases de efeito estufa na atmosfera, o que equivale a 5,48% das emissões do Estado.

Liderado pela professora Suani Coelho, que coordena um dos quase 50 projetos do RCGI, o grupo analisou as principais tecnologias de purificação utilizadas para retirada de contaminantes do biogás, tais como sulfeto de hidrogênio e dióxido de carbono. São elas: lavagem com água, lavagem com amina, absorção física, PSA (pressure swing adsorption), separação com membranas e separação criogênica (na qual se coloca a mistura gasosa em temperaturas criogênicas para liquefação do dióxido de carbono, que ocorre antes da liquefação do metano, e assim se consegue separar um do outro). As duas últimas são tecnologias extremamente atuais.

“Há um número grande de tecnologias disponíveis para realizar estes processos, o que pode ser uma barreira para desenvolvedores de políticas e planejadores energéticos estimarem rapidamente, com poucas incertezas e precisão satisfatória, potenciais de biometano levando em conta normas e padrões estabelecidos por órgãos reguladores”, explica Caio Joppert, o primeiro autor do estudo.

Segundo ele, a ideia foi facilitar o trabalho dos tomadores de decisão e planejadores, criando um modelo que conseguisse estimar quanto gás estará disponível para uso depois da limpeza (em termos de volume) e qual é o conteúdo energético desse combustível.

“Esses parâmetros podem variar consideravelmente de acordo com a tecnologia utilizada, pois cada tecnologia é como se fosse uma caixinha-preta, por assim dizer. O que sabemos é que nunca haverá purificação total do metano de outros gases e vapores que compõem o biogás. E é comum que haja uma perda de metano nesses processos de separação”.

Joppert, que é engenheiro químico e cursa o mestrado no Instituto de Energia e Ambiente da USP (IEE/USP), afirma que os parâmetros de perda de metano são muito bem fundamentados na literatura. “Esse parâmetro de perda influencia a quantidade de gás no final do processo de separação e o teor de metano que esse gás terá. Isso é algo que acaba não sendo levado em conta pelos planejadores energéticos e desenvolvedores de políticas públicas”, alerta.

De acordo com ele, o Brasil está estipulando agora as normas para injeção de biometano na rede. “Seria um momento oportuno para apresentar a metodologia aos tomadores de decisão e planejadores, algo que o grupo pretende fazer”. (Jornal da USP 26/11/2018)

 

Preço da gasolina cai 1,3%, mas margens dos postos continua em alta, diz ANP

Petrobras anunciou nesta segunda nova redução no preço do combustível em suas refinarias.

O preço médio da gasolina nos postos brasileiros caiu 1,3% na semana passada, para R$ 4,554 por litro. A margem dos revendedores, porém, permaneceu em alta, segundo pesquisa feita pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis).

Em um mês, o preço da gasolina tem queda acumulada de 3,3% nas bombas, acompanhando os cortes promovidos pela Petrobras no valor de venda do produto em suas refinarias, que já chegam a 19% em novembro.

Margens de revenda e o modelo de cobrança dos impostos estaduais, no entanto, vêm segurando os repasses. Na semana passada, a fatia do preço que fica com os postos chegou a R$ 0,580 por litro, 7% a mais do que na semana anterior.

Com a queda das cotações internacionais, a Petrobras anunciou nesta segunda (26) o 17º corte consecutivo no preço de venda da gasolina em suas refinarias, que nesta terça (27) será de R$ 1,5007 por litro, o menor desde outubro de 2017, em valores corrigidos pela inflação.

Desde que o ciclo de quedas foi iniciado, o preço da gasolina nas refinarias caiu 34%. As distribuidoras de combustíveis, que compram gasolina da Petrobras, misturam ao etanol e revendem aos postos, repassaram queda de 6,9%. Nas bombas, a redução no mesmo período foi de apenas 3%.

Os postos alegam que a queda dos preços ao consumidor depende também da velocidade de repasse pelas distribuidoras. Para especialistas, os empresários podem estar recuperando margens, que ficaram pressionadas durante o período de preços altos.

DIESEL

De acordo com a ANP, o preço médio do diesel ficou praticamente estável na semana passada, com queda de apenas 0,4%, para R$ 3,650 por litro. O valor é 1,8% inferior ao praticado no final de outubro, quando a ANP autorizou corte de 10% no preço de refinaria.

Desde o início do programa de subvenção federal, em junho, o preço de venda do óleo diesel por produtores e importadores é tabelado. Na fase atual do programa, o valor é revisto a cada 30 dias, de acordo com a variação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio.

A próxima revisão será na quinta (29) e, se mantido o cenário atual, há espaço para corte superior a 10%. A área energética defende, porém, que o governo aproveite o momento para reduzir o valor do subsídio, para evitar repique de preços após o fim do programa de subvenção. (Folha de São Paulo 26/11/2018 às 19h: 22m)

 

Brasil assina acordo para reduzir 144 mil toneladas de açúcar dos alimentos

“Estamos gradativamente melhorando a saúde da nossa população”, diz o ministro da Saúde, Gilberto Occhi.

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (26) que o Brasil assinou um acordo para a redução de 144 mil toneladas de açúcar de alimentos industrializados no país até 2022. São 68 empresas envolvidas no acordo e 1147 produtos precisam reduzir açúcares.

O país será um dos primeiros países do mundo a fazer um acordo do tipo com a indústria de alimentos e bebidas. Segundo o ministério, o acordo segue o mesmo modelo do feito para redução do Sódio, que diminuiu mais de 17 mil toneladas de sódio dos alimentos processados em quatro anos.

