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Despenca a produção de açúcar em usinas do centro-sul do país

Mais rentável, fabricação de etanol tem sido a principal opção de usineiros neste ano.

A produção de açúcar na safra 2018/19 caiu ainda mais em novembro no centro-sul do país. É o que mostra relatório divulgado nesta terça-feira (27) pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

Desde o início da safra de cana, em abril, foram produzidas 25,23 milhões de toneladas de açúcar, o que representa queda de 26,82% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A redução na produção tem se acentuado conforme a safra avançou. Só na primeira quinzena de novembro, a fabricação apresentou queda de 29,88% em relação à mesma quinzena do ano passado.

Por outro lado, a produção de etanol pelas indústrias canavieiras cresceu 19,44% na safra deste ano e já alcançou 28,34 bilhões de litros fabricados.

A maioria das usinas do centro-sul brasileiro tem plantas industriais com capacidade de fabricar etanol e açúcar, e a definição do total de cana que vai para cada um dos produtos depende muito do cenário econômico no momento.

Como o etanol nesta safra tem sido mais rentável para as usinas do que o açúcar, elas têm optado pela produção do combustível.

A maior parte do etanol produzido é do tipo hidratado, que pode ser utilizado diretamente no abastecimento dos veículos flex nos postos. Dos 28,34 bilhões de litros, 19,58 bilhões eram do hidratado, ante 8,76 bilhões de anidro, que é misturado à gasolina antes da comercialização.

De cada 1 tonelada de cana moída pelas usinas, 641,9 quilos têm sido destinados à produção do combustível, ante os 358,1 quilos enviados para a fabricação de açúcar.

O cenário de novembro mostra bem esse cenário: enquanto na primeira quinzena do mês em 2017 57,62% da cana virava etanol, no mesmo período deste ano o índice subiu para 65,97%.

Conforme a Unica, foram processadas 529,65 milhões de toneladas de cana na atual safra, 4,55% menos que no mesmo período do ano passado. A queda, que deve se intensificar, é decorrente de problemas climáticos. (Folha de São Paulo 27/11/2018 às 16h: 00m)

 

Açúcar: Em baixa em NY

Os preços do açúcar recuaram ontem na bolsa de Nova York para o menor patamar em quase oito semanas, revertendo boa parte dos ganhos acumulados em outubro.

Ontem, os lotes do açúcar demerara para maio caíram 15 pontos, a 12,46 centavos de dólar a libra-peso.

O mercado não tem conseguido se sustentar em patamares muito elevados, já que a oferta global segue robusta.

Além disso, circulam notícias de que a China acertou acordo para comprar 50 mil toneladas de açúcar da Índia, o que pode prejudicar as exportações de outras origens, como Austrália, importante fornecedora à Ásia, e o Brasil, maior exportador mundial.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 68,93 a saca de 50 quilos, queda de 0,32%. (Valor Econômico 28/11/2018)

 

O setor apresenta baixa renovação dos canaviais

Canaviais envelhecidos e com falhas são obstáculos para a alta produtividade.

Os canaviais brasileiros nunca estiveram tão velhos. Dados dos principais institutos de melhoramento genético do Brasil apontam que o estágio médio de corte nos estados do Centro-Sul este ano é o maior desde 1986, atingindo uma média de 3,9 anos. O ideal seria que esse valor figurasse, no máximo, em 3,5. O último ano abaixo desse número foi em 2015.

Esse envelhecimento dos canaviais é fruto de um setor ainda em crise, cujas dificuldades financeiras impedem o aumento das taxas anuais de plantio, processo entre os mais caros de todo o sistema produtivo da cana-de-açúcar. Por conta disso, raramente mais do que 12% das áreas foram reformadas pelas usinas nos últimos anos, valor muito aquém do ideal.

Com um número cada vez maior de unidades encerrando suas moagens neste final de ano, as atenções começam a ser voltadas para o próximo plantio. O desafio será tentar reverter esse cenário, já que existe uma relação direta entre o estágio médio de corte com o aumento de produtividade. Canaviais mais velhos implicam diretamente em menos Toneladas de Cana por Hectare (TCH). Pesquisas apontam que, a cada rebrota da soqueira, o potencial produtivo poderá ser até 8.5 TCH inferior.

O coordenador do Censo Varietal do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Rubens Leite do Canto Braga Jr., afirma que o segmento vem, constantemente, atingindo recordes negativos de renovação. Segundo ele, nas últimas safras plantou-se menos do que o necessário. O resultado é que os primeiros cortes estão abaixo da média histórica e os mais avançados, acima. “Esse fato impede a manutenção da produtividade em altos patamares. Numa média de 10 safras, quando comparamos do primeiro para o quinto corte, há uma diferença de 27 TCH. Isso mostra o quanto o plantio influência nos ganhos, ou perdas, de produção”. (Cana Online 27/11/2018)

 

Resolução do RenovaBio prevê mudança em cálculo de ‘pegada de carbono'

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) publicou hoje no Diário Oficial da União (DOU) a regulamentação da certificação dos biocombustíveis para participação no programa RenovaBio, em que prevê ainda mais mudanças na forma de calcular a “pegada de carbono” dos produtores.

