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Combustível aditivado: Com a palavra BR, Raízen e Ipiranga

Nem a ANP consegue entender a razão pela qual o preço médio da gasolina nas refinarias da Petrobras caiu quase 20% em novembro, ao passo que nos postos a redução foi de apenas 3,3%.

BR, Raízen e Ipiranga, que controlam 70% do mercado, já foram cobradas pela agência a dar uma explicação.

No entanto, andam a passos muito lentos, como se não tivessem como justificar a discrepância entre os índices.

Procurada, a BR "confirma que recebeu o pedido de informações da ANP e responderá no prazo".

Raízen e Ipiranga não quiseram se pronunciar. (Jornal do Senado 03/12/2018)

 

Riscos da venda direta de etanol aos postos

Em reação aos efeitos da greve dos caminhoneiros, órgãos do governo sugeriram medidas regulatórias para aumentar a concorrência no mercado de combustíveis e, assim, reduzir os preços ao consumidor. Comento aqui os riscos de uma delas, a de permitir a venda direta do etanol aos postos de revenda de combustíveis.

Melhorar a concorrência beneficia os consumidores e estimula a busca de eficiência, acarretando ganhos de produtividade e o crescimento da economia e do emprego. Mas as respectivas medidas não podem ser adotadas sem a prudente consideração das características e práticas do respectivo mercado, sob pena de gerar efeitos contrários aos pretendidos.

À primeira vista, a venda direta de etanol poderia melhorar a forma como opera o seu mercado. Segundo um dos estudos oficiais, a proibição em vigor "produz ineficiências econômicas, na medida em que impede o livre comércio e dificulta a possibilidade de concorrência que poderia existir entre o produtor de etanol e o distribuidor de combustíveis".

Além de provocar a "dupla margem de lucro", prossegue o estudo, a norma "gera ineficiências alocativas, além de aumentar o preço do combustível ao consumidor final". Além disso, a medida pode "impedir fluxos logísticos mais racionais, encurtando distâncias entre produtores e consumidores, diminuindo, assim, custos de transporte, o que possui impacto direto no preço do produto". Outro estudo citou o caso de produção de etanol próxima de postos, o que leva o etanol a percorrer distâncias bem maiores para a entrega nos terminais de uma distribuidora de combustíveis.

Essas percepções podem mudar quando se consideram graves efeitos da venda direta, cujos custos superariam de longe seus alegados benefícios. Para começar, assinale-se que os mercados de commodities funcionam melhor e mais eficientemente com um sistema que centralize e coordene as atividades de compra e venda, gerando benefícios logísticos na sua distribuição. Essa é a razão por que a venda de inúmeros produtos não é feita habitualmente do produtor aos consumidores.

Dir-se-á que o etanol não pode ser equiparado a essas outras cadeias logísticas, mas um exame cuidadoso do seu mercado mostrará que a venda direta teria consequências negativas, a não ser em casos muito específicos e limitados.

O etanol é produzido em apenas seis Estados, mas é vendido em cerca de 42 mil postos espalhados pelo Brasil

De fato, a norma que obriga a venda do etanol a distribuidores tem sua lógica e contém inúmeras vantagens. Saliente-se, inicialmente, que os distribuidores comercializam os diferentes produtos demandados pelos postos: etanol, gasolina e diesel, cabendo-lhes ainda acrescentar aditivos para gerar diferentes tipos de combustíveis. Um caminhão tanque tem compartimentos que permitem a entrega de todos esses produtos a um único posto.

A produção de etanol é feita em 341 unidades concentradas em seis Estados (São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). Se o mercado consumidor se limitasse a esses Estados, a venda direta poderia ser discutida, mas não é o que acontece. O etanol é vendido em cerca de 42 mil postos espalhados pelo Brasil. Dificilmente as usinas e destilarias seriam capazes de suprir todos eles com uma logística mais eficiente do que a dos distribuidores. A proximidade produtor/posto, aqui citada, acontece em reduzidíssimos casos, insuficientes para justificar uma mudança dessa magnitude.

