Setor sucroenergético

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Tem passageiro novo na Ferrogrão

Louis Dreyfus, Amaggi, ADM e Cargill abriram um canal de interlocução com a equipe de Jair Bolsonaro. As discussões envolvem o estudo de viabilidade para a Ferrogrão.

O fato novo é a possibilidade de grandes agricultores do Centro-Oeste entrarem no comboio, financiando a construção da ferrovia. O projeto começou nos R$ 8 bilhões.

No cálculo mais recente, a contagem já estava em quase R$ 13 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 04/12/2018)

 

Açúcar: Paquistão em foco

A liberação para exportação de açúcar pelo governo do Paquistão colaborou para pressionar os preços da commodity ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes do açúcar demerara para maio fecharam em 12,83 centavos de dólar a libra-peso, baixa de 3 pontos.

O governo paquistanês autorizou a indústria de açúcar a exportar 1,1 milhão de toneladas e retirou condições impostas há dois meses, segundo o jornal local "The Express Tribune".

Até então, estava proibida a exportação pelas usinas que tinham dívidas não pagas.

Também exerceram pressão sobre os preços a queda do petróleo e a valorização do dólar ante o real.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo ficou em R$ 68,54 a saca de 50 quilos, baixa de 0,36%. (Valor Econômico 06/12/2018)

 

BNDES aprova financiamento de R$ 332 milhões para Usina Batatais

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 332,7 milhões para investimentos da Usina Batatais S/A – Açúcar e Álcool. Os recursos do BNDES vão apoiar a ampliação da capacidade instalada de moagem da Usina Lins, com expansão do plantio e aumento da produção de vapor e da cogeração de energia, e também o reflorestamento das áreas vicinais às usinas Lins e Batatais, ambas localizadas nas cidades do mesmo nome no Estado de São Paulo.

A Usina Lins terá sua capacidade de moagem ampliada para até 4,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. Para tanto, irá adquirir equipamentos para aumentar a capacidade de recepção e de preparo de cana, a velocidade de moagem e a capacidade de tratamento do caldo para produção de açúcar e etanol. A compra de uma nova caldeira também permitirá incrementar a produção de vapor e a cogeração de energia.

Para atender a nova capacidade de processamento da Usina Lins, a empresa investirá ainda no plantio de 27,5 mil hectares de cana, dos quais 14 mil hectares referentes à renovação dos canaviais e 13,5 mil ha relativos à expansão da área cultivada. Também fará a aquisição de novos equipamentos agrícolas.

Os investimentos da empresa devem ocorrer até meados de 2020 e, quando finalizados, permitirão a criação de 280 empregos diretos. (Valor Econômico 05/12/2018 às 19h: 37m)

 

Preço do açúcar recua na ICE e março é negociado a 12,72 cents/libra-peso

Os contratos futuros de açúcar recuaram no pregão desta quarta-feira na ICE.

Os preços foram pressionados pela desvalorização do real, que encoraja os produtores brasileiros a vender, já que impulsiona o retorno de commodities atreladas ao dólar na moeda local.

O contrato março do açúcar bruto recuou 0,03 centavo de dólar, ou 0,2 por cento, a 12,72 centavos de dólar por libra-peso.

O açúcar branco para março perdeu 0,80 dólar, ou 0,2 por cento, a 343,50 dólares por tonelada. (Reuters 06/12/2018)

 

Cade aprova venda da Usina Giasa pela Biosev ao Grupo Olho D’Água

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu parecer favorável à venda da Usina Giasa pela Biosev (controlada da Louis Dreyfus Company) à M&N Participações (companhia do Grupo Olho D’Água). A Giasa está localizada no município de Pedras de Fogo, na Paraíba.

O Grupo Olho D'Água já atua no segmento de açúcar e etanol em Pernambuco e no Piauí. A Biosev concentra suas atividades na produção e comercialização de açúcar, etanol e energia, bem como atividades de logística e operação portuária.

A superintendência-geral do órgão antitruste analisou o caso em âmbito nacional e regional. Verificou que as atividades da Giasa envolvem “sobreposição horizontal nos mercados de plantação de cana-de-açúcar, de produção de etanol, e de geração e comercialização de energia elétrica”. Quanto à atividade de produção de etanol, a Giasa atua na Paraíba, enquanto o Grupo Olho D’Água está em Pernambuco e no Piauí, ressaltou o órgão do Cade. A participação das empresas nos mesmo mercado foi apontada pela superintendência como inferior a 10% na economia. “Conclui-se que a presente operação não acarreta prejuízos ao ambiente concorrencial”, informou o procurador Alexandre Cordeiro Macedo.

A transação foi acertada por R$ 70 milhões em 9 de novembro e foi a segunda venda de usina realizada pela Biosev em cerca de dois meses. Em setembro, a Biosev vendeu a Usina Estiva, em Arez (RN), por R$ 203,6 milhões. (Valor Econômico 05/12/2018 às 16h: 45m)

 

Crise na França expõe rejeição a uso de impostos para controlar o clima

Taxar setores que poluem é uma iniciativa comum na luta contra a mudança climática, mas França é mais um país em que a tática fracassa; um erro dos governos é usar recursos obtidos para cobrir déficit, em vez de melhorar serviços.