A norma (resolução 758) prevê que os agentes interessados no programa poderão propor mudanças nos parâmetros de cálculo da intensidade de carbono, medida que servirá de parâmetro para a atribuição da quantidade de Certificados de Descarbonização (CBios) que cada produtor de biocombustível poderá vender.

Um grupo técnico formado por membros do Ministério de Minas e Energia e representantes do setor privado já elaboraram uma calculadora, a RenovaCalc. O modelo, disponível no site da ANP, atribui uma nota de eficiência energética (de intensidade de carbono) conforme dados do processo de produção do biocombustível que são inseridos na calculadora. As propostas deverão ser avaliadas por esse grupo técnico.

Não foi incluído neste modelo o impacto de mudanças diretas ou indiretas do uso da terra sobre as emissões de carbono. Em contrapartida, a regulamentação veta a participação de biomassas de áreas onde houve desmatamento de vegetação nativa, mesmo que em conformidade com a legislação ambiental.

Segundo a norma, só poderá participar do RenovaBio o biocombustível oriundo de área onde não tenha ocorrido desmatamento de vegetação nativa a partir de hoje (27 de novembro), data da publicação da regulamentação. Desmatamentos ocorridos entre a promulgação da lei do RenovaBio (dezembro de 2017) e hoje deverão ter ocorrido segundo as normas ambientais vigentes.

Será permitida, porém, a participação de biomassas oriundas de áreas onde eventualmente tenha ocorrido o corte de árvore isolada, desde que de acordo com a legislação.

Além disso, os produtores podem não incluir uma parcela da biomassa no processo de certificação.

Ainda de acordo com a resolução, os produtores terão que ter Cadastro Ambiental Rural (CAR) ativo ou pendente. Os produtores também terão que atender ao zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar (no caso do etanol produzido da cana) e ao zoneamento agroecológico para a cultura da palma de óleo (no caso do biodiesel da palma), a não ser que já tenham ocupado a área atual antes do início da vigência dos zoneamentos.

Para os biocombustíveis importados, a exigência é que os produtores tenham atendido à legislação ambiental vigente no país de origem. (Valor Econômico 27/11/2018 às 13h: 18m)

 

Após sobretaxar o Brasil, China poderá ampliar as compras de açúcar da Índia

Um plano da China de comprar açúcar da Índia, depois de ter restringido a entrada do produto brasileiro sob pretexto de defender a cadeia local, poderá, se for efetivado, ser interpretado como uma afronta de Pequim a Brasília. Diplomaticamente delicado, o contexto envolve três dos quatro sócios do Brics, apenas a Rússia está fora, e tende a ter impacto no mercado mundial da commodity.

O Brasil recentemente denunciou a China na Organização Mundial do Comércio (OMC) em consequência de barreiras ao açúcar, e avalia se adota o mesmo procedimento contra a India em razão de subsídios ilegais concedidos por Nova Déli. No caso chinês, o problema é que no ano passado Pequim impôs salvaguarda por três anos na importação de açucar, sob a alegação de que precisava proteger seus produtores diante do crescente incremento das importações.

A salvaguarda chinesa inclui uma sobretaxa a volumes que ultrapassem a cota de 1,945 milhão de toneladas. Para os primeiros 12 meses, a tarifa foi fixada em 95%, e deverá diminuir para 90% no segundo ano e para 85% no terceiro - mas há o risco de a medida ser estendida por mais três anos. Até a salvaguarda, a tarifa de importação fora da cota era de 50%.

Até então, o Brasil, o país mais prejudicado pela restrição, era o principal exportador de açúcar para a China. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), na safra 2016/2017 os chineses compraram mais de 2,1 milhões de toneladas de açúcar brasileiro. em 2017/18, já com a salvaguarda em vigor, as compras degringolaram e somaram apenas 115 mil toneladas, em meio à desconfiança de que o contrabando cresceu.

No próximo mês de dezembro, Brasil e China terão consultas no âmbito da OMC, primeira etapa depois que Brasília acionou o mecanismo de disputa contra os chineses alegando que as investigações sobre as importações violaram regras internacionais e que a restrição do país asiático não poderia ter sido aplicada.

Mas a dimensão do contencioso poderá crescer com o anúncio, pelo Ministério do Comércio da India, de que o país fez um pré-acordo com a China para vender açúcar. Foi fechado inicialmente um contrato para 50 mil toneladas, mas o plano, segundo o ministério, é que o volume alcance 2 milhões de toneladas por ano, ou seja, acima da cota imposta por Pequim. Conforme o jornal "The Hindu" uma fonte do governo indiano disse que o acordo foi negociado no "mais alto nível".

Quando o primeiro-ministro Narenda Modi se encontrou com o presidente chinês Xi Jinping, em abril, eles já teriam se comprometido com a transação. O jornal cita o Ministério do Comércio, segundo o qual o aumento da exportação indiana de açúcar à China seria uma forma de a Índia diminuir um deficit de dezenas de bilhões de dólares no comércio bilateral.