Cerca de 20% do etanol são entregues por meio de dutos, ferrovias e navegação de cabotagem, o que tende a aumentar com os esperados investimentos em infraestrutura de transporte. Os produtores não teriam como recorrer a esses modais na mesma dimensão dos distribuidores. A venda direta pioraria a operação da logística e aumentaria o tráfego de caminhões nas já deficientes estradas do país.

A produção de etanol ocorre em apenas parte do ano. Os distribuidores se encarregam de armazená-lo, para permitir a entrega pelo país afora e garantir a normalidade do abastecimento durante todos os meses, inclusive em entressafras severas. Isso dificilmente poderia ser feito pelos produtores. Além disso, o modelo em vigor permite que as distribuidoras usem as melhores alternativas de fretes, enquanto o amplo relacionamento entre a distribuição e a revenda facilita a avaliação de riscos e a concessão de crédito aos agentes do varejo. Custa crer que os produtores pudessem exercer essas funções de forma mais eficiente.

O modelo atual tem outro papel essencial, qual seja o de assegurar a qualidade do produto vendido ao consumidor. O distribuidor tem incentivos para controlá-la, pois precisa zelar por sua imagem. Diz-se que a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) poderia exercer esse encargo, pois a ela já cabe o monitoramento da qualidade dos combustíveis. Mesmo que isso fosse possível, a inspeção seria feita por amostragem, como é usual. O maior e mais efetivo controle da qualidade é feito pela distribuidora, que recebe o produto de várias procedências e o "harmoniza", permitindo sempre melhor rastreabilidade.

Há outros riscos da proposta de venda direta, que o espaço não permite comentar, inclusive de ordem tributária, agravando os já combalidos cofres públicos. Sua adoção poderia ainda, ao contrário do que se pensa, provocar aumento de custos de transação, piorar a operação da logística de distribuição do etanol e aumentar desnecessariamente o tráfego de caminhões nas estradas. A correspondente perda de eficiência implicaria elevação de custos para os consumidores, exatamente os que seriam supostamente os beneficiários da medida.

Tudo que funciona bem pode ser melhorado, mas buscar eficiência econômica sem sopesar seus efeitos negativos pode resultar em um jogo de soma negativa, ou seja, aquele em que todos perdem. (Valor Econômico 04/12/2018)

 

Empresas 'reinventam' o açúcar para sobreviver

O que é produzido a partir da cana, tem gosto doce, é feito de partículas brancas e pode ser adicionado a bebidas e receitas, mas não tem calorias e pode ser consumido por diabéticos? John Melo não sabe definir ainda se o alimento desenvolvido pela Amyris é um "adoçante natural" ou um "açúcar saudável", mas o fato é que a tecnologia da empresa que ele comanda faz parte de uma nova onda de produtos que estão sendo lançados para superar um obstáculo cada vez maior: a pressão decorrente dos crescentes problemas à saúde relacionados à ingestão do açúcar tradicional.

Os "millennials" engrossaram a "guerra ao açúcar", mas decisões governamentais também colocaram a indústria contra a parede. Não param de pipocar ao redor do planeta medidas para desestimular o consumo do produto, como a exigência de alertas em embalagens de alimentos com alto teor de açúcar ou a imposição de tarifas incidentes sobre eles (ver infográfico). No Brasil, a indústria de alimentos fechou na semana passada acordo com o Ministério da Saúde para reduzir o uso de açúcar em 144 mil toneladas até 2022, mas se posicionou contra a proposta da Anvisa de rotulagem de alimentos. Daí porque a corrida em busca de soluções inovadoras para sobreviver aos novos tempos ganha competidores.

O reinado da cana chegou a ser questionado após a descoberta do poder adoçante da estévia. Mas, segundo executivos da indústria de açúcar e adoçantes, o amargor característico da estévia não agradou ao consumidor. Além disso, o cultivo manual da planta, sua forte demanda por insumos e o elevado custo para processar sua folha a tornaram pouco competitiva.

"Mas tem uma molécula da estévia que é muito boa, porque é adoçante e não tem o amargor. O difícil é isolar essa molécula da planta. Então resolvemos produzir essa molécula, mas a partir do xarope de cana", afirma Melo. Através de manipulação própria, diz o CEO global da Amyris, a empresa conseguiu produzir, desse xarope, a mesma molécula existente na estévia, sem calorias e com outras vantagens.