Sob protestos, governo da França desiste de vez de aumentar imposto sobre combustíveis.

A arma isolada mais eficaz na luta contra as mudanças climáticas são os impostos cobrados dos que emitem gases do efeito estufa, dizem economistas. Mas o presidente da França, Emmanuel Macron, aprendeu nas últimas três semanas que impor essas taxas pode ser uma armadilha.

A França cancelou nesta quarta-feira, 5, um plano para elevar as taxas sobre o diesel em € 0,24 (R$ 1,05) e sobre a gasolina em € 0,12 (R$ 0,53) por galão. Macron diz que essas taxas são necessárias para combater as mudanças climáticas, desestimulando motoristas a usar derivados de petróleo. As violentas manifestações nas ruas de Paris e outras cidades francesas, conhecidas como movimento dos “coletes amarelos”, forçaram-no a recuar.

O líder francês vem tentando impulsionar as ações climáticas na esteira dos acordos de Paris de 2015. “Quando falamos no que foi feito em resposta aos desafios das mudanças climáticas, vemos que foi muito pouco”, disse na semana passada. Macron não está sozinho em sua frustração. Líderes de EUA, Canadá, Austrália e outros países viram seus esforços para taxar o carbono enfrentar dura oposição.

Macron revogou por seis meses o aumento do imposto. O recuo francês foi particularmente desestimulante para especialistas em política climática. Veio quando delegados de todo o mundo estavam reunidos em Katowice, na Polônia, em uma conferência destinada a fazer avançar medidas contra o aquecimento global.

“Como em tudo, o problema da França é encontrar um modo de combinar ecologia e igualdade”, disse Bruno Cautres, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos de Paris. “A maioria dos cidadãos vê como punição, como impostos, e mais impostos, as políticas voltadas para o meio ambiente”.

“Sempre foi difícil vender politicamente altos impostos sobre energia”, disse Gregory Mankiw, professor de economia na Universidade Harvard e defensor dessa estratégia. Nos EUA, impostos relacionados à energia estão entre os mais baixos do mundo desenvolvido.

O ex-presidente Bill Clinton propôs em seu primeiro orçamento, de 1993, um imposto contra o aquecimento conhecido como BTU (sigla em inglês de unidade térmica britânica), que teria arrecadado US$ 70 bilhões (R$ 270 bilhões) em cinco anos com a elevação do preço da gasolina em até 7,5 centavos de dólar por galão (cerca de R$ 0,28). Clinton foi forçado a recuar em consequência de uma rebelião em seu próprio partido.

Alguns países de maior consciência climática adotaram impostos sobre o carbono: Chile, Espanha, Ucrânia, Irlanda e países escandinavos. Especialistas dizem que as perspectivas dos impostos sobre o carbono podem depender do destino do dinheiro arrecadado. Usar a arrecadação para uma redução do déficit, como pretendeu a França, resultou em fiasco.

“Mesmo em tempos de bonança, é preciso tomar muito cuidado para não se usar impostos sobre carbono para tapar buracos orçamentários”, disse Paul Bledsoe, ex-conselheiro da Casa Branca de Clinton. “A maior parte do dinheiro deve ser revertida para melhorar a vida de trabalhadores de baixa e média renda. Ao prever a destinação para a redução do déficit, Macron despertou antigas desavenças de classe”.

No ano passado, um grupo de economistas e planejadores políticos dos EUA – incluindo os ex-secretários do Tesouro James Baker e Lawrence Summers e o ex-secretário de Estado George Shultz – defendeu uma nova abordagem: um imposto de US$ 40 (R$ 154) por tonelada de carbono, o que influiria também nos preços do carvão, petróleo e gás natural. A arrecadação seria usada para pagar dividendos para famílias, por ordem de necessidade. O grupo não conseguiu apoio no Congresso.

O premiê do Canadá, Justin Trudeau, anunciou um imposto a ser cobrado sobre o carbono, de US$ 20 (R$ 77) por tonelada, a partir de janeiro, para as quatro províncias canadenses que não taxam combustíveis fósseis. Trudeau foi eleito em parte com a promessa de adotar uma medida desse tipo, mas a efetivação está custando a ele mais capital político que esperava. Conservadores se opõem ao projeto.

O combate às mudanças climáticas não sofre apenas com a falta de entusiasmo, mas com a ira de movimentos populistas de direita. O partido alemão opositor de direita AfD chamou as mudanças climáticas de farsa.

O presidente Donald Trump, que anunciou a saída dos EUA do acordo climático de Paris, aproveitou o momento para provocar Macron com um tuíte na terça-feira: “Estou feliz de que meu amigo EmmanuelMacron e os manifestantes em Paris chegaram à conclusão que eu cheguei dois anos atrás. O Acordo de Paris é fatalmente defeituoso porque aumenta o custo da energia para os países responsáveis enquanto encobre alguns dos piores poluidores”. (O Estado de São Paulo 06/12/2018)