Setor sucroenergético

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A nova safra de investimentos da Cofco

A chinesa Cofco prepara um novo ciclo de investimentos no Brasil, notadamente na área sucroalcooleira.
Os asiáticos pretendem ampliar a capacidade de suas quatro usinas em São Paulo, hoje de 15 milhões de toneladas, e buscam aquisições no Centro-Oeste.
As cifras sobre a mesa beiram a casa de US$ 1 bilhão em investimentos. (Jornal Relatório Reservado 29/11/2018)
 

Açúcar: Petróleo no radar

Os contratos de açúcar apresentaram grande volatilidade ontem na bolsa de Nova York.
Após uma forte alta inicial e um recuo logo em seguida, os papéis para maio fecharam a 12,97 centavos de dólar a libra-peso, alta de 4 pontos.
O avanço do petróleo colaborou para sustentar as cotações até o fim do pregão.
Por outro lado, o diretor-geral Associação de Usinas de Açúcar da Índia, Abinash Verma, disse que, sem reforma no setor do país, haverá excedente neste ciclo e no 2019/20.
O Commerzbank disse em relatório que é natural que os produtores indianos estejam elevando o cultivo de cana, dado os baixos preços de arroz e trigo no país.
No mercado brasileiro, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 69,91 a saca de 50 quilos, redução de 0,13%. (Valor Econômico 30/11/2018)
 

Metas do Acordo de Paris estimulam investimento em desenvolvimento sustentável

Uma das prioridades do Brasil, avanços serão discutidos durante a cúpula do G20, na Argentina.
Os avanços no cumprimento das metas do Acordo de Paris serão levadas para discussão pelo presidente da República, Michel Temer, para discussão na 14ª Cúpula do G20, marcada para sexta (30) e sábado (1º/12). Para o Brasil, as regras previstas estimulam o investimento no desenvolvimento sustentável.
Entre os temas previstos para discussão, estão mudança no clima e formas para garantir a alimentação da população. “Nada do que foi previsto nas metas brasileiras interrompe o desenvolvimento econômico. É um estímulo para construção de uma agenda de investimento em atividade de desenvolvimento sustentável”, afirmou o secretário de Mudanças no Clima e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Thiago Mendes.
De acordo com o secretário, as metas do Brasil foram construídas em um amplo processo de discussão entre o setor privado, o governo e a comunidade acadêmica. Elas se tornaram oficiais após passarem por promulgação presidencial em julho de 2017.
No Acordo de Paris, o País se comprometeu a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005 até 2025. Para 2030, a previsão é a diminuição em 43%. Entre 2016 e 2017, o Brasil reduziu 2,6 bilhões de toneladas de carbono, o que antecipa em três anos o cumprimento de sua meta para 2020 em relação à Amazônia e ao Cerrado.
Também aceitou aumentar a participação de bioenergia sustentável na sua matriz energética para aproximadamente 18% até 2030, além de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas.
Nas energias renováveis, a previsão é que o Brasil alcance uma participação estimada de 45% na composição da matriz energética em 2030.
RenovaBio
Sancionada pelo presidente da República em dezembro de 2017, a Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio) contribui para o cumprimento das metas brasileiras assumidas no Acordo de Paris e incentiva a produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e biogás, além de garantir a redução da emissão de gases do efeito estufa e a eficiência energética.
Segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, o Brasil já tem cerca de 45% de toda demanda de gasolina no Brasil atendida pelo etanol. "Isso não tem precedente em lugar nenhum do mundo”, disse Thiago Mendes.
Preservação
A implantação do Código Florestal e do Cadastro Ambiental Rural também é referência mundial. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, são mais de 6 milhões de propriedades cadastradas que preservam mais de 100 milhões de florestas nativas no Brasil.
Além disso, o Brasil tem investido em novas fontes de energia e faz parte da Plataforma para o Biofuturo, que abrange alguns dos países mais relevantes para mercados e inovação em biocombustíveis avançados e biomateriais. (Assessoria da Presidência da República 30/11/2018)
 