A primeira é que o produto tem um grau de pureza da molécula de 97%, maior do que o obtido com a própria estévia, que fica entre 60% e 70%. A segunda vantagem é que o produto feito do xarope de cana adoça 500 vezes mais que o açúcar da cana, o que, de acordo com Melo, pode ser um importante trunfo para a indústria de alimentos.

A fábrica da Amyris em Brotas (SP) já começou a produzir a novidade. Tem capacidade para até 3 mil toneladas ao ano, que equivalem ao poder de adoçar de 1,5 milhão de toneladas de açúcar e superam, segundo Melo, todo o volume dos demais adoçantes disponíveis no mercado. A fábrica está "colada" a uma usina da Raízen, que fornece o xarope de cana. A purificação do produto será feita em outra unidade, situada no Paraná.

De posse de um certificado de segurança alimentar baseado em requisitos da FDA, a agência regulatória de alimentos e medicamentos dos EUA, a companhia firmou contrato com o ASR Group, maior refinador de açúcar do mundo, para vender 80% do produto nos EUA, no Reino Unido e no México. Para comercializar a inovação no Brasil, a Amyris firmou contrato com a Camil, dona da marca União. Batizado como União Zero, o produto chegará às gôndolas do país assim que for aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A dificuldade enfrentada pela estévia em sua "carreira solo" também levou a holandesa DSM, empresa de biotecnologia que é a principal acionista da Amyris, a trilhar um caminho parecido. A companhia programou uma levedura que fermenta açúcar comum, o açúcar da cana, a sucrose ou açúcares do milho, como dextrose e glucose, e gera as mesmas moléculas presentes na estévia, com zero caloria. "São idênticas às que se encontram na folha, mas não usamos nada dela", explica Luiz Flávio de Freitas Leite, diretor de negócios da Stevia & Sugar Reduction Platform da DSM.

Segundo Leite, a engenharia permite que a produção do adoçante seja bem maior do que a do adoçante de estévia, o que reduz o custo de produção. E, na comparação com o açúcar, o produto adoça 250 vezes mais, afirma. Com a Cargill, a DSM formou a joint venture Avansya, que está erguendo uma fábrica em Blair, Nebraska (EUA) para produzir o adoçante. A operação deverá começar em 2019.

Poderia ser contraditório uma empresa de açúcar trilhar caminho semelhante, mas é exatamente isso que a francesa Tereos, dona da marca Guarani, começou a fazer. "Fizemos pesquisa com nossos consumidores. Pensávamos que o principal valor fosse tradição, família. Mas a saúde veio como algo muito importante. Entendemos que não podíamos ficar fora da tendência do mercado", diz Gustavo Segantini, diretor comercial da Tereos Açúcar & Energia Brasil.

A saída foi agregar ao açúcar um adoçante natural. Há dois meses, a Tereos começou a distribuir no Sul e no Sudeste do Brasil seus novos pacotes de açúcar da marca Guarani com estévia, que têm 50% menos calorias que o açúcar refinado e adoça duas vezes mais.

Outra iniciativa é a da alemã Südzucker, maior produtora de açúcar da Europa, que iniciou parceria em julho com a israelense DouxMatok para começar a produzir, até o fim de 2019, um açúcar com composto à base de sílica que permite às indústrias usar um volume 40% menor sem perder o poder de adoçar.

Nas gôndolas, esses produtos deverão competir com os adoçantes artificiais ou com aqueles misturados ao açúcar. Na indústria de alimentos, o maior competidor deve ser o xarope de milho, que movimenta cerca de US$ 4 bilhões ao ano. "Eu vejo, no mundo ideal, apenas açúcar de cana e adoçante de cana", afirma o CEO da Amyris. Segundo ele, o novo adoçante vai roubar mercado principalmente dos concorrentes produzidos a partir do xarope de milho. (Valor Econômico 04/12/2018)

 

Açúcar: Petróleo e dólar

As cotações do açúcar fecharam em alta ontem na bolsa de Nova York em meio à valorização do petróleo e à queda do dólar.

Os contratos do açúcar demerara com vencimento em maio subiram 7 pontos, para 13,02 centavos de dólar a libra-peso.