Segundo dados mostrados no evento, a Organização Mundial de Saúde (OMS) sugere um consumo de açúcar de até 50g por dia, ou seja, 10% das calorias consumidas diariamente seria o ideal. O brasileiro consome 50% a mais que a meta da OMS: 80 gramas por dia, sendo que 36% são os açúcares já presentes nos alimentos industrializados.

A indústria terá algumas metas de redução, especialmente as que adicionam açúcar mais que a média. São 48% acima da média preconizada pela OMS. Por exemplo, a meta é uma redução de 62% dos açúcares presentes nos biscoitos.

O Ministério da Saúde divulgará tabelas específicas de redução de açúcares para cada seguimento alimentício.

Durante coletiva de imprensa, Gilberto Occhi, Ministro da Saúde, falou sobre o acordo: "Este acordo tem um prazo de validade, em uma busca permanente dos melhores indicadores, mas acredito que valerá sempre. Este é um grande segundo evento, o primeiro foi feito há alguns anos com a redução do sódio e temos tido muito sucesso com esta redução. Ela é gradual, como é com o açúcar e como será com teores de gordura. Avançaremos também com a questão da rotulagem dos alimentos processado para que o cidadão possa fazer sua escolha com um pouco mais de informação e consciência".

Sobre a meta de reduzir em até 144 mil toneladas, Occhi declarou: "É um número significativo na busca da conscientização da nossa população. Para que tenhamos menos problemas de doenças que podem ser evitadas na nossa sociedade, como a diabetes e a hipertensão".

Redução sem substituição

O Ministério da Saúde e a Anvisa, durante os debates para a formulação do acordo, assinalaram a importância de que não haja uma substituição do açúcar por adoçantes ou gordura nos alimentos. O acordo brasileiro prevê que a indústria siga esta regra.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) será a responsável por monitorar a redução e fará a fiscalização a cada dois anos. A primeira análise será realizada no final de 2020.

Para estabelecer as metas previstas no acordo, o Ministério da Saúde analisou critérios que envolvem desde o consumo e distribuição dos teores de açúcar dos alimentos até a necessidade de redução dos níveis máximos do alimento.

"Estamos começando um processo de redução, é gradativo nos próximos 4 anos. Não será dividido linearmente. Dentro daquilo que a OMS recomenda sempre que o cidadão tenha uma informação. Gradativamente, com o nível da redução de açúcar destes alimentos, eles vão se tornando mais saudáveis", disse Occhi.

O Ministério da Saúde também alerta que fora os açúcares dos alimentos industrializados, a população também adiciona açúcar aos alimentos consumidos e que a redução ao consumo do açúcar também passa por uma mudança de hábitos.

A indústria não antecipa impactos negativos na arrecadação, já que o acordo prevê tempo para transição e, segundo os representantes das indústrias presentes, "atende também uma demanda da população".

Fazem parte do acordo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), a Associação Brasileira das Indústrias d Refrigerantes e Bebidas Não Alcoólicas (Abir), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (Abimapi) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos). (G1 26/11/2018)

 

Estados nordestinos incentivam produção de açúcar e etanol

No Nordeste, unidades da federação investem em políticas para retomar produção local de açúcar e etanol.

A política de incentivos fiscais é o que garante a competitividade entre os estados quanto a produção de bens e serviços, porque é um fator significativo para que as indústrias escolham onde irão se instalar. No Brasil, na última semana, os estados da Bahia e de Alagoas adotaram essa política para fomentar a economia local.

Em ambos, o objetivo era atrair indústrias do setor sucroenergético, ou seja, de produção de açúcar e etanol, que é carro chefe do Nordeste, onde se situam. A intenção é de que os estados se tornem autossuficientes nesse ramo. Na Bahia, pretende-se alcançar a completa autossuficiência em até cinco anos.

Lá, isso está sendo feito por meio da redução, durante 15 anos, de 30 a 40% do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). De acordo com o vice-governador João Leão (PP), atualmente o açúcar é mais caro na Bahia, porque o estado é responsável pela produção de apenas 9,7% do álcool consumido e 7,3% do açúcar.

Segundo ele, com o anúncio, duas empresas já manifestaram interesse pelo estado: Grupo Paranhos e Pedro Leite. O vice-governador baiano destacou, ainda, medidas como implantação de asfalto e energia na região para viabilizar a produção. “Temos uma região excepcional para o plantio e para a instalação das usinas”, completou.

Fechar anúncio

Em Alagoas, a administração estadual toma medidas semelhantes. Açúcar e etanol eram os carros chefes da indústria local e isso foi se perdendo devido às fracas políticas de incentivos fiscais, que provocaram aumento de impostos e consequente perda de Alagoas para outros estados do Nordeste, que ofereciam condições mais favoráveis às indústrias.

O governo do estado alagoano emitiu um decreto que garante um regime especial de redução de impostos sobre a produção de açúcar e etanol. Com a aprovação pelo Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado (CONEDES), já se prevê que as atividades comecem ainda em novembro.

Por meio dessa medida, os empresários do segmento no estado garantem uma concessão de crédito de 12% sobre o valor da operação na saída interna ou interestadual de álcool etílico. Já em relação ao açúcar, prevê-se 6% na operação de saída para o exterior, 7% na saída interna e 9%, na interestadual.

De acordo com o Conedes, até 2010 a produção no setor sucroenergético era de 25 milhões e foi reduzida para 13 milhões entre 2017 e 2018. Com as novas medidas, o secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) e presidente do Conedes diz que Alagoas deve gerar mais empregos, o estado voltará a ter vantagem competitiva no segmento e retomará a pujança que tinha na produção no passado. (R7 26/11/2018)