Pernambuco consegue aprovar 'tarifaço', encarecendo etanol, joias e carros

Com ampla maioria na Assembleia Legislativa, governistas não tiveram dificuldade para aprovar PL que reajusta ICMS para diversos produtos.
O governo Paulo Câmara (PSB) conseguiu aprovar, ontem, em segunda discussão, os projetos de Lei 2097/2018 e 2100/2018 que propõem, respectivamente, reajuste de 2% de alíquota de Imposto de Circulação de Mercadorias (ICMS) e dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
As duas propostas tiveram o apoio de 24 dos 29 deputados estaduais presentes na sessão. A mais polêmica delas, a 2097, encarece algumas mercadorias, como etanol, joias e carros acima de R$ 50 mil; reduz o Funcultura, que financia projetos artísticos e culturais, de R$ 36 milhões para R$ 32 milhões e revoga a isenção de IPVA para ônibus e microônibus.
Por outro lado, a proposição robustece o Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza, criado na primeira gestão de Eduardo Campos (PSB), e reduz o ICMS do diesel em 2%. Isso viabilizará a criação do 13º do Bolsa Família, com estimativas do governo de beneficiar 1,1 milhão de usuários do programa e injetar R$ 172 milhões na economia a partir de 2020.
Cinco deputados da pequena bancada de oposição presente na sessão levantaram-se das cadeiras para externar o voto, porém, não houve mais embates em plenário. O líder do governo, Isaltino Nascimento (PSB), distribuiu tabelas aos parlamentares e à imprensa, mostrando o volume de recursos que o estado e os municípios poderiam perder caso as medidas não fossem aprovadas, mas não houve riscos de derrota para o governo, que teve a primeira vitória política pós-eleição.
A oposição conseguiu avanços, pressionando a Secretária Estadual da Fazenda a mandar substitutivos dos dois projetos de lei e redigir modificações nos dois textos, mas o grupo não quis mexer mais no debate em plenário. A discrição dos oposicionistas ontem teve duas razões, segundo informações de bastidores: os adversários de Paulo Câmara temeram passar a mensagem de que o grupo estava contra a criação do 13º do Bolsa Família, o que não procede, e contra o reforço de caixa que as prefeituras vão receber com o aumento do ICMS. (Diário de Pernambuco 30/11/2018)
 

Incertezas rondam os veículos elétricos

Os carros elétricos ganharão espaço crescente na rua das principais cidades do mundo, o que também trará impacto para as concessionárias de energia elétrica. Não será diferente no Brasil, embora a inserção do carro elétrico na matriz de transportes ainda seja incerta.
No país, esses veículos menos poluentes poderão ter seu futuro ligado ao etanol. A Toyota realizou no início desse ano um teste pioneiro no mercado mundial: um veículo da marca, o primeiro do mundo a combinar um propulsor elétrico e outro flexível a gasolina e etanol, rodou 1,5 mil quilômetros entre São Paulo e Brasília.
Estudos preliminares feitos pela montadora indicam que o híbrido flex tem um dos mais altos potenciais de compensação e reabsorção na emissão de dióxido de carbono gerado desde o início do ciclo de uso do etanol extraído da cana-de-açúcar, passando pela disponibilidade nas bombas de abastecimento e por sua queima no processo de combustão.
Além da escolha da tecnologia, outra incerteza se refere à infraestrutura elétrica que terá de ser viabilizada para que os carros possam ser abastecidos. Estudo recente da CPFL Energia estima que o Brasil precisará de 80 mil eletropostos públicos até 2030 para acompanhar o ritmo de crescimento do mercado de veículos elétricos nacional.
Neste cenário, a frota de carros elétricos puros e híbridos plug-in no Brasil deve alcançar dois milhões de unidades em circulação. Um dos desafios para a expansão da mobilidade elétrica no Brasil é o desenvolvimento de um mercado de recarga pública com eletropostos semi-rápidos e rápidos.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a regulamentação, em junho deste ano, para a infraestrutura de recarga para veículos elétricos. Pelas regras definidas pelo regulador, qualquer empresa, seja do setor elétrico ou não, pode investir na instalação de eletropostos. Com o modelo regulamentado pela Aneel, pelo qual qualquer empresa poderá instalar um posto de recarga em uma rodovia ou em um estabelecimento comercial, a expectativa é que às perspectivas de expansão da mobilidade elétrica no Brasil atraia novos players, viabilizando um mercado competitivo no futuro.
O avanço dos carros elétricos incorpora outra mudança no setor elétrico, permitindo que o consumidor ganhe ainda mais poder. Um cliente pode, por exemplo, chegar à sua casa à noite com metade da carga de seu carro elétrico e conseguirá vender essa carga restante ao sistema para obter receita e depois configurar sua bateria para ser recarregada de madrugada, quando o preço da energia é mais baixo. Para que isso ocorra, será preciso que as redes inteligentes de energia permitam a gestão do consumo e façam a leitura tanto do consumo quanto da geração.

Para a vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL Energia, Karin Luchesi, as novas tecnologias são uma tendência irreversível, mas é essencial avaliar os impactos dela, principalmente para os clientes de baixa tensão, os residenciais. "A abertura deve ser gradual e estruturada, mas ela não pode ser um fim em si mesma, até porque depende de conscientização do consumidor residencial, que nem medidor inteligente tem hoje, ou seja: essas novas tecnologias trarão benefícios para ele? A reação do consumo acontece com o preço, mas será que o cliente residencial tem como avaliar isso e, por exemplo, gerenciar o carregamento de um carro elétrico em razão de preço de energia em determinados horários?", questiona Karin. (Valor Econômico 30/11/2018)