Diante das perspectivas de corte na produção pela Arábia Saudita e Rússia, o petróleo subiu ontem, o que favorece a competitividade do etanol no Brasil.

Com isso, as usinas podem preferir produzir o biocombustível em detrimento do açúcar na próxima safra, reduzindo a oferta.

A queda do dólar ante várias moedas também sustentou as cotações em Nova York, já que desestimulam as exportações brasileiras.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 69,35 a saca de 50 quilos, alta de 1,2%. (Valor Econômico 04/12/2018)

 

Açúcar mantém resistência em NY e renova tendência de queda se gasolina ganhar fôlego no BR

O otimismo de alguns mercados com a trégua que os líderes dos Estados Unidos e China deram à guerra comercial, especialmente na soja, não contaminou o açúcar em Nova York. O range do principal contrato, o março na ICE Futures, esteve mantido ao final do pregão, depois de um quase rally entre os fundos tentando mexer numa commodity que não indica níveis diferentes há várias sessões.

Os 12.91 c/lp em moderados mais 7 pontos, depois da redução de 3 pontos na sexta, estão dentro dos parâmetros vistos pela trader Ana Cáudia Cordeiro, da Canex Exportação. "O açúcar é pressionado pelo excedente e é muito cedo para dizer que vai ser revertido", explica.

A Canex trabalha com um teto potencial para alta de 13.20 c/lp no março. Um piso de 12.50, por aí.

Apesar de reforçar que o Brasil não é mais "a bola da vez", já que o superávit mundial previsto está na conta da Índia, principalmente, Ana Cláudia segue a tendência de traders e analistas olhando o movimento brasileiro pelo lado das importações de petróleo.

Com o brent enfrentando resistência para romper a casa do US$ 50/barril, o que talvez a distensão entre Trump e Ji Jinping possa proporcionar, e o câmbio favorável às importações, a gasolina ganha mais competitividade. Numa paridade muito estreita, sempre há possibilidade, já tradicional, de as usinas produzirem mais açúcar, mesmo com a cotação ainda historicamente baixa.

"O etanol precisaria retornar para os níveis de R$ 2,10", diz a analista da trading mineira, sobre a linha da competitividade do biocombustível.

O cenário, contudo, é baixista dentro do intervalo atual, porque mesmo o Brasil produzindo mais adoçante (tirando um pouco do share esperado do etanol em 19/20) e não influenciando o já superávit alto como o visto pelo USDA de 9 milhões de toneladas, ainda assim é outro componente a criar mais resistência. (Reuters 03/12/2018)

 

Ex-Banco Votorantim vira presidente da Copersucar

O executivo João Roberto Teixeira, que liderou o Banco Votorantim entre 2011 e 2016, assumiu ontem a presidência da Copersucar, maior comercializadora de açúcar e etanol do mundo, que registrou receita líquida de R$ 28,6 bilhões na última safra (2017/18). Após um processo conduzido via headhunter, Teixeira foi escolhido para substituir Paulo Roberto de Souza e tem a missão de dar continuidade aos planos de investimento e crescimento da companhia.

Segundo Luís Roberto Pogetti, presidente do conselho de administração da Copersucar, Souza já havia manifestado interesse em deixar o comando da Copersucar por motivo pessoal.

"Nada muda na companhia" com a troca de comando, disse Pogetti. "Tudo o que estava planejado será feito", garantiu.

Souza permanecerá no comitê de estratégia da Copersucar e nos conselhos das empresas nas quais ela tem participação, como o Terminal de Combustíveis de Etanol de Paulínia (joint venture da Copersucar com a BP Biocombustíveis), na Alvean, trading de açúcar na qual a companhia é sócia da Cargill, na Eco-Energy, empresa de comercialização de etanol nos Estados Unidos, e na Logum, que gere o etanolduto. Na Logum, Souza será o presidente do conselho de administração.

Sob a gestão de Paulo Roberto de Souza, a Copersucar avançou em seu processo de profissionalização e internacionalização com a aquisição e expansão da Eco-Energy e na parceria com a Cargill na Alvean, que se tornou a maior trading de açúcar do mundo.