A Austrália, um dos maiores produtores mundiais de açucar, deflagrou um sinal de alerta nesta terça-feira no Comitê de Agricultura da OMC, citando as notícias publicadas na imprensa sobre o acordo China-Índia e destacando seu impacto no mercado. Fontes chinesas, até agora, têm se mostrado menos firmes sobre o volume de 2 milhões de toneladas sinalizado por autoridades indianas. Até porque o estoque chinês de açúcar é grande, da ordem de 7 milhões de toneladas. A delegação indiana não respondeu à observação australiana.

Para o Brasil, maior exportador mundial, com 53,8% do mercado, o desafio vem, agora, dos dois sócios do Brics. Um documento australiano apresentado ontem na OMC calcula que, somente na safra 2016/17, a Índia forneceu US$ 1,1 bilhão de subvenções para os produtores de açúcar além do limite fixado pelos acordos internacionais. Como país em desenvolvimento, a Índia pode conceder subsídios equivalentes a até 10% do valor da produção. Ocorre, segundo a Austrália, que nos últimos seis anos Nova Déli liberou subsídios que representaram 94,4% do valor da produção.

A delegação indiana desqualificou os cálculos da Austrália e insistiu que o governo do país não concede subsídios ilegais a seus produtores. A Índia é o segundo maior país produtor e o quinto exportador de açucar do mundo, e a dinâmica do mercado de açucar do país tem consequências importantes no cenário internacional.

Na reunião de ontem do Comitê de Agricultura da OMC, esse foi o tema que mais provocou debate. Austrália, Brasil, Estados Unidos, União Europeia (representando 27 países), Tailândia, Nova Zelândia, Paraguai, El Salvador, Guatemala, Ucrânia e Colômbia se manifestaram contra os indianos. A Índia, por sua vez, reclamou que os EUA, em meio à guerra comercial com a China, aumentaram suas próprias subvenções específicas para ao açúcar. Brasil e Austrália aceleram as articulações para uma denúncia contra a Índia. Mas, segundo fontes, em Brasília a decisão não está tomada. (Valor Econômico 28/11/2018)

 

Agricultores desistem de beterraba e produção de açúcar na UE pode cair ainda mais

A produção de açúcar na União Europeia (UE) pode cair drasticamente em 2019/20, com a redução do plantio de beterraba e mudança para outras culturas em meio a preços baixos, disseram integrantes do setor nesta terça-feira.

Os produtores europeus não estão plantando uma área extra de beterraba e alguns estão se voltando para outras culturas que oferecem melhores retornos, disse Martin Todd, diretor da LMC International, durante o seminário anual da Organização Internacional do Açúcar (OIA), em Londres.

"Os produtores estão descobrindo que a beterraba não é mais a cultura atraente que sempre foi", disse Todd aos participantes.

A OIA previu que a UE produzirá 17,9 milhões de toneladas de açúcar na safra 2018/19, contra 19,7 milhões na temporada anterior. O órgão intergovernamental ainda não emitiu uma previsão para 2019/20.

Historicamente, os agricultores normalmente plantavam uma área extra para garantir que pudessem cumprir seus contratos com processadores se as condições do tempo danificassem a safra.

A União Europeia aboliu cotas de produção em outubro de 2017, permitindo que os produtores cultivassem a quantidade de beterraba que desejassem pela primeira vez desde 2006, o que levou a um aumento na produção.

O bloco esperava que a liberalização do mercado ajudasse a UE a recuperar sua posição como exportador líquido para o mercado mundial.

No entanto, um excesso global empurrou os preços mundiais do açúcar para o seu nível mais baixo em mais de uma década neste ano, colocando o setor europeu em crise. (Reuters 28/11/2018)

 

São Paulo tem recorde de suficiência energética; cana corresponde a 36% da matriz estadual

A produção de energia no Estado de São Paulo vem gradativamente subindo, o que reduz a dependência do maior parque fabril da América Latina de insumos geradores de energia de outras regiões do País.

Segundo o Balanço Energético do Estado de São Paulo 2018, referente ao ano passado e publicado pela Secretaria de Energia e Mineração, a dependência de insumos externos caiu para 40,7% em 2017, ante 41,4% no ano anterior. Em 2011, a dependência foi de 50,9%.

Ainda de acordo com o documento, a participação das energias renováveis na oferta total de energia foi de 59,5%. “No último ano, houve um acréscimo devido, principalmente ao aumento da quantidade de cana-de-açúcar processada no estado de São Paulo”, aponta.

Conforme o balanço, a participação dos derivados de cana – incluindo etanol – na oferta destinada ao estado representou 36,1%, enquanto fontes hidráulicas somaram 17,2%. Outras energias renováveis ocuparam 6,2%, totalizando 59,5%.

Energia limpa

São Paulo consumiu 27% de toda a energia utilizada no Brasil no ano passado. Mas a participação do estado no consumo nacional de derivados de petróleo foi menor que esse índice, ficando em 21,6%.

Nos últimos 10 anos, São Paulo registrou uma queda significativa no uso de energias mais poluentes. O carvão teve a maior redução, de 99%. Já o óleo combustível apresentou uma queda de 60% no período. (Agência Estado 28/11/2018)