Pogetti disse ainda que a companhia está "esperançosa" com o cenário para a economia brasileira após as eleições presidenciais. "É um momento de transição, mas estamos esperançosos de que vamos ter condições de tomar decisões de investimento a partir do ano que vem", disse. "Temos que esperar se vai se consolidar um horizonte mais positivo para o Brasil", acrescentou.(Valor Econômico 04/12/2018)

 

Etanol hidratado recua 0,62% e anidro cai 2,74% nas usinas

O preço do etanol hidratado nas usinas paulistas recuou 0,62% esta semana, de R$ 1,6330 o litro para R$ 1,6229 o litro, em média, de acordo com o indicador divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O valor anidro caiu 2,74%, de R$ 1,8198 o litro para R$ 1,7700 o litro, em média. (Reuters 03/12/2018)

 

Camil anuncia parceria com Amyris para adoçante zero caloria à base de cana

A Camil Alimentos fechou uma parceria com empresa norte-americana Amyris para comercializar um adoçante zero caloria à base de cana-de-açúcar, informou a empresa de alimentos brasileira nesta segunda-feira.

“A parceria faz todo o sentido tanto para a estratégia de negócios macro da Camil Alimentos como para a estratégia de expansão da categoria de adoçados”, disse Luciano Quatiero, presidente da Camil, detentora da marca de açúcar União, em comunicado.

De acordo com a Camil, a parceira visa atender à crescente demanda de adoçantes naturais zero caloria e o Brasil seria o primeiro mercado a receber o produto.

A Amyris é uma empresa integrada que realiza a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de ingredientes sustentáveis para diversos mercados, incluindo os setores químico, de cosméticos e farmacêutico, entre outros.

A empresa não detalhou o prazo em que o adoçante poderá estar disponível. Mas, segundo o Valor Econômico, a fábrica da Amyris localizada em Brotas (SP) já começou a produção. A unidade recebe xarope de cana da Usina Paraíso, da Raízen, mas a purificação do produto será feita em outra planta, situada no Paraná.

Ainda conforme a reportagem, a Amyris tem capacidade para fabricar até 3 mil toneladas ao ano, que equivalem ao poder de adoçar de 1,5 milhão de toneladas de açúcar. Para o CEO da companhia, John Melo, esse volume supera o de todos os demais adoçantes disponíveis no mercado.

Além da parceria com a Camil, a empresa também já firmou contrato com o ASR Group, maior refinador de açúcar do mundo, para vender 80% do produto nos EUA, no Reino Unido e no México. A Amyris possui um certificado de segurança alimentar baseado em requisitos da FDA, a agência regulatória de alimentos e medicamentos dos Estados Unidos. Assim, a companhia

No Brasil, o produto ainda precisa de aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). (Reuters 03/12/2018)

 

EUA vão acabar com subsídios para carros elétricos e energia renovável, diz Casa Branca

O assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, disse nesta segunda-feira que os Estados Unidos vão acabar com subsídios para carros elétricos e outros criados no governo de Barack Obama, incluindo os relacionados a fontes de energias renováveis.

Questionado sobre ações planejadas após a General Motors anunciar fechamentos de fábricas e milhares de demissões nos EUA na semana passada, Kudlow disse que ele espera que subsídios para compras de carros elétricos acabem em 2020 ou 2021. (Reuters 04/12/2018)

 

Futuro ministro de Minas e Energia diz que buscará trazer previsibilidade ao setor

O futuro ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, indicado nesta sexta-feira pelo presidente eleito Jair Bolsonaro, afirmou que o setor precisa, “acima de tudo, de um ambiente de confiança e de previsibilidade, tanto para os mercados, quanto para o cidadão consumidor”.

“Esse será meu principal objetivo à frente deste ministério tão importante para o desenvolvimento do Brasil”, declarou Albuquerque em nota, manifestando ainda estar honrado com o convite do presidente eleito. (Reuters 03/12/2018)

 

Souza deixa presidência da Copersucar, será substituído por João Roberto Teixeira

O presidente-executivo da brasileira Copersucar, uma das maiores empresas de açúcar e etanol do mundo, Paulo Roberto de Souza, está deixando o cargo, informou a empresa nesta sexta-feira.

A Copersucar, parceira da Cargill na maior trading de açúcar do mundo, a Alvean, disse que Souza está saindo por motivos pessoais.

Segundo a empresa, João Roberto Teixeira, que liderou o banco Votorantim por vários anos, será o novo presidente executivo a partir de segunda-feira.

Souza comandou a Copersucar por nove anos e foi uma pessoa chave por trás do acordo com a Cargill para criar a Alvean.

A Copersucar registrou receita líquida de 28,6 bilhões de reais na safra 2017/18, segundo informação do site da empresa, que comercializou no período 4,5 milhões de toneladas de açúcar e 4,3 bilhões de litros de etanol. (Reuters 01/12/2018)

Venda de gasolina em outubro cai 13,75% com perda de mercado para etanol, diz ANP

As vendas de gasolina no Brasil em outubro caíram 13,75 por cento ante o mesmo mês do ano passado, para cerca de 3,05 milhões de metros cúbicos, o menor nível dos últimos cinco anos pelo sétimo mês consecutivo, em meio a uma perda de competitividade nas bombas para o etanol hidratado desde abril.

O volume, entretanto, apresentou alta de 5,52 por cento ante setembro, conforme boletim mensal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O mercado fraco de gasolina tem se refletido nas importações da Petrobras, que reduziu o ritmo de compras externas do combustível, disse uma fonte da empresa à Reuters.

Em outubro, segundo a ANP, o volume total de importações de gasolina A pelo país apresentou variação negativa de 72,81 por cento em relação ao mesmo período do ano passado. Já em relação ao mês anterior, o volume de importações caiu 8,64 por cento em outubro.

No mês passado, disse a ANP, houve queda da participação da gasolina no consumo total do Ciclo Otto pelo sétimo mês consecutivo, para 53,73 por cento, enquanto a parcela do etanol hidratado representou 46,27 por cento.

Nesse cenário, as vendas de etanol hidratado, concorrente da gasolina nas bombas, em outubro, cresceram 47,71 por cento ante o mesmo mês do ano passado e avançaram 12,94 por cento em relação a setembro, para 2 milhões de metros cúbicos.

"O contínuo aumento na demanda do biocombustível está relacionado ao efeito substituição do etanol hidratado em relação à gasolina C, em razão dos preços mais competitivos do biocombustível vis-à-vis ao combustível fóssil", disse a ANP em seu boletim.

As usinas, por sua vez, foram estimuladas a produzir mais etanol nesta safra, uma vez que os preços dos açúcar no mercado internacional estavam relativamente baixos.

Já as vendas de diesel, por sua vez, em outubro, cresceram 2,99 por cento ante o mesmo mês de 2017 e avançaram 5,95 por cento em comparação a setembro, para 5,06 milhões de metros cúbicos. (Reuters 01/12/2018)

 

China deve dar novo fôlego ao mercado de etanol

Anúncio de mistura à gasolina pelo país asiático a partir de 2020 tem potencial para reabrir ciclo de investimentos em álcool.

Depois de quase uma década desde o último grande ciclo de investimentos no mundo, o etanol voltou a ganhar destaque na agenda mundial de fontes renováveis de energia e pode ganhar novo impulso. A demanda pelo combustível tende a crescer a partir de 2020, quando a China adicionará 10% de álcool à gasolina. O governo chinês quer reforçar sua luta contra a poluição e, ao mesmo tempo, escoar parte de seu gigantesco estoque de excedentes de milho para a produção do combustível.

Além disso, os Estados Unidos decidiram ampliar o uso do etanol na gasolina de 10% para 15%. Já o Canadá estuda criar um programa semelhante ao brasileiro Renova Bio, que estimula a matriz energética renovável.

A aproximação entre o Brasil e os EUA prometida pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, também favorece o etanol. Uma década atrás, o combustível era um dos principais pontos de interesse comum entre os dois países, praticamente os únicos produtores. Havia um projeto dividido pelas duas nações de transformar o álcool numa commodity, um produto com cotação internacional baseada em oferta e demanda, como acontece com os derivados de petróleo. Os dois países também firmaram convênios para ampliar o universo de fornecedores, financiando pesquisa e produção na África e no Caribe.

Demanda ambiental

Os planos, porém, não deram certo. As multinacionais reduziram o apetite pelas usinas de açúcar e álcool, e o ciclo de investimentos no Brasil, realizados no período de 2003 a 2010, de cerca de US$ 15 bilhões, não se repetiu. Essa frustração foi causada pela descoberta de petróleo na camada pré-sal, pela revisão de prioridades na política externa americana e pelo congelamento de preços da gasolina no governo Dilma Rousseff, que fez o álcool combustível perder competitividade.

O etanol não virou uma mercadoria internacional porque só há dois grandes produtores, que também são os dois únicos grandes consumidores: Brasil e EUA. Mas isso pode mudar com a entrada de China e outros países nesse mercado. Para o Itamaraty, ainda não está claro o impacto que o aumento da mistura de etanol na gasolina pela China e sua ainda crescente frota terá nas exportações brasileiras para aquele país. No campo da aliança diplomática, no entanto, efeitos positivos da decisão chinesa são esperados: a bioenergia está ganhando espaço nos fóruns internacionais, e o Brasil é um dos países mais citados.

Segundo a Agência Internacional de Energia, o Brasil é o país com matriz energética menos poluente do mundo e com a maior participação de renováveis entre os grandes consumidores globais. A previsão é que fontes renováveis saltem de 43% para 45% do consumo de energia do país até 2023, com destaque para as áreas de transporte e indústria.

“O fato de os países pensarem em aumentar a mistura nos combustíveis, como parte da agenda de redução de emissões de gases de efeito estufa, abre uma perspectiva em termos de demanda”, diz a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, que ressalta a necessidade de o Brasil investir também em outros tipos de biocombustíveis. “Faz tempo que o setor não investe em expansão de capacidade. O etanol representa 80% da produção de biocombustíveis”.

Elizabeth Farina lembra que alguns países foram desestimulados a prosseguir com investimentos em biocombustíveis por causa da controvérsia internacional sobre o uso de soja, milho e cana-de-açúcar com essa finalidade, e não para alimentar a população. Há dez anos, alguns especialistas chegaram a afirmar que o Brasil e os Estados Unidos, ao aumentarem o cultivo de produtos para os biocombustíveis, estavam contribuindo para a inflação mundial do preço dos alimentos.

A celeuma foi superada, e um grupo de 20 países, que inclui Brasil, EUA, China, Reino Unido e França, deve apresentar na Conferência da ONU para o Meio Ambiente, a COP-24, iniciada ontem na Polônia, um documento em defesa da expansão dos investimentos em bioenergia, voltada para a produção de combustíveis. (O Globo 03/12/2018)

 

Petrobras eleva em 2,2% preço da gasolina na refinaria, 1ª alta desde setembro

A Petrobras anunciou nesta sexta-feira um aumento de 2,2 por cento no preço médio da gasolina vendida em suas refinarias, para 1,5339 real por litro, a partir de sábado, na primeira alta realizada pela estatal para o combustível desde meados de setembro.

O aumento na cotação da gasolina ocorre em meio a uma alta do dólar frente ao real de 3,58 por cento em novembro, que encarece importações. Os ganhos da moeda ocorreram após dois meses consecutivos de retração.

A política de preços da Petrobras leva em consideração o câmbio e também os preços do petróleo no mercado internacional, além de outros fatores.

O petróleo Brent, por sua vez, registrou queda de mais de 20 por cento em novembro, com a oferta global superando a demanda.

A gasolina da Petrobras acumulou recuo de quase 20 por cento no mês, sendo vendida nas refinarias na maior parte da semana a 1,5007 real por litro, menor nível desde 17 de fevereiro.

O repasse dos reajustes ao consumidores, no entanto, não tem ocorrido na mesma proporção.

Em novembro, os preços da gasolina nos postos recuaram apenas cerca de 4 por cento, segundo dados da ANP divulgados nesta sexta-feira.

O valor médio nos postos do Brasil caiu cerca de 1 por cento na semana.

Na terça-feira, a ANP apontou que os repasses de cortes nos preços da gasolina das distribuidoras aos consumidores têm ficado inferiores às reduções implementadas pela Petrobras em suas refinarias e cobrou explicações.

O preço final depende de distribuidores, revendedores, impostos, além da mistura obrigatória de etanol anidro na composição da gasolina vendida nos postos. (Reuters 01/12/